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Dados para o impacto do desenvolvimento: por que precisamos investir em dados, pessoas e ideias

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Artigo de Haishan Fu – Diretora do Development Data Group, na Vice-Presidência de Economia do Desenvolvimento, no Banco Mundial.  Nascida na China, ela é doutora em Demografia pela Universidade de Princeton e bacharel em Economia pela Universidade de Pequim.

 

Dados de desenvolvimento de alta qualidade são essenciais para o impacto sobre o desenvolvimento

Sabemos que os dados de desenvolvimento de alta qualidade são a base para a elaboração de políticas significativas, a alocação eficiente de recursos e a efetiva prestação de serviços públicos. Infelizmente, mesmo que novas tecnologias tornem mais dados e usos de dados mais amplos possíveis, ainda há muitos espaços em branco no mapa de dados global. https://blogs.worldbank.org/sites/all/modules/wb_helper/images/iconm-twitter-gray.pngUm trabalho do meu colega Umar Serajuddin et al. (2015) descreve esse fenômeno como “privação de dados”, constatando que , há apenas alguns anos, 77 países ainda careciam dos dados necessários para medir adequadamente a pobreza.

O pior é que os dados geralmente são mais escassos nas áreas em que são mais desesperadamente necessários. Por um lado, a escassez de dados em nível individual sobre questões como ativos e consumo reduz drasticamente nossa capacidade de tomar decisões para reduzir as disparidades de gênero. Da mesma forma, apesar da urgência da necessidade de gerenciar o risco climático, subsistem vazios significativos em relação aos dados climáticos, como impactos sobre os recursos de água doce. Educação, saúde, segurança alimentar e infraestrutura são apenas algumas das muitas outras áreas em que são necessários mais e melhores dados para gerar progresso.

Então, o que fazer? Olhando para o futuro, proponho três prioridades de dados, que estamos trabalhando para colocar em prática.

Precisamos nos concentrar tanto nos fundamentos como na fronteira

Enquanto compartilho a empolgação do mundo dos dados com o mais recenteobjetobrilhante (ouShiny!), Estou convencido de que os blocos fundamentais de dados de desenvolvimento – registro civil e estatísticas vitais, outros aspectos administrativos dados, pesquisas domiciliares – sempre serão um componente crítico de como trabalhamos para melhorar a vida das pessoas em todo o mundo. Dito isso, há também uma enorme quantidade de potencial oferecido por novas tecnologias e novas fontes de dados que não existiam antes: elas podem nos ajudar a economizar tempo, aumentar a precisão, aprimorar a precisão e entender e gerenciar nosso mundo de novas maneiras.
 
É por isso que, para mim, a verdadeira empolgação é integrar fontes tradicionais de dados, como pesquisas domiciliares com fontes novas e inovadoras de dados, como dados geoespaciais, imagens de satélite, dados de dispositivos móveis e dados de mídias sociais. Isso exige que aumentemos nossa própria experiência em novos tipos de dados, aprimorando a análise de dados, como aprendizado de máquina, e alavancando a colaboração com o setor privado, enquanto também mantemos nosso foco na capacitação nos países clientes para promover alta qualidade dados do setor público. 
 
Precisamos equilibrar a profusão de dados com a proteção de dados  

Muita coisa mudou no mundo dos dados desde que o Banco Mundial abriu as portas para seus dados quase uma década atrás. Desde o lançamento da nossa Iniciativa de Dados Abertos em 2010 Vimos grandes aumentos tanto no número de indicadores que disponibilizamos quanto no consumo global de nossos dados. Também não nos contentamos em ficar de olho nos nossos louros de dados abertos - estamos abrindo nossas análises compartilhando nosso código e algoritmos para alcançar nosso objetivo final de conhecimento aberto para o impacto do desenvolvimento. 
 
Mas acredito em um mundo onde a profusão de dados anda de mãos dadas com uma governança de dados eficaz, incluindo a proteção adequada de dados pessoais. A privacidade de dados está presente em todos os dias e por boas razões. É fundamental que reduzamos o lado negro do uso indevido de dadoshttps://blogs.worldbank.org/sites/all/modules/wb_helper/images/iconm-twitter-gray.pnge garantamos que os dados atendam a um propósito social mais alto.. Nesta conjuntura, o que o mundo precisa com urgência é a governança global de dados baseada em um conjunto de valores universalmente reconhecidos, o que exigirá um processo político para reunir empresas privadas e o setor de tecnologia com especialistas jurídicos e o setor público. É por isso que saúdo o anúncio do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, de incluir a governança global de dados como uma das principais prioridades nas próximas discussões do G20 este ano. De minha parte, estou trabalhando para promover a efetiva governança de dados no Banco, na qualidade de co-presidente do Conselho de Dados de Desenvolvimento (DDC), juntamente com minha contraparte na Prática Global da Pobreza, Carolina Sanchez. Por meio do DDC, trabalhamos com líderes seniores e equipes técnicas em todo o Banco para coordenar nossa visão coletiva, prioridades e atividades relacionadas a dados.
 
Precisamos fazer dados do farm to table

Em nosso trabalho, gostamos de dizer que fazemos dados do farm para a tabela. Doladodafazenda, há a recém anunciada Iniciativa Data to End Hunger 50×30, onde meus colegas se encontrarão em fazendas de 50 países de baixa e média renda, apoiando escritórios nacionais de estatística e ministérios para coletar melhores dados agrícolas para acabar com a fome em 2030 Doladodatabela, nossos cientistas de dados, estatísticos e economistas tornam os dados acessíveis e acionáveis, transformando-os em tabelas e visualizações atraentes, conforme visto no Atlas de Metas de Desenvolvimento Sustentável 2018,totalmente reproduzível. 
 
Em outras palavras,Trabalhamos com dados ao longo de todos os aspectos da cadeia de valor de dados de desenvolvimento, desde a coleta, passando pela administração, até a curadoria, a análise e o uso. E quando se trata de uso de dados, não vamos parar nas tabelas estatísticas – vamos garantir que os dados melhorem a vida das pessoas em suas mesas de jantar. Para chegar lá, precisamos apoiar a alfabetização em dados e investir na capacidade das pessoas em todo o mundo de transformar dados em resultados de políticas que realmente afetam a vida das pessoas nas formas mais importantes. 
 
Colocando nossas prioridades em prática: investindo em dados, pessoas e ideias 

Para colocar essas prioridades em prática, devemos nos comprometer com o financiamento abrangente de dados. Precisamos investir nos países em todas as etapas do caminho, desde melhorar seus métodos, coletar dados melhores, anonimizar e curar as informações e aumentar sua capacidade de usar e analisar dados para gerar um impacto real sobre o desenvolvimento. Devemos estar prontos para trabalhar com a ONU e outros doadores para acelerar o progresso dos dados, complementando o investimento do país com financiamento sustentável através do aumento do investimento da Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA) e novas instalações de fundo fiduciário.
 
Também precisamos ter certeza de que nossos estatísticos e cientistas de dados tenham o apoio para levar a instituição às fronteiras de dados do futuro e incentivar as equipes a integrar novos e criativos usos de dados em nosso trabalho operacional. Eu quero que nossos cientistas de dados se tornem os conectores entre tecnologia de dados e aplicativos significativos para o impacto no desenvolvimento. 
 
Finalmente, devemos investir em ideias inovadoras para melhor apoiar os países e criar bens públicos globais, através do pioneirismo de novas aplicações de tecnologias de dados para nos ajudar a monitorar e alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. 

Por exemplo, a recém lançada plataforma Global Nightlights nos permite identificar o acesso à eletricidade até o nível dos assentamentos em 30 países, enquantoO Development Data Hub é o primeiro balcão único do Banco Mundial a descobrir, gerenciar e usar dados para o impacto do desenvolvimento. Fonte:https://blogs.worldbank.org 
 

Mais informações: http://www.worldbank.org

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Os queijos que “ouvem” Mozart e Led Zeppelin…

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O veterinário suíço  Beat Wampfler cresceu em uma propriedade de gado. Seu avô era um produtor de queijo nos Alpes e, vivendo na pequena cidade de Burgdorf, não tinha como não ser um aficionado pelo emmental – o famoso queijo leva este nome em alusão à colina homônima situada ali.

Em parceria com a Universidade das Artes de Berna, Wampfler está maturando oito queijos em câmaras submetidas constantemente a diferentes sons. E um nono exemplar, do mesmo queijo, repousa em silêncio.

Um queijo "ouve" "A Flauta Mágica", ópera de Mozart. Outro é embalado pelo eletropop "Monolith", da banda suíça Yello. Em outra caixa, toca rock: "Stairway to Heaven", da banda britânica Led Zeppelin. Há ainda "UV", música eletrônica do alemão Vril. O hip hop está representado por "Jazz (We've Got)", do grupo americano A Tribe Called Quest. As demais três peças de queijo estão, respectivamente, expostas a vibrações sonoras constantes de três frequências diferentes: 25 kHz, 200 kHz e 1000 kHz….

O processo de maturação foi iniciado em setembro, na câmara subterrânea de pedra de Wampfler. No dia 14 de março, os queijos serão abertos. A Universidade de Berna vai providenciar análises químicas para atestar se houve alguma diferença entre eles. E uma bancada de especialistas irá degustar e avaliar as peças.

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Dependendo do resultado, os envolvidos pretendem lançar o produto no mercado. Entusiastas já aguardam com expectativa. "Sei que o queijo é um organismo vivo, que respira. Assim, é muito provável que as ondas sonoras o afetem", comentou à BBC News Brasil a norte-americana Jeri Case, aficionada de queijos artesanais e criadora do site "A Better Whey".

"Apenas é preciso descobrir quais ondas sonoras têm maior impacto e em quais queijos. De qualquer maneira, será divertido classificar isso: afinal, ouvir boa música e provar um bom queijo é o paraíso”.

Como surgiu a pesquisa

À BBC News Brasil, Wampfler conta que já era um veterinário especializado em cavalos quando, há três anos, decidiu comprar uma câmara de maturação de queijos. "Era uma antiga instalação, de 1853, tempos de glória da exportação de nosso queijo para o mundo. Começamos então um revival do armazenamento e da maturação do queijo", relata o suíço. Wampfler não produz queijo emmental, mas compra o produto jovem e trata de maturá-lo buscando os melhores resultados. Foi quando, no início do ano passado, ele foi procurado pelo professor e baixista Christian Pauli, de 55 anos, etnólogo, etnomusicólogo e historiador da Universidade das Artes de Berna…. –

Como parte de um programa de extensão da universidade, o acadêmico estava em busca de oportunidades de parcerias na cidade de Burgdorf. Ele nunca havia participado da produção de um queijo antes. "Wampfler nos propôs tratar queijos com música", afirmou Pauli. "É um experimento entre comida e arte. E estamos muito abertos ao resultado." Wampfler acredita que as ondas sonoras devem interferir no comportamento das bactérias e leveduras durante o processo de envelhecimento do queijo. "Não tenho dúvidas de que elas reagem ao som. Se comprovarmos, isto será útil para a produção", afirma.

Ele acha, aliás, que em menor grau, isso já vinha ocorrendo em sua câmara de maturação. "Nosso porão fica embaixo de um centro cultural onde há um professor de música que ensina percussão e também ensaia uma banda de hard rock. Acredito que, mesmo antes deste experimento, nossa câmara já havia recebido algumas entradas sonoras”.Fonte:Edison Veiga, Da BBC News

Mais informações: https://www.bbc.com/portuguese/geral

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Fazendeira ou mulher de fazendeiro?

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Fazendeira ou mulher de fazendeiro? Durante minha longa vida, as mulheres de sítios e fazendas sempre foram as duas coisas. Coleciono livros de receita antigos e são misturas de receitas, diários, cremes para não torrar a pele no sol e cartas. As cartas são as mais significativas. "João, Carlos está levando as linguiças pedidas e vai um saco de farinha junto.”

“A goiabada foi feita na semana passada e parece que ficou muito boa, é cascão. Diga a Edwiges e crianças que está aqui nas caixetas esperando todos, para ser colocada no prato junto com um bom leite de vaca. A menininha que você mandou para ajudar está bem e gostaria de ficar com ela mais uns meses, está aprendendo a bordar.”

Ah, o tema infinito da comida que nutre sempre tem mulher no meio, não aguentam ficar longe das colheitas e como aproveitá-las. Agora que a moda veio de cheio, da fazenda à mesa, as mulheres estão cada dia mais fazendeiras. Plantam, colhem e vendem e dão de comer. Poderosíssimas dentro de fazendas, pais, mães, médicas e cuidadoras ao mesmo tempo. Isso seria subordinação ou empoderamento? (Nenhuma das duas palavras saiu da minha cachola de cronista, mas às vezes é preciso apelar.) Nenhum dos dois, é a mulher do jeito que é e sempre foi. E engraçado é que quando saem dessa vida para a cidade vão abrir restaurantes, viram enfermeiras, cozinheiras, nutricionistas. (Nem sempre, eu sei.) A cidade quer comida não processada? São as mulheres que ensinam na televisão, e deixam espaço para algum churrasco dos homens.

Outras mulheres mais animadas transformam fazendas largadas em locais preciosos de comida orgânica. Verdade que isso acontece mais com aquelas que aprenderam o ofício de fazendeiras em casa, com a mãe… e com o pai também. São mulheres que se interessaram pela fazenda ao herdarem ou ao colocarem todo o dinheiro que tinham numa fazenda. Não há como negar que são criativas e que cavam respeito entre os homens com suas novidades. Muitas vezes precisam de apoio para que o antigo patriarcado as receba como pares. Mas insistem. As que têm como sócios maridos fazendeiros muitas vezes não se importam em serem chamadas de mulheres dos fazendeiros, contanto que levem adiante o seu trabalho, além disso, se não são nomeadas como fazendeiras, pois o tempo é repartido com os filhos e com as lides da casa. Com as novas tecnologias, ganharam um ponto, pois já não é preciso ter força bruta para lidar com as geringonças. Consertar o equipamento novo já é uma outra conversa e muitas fazendeiras rezam para que um dia os computadores venham com um homenzinho sabido ao lado. O equipamento é feito como extensão do corpo masculino, há que se pensar sempre e no futuro no corpo feminino, e isso vem aos poucos, nem as mulheres esperam que de um dia para o outro por um decreto sejam tão fortes como os homens. E nem querem.

As que aprenderam a lidar com isso nas faculdades não enxergam diferenças, ou apenas reclamam que o equipamento deveria ter sempre em mente as necessidades femininas, a força menor e a habilidade igual.

E conseguir financiamento? Vai indo devagar, mas vai indo. Enfim, tudo vai indo. A única vantagem e diferença é que estão sendo pesquisadas e levadas em conta por causa do estardalhaço que fazem quando querem ser vistas.

Os problemas são sempre os mesmos. Há épocas na vida das fazendeiras nas quais é preciso olhar para os filhos com mais cuidado. E na vida, de qual profissional, não é? É preciso cuidado, luta e tempo para que todas as coisas se modifiquem e sejam colocadas em seus devidos lugares. As mulheres não se descabelam, vão esperando. Esperar é coisa que aprenderam desde sempre. Fonte:Folha de SP

Mais informações: http://ninahorta.blogfolha.uol.com.br/

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Por que devemos investir em tecnologia para a Agricultura Familiar?

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Já pensou se o investimento em empresas em fase inicial que desenvolvem tecnologia para o
agronegócio, as chamadas AgTechs, tivesse foco em desenvolver serviços e tecnologias para o
pequeno produtor?

Nem só de grandes produtores vive o agro! Um levantamento realizado pelo portal Governo do Brasil
mostra que a agricultura familiar tem um papel importante para a economia brasileira. Um mercado
que é responsável por movimentar US$ 55,2 bilhões ao ano não pode ser esquecido. Além disso, a
importância da agricultura familiar para alimentação no Brasil e no mundo é refletida por 70% da
produção nacional de feijão, 34% do arroz, 87% da mandioca, 46% do milho, 38% do café e 21% do
trigo.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) calcula que em 2050, o
mundo terá 9,3 bilhões de habitantes. Para alimentar esse contingente, será necessário aumentar a
produção de alimentos em 70%. Hoje apenas 15% da população vive no campo. A tendência é esse
número diminuir ainda mais nos próximos anos. Por isso, é preciso investir serviços inovadores com
foco no pequeno produtor para que as novas gerações percebam o seu futuro no agronegócio.

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Fonte imagem: http://www.sebraemercados.com.br/agricultura-familiar-no-mercado-institucional-e-nos-programas-governamentais/

Crescer em qualidade e não apenas em quantidade
A demanda crescente do mercado consumidor também é por uma maior sustentabilidade na
agricultura. É preciso crescer com respeito ao meio ambiente e aos recursos naturais. A tecnologia e a
inovação são as aliadas para vencer este desafio. As possibilidades de diferenciação e segmentação de
mercados que surgem a partir dessas novas demandas do consumidor tem possibilitado a inclusão de
pequenos produtores familiares, excluídos do avanço tecnológico da agricultura convencional e
produção de commodities agrícolas.

Como acelerar ainda mais o crescimento da agricultura familiar
O serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural, além de levar informação e orientação técnica,
representa incremento de renda e inclusão produtiva para a agricultura familiar ao viabilizar mais
possibilidades de comercialização da produção. Contribui para a elevação da produção e produtividade
dos agricultores familiares. Promove a melhoria da renda e da qualidade de vida no campo. Estima-se
que a sua atuação eleva em até 362% o valor da produção por hectare (R$/ha) na agricultura familiar.

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Fonte imagem: http://www.mda.gov.br/sitemda/sites/sitemda/files/user_img_1684/3Baixa_Cartilha_Plano_Safr
a_2017.pdf

Como uma empresa iniciante, sem recursos, com pouca experiência e desbravando um grande
mercado que é o Agronegócio,nós da ManejeBem decidimos focar o desenvolvimento de soluções na
escala da agricultura familiar. O motivo é simples, hoje são mais de 84% dos estabelecimentos rurais
e de acordo com o censo agropecuário que está sendo feito, a tendência é esse número crescer cada vez
mais, principalmente com a procura por produtos agroecológicos. Pretendemos levar ao produtor rural
uma série de serviços que há pouco tempo seriam impensáveis e assim contribuir para o
desenvolvimento rural sustentável! Fonte:
Autoria: Juliana Mattana – empresa Maneje Bem

Versão Original: http://www.manejebem.com.br/publicacao/novidades/por-que-devemos-investir-em-tecnologia-para-a-agricultura-familiar

Referências:

https://www.agron.com.br/publicacoes/noticias/noticia/2010/04/26/009904/agricultura-familiar—nichos-de–mercado-.html

http://www.startupsc.com.br/revolucao-das-agtechs/

http://www.sebraemercados.com.br/agricultura-familiar-no-mercado-institucional-e-nos-programas-governamentais/

http://www.brasil.gov.br/noticias/economia-e-financas/2018/06/agricultura-familiar-brasileira-e-a-8a-maior-produtora-de-alimentos-do-mundo

https://www.agron.com.br/publicacoes/noticias/noticia/2010/04/26/009904/agricultura-familiar—nichos-de–mercado-.html

https://www.istoedinheiro.com.br/8-bons-motivos-para-investir-em-startups-agtech-no-brasil-em-2018/

http://www.mda.gov.br/sitemda/sites/sitemda/files/user_img_1684/3Baixa_Cartilha_Plano_Safra_2017.pdf

 

Mais informações: www.nita.org.br

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BIRD publica manual que trata do desafio de produzir alimentos para população mundial

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Estima-se que a população mundial alcance 9,8 bilhões em 2050. Enquanto isso, os aumentos concomitantes de renda e urbanização estão impulsionando o aumento do consumo de carne, laticínios e biocombustíveis. Atender à demanda por alimentos, ração e biocombustível exigirá um aumento na produção global de quase 50% em relação a 2012 .

A produção no sul da Ásia e na África subsaariana – onde 95% das fazendas são menores que cinco hectares – deve dobrar no mínimo. Um elemento chave das políticas para aumentar a produção de alimentos será promover a melhoria da qualidade dos alimentos, pois os custos de saúde  pelos sistemas de produção praticados e os tipos errados de alimentos tornam-se cada vez mais evidentes.

Iniciativas adicionais devem abordar como reduzir as perdas de alimentos; globalmente, um terço da produção de alimentos é perdido ou desperdiçado em diferentes estágios da cadeia alimentar a cada ano.

A mudança climática está trazendo mais desafios, impondo maior risco à produção, levando a necessidade de incorporação de novas práticas, técnicas e tecnologias para reduzir os seus impactos.

Trabalhando com Pequenos Produtores: Um Manual para Empresas Construindo Cadeias de Fornecimento Sustentáveis mostra como o agronegócio pode desenvolver cadeias de fornecimento mais sustentáveis, resilientes e produtivas e ilustra o impacto substancial de  como fazê-lo na prática.

O livro compila soluções inovadoras e idéias de ponta para enfrentar os desafios e incorpora uma coleção diversificada de estudos de caso de todo o mundo que abrangem diversos setores do agronegócio.

 

Mais informações: file:///C:/Users/estagcontab/Downloads/9781464812774.pdf

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O êxodo rural também te preocupa?

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Um programa de educação empreendedora com tema “AGRO”, mostra às crianças o lifestyle do campo, através da personagem Rainha Leona, por meio de suas aventuras em expedições temáticas pelo mundo rural.

“Tudo isso acontece nas séries animadas. A nossa rainha inspira as crianças do campo e da cidade, a desbravarem áreas rurais atrás de grandes tesouros, colocando-as como protagonistas neste espaço por meio de atividades específicas e educativas, desenvolvendo a atitude empreendedora”, diz Cássia Elencia Cavalli.

Seu imposto de renda investido em cultura empreendedora. 

Para ampliar a ação do programa empresas com contribuição de imposto de renda com base no lucro real podem patrocinar as séries animadas doando até 4% do valor de seu imposto de renda através da lei do audiovisual, por intermédia da Ancine. Neste caso o incentivo é de graça para quem contribui.

A empresa patrocinadora ainda pode ter sua marca exposta na produção cultural e em eventos, divulgando e melhorando suas estratégias de marketing e fortalecendo a marca. Participe desta ação inovadora.

 

Mais informações: reinobambini@gmail.com 

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Brasil conseguirá equilibrar agronegócio e sustentabilidade?

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Diante das mudanças climáticas, país terá um desafio que também é uma oportunidade: adaptar seu modelo de agropecuária e, de quebra, cuidar do meio ambiente

Brasil, temos uma excelente oportunidade de negócios pela frente. Poderemos multiplicar a produtividade de nossa principal fonte de renda e ainda proteger a natureza.

É a chance de lucrar mais enquanto regeneramos florestas, cuidamos da água, melhoramos a fertilidade do solo e, de quebra, ajudamos a salvar milhares de vidas. E acredite: tal perspectiva não é um mero golpe de publicidade. Porém, para entender essa oferta imperdível é preciso voltar um pouco no tempo.

Muito antes de a Floresta Amazônica ter esse nome, ela não era um bioma intocado. Havia muita gente na região, milhões de pessoas que viviam em comunidades permeadas pela mata. Para não precisar caminhar quilômetros em busca de alimento, elas começaram a plantar perto das aldeias. Terminaram cercadas por florestas cheias de cacau, batata-doce, abacaxi, mandioca, açaí, cupuaçu, castanha. Bateu a fome, era só dar um pulo ao supermercado orgânico pré-histórico mais próximo.

Por meio de tentativa e erro, os indígenas que habitavam o que seria o Brasil desenvolveram a agricultura utilizando as plantas e o ambiente ao redor.

Com os portugueses veio outra agricultura, de outra região, com outros vegetais. Quando boa parte do pau-brasil tinha virado tinta para tecido na Europa, foi a vez de a cana-de-açúcar dominar a paisagem da Mata Atlântica, com gigantescos monocultivos movidos a mãos escravizadas para adoçar os países mais desenvolvidos. Café, algodão, milho e muita soja depois, esse modelo tornou-se convencional em todo canto.

Trocar floresta por plantas exóticas tem suas consequências. O solo perde fertilidade, as plantas ficam doentes, as pragas são cada vez mais frequentes e a produção cai. Por séculos, o problema foi resolvido com a abertura de novas áreas. Até que, no final da década de 1960, a ciência pôs fim à questão com o pacote de fertilizantes químicos, pesticidas e maquinários pesados.

Com a chamada Revolução Verde, a produtividade explodiu. E o Brasil se deu bem nesse processo. Com terra e clima bons, o país virou uma potência mundial do agronegócio, com a pecuária também entrando em cena.

Da América do Sul para o mundo, o Brasil é um dos maiores exportadores de commodities agrícolas — vendas que representaram 23,5% do PIB nacional em 2017. Temos 158 milhões de hectares de pastos, segundo o mais recente Censo Agropecuário do IBGE. São três territórios que compreendem a Espanha dedicados para os bois. Outros 63 milhões de hectares para plantações, pouco menos de uma França, sendo mais da metade (36 milhões de hectares) para grãos. Uma Suíça de milho e soja. Um processo que levou 20% da Amazônia brasileira e 50% do Cerrado, trocados por capim e grãos de outros cantos do mundo.

Saldo negativo

Cedo ou tarde, a conta chega. A vegetação retém água no solo, auxilia o líquido a infiltrar-se no lençol freático para o abastecimento de nascentes e rios. As plantas ainda bombeiam a água de volta para a atmosfera, ciclo essencial para que o ambiente fique fresco e úmido. “Uma parte bastante desmatada no setor sul do Cerrado mostrou redução de 10% nas chuvas. A vegetação nativa é importante para manter o clima mais estável, aumentar as chuvas e reduzir as temperaturas”, afirma Carlos Nobre, meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e especialista em mudanças climáticas.

A influência, porém, vai além dos limites de cada bioma. “A chuva que cai no inverno ao sul da Bacia do Prata tem muita relação com o fluxo de vapor d’água que sai da Amazônia e abastece o sistema de chuvas na região. “É a floresta que envia chuva ao Sul do Brasil e a boa parte do Sudeste, da Argentina e do Uruguai.

O resto do mundo também sente. “Não existe melhor tecnologia para remoção de carbono na atmosfera do que a fotossíntese. Ela absorve esse carbono da atmosfera e conserva na biomassa”, explica Paulo Artaxo, físico da Universidade de São Paulo e membro do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU.

Enquanto a queima de carvão mineral — principalmente por China e Estados Unidos — para produzir energia elétrica é a principal responsável pelo aquecimento global, por aqui, com mais de 80% de energia renovável, a maior parte dos gases de efeito estufa (GEE) vem da troca de florestas por pastos ou lavouras.

Devido ao desmatamento, cada morador de Rondônia emitiu em 2016 uma média de 74 toneladas de CO2 equivalente (o cálculo de CO2 equivalente converte o potencial de aquecimento de todos os GEE). É 3,7 vezes mais do que um norte-americano, 2,5 vezes mais do que um australiano e 7,4 vezes mais do que um japonês. No Pará, a emissão foi o dobro da verificada no estado de São Paulo. Tudo pelas árvores cortadas ou incendiadas, que representam dois terços de todos os GEE liberados pelo país desde 1990.

Isso ocorre enquanto o mundo precisa tomar medidas drásticas para reduzir a emissão de carbono na atmosfera. Com a colaboração de milhares de cientistas, inclusive Nobre e Artaxo, um relatório lançado em outubro pelo IPCC alertou sobre os riscos que a humanidade corre se a temperatura subir além de 1,5°C em comparação com o início da Era Industrial. O Acordo de Paris já é pouco: mesmo se todos os países cumprirem-no, segundo as novas projeções, a temperatura aumentará 3°C até o ano de 2100. Nós e o resto do mundo precisamos então reduzir drasticamente a emissão de CO2 e de outros gases, como o metano, até zerá-las por volta de 2050. Assim, talvez consigamos impedir que a temperatura ultrapasse 1,5°C. Para isso, calculam os cientistas, pelo menos 45% desse corte deve ser feito já em 2030.

O aquecimento atual, de pouco mais de 1°C, serve como amostra grátis do que está por vir. “Tempestades severas estão aumentando em todo o Brasil, mas também a seca. Tivemos essa seca histórica no Nordeste, de 2012 até 2017, que continua em algumas partes, e a seca no Sudeste em 2014 e 2015”, lembra Carlos Nobre.

“O impacto foi muito maior do que o de uma seca semelhante 50 anos atrás. O Sudeste já está 1,5°C mais quente. A evaporação é muito maior, assim como a perda de água no solo. É menos água no reservatório, na agricultura, no abastecimento humano”, destaca.

Este é um trecho da reportagem de capa da edição de novembro da GALILEU. Para ler em casa, baixe o app Globo Mais 

Mais informações: https://revistagalileu.globo.com

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O que falta para os jovens ficarem no campo e seguirem o caminho dos pais?

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Para especialista da Embrapa, é preciso deixar de enxergar a juventude como fase transitória e passar a investir nos jovens

Família do produtor Ivaldo Oliveira, de Diamantino, no Médio Norte do Mato Grosso. Por enquanto, dos cinco filhos (três adultos), apenas o mais velho, Aelton, seguiu a profissão.

Embora muitos jovens queiram continuar trabalhando nas áreas rurais em que nasceram, próximos de suas famílias e das propriedades onde foram criados, em grande parte dos casos eles não recebem incentivos suficientes para permanecer e trabalhar no campo.

Para que esses jovens sejam atraídos a ficar na região, é preciso que haja boas oportunidades de renda, políticas públicas voltadas ao seu desenvolvimento, acesso à saúde e educação e também uma boa relação com os pais, de quem devem herdar a propriedade no futuro.

Destacados pelos participantes de debate sobre jovens no campo, esses fatores devem também ser complementados pelo uso extensivo da tecnologia, que, além de atrair a atenção dos jovens, facilita a comunicação e o trabalho no campo.

“Minha mãe sempre atuou com serviço braçal e tinha receio de que eu ficasse no campo trabalhando com força física. Mostrei a ela que a tecnologia veio para ajuda nisso. Se sou uma jovem mulher e não tenho força para carregar um carrinho de silagem [forragem usada para alimentar os animais] para dar às minhas vacas leiteiras, posso comprar uma desensiladeira, acoplar no trator e fazer o mesmo serviço sem tanto esforço”, contou Isabela Albuquerque, coordenadora do comitê de jovens da Lar Cooperativa, do Paraná.

A jovem de 25 anos afirmou que a boa relação com os pais é também essencial para que os mais novos ganhem espaço desde cedo na propriedade rural, sendo capazes de dar sugestões e auxiliar no planejamento das atividades do local.

Para Christiane Amâncio, coordenadora do Portfólio Inovação Social da Embrapa, é preciso deixar de enxergar a juventude como fase transitória e passar a investir nos jovens justamente por sua importância para a inovação e transformação dos processos de gestão.

Ela defendeu a criação de políticas públicas que ofereçam recursos financeiros e estruturais para aqueles que tenham interesse em permanecer no campo mesmo após sua formação educacional.

Segundo Christiane, a Embrapa tem buscado ouvir os produtores de pequenas comunidades e entender os principais desafios que eles enfrentam, para só então projetar iniciativas que incentivem o desenvolvimento econômico dessas regiões.

Filho de agricultores e natural do município de Pentecoste, no interior do Ceará, Adriano Batista é cofundador e diretor-executivo de uma agência que atua no desenvolvimento social e econômico de municípios rurais na região norte do estado. Segundo ele, a Adel (Agência de Desenvolvimento Econômico Local) já atendeu cerca de 2.800 jovens da região, dos quais 90% continuam trabalhando no campo.

A instituição atua principalmente em quatro eixos: promoção de educação e conhecimento entre os jovens por meio de oficinas sobre temas rurais, oferta de crédito por meio de um fundo próprio de incentivo, criação de redes cooperativas e investimento em tecnologia e comunicação.

”Esses jovens ouvem desde cedo dos pais que lugar de desenvolvimento é a cidade, são incentivados desde cedo a ir embora. Toda vez que um jovem deixa a comunidade, ela perde um potencial enorme de empreendedorismo. Antes atendíamos pessoas a partir de 18 anos, agora estamos indo até os 14 anos, porque queremos desmistificar essa ideia. O jovem precisa perceber que no campo ele também tem oportunidades”, disse Batista." Fonte> Folha Press/Gazeta do Povo/Fotos:Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

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Robôs são ‘contratados’ para lidar com envelhecimento de agricultores e ausência de imigrantes

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Abel Montoya se lembra de sua infância, quando o pai chegava em casa dos campos de alface todas as noites com lama até os joelhos, a própria imagem da exaustão. “Meu pai queria que eu ficasse longe do trabalho manual. Sempre quis que eu estudasse”, disse Montoya. Foi isso que ele fez, e foi para a faculdade.

No entanto, Montoya, de 28 anos, filho de imigrante, recentemente arrumou um emprego em uma fábrica de embalagem de alface, um lugar úmido, barulhento, gelado – e sua função em geral exige muito do físico e pouco do intelecto. Agora, porém, ele pode delegar os piores trabalhos aos robôs.

Montoya faz parte da nova geração de trabalhadores agrícolas na Taylor Farms, uma das maiores produtoras e vendedoras de verduras e legumes frescos do mundo, que recentemente começou a usar uma frota de robôs projetada para substituir os seres humanos – uma das últimas respostas do setor agrícola à diminuição da oferta do trabalho de imigrantes.

As máquinas inteligentes podem montar de 60 a 80 sacos de salada por minuto, o dobro da capacidade de um trabalhador. Há dez anos havia fila para empacotador de alface. Atualmente, isso não acontece.

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Segundo funcionários da Taylor Farms, o uso de robôs faz sentido no aspecto econômico para uma companhia que procura capitalizar o apetite insaciável dos americanos por refeições saudáveis, num momento em que não pode recrutar pessoas suficientes para trabalhar nos campos ou na fábrica.

Há dez anos, centenas de candidatos faziam filas em busca de empregos em empresas de embalagem na Califórnia e no Arizona durante a temporada de alface. Não mais.

“Nossa força de trabalho está envelhecendo”, disse Mark Borman, diretor de operações da Taylor Farms. “Não estamos atraindo jovens para nossa indústria. Não há mais uma onda de imigrantes. Como lidamos com isso? Inovando.”

A adoção da tecnologia cria posições mais qualificadas, que podem atrair jovens como Montoya – prestes a se formar em ciência da computação –, e reforça a retenção de funcionários veteranos, que recebem novos treinamentos, enriquecendo suas carreiras.

“Estamos oferecendo empregos melhores que, esperamos, irão atrair uma maior variedade de pessoas”, disse Borman.

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Levantamento

Em uma pesquisa de 2017 com agricultores, feita pela California Farm Bureau Federation, 55% deles relataram escassez de mão de obra, chegando quase a 70% para aqueles que dependiam de trabalhadores sazonais. Os aumentos salariais nos últimos anos não compensaram o déficit, disseram os produtores.

As plantações de morango na Califórnia, os pomares de maçã em Washington e as fazendas leiteiras em todo o país estão lutando contra as consequências do envelhecimento e da diminuição do número de trabalhadores nascidos em outros países, contra a repressão na fronteira e contra o fracasso do Congresso em concordar com uma reforma da imigração, que poderia fornecer uma fonte mais estável de mão de obra.

Os trabalhadores agrícolas que se beneficiaram da última anistia aos imigrantes, em 1986, estão agora com 50 anos e representam apenas uma fração dos atuais. À medida que menos imigrantes chegaram para trabalhar na agricultura, a idade média dos trabalhadores subiu – para 38 em 2016, de acordo com dados governamentais, contra 31 em 2000.

Mesmo assim, cerca de três quartos desses trabalhadores nos EUA nasceram no exterior, e a maioria deles está no país ilegalmente. O aumento do controle na fronteira transformou a migração de mão de obra rural em uma “raridade relativa”, de acordo com o Departamento de Agricultura americano.

Burocracia apodrece produção

Produtores de muitos estados, como a Flórida, grande produtora de cítricos, começaram a utilizar o programa H-2A, para trabalhadores convidados, com o objetivo de importar mão de obra do México. Mas eles se queixam da burocracia do governo, que atrasa chegadas, e de padrões climáticos imprevisíveis, que fazem os frutos amadurecerem prematuramente, antes da chegada dos trabalhadores – tudo isso resultando em perdas.

A Taylor Farms traz cerca de 200 trabalhadores por ano com esses vistos, quase 10% de sua força de trabalho sazonal. “O programa nem sempre é confiável e nossos itens são perecíveis”, disse Chris Rotticci, diretor da divisão de automação de colheita da Taylor Farms, que também está procurando maneiras de substituir os seres humanos. “Somos obrigados a fazer isso – não temos gente suficiente.”

O ideal, dizem os produtores, seria que o Congresso aprovasse um projeto de lei para legalizar os trabalhadores rurais que estão no país ilegalmente, incentivando-os a permanecer nos campos, além de incluir disposições para garantir um fluxo constante de mão de obra sazonal, que poderia ir e vir com relativa facilidade.

 

Colheita com robôs

A indústria agrícola de US$ 54 bilhões da Califórnia não pode se dar ao luxo de esperar. Como epicentro da tecnologia e da agricultura no país, o estado lidera o movimento para automatizar os campos e embalar seus produtos.

Cerca de 60% da alface romana e metade do repolho e do salsão produzidos pela Taylor Farms são colhidos com sistemas automatizados. Existe uma parceria com uma empresa de inovação, que anteriormente focava em veículos automatizados, para desenvolver uma máquina de colheita de brócolis e alface americana dentro de dois anos.

A empresa planeja dobrar o número de colheitadeiras automatizadas, que custam por volta de US$ 750 mil cada, nos campos a cada ano – até que quase tudo possa ser colhido por máquinas.

Culturas de trigo, soja e algodão há muito usam automação. As frutas delicadas, como o pêssego, a ameixa e a framboesa, além de vegetais como o aspargo e a erva-doce, continuarão com mão de obra humana indefinidamente.

É difícil substituir os olhos e as mãos de uma pessoa – e a tecnologia ainda está em sua infância. “Vai ser preciso muito tempo para desenvolver uma tecnologia que reconheça quando é o momento certo de colher os produtos, além de colhê-los da forma correta”, disse Tom Nassif, presidente da Western Growers, uma grande associação que representa questões agrícolas no Arizona, na Califórnia, no Colorado e no Novo México.

Robôs ainda não têm a mesma capacidade de seleção de vegetais em bom estado comparado aos seres humanos.

Mas, devido aos desafios da força de trabalho, “é uma solução de longo prazo que deve ser buscada vigorosamente”, disse Nassif, cuja associação abriu um centro de inovação em Salinas há dois anos para incentivar startups de tecnologia agrícola.

Os desafios trabalhistas são a principal razão pela qual a Taylor Farms está construindo uma segunda fábrica no México, que deve começar a funcionar no início do ano que vem.“Se não podemos encontrar trabalhadores aqui, o lugar lógico para crescer é lá”, disse Borman, o executivo.

Dentro da fábrica de processamento em Salinas, onde a temperatura fica próxima do congelamento, os funcionários vestem casacos pesados sob os aventais de trabalho, amarram bandanas sob o chapéu para manter as orelhas aquecidas e usam dois pares de luvas.

Em uma tarde recente, motoristas de empilhadeiras corriam para cima e para baixo entregando caixas de alface para as máquinas, onde eram cortadas de acordo com a especificação e lavadas. Dezenas de trabalhadores operavam centrífugas industriais que removiam o excesso de água das folhas.

Em várias estações, dois robôs de braços amarelos com ventosas redondas na extremidade agarravam pacotes de alface picada, um por um, e os colocavam em caixas que corriam por uma esteira. Perto dali, robôs maiores faziam o trabalho repetitivo e árduo de carregar e empilhar as caixas cheias.

Maria Guadalupe, 43 anos, recém-formada em um curso de tecnologia patrocinado pela empresa, foi transferida da função de colocar os sacos de salada em caixas para a configuração e o monitoramento de robôs que fazem seu antigo trabalho.“Este trabalho é muito melhor”, disse ela em meio ao barulho da fábrica.

Atualmente, nove robôs são usados nas instalações de Salinas; a maioria do trabalho ainda é predominantemente feito por seres humanos.

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Maria Guadalupe controla um robô que empacota alfaces. “Estamos ainda em fase de protótipo”, disse Marissa Gutierrez, gerente de recursos humanos. “Vamos conseguir mais robôs, mas sempre dependeremos do trabalho humano, mesmo enquanto nos automatizamos.”

No centro de treinamento ao lado, Montoya e outros 15 funcionários aprendiam sobre programação, engenharia e operação de equipamentos. Um intérprete traduzia a explicação do instrutor do inglês para o espanhol para alguns dos trabalhadores.

Montoya, que foi criado em Yuma, Arizona, onde é cultivada a maior parte das verduras consumidas pelos americanos no inverno, candidatou-se a um cargo na Taylor Farms depois de ler sobre o curso de tecnologia que a empresa oferece aos funcionários. “A tecnologia avançada na agricultura vai ser algo enorme”, disse ele, maravilhado com a precisão e destreza dos robôs. “Vai abrir oportunidades para mim.” Fonte:Miriam Jordan The New York Times/Fotos:Jim Wilson/NYT

 

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Mundo faminto e soluções inovadoras

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Artigo de Daniel Azevedo Duarte. Mestre em novas tendências do jornalismo. Especialista em agronegócio e em marketing digital.

“Anton Khrypunov cozinhou os órgãos internos de sua irmã de oito anos para comer. Poderiam, ainda, ser mencionados outros casos”. O trecho do livro “Holodomor: O Genocídio Ucraniano” não trata de um serial killer mas, sim, sobre até onde a falta de comida pode levar as pessoas ao contar um dos dramas do caos alimentar que matou 7 milhões de pessoas na Ucrânia no início dos anos 1930.

O extremo de não ter o que comer talvez seja um dos maiores desesperos pelos quais o ser humano pode passar e também levou ao antropofagismo um grupo de jogadores de rugby uruguaios em 1972. Eles, depois de uma catástrofe aérea na Cordilheira dos Andes, tiveram que alimentar-se da carne dos próprios amigos mortos para resistir durante 72 dias, a 3600 metros de altitude com 20 Cº negativos, até serem resgatados.

Não são só casos isolados. Durante o século XX, estima-se que 70 milhões de pessoas morreram de fome em todo o globo por questões políticas, conflitos armados ou desastres produtivos regionais, como na China (1958-61), Bengala (1942-45), Camboja (década de 1970), Etiópia (nos anos 1980), Coreia do Norte (nos anos 1990) e uma lista de dezenas de crises alimentares que chegam até o nosso quintal, no Nordeste brasileiro.

O pior é que casos críticos de falta de comida podem se tornar muito mais comuns se estiverem certos os teóricos conhecidos como neomalthusianos. Estes seguidores do economista britânico do século XVIII Thomas Malthus (1766-1834) defendem que o aumento populacional é geométrico (2, 4, 8, 16…) e o crescimento da oferta de alimentos aritmético (2, 4, 6, 8…).

Ou seja, em pouco tempo faltaria comida, aumentaria a fome e, fatalmente, viriam guerras, subnutrição e, talvez, até mesmo, mais canibalismo… Malthus já errou uma vez pois, 200 anos depois e 6,2 bilhões de bocas a mais desde quando lançou sua teoria, temos mais comida do que conseguimos comer. Mas será que agora ele vai acertar?

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Apetite

Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), estima-se que éramos 7,6 bilhões de pessoas em outubro de 2017. Em 2050, seremos 9,8 bilhões e, apesar do aumento de 29% na população, a demanda por alimentos vai disparar em 60%.

O motivo é que a renda per capita mundial crescerá 80% nos próximos 40 anos e, principalmente, nos países e continentes com mais população (China, Índia e África) onde as pessoas comem menos atualmente.

A lógica é simples. Com renda de US$ 6,1 mil em 2010, cada ser humano comeu, em média, 43 kg de carne. Em 2050, com US$ 11,2 mil no bolso, o consumo per capita saltaria para 68 kg, segundo a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). E isso também vale para legumes, verduras, frutas, raízes e assim por diante.

Em 2010, a produção mundial de alimentos chegou a cerca de 2,4 bilhões ton de grãos, pouco mais de 1 bilhão ton de legumes e verduras, 750 milhões de ton de raízes e tubérculos, 613 milhões de ton frutas (fora cítricos), 296 milhões de ton de carne, 127 milhões de ton de cítricos e 14 milhões de ton de frutos secos entre outros quitutes como cana de açúcar, ovos, leite, peixes, algas, cogumelos, etc.

É preciso bastante comida para abastecer com cerca de 2800 kcl/dia em média cada habitante do planeta, distribuídos em vitaminas, fibras, proteínas, carboidratos, açúcares, etc. Agora imagine que todo este volume precisa aumentar em 60% e dispomos dos mesmos recursos naturais (talvez até menos) de quando éramos apenas 1 bilhão de pessoas.

Falta tudo

Em 2010, só para atender a demanda humana por grãos, que ocupam mais da metade da área cultivada do planeta, foram necessários 696 milhões de hectares de terra espalhados nos cinco continentes.

Se a solução para aumentar a produção fosse apenas usar mais terra, precisaríamos de 420 milhões de hectares a mais no globo com clima, relevo e recursos hídricos favoráveis (um espaço equivalente à União Europeia) para suprir uma demanda 60% maior só de grãos.

Se contarmos os outros tipos de alimentos, poderíamos dobrar isso, ou arranjar praticamente um Brasil inteiro livre para plantar com os índices de produtividade atuais. O primeiro problema é que este espaço não existe e fica ainda mais improvável quando se considera a necessidade de preservação de florestas, biomas, nascentes de rios e outras áreas de proteção.

Pouquíssimos países têm algum volume expressivo de terra agricultável. A maior exceção é justamente o Brasil que, sem entrar em áreas de proteção ambiental ou reservas indígenas (66,3% do nosso território), tem 256,7 milhões de hectares “agricultáveis”.

Os outros países com estoque de terras relevantes são os EUA (81 milhões de hectares), Rússia (88 milhões), Austrália (50 milhões), Sudão (41 milhões), Argentina (38 milhões), Canadá (22 milhões), Colômbia (20 milhões), Venezuela (18 milhões), Ucrânia (8 milhões), México (6 milhões), Indonésia (5 milhões) e França (4 milhões). Fora isso, quase nada.

No caso do Brasil, vale destacar, que não seria preciso sequer avançar sobre este “estoque”. Apenas usando melhor nossas terras poderíamos responder ao mundo com o que, de certa maneira, se espera de nós. Temos hoje 1,3 cabeça de gado por hectare de pastagem e dobrássemos isso para 2,6 bois por hectare já liberaríamos muitíssimo território (cerca 80 milhões de hectares) sem derubar nenhuma árvore.

Outro problema mundial para aumentar a produção agrícola é a escassez de água. Novamente o Brasil é a nação mais “abençoada” com este recurso. O país detém a maior reserva mundial disponível e concentra 12% da água doce de superfície do planeta.

Os outros poucos países “ricos em água” são aqueles que têm índice de 10.000 m3/hab/ano a 100.000 m3/hab/ano como Austrália, Colômbia, Venezuela, Suécia, Rússia, Albânia, Canadá, Argentina e Angola. O Brasil tem 35.732 m3/hab/ano. Ainda existem os “muito ricos em água” como Guiana Francesa, a Islândia, o Gabão, o Suriname e a Sibéria (Rússia), mas estes não têm quantidade expressiva de terras para cultivar.

Ainda há um terceiro problema: os fertilizantes são limitados e não renováveis. Se o fósforo, talvez o mais importantes deles, não for usado com sabedoria poderíamos esgotar as reservas mundiais em apenas 60 anos. Sem fertilizantes, produtividade baixa e maior chance de fome generalizada. E apenas quatro países – Marrocos, China, África do Sul e Jordânia – controlam 80% das reservas de fosfato utilizável do mundo.

Isso sem falarmos na disputa pelos mesmos recursos para a produção de fibras (para roupa, tecidos, etc), madeiras e biocombustíveis. Mas com pouca terra, escassez de água, fertilizantes acabando e a obrigação de preservar o meio ambiente, o que fazer para aumentar a produção de alimentos?

Não tem pão?

Apesar de simpática, a resposta não é a produção orgânica que, no exemplo do milho, produz hoje 25% menos que as culturas convencionais e 64% menos que os transgênicos. Na prática, comida pouca e cara que poderia atender somente uma elite da população mundial com dinheiro suficiente para pagar uma produção menos eficiente.

A palavra de ordem que corre entre cientistas, pesquisadores e as empresas que trabalham com agricultura e pecuária é: “produzir mais com menos”. E nesse caminho, a ciência, a pesquisa e a tecnologia são todos os instrumentos que o ser humano tem para, com o crescimento populacional, não precisar encarar grandes fomes.

Na verdade, se as novas técnicas (a transgenia cobre 91,1% da produção de soja, por exemplo) não estivessem sendo utilizadas, teríamos muito mais do que os atuais 815 milhões de famintos estimados pela ONU. As novidades da ciência utilizadas com critério garantiram produção suficiente para todos e só existe fome por questões de distribuição, concentração de riqueza, desperdício ou outras causas.

Pode parecer impossível produzir tanta comida a mais quando imaginamos o espaço e os recursos que a agricultura e a pecuária já demandam. Mas, para ficar mais otimista, basta lembrar que triplicamos a produção mundial de alimentos nos últimos 50 anos devido, principalmente, a descobertas da ciência.

E não é de agora. A invenção da agricultura há 10 ou 12 mil anos, do arado (no Egito Antigo), da rotação de culturas (na Europa medieval ou com os Maias), da semeadeira mecânica (Jethro Tull, no século XVII – a banda de rock é uma homenagem a ele) e tantas outras técnicas já haviam feito isso antes.

Mais recentemente, na década de 1950, a chamada revolução verde iniciou uma série de inovações tecnológicas como melhoramento genético (sementes híbridas), uso de insumos industriais (defensivos e fertilizantes), mecanização de plantio e colheita, irrigação e redução nos custos de manejo que aumentaram enormemente a produção em países desenvolvidos e não-desenvolvidos “resolvendo” o problema da falta de alimentos pelo menos quanto ao volume.

Um pouquinho de Brasil

O Brasil, talvez, seja um dos melhores e maiores exemplos de como o ser humano e a ciência podem encontrar soluções sustentáveis para “ter o que comer”.

O desenvolvimento das lavouras no cerrado brasileiro por meio da técnica do plantio direto e outras tecnologias de agricultura tropical foi chamado pelo Prêmio Nobel da Paz, Norman Borlaug, o pai da revolução verde, como “uma das maiores revoluções da história”.

Borlaug, tido como “o ser humano que mais salvou vidas” em todos os tempos – algo entre 250 milhões a 1 bilhão de pessoas teriam morrido de fome se não fossem as técnicas difundidas por ele e outros pesquisadores -, morreu em 2009 mas, antes, conheceu bem os resultados dos produtores brasileiros pois visitou algumas vezes nosso país.

A série histórica da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) mostra que a produção no Brasil foi de 40 milhões de toneladas de grãos em 37,5 milhões de hectares em 1977/1978 contra 238,7 milhões em 60,8 milhões de hectares em 2016/2017. Um aumento de 496,7% na produção e de apenas de 62,1% na área cultivada nos últimos 39 anos.

Um salto de 1,06 toneladas de grãos por hectare em 1977/78 para 3,92 toneladas por hectare em 2016/17. Isso também vale para todas as principais culturas. Em tonelagem por hectare, a produtividade cresceu em algodão (de 0,43 para 2,44), arroz (de 1,5 para 6,22), feijão (0,488 para 1,69), milho (1,632 para 5,55), soja (1,748 para 3,36), trigo (0,655 para 2,70), entre outras.

Uma das consequências foi a melhora na qualidade de vida do brasileiro. A eficiência da produção de alimentos no Brasil permitiu que a parcela da renda familiar média utilizada para compra de alimentos caísse de 48% em 1968 para 16% em 2011. Isso representa uma redução de 66% na parte da renda familiar média dos brasileiros que é usada para compra de comida.

O mais incrível é pensar que, com tantos recursos naturais, chegamos a importar a preços muito mais altos grande parte dos alimentos que consumíamos. Parece inacreditável mas importávamos, na década de 1960, quase 30% do que consumíamos, como arroz das Filipinas, feijão do México e do Chile, carne da Austrália, Argentina e Uruguai.

Hoje, o Brasil é uma potência agropecuária, somente atrás dos EUA e UE que são economias altamente desenvolvidas. O agronegócio tupiniquim responde por 23,5% do PIB, um terço dos empregos e para cerca de 45% das exportações do país. Do total, o povo brasileiro consome 70% da produção nacional de alimentos e o 30% de excedente é exportado.

Parece bastante? Pouco. Nosso “compromisso” com o mundo, segundo alguns estudiosos da segurança alimentar, é suprir até 50% do aumento da demanda prevista até 2050. A máxima de que somos o “celeiro do mundo” e o “país do futuro” se explica em muito pelo potencial que a produção agropecuária brasileira tem.

Soluções

A espécie humana conseguiu prosperar graças a descobertas da ciência (que também deve ter seus limites) e, agora, mais do que nunca, a pesquisa por novas tecnologias que conciliem aumento da produção, segurança alimentar e sustentabilidade é o único caminho. Ou então, não poderia haver mais gente, talvez seus filhos, irmãos, primos, sobrinhos, netos…

Mas, afinal, o que a ciência já aponta como soluções para alimentar um mundo cada vez mais faminto? Muitos especialistas estão otimistas com dezenas de novas técnicas para produção agrícola e pecuária, além de outros tipos de alimentos (sim!), e já apostam que haverá alimentos sustentáveis para mais alguns bilhões de terráqueos.

As alternativas são muitas e, a seguir, selecionamos algumas das possíveis soluções –

Ambientes controlados – Os ambientes controlados são como estufas e permitem que as genéticas desenvolvam todo seu potencial graças a condições de ambiente e manejo praticamente perfeitas para várias espécies. Esta técnica permite ampliar o número de colheitas a cada ano, maximizando o volume produzido e o rendimento de várias plantas. Em tomate, por exemplo, é possível elevar a produtividade de 9 kg/m² para 80 kg/m² (800% de aumento!). Isso vale para várias outras: rúcula, incremento de 210% (de 1,5 kg/m² para 4,7 kg/m²); pimentão, 480% (2,5 kg/m² para 12 kg/m²); e pepino, 590% (4,4 kg/m² para 26 kg/m²), entre outras. Uma verdadeira “fábrica” de hortifrutis. O problema é justamente este. Apesar de muito eficiente para legumes, verduras e algumas frutas, a técnica é muito cara para culturas que exigem maior escala, como grãos. Ainda assim, pesquisadores brasileiros obtiveram 15 toneladas de trigo em 1 hectare em um teste realizado no Brasil quando a média do país é de apenas 2 toneladas (incremento de 750%). Ou seja, se a fome apertar também não faltará matéria prima para fazer pão.

Hidroponia - É uma área ampla mas fundamenta-se no princípio de que o solo é apenas meio físico de sustentação. Já existem sistemas hidropônicos para mais de 100 tipos de plantas que usam uma solução nutritiva de água, nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre além de boro, cobre, manganês, zinco, molibidenio e ferro nas raízes das plantas em forma corrente ou vaporizada (aeroponia). Isso facilita a absorção e as plantas produzem em média 100% mais volume e 50% mais rápido. No Japão, a técnica já é utilizada para produzir dentro de grandes cidades seja no subsolo de restaurantes, cozinhas industriais e mesmo casas. Com a luz apropriada e orientação de um técnico, uma família de quatro pessoas, por exemplo, precisaria de 4m² para produzir 30 pés de alface por mês com a hiroponia. No futuro, se cada condomínio nas grandes cidades fizesse isso, além de legumes e verduras fresquinhos, reduziríamos o trânsito, a poluição e abriríamos “espaço” para outras culturas no campo.

Produção cúbica – Ao invés de horizontalizar a produção, é possível verticalizar. Seriam como pilhas de mini-estufas (com cultivos de ambientes controlados) que ocupariam muito menos área territorial para produzir muitas variedades de verduras e hortaliças. O tamanho dos “cubos” dependeria apenas da capacidade e do custo de guindastes para empilhar e desempilhar ou, ainda, dos projetos dos “prédios horta”. Isso já é realidade mas para espécies de produção limitada e de alto valor agregado como alface. Plantas que se desenvolvem em árvores (precisam de mais espaço) ou dependentes de escala para viabilidade econômica, provavelmente, não usarão esta técnica mesmo no futuro. O curioso é que, por usar menos espaço horizontal, a produção cúbica poderia usar o campo mas também rumar para dentro das cidades.

Algas – O potencial de gerar alimento a partir das algas é incrível. Elas são capazes de produzir proteína 21 vezes mais que a soja e 49 vezes mais que o milho e quadruplicar sua biomassa a cada dia. Pesquisadores de uma empresa privada com sede no Brasil geraram 20 toneladas de matéria seca a partir de 150 ml da alga Chlorella em apenas nove dias!! E ainda existem outros 800 mil espécies para se pesquisar. Só isso seria motivo para imaginar elas cada vez mais presentes no cardápio humano. Mas, para as algas, quantidade também é sinônimo de qualidade uma vez que várias delas, como a Schizochytrium limacinum, possuem muito ômega 3 e 6, antioxidantes, ácidos graxos, vitaminas, etc, etc. Se você acha estranho, não se esqueça das algas nos temakis de final de semana… Por enquanto, as algas são mais usadas para produzir biocombustíveis o que, de certa maneira, já é bom para liberar espaço para lavouras.

Piscicultura – A conversão alimentar é um índice usado para medir quanto os animais precisam comer de ração para ganhar um quilo. Bovinos, aves e suínos ingerem sempre mais comida do que ganham em “peso vivo”. Alguém poderia pensar que é normal pois parte da comida é digerida e eliminada pelo animal. Está certo mas existe uma exceção: a produção moderna de peixes. As tilápias em aquários chegam a ganhar 1 kg vivo com apenas 760 gramas de ração. Sim! A explicação é que, além da ração, elas comem as algas microscópicas que surgem espontaneamente nos reservatórios. E mais, testes com tambaquis na Amazônia mostraram que o volume produzido por hectare pode aumentar 176% (de 6,5 para 18 toneladas) com tanques escavados e aeração artificial (que usa eletricidade). Por isso, muitos apostam que a eficiência dos peixes, assim como seus benefícios para a saúde, vai elevá-los nos cardápios ao redor do mundo.

Melhoramento genético – A seleção genética permitiu que animais de produção (aves, suínos, bovinos, entre outros) gerem mais carne com menos ração. Por exemplo, a criação de frangos, na década de 1950, exigia 3 kg de ração para cada quilo de peso vivo nos animais que chegavam a 1,9 kg em 70 dias. Hoje, é necessário 1,68 kg de ração (44% melhor) para cada quilo de frango vivo e eles alcançam 2,4 kg em menos de 40 dias. Até 2030, segundo especialistas, estas aves comerão 1,2 kg de alimento como milho e soja para ganhar 1 kg, ou seja, uma melhora de novos 28,6% na conversão alimentar. Os suínos também, para ganhar um quilo, comiam 4 kg de ração nos anos 1970 e não passam de 2,3 kg nas granjas mais eficientes. Até 2030, cada porquinho vai precisar de apenas 1,8 kg de ração para ganhar 1 kg. Tudo isso pela seleção dos exemplares com melhores genes por meio de marcadores genéticos, sem qualquer hormônio. Aliás, não se usa hormônio na produção de animais pois é caro e ineficaz, além de proibido.

Nutrigenômica - Até hoje, 80% da melhora do desempenho na produção animal se deve à genética mas a nutrigenômica chegou para equilibrar as coisas. A interação entre a nutrição e os genes é o foco desta ciência que abre grandes perspectivas de aumento da produção, especialmente das carnes. Funciona assim: técnicas de mapeamento genético em nível molecular identificam os genes de interesse comercial do DNA que estão “desligados” no RNA que, na prática, geram a expressão genética. A partir dos nutrientes certos, eles são ativados e isso melhora a quantidade e a qualidade da carne produzida bem como a saúde de bovinos, suínos, aves, peixes, ovinos, etc, para reprodução ou, até mesmo, o comportamento. Ou seja, o potencial genético de cada espécie chega mais perto de sua expressão máxima em características boas para a nutrição humana como diminuição da gordura e do colesterol, maior sabor e maciez, entre outros pontos. Tudo isso naturalmente sem mudar os genes, alcançando o mesmo peso mas com animais comendo até 20% menos em volume e 75% menos em minerais.

Bem-estar animal – A realidade mostrou a produtores que o desempenho dos animais melhora quando suas “condições de vida” são mais confortáveis. A imagem de animais espremidos em um espaço pequeno está sendo coisa do passado simplesmente porque, entre outros motivos morais, dá prejuízo. A preocupação com o bem estar animal e seus resultados econômicos já levaram grandes empresas de equipamentos a desenvolver verdadeiros playgrounds. Os suínos, por exemplo, podem brincar de empurrar objetos e saltar pequenos obstáculos e, depois, se aliviar em massageadores. Os bovinos, além de massagens, são beneficiados com sistemas de irrigação para evitar inalação de poeira. Já as aves, têm cada vez mais espaço e temperatura controlada nos seus ambientes. Tudo isso porque assim eles têm menos doenças e melhor conversão alimentar.

Insetos – “Ricos em nutrientes, de baixo custo, ecológicos e deliciosos”. Foi assim que a ONU sugeriu os mais de 1600 insetos comestíveis (do total de 1,5 milhão de espécies) como uma excelente alternativa para alimentação da humanidade em relatório divulgado em maio de 2014. Mais difundido no Oriente e na África, o consumo dos bichinhos pode parecer “exótico demais” mas comer peixe cru (como o sashimi ou o sushi), tão estranho há 20 anos, está na moda atualmente. Com técnicas apropriadas, eles poderiam ser produzidos em casa pois ocupariam recipientes ventilados com capacidade de 100 ml até 1 kg para compor de 5% a 10% da nossa dieta. Sim, eles têm altos índices de proteínas (a barata cinérea tem 60% enquanto o boi, 28%), gorduras saudáveis, vitaminas (como a B), minerais, ferro, cálcio, grande produtividade e são ecológicos por consumirem a mesma quantidade de ração para gerar oito vezes mais carne que o boi. Entre os mais apreciados estão as traças, besouros, mosquitos, mariposas, gafanhotos, grilos, formigas, entre outros. Mas não pense que é apenas para classes mais pobres. Restaurantes de alta gastronomia na Europa já têm alguns insetos nos seus pratos mais sofisticados. Se você quiser ser um “pecuarista” de insetos comestíveis, inclusive, existem cursos online para isso.

Plantar nos desertos – Na hora do aperto, até mesmo os solos de desertos podem ser usados para produzir alimentos e seriam mais de 12 milhões de hectares de espaço (quase um Brasil inteirinho e meio) apenas nos cinco maiores desertos quentes do mundo (Saara, Arábia, Kalahari, Gobi e Grande Arenoso na Austrália). Experimentos realizados no deserto do Atacama no Chile mostram que, a partir do uso de fertilizantes hiperconcentrados e irrigação moderna, plantações de cana de açúcar atingiram uma produtividade de até 220 toneladas por hectare quase 175% maior que as 80 toneladas por hectare de média obtidas na “terra roxa” de São Paulo. Outros exemplos consolidados vêm do deserto de Negev, em Israel, que atende 90% de sua demanda interna (e até exportação) com frutas, legumes e verduras a partir de solos desérticos estruturados para a agricultura intensiva e, para água, bombardeio de nuvens e reciclagem de esgoto. O problema é o alto custo mas, entre passar fome e gastar dinheiro, fica fácil a escolha.

Concentração de CO² – Maior concentração de CO², apontado como vilão para o clima, tem um efeito positivo em muitas lavouras. É a tese da pesquisa do Centro de Estudo sobre o Dióxido de Carbono e Mudança Global (do inglês, Center for the Study of Carbon Dioxide and Global Change ) que mostra aumento médio de 51,5% no rendimento das 45 lavouras mais produzidas no mundo com mais 145 ppm de CO² na atmosfera até 2050, contra crescimento de 34,7% se contarmos “apenas” com as novas técnicas. A ONG dos EUA, inclusive, é contra as leis de restrição a emissão do gás pois “isso levaria centenas de milhões a falta de comida” e argumenta que entre a fome e teorias “não comprovadas” sobre o efeito do CO² em mudanças climáticas, a primeira é muito mais eminente. Segundo as estimativas do Centro, apenas nove dos 25 países mais populosos do mundo teriam alimentos suficientes em 2050 sem aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera. Pelo estudo, sem mais CO² na atmosfera, faltaria comida na Índia, EUA, Indonésia, Paquistão, Nigéria, México, Filipinas, Egito, Etiopia, Irã, Turquia, Congo e Reino Unido.

Genética e agricultura – A genética na agricultura contribuiu com pelo menos 140% do aumento de 200% na produtividade (os outros 60% se deve a manejo, ambiente e melhores defensivos) que as lavouras experimentaram nos últimos 50 anos. Até 2050, o conjunto de técnicas da genética pode gerar mais 280% de ganho em relação a média atual em culturas tão diferentes como trigo ou cana mas, no mínimo, 30% para as demais. Entre estas técnicas, estão o melhoramento convencional (escolher as plantas com melhor resultado e cruzá-las), o melhoramento genético molecular (com muito maior precisão para identificar os genes “campeões”) e a transgenia (que insere um gene externo na planta). Esta última é a mais polêmica mas, na verdade, não gera maior capacidade produtiva nas plantas apenas diminui perdas com pragas e doenças. Só com isso, os OGM´s (Organismos Geneticamente Modificados) pela transgenia produzem, no caso do milho, 103% mais que as lavouras convencionais e 171% mais que as orgânicas. Mas, para muitos especialistas, a segunda geração de transgênicos será para produzir alimentos funcionais (mais ricos em nutrientes) enquanto a resistência a pragas ou doenças será feita por nano-defensivos, muito mais eficientes.

Nanotecnologia – A nanotecnologia aplicada à agricultura poderia, inclusive, acabar com o interesse comercial pelos transgênicos pois, ao invés de inserir um gene exótico na planta, a técnica permitiria apenas “colar” nanopartículas no genoma, sem alterá-lo. Isso possibilitará “enriquecer” os alimentos com características funcionais boas para a saúde, como vitaminas e outros nutrientes. Além disso, reduziria o uso de defensivos agrícolas para quantidades centenas de vezes menores que as utilizadas na agricultura convencional em um combate muito mais eficiente a doenças e pragas. Estas intervenções em nível atômico trariam benefícios de, pelo menos, 30% na produtividade em geral, na minimização de perdas e na redução do impacto ambiental em águas, solo e ar.

Acabar com o desperdício – Segundo relatório da FAO, o desperdício de alimentos no mundo chega a 33% (um terço) de tudo que é produzido, gerando um prejuízo de US$ 750 bilhões por ano. Enquanto isso, 850 milhões de pessoas (12,7% da população) passam fome diariamente. Ou seja, esta comida jogada fora pode matar quase três vezes a fome destes homens, mulheres, crianças e idosos espalhados por todo mundo, especialmente em países e regiões pobres. O documento diz ainda que 54% do desperdício ocorre na fase inicial da produção –na manipulação, após a colheita e na armazenagem. Os restantes 46% de perdas ocorrem nas etapas de processamento, distribuição e consumo. Aqui entra a comida que nós colocamos no prato e não comemos! Imagine só… A FAO estimou ainda que, se reduzíssemos pela metade o desperdício, faltaria “apenas” mais 32% de aumento na produção de alimentos para alimentar toda a população mundial em 2050.

 

Foram fontes para esta reportagem o presidente da Embrapa Soja Alexandre José Cattelan; o consultor Osler Desouzart; o engº agrônomo Maurício Rangel; o professor da Unesp, Morel de Passos e Carvalho; o professor da Universidade Federal de Pelotas, Fernando Rutz; o especialista Csaba Kenez; o engº agrônomo Marcos Gaio; o engº agrônomo Fábio Braz Brass e a engª agrônoma Lisane Colombano; o pesquisador do IAC Luis Felipe Villani Purquerio; o coordenador da APTA Orlando Melo de Castro; e o presidente da comissão de biossegurança da Esalq, Mateus Mondin.  Fonte: http://agromulher.com.br

 

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