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Saiba como montar um desidratador de alimentos de baixo custo

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A publicação “Construa você mesmo um desidratador de alimentos”, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, disponibiliza o passo a passo para a construção de um desidratador de baixo custo.

Segundo o pesquisador Félix Cornejo, apesar de a desidratação ser uma das técnicas mais antigas de conservação de alimentos, o procedimento continua atual e eficaz. “Esse trabalho visa suprir uma demanda de tecnologias para atender à pequena produção que dispõe de poucos recursos financeiros”, diz.

As peças para a montagem do desidratador são simples e podem ser facilmente encontradas no comércio. Como explica o pesquisador, o sistema de secagem é montado dentro de uma caixa de isopor, onde é instalado o sistema de aquecimento com ventilação e uma estrutura de tubos de PVC com bandejas. “O aquecimento e a circulação do ar de secagem são realizados por um aquecedor de ambiente composto por resistências elétricas e ventilação”.

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Tampa da caixa de isopor colocada transversalmente para manter abertura de entrada e saída do ar de secagem – Foto: Félix Cornejo

A desidratação deve ser feita separadamente para cada tipo de matéria-prima, que inclui frutas, plantas medicinais, ervas aromáticas, condimentos, legumes e tubérculos.

As frutas colocadas no desidratador devem ter um tamanho uniforme. O pesquisador orienta que sejam utilizadas temperaturas de 40º a 50°C para vegetais folhosos e condimentos e de 60º a 70°C para frutas, legumes e tubérculos. A temperatura pode ser ajustada no próprio aquecedor.

O documento da Embrapa, que pode ser acessado através do endereço eletrônico https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/183393/1/DOC-130-construcao-secador.pdf , explica todos os detalhes sobre montagem, utilização e noções de boas práticas de processamento de alimentos. 

 

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Sucesso da agricultura brasileira atrai delegação dos Emirados Árabes Unidos à Embrapa

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Uma comitiva dos Emirados Árabes Unidos (EAU) formada pela Ministra de Segurança Alimentar, Mariam Al Mehairi, e a Embaixadora dos Emirados Árabes Unidos no Brasil, Hafsa Al Ulama, entre outros representantes diplomáticos, visitou a sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Brasília, DF, no dia 2 de janeiro de 2019. 

O objetivo foi conhecer melhor o papel da pesquisa agropecuária no crescimento do agronegócio brasileiro, que hoje é responsável por mais de 23% do PIB nacional. A delegação foi recebida pelo presidente da Empresa, Sebastião Barbosa, e pelo diretor de Pesquisa e Desenvolvimento, Celso Moretti.

O setor agrícola daquele país – que abrange sete emirados (Abu Dhabi, Dubai, Sharjah, Aiman, Um al Quaian, Al Fujayrah e Ra’sal Khaymah) – ainda é pouco expressivo, representando apenas 0,7% do PIB. O principal objetivo da Ministra é mudar esse cenário com foco na ciência e tecnologia, atraindo investimentos para o setor e, principalmente, despertando o interesse da população jovem que hoje está cada vez mais afastada dos ambientes rurais.

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Da esquerda para direita: Celso Moretti, Mariam Al Mehairi e José Manuel Cabral – Foto: Claudio Bezerra

Al Mehairi acredita que a tecnologia é o único caminho capaz de mudar esse panorama nos EAU. Por isso, ela veio conhecer de perto a experiência de sucesso da agricultura brasileira, que em 40 anos transformou o País de importador de alimentos em um dos mais importantes players do agronegócio mundial.

O diretor de P&D da Embrapa endossou o papel determinante da ciência no desenvolvimento da agricultura nacional. Segundo ele, na década de 1970 a tecnologia vinha dos países de clima temperado, o que não se adequava à realidade brasileira. A Embrapa, em conjunto com universidades e empresas estaduais de pesquisa, vem investindo há mais de quatro décadas em pesquisas capazes de “tropicalizar” plantas de interesse agropecuário, como soja, milho e trigo, entre outras, e animais.

Além da produção de bovinos, que é um dos carros-chefes do agronegócio brasileiro, outro dado salta aos olhos do público quando se fala em pecuária é a avicultura, que cresceu 59 vezes nas últimas quatro décadas.

Educação é componente fundamental no sucesso do agronegócio
Moretti destacou também o papel da educação nesse contexto. “Hoje, existem no Brasil 273 instituições de ensino dedicadas à ciência agrícola”, comentou. Esse dado despertou muito a atenção da Ministra, já que para ela é premente aumentar o interesse dos estudantes dos Emirados Árabes na área agrícola. Al Mehairi acredita que ciências de ponta podem ajudar nesse sentido.

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A Ministra conheceu o criobanco, onde as espécies vegetais, animais e de microrganismos ficam conservadas a 196º abaixo de zero.

Segundo o diretor da Embrapa, as disciplinas tradicionais empregadas na pesquisa, como biologia (genética), estatística, química, física e engenharia vêm se alterando ao longo dos últimos anos, recebendo contribuições de áreas correlatas ou totalmente novas. A nova “caixa de ferramentas” da pesquisa e do desenvolvimento contém edição genômica, biologia sintética, análise de grandes massas de dados (“big data”), computação em nuvem, robótica, computação cognitiva, inteligência artificial, dentre outras. A Ministra acredita que o potencial futurístico dessas áreas possa contribuir para tornar a área agrícola mais atraente aos jovens árabes.

Al Mehairi demonstrou muito interesse também na parte financeira da pesquisa agropecuária e na participação do setor privado no orçamento da Embrapa. Hoje, a Empresa conta com um montante de US$ 1 bilhão, quase 100% provenientes do Tesouro Nacional. O diretor de P&D explicou que é difícil calcular a participação privada em termos financeiros, mas explicou que hoje estão em execução mais de 400 contratos em parceria com o setor privado.

Agricultura e sustentabilidade

A participação dos produtores rurais brasileiros na preservação ambiental também instigou a curiosidade das representantes dos EAU. Ao contrário do que é propagado pela mídia internacional, o Brasil preserva hoje mais de 66% de sua área produtiva, o que equivale à superfície de  aproximadamente 48 países da Europa.

E essa participação, como destacou o diretor da Embrapa, é capitaneada pelos próprios produtores especialmente a partir da aprovação do Código Florestal em 2012. “Graças à legislação brasileira, que inclui também o Plano ABC – Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, hoje mais de 25% – 218 milhões de hectares – do Território Brasileiro estão preservados, o que representa um impacto econômico de US$ 750 bilhões”, enfatizou Moretti.

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A Ministra conheceu também a coleção de plantas in vitro. – Foto: Claudio Bezerra

Segurança alimentar

A segurança alimentar é uma das prioridades atuais para os Emirados Árabes Unidos. Segundo a Ministra, mais de 90% das espécies utilizadas na alimentação vêm de outros países e, por isso, um dos focos de sua gestão à frente da Pasta é incentivar a conservação e uso sustentável de espécies nativas da região.

Por isso, após a visita à Sede, a comitiva conheceu o Banco Genético, mantido pela Empresa em uma de suas 42 unidades de pesquisa, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, também em Brasília. Este é hoje o maior banco de espécies vegetais do Brasil e da América Latina e um dos maiores do mundo, com capacidade para conservar mais de 700 mil sementes de importância alimentar. Lá, ela foi recebida pelo chefe-geral da Unidade, José Manuel Cabral, e conheceu também outras formas de conservar recursos genéticos: in vitro e em criobancos.

Em outubro de 1988, foi assinado pelos governos do Brasil e dos Emirados Áreaves um acordo de cooperação que abrange as áreas econômica, comercial, industrial, tecnológica e financeira. Ainda não há projeto de cooperação da Embrapa com instituições dos EAU, mas é provável que a visita seja o embrião de uma futura parceria. “As possibilidades são variadas, é preciso ainda discutir detalhes e definir linhas de atuação conjuntas”, finaliza o diretor. Fonte:Fernanda Diniz/Secretaria de Pesquisa e Desenvolvimento (SPD) 


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Livro da Embrapa ensina a cultivar morangos passo a passo

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Publicação está disponível gratuitamente na internet e tem informações gerais sobre o plantio, inclusive no sistema semi-hidropônico.

 

Sabia que dá para plantar morangos no sistema semi-hidropônico? A Fernanda Missel, de Concórdia, Santa Catarina, escreveu para o Globo Rural perguntando como começar o cultivo e a Helen Martins foi até o Espírito Santo conhecer uma propriedade que aposta nesse sistema (veja no vídeo acima). Mas se você quiser saber ainda mais sobre o plantio da fruta, a Embrapa tem uma publicação com informações gerais, para baixar de graça.https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1092843/morangueiro.Fonte:Por Globo Rural

 

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Embrapa Florestas testa chá-mate descafeinado

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Promovido pela Embrapa Florestas, no sábado (09), quem passou pelo Mercado Municipal de Curitiba pode participar de testes sensoriais com chá-mate.

O objetivo foi verificar a aceitação (método afetivo) de amostras pelos consumidores, identificando assim, se materiais genéticos descafeinados de erva-mate produzem produtos finais de melhor aceitação ou aceitação similar aos tradicionais.

Este é o quarto evento realizado com este objetivo e, desta vez, foi avaliada a aceitação de chás mate obtidos com diferentes clones de erva-mate sem cafeína (descafeinados naturalmente) em comparação a marcas comerciais já existentes no mercado.

O teste abrangeu informações como dados demográficos (sexo, idade, instrução), a aceitabilidade dos produtos (escala hedônica de 9 pontos) e intenção de compra.

Os participantes degustaram 7 amostras de chás mate oriundos de diferentes materiais genéticos descafeinados, comparando-os a duas marcas comerciais.

A intenção da equipe da Embrapa Florestas durante os testes também foi a interação com os consumidores, para troca de experiências e percepções sobre o consumo de erva-mate.
Esta análise é parte do projeto de pesquisa da Embrapa Florestas "Desenvolvimento de material genético melhorado e tecnologias de produção de erva mate – Fase II".

Pesquisa científica e novas opções a produtores rurais e consumidores
Tradicionalmente associada ao consumo de chimarrão e chás, a erva-mate pode ganhar mais utilidades nos mercados de alimentos, cosméticos e detergentes. Pesquisadores da Embrapa estão trabalhando no desenvolvimento de plantas com teores conhecidos de cafeína e outros componentes de interesse, como teobromina e compostos fenólicos (antioxidantes).

Estes trabalhos podem revolucionar o sistema de produção da erva-mate e a forma de consumo, pois abrem caminho para uma variada gama de novos produtos. Existe potencial para desenvolvimento em diferentes frentes: da cafeína, com bebidas e alimentos energéticos ou descafeinados, como no caso das amostras que serão analisadas pelos consumidores neste sábado; da teobromina, com produtos como relaxantes musculares, diuréticos e vasodilatadores; e com compostos fenólicos, os flavonoides, que são antioxidantes e podem trazer benefícios para a saúde, além de aprimorar a composição nutricional e sensorial dos alimentos, bem como ajudar em sua conservação. Fontes: pesquisadores Ivar Wendling e Rossana Catie Bueno de Godoy – Embrapa Florestas

Para saber mais sobre estas pesquisas, acesse: 

https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/11010596/genetica-e-manejo-alteram-teor-de-cafeina-em-plantas-de-erva-mate


Mais informações: https://www.embrapa.br/floresta

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Tecnologia da Embrapa de tratamento de esgoto é aplicada em zona rural

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Até o fim do ano, serão investidos US$ 153 milhões beneficiando 48 mil agricultores familiares residentes em 373 microbacias de 72 municípios do Rio de Janeiro, por meio do programa Rio Rural.

O programa executado pelo governo do estado em parceria com a Embrapa e a Universidade Estadual Norte Fluminense (UENF) é voltado para o saneamento rural, recuperação da qualidade da água, conservação do solo e recomposição da cobertura vegetal

O Rio Rural é financiado pelo Banco Mundial e tem apoio da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), além de uma rede de parceiros que inclui entidades do poder público, ONGs, empresas e outras organizações.

Levantamento realizado pela Embrapa Instrumentação demonstrou, em 2016, que o Rio de Janeiro é o estado que mais adotou a fossa séptica biodigestora. Em 37 municípios, o total instalado foi de 4.087. No município de Cambuci, 58% da população de 3.535 habitantes adotaram a tecnologia, sendo o que mais concentra unidades da tecnologia, 409, seguido por São Francisco do Itabapoana com 309 unidades.

O programa é voltado para o público de mais de meio milhão de habitantes em 2,5 milhões de hectares de área de produção agrícola do estado. Está prevista até o fim do ano a instalação de cinco mil sistemas, incluindo Clorador Embrapa e Jardim Filtrante, tecnologias complementares à Fossa Séptica Biodigestora.

A fossa é dimensionada para uma residência com até 5 moradores, composta por três caixas interligadas. A única manutenção é adicionar mensalmente uma mistura de água e esterco bovino fresco (5 litros de cada), que fornece as bactérias que estimulam a biodigestão dos dejetos, transformando-os em adubo orgânico.

Nesta semana, está sendo ministrado curso para extensionistas de diferentes regiões do estado sobre tecnologias sociais de saneamento básico rural. “Também será abordado o reuso do efluente de esgoto da Fossa Séptica Biodigestora na agricultura”, lembra o supervisor do Setor de Gestão da Implementação da Programação de Transferência de Tecnologia da Embrapa Instrumentação, Carlos Renato Marmo.

Produção orgânica

De acordo com a coordenadora técnica da Secretaria de Agricultura estadual, Helga Restum Hissa, a fossa séptica Biodigestora tem permitido o reuso de água, tornando a produção ambientalmente mais adequada e possibilitando o acesso a sistemas de certificação ou garantia da conformidade da produção orgânica. “Além disso, na recente seca ocorridanas regiões norte e noroeste, o reuso mostrou-se de grande importância para o uso consciente da água”, diz.

As áreas priorizadas para a instalação da tecnologia são regiões de maior concentração da agricultura familiar, com maior participação agrícola na economia municipal, maiores índices de degradação ambiental e elevada pobreza rural. O objetivo é melhorar a qualidade de vida no campo, reduzir os riscos de doenças e de impactos ambientais provocados pelo despejo dos esgotos.

Mais informações: instrumentacao.imprensa@embrapa.br 

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‘Visão 2030’: o olhar da Embrapa para o futuro da agricultura brasileira

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O estudo fez a identificação de sete megatendências globais e sinaliza, ainda, que o Brasil continuará figurando entre os principais protagonistas mundiais na produção e no comércio de grãos e carnes nos próximos anos.

Na semana em que completou 45 anos, a Embrapa lançou o “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”. O documento de 212 páginas é resultado de 18 meses de trabalho e reúne tendências globais e nacionais sobre as principais transformações na agricultura em questões científicas, tecnológicas, sociais, econômicas, ambientais e seus potenciais impactos.

O levantamento foi desenvolvido em alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para a agenda 2030 proposta pela Organizações das Nações Unidas. Um dos destaques é a identificação de sete megatendências. São elas: Mudanças Socioeconômicas e Espaciais na Agricultura; Intensificação e Sustentabilidade dos Sistemas de Produção Agrícolas; Mudança do Clima; Riscos na Agricultura; Agregação de Valor nas Cadeias Produtivas Agrícolas; Protagonismo dos Consumidores; e Convergência Tecnológica e de Conhecimentos na Agricultura.

“No esforço de análise e de prospecção de cenários, buscou-se antever transformações e, assim, contribuir para a definição de diretrizes que orientem a programação de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) de instituições públicas e privadas com foco no desenvolvimento sustentável da agricultura”, diz Edson Bolfe, coordenador do Sistema de Inteligência Estratégica da Embrapa (Agropensa) e da produção do documento.

“Visão 2030” contou com a participação de aproximadamente 400 colaboradores da Embrapa e instituições parceiras, e tem versões digital e impressa. O objetivo do estudo é oferece bases para o planejamento estratégico das organizações públicas e privadas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I).

Para chegar à identificação das sete megatendências, o trabalho se baseou em sinais apontados por diferentes setores da sociedade, incluindo atores das cadeias produtivas agrícolas, segmentos da iniciativa privada, do terceiro setor e de outras organizações públicas. Internamente, estudos realizados no âmbito do Sistema Agropensa, da carteira de projetos e do programa de cooperação internacional da Empresa (Laboratórios Virtuais no Exterior – Labex) forneceram os subsídios para as contribuições e análises de pesquisadores e especialistas que atuam nos mais de 40 centros de pesquisa da Embrapa no País.

Além de explorar aspectos específicos que levaram à percepção das sete megatendências, na publicação são identificados os grandes desafios delas derivados. “A partir desses desafios foram feitas análises sobre como poderá ser a agricultura brasileira nos próximos anos. O objetivo é que as análises geradas contribuam para a tomada de decisões estratégicas da Embrapa e parceiros públicos e privados e para o maior desenvolvimento social, econômico e ambiental do Brasil”, acrescenta Bolfe.

A trajetória e o atual posicionamento da agricultura brasileira frente às tendências e sinais forneceram as premissas para a condução das análises das megatendências. Entre elas, de acordo com a Embrapa, destacam-se o fato de que o Brasil continuará figurando entre os principais protagonistas mundiais na produção e no comércio de grãos e carnes nos próximos anos e a constatação de que a tecnologia foi responsável pelo alcance dessa posição e continuará funcionando como um vetor transformador.

 Estudos que se complementam

O Sistema Agropensa da Embrapa vem trabalhando há anos com a análise e a projeção de cenários sobre a evolução e o futuro da agropecuária no Brasil e no mundo. Tendo em vista os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pelas Nações Unidas, o documento lançado este ano – “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira” – dá continuidade às análises e prospecções futuras consolidadas em duas outras publicações anteriores: “O Futuro do Desenvolvimento Tecnológico da Agricultura Brasileira” (2014) e “Cenários exploratórios para o desenvolvimento tecnológico da agricultura brasileira” (2016)

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Bambu é alternativa de renda na produção familiar

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É possível manejar bambus nativos e fazer da planta uma opção de renda na agricultura familiar. Com técnicas de colheita adequadas o vegetal rebrota com facilidade e pode produzir por muito tempo. É o que concluiu uma pesquisa da Embrapa realizada em comunidades rurais do Acre com o objetivo de comprovar o potencial econômico e viabilizar o aproveitamento desse recurso natural.

Com moradores da Reserva Extrativista Chico Mendes, município de Assis Brasil (AC), os pesquisadores atuaram na definição de um sistema de produção para a cultura. Além de possibilitar o manejo de reservas nativas, as pesquisas realizadas pela Embrapa em parceria com a Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa (Sebrae) e Universidade Federal do Acre (Ufac) contribuíram para desmistificar o vegetal, antes considerado indesejado por sua capacidade de se espalhar rapidamente.

Para demonstrar as potencialidades do bambu aos agricultores, os pesquisadores instalaram um experimento na comunidade Bambuzal e testaram técnicas de seleção, corte e colheita da planta, além de métodos de tratamento e processamento, para garantir qualidade à madeira, segundo conta o pesquisador da Embrapa Acre Elias Miranda. “Paralelamente a esse trabalho, identificamos alternativas sustentáveis de aproveitamento da madeira na propriedade e compradores potenciais para a produção. Aos poucos, eles perceberam que o bambu é uma cultura promissora, com muitas possibilidades econômicas”, relata o cientista.

Sem replantio: bambu rebrota por mais de 30 anos

Perene, de rápido crescimento (algumas espécies crescem até 20 centímetros por dia) e fácil regeneração, o bambu pode produzir por mais de 30 anos, sem a necessidade de replantio. Conforme Miranda, uma das principais particularidades do manejo dessa gramínea é a colheita seletiva, com retirada anual de colmos maduros. Em bambuzais nativos deve ser colhida metade das plantas por touceira. Em cultivos plantados, a partir dos cinco anos é possível colher de 20% a 50% dos colmos com potencial econômico, dependendo da espécie e finalidade de uso.

O pesquisador explica, ainda, que a extração regular, com base em orientações técnicas, ajuda a planejar a produção, facilita a colheita e permite o surgimento de novas plantas, aspecto que garante a manutenção do bambuzal e sustentabilidade à atividade. “Conhecer o comportamento reprodutivo do bambu é importante para orientar empreendimentos comerciais, seja em reservas nativas ou áreas cultivadas. Como se trata de uma planta ainda em fase de domesticação, existe um longo caminho até desvendar plenamente a sua biologia”, afirma Miranda.

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De praga a fonte de renda

Na propriedade do agricultor Assis Oliveira, a família investiu na comercialização de colmos (varas) e esterilhas (pranchas aplainadas utilizadas para a confecção de painéis) tratadas na comunidade. “O aprendizado prático ajudou a transformar em fonte de renda uma planta vista como praga. Em três anos, faturamos 80 mil reais com a venda desses produtos. Uma pena não ter despertado antes para o valor do bambu”, conta Oliveira.

Os resultados motivaram outros produtores rurais a investir no bambu como atividade produtiva, entre eles Francisco da Silva, morador do Assentamento Bandeirante, município de Porto Acre, que há dois anos tem o apoio de pesquisadores no manejo da planta. “Aprendi a realizar a colheita na floresta e tratar a madeira de forma adequada. Hoje atendo encomendas de empresas de Rio Branco e São Paulo. Cada vara de quatro metros custa entre oito e 12 reais, de acordo com o diâmetro”, enfatiza. A meta do agricultor é ampliar o negócio com o cultivo de bambu consorciado com açaí.

No Brasil, há 258 espécies de bambu

De acordo com a Lista de Espécies da Flora Brasileira existem 258 espécies de bambu no País, distribuídas em 35 gêneros e encontradas nos diferentes biomas brasileiros. Essa diversidade, correspondente a cerca de 20% do total dos bambus no mundo, favorece a realização de pesquisas para o melhoramento genético da planta e conservação da espécie, o que é feito pela Embrapa desde 2013, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB). Um dos enfoques desses estudos é a produção de mudas, a partir de materiais genéticos de interesse comercial coletados em localidades da Amazônia e Cerrados.

Entre os resultados dos estudos está a definição de protocolos para a produção de mudas em laboratório, por propagação in vitro, com uso de biorreatores. O método, de acordo com o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) Jonny Everson Pereira, permite multiplicar as plantas de forma semi-industrial e proporciona agilidade ao processo “Isso garante a oferta de mudas de qualidade, em larga escala, e reduz tempo e custos com mão-de-obra”, enfatiza.

Além da técnica in vitro, no Acre a produção de mudas ocorre também em viveiros instalados em propriedades rurais parceiras, atividade que avalia a capacidade reprodutiva de espécies do gênero Guadua. “Por ser um processo simples, a propagação natural, por brotação de estacas, pode ser realizada pelos agricultores para obtenção de plantas tanto para aplicação em benfeitorias na propriedade rural como para gerar renda extra”, diz Miranda. 

Mapa do bambu

A maior reserva natural de bambu do planeta, localizada no sudoeste da Amazônia Legal, abrange cerca de 180 mil quilômetros quadrados de florestas com a presença da planta, que se iniciam na Cordilheira dos Andes, nos territórios peruano e boliviano, e se estendem até o estado do Acre e parte do Amazonas. Essa imensa mancha verde cobre cerca de 40% das florestas acreanas, o equivalente a 4,5 milhões de hectares com bambus nativos, conforme dados do Zoneamento Ecológico-Econômico  (ZEE) do estado. Para conhecer de perto esse recurso natural, desde 2009 um grupo de pesquisadores realiza o mapeamento de diversos municípios.

O trabalho pioneiro revelou maior concentração de bambus com potencial econômico nos municípios de Assis Brasil, Manoel Urbano, Xapuri e Sena Madureira, situados a leste do Estado. “Os conhecimentos sobre as espécies, quantitativo e localização espacial das reservas nativas serviram como subsídio para a criação do Plano Estadual de Desenvolvimento do Bambu, política pública que reúne diretrizes básicas para o uso sustentável desse recurso natural no Acre, estabelece regras para o cultivo e prevê investimentos para a geração de tecnologias para a cultura”, afirma Aldemar Maciel, gerente de projetos do Sebrae. 

Mercado em expansão

Presente em diversas partes do mundo, o bambu é utilizado para diferentes finalidades – da produção de brotos comestíveis à execução de projetos inovadores em arquitetura e engenharia. Segundo a Rede Internacional de Bambu e Rattã (Inbar), entidade que reúne mais de 43 países em iniciativas voltadas para o uso desses vegetais, incluindo o Brasil, o mercado mundial do bambu movimenta cerca de 60 bilhões de dólares ao ano.

No Brasil, conforme dados da Associação Brasileira de Produtores de Bambu (Aprobambu), existem cultivos de bambu no Maranhão (22 mil hectares) destinados à produção de biomassa para geração de energia para o setor industrial, principalmente cervejarias e cerâmicas. Na Paraíba e Pernambuco, os 15 mil hectares com a planta destinam-se à produção de celulose e papel para embalagens para cimento. São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia e Paraná investem em cultivos comerciais com foco na produção de painéis, broto e fitocosméticos.

Guilherme Korte, presidente da Aprobambu, considera as pesquisas essenciais para direcionar investimentos para suprir a demanda crescente por bambu no mercado interno e de outros países. “Temos imensas reservas naturais com espécies de Guadua tão resistentes, leves e flexíveis quanto a madeira convencional, que podem ser aproveitadas, e um clima propício para o cultivo da planta em todas as regiões, inclusive como alternativa para recuperação de áreas degradadas. O caráter renovável e os usos múltiplos fazem do bambu uma excelente alternativa de produção para agricultores familiares e uma opção de negócio sustentável para a região, com benefícios econômicos, sociais e ambientais”, destaca. .Fonte: Diva Gonçalves / Embrapa Acre 
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Mandioquinha-salsa apreciada pelos brasileiros não será mais a mesma

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Apreciada à mesa dos brasileiros, seja como papinha de bebê, frita ou em ensopados de carne, a mandioquinha-salsa (também conhecida como batata-baroa ou batata-salsa) em pouco tempo não será mais a mesma.

Quatro milhões de mudas de duas novas variedades do tubérculo amarelo vão ser plantadas ao longo de 2018 para substituir a variedade Senador Amaral, que ocupa 95% da área cultivada no País. O plantio dessas mudas será feito pela empresa Eagle Flores, Frutas & Hortaliças, que ganhou edital de oferta pública da Embrapa para propagação das novas variedades.

Um único dado explica a tendência de ‘destronização’ da variedade que reinou inconteste nos últimos 20 anos. As novas cultivares BRS Rúbia 41 e BRS Catarina 64, desenvolvidas pela Embrapa, produzem até 80% a mais do que a Amarela de Senador Amaral, que também tinha sido resultado de pesquisas da empresa.

“A expectativa é que, em três anos, as variedades Rubia e Catarina atinjam 50% do material que é plantado hoje na região,” prevê Juary Moreira, responsável técnico pelo escritório local da Emater-MG, em Munhoz, no Sul de Minas.

Neste mês, Rúbia e Catarina serão disponibilizadas ao mercado e, pela primeira vez nessa cultura, com mudas certificadas. Além de melhorar o desempenho da produção, os cientistas pretendem diversificar geneticamente as lavouras.

O pesquisador da Embrapa Nuno Madeira, que coordena os trabalhos de pesquisa com da mandioquinha-salsa desde 2002, esclarece que a diversificação dos materiais é importante para a manutenção da cultura. “O domínio de uma única variedade, como era o caso da Amarela de Senador Amaral, fragiliza a cadeia produtiva ao torná-la suscetível a problemas, como surtos de insetos-pragas, doenças, nematoides ou à ocorrência de intenso calor ou frio”, explica o cientista.

Quanto à produtividade das novas cultivares, de acordo com Madeira, nas lavouras em que o produtor colhia 100 caixas, ele passou a colher até 180 caixas. Para os agricultores, isso se traduz diretamente em aumento de renda pela diminuição dos custos de produção. A BRS Catarina 64 apresentou maior produtividade, porém tem encontrado um pouco mais de resistência no mercado devido ao formato, mais comprido, que dificulta o armazenamento e a embalagem em bandejas.

As duas variedades apresentam características desejadas, como coloração amarela intensa, aroma e sabor característicos. Além do alto potencial produtivo, elas têm maior produção de mudas por plantas se comparadas com a Amarela de Senador Amaral.

“Há duas décadas, quando foi lançado, esse material (Senador Amaral) apresentava boa produtividade, mas com o tempo ele foi se desgastando nesse processo de multiplicação tradicional feito pelos agricultores e hoje apresenta diversos problemas, como falta de uniformidade e ocorrência de doenças”, observa o pesquisador da Embrapa.

O cientista ressalta que essas cultivares foram registradas pela Embrapa, e não protegidas. Isso significa que os produtores podem multiplicar suas mudas para plantios subsequentes em suas propriedades.

Madeira sugere que os agricultores adquiram plantas certificadas todo ano como material propagativo para plantio de um campo de mudas, que por sua vez fornecerá material para o campo de produção de raízes do ano seguinte, e assim sucessivamente, mantendo a qualidade genética da produção. O pesquisador acrescenta que para produzir 120 mil mudas para um alqueire basta um pequeno e caprichado campo com três a quatro mil mudas certificadas.

Lição do passado

Atualmente, são cultivados cerca de 15 mil hectares no Brasil com batata-salsa e a produção é estimada em torno de 150 mil a 200 mil toneladas por ano. Iniberto Hamerschmidt, coordenador de Olericultura da Emater Paraná, lembra que o estado já foi o maior produtor nacional de batata-salsa nos anos 90, com 75 mil toneladas por ano, boa parte obtida na região de Tijucas do Sul. “O problema é que eles cultivavam sempre na mesma área e a mesma cultivar, a Amarela de Carandaí. Daí começaram a surgir pragas, como a broca da mandioquinha e nematoides, e o cultivo foi se degenerando”, diz Hamerschmidt. Metade dos produtores acabaram abandonando a cultura.

Quem permaneceu, começou a plantar a cultivar Senador Amaral e aprendeu a lição. “Hoje os agricultores fazem rotação de culturas, adubação química e orgânica”, diz o engenheiro agrônomo. O eixo da produção da batata-salsa, no entanto, migrou para Minas gerais, que atualmente produz 70 mil toneladas por ano e alcança produtividade de 20 a 22 mil kg por hectare, quase o dobro da produtividade paranaense (12 mil kg por hectare). A explicação, segundo o técnico da Emater, está no fato de os mineiros fazerem uso da irrigação.

No Brasil, o cultivo de batata-salsa envolve cerca de cinco mil famílias e movimenta aproximadamente R$ 2 bilhões por ano. Oriunda da Cordilheira dos Andes, entre o Peru e a Colômbia, de regiões com altitude entre 1.500 a 2.500 metros, a mandioquinha-salsachegou em 1907 ao Rio de Janeiro, de onde se difundiu para regiões serranas do Sudeste e do Sul. Ela também é cultivada no Planalto Central em locais com mais de 1.000 metros de altitude.

É um alimento essencialmente energético, com altos teores de carboidratos de fácil digestão. Dentre as vitaminas encontradas na raiz estão as do complexo B (tiamina, riboflavina, niacina e piridoxina) e a provitamina A, além de minerais como cálcio, magnésio, fósforo e ferro.Fonte: AGRONEGÓCIO GAZETA DO POVO

 

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Maçã com gosto de mel, pêssego ou do que você preferir

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Cientistas brasileiros desenvolvem técnica de micro encapsulamento de nutrientes nas frutas, abrindo caminho para transplantar, também, aromas e sabores diferentes

Vai querer uma maçã com sabor de mel ou de baunilha? Ou prefere um pêssego com uma dose extra de ácido fólico e de potássio?

A diversidade de sabores, aromas e fortificantes a que as pessoas estão acostumadas nos produtos industrializados deverá, em breve, chegar às frutas e vegetais frescos.

A pesquisa brasileira nesse sentido já avançou 70%, segundo Rufino Flores Cantillano, doutor em tecnologia de alimentos e pesquisador da Embrapa Clima Temperado, em Pelotas, no Rio Grande do Sul.

No momento, uma equipe multidisciplinar liderada por Cantillano, da Embrapa e das universidades federais de Pelotas (UFPel) e do Rio Grande do Sul (UFRGS), faz experimentos para obter maçãs com elevados índices de betacaroteno, “transplantados” da cenoura. O consumo de betacarotenos está associado à diminuição do risco de vários tipos de câncer e doenças cardiovasculares. A luteína, por outro lado, protege a retina da degeneração relacionada à idade.

A técnica para enriquecer as maçãs com betacaroteno é a do encapsulamento, estudada há três anos. “Funciona como aquelas cápsulas de remédios. Só que em tamanho de nanopartículas, dissolvidas numa solução e impossíveis de ver a olho nu”, explica o pesquisador.

O mecanismo é simples. A solução aquosa recheada de nanocápsulas adere à superfície da fruta, alterando sua composição nutricional. No momento, os pesquisadores fazem uma série de testes e verificações obrigatórias, como, por exemplo, se o processo altera a digestibilidade da fruta.

A mesma técnica pode ser usada para atribuir aromas à maçã. “Ela permite, por exemplo, que tenhamos uma maçã com aroma de mel”, exemplifica o cientista da Embrapa. “Essa tecnologia estava na indústria e na informática, mas não na agricultura. É um leque de oportunidades que se abre, como alterar o aroma das frutas, uma vez que a gente entenda bem a manipulação”.

Passaporte da maçã na salada de fruta

Em outra frente, mais avançada, a pesquisa da Embrapa em Pelotas conseguiu criar uma solução que retarda a oxidação da maçã, processo que deixa as fatias da fruta escurecidas.

A técnica é capaz de aumentar o tempo de vida útil do produto fatiado de dois para até 12 dias. Os testes estão sendo feitos com as variedades Gala e Fuji, que representam cerca de 90% do consumo brasileiro de maçã.

O tratamento consiste em lavar as frutas em uma solução sanitizante, cortar em gomos, retirar as sementes e mergulhá-las em agente antioxidante durante um minuto. As maçãs são então drenadas, embaladas em bandejas com filme plástico e armazenadas em câmara fria.

“O antioxidante permite que a cor natural do fruto permaneça por mais tempo”, explica o biólogo Jardel Araújo Ribeiro, bolsista de doutorado na Embrapa. Após as avaliações que analisam sabor, cor, aparência, odor e intenção de compra, constatou-se que o produto processado apresentou as mesmas características sensoriais do fruto fresco.

O projeto de pesquisa Inovação Tecnológica para elaboração de Produtos que Agreguem Valor na Cadeia da Maçã e respondeu a uma demanda da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM).

A pesquisa aponta que, ao adotar a comercialização dos seus produtos minimamente processados, os produtores podem triplicar a agregação de valor, visto que os consumidores preferem consumir frutas em porções individuais e já higienizadas.

“Os custos para se realizar essas etapas pós-colheita, que agregam valor à fruta, não são altos se compararmos aos custos das elevadas perdas pós-colheita em frutas e hortaliças, que oscilam entre 30% a 40% no País”, destaca o Cantillano.

A solução que poderá garantir a presença da maçã e da pera na salada de frutas, sem escurecer a sobremesa, contém ácido eritorbico a 3% e cloreto de cálcio a 1%. Outra combinação com resultado igualmente satisfatório foi o Erirtobato de sódio, a 5%, com cloreto de cálcio a 1%.

Novos testes estão sendo feitos para encontrar formulações de antioxidantes que retardem, também, o escurecimento do pêssego e da banana. O sabor e a aparência da salada de frutas estarão garantidos, qualquer que seja a combinação de frutas.Fonte:AGRONEGÓCIO GAZETA DO POVO

 

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Vinhos proibidos

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As ruas de Garibaldi, no interior do Rio Grande do Sul, estavam desertas naquela noite fria de junho. No topo de uma colina, um homem barbudo abre a garagem da sua casa e mostra os tanques de plástico, os barris de carvalho e uma prensa conhecida como torchio. “É aqui que o crime acontece”, ele confessa. O delegado da cidade e agentes da fiscalização agropecuária vistoriaram o local no dia 7 de junho de 2016. Desde então, tudo o que Eduardo Zenker faz em sua vinícola está sendo controlado pelo governo.

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produtor Eduardo Zenker em sua garagem, em Garibaldi (RS)

Conhecida na Serra Gaúcha pela qualidade do vinho artesanal, a Arte da Vinha de Eduardo Zenker produzia 5.000 litros da bebida por ano, em lotes de até 400 unidades. A apreensão do último lote pelos fiscais da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul, em função de denúncias sobre irregularidades sanitárias, provocou reações no setor. Um grupo saiu em defesa da vinificação em pequena escala e com o mínimo de intervenções. “São vinhos totalmente diferentes dos convencionais”, explica o vinhateiro.

Após uma quebra ter reduzido pela metade a safra de 2016, em função do clima adverso, o Brasil produziu 340 milhões de litros de vinhos e espumantes no ano passado, com apoio da crescente produção do Vale do São Francisco (4 milhões de litros). O país ocupa o 16o lugar no ranking mundial da oferta de uva, próximo da Grécia, mas continua longe de ter alguma relevância nas exportações de vinho, como o Chile (quarto maior exportador).

“Sempre fiquei muito frustrado por sermos a última nação a entrar no rol dos grandes vinhos, sendo que a Califórnia começou a produzir depois de nós”, lamenta Marco Danielle, do Atelier Tormentas, de Canela (RS). Atualmente, os Estados Unidos são o quarto maior produtor e sétimo exportador da bebida.

O produtor antecipou o movimento que hoje envolve Eduardo Zenker e outros produtores da Serra Gaúcha. Ele começou a produzir em 2002 e aprimorou suas técnicas após uma visita à França, em 2010, dispensando o dióxido de enxofre (SO2), conservante exigido por lei. Seu pinot noir, uva clássica da Borgonha, coleciona elogios de sommeliers famosos e comparações com os melhores borgonheses. Em 2012, foi eleito um dos cinco melhores do mundo por um renomado especialista holandês na feira de vinhos de Amsterdã.

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Ramatis Russo e Liz Cereja da Enoteca Saint Vin Saint

DENTRO DA PORTEIRA

Marco recebeu a reportagem no galpão que está construindo para transferir sua vinícola. “Estou em franco processo de legalização, em função da caça às bruxas que está acontecendo”, ele diz. Como um “tesouro escondido”, suas garrafas ficam em uma adega subterrânea e são vendidas diretamente para os clientes. “Quem faz vinho artesanal está foragido neste país”, afirmou. “O vinho brasileiro foi achincalhado até que os artesanais começassem a melhorá-lo. É ridículo o que está acontecendo.”

A legislação do setor vitivinícola envolve 30 decretos, explica Kelly Bruch, que representa o Brasil na Organização Internacional do Vinho (OIV). Para ter registro oficial, é preciso cumprir à risca a Lei do Vinho (7.678/1988) e a Instrução Normativa no 5, de 31 de março de 2000, do Ministério da Agricultura. Os pequenos produtores consideram inviável cumprir boa parte dessa legislação, por causa do alto custo. Não são poucas as obras que devem ser feitas em qualquer projeto de vinícola para atender, por exemplo, às regras que dispõem sobre instalações e logística.

A legislação prevê que os produtores da agricultura familiar podem produzir até 20.000 litros por ano, mas, para serem considerados como tal, devem plantar 70% da uva vinificada e vender a bebida somente da porteira para dentro ou em feiras do segmento. “Em algumas situações, os produtores são pequenos, mas não são da agricultura familiar, então não conseguem se enquadrar”, diz Kelly.

No caso de Eduardo Zenker, o enquadramento na agricultura familiar seria impossível, pois ele cultiva apenas 1 hectare de uva, depende da produção de terceiros e vinifica um volume quatro vezes menor que o mínimo estabelecido por essa lei.

O caso dos outros produtores é similar – eles costumam trabalhar com matéria-prima de fornecedores, cuidadosamente selecionada. Além disso, como fazem vinhos de alta qualidade, estão voltados para demandas urbanas distantes das suas propriedades. “Nosso mercado está em São Paulo e no Rio de Janeiro”, observa Eduardo.

Para o chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Mauro Zanus, a legislação rigorosa é importante para garantir a segurança alimentar. Ele lembra que, há 30 anos, na Itália, um produtor utilizou metanol no vinho, matando um consumidor e causando cegueira em outros. “Os italianos perderam o mercado americano durante dez anos por causa disso. O dirigente acredita, no entanto, que o Brasil tem mais chances de dar destaque ao seu produto com os vinhos artesanais. “O produtor artesanal tem uma tendência muito maior de valorizar o produto, por isso é importante rever a legislação.”

 

A Confraria dos Sommeliers apoia o artesanal e critica o limbo jurídico

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Marco Danielle em sua cave, em Canela (RS)

Na visão dos produtores, para quem um dos segredos do ofício é o mofo que se acumula nas paredes da cantina, o uso de aditivos e a esterilização, previstos em lei, são fatores contrários à qualidade. “É tão louca a coisa que querem provas do que você não bota no vinho, mas é permitido utilizar centenas de substâncias”, diz Lizete Vicari, do Domínio Vicari, que começou a produzir vinhos em 2007, em uma garagem na Praia do Rosa (SC). Hoje, ela produz, em média, 1.500 garrafas por ano no porão de casa, em Monte Belo do Sul (RS). Lizete pretende investir na vinícola para não correr mais riscos.

Ela foi a primeira produtora, entre os colegas de Eduardo Zenker, a ser fiscalizada, em 2013, quando ainda morava em Santa Catarina. Um dia antes,  seu vinho, bem como o de Eduardo e Marco Danielle, tinha participado de uma degustação em Paris. Os fiscais foram informados por meio de uma denúncia anônima. “Viram a quantidade de pipas que eu tinha e isso não configurou como comercialização. Mas fiquei um mês sem abrir a cave, com medo de perder tudo”, lembra a produtora.

Na capital paulista, os vinhateiros gaúchos contam com o apoio da Enoteca Saint Vin Saint, que lidera uma campanha para pedir mudanças na lei. “O vinho artesanal remete à história do vinho no Brasil”, observa Lis Cereja, dona do bistrô, que tem uma carta excepcional de vinhos especiais. “Hoje, no circuito internacional, existe uma comoção em cima do vinho brasileiro que nunca existiu, justamente porque os pequenos produtores saíram da mesmice da vinificação convencional”, diz. Seu marido e sócio, Ramatis Russo, considera a legislação de uma natureza draconiana: “Se aplicasse na Europa, afundaria a produção de vinhos que são patrimônio histórico, com 300 anos de tradição, em caves cheias de mofo e poeira.”

Na opinião do especialista em vinhos Jorge Lucki, os artesanais são uma tendência de mercado. “É um nicho com bastante receptividade. O futuro, pra quem sobe um pouco de degrau, é cair fora dos vinhos industrializados”, ele diz. No entanto, ele observa que o fato de a bebida ser produzida fora da norma não garante sua qualidade: “O produtor tem de ter um bom grau de atenção para evitar contaminações.”

Jorge considera, apesar disso, a legislação  brasileira inadequada. “As normas estão fora da realidade. Eu sou contra o que fizeram com o Eduardo, mesmo que o vinho não seja  lá dos melhores. Se ele for cumprir as regras à risca, nunca vai fazer vinho.”

O fiscal agropecuário Carlos Muller, coordenador geral de vinhos e bebidas do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Ministério da Agricultura, explica que a ação contra Eduardo Zenker começou por conta de uma denúncia, após o produtor ter sido entrevistado pelo  programa Globo Repórter, veiculado pela TV Globo.

Para especialistasa produção de vinho artesanal éuma tendência de mercado

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Lizete Vicari no vinhedo em Monte Belo do Sul (RS)

Como Eduardo não detinha nem o registro de estabelecimento nem de produtor, o Ministério da Agricultura determinou uma ação por parte da equipe de fiscalização da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul.

Segundo Carlos, “a ação fiscal foi empreendida dentro da mais estrita legalidade, observando os preceitos do direito administrativo e os ditames legais que regulam essa atividade. Na ocasião, vários produtos foram apreendidos e o estabelecimento clandestino foi fechado cautelarmente”.

O auditor fiscal José Werlang, que chefia a fiscalização de bebidas na Superintendência do Ministério da Agricultura no Rio Grande do Sul, descreve que “foi uma ação realizada e executada com perfeição, que o objeto trata-se de produção clandestina de vinho, onde foram apreendidos 13.950 litros em péssimas condições, condenados a inutilização”. De acordo com José, o processo foi julgado no Ministério da Agricultura em dezembro em primeira instância.

Vinho artesanal faz parte da cultura francesa

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Texto e fotos:Alan Fraga de Montpellier(França)

Dupla mais famosa da gastronomia francesa, o queijo e o vinho são os produtos mais tradicionais na produção artesanal e dos quais os franceses mais se orgulham. Para atender aos anseios da maioria dos consumidores franceses – 63% deles privilegiam regularmente  o consumo de produtos regionais e 93% o fazem de tempos em tempos (segundo pesquisa da OpinionWay) – e garantir a qualidade dos produtos cada vez mais artesanais, a legislação francesa trata de ser ao mesmo tempo simples e complexa.

A Organização Comum do Mercado do Vinho (OCM) estabelece medidas de controle para os vinhos artesanais. Trata-se das regras inerentes, por exemplo, à classificação do vinho (denominações e categorias), às práticas enológicas específicas de cada categoria de vinho, à rotulagem do vinho, ao consumo e à comercialização, como a simplificação das regras de rotulagem em benefício tanto dos produtores como dos consumidores.

Na França, existem duas formas de produção de vinhos: ou se é cooperado, possuindo uma carta que regulamenta as condições gerais para cada produtor vinculado à cooperativa, ou se é um produtor independente, tido como artesanal. Mas estes seguem as regras da instituição fiscal e de marketing e da comissão de repressão a fraudes. Para cada garrafa de vinho artesanal vendida na França, paga-se uma taxa que varia conforme o teor alcóolico do vinho e a região na qual foi produzida.

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As “cavistes”, lojas de venda de vinhos artesanais na França

Todas essas garantias de produção artesanal rastreadas pelas leis garantem um mercado fiel entre produtores, “cavistes” – lojas especializadas em vinhos artesanais – e consumidores.

Em Montpellier, cidade ao sul da França cercada por regiões de grandes “château” e tradicionais vinhos, cavistes em ruas estreitas por onde passam bicicletas atendem a clientes fiéis aos costumes de vinhos exclusivamente artesanais. Instalada desde 2001, La Cave des Arceaux possui mais de 1.000 rótulos de vinhos artesanais, com garrafas que custam mais de 500 euros.

“Faz parte da nossa cultura. A gente consome o vinho artesanal, assim como as carnes, o leite, os ovos, as frutas e os legumes. Os franceses não são muito adeptos dos produtos industrializados, assim como na Espanha, na Alemanha, em Portugal”, ressalta Isabelle Mangeart, viticultora artesanal em Clos de Nimes, no sul da França.

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Desde 2003, Isabelle cultiva as vinhas, produz o vinho e engarrafa em sua propriedade, fazendo parte da revenda própria e parte direcionada às cavistes. Entre as classificações dadas aos vinhos produzidos no país – Vin de France (VDF), IGP, AOP e Vinho Efervescente –, Isabelle produz vinhos IGP e AOP de dez cepas diferentes. O local onde se instalaria para produzir os vinhos não foi uma escolha ao acaso, pois as classificações dos vinhos, mesmo artesanais, exigem padrões mínimos de garantia.Fonte:Matéria originalmente publicada em fevereiro de 2018 na edição 388 da revista Globo Rural / Texto: Bruno Cirillo – Fotos: Marcelo Curia, de Garibaldi (RS)

 

Vinho Artesanal Brasileiro Agricultura familiar

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Grupo de produtores de vinhos artesanais inova ao se diferenciar através da qualificação técnica e adequação à legislação

Junto com os imigrantes italianos veio a arte de elaborar o vinho artesanal ou colonial, produzido inicialmente para o consumo próprio e presente em muitas das propriedades agrícolas da Serra Gaúcha e outras regiões até hoje. Esse produto característico, parte importante da cultura e da vitivinicultura brasileira, desde 2011 vem ganhando uma atenção especial de entidades como a Emater/RS-Ascar, Embrapa, Ibravin, IFRS (Instituto Federal do Rio Grande do Sul), UFRGS, MAPA e SDR (Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo), que se reuniram para contribuir tecnicamente para a qualificação e registro das vinícolas e dos produtos obtidos dentro das normas estabelecidas pela legislação brasileira. Após vários anos de trabalhos, os primeiros resultados da colaboração entre as instituições e os produtores começam a ser alcançados. No último dia 11, técnicos e produtores estiveram reunidos na Embrapa Uva e Vinho para obterem as orientações que poderão resultar no registro das primeiras vinícolas produtoras de vinhos artesanais, após a aprovação da chamada Lei do Vinho Colonial.

"Há cinco anos, nesta mesma sala, formamos um grupo de assessoria técnica informal, para auxiliar na superação dos desafios do segmento do vinho artesanal ou colonial. Na época, entendíamos que era necessário apoiar um segmento que foi e é importante na sustentabilidade de muitos agricultores familiares, em diversas regiões do Brasil. Estes produtores devem ser apoiados para ofertar um produto de alta qualidade e ter o suporte necessário para atender à legislação. Hoje estamos reunidos após termos tido alguns avanços importantes e com o primeiro grupo de 20 produtores encorajados a colocar em prática a solução construída em conjunto", comentou Alexandre Hoffmann, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Uva e Vinho.

Segundo Hoffmann, o grupo colaborou tecnicamente com a Câmara dos Deputados e Senado para a criação da Lei do Vinho Colonial (Lei nº 12.959/2014), que dá visibilidade ao produto elaborado por agricultor ou empreendimento agrícola familar. A Lei estabelece as orientações que o produtor deve adotar e se baseia, essencialmente, na Lei do Vinho (Lei nº 7.678/1988) e em conjunto de instruções normativas que constituem a base legal para a elaboração e comercialização do vinho. "Em outras palavras, a legislação prevê que o produtor atenda aos padrões de identidade e qualidade do vinho, com responsabilidade técnica e com volume limitado de produção, especificamente para os produtores que se enquadram no PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar)", pontuou. Com a adequação, os produtores podem ter segurança jurídica e os consumidores podem ter maior confiança na qualidade do vinho que adquirem.

Ao longo desses cinco anos, técnicos das instituições parceiras, com o apoio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento da Agricultura de Bento Gonçalves, sensibilizaram os produtores para qualificar e legalizar a sua produção do vinho artesanal e proporcionaram meios para fazê-lo. "Ao longo do período, 62 produtores participaram e receberam orientações de como melhorar a sua produção através de cursos de capacitação em áreas prioritárias identificadas pelo próprios produtores ou pelos técnicos que apoiam a ação", sintetizou Thompson Didoné, extensionista da Emater/RS, em Bento Gonçalves. que acompanha a ação desde o seu início.

Os treinamentos envolveram o manejo do vinhedo, elaboração e a análise sensorial dos vinhos. Na visão de Didoné, a etapa atual, que é de acompanhar o registro das vinícolas e dos produtos destes produtores pioneiros, encerra uma parte importante do processo. "Agora estamos conseguindo fechar uma fase do processo e efetivamente viabilizar a sustentabilidade do vinho colonial, preservando a identidade e a maneira tradicional da produção do vinho artesanal, valorizando e incentivando a melhoria dos produtos", concluiu.

As próximas etapas consistirão no registro dos produtores no Programa Estadual de Agroindústria Familiar, seguido da regularização dos documentos, projetos e autorizações para entrar com o pedido de registro da vinícola familiar junto ao MAPA. Após concluída esta etapa, os produtores poderão dar início à atividade da vinícola devidamente regularizada.

O Prosa Rural desta semana fala sobre a coroação de uma antiga reivindicação dos pequenos produtores de vinho do Sul do País: a legalização do vinho colonial. Ao acompanhar o pesquisador Alexandre Hoffmann, da Embrapa Uva e Vinho, o ouvinte vai conhecer os critérios necessários para que o pequeno produtor possa legalizar sua vinícola, saindo, assim, da informalidade. Entre os destaques do programa, detalhes da legislação, como por exemplo, a permissão para a comercialização da produção com o uso do talão de produtor rural para a emissão de notas, sem a necessidade da abertura de uma empresa. Para saber mais, não perca o próximo Prosa Rural, O Prosa Rural é o Programa de rádio da Embrapa.Fonte:https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/32176750/prosa-rural—como-legalizar-o-vinho-colonial

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Primeiros produtores de vinho colonial são apresentados pelo governo do Rio Grande do Sul

Os primeiros empreendimentos familiares gaúchos aptos à comercialização de Vinho Colonial, enquadrados na Lei 12.959/2014, receberam seus números de registro no último sábado (27), durante a abertura oficial da colheita da uva no estado do Rio Grande do Sul – Safra 2018, em Nova Pádua, na Serra Gaúcha. Os produtores Aldo Lazzari, de Garibaldi, e Auri Flâmia, de Bento Gonçalves, foram os primeiros registrados pelo processo que permite a venda em feiras, cooperativas ou na propriedade utilizando apenas o talão de produtor rural para emissão de notas, sem a necessidade de abrir uma empresa.

A solenidade contou com a presença do governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, do secretário estadual da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi/RS), Ernani Polo, do presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Oscar Ló, do chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Mauro Zanus, além de representantes de entidades setoriais.

Durante o evento foi lançada, ainda, uma cartilha explicativa elaborada para auxiliar os produtores nas etapas de formalização. O material foi produzido em parceria entre Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Seapi/RS, Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo do Rio Grande do Sul (SDR/RS), Ibravin, Associação Riograndense Empresa Técnica Extensão Rural (Emater/RS – Ascar), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Uva e Vinho e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

O grupo de trabalho foi também o responsável por ajudar no processo de regularização das primeiras vinícolas que se enquadram na Lei do Vinho Colonial. Os viticultores interessados precisam estar enquadrados como agricultores familiares, com comprovação por meio da Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), estar incluídos no Programa Estadual de Agricultura Familiar (Peaf) e produzir até 20 mil litros por ano, com uvas próprias.

A coordenação da equipe que trabalhou por dois anos na elaboração da lista dos requisitos mínimos de instalações, equipamentos e boas práticas para vinho colonial, também chamado de vinho artesanal, e as consultorias para aplicação da lista de requisitos e elaboração de documentos de boas práticas em empreendimentos piloto foram realizados com recursos da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI), em convênio com o Ibravin.

“A atividade contou com colaboração da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi/RS) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que visitaram alguns empreendimentos do grupo piloto acompanhados pela Emater para validação de materiais e orientação para adequação às exigências legais”, destaca a consultora do Ibravin, Janine Basso Lisbôa.

Janine explica que mesmo produzindo em menor escala e com processos considerados artesanais, as vinícolas deste modelo também precisam atender os requisitos relacionados às boas práticas e controle de qualidade, e ressalta que essa adequação não é difícil e tampouco exige intervenções complicadas. “A lei especifica que as exigências para o registro de estabelecimento produtor de vinho produzido por agricultor familiar ou empreendedor familiar rural devem ser adequadas às dimensões e finalidades do empreendimento e seus procedimentos devem ser simplificados. Por isso, com base na legislação vigente, trabalhamos para construir um material com orientações mais específicas e diretas para auxiliar o entendimento do que é necessário para a formalização”, observa a consultora.

O chefe do escritório da Associação Riograndense Empresa Técnica Extensão Rural (Emater/RS – Ascar) de Bento Gonçalves, o enólogo Thompson Didoné, conta que o processo para legalizar o grupo de pequenos produtores demandou esforços para viabilizar essa regularização em três eixos: tributário, sanitário e ambiental. Ele valoriza também a união das entidades do setor primário que, segundo ele, está sendo fundamental para o registro dos profissionais de vinho colonial. “É uma vitória da agricultura familiar. Logicamente, devem ser cumpridas as exigências sanitárias, mas levando em conta o aproveitamento das instalações já existentes e o aspecto cultural que envolve a produção colonial”, garante.

Segundo Alexandre Hoffmann, um dos articuladores do grupo de trabalho e pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, o momento é de entrega de resultados, após o trabalho de diversas instituições que, ao longo de seis anos, não pouparam esforços para dar o suporte técnico na elaboração da lei e na viabilização do registro de forma mais ágil e simples para quem produz o vinho colonial. "Sabemos que o resultado obtido até aqui atende a uma parcela importante de produtores que tinham dificuldades em conseguir legalizar seus empreendimentos e querem ofertar um produto de qualidade ao consumidor. Pois tão importante quanto alcançar o registro é obter uma uva de alta qualidade e elaborar o vinho de acordo com as boas práticas, sem abrir mão da cultura que está imersa nesse produto tão apreciado", afirma. “Com a adequação, os produtores terão segurança jurídica e os consumidores maior confiança na qualidade do vinho que adquirem”, resume o especialista da Embrapa.

Em abril de 2017 foram realizadas as visitas em empreendimentos interessados na regularização. Entre maio e agosto, a Emater apontou as alterações necessárias na estrutura física dos produtores e o Ibravin realizou consultorias para elaboração de documentos como memorial descritivo e manual da qualidade. A partir no mês de julho, a Emater assessorou o encaminhamento de documentos e na inserção de dados no Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro).

O Rio Grande do Sul concentra a maior parte dos produtores de vinho colonial/artesanal, mas, segundo projeções, estima-se que cerca de quatro mil famílias produzam e vendam sem registar seu vinho no Brasil. A expectativa dos coordenadores do grupo é que essa experiência possa guiar e facilitar a legalização destes agricultores, como um importante fator de renda, sustentabilidade e manutenção da tradição da elaboração de vinho.

Além de Ibravin, Emater, Embrapa Uva e Vinho, Seapi/RS e Mapa, integram o grupo representantes da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo do Rio Grande do Sul (SDR/RS), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS) e do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS).Fonte:Embrapa

 

 

Piccola Cantina, a primeira agroindústria de vinho colonial legalizada no Brasil

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Autoridades, casal Flâmia e os produtos da Cantina

A primeira agroindústria de Vinho Colonial do Rio Grande do Sul, e do Brasil, a Piccola Cantina, foi inaugurada em Bento Gonçalves no início do mês de fevereiro. A propriedade do casal Auri e Diva Flâmia fica em Faria Lemos, no interior de Bento Gonçalves e foi a primeira a receber o certificado de registro.

Agora, a família Flâmia poderá comercializar seus produtos em feiras, cooperativas e associações e diretamente ao consumidor na propriedade utilizando o talão de produtor rural, sem a necessidade de abrir uma empresa, desde que elaborem até 20 mil litros de vinho por ano com 100% de uva própria (fora do RS, o mínimo é de 70%). Durante o evento, no qual estiveram presentes representantes de diversas instituições envolvidas com o projeto do vinho colonial, a cantina também recebeu o Selo “Sabor de Bento”, da prefeitura de Bento Gonçalves, que certifica a qualidade do produto elaborado. .

De acordo com o produtor Auri Flâmia, “agora vai ser possível trabalhar com mais qualidade, podendo vender com nota e com rótulo. A ideia é crescer e fazer mais vinho”.  Para a esposa do produtor, Diva Flâmia, "isso representa um futuro melhor para nossas filhas, que certamente não terão que passar por tudo o que a gente passou, e assim, processar o nosso próprio produto”. 

Para Mauro Zanus, chefe geral da Embrapa Uva e Vinho, a expectativa com essa legalização é abrir as portas para o setor de vinhos do Brasil crescer como um todo. “Nesse primeiro momento está equacionada a questão no estado do Rio Grande do Sul e esperamos, a partir de agora, fortalecer as ações de agro e enoturismo e da própria valorização do vinho, sobretudo o colonial, no segmento de cadeias curtas (venda direta ao consumidor), com mais competitividade e valorização das condições particulares de cada região na arte da elaboração do vinho”. De acordo com ele, essa conquista é mais uma oportunidade de inovação, já que a Embrapa e parceiros vão oferecer cursos de capacitação para qualificar ainda mais os produtores em todos os aspectos relativos ao vinho: desde a elaboração às estratégias de mercado. 

Para Sandra Dalmina, gerente regional da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul esse evento coroa o trabalho que está se fazendo há muito tempo: “desde 2010, várias entidades envolvidas com o setor vitivinícola se reúnem em torno do projeto do vinho colonial, por demanda dos próprios produtores, e que acabou se tornando uma lei”. O Rio Grande do Sul é o primeiro estado a implementar a Lei do Vinho Colonial, que também conta com a complementação da legislação estadual – a Lei da Agroindústria, que enquadra o produtor automaticamente na Lei do Vinho Colonial.

Tarcisio José Minetto, Secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo do RS, acredita que a Lei do Vinho Colonial “resgata toda uma produção culturalmente tradicional.  O esforço de instituições como  a Embrapa, Emater, o Ministério da Agricultura, a Secretaria de Agricultura do RS, a Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, a prefeitura de Bento Gonçalves, principais envolvidas no processo de construção e certificação da lei está gerando resultados: já são 11 agricultores buscando fazer o passo-a-passo da formalização, cuja simplificação permite a venda formal do seu vinho colonial”.  Conforme Minetto, o processo de legalização do vinho colonial resgata a cultura e tradição aliadas à questão do turismo, dando o efeito multiplicador, do ponto de vista econômico e financeiro, gerando a questão de renda e motivação à permanência da juventude no meio rural e a sucessão rural. Assim a economia local circula e se promove o desenvolvimento local e regional. A nova lei ultrapassa fronteiras, pois com esse diferencial de qualidade, mais pessoas poderão visitar nossa região e levar vinhos coloniais de qualidade como lembrança até mesmo para fora do país.Fonte:Embrapa

 

Com ajuda da ciência vinícolas gaúchas de pequeno porte são legalizadas

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A partir da próxima safra, um grupo-piloto de 11 pequenos vinicultores da Serra Gaúcha sairá da ilegalidade e poderá vender e divulgar seus produtos. A conquista é fruto de um trabalho realizado desde 2010 por oito instituições, com a articulação da Embrapa Uva e Vinho (RS), Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS-Ascar). Além de viabilizar uma lei feita sob medida para produtores da região, a Lei do Vinho Colonial, o grupo estruturou um protocolo de adequação que foi decisivo para legalizar a produção. Boas práticas, tais como uso de piso impermeável, paredes laváveis, controle de pragas (portas que impeçam a entrada de roedores e insetos, por exemplo), rastreabilidade e procedimentos para higienização, foram detalhadas na Instrução Normativa 05/2000 com a finalidade de auxiliar vinicultores a adaptar sua produção. Todo o conteúdo foi elaborado e proposto por cientistas e técnicos da área.

Conhecimento tradicional preservado

Os pequenos produtores são, na maioria, descendentes de imigrantes italianos que trouxeram na bagagem a fórmula para produzir o próprio vinho, considerado um item básico na sua alimentação. Com o aumento do enoturismo, a procura dos turistas para conhecer, degustar e levar para casa um pouco do vinho denominado colonial ou artesanal podia deixar o pequeno produtor à margem da lei, pois a necessidade de abertura de empresa para formalizar a atividade vinícola representava uma barreira.

Thompsson Didoné é técnico do escritório municipal da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS-Ascar), de Bento Gonçalves, e relata que o “saber elaborar vinho” foi uma herança repassada de geração para geração, em especial na Serra Gaúcha, que detém hoje 85% da produção nacional de vinho e derivados, segundo dados do Ibravin. Na região, muitos pequenos produtores tornaram-se grandes empresários do mundo do vinho, mas a grande maioria continua sendo de pequeno porte.  “Resgatar o vinho colonial é uma espécie de resgate cultural dos nossos imigrantes. É também uma forma de valorização e legalização para que esse saber-fazer tradicional se mantenha forte. É a concretização de um sonho”, pontua ele, que há 15 anos atua na extensão rural e foi um dos grandes incentivadores da ação conjunta.

Produtores capacitados

Didoné conta que o processo para legalizar o grupo-piloto dos 11 pequenos produtores demandou esforços para viabilizar essa regularização em três eixos: tributário, sanitário e ambiental. “A legislação é direcionada aos pequenos produtores de agricultura familiar, que elaboram até 20 mil litros de vinho por ano e possuem 100% de uvas próprias. Eles precisam seguir normas específicas para garantir a qualidade do produto e adequadas à sua realidade”, conta Alexandre Hoffmann, articulador do grupo de trabalho e pesquisador da Embrapa Uva e Vinho. Mesmo tendo a lei aprovada, o grupo precisou continuar o trabalho e orientar e capacitar pequenos produtores, desde o repasse de tecnologias para a elaboração da bebida até o apoio para adequação das pequenas cantinas atendendo as exigências legais.

Segundo Hoffmann, o grupo colaborou tecnicamente com o Congresso Nacional para a criação da Lei do Vinho Artesanal/Colonial (nº 12.959/2014), que dá visibilidade e segurança ao produto elaborado por agricultor ou empreendimento agrícola familiar. A lei estabelece as orientações que o produtor deve adotar e se baseia, essencialmente, na Lei do Vinho (Lei nº 7.678/1988) e em um conjunto de instruções normativas para a elaboração e comercialização do vinho. “Em outras palavras, a legislação prevê que o produtor atenda aos padrões de identidade e qualidade do vinho, com responsabilidade técnica e com volume limitado de produção, especificamente para os produtores que se enquadram no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)”, destaca. “Com a adequação, os produtores terão segurança jurídica e os consumidores, maior confiança na qualidade do vinho que adquirem”, resume o especialista da Embrapa.

Enoturismo fortalece resgate das tradições

Conforme prevê o Programa, no eixo tributário, foram feitos ajustes para que produtores que elaboram até 20 mil litros de vinho por ano, com uvas provenientes exclusivamente na sua propriedade, possam utilizar o bloco do produtor rural para a comercialização, que deverá ser feita na propriedade, em feiras de produtores ou em cooperativas e associações às quais esteja ligado. Na questão ambiental, a própria equipe técnica da Emater desenvolveu uma planta modelo para tratamento de efluentes. A adoção desta planta já é pré-aprovada para licenciamento pela Secretaria do Meio Ambiente do RS.

Já na questão sanitária, independentemente de ser elaborado por pequenos ou grandes estabelecimentos, por ser um produto para o consumo humano, devem ser seguidas as normas de boas práticas para garantir um alimento seguro. Assim, o grupo de trabalho com coordenação do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) desenvolveu uma lista de requisitos com base na legislação vigente, porém mais detalhada e com explicações específicas para a realidade do vinho colonial. Também foi estruturado um modelo de manual de boas práticas a partir do PAS – Uva para Processamento, porém de forma simplificada.  “Esse trabalho foi desenvolvido e implementado com alguns dos produtores do grupo-piloto para chegar a um formato com boa aplicabilidade.  A lista de requisitos agora estará à disposição em cartilha orientativa, comenta a consultora do Ibravin Janine Basso Lisbôa. Produtores de outros estados poderão usar o material como referência, mas devem se adequar às políticas da agroindústria familiar de cada estado.

Outras normas foram mantidas, como a obrigatoriedade do rótulo, no qual deverá constar a variedade da uva, o nome fantasia do estabelecimento, a data de elaboração e o número da Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Agricultura Familiar (DAP), que foi um ajuste necessário para eliminar a necessidade de formalização de uma empresa.

Visando tornar o processo mais eficiente, as equipes da Superintendência do Ministério da Agricultura do Rio Grande do Sul e da Secretaria do Estado da Agricultura fizeram visitas extraordinárias que serviram para ajustar as questões estruturais dos produtores que manifestaram interesse em se registrar. “Acompanhamos a visita aos 11 produtores que integram o projeto-piloto e atentamos aos itens necessários para a obtenção do registro”, complementa Didoné. A partir disso, a equipe de extensionistas da Emater/RS incluiu no seu calendário uma série de visitas de rotina e acompanhamento dos ajustes nas vinícolas coloniais participantes para orientar os produtores. “O registro é a realização de um sonho, que com certeza vai tirar da informalidade muitos pequenos produtores que poderão legalizar seus empreendimentos”, avalia Didoné.

O grupo de instituições foi mobilizado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS-Ascar) e, além da Embrapa, reuniu representantes do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da Prefeitura de Bento Gonçalves (RS) e das secretarias estaduais de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo e de Agricultura, Pecuária e Irrigação do Rio Grande do Sul.

Primeiras vinícolas legalizadas

Auri Flâmia, da Linha de São Valentim, no interior de Bento Gonçalves, foi um dos primeiros produtores participantes do projeto que conseguiu a legalização da sua vinícola, a Piccola Cantina. Neto de imigrantes italianos, em conjunto com a esposa Diva, cultiva 16 hectares de uvas comuns, como Niágara e ‘BRS Lorena’, e elabora vinhos para consumo próprio e da família e também vende parte da fruta para consumo. Já tinham praticamente toda a estrutura pronta, mas, mesmo assim, precisaram investir cerca de R$ 50 mil para adequar a estrutura conforme determina a norma. “Não me preocupo quando vou ter o dinheiro de volta, mas gosto de produzir vinho e agora que vai ser legalizado fica mais tranquilo. Dá orgulho fazer um bom produto que o pessoal gosta”, comenta Flâmia.

Com a participação da filha mais velha, que é a responsável técnica do estabelecimento,  planejam já na próxima safra fazer os 20 mil litros de vinhos autorizados e comercializar na vinícola ou em feiras de produtores. “Vamos vender em garrafões de cinco litros ou em embalagens pet (plástico) de dois litros, que todos preferem por ser mais práticas e não precisar devolver”, comenta. Sonham que no futuro a propriedade passe a integrar uma rota turística do município, pois os 3,5 km de estrada de chão que separam a BR 470 da sua propriedade proporcionam lindas paisagens, como a vista do Vale da Ferradura.

O produtor Aldo Lazzari, de Garibaldi, não fazia parte do grupo-piloto, mas, em função da urgência devido à fiscalização, recebeu um apoio técnico do grupo gestor e obteve também o registro.

Vinho e turismo

Os irmãos Batistelo, Mateus, Maurício e Marcelo, proprietários dos Vinhos Don Bernardo, localizados no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, aderiram ao projeto de legalização desde o princípio, ainda em 2010, junto com outros 82 produtores do município. Segundo contam, a caminhada foi longa, mas cheia de aprendizados. “A Emater nos incentivou muito e mostrou que íamos ter uma renda a mais ao fazer o vinho e comercializar. E, o melhor, fazer o que a gente gosta”, comenta Mateus.

Eles já tinham o pavilhão, mas foram necessários muitos ajustes que somaram cerca de R$ 50 mil. Com uma produção anual de cinco mil litros de vinho, eles esperam recuperar o investimento em dois anos. “Na frente da antiga casa do nosso bisavô, que fica na frente da vinícola, vamos construir um varejo e também um espaço para os turistas poderem se sentar, beber e aproveitar a vista”, conta Mateus, que é o responsável pela comercialização dos vinhos.

Os irmãos produzem vinhos para a família desde 1995 e contam que participar deste projeto do resgate e legalização já qualificou a produção. Desde 2013, fizeram a conversão dos parreirais para o sistema de espaldeira, que garante uvas de qualidade para a elaboração do vinho. “Toda a parte técnica, do vinhedo à enologia, foi aprendido com a Embrapa e com a Emater. Eles que nos incentivaram a mudar para espaldeira que ia melhorar o vinho”, comenta Marcelo, responsável pelo gerenciamento dos parreirais. Atualmente, eles cultivam as variedades Tempranillo, Marselan, Malbec, Shiraz e Merlot para a elaboração dos seus vinhos.

Mesmo estando fora de uma rota turística conhecida, Vitório e Ivone Somensi, da Cantina Porão do Vale, elaboram vinho há sete anos e, desde que integram o projeto, já conseguem perceber a evolução na sua produção, nos últimos cinco anos. Eles investiram 70 mil reais nos ajustes necessários e estão confiantes que irão recuperar o investimento em até três anos com a venda dos produtos. “Uma agência de turismo nos procurou para organizar visitas. Estão só esperando legalizarmos a estrutura e finalizar o nosso varejo para começarem a trazer os turistas”, contam animados. Além de vinhos de uvas viníferas, como a Merlot, eles também produzem o tradicional vinho de Isabel e Niágara. As bebidas serão comercializadas em garrafas e garrafões de cinco litros.

Próximos passos

Segundo dados da área de Transferência de Tecnologia da Embrapa Uva e Vinho, cerca de três mil pessoas já foram treinadas, muitos dos quais hoje são grandes produtores. Além de coordenar esta ação de legalização, na percepção do pesquisador Alexandre Hoffmann, ainda há muito trabalho para as próximas etapas da pesquisa, como desenvolver e repassar tecnologias para qualificar o vinho colonial.

O Rio Grande do Sul concentra a maior parte dos produtores de vinho colonial, mas, segundo projeções, estima-se que cerca de quatro mil famílias produzam e vendam, sem registar, seu vinho no Brasil. “Conhecemos empreendedores também nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, que, com certeza, também se beneficiarão com os avanços da lei e das tecnologias”, avalia Hoffmann. A expectativa do grupo que coordenou o projeto-piloto é que essa experiência possa guiar e facilitar a legalização desses produtores, como um importante fator de renda, sustentabilidade e manutenção da tradição da elaboração de vinho.Fonte:Embrapa

 

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