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Fusão de empresas públicas vai ser a sobrevivência ou o fim da pesquisa agropecuária?

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Propostas de reestruturação de empresas públicas ligadas ao setor levantam debate sobre o futuro dessas instituições

Parte dos pesquisadores teme que o enxugamento do setor inviabilize a pesquisa agropecuária, considerada vital para impulsionar a produção e geração de renda no meio rural, especialmente para os pequenos produtores.| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

As recentes propostas de reestruturação de empresas de pesquisa agropecuária no Brasil, como a Embrapa e alguns institutos estaduais, sob a justificativa de cortar custos e melhorar a eficiência dessas empresas tem levado os pesquisadores a acalorados debates. Algumas pessoas ligadas ao setor temem que os cortes inviabilizem a pesquisa agropecuária, considerada vital para impulsionar a produção e geração de renda no meio rural, especialmente para os pequenos produtores.

Do alto de seus 88 anos, o engenheiro agrônomo e pesquisador Eliseu Roberto de Andrade Alves, da Embrapa, é um dos que teme pelo futuro da pesquisa. Ele foi um dos palestrantes do debate que abriu, nesta segunda-feira (6), o 41º. Ciclo de Atualização em Ciências Agrárias da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Para Alves, os institutos de pesquisa precisam, antes de tudo, mostrar resultados e também saber como divulgar esses resultados. Somente assim os governantes e a população serão convencidos da importância dessas instituições para o país, segundo ele.

O pesquisador, que foi um dos fundadores da Embrapa, diz que a empresa nasceu espelhada no modelo norte-americano, baseado em conhecimento e pesquisa para o agronegócio. “A pesquisa precisa ter organização e o olho no cliente, que é o agricultor”, pontua. Para ele, o futuro da pesquisa se confunde com o futuro da própria agricultura. “Os avanços precisam ser medidos e divulgados de forma que a população consiga entender. Estamos caminhando para uma agricultura muito bem-sucedida, que bem alimenta os brasileiros, é grande exportadora, mas emprega muito pouco”, sentencia.

A reestruturação da Embrapa vem ocorrendo desde 2017. Desde então, a empresa reduziu o número de áreas administrativas, abriu um plano de demissão voluntária e reduziu de 46 para 42 as unidades de pesquisa no país. No Paraná, o governador Ratinho Júnior apresentou uma proposta de fundir as quatro autarquias ligadas ao campo: o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), a Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Codapar) e o Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA).

No início do ano, o governo da Paraíba fez algo semelhante. Criou a Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer) juntando as estruturas da Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa), Instituto de Terras e Planejamento Agrícola do Estado da Paraíba (Interpa) e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Emater-PB). A justificativa seria uma economia de R$ 20 milhões para os cofres do estado.

Desafios

Segundo Alves, a agricultura brasileira é hoje cada vez mais exportadora, com excedente de produção e muita tecnologia aplicada, o que explica o crescente aumento de produtividade nas últimas décadas. No entanto, a produção está cada vez mais concentrada em poucos produtores. Um efeito colateral do emprego de tecnologia no campo, segundo ele. As cooperativas, que são uma tradição no Sul do país, são uma boa ferramenta para resolver esse problema, diz Alves. “No Sul, a política agrícola envolveu os políticos, prefeitos, governadores e lideranças rurais, de baixo para cima, e visou dar poder de mercado aos produtores. Por isso, o sucesso de suas cooperativas, associações, órgãos de classe e federações.”

Na avaliação do engenheiro agrônomo da Embrapa, a pesquisa é uma “decisão de investir” e “a linguagem que o investidor quer ouvir é a taxa de retorno, com base de cálculo nas tecnologias que os agricultores engendraram a partir dos conhecimentos gerados”. Segundo Alves, o modelo de organização da pesquisa precisa ser facilmente entendido pelos agricultores e baseado naquilo que eles exploram. “Nunca em nomes genéricos difíceis de serem correlacionados com a vida das famílias rurais. O Executivo, o Parlamento e o Judiciário querem saber quanto cada real investido trará de retorno, na linguagem que eles entendem. E também a sociedade. Assim, se pode comparar alternativas de investimentos”, argumenta.

Iapar

Durante o evento na UFPR, o pesquisador da área de Sócio-Economia do Iapar Tiago Pellini reclamou da falta de transparência do governo do estado, que, segundo ele, simplesmente decidiu elaborar um projeto de fusão sem consultar os pesquisadores e demais servidores. “O Iapar participou de todos os programas importantes para a agricultura do Paraná desde a sua criação, há 46 anos. E quando querem mudá-lo, ninguém do instituto é ouvido”, queixa-se. Ele afirmou que já houve uma reestruturação do Iapar em 2014 e que alguns programas foram descontinuados.

“O Iapar segue padrões de eficiência técnica, e não de eficiência econômica”, lembrou Pellini, explicando que a instituição possui atualmente cerca de 90 profissionais com foco em pesquisa aplicada, além de 30 laboratórios e 4 mil hectares de áreas experimentais. “Se perdermos isso, não recuperamos mais. O que nos falta é gente para tocar as pesquisas”, aponta.

Prédio do Iapar em Londrina. Se criado, o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Rural também sediará as suas pesquisas na cidade do Norte paranaense, Roberto Custódio /Arquivo Gazeta do Povo

De acordo com o pesquisador sênior e líder do programa de Sistemas de Produção do Iapar em Londrina, Rafael Fuentes Llanillo, a discussão em torno do projeto de junção dos quatro institutos está apenas começando. O projeto de fusão, que está sendo elaborado por um grupo de técnicos dos quatro institutos, será apresentado até o dia 30 de abril ao governador Ratinho Júnior. Se aprovado, será encaminhado para votação da Assembleia Legislativa do Paraná.

Llanillo concorda que o Iapar carece de pesquisadores, mas que a contratação de novos profissionais tem esbarrado nos limites de gastos impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. A única forma encontrada pelo governo para repor o quadro de forma mais imediata é criando uma nova empresa de pesquisa e incentivando as demissões voluntárias. Com isso, abririam-se novas vagas para a contratação de pesquisadores.

Ele rechaçou as acusações de que não há transparência no processo. “Nada vai ser alterado na alçada do novo instituto. Não haverá destruição da forma de fazer pesquisa. A fase de consulta e discussão começa agora”, reafirma. O Instituto Paranaense de Desenvolvimento Rural, nome provisório da nova instituição, terá a missão de fazer a integração da pesquisa com a extensão rural e a assistência técnica, além de promover o desenvolvimento agropecuário, segundo Llanillo.

Cases

Entre os cases que estão sendo analisados para a formatação da estrutura do novo instituto está a experiência de Santa Catarina, que em 1991 criou a Empresa Catarinense de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri) a partir da união da Associação de Crédito e Assistência Rural do Estado (Acaresc), Instituto de Apicultura de SC (Iasc) e Associação de Crédito e Assistência Pesqueira de Santa Catarina (Acarpesc), entre outras.

Llanillo explica que o Iapar hoje está com 1/3 de sua “força motriz”, ou seja, apenas 88 pesquisadores. Destes, 25 estão para se aposentar. Daqui a três anos, mais 10 também poderão se aposentar. “Ficaríamos com 20% da nossa capacidade de pesquisa”, pontua. Com isso, argumenta, o Instituto perderia naturalmente a capacidade de produzir pesquisa. Além disso, a integração proporcionaria uma economia anual de R$ 4,6 milhões aos cofres do estado. Outras vantagens, segundo ele, seria ter um planejamento mais integrado, com adoção de programas prioritários e ações regionalizadas.". João Rodrigo Maroni, especial para a Gazeta do Povo

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Agrônomos alertam governo do Paraná sobre riscos da fusão Iapar/Emater

As recentes propostas de reestruturação de empresas de pesquisa agropecuária no Brasil, como a Embrapa e o Iapar (foto), sob a justificativa de cortar custos e melhorar a eficiência dessas empresas tem levado os pesquisadores a acalorados debates.| Foto: GAZETA

Agrônomos, pesquisadores, professores, acadêmicos e outros profissionais ligados ao setor de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Paraná (UFPR) encaminharam ao Governo do Paraná um documento que alerta sobrea as implicações de uma fusão entre os principais órgãos de lidam com a agropecuária do estado, o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).

As recentes propostas de reestruturação de empresas de pesquisa agropecuária no Brasil, como a Embrapa e de alguns institutos estaduais, sob a justificativa de cortar custos e melhorar a eficiência dessas empresas tem levado os pesquisadores a acalorados debates. Algumas pessoas ligadas ao setor temem que os cortes inviabilizem a pesquisa agropecuária, considerada vital para impulsionar a produção e geração de renda no meio rural, especialmente para os pequenos produtores.

Na carta endereçada ao governador Ratinho Júnir, os autores afirmam que é necessário que o governo do estado, em conjunto com a iniciativa privada e o terceiro setor, analise melhor “a decisão de fusão entre as duas importantes citadas instituições para que as políticas públicas a serem implementadas nos próximos anos atinjam os verdadeiros objetivos para os quais foram concebidas.”

A carta reafirma a importância história e a necessidade de se aprimorar o papel do Iapar na liderança da pesquisa agronômica no Paraná e que há “riscos” na reestruturação das autarquias, que poderia ocasionar “uma irresgatável perda de identidade institucional do Estado como liderança nacional científica e tecnológica na inovação neste setor, desconstruindo assim um dos principais pilares do sistema de agricultura paranaense.”

A chamada "Carta de Curitiba" foi produzida ao final do encontro batizado de "O Futuro da Pesquisa Agropecuária no Paraná: que rumo tomaremos?", que ocorreu na capital paranaense no dia 6 de maior.

As recentes propostas de reestruturação de empresas de pesquisa agropecuária no Brasil, como a Embrapa e de alguns institutos estaduais, sob a justificativa de cortar custos e melhorar a eficiência dessas empresas tem levado os pesquisadores a acalorados debates.Representantes do setor temem que os cortes inviabilizem a pesquisa agropecuária, considerada vital para impulsionar a produção e geração de renda no meio rural, especialmente para os pequenos produtores.

Entre os palestrantes que participaram do debate na UFPR, que resultou na “Carta de Curitiba”, esteve o veterano pesquisador da Embrapa Eliseu Roberto de Andrade Alves. Segundo ele, os institutos de pesquisa precisam, antes de tudo, mostrar resultados e também saber como divulgar esses resultados. Somente assim os governantes e a população serão convencidos da importância dessas instituições para o país, diz Alves." Fonte:gazetadopovo.com.br/agronegocio

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Guerra do feijão

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Novo feijão transgênico cria impasse entre Embrapa e setor produtivo. Para representantes da cadeia produtiva, solução desenvolvida pela estatal pode prejudicar imagem do produto e travar expansão no país

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Foto Michel Willian/Gazeta do Povo

Uma novidade prestes a ser lançada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está gerando reclamações de representantes do setor de feijão. A variedade transgênica RMD, que é capaz de resistir à doença conhecida como mosaico dourado – provocada por um vírus transmitido pela mosca branca –, vem recebendo críticas por ter potencial, segundo a indústria, de causar prejuízo à cadeia produtiva do feijão carioca, o mais consumido no país.

Para o presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), Marcelo Lüders, a nova variedade é um tiro no pé, pois só a imagem de um produto transgênico para consumo direto já espantaria o consumidor, interno e estrangeiro.

“Quem é que vai escrever na sua marca ‘esse produto é geneticamente modificado’?. Ninguém. O mercado caminha na direção de produtos mais naturais possíveis. E lá fora também vai ser apontado, de modo genérico, que o feijão do Brasil é transgênico”, afirma.

Já o pesquisador da área de Genética e Melhoramento do Feijão da Embrapa Arroz e Feijão Thiago Lívio Souza diz que esse temor do mercado não tem razão de ser. Afinal, o estudo vem sendo desenvolvido há 20 anos e desde 2011, quando a pesquisa foi liberada para ser comercializada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), a Embrapa vem dialogando com a sociedade e com a cadeia produtiva do feijão sem que a nova variedade tenha sido apresentada como um problema.

“Sem esse diálogo não há condições de se fazer registro da variedade e ter essas aprovações”, justifica Souza.

Lüders observa que a transgenia seria algo bem-vindo desde que isso ocorresse diante de uma dificuldade maior, mas que não é o caso do feijão carioca. “Nossa discussão é mercadológica. Essa nova variedade não traz argumentos para aumentar o consumo. Temos feito um esforço para aumentar o consumo do feijão no país. No Brasil, não falta feijão no mercado, falta é mercado para o feijão. Aumentamos muito a produção nos últimos anos e hoje queremos diversificá-la”, explica.

O feijão carioca atualmente responde por até 65% da produção nacional e não tem mercado externo, já que é todo consumido no país.

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Foto Michel Willian/Gazeta do Povo

Segundo a Embrapa, os investimentos em transgenia foram feitos porque ainda não se encontrou uma resistência natural ao mosaico dourado. Além disso, a mosca branca tem mostrado que consegue se adaptar a regiões quentes e frias e a cultivares que se alternam com o feijão, como o milho.

“Essa virose é muito agressiva, principalmente na região do Brasil Central, onde a doença tem sido drástica e tornado a cultura do feijão impraticável”, observa Souza. Segundo ele, a RMD precisa ser uma ferramenta aplicada juntamente com um eficiente plano de manejo, o que inclui o respeito ao vazio sanitário (de setembro a outubro) e à rotação de culturas.

Vacina” contra o mosaico

O vírus do mosaico dourado geralmente infecta a planta e a escraviza para produzir novos vírus. Isso causa amarelamento das folhas, crescimento menor da planta e baixa produtividade. “Nossos pesquisadores isolaram um gene do próprio vírus e o implantaram no DNA do feijão, fazendo com que a planta criasse uma espécie de vacina contra a doença”, ensina Souza. Ele acrescenta ainda que o perfil nutricional de uma planta de feijão transgênica não difere em nada de uma convencional. “Quando o feijão é cozido ele nem apresenta as moléculas que fazem com seja resistente à doença”, complementa.

Segundo o pesquisador, o feijão transgênico também é resistente a antraquinose (de forma natural, não transgênica) e tem potencial produtivo similar às variedades existentes no mercado. O Ibrafe, no entanto, contesta, e diz que a variedade transgênica é mais sensível ao carlavirus (outro tipo disseminado pela mosca branca) e que, por isso, os defensivos químicos terão que continuar a ser usados.

“Essa cultivar tem uma produtividade baixa, ainda que seja em local de mosca branca. Nem agronomicamente se pode defende-la”, diz Lüders.

Entretanto, a Embrapa afirma que durante as pesquisas de campo a quantidade de agroquímicos utilizados na cultura transgênica de feijão caíram, no mínimo, 50%. “Essa pesquisa é baseada em dados e resultados. É difícil contrapor isso com percepções e necessidades comerciais pontuais”, defende-se Souza. “Estamos conversando com sementeiros, empacotadores e não temos sinal de que essa tecnologia possa ser barrada”, continua.

Outra reclamação do Instituto do Feijão é que a cadeia produtiva não foi ouvida sobre essa questão da transgenia. “A Embrapa, por enfrentar problemas de reestruturação, buscou uma pesquisa antiga e criou um factoide. Hoje só se entope de defensivo químico uma lavoura que foi plantada fora do vazio sanitário. Mas a mosca branca não é mais um problema desde que os produtores façam o manejo adequado”, alfineta Lüders. Ele afirma ainda que a indústria não tem como segregar o grão geneticamente modificado do comum, tanto as sementeiras quanto nas empacotadoras.

De acordo com Thiago Souza, a variedade transgênica de feijão carioca deverá estar nas gôndolas dos supermercados no primeiro semestre de 2020. Em nota oficial, a Embrapa informou que a RMD “será ofertada ao mercado brasileiro por meio de empresas de sementes parceiras via licenciamento. Será feita uma oferta pública para selecionar parceiros que atendam a requisitos de qualidade, gestão responsável e experiência no mercado de feijão. Essas empresas integrarão a estratégia de monitoramento comercial estabelecida pela Embrapa, permitindo o correto acompanhamento da tecnologia ao mercado. A Embrapa multiplicará sementes com estes parceiros no plantio de inverno (até maio de 2019) visando atender ao mercado na safra de final de ano (2019/2020), com plantio a partir de outubro.”

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Foto Antônio More/Gazeta do Povo

Atualmente, a estatal responde por 60% da produção de sementes de feijão no Brasil. “Não somos uma empresa aventureira, já lançamos 60 cultivares de feijão. Só queremos que o agricultor tenha mais uma opção. Também não vamos deixar de ter cultivares tradicionais”, esclarece Souza. Ele lembra que em 2017 o Brasil foi o segundo maior produtor de transgênicos do mundo, atrás apenas dos EUA, e que o consumidor brasileiro não rejeita esse tipo de produto na gôndola. Em breve a Embrapa deve anunciar novas variedades transgênicas de feijão, resistentes a outras doenças, segundo Souza.

Imagem contaminada

Para Marcelo Lüders, a transgenia, apesar de ser restrita a uma variedade de feijão carioca apenas, pode “contaminar” a imagem do feijão brasileiro de um modo geral e atrapalhar as exportações. O Brasil passou de 20 mil toneladas de feijão exportadas em 2010 (de diversas variedades) para 162 mil t no ano passado. “Lá fora, a gente começa a buscar uma expansão de mercado. A Europa começa a querer o nosso feijão e temos possibilidade de vender para América do Norte também. Inclusive, estamos num esforço para fazer a rastreabilidade dos produtos”, afirma o presidente do Ibrafe. Fonte: João Rodrigo Maroni, especial para a Gazeta do Povo/

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Embrapa lança nova variedade de alface tolerante ao calor

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A cultivar de alface BRS Mediterrânea, do tipo crespa de folhas verdes, é um dos lançamentos da Embrapa, no mês em que a empresa comemora seus 46 anos. A nova cultivar é resultado da pesquisa para entregar ao setor produtivo cultivares mais adaptadas às condições ambientais ocasionadas pelas mudanças climáticas. A novidade foi anunciada, durante as comemorações do aniversário da Empresa, em Brasília.

A alface é uma hortaliça adaptada ao clima ameno, por isso, romper a barreira do clima foi uma grande conquista para o programa de melhoramento genético da hortaliça. O principal diferencial da nova cultivar, em relação a outros materiais comerciais no mercado, é a tolerância ao florescimento provocado pelo calor, uma qualidade importante devido às elevações de temperatura nas regiões produtoras e ao cenário de mudanças do clima.

"Houve um esforço de pesquisa para adaptar a espécie às condições tropicais do nosso país, principalmente porque altas temperaturas podem fazer a planta florescer antes da hora e produzir látex, uma substância que causa um amargor nas folhas", explica o pesquisador Fábio Suinaga, coordenador do programa de melhoramento genético de alface da Embrapa Hortaliças (Brasília, DF).

A cultivar de alface também se destaca pelo vigor no crescimento vegetativo, sendo, em média, sete dias mais precoce que as cultivares comerciais no mercado. Ou seja, mesmo em condições de temperatura superior à faixa de temperatura ideal de cultivo, as plantas atingem o ponto de colheita, com qualidade e padrão comercial, em um menor intervalo de tempo. Essa característica também é interessante do ponto de vista do escalonamento da produção, já que o mercado consumidor demanda o produto fresco durante todo o ano.


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Adaptação e resistência no campo
A cultivar BRS Mediterrânea é indicada para cultivo em todas as regiões produtoras de alface do país, em qualquer sistema de produção, seja campo aberto, hidroponia ou cultivo protegido. Ela possui tolerância às principais doenças de solo da cultura, fusariose e nematoides-das-galhas, o que reduz a necessidade de aporte de agrotóxicos nos cultivos de alface. Isso soma benefícios para o meio ambiente, mas também para o consumidor, já que a principal forma de consumo são folhas frescas.

Preferência dos consumidores
No mercado nacional, os principais tipos de alface cultivados e consumidos, em ordem de importância econômica, são: crespa, americana, lisa e romana. As variedades de folhas crespas e coloração verde-clara correspondem ao tipo varietal de alface preferido pelos consumidores brasileiros. Ela é hortaliça folhosa mais consumida no país e ingrediente indispensável em saladas e sanduíches. Conhecida por conter poucas calorias e grande quantidade de água – cerca de 95% do seu peso, a alface é fonte importante de sais minerais e vitaminas, com destaque para o cálcio e para a vitamina A.

Parceria no desenvolvimento
A cultivar de alface BRS Mediterrânea foi desenvolvida no âmbito do programa de melhoramento genético de alface da Embrapa Hortaliças, cujo objetivo principal é contribuir com a sustentabilidade da cadeia produtiva de alface no Brasil.

A validação da cultivar foi realizada em conjunto com a empresa Agrocinco, que possui contrato de parceria em Pesquisa e Desenvolvimento com a Embrapa baseado na Lei de Inovação Tecnológica e está licenciada para a comercialização das sementes. A cultivar está registrada e protegida pelos órgãos competentes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Fonte: Embrapa Hortaliças / Foto: Ìtalo Ludke/Embrapa

 

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Aplicativo de celular facilita acesso a informações tecnológicas da Embrapa para produtores de leite

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A Empresa de Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) irá comemorar seus 46 anos de fundação com o lançamento de tecnologias votadas para o agronegócio. Entre os lançamentos está o APPLeite, desenvolvido pela Embrapa Gado de Leite, uma das unidades de pesquisa da instituição. O aplicativo tem o obtivo de tornar mais simples a busca por informações tecnológicas relativas à pecuária de leite para o pequeno e o médio produtor com acesso à internet, via smartphone ou tablet.

A analista da Embrapa Gado de leite, Vanessa Maia, que desenvolveu o AppLeite, diz que o aplicativo promove a convergência para os dispositivos móveis de várias tecnologias desenvolvidas para usuários com baixo nível de letramento. “Já há algum tempo, a Embrapa Gado de Leite tem se preocupado em tornar acessíveis as informações tecnológicas produzidas por seus pesquisadores. Um exemplo é a criação de cartilhas no formato de e-books utilizando uma linguagem mais adequada aos produtores que tiveram pouco acesso à educação formal”, explica Vanessa.

O próprio APPLeite foi desenvolvido para que mesmo usuários com pouca experiência no uso da internet possam navegar de forma descomplicada. “Para garantir uma navegabilidade simples e objetiva, que atenda o público alvo, tanto os ícones quanto o layout das páginas de navegação foram pensados juntamente com os produtores”, diz a analista. Segundo Vanessa, o aplicativo também é voltado para técnicos da extensão rural, que trabalham diretamente com os produtores, além de estudantes de cursos relacionados às ciências agrárias.

Os analistas da Embrapa esperam uma boa repercussão do aplicativo, já em sua fase de testes, sem nenhuma divulgação, foram registrados mais de 100 downloads. O APPLeite estará disponível na Play Store, após o lançamento, de forma gratuita para smartphones que utilizam o sistema Androide. A equipe da Embrapa já trabalha para disponibilizá-lo também em IOS.

Está programada uma segunda versão do aplicativo que deverá ser lançado no segundo semestre de 2019. Nela, haverá sistema de recomendação de conteúdo baseado no perfil do usuário, no histórico de navegação e nas preferências de outros usuários com perfil semelhante. Outra novidade será um canal de comunicação via WhatsApp.

Tecnologias na palma da mão – O aplicativo possui sistema de busca por ‘palavra-chave’ ou comando de voz, além de compartilhamento em redes sociais e e-mail. Confira o conteúdo que pode ser acessado:

- E-books: cartilhas em formato e-book, comunicados técnicos em PDF e outras publicações de interesse do público alvo, selecionadas para aprimorar as atividades do dia a dia no campo.

- Vídeos: orientações técnicas dadas por analistas e pesquisadores da Embrapa em vídeos curtos, voltados para a prática da pecuária de leite.

- Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) – por mensagem de e-mail, é possível resolver dúvidas relacionadas à pecuária de leite com a equipe técnica da Embrapa.

- RepiLeite – rede social temática dedicada à cadeia do leite, permite ao participante debater uma série de temas em fóruns online. Também oferece uma programação de palestras com transmissão ao vivo e acesso gratuito.

- Soluções Tecnológicas – o aplicativo permite localizar facilmente informações sobre práticas agropecuárias, cultivares de forrageiras, análises laboratoriais, softwares e outras soluções tecnológicas da Embrapa.

- E@D Leite – o usuário também pode visualizar as opções de cursos a distância de curta duração e se inscrever no tema de seu interesse.Fonte:Embrapa Gado de Leite 
 

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Embrapa chega aos 46 anos pronta para novos desafios

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Nas últimas quatro décadas, a Embrapa contribuiu para que o Brasil aumentasse em cinco vezes a produção de grãos – em 240% a produção de trigo e milho, 315% a produção de arroz, sem contar a elevação da produtividade do setor florestal em 140%, e o triplo do setor cafeeiro.

Daqui pra frente a expectativa é ainda maior. Maturidade tecnológica, inovação aberta, parcerias e proximidade com o setor produtivo são conceitos que a Empresa trabalha para avançar.

Criada para – por meio da ciência – revolucionar a forma de produzir alimentos no País, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) completa 46 anos na próxima sexta-feira (26), em plena era de transformações. O momento é de se reinventar, atuar não apenas para aumentar a produção científica e as entregas imediatas para a sociedade, mas também prospectar cenários e oportunidades que permitam ajudar a construir o futuro da agropecuária nacional.

Em 2018, para cada R$ 1,00 aplicado na Empresa, foram devolvidos R$ 12,16 para a sociedade – um lucro de R$ 43,52 bilhões gerado a partir do impacto econômico no setor agropecuário de apenas 165 tecnologias e cerca de 220 cultivares geradas pela pesquisa. Entre 2016 e 2018, quantitativamente, o empenho da ciência no desenvolvimento de novas tecnologias, produtos e serviços superou a marca de duas mil inovações que estão deixando marcas e repercutindo positivamente em inúmeros segmentos.

E não por coincidência, a Embrapa está na liderança da produção científica do ranking das instituições não acadêmicas do País e entre as dez primeiras com o maior nível de produtividade, de acordo com o Balanço Social 2018, o estudo que reflete qualitativa e quantitativamente o que representa a Empresa no cenário do agro nacional.

Ciência para todos
Com o suporte de 9.469 empregados, dos quais 2.405 pesquisadores e cerca de 600 laboratórios, que trabalham não só com a agenda da produção agropecuária, mas com o apoio no fornecimento de subsídios à formulação de políticas públicas, a Empresa tem procurado responder à crescente expectativa da sociedade sobre a instituição de pesquisa.

O presidente da Empresa, Sebastião Barbosa, avalia que grande parte da pobreza brasileira está no meio rural, e, por isso um dos grandes desafios é dedicar ainda mais atenção ao setor. "E isso sem perder de vista que a competitividade do agro brasileiro precisa continuar dando saltos de qualidade para manter essa condição invejável que o Brasil conquistou", diz, ressaltando que há necessidade de trabalhar sem distinções para o grande, o pequeno, o orgânico, o transgênico, a agricultura familiar, a empresarial.

"A Embrapa não impõe tecnologias – ela as disponibiliza e o mercado é quem as regula. Produzimos as ferramentas", comenta o presidente. "Conhecendo as demandas do setor, a gente tem soluções que melhor se adaptam às necessidades do produtor, do consumidor e do mercado. É um processo dinâmico ao qual estamos muito atentos".

Gestão Integrada
A diretora executiva de Gestão Institucional, Lucia Gatto, reconhece o tamanho do desafio que a Embrapa possui. "Precisamos ampliar os resultados positivos também reduzindo o custo de operação", diz. "As melhorias incluem não apenas a gestão de pessoas, máquinas e sistemas, mas todas as áreas funcionais da empresa".

A necessidade de redução da dependência do orçamento público é um fato. Na opinião da diretora, a Embrapa precisa ter acesso a novos modelos de financiamento, como os fundos patrimoniais. "Assim será possível promover relações mais seguras e atrativas para a ampliação de parcerias e a captação de investimentos do segmento produtivo", explica.

Protagonismo científico
O que elevou a Embrapa a uma instituição de pesquisa referência na ciência agropecuária nacional foi o protagonismo. É o que explica o diretor de Inovação e Negócios da Empresa, Cleber Soares, complementando que que no dia a dia do brasileiro dificilmente não está presente alguma contribuição gerada nos laboratórios e campos experimentais da Embrapa.

Ele cita exemplos: no café da manhã, o brasileiro, ao consumir um pão, talvez não saiba que mais de 65% da cadeia de trigo no Brasil são parceiros diretos da Embrapa (e muitos ativos derivados das tecnologias desenvolvidas pela Empresa). Já o leite tem origem provavelmente no sistema intensivo e semi-intensivo desenvolvido pela Embrapa. Um cafezinho no meio da manhã tem tecnologia desenvolvida pelo Consórcio Brasileiro do Café liderado pela Embrapa. Almoço com carne? Mais de 90% da forrageiras tropicais que levam a um bom bife são produzidas pela Embrapa. E mesmo, ao tomar um copo de cerveja no fim do expediente, o cidadão consome tecnologia Embrapa, hoje presente em 85% das cultivares de cevada cultivadas no Brasil.

"Nas principais cadeias produtivas do agronegócio é possível enumerar a sua participação no desenvolvimento de ativos tecnológicos, por meio de produtos, processos, de serviços e na formulação de políticas públicas que impactaram os diferentes setores do agro", diz o diretor. No setor de grãos, na pecuária, no setor de florestas plantadas, no desenvolvimento de sistemas integrados de produção, como a Integração lavoura-pecuária-floresta, na construção de soluções para políticas públicas, na área de fitozoosanidade das principais cadeias produtivas, na contribuição ativa nos planos nacionais de Floresta Plantada, de Feijão e Pulses, de Fruticultura, de Pecuária de Corte e de leite, a Empresa é, segundo ele, referência pelo conhecimento gerado pela ciência.

Cleber Soares destaca o lançamento, durante o aniversário da Embrapa, da página de negócios no portal da Empresa. Ali estarão disponíveis, de forma aberta, os ativos em desenvolvimento e a evolução de cada um para que os interessados em investir e cooperar no desenvolvimento das tecnologias possam manifestar sua intenção.

Outra iniciativa é o projeto Pontes para a Inovação. Com ele, novas possibilidades de parceria são abertas. Investidores e parceiros têm a oportunidade de concorrer por meio de chamadas públicas para atuar com ativos da Empresa em nível de maturidade inicial. Nesse modelo de ambiente de inovação, o parceiro aporta recursos e a Embrapa recebe no desenvolvimento e depois quando vai para o mercado.

Pesquisa e desenvolvimento
A ampliação da produção de alimentos é uma das pautas mais desafiadores para os próximos anos, principalmente considerando-se um cenário global onde, até 2030, a população mundial deverá atingir a marca de 8,5 bilhões de pessoas. "E nesse contexto, tendo em vista a longevidade, e os padrões de consumo pouco sustentáveis, teremos um aumento por demanda em torno de 35%, 40% de energia e algo 50% de água. Vamos ter que produzir mais alimentos com menos energia e menos água", analisa Celso Moretti, diretor de Pesquisa & Desenvolvimento. "O Brasil terá um papel relevante e estratégico e, a Embrapa, uma instituição que atua com geração de conhecimento, vai ter que trabalhar com produtividade, com melhoramento de eficiência, com variedades que usam água de forma mais racional, adaptadas a regiões secas, com mais sustentabilidade, resistência a pragas e doenças, menos pesticidas e agrotóxicos", afirma.

Na agenda da pesquisa a Embrapa vai atuar ainda mais com projetos relacionados à edição gênica, ou seja, com a possibilidade de tecnologias que editem o DNA das plantas, a exemplo dos três projetos com soja e feijão, desenvolvidos em parceria com a norte-americana Corteva.

"Além disso, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) será ainda mais importante. É um trabalho que fazemos com 44 cadeias produtivas, que contribuirá com a indicação de onde, como e o quê plantar", explica o diretor. Ele refere-se à importância econômica da tecnologia que, segundo o Balanço Social, representou mais de 5 bilhões para o agro brasileiro em 2018.

Outra tendência para os próximos anos é a diversificação e a exploração de novos nichos de mercado. "Um exemplo recente é o dos produtores de soja, que em função dos custos elevados, que resultavam em margem de lucro pequena, adotaram a solução da Embrapa e passaram a cultivar grão de bico, em Goiás, e agora vão colher 10 mil hectares de área cultivada", conta Moretti.

O diretor de P&D destaca ainda o reforço nos investimentos na área de insumos biológicos, pela fixação biológica de nitrogênio, com o lançamento em 2019, de edital específico para leguminosas e gramíneas. E cita: "buscar microorganismos do solo para combater nematoides, toda a lógica da bioeconomia em que a Embrapa está inserida, a intensificação sustentável, com o trabalho com ILPF, que começou com 3 milhões de hectares implantados e atualmente está próximo de 15 milhões – tudo isso faz parte dessa programação".

Está previsto reforço na área de "big data", que concentrará investimentos com novos algoritmos, novos computadores para analisar dados, bem como na agricultura 4.0, a exemplo da recente aprovação de um projeto no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) de internet das coisas. "Sensores que estão no campo, avaliando a fertilidade do solo, a velocidade do vento, a umidade, se conectam com tratores e satélites que enviam dados para computadores, no campo para tomada de decisão", explica o diretor. Ele ainda lembra a utilização de drones para monitoramento de pragas e doenças nas plantações.

A convergência tecnológica, que integra conhecimentos de informática, nanotecnologia, geotecnologias, para produzir soluções e resolver problemas, e dar mais competitividade para o agro é um dos focos de atuação da área de Pesquisa e Desenvolvimento da Empresa para médio e longo prazo. Fonte: Embrapa 

 

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Cultura da fartura impulsiona desperdício de alimentos no Brasil

desperdicio alimentos

Compras grandes demais e porções exageradas contribuem para que cada brasileiro jogue mais de 40 quilos de comida no lixo por ano, aponta estudo. Total desperdiçado seria suficiente para alimentar 13 milhões de pessoas.

A cultura do "é melhor sobrar do que faltar" impulsiona o desperdício de alimentos no Brasil, aponta uma pesquisa recente realizada pela Embrapa com apoio da Fundação Getúlio Vargas. O gosto pela fartura, desde a ida ao supermercado até o preparo das refeições, e a preferência por comida fresca à mesa faz com que cada brasileiro jogue mais de 40 quilos de comida no lixo por ano.

Além de ser associada à hospitalidade e ao cuidado com a família, a abundância está ligada ao status, aponta o estudo. "O Brasil é um país muito desigual, e a comida sinaliza riqueza. Famílias que enfrentaram pobreza no passado, por exemplo, tendem a gostar de preparar uma mesa farta, como forma de mostrar que vivem tempos melhores", afirma Gustavo Porpino, analista da Embrapa e líder da pesquisa sobre desperdício, realizada no âmbito dos Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil.

Ter a despensa sempre abastecida também traz tranquilidade para quem tem baixo poder aquisitivo. Por ser prioridade no orçamento, a comida é comprada e estocada em grandes quantidades para garantir que será suficiente para todo o mês. Contudo, o preparo de porções exageradas e o não reaproveitamento das sobras fazem com que parte da comida vá diretamente para o lixo.

A classe social não é o que determina o desperdício, aponta a pesquisa da Embrapa. "As famílias que desperdiçam pouco não são necessariamente as mais pobres, mas as que adotam hábitos de consumo mais sustentáveis", explica Porpino.

Na prática, são as pessoas que fazem compras menores, preparam lista de compras e reutilizam as sobras em novas refeições. A pesquisa, que ouviu 1.764 pessoas de toas as classes sociais e regiões do país, aponta que quem tem maior consciência sobre o impacto do desperdício no orçamento tende a descartar menos comida.

Segundo o estudo, a família brasileira joga fora quase 130 quilos de comida por ano, uma média de 41,6 quilos por pessoa. Os alimentos que mais vão para o lixo, por percentual do total desperdiçado, são: arroz (22%), carne bovina (20%), feijão (16%) e frango (15%).

Cálculos do Instituto Akatu, ONG voltada ao consumo consciente, indicam que se uma família brasileira que gasta em média 650 reais por mês com alimentos reduzisse pela metade o desperdício com comida e depositasse o valor equivalente (cerca de 90 reais por mês) numa poupança, acumularia cerca de 1 milhão de reais em 70 anos, considerando o rendimento anual.

Além de pesar no bolso, o desperdício prejudica o meio ambiente, pois os recursos utilizados na agricultura para a produção de alimentos, como água, acabam sendo em vão.

"A Fao [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] estima que se o desperdício de alimentos fosse concentrado em um único país, ele seria o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, depois dos EUA e da China, representando 8% das emissões globais, e o maior usuário de água, ultrapassando a Índia e a China", compara Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu.

Além da renda familiar e de recursos naturais, com o desperdício de alimentos aptos ao consumo vai para o lixo também a oportunidade de alimentar quem sofre com a fome.

"No Brasil, o elevado desperdício de alimentos convive com a insegurança alimentar, uma combinação infeliz para um país onde 22,6% da população enfrenta algum nível de insegurança alimentar e com 54,8 milhões de pessoas vivendo com até 5,5 dólares por dia, linha de pobreza proposta pelo Banco Mundial", comenta Porpino.

A pesquisa sugere que os brasileiros não estão alheios aos malefícios do desperdício. A grande maioria dos entrevistados (94%) tem consciência de que devem evitá-lo. Segundo Porpino, as sobras até são guardadas na geladeira, como forma de aliviar a culpa, mas não são de fato reaproveitadas. Assim, o descarte é apenas procrastinado.

No âmbito internacional, um terço da produção total de alimentos, ou 1,3 bilhão de toneladas, vai para o lixo, o que seria suficiente para alimentar 2 bilhões de pessoas, de acordo com cálculos da Fao. Com base nesse cálculo, é possível estimar que 8,7 milhões de toneladas de comida são desperdiçadas no Brasil, o suficiente para alimentar mais de 13 milhões de pessoas.

Ainda de acordo com o estudo, os números do Brasil o posicionam à frente da maioria dos países europeus. Uma pesquisa da União Europeia publicada em 2017, por exemplo, revelou que na Alemanha, Espanha, Holanda e Hungria são desperdiçados, em média, 439 gramas de comida por domicílio por semana, enquanto no Brasil são 353 gramas por domicílio por dia.

Uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas é reduzir pela metade o desperdício per capita de alimentos no mundo até 2030. Segundo Mattar, quantificar o desperdício de alimentos e fortalecer os sistemas de informação sobre a geração e coleta de resíduos em cada país é fundamental para que tal objetivo seja alcançado. Fontehttps://g1.globo.com/economia/agronegocios/

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Cultura da fartura impulsiona desperdício de alimentos no Brasil

desperdicio alimentos

A cultura do "é melhor sobrar do que faltar" impulsiona o desperdício de alimentos no Brasil, aponta uma pesquisa recente realizada pela Embrapa com apoio da Fundação Getúlio Vargas. O gosto pela fartura, desde a ida ao supermercado até o preparo das refeições, e a preferência por comida fresca à mesa faz com que cada brasileiro jogue mais de 40 quilos de comida no lixo por ano.

Além de ser associada à hospitalidade e ao cuidado com a família, a abundância está ligada ao status, aponta o estudo. "O Brasil é um país muito desigual, e a comida sinaliza riqueza. Famílias que enfrentaram pobreza no passado, por exemplo, tendem a gostar de preparar uma mesa farta, como forma de mostrar que vivem tempos melhores", afirma Gustavo Porpino, analista da Embrapa e líder da pesquisa sobre desperdício, realizada no âmbito dos Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil.

Ter a despensa sempre abastecida também traz tranquilidade para quem tem baixo poder aquisitivo. Por ser prioridade no orçamento, a comida é comprada e estocada em grandes quantidades para garantir que será suficiente para todo o mês. Contudo, o preparo de porções exageradas e o não reaproveitamento das sobras fazem com que parte da comida vá diretamente para o lixo.

A classe social não é o que determina o desperdício, aponta a pesquisa da Embrapa. "As famílias que desperdiçam pouco não são necessariamente as mais pobres, mas as que adotam hábitos de consumo mais sustentáveis", explica Porpino.

Na prática, são as pessoas que fazem compras menores, preparam lista de compras e reutilizam as sobras em novas refeições. A pesquisa, que ouviu 1.764 pessoas de toas as classes sociais e regiões do país, aponta que quem tem maior consciência sobre o impacto do desperdício no orçamento tende a descartar menos comida.

Segundo o estudo, a família brasileira joga fora quase 130 quilos de comida por ano, uma média de 41,6 quilos por pessoa. Os alimentos que mais vão para o lixo, por percentual do total desperdiçado, são: arroz (22%), carne bovina (20%), feijão (16%) e frango (15%).

Cálculos do Instituto Akatu, ONG voltada ao consumo consciente, indicam que se uma família brasileira que gasta em média 650 reais por mês com alimentos reduzisse pela metade o desperdício com comida e depositasse o valor equivalente (cerca de 90 reais por mês) numa poupança, acumularia cerca de 1 milhão de reais em 70 anos, considerando o rendimento anual.

Além de pesar no bolso, o desperdício prejudica o meio ambiente, pois os recursos utilizados na agricultura para a produção de alimentos, como água, acabam sendo em vão.

"A Fao [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] estima que se o desperdício de alimentos fosse concentrado em um único país, ele seria o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, depois dos EUA e da China, representando 8% das emissões globais, e o maior usuário de água, ultrapassando a Índia e a China", compara Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu.

Além da renda familiar e de recursos naturais, com o desperdício de alimentos aptos ao consumo vai para o lixo também a oportunidade de alimentar quem sofre com a fome.

"No Brasil, o elevado desperdício de alimentos convive com a insegurança alimentar, uma combinação infeliz para um país onde 22,6% da população enfrenta algum nível de insegurança alimentar e com 54,8 milhões de pessoas vivendo com até 5,5 dólares por dia, linha de pobreza proposta pelo Banco Mundial", comenta Porpino.

A pesquisa sugere que os brasileiros não estão alheios aos malefícios do desperdício. A grande maioria dos entrevistados (94%) tem consciência de que devem evitá-lo. Segundo Porpino, as sobras até são guardadas na geladeira, como forma de aliviar a culpa, mas não são de fato reaproveitadas. Assim, o descarte é apenas procrastinado.

No âmbito internacional, um terço da produção total de alimentos, ou 1,3 bilhão de toneladas, vai para o lixo, o que seria suficiente para alimentar 2 bilhões de pessoas, de acordo com cálculos da Fao. Com base nesse cálculo, é possível estimar que 8,7 milhões de toneladas de comida são desperdiçadas no Brasil, o suficiente para alimentar mais de 13 milhões de pessoas.

Ainda de acordo com o estudo, os números do Brasil o posicionam à frente da maioria dos países europeus. Uma pesquisa da União Europeia publicada em 2017, por exemplo, revelou que na Alemanha, Espanha, Holanda e Hungria são desperdiçados, em média, 439 gramas de comida por domicílio por semana, enquanto no Brasil são 353 gramas por domicílio por dia.

Uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas é reduzir pela metade o desperdício per capita de alimentos no mundo até 2030. Segundo Mattar, quantificar o desperdício de alimentos e fortalecer os sistemas de informação sobre a geração e coleta de resíduos em cada país é fundamental para que tal objetivo seja alcançado. Fonte: Revista Globo Rural/ Foto: Reprodução: TV Globo

 

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Cientistas se baseiam em evidências genéticas e arqueológicas para uma nova versão da história do milho

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Uma equipe multidisciplinar internacional com cientistas de 14 instituições comprovou, pela primeira vez, que as plantas de milho trazidas do México para a América do Sul há mais de 6,5 mil anos eram de um tipo genético mais primitivo do que até então se acreditava.

As conclusões se basearam em evidências genéticas, arqueológicas e linguísticas. Fizeram parte do trabalho a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF), o Museu Nacional de História Natural Smithsonian(Estados Unidos) e a Universidade de Warwick (Reino Unido).

Os resultados inéditos dessa pesquisa são relatados na edição da revista norte-americana Science, que circula a partir desta quinta-feira (13/12), em artigo intitulado “Multiproxy evidence highlights a complex evolutionary legacy of maize in South America” (Evidência multi-proxy destaca um complexo legado evolutivo do milho na América do Sul).

De acordo com os resultados, o processo de seleção e domesticação dessa espécie vegetal ainda não havia sido finalizado no México quando as variedades começaram a ser difundidas para a América do Sul, onde ocorreu a “moldagem” final do milho na região sudoeste da Amazônia. Isso significa uma revisão na história da domesticação de uma das mais importantes culturas do mundo, revelando que os agricultores mexicanos e do sudoeste da Amazônia continuaram a melhorar a cultura ao longo de milhares de anos, até que a planta fosse totalmente domesticada nessas regiões.

O relato dos cientistas aprofunda a compreensão das diferentes áreas de pesquisa a respeito da história do milho na mesa. “É a história evolutiva das plantas domesticadas em longo prazo que as torna adequadas para o ambiente humano de hoje”, declara Logan Kistler, curador de arqueogenômica e arqueobotânica do Museu Nacional de História Natural Smithsonian, principal autor do estudo. Segundo ele, entender essa história permite trazer ferramentas para avaliar o futuro do milho, enquanto a humanidade continua a modificar de maneira drástica o ambiente global na tentativa de aumentar a colheita para atender à crescente demanda por alimento em todo o planeta.

Do teosinto ao milho

A pesquisa revela que a história do milho começa com seu ancestral selvagem, chamado teosinto. De acordo com o artigo da Science, o teosinto tem pouca semelhança com o milho que conhecemos nos dias de hoje, pois suas espigas são pequenas e seus poucos grãos são protegidos por uma espécie de invólucro praticamente impenetrável. “De fato não conseguimos esclarecer por qual motivo as pessoas se interessavam inicialmente pelo teosinto, mas sabemos que com o tempo os agricultores foram fazendo seleções e obtendo plantas com características desejáveis, com espigas maiores e grãos mais macios, abundantes, tornando-as a cultura que é hoje”, comenta Kistler.

Durante anos, geneticistas e arqueólogos deduziram que a transformação do teosinto em milho começou nas terras baixas tropicais, atualmente o sul do México, há cerca de 9.000 anos. O teosinto, que cresce naturalmente nessa região, é mais geneticamente similar ao milho que conhecemos hoje, enquanto o teosinto de outras partes do México e da América Central é mais distante do milho, embora todos permaneçam separados da planta domesticada por centenas de genes.Fonte:Embrapa

 

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Saiba como montar um desidratador de alimentos de baixo custo

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A publicação “Construa você mesmo um desidratador de alimentos”, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, disponibiliza o passo a passo para a construção de um desidratador de baixo custo.

Segundo o pesquisador Félix Cornejo, apesar de a desidratação ser uma das técnicas mais antigas de conservação de alimentos, o procedimento continua atual e eficaz. “Esse trabalho visa suprir uma demanda de tecnologias para atender à pequena produção que dispõe de poucos recursos financeiros”, diz.

As peças para a montagem do desidratador são simples e podem ser facilmente encontradas no comércio. Como explica o pesquisador, o sistema de secagem é montado dentro de uma caixa de isopor, onde é instalado o sistema de aquecimento com ventilação e uma estrutura de tubos de PVC com bandejas. “O aquecimento e a circulação do ar de secagem são realizados por um aquecedor de ambiente composto por resistências elétricas e ventilação”.

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Tampa da caixa de isopor colocada transversalmente para manter abertura de entrada e saída do ar de secagem – Foto: Félix Cornejo

A desidratação deve ser feita separadamente para cada tipo de matéria-prima, que inclui frutas, plantas medicinais, ervas aromáticas, condimentos, legumes e tubérculos.

As frutas colocadas no desidratador devem ter um tamanho uniforme. O pesquisador orienta que sejam utilizadas temperaturas de 40º a 50°C para vegetais folhosos e condimentos e de 60º a 70°C para frutas, legumes e tubérculos. A temperatura pode ser ajustada no próprio aquecedor.

O documento da Embrapa, que pode ser acessado através do endereço eletrônico https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/183393/1/DOC-130-construcao-secador.pdf , explica todos os detalhes sobre montagem, utilização e noções de boas práticas de processamento de alimentos. 

 

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Sucesso da agricultura brasileira atrai delegação dos Emirados Árabes Unidos à Embrapa

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Uma comitiva dos Emirados Árabes Unidos (EAU) formada pela Ministra de Segurança Alimentar, Mariam Al Mehairi, e a Embaixadora dos Emirados Árabes Unidos no Brasil, Hafsa Al Ulama, entre outros representantes diplomáticos, visitou a sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Brasília, DF, no dia 2 de janeiro de 2019. 

O objetivo foi conhecer melhor o papel da pesquisa agropecuária no crescimento do agronegócio brasileiro, que hoje é responsável por mais de 23% do PIB nacional. A delegação foi recebida pelo presidente da Empresa, Sebastião Barbosa, e pelo diretor de Pesquisa e Desenvolvimento, Celso Moretti.

O setor agrícola daquele país – que abrange sete emirados (Abu Dhabi, Dubai, Sharjah, Aiman, Um al Quaian, Al Fujayrah e Ra’sal Khaymah) – ainda é pouco expressivo, representando apenas 0,7% do PIB. O principal objetivo da Ministra é mudar esse cenário com foco na ciência e tecnologia, atraindo investimentos para o setor e, principalmente, despertando o interesse da população jovem que hoje está cada vez mais afastada dos ambientes rurais.

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Da esquerda para direita: Celso Moretti, Mariam Al Mehairi e José Manuel Cabral – Foto: Claudio Bezerra

Al Mehairi acredita que a tecnologia é o único caminho capaz de mudar esse panorama nos EAU. Por isso, ela veio conhecer de perto a experiência de sucesso da agricultura brasileira, que em 40 anos transformou o País de importador de alimentos em um dos mais importantes players do agronegócio mundial.

O diretor de P&D da Embrapa endossou o papel determinante da ciência no desenvolvimento da agricultura nacional. Segundo ele, na década de 1970 a tecnologia vinha dos países de clima temperado, o que não se adequava à realidade brasileira. A Embrapa, em conjunto com universidades e empresas estaduais de pesquisa, vem investindo há mais de quatro décadas em pesquisas capazes de “tropicalizar” plantas de interesse agropecuário, como soja, milho e trigo, entre outras, e animais.

Além da produção de bovinos, que é um dos carros-chefes do agronegócio brasileiro, outro dado salta aos olhos do público quando se fala em pecuária é a avicultura, que cresceu 59 vezes nas últimas quatro décadas.

Educação é componente fundamental no sucesso do agronegócio
Moretti destacou também o papel da educação nesse contexto. “Hoje, existem no Brasil 273 instituições de ensino dedicadas à ciência agrícola”, comentou. Esse dado despertou muito a atenção da Ministra, já que para ela é premente aumentar o interesse dos estudantes dos Emirados Árabes na área agrícola. Al Mehairi acredita que ciências de ponta podem ajudar nesse sentido.

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A Ministra conheceu o criobanco, onde as espécies vegetais, animais e de microrganismos ficam conservadas a 196º abaixo de zero.

Segundo o diretor da Embrapa, as disciplinas tradicionais empregadas na pesquisa, como biologia (genética), estatística, química, física e engenharia vêm se alterando ao longo dos últimos anos, recebendo contribuições de áreas correlatas ou totalmente novas. A nova “caixa de ferramentas” da pesquisa e do desenvolvimento contém edição genômica, biologia sintética, análise de grandes massas de dados (“big data”), computação em nuvem, robótica, computação cognitiva, inteligência artificial, dentre outras. A Ministra acredita que o potencial futurístico dessas áreas possa contribuir para tornar a área agrícola mais atraente aos jovens árabes.

Al Mehairi demonstrou muito interesse também na parte financeira da pesquisa agropecuária e na participação do setor privado no orçamento da Embrapa. Hoje, a Empresa conta com um montante de US$ 1 bilhão, quase 100% provenientes do Tesouro Nacional. O diretor de P&D explicou que é difícil calcular a participação privada em termos financeiros, mas explicou que hoje estão em execução mais de 400 contratos em parceria com o setor privado.

Agricultura e sustentabilidade

A participação dos produtores rurais brasileiros na preservação ambiental também instigou a curiosidade das representantes dos EAU. Ao contrário do que é propagado pela mídia internacional, o Brasil preserva hoje mais de 66% de sua área produtiva, o que equivale à superfície de  aproximadamente 48 países da Europa.

E essa participação, como destacou o diretor da Embrapa, é capitaneada pelos próprios produtores especialmente a partir da aprovação do Código Florestal em 2012. “Graças à legislação brasileira, que inclui também o Plano ABC – Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, hoje mais de 25% – 218 milhões de hectares – do Território Brasileiro estão preservados, o que representa um impacto econômico de US$ 750 bilhões”, enfatizou Moretti.

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A Ministra conheceu também a coleção de plantas in vitro. – Foto: Claudio Bezerra

Segurança alimentar

A segurança alimentar é uma das prioridades atuais para os Emirados Árabes Unidos. Segundo a Ministra, mais de 90% das espécies utilizadas na alimentação vêm de outros países e, por isso, um dos focos de sua gestão à frente da Pasta é incentivar a conservação e uso sustentável de espécies nativas da região.

Por isso, após a visita à Sede, a comitiva conheceu o Banco Genético, mantido pela Empresa em uma de suas 42 unidades de pesquisa, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, também em Brasília. Este é hoje o maior banco de espécies vegetais do Brasil e da América Latina e um dos maiores do mundo, com capacidade para conservar mais de 700 mil sementes de importância alimentar. Lá, ela foi recebida pelo chefe-geral da Unidade, José Manuel Cabral, e conheceu também outras formas de conservar recursos genéticos: in vitro e em criobancos.

Em outubro de 1988, foi assinado pelos governos do Brasil e dos Emirados Áreaves um acordo de cooperação que abrange as áreas econômica, comercial, industrial, tecnológica e financeira. Ainda não há projeto de cooperação da Embrapa com instituições dos EAU, mas é provável que a visita seja o embrião de uma futura parceria. “As possibilidades são variadas, é preciso ainda discutir detalhes e definir linhas de atuação conjuntas”, finaliza o diretor. Fonte:Fernanda Diniz/Secretaria de Pesquisa e Desenvolvimento (SPD) 


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