Arquivo do autor:Irene Hasse

Rota “Encantos Rurais” de Quilombo – são visitas ao simples, ao singelo, ao encanto

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A Rota "Encantos Rurais" de Quilombo é um passeio por recantos construídos campo afora em parceria entre a natureza e a vontade humana de resgatar e preservar o autêntico! 

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São passeios por lugares espalhados entre córregos, colinas e horizontes a perder de vista…São memórias e saudades de infância, ligadas a riachos e porões de sítio… a janelas que se abrem para campos e matas… a jardins de flores, ervas e pedras… a barris de vinho e alambiques de cachaça… a velhos galpões de madeira envoltos no aroma da carne ao fogo e dos pães ao forno… a canteiros orgânicos de hortaliças que crescem puras e deliciosas…São visitas ao simples, ao singelo, ao… encanto!

A Rota “Encantos Rurais”, lançada em setembro de 2017 foi a primeira rota de turismo rural do município. Nesse tempo, um dos maiores benefícios do projeto, além da geração de renda, está sendo, justamente a valorização do agricultor, a contribuição que o projeto dá para a permanência do homem no campo e a possibilidade de que novos negócios surjam em função do turismo:

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Atrações da Rota

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Sítio Favaretto, para um fim de semana com gostinho de antigamente! O Sítio Favaretto está aberto à visitação e também funciona como pousada rural. Uma casa totalmente equipada e cheia de aconchego para receber os visitantes. O local é um cenário privilegiado no meio rural, com enormes áreas verdes, espaços embelezados e com direito a uma cachoeira, própria para banho, no quintal da casa. O Sítio Favaretto apresenta ainda uma mostra do dia a dia no campo com ferramentas e áreas de produção.

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Cachaçaria da Dona Nelva, entre alambiques e canaviais que se transformam em cachaça pura e em licores de ameixa, pêssego, chocolate com pimenta… Produção de uísque, licores e cachaça artesanal. Do licor de chocolate com pimenta à cachaça pura, uma sequência de surpresas para os sentidos, em meio a um cenário campestre com lagos, girassóis, jardins, canavial, galpões de sítio…

Com muito charme e detalhes que encantam o visitante a propriedade da Dona Nelva oferece uma verdadeira aula sobre a fabricação de cachaças, graspa e licores. O processo começa no cultivo da cana feito ali mesmo e na plantação de figos que também são utilizados para geleias e licores. Seguindo o aprendizado herdado do pai que iniciou esse trabalho há muitas décadas, Dona Nelva imprimiu um novo ritmo à propriedade e agora inova ao experimentar a produção de Bourbon em Quilombo.

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Fazenda ASB, cujas porteiras revelam a mesa farta de um churrasco literalmente cultivado em seus próprios pastos… Almoço Colonial – para se viver uma verdadeira experiência no meio rural é preciso saborear as delicias produzidas no campo, e uma das coisas mais importantes desse roteiro é a possibilidade de provar uma alimentação gostosa e saudável com o legítimo sabor da fazenda. O almoço colonial da Rota dos Encantos Rurais de Quilombo oferece comida típica com muita fartura e um atendimento encantador!

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Vinícola Busnello, que, harmonizando a tecnologia e o velho jeito familiar, se mantém de braços e garrafões abertos! A produção de vinhos é uma atividade que envolve dezenas de produtores em Quilombo e é responsável por ajudar a divulgar o nome da cidade para todo o estado de SC. No roteiro de Turismo Rural vamos conhecer a propriedade do casal Busnello que cultiva a uva e produz um premiado vinho na região. No roteiro os visitantes poderão conhecer todo o processo de fabricação, além de degustar os vinhos produzidos pela família.

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Família Cordazzo e sua agroecologia: o quase perdido encanto de levar aos pratos a pura natureza, diretamente de hortas simplesmente surpreendentes! A produção agroecológica também é outro ponto forte do roteiro de Turismo Rural de Quilombo. Na propriedade da Família Cordazzo os visitantes vão poder conhecer uma produção que leva em conta o respeito e a sintonia com o meio ambiente. Na visita os turistas vão aprender sobre captação de água da chuva para a lavoura, cuidados especiais com as hortaliças e com o solo, combate de pragas e muito mais sobre a chamada “produção limpa”; além de trocar experiência com um profundo conhecedor e apaixonado pela agroecologia.

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Café colonial da Dona Paulina, e sua cozinha com quitutes e panificados da vovó para levar pra casa – embora dê vontade de ficar em Quilombo para sempre… Café Rural – Para encerrar o roteiro os visitantes vão conhecer uma agroindústria de panificados de Quilombo onde tudo é feito com muito amor e sabor, e ainda vão poder provar um delicioso café rural com as guloseimas produzidas ali. Tudo isso em um cenário acolhedor onde a produção de flores, especialmente orquídeas, dão um toque especial ao local.

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QUIMEL Além de contribuir para os recursos econômicos do município e dos produtores envolvidos, a QuiMel exerce a consciência de que a produção de riqueza pode e deve caminhar junto com a preservação do meio ambiente e com o incentivo a uma vida mais saudável e natural para as pessoas.

Você poderá redescobrir a importância do mel para a sua saúde e conhecer melhor como funciona o processo que traz até a mesa este alimento indispensável a uma vida de qualidade!

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E tem os trajetos! Ah, os caminhos da roça, feitos de terra e sombra, de sobes e desces por colinas e mirantes, pontes de madeira e paisagens que fazem sorrir… 

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Salto Saudades é um dos segredos que a natureza guardou com mais esmero no interior de Quilombo. E o grande desafio é combinar a continuidade dessa preservação, hoje garantida pelo acesso restrito e sem intervenções infraestruturais, com a facilitação da visitação: afinal, um patrimônio natural tão fascinante merece ser apreciado!

 

Mais informações: http://www.visitequilombo.com.br/rota-encantos-rurais

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Igreja preta chama atenção em comunidade rural de Agrolândia

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A criação da região turística Caminhos do Alto Vale, mudou o mapa do turismo de Santa Catarina e deu a região do Alto Vale do Itajaí, uma visibilidade há muito tempo esperada e merecida.

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A criação da região turística Caminhos do Alto Vale, desmembrou 22 municípios, que antes faziam parte da região turística do Vale Europeu.

São eles: Agrolândia, Agronômica, Atalanta, Aurora, Braço do Trombudo, Chapadão do Lageado, Dona Emma, Ibirama, José Boiteux, Laurentino, Lontras, Mirim Doce, Presidente Getúlio, Presidente Nereu, Rio do Oeste, Rio do Sul, Salete, Santa Terezinha, Taió, Trombudo Central, Vidal Ramos e Vitor Meireles.

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Conta a história que havia a necessidade de construir uma igreja evangélica na comunidade. Moradores se reuniram e conseguiram a doação de um terreno do Sr. Weidlich Siegel e a madeira e o corte pelas serrarias Siegel e Grimm.

A Igreja Preta foi construída no ano de 1933 em madeira e telhas germânicas planas e pintadas com um produto chamado Carborineu, também utilizado para cascos de barcos e navios.

Em 2014 passou por sua primeira reforma, tendo sua cobertura alterada para uma telha mais ecológica e a pintura da madeira por tinta preta. O modelo arquitetônico da igreja foi baseado num modelo da terra natal do Sr. Otto Grimm (in memorian) na Alemanhã, sendo que a parede da igreja é de madeira dupla, na parte interna um tipo de madeira e na parte externa outro tipo de madeira.

Segundo a IECLB (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil) essa é a única igreja preta da congregação no Brasil. Anualmente, a comunidade evangélica da Igreja Preta promove no mês de agosto a tradicional Festa da Colheita, com venda de cucas e bolos, torneios de bingo, rifas e a missa dominical e em seguida um saboroso almoço típico da culinária alemã para o público em geral.

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Além da igreja, casas na cor preta! Na reportagem, do programa Vale Agrícola, você vai conhecer estas construções históricas e curiosas que atraem os olhares de quem visita Agrolândia (SC). Aos 87 anos, quem vai contar a história é a dona Hidegard Stoer Grimm, proprietária de uma delas. Fonte: Vale Agrícola – Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=LByfO1b4qDU

Mais informações: www.agrolandia.sc.gov.br

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Agricultores e técnicos da região de Concórdia conhecem experiências de cooperativismo no Paraná

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Agricultores e técnicos da região de Concórdia realizaram viagem técnica para conhecer experiências de cooperativismo na agricultura familiar no Paraná.

A viagem foi nos dias 21 e 22 de agosto, quando o grupo conheceu a importância da organização dos agricultores para viabilização das propriedades, agregação de valor e melhoria da qualidade de vida no meio rural.

No primeiro dia o grupo foi para os municípios de Carambeí e Castro, onde conheceu uma experiência de intercooperação entre as cooperativas Frísia, Castrolanda e Capal, constituídas por imigrantes holandeses. No dia também foi realizada visita na propriedade de um associado da Castrolanda.

No segundo a visita foi na cooperativa Witmarsum, que está localizada em uma colônia alemã, no município de Palmeira. Essa cooperativa atua em diversas cadeias produtivas, com destaque para o leite. Inclusive o queijo colonial produzido na Colônia Witmarsum possui registro de indicação de procedência no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial)

A viagem técnica é uma ação do Programa Mais Gestão, executado pela Epagri em convênio com a Anater.

Mais informações: grco@epagri.sc.gov.br

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Jovens agricultores da Serra Catarinense conhecem a diversidade do agronegócio na Expointer

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Um grupo de 25 jovens que participam do curso de jovens rurais do Planalto Serrano Catarinense esteve na 42ª edição da Expointer, no dia 28 de agosto, acompanhados por técnicos da Epagri das regiões de Lages e de São Joaquim.

A Expointer, maior feira de exposição de animais da América Latina realizada no município gaúcho de Esteio, proporcionou aos jovens agricultores uma visão holística e atual do agronegócio em áreas como genética de animais, máquinas e implementos agrícolas, comércio e perspectivas futuras, agroindústrias familiares e organização das cadeias produtivas e seus desdobramentos frente ao mercado consumidor.

Durante a visita os jovens foram divididos em cinco grupos conforme o interesse nas áreas: pecuária de corte, gado leiteiro, ovinos, máquinas e implementos agrícolas, agroindústria e artesanato.  Segundo a coordenadora do curso, extensionista Maria Regina Ribeiro, a viagem técnica despertou o protagonismo dos jovens ao se depararem com diferentes possibilidades que o agronegócio proporciona aos agropecuaristas e às famílias ligadas à agricultura familiar.

“Na Expointer o grupo conseguiu vislumbrar a grandiosidade do agronegócio brasileiro e suas oportunidades e aplicabilidade nas propriedades de nossa região, com negócios inovadores que possam modificar e quem sabe proporcionar um futuro de muito sucesso a esses jovens e suas famílias”, disse a extensionista.

Segundo ela, a proposta do curso, que está em sua 8ª turma, visa incentivar e motivar a organização dos projetos a serem desenvolvidos pelos jovens em suas propriedades rurais, buscando aplicar a inovação e o conhecimento vivenciado durante o curso e na viagem técnica à Expointer 2019. Fonte:Epagri

 

Mais informações:  cetrejo@epagri.sc.gov.br

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Vidas sob o comando das marés: como o movimento das águas impacta na pesca artesanal

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O sobe e desce também influencia o vocabulário das pescadoras: se a maré enche, o mar engorda; se a maré vaza, o mar emagrece. O vaivém das águas inspira expressões como "maré poderosa, vento traiçoeiro, mar bravo" e altera cenários de embarque e desembarque

Mais que o relógio, a maré é quem controla a vida das pescadoras artesanais em Santa Catarina. As oscilações — cheia, do mar para a terra; vazante, da terra para o mar — mexem com o cotidiano delas. A dança das águas também influencia o vocabulário: se a maré enche, o mar engorda; se a maré vaza, o mar emagrece.

Também os diálogos ganham expressões — verbos, adjetivos — como se pessoas fossem: maré poderosa, vento traiçoeiro, mar bravo. Esse vaivém das águas movimenta os locais de embarque e de desembarque. Nos picos de abundância as baleeiras se afastam, deixando trapiches e ranchos sob os cuidados de garças e socós.

Unidas pela geografia e parentesco, estas trabalhadoras conhecem os hábitos umas das outras. Da terra, usam os pontos cardeais para apontar localização das parcerias. Para quem de longe observa, as embarcações parecem caixas de fósforos numa piscina olímpica esverdeada.

Foi isso que nossa reportagem presenciou em 17 de maio nas águas da Baía da Babitonga. Na manhã franjeada de sol surge um pequeno barco. É Rosalina de Souza Usa, a Rosa, e sua imersão da silhueta. Cobre-se com um avental de oleado amarado, protege o pescoço com um lencinho e a cabeça com boné jeans. Entre uma tarrafada e outra, Rosa explica estar pescado camarão branco.

— Camarão é assim: é de dia, é de hora. Somos pescadores de robalo, mas hoje o vento não está ajudando — conta.

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Conhecedora da realidade das águas da Baía da Babitonga, Rosa alerta sobre o nadar finito dos cardumes(Foto: Ângela Bastos)

O marido, Pedro, está no leme e ouve a conversa. Rosa fala sobre a experiência de pescar em parceria.

— Tem dia que é bom e tem dia que não (risos), é como em casa: tem dia que não dá certo. 

Quando isso acontece, será que dá peixe?

— Não, aí só dá briga (risos).

Rosa e o marido formam uma das duplas de pescadores mais experientes da região. Acostumada à rotina, ela se mostra ciente do nadar finito dos cardumes. Para ela, a mesma água onde muitas mulheres aprenderam a nadar e viram saltar a vida nas braçadas dos filhos, precisa de cuidados.

— O mar nos dá muita coisa boa.

Fonte:Por Ângela Bastos – angela.bastos@somosnsc.com.br

 

Mais informações: https://www.nsctotal.com.br/noticias/vidas-sob-o-comando-das-mares-como-o-movimento-das-aguas-impacta-na-pesca-artesanal

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Estudo da Epagri redefine a altura das marés em Santa Catarina

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Análise das marés em Laranjeiras, Balneário Camboriú (foto: Matias Boll, Divulgação)

A Epagri/Ciram usou dados dos últimos dois anos para redefinir a previsão de altura das marés em 10 pontos do Litoral catarinense. O monitoramento vai desde a Ilha da Paz, no Norte do Estado, até Passos de Torres, no Sul.

O pesquisador Matias Boll diz que as novas leituras permitirão avaliações mais precisas nos portos, que usam os dados para definir o horário de entrada e saída dos navios, e também para prever alagamentos na região costeira, causados ou agravados pelas marés.

Foram compilados dados de maré medidos entre 2017 e 2018, com frequência de amostragem de 15 minutos _ o que chegou a mais de 70 mil leituras para cada estação maregráfica. Um software extraiu os padrões, e foi possível recalcular a maré astronômica para cada um dos 10 pontos, por um período de 19 anos.

O resultado do trabalho pode ser visto no link Litoral On-line, do site da Epagri/Ciram. A previsão de maré astronômica tornou-se bastante precisa, exceto pela eventual presença de vento ou outras variáveis meteorológicas que influenciam a maré.

Uma das observações do pesquisador é que, nos últimos anos, os eventos “extremos”, isto é, com alagamentos e prejuízos, têm ocorrido de forma mais rápida e intensa. Fonte: Por Dagmara Spautz

 https://www.nsctotal.com.br/colunistas/dagmara-spautz/estudo-da-epagri-redefine-a-altura-das-mares-em-santa-catarina

 

Mais informações: ciram@epagri.sc.gov.br

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Pesca artesanal é impactada por agrotóxicos, desmatamento e mudanças climáticas

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A experiente pescadora Nair Maria Cabral Mence, a Naca, de Governador Celso Ramos, alerta para as mudanças climáticas

Relatório mostra que atividade é prejudicada pela pesca industrial, cultivo de arroz em grande escala, esportes náuticos, especulação imobiliária, turismo predatório, privatização de terras públicas e mineração

Nem tudo é paz no mundo da pesca artesanal. A atividade sofre impacto das mudanças climáticas, desmatamento e uso de agrotóxicos. As pescadoras que atuam no Litoral catarinense têm percebido alterações no dia-a-dia.

Mudanças repentinas no clima intrigam a experiente pescadora Nair Maria Cabral Mence, a Naca, de Governador Celso Ramos:

— Há 40, 50 anos, a gente se levantava de manhã cedo, olhava o céu e sabia se o vento viria. Hoje, não.

Para ela, estas variações se devem à poluição causada principalmente pelo desmatamento. Mas Naca também aponta que o pescador deveria ser mais cuidadoso:

— Eu já tirei muito lixo das redes, principalmente sacolas de plástico e garrafas PET. Não dá para levar e depois jogar fora, é preciso cuidar da natureza se não um dia tudo acaba — avisa

A cada ano, cerca de 10 milhões de toneladas de lixo chegam aos mares e oceanos. Plásticos e derivados, como sacolas, são os principais detritos encontrados. Bárbara dos Santos, de São Francisco do Sul, afirma que as comunidades pesqueiras correm riscos.

— Já vi tartaruga querendo comer uma sacola de plástico por achar que é uma alga. A gente tem que cuidar do meio ambiente, pois dependemos dele — pede a pescadora.

Josilene Maria da Silva, de Florianópolis, também alerta:

— O mar está mudando, a temperatura do mar está subindo. Antes o peixe procurava a água quente para desovar. Como esquentou, o cardume não vem mais.

Documento cita agrotóxicos como um dos riscos

O relatório “Conflitos Socioambientais e Violações de Direitos Humanos em Territórios Tradicionais Pesqueiros no Brasil”, publicado em 2016, comprova isso. Santa Catarina aparece no mapa e identifica 1.250 famílias enfrentando conflitos nas comunidades do Farol de Santa Marta e de Cigana, em Laguna, e em Garopaba, ambas no Sul do Estado.

A coletânea apresenta informações sobre violências sofridas pelas comunidades de pescadores e pescadoras artesanais que vivem em águas continentais e ao longo do litoral brasileiro. O levantamento é uma iniciativa do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP). Conforme o relatório, desde 2010 cerca de 500 famílias são atingidas por conflitos na região do Farol de Santa Marta, desde 2010; e mais 250 famílias em Cigana, mais anteriormente ainda, a partir de 2003. Em Garopaba seriam 500 famílias nesta realidade que se iniciou em 2005.

“Os conflitos têm agentes causadores diferentes, embora um ou mais atinjam a tradicional modalidade: pesca industrial, cultivo de arroz em escala industrial, esportes náuticos, especulação imobiliária, turismo predatório, privatização de terras públicas, mineração”.

Sobre o plantio, o relatório aponta que o cultivo industrial dos arrozais tem privatizado terras e águas públicas e contamina os recursos hídricos com agrotóxicos que provocam a mortandade das espécies. A atividade de mineração faz a supressão da vegetação nativa e polui com o uso de produtos químicos para o clareamento de areia.

Há, ainda, o avanço da especulação imobiliária por parte de veranistas que provoca disputa pelo território pesqueiro. Esses empreendimentos econômicos têm promovido a degradação de sítios arqueológicos (Sambaquis) existentes na região, denuncia o documento da pastoral social ligada à Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Fonte: Por Ângela Bastos - angela.bastos@somosnsc.com.br

 

Mais informações: https://www.nsctotal.com.br/noticias/pesca-artesanal-e-impactada-por-agrotoxicos-desmatamento-e-mudancas-climaticas

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Mulheres do Mar – Santos Padroeiros

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São Pedro dos pescadores

O Evangelho conta que Simão era pescador no Mar da Galileia e certo dia, depois de muito tentar e nada pescar, ouviu de Jesus: ‘Você será pescador de homens’. A partir daí, Simão começou a seguir Jesus. Pedro é considerado o primeiro Papa da Igreja e tem seu dia comemorado em 29 de junho, sendo o Padroeiro dos Pescadores.

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Navegantes somos todos nós

A devoção para com Nossa Senhora dos Navegantes começou quando portugueses e espanhóis deram início às grandes navegações. Quando os colonizadores chegaram ao Brasil eles desembarcam com a adoração em Nossa Senhora dos Mares, da Boa Viagem, de Nossa Senhora dos Navegantes. Prova disso é que a grande maioria das igrejas e capelas dedicadas à Nossa Senhora dos Navegantes está situada no litoral do Brasil.

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A padroeira Nossa Senhora Aparecida

Nossa Senhora Aparecida é a padroeira do Brasil. Sua imagem foi encontrada por pescadores no rio Paraíba do Sul, no estado de São Paulo, em 1717.

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Iemanjá, a Rainha do Mar

Para religiões de matizes africanas, Iemanjá é a principal divindade feminina associada às águas, além de ser ligada à fertilidade, à maternidade e ao processo de criação do mundo e da continuidade da vida.

Fonte: Por Ângela Bastos - angela.bastos@somosnsc.com.br

 

Mais informações: https://www.nsctotal.com.br/noticias/se-pudesse-eu-morava-no-mangue-diz-paulina-oliveira-pescadora-de-78-anos

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Pesquisa aponta desafios do reconhecimento profissional das mulheres na pesca

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Rose Mary Gerber é antropóloga e defende o reconhecimento na legislação trabalhista não só das mulheres embarcadas, mas também aquelas que ficam em terra participando ativamente dos processos que envolvem a pesca

Pela legislação atual, para conseguir a aposentaria com a denominação pescadora, a mulher deve estar inserida dentro do chamado grupo familiar. Ela é aposentada como pescadora quando prova que é filha ou esposa de pescador

Com o título Mulheres e o Mar: uma etnografia sobre pescadoras embarcadas na pesca artesanal no Litoral de Santa Catarina, a antropóloga Rose Mary Gerber, que atua na Epagri, tornou-se uma referência no tema. O estudo foi lançado em 2013, após 13 meses de trabalho em oito municípios catarinenses e envolvendo cotidiano de 22 pescadoras.

O diagnóstico está centrado em três formas de trabalho da mulher pescadora: das que ficam em terra e trabalham no descasque, na evisceração, na filetagem de peixe, no desconchamento de marisco, em limpeza, beneficiamento e venda do pescado; daquelas que atuam na coleta de berbigão, à beira do mar; e das embarcadas. Neste caso, aquelas que saem todos os dias para o mar.

Além da rotina na pesca, a pesquisadora observou o trabalho em casa, como arrumação, lavação de roupas e preparo das refeições. Na tese defendida na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a antropóloga propõe uma redefinição do conceito de pescador e de pesca. Para Rose, pescador é definido, por exemplo, nos dicionários de língua portuguesa, como um "substantivo masculino singular" e o significado de pesca é "retirar os produtos do mar, de lagoas, de rios".

— Busquei, com o diagnóstico, mostrar que existem pescadoras mulheres e também que todo o processo de retirar, limpar, eviscerar, transformar e vender, tudo isso é a pesca. É a extração de produtos do mar, da lagoa, do rio, até a preparação para a comercialização.

"Sem elas, a pesca não se reproduz"

De acordo com a antropóloga, o trabalho evidenciou o que ela considera ser um dos principais desafios dessas pescadoras, ou seja, serem reconhecidas como profissionais da pesca. Pela legislação atual, para conseguir a aposentaria com a denominação pescadora, a mulher deve estar inserida dentro do chamado grupo familiar. Ela é aposentada como pescadora quando prova que é filha ou esposa de pescador.

— Caso queira requerer o benefício, mas não esteja inserida no formato de grupo reconhecido, ela precisa constituir provas para tentar obter o direito no INSS.

Por lei, para exercer a pesca artesanal é necessário possuir a Carteira de Pescador Profissional (CPP) e a inscrição na colônia de pesca ou sindicato, e participar de cursos previstos pela Capitania de Portos e Marinha, além de pagar as contribuições previstas periodicamente. O convívio com as comunidades pesqueiras possibilitou a pesquisadora a concluir outras coisas:

“A denominada invisibilidade feminina na pesca se dá de duas formas: por parte de quem olha de fora, sejam órgãos públicos, acadêmicos, população de forma mais ampla; e no contexto interno em que as famílias e elas próprias, com ênfase nas que atuam em terra, muitas vezes não se dão conta de que sem elas, a pesca não se reproduz”.

Apesar da capacitação, artesanais usam linguagem para se diferenciar dos industriais

A Marinha do Brasil define duas formas de pescadores: o amador e o profissional, sendo que a última abrange duas categorias. Neste caso, o POP (Pescador Profissional), que se refere a quem faz o curso básico de pesca, e o PEP (Pescador Especializado), título recebido a partir da participação em cursos junto à Capitania dos Portos e à Marinha do Brasil, considerados especializados, como de motorista ou de mestre.

A sessão II da Lei 11.959, considera como atividade pesqueira artesanal, os trabalhos de confecção e de reparos de artes e apetrechos de pesca, os reparos realizados em embarcações de pequeno porte e o processamento do produto da pesca artesanal.

— Embora a Marinha divida os pescadores em POP e PEP, a expressão “pesca artesanal” é usada pelos pequenos pescadores para se diferenciarem da “pesca industrial" — explica Rose Gerber. Fonte: Por Ângela Bastos – angela.bastos@somosnsc.com.br

Mais informações: https://www.nsctotal.com.br/noticias/pesquisa-aponta-desafios-do-reconhecimento-profissional-das-mulheres-na-pesca

Questionada sobre o tema da pesquisa, a antropóloga Rose Mary Gerber, da Epagri, conta que a escolha surgiu a partir de um recorte de jornal que viu na mesa do presidente da Federação de Pescadores de SC, quando foi conversar sobre temas de interesse na área da pesca. “São mulheres que trabalham diariamente na pesca em diferentes etapas da mesma, sendo que na pesquisa que fiz me detive nas que embarcam”.

A pesquisa foi realizada durante os anos de 2010 a 2012 e a defesa da tese em Antropologia Social, pela UFSC, em 2013 sendo que o território com o qual trabalhou foi desde Laguna a Itapoá.

Rose conta que a partir da sua qualificação, que não foi fácil, foi o fator decisivo, de mudar seu foco de pesquisa em que a busca de dados, para a pesquisa, teve momentos bons e outros nem tanto. “Em termos de dificuldades, os deslocamentos que fiz, de carro, de ônibus, de barca, de carona, dependendo onde estavam e como iria encontrar as pescadoras, mas o mais importante foram as alegrias ao ter encontrado tantas histórias de luta, de coragem e de bom humor”.

Cópias do livro Mulheres e o Mar: uma etnografia sobre pescadoras embarcadas na pesca artesanal no Litoral de Santa Catarina foram encaminhados para órgãos como INSS, Colônia e Federação de Pescadores, Ministério da Pesca, advogados e juízes.

Os órgãos públicos para os quais foi enviado o livro, não deram qualquer retorno. “Apenas um servidor do INSS de Florianópolis, logo que saiu a pesquisa, me ligou e, alegando "que é daqui", disse por telefone que não existem mulheres pescadoras, que embarcam. Eu respondi que também sou daqui e posso afirmar que elas existem. Eles é que não veem. São poucas, se comparadas aos homens, mas existem e trabalham tanto, ou mais do que eles. Estas pescadoras são, na maioria, a filha mais velha da família em que o filho não tinha um "corpo para a pesca", famílias de escassez econômica, em que a filha foi chamada para ser pescadora, sem, muitas vezes, perguntar se queria. Entretanto, no exercício diário da pesca, ela se "apaixonou", por esta vida e não vive mais sem ser assim. Em termos de corporalidade, são corpos que se desgastam muito cedo devido a vida no mar. São muitas com cerca de trinta e poucos anos com problema de coluna ou respiratórios devido "a friagem".

"A maior lição que fica do convívio com estas mulheres é que a maior lição é a própria forma de viver, mas o que ensina a viver a vida, em terra, são as lições que o mar dá diariamente mostrando o o momento que vale é o presente, o hoje. Amanhã? Ninguém sabe!" conclui a antropóloga Rose Gerber.

 

Mais informações: www.epagri.sc.gov.br

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“Dei um carteiraço no homem que me proibiu de pescar”, conta Cida da Silva

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Entre uma tarrafeada e outra, Cida mostra que não abriu mão daquilo que aprendeu a gostar: o convívio na praia

Ela entrou para o mundo da pesca com 21 anos. Eram tempos difíceis para sobreviver, marcados pelo preconceito, uma época em que os homens se achavam donos do mar

Do agreste pernambucano para as águas frias do Sul catarinense. Assim é a trajetória de Maria Aparecida Mendes da Silva, a Cida, 59 anos, pescadora artesanal profissional. Cida morou 23 anos no Farol de Santa Marta, em Laguna, onde participava ativamente das atividades pesqueiras e ambientais. Hoje, ela mergulha as redes nas águas salobras da Lagoa de Santo Antônio. Vez que outra, arrisca tarrafear num dos territórios mais concorridos, o canal, onde botos ajudam os pescadores.

— Aqui é um lugar muito bonito, apesar da disputa pelo espaço. Eu evito conflito e fico um pouco distante, pois tem homem que pode se achar o dono do pedaço — diz.

Foi justamente uma atitude machista que levou Cida a se profissionalizar. Lá pelos anos 1990 ela resolveu tarrafear dentro do cerco da tainha, o que é permitido pelos pescadores no momento em que a embarcação cerca o peixe na beira da praia. Certo dia, quando isso acontecia, um homem gritou:

— Tu não podes tarrafear. Dentro do lance só tarrafeiam profissionais.

Cida conta que emudeceu. Mas ficou revoltada e decidiu não abrir mão daquilo que havia aprendido a gostar: o convívio na praia.

— Eu senti que era discriminação, porque havia muitos ali, até crianças pescando — recorda.

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Ao ser impedida por um homem de pescar, Cida não se deixou vencer: recorreu ao Ibama e buscou a carteira profissional – (Foto: Tiago Ghizoni)

Um tempo depois ela decidiu procurar o Ibama e providenciar a documentação exigida. Mais tarde a situação se repetiu. Ela se preparava para atirar a tarrafa dentro do cerco quando o mesmo homem voltou a dizer que ali era só para profissionais. Cida deu-lhe o troco. Tirou a carteira de pescadora profissional do bolso e respondeu:

“Tens razão, aqui é só para profissionais. Dei-lhe um carteiraço”.

Encanto, sobrevivência, valentia

Cida explica que foi um problema envolvendo um terreno que a fez morar na praia do Farol de Santa Marta. Lá, conheceu o pescador Jorginho, falecido há pouco tempo, e que a convidou para ajudar a desmalhar.

— Era uma pessoa muito boa e sabedora que eu estava sem grana. Com isso, ganharia uns peixinhos para levar para a casa — recorda.

A proximidade com o mar a encantou. Gostou, pegou jeito e se ofereceu para o desmalho nos botes que chegavam carregados. Porém, a partilha era pouca. Observou, então, o trabalho da estiva — colocação de paus embaixo dos barcos na hora de colocá-los e retirá-los da água. Única mulher na estiva, Cida teve que enfrentar preconceito.

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Sob o olhar dos homens que fazem a pesca com ajuda de botos no Canal da Lagoa de Santo Antônio, em Laguna, Cida joga sua tarrafa naquele que é um dos territórios mais disputados (Foto: Ângela Bastos)

— Eu entrei na pesca com 21, 22 anos. Era o ano de 1982, tempo em que o machismo era bem maior do que hoje — acredita.

Cida manda um recado às mulheres que sentem discriminação na pesca:

“Eu digo que não desistam, sejam valentes. A luta não é fácil, mas a gente só perde quando desiste”. Fonte: Fonte: Por Ângela Bastos – angela.bastos@somosnsc.com.br

 

 

Mais informações: https://www.nsctotal.com.br/noticias/dei-um-carteiraco-no-homem-que-me-proibiu-de-pescar-conta-cida-da-silva

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