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O que falta para os jovens ficarem no campo e seguirem o caminho dos pais?

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Para especialista da Embrapa, é preciso deixar de enxergar a juventude como fase transitória e passar a investir nos jovens

Família do produtor Ivaldo Oliveira, de Diamantino, no Médio Norte do Mato Grosso. Por enquanto, dos cinco filhos (três adultos), apenas o mais velho, Aelton, seguiu a profissão.

Embora muitos jovens queiram continuar trabalhando nas áreas rurais em que nasceram, próximos de suas famílias e das propriedades onde foram criados, em grande parte dos casos eles não recebem incentivos suficientes para permanecer e trabalhar no campo.

Para que esses jovens sejam atraídos a ficar na região, é preciso que haja boas oportunidades de renda, políticas públicas voltadas ao seu desenvolvimento, acesso à saúde e educação e também uma boa relação com os pais, de quem devem herdar a propriedade no futuro.

Destacados pelos participantes de debate sobre jovens no campo, esses fatores devem também ser complementados pelo uso extensivo da tecnologia, que, além de atrair a atenção dos jovens, facilita a comunicação e o trabalho no campo.

“Minha mãe sempre atuou com serviço braçal e tinha receio de que eu ficasse no campo trabalhando com força física. Mostrei a ela que a tecnologia veio para ajuda nisso. Se sou uma jovem mulher e não tenho força para carregar um carrinho de silagem [forragem usada para alimentar os animais] para dar às minhas vacas leiteiras, posso comprar uma desensiladeira, acoplar no trator e fazer o mesmo serviço sem tanto esforço”, contou Isabela Albuquerque, coordenadora do comitê de jovens da Lar Cooperativa, do Paraná.

A jovem de 25 anos afirmou que a boa relação com os pais é também essencial para que os mais novos ganhem espaço desde cedo na propriedade rural, sendo capazes de dar sugestões e auxiliar no planejamento das atividades do local.

Para Christiane Amâncio, coordenadora do Portfólio Inovação Social da Embrapa, é preciso deixar de enxergar a juventude como fase transitória e passar a investir nos jovens justamente por sua importância para a inovação e transformação dos processos de gestão.

Ela defendeu a criação de políticas públicas que ofereçam recursos financeiros e estruturais para aqueles que tenham interesse em permanecer no campo mesmo após sua formação educacional.

Segundo Christiane, a Embrapa tem buscado ouvir os produtores de pequenas comunidades e entender os principais desafios que eles enfrentam, para só então projetar iniciativas que incentivem o desenvolvimento econômico dessas regiões.

Filho de agricultores e natural do município de Pentecoste, no interior do Ceará, Adriano Batista é cofundador e diretor-executivo de uma agência que atua no desenvolvimento social e econômico de municípios rurais na região norte do estado. Segundo ele, a Adel (Agência de Desenvolvimento Econômico Local) já atendeu cerca de 2.800 jovens da região, dos quais 90% continuam trabalhando no campo.

A instituição atua principalmente em quatro eixos: promoção de educação e conhecimento entre os jovens por meio de oficinas sobre temas rurais, oferta de crédito por meio de um fundo próprio de incentivo, criação de redes cooperativas e investimento em tecnologia e comunicação.

”Esses jovens ouvem desde cedo dos pais que lugar de desenvolvimento é a cidade, são incentivados desde cedo a ir embora. Toda vez que um jovem deixa a comunidade, ela perde um potencial enorme de empreendedorismo. Antes atendíamos pessoas a partir de 18 anos, agora estamos indo até os 14 anos, porque queremos desmistificar essa ideia. O jovem precisa perceber que no campo ele também tem oportunidades”, disse Batista." Fonte> Folha Press/Gazeta do Povo/Fotos:Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

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Robôs são ‘contratados’ para lidar com envelhecimento de agricultores e ausência de imigrantes

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Abel Montoya se lembra de sua infância, quando o pai chegava em casa dos campos de alface todas as noites com lama até os joelhos, a própria imagem da exaustão. “Meu pai queria que eu ficasse longe do trabalho manual. Sempre quis que eu estudasse”, disse Montoya. Foi isso que ele fez, e foi para a faculdade.

No entanto, Montoya, de 28 anos, filho de imigrante, recentemente arrumou um emprego em uma fábrica de embalagem de alface, um lugar úmido, barulhento, gelado – e sua função em geral exige muito do físico e pouco do intelecto. Agora, porém, ele pode delegar os piores trabalhos aos robôs.

Montoya faz parte da nova geração de trabalhadores agrícolas na Taylor Farms, uma das maiores produtoras e vendedoras de verduras e legumes frescos do mundo, que recentemente começou a usar uma frota de robôs projetada para substituir os seres humanos – uma das últimas respostas do setor agrícola à diminuição da oferta do trabalho de imigrantes.

As máquinas inteligentes podem montar de 60 a 80 sacos de salada por minuto, o dobro da capacidade de um trabalhador. Há dez anos havia fila para empacotador de alface. Atualmente, isso não acontece.

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Segundo funcionários da Taylor Farms, o uso de robôs faz sentido no aspecto econômico para uma companhia que procura capitalizar o apetite insaciável dos americanos por refeições saudáveis, num momento em que não pode recrutar pessoas suficientes para trabalhar nos campos ou na fábrica.

Há dez anos, centenas de candidatos faziam filas em busca de empregos em empresas de embalagem na Califórnia e no Arizona durante a temporada de alface. Não mais.

“Nossa força de trabalho está envelhecendo”, disse Mark Borman, diretor de operações da Taylor Farms. “Não estamos atraindo jovens para nossa indústria. Não há mais uma onda de imigrantes. Como lidamos com isso? Inovando.”

A adoção da tecnologia cria posições mais qualificadas, que podem atrair jovens como Montoya – prestes a se formar em ciência da computação –, e reforça a retenção de funcionários veteranos, que recebem novos treinamentos, enriquecendo suas carreiras.

“Estamos oferecendo empregos melhores que, esperamos, irão atrair uma maior variedade de pessoas”, disse Borman.

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Levantamento

Em uma pesquisa de 2017 com agricultores, feita pela California Farm Bureau Federation, 55% deles relataram escassez de mão de obra, chegando quase a 70% para aqueles que dependiam de trabalhadores sazonais. Os aumentos salariais nos últimos anos não compensaram o déficit, disseram os produtores.

As plantações de morango na Califórnia, os pomares de maçã em Washington e as fazendas leiteiras em todo o país estão lutando contra as consequências do envelhecimento e da diminuição do número de trabalhadores nascidos em outros países, contra a repressão na fronteira e contra o fracasso do Congresso em concordar com uma reforma da imigração, que poderia fornecer uma fonte mais estável de mão de obra.

Os trabalhadores agrícolas que se beneficiaram da última anistia aos imigrantes, em 1986, estão agora com 50 anos e representam apenas uma fração dos atuais. À medida que menos imigrantes chegaram para trabalhar na agricultura, a idade média dos trabalhadores subiu – para 38 em 2016, de acordo com dados governamentais, contra 31 em 2000.

Mesmo assim, cerca de três quartos desses trabalhadores nos EUA nasceram no exterior, e a maioria deles está no país ilegalmente. O aumento do controle na fronteira transformou a migração de mão de obra rural em uma “raridade relativa”, de acordo com o Departamento de Agricultura americano.

Burocracia apodrece produção

Produtores de muitos estados, como a Flórida, grande produtora de cítricos, começaram a utilizar o programa H-2A, para trabalhadores convidados, com o objetivo de importar mão de obra do México. Mas eles se queixam da burocracia do governo, que atrasa chegadas, e de padrões climáticos imprevisíveis, que fazem os frutos amadurecerem prematuramente, antes da chegada dos trabalhadores – tudo isso resultando em perdas.

A Taylor Farms traz cerca de 200 trabalhadores por ano com esses vistos, quase 10% de sua força de trabalho sazonal. “O programa nem sempre é confiável e nossos itens são perecíveis”, disse Chris Rotticci, diretor da divisão de automação de colheita da Taylor Farms, que também está procurando maneiras de substituir os seres humanos. “Somos obrigados a fazer isso – não temos gente suficiente.”

O ideal, dizem os produtores, seria que o Congresso aprovasse um projeto de lei para legalizar os trabalhadores rurais que estão no país ilegalmente, incentivando-os a permanecer nos campos, além de incluir disposições para garantir um fluxo constante de mão de obra sazonal, que poderia ir e vir com relativa facilidade.

 

Colheita com robôs

A indústria agrícola de US$ 54 bilhões da Califórnia não pode se dar ao luxo de esperar. Como epicentro da tecnologia e da agricultura no país, o estado lidera o movimento para automatizar os campos e embalar seus produtos.

Cerca de 60% da alface romana e metade do repolho e do salsão produzidos pela Taylor Farms são colhidos com sistemas automatizados. Existe uma parceria com uma empresa de inovação, que anteriormente focava em veículos automatizados, para desenvolver uma máquina de colheita de brócolis e alface americana dentro de dois anos.

A empresa planeja dobrar o número de colheitadeiras automatizadas, que custam por volta de US$ 750 mil cada, nos campos a cada ano – até que quase tudo possa ser colhido por máquinas.

Culturas de trigo, soja e algodão há muito usam automação. As frutas delicadas, como o pêssego, a ameixa e a framboesa, além de vegetais como o aspargo e a erva-doce, continuarão com mão de obra humana indefinidamente.

É difícil substituir os olhos e as mãos de uma pessoa – e a tecnologia ainda está em sua infância. “Vai ser preciso muito tempo para desenvolver uma tecnologia que reconheça quando é o momento certo de colher os produtos, além de colhê-los da forma correta”, disse Tom Nassif, presidente da Western Growers, uma grande associação que representa questões agrícolas no Arizona, na Califórnia, no Colorado e no Novo México.

Robôs ainda não têm a mesma capacidade de seleção de vegetais em bom estado comparado aos seres humanos.

Mas, devido aos desafios da força de trabalho, “é uma solução de longo prazo que deve ser buscada vigorosamente”, disse Nassif, cuja associação abriu um centro de inovação em Salinas há dois anos para incentivar startups de tecnologia agrícola.

Os desafios trabalhistas são a principal razão pela qual a Taylor Farms está construindo uma segunda fábrica no México, que deve começar a funcionar no início do ano que vem.“Se não podemos encontrar trabalhadores aqui, o lugar lógico para crescer é lá”, disse Borman, o executivo.

Dentro da fábrica de processamento em Salinas, onde a temperatura fica próxima do congelamento, os funcionários vestem casacos pesados sob os aventais de trabalho, amarram bandanas sob o chapéu para manter as orelhas aquecidas e usam dois pares de luvas.

Em uma tarde recente, motoristas de empilhadeiras corriam para cima e para baixo entregando caixas de alface para as máquinas, onde eram cortadas de acordo com a especificação e lavadas. Dezenas de trabalhadores operavam centrífugas industriais que removiam o excesso de água das folhas.

Em várias estações, dois robôs de braços amarelos com ventosas redondas na extremidade agarravam pacotes de alface picada, um por um, e os colocavam em caixas que corriam por uma esteira. Perto dali, robôs maiores faziam o trabalho repetitivo e árduo de carregar e empilhar as caixas cheias.

Maria Guadalupe, 43 anos, recém-formada em um curso de tecnologia patrocinado pela empresa, foi transferida da função de colocar os sacos de salada em caixas para a configuração e o monitoramento de robôs que fazem seu antigo trabalho.“Este trabalho é muito melhor”, disse ela em meio ao barulho da fábrica.

Atualmente, nove robôs são usados nas instalações de Salinas; a maioria do trabalho ainda é predominantemente feito por seres humanos.

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Maria Guadalupe controla um robô que empacota alfaces. “Estamos ainda em fase de protótipo”, disse Marissa Gutierrez, gerente de recursos humanos. “Vamos conseguir mais robôs, mas sempre dependeremos do trabalho humano, mesmo enquanto nos automatizamos.”

No centro de treinamento ao lado, Montoya e outros 15 funcionários aprendiam sobre programação, engenharia e operação de equipamentos. Um intérprete traduzia a explicação do instrutor do inglês para o espanhol para alguns dos trabalhadores.

Montoya, que foi criado em Yuma, Arizona, onde é cultivada a maior parte das verduras consumidas pelos americanos no inverno, candidatou-se a um cargo na Taylor Farms depois de ler sobre o curso de tecnologia que a empresa oferece aos funcionários. “A tecnologia avançada na agricultura vai ser algo enorme”, disse ele, maravilhado com a precisão e destreza dos robôs. “Vai abrir oportunidades para mim.” Fonte:Miriam Jordan The New York Times/Fotos:Jim Wilson/NYT

 

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Mundo faminto e soluções inovadoras

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Artigo de Daniel Azevedo Duarte. Mestre em novas tendências do jornalismo. Especialista em agronegócio e em marketing digital.

“Anton Khrypunov cozinhou os órgãos internos de sua irmã de oito anos para comer. Poderiam, ainda, ser mencionados outros casos”. O trecho do livro “Holodomor: O Genocídio Ucraniano” não trata de um serial killer mas, sim, sobre até onde a falta de comida pode levar as pessoas ao contar um dos dramas do caos alimentar que matou 7 milhões de pessoas na Ucrânia no início dos anos 1930.

O extremo de não ter o que comer talvez seja um dos maiores desesperos pelos quais o ser humano pode passar e também levou ao antropofagismo um grupo de jogadores de rugby uruguaios em 1972. Eles, depois de uma catástrofe aérea na Cordilheira dos Andes, tiveram que alimentar-se da carne dos próprios amigos mortos para resistir durante 72 dias, a 3600 metros de altitude com 20 Cº negativos, até serem resgatados.

Não são só casos isolados. Durante o século XX, estima-se que 70 milhões de pessoas morreram de fome em todo o globo por questões políticas, conflitos armados ou desastres produtivos regionais, como na China (1958-61), Bengala (1942-45), Camboja (década de 1970), Etiópia (nos anos 1980), Coreia do Norte (nos anos 1990) e uma lista de dezenas de crises alimentares que chegam até o nosso quintal, no Nordeste brasileiro.

O pior é que casos críticos de falta de comida podem se tornar muito mais comuns se estiverem certos os teóricos conhecidos como neomalthusianos. Estes seguidores do economista britânico do século XVIII Thomas Malthus (1766-1834) defendem que o aumento populacional é geométrico (2, 4, 8, 16…) e o crescimento da oferta de alimentos aritmético (2, 4, 6, 8…).

Ou seja, em pouco tempo faltaria comida, aumentaria a fome e, fatalmente, viriam guerras, subnutrição e, talvez, até mesmo, mais canibalismo… Malthus já errou uma vez pois, 200 anos depois e 6,2 bilhões de bocas a mais desde quando lançou sua teoria, temos mais comida do que conseguimos comer. Mas será que agora ele vai acertar?

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Apetite

Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), estima-se que éramos 7,6 bilhões de pessoas em outubro de 2017. Em 2050, seremos 9,8 bilhões e, apesar do aumento de 29% na população, a demanda por alimentos vai disparar em 60%.

O motivo é que a renda per capita mundial crescerá 80% nos próximos 40 anos e, principalmente, nos países e continentes com mais população (China, Índia e África) onde as pessoas comem menos atualmente.

A lógica é simples. Com renda de US$ 6,1 mil em 2010, cada ser humano comeu, em média, 43 kg de carne. Em 2050, com US$ 11,2 mil no bolso, o consumo per capita saltaria para 68 kg, segundo a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). E isso também vale para legumes, verduras, frutas, raízes e assim por diante.

Em 2010, a produção mundial de alimentos chegou a cerca de 2,4 bilhões ton de grãos, pouco mais de 1 bilhão ton de legumes e verduras, 750 milhões de ton de raízes e tubérculos, 613 milhões de ton frutas (fora cítricos), 296 milhões de ton de carne, 127 milhões de ton de cítricos e 14 milhões de ton de frutos secos entre outros quitutes como cana de açúcar, ovos, leite, peixes, algas, cogumelos, etc.

É preciso bastante comida para abastecer com cerca de 2800 kcl/dia em média cada habitante do planeta, distribuídos em vitaminas, fibras, proteínas, carboidratos, açúcares, etc. Agora imagine que todo este volume precisa aumentar em 60% e dispomos dos mesmos recursos naturais (talvez até menos) de quando éramos apenas 1 bilhão de pessoas.

Falta tudo

Em 2010, só para atender a demanda humana por grãos, que ocupam mais da metade da área cultivada do planeta, foram necessários 696 milhões de hectares de terra espalhados nos cinco continentes.

Se a solução para aumentar a produção fosse apenas usar mais terra, precisaríamos de 420 milhões de hectares a mais no globo com clima, relevo e recursos hídricos favoráveis (um espaço equivalente à União Europeia) para suprir uma demanda 60% maior só de grãos.

Se contarmos os outros tipos de alimentos, poderíamos dobrar isso, ou arranjar praticamente um Brasil inteiro livre para plantar com os índices de produtividade atuais. O primeiro problema é que este espaço não existe e fica ainda mais improvável quando se considera a necessidade de preservação de florestas, biomas, nascentes de rios e outras áreas de proteção.

Pouquíssimos países têm algum volume expressivo de terra agricultável. A maior exceção é justamente o Brasil que, sem entrar em áreas de proteção ambiental ou reservas indígenas (66,3% do nosso território), tem 256,7 milhões de hectares “agricultáveis”.

Os outros países com estoque de terras relevantes são os EUA (81 milhões de hectares), Rússia (88 milhões), Austrália (50 milhões), Sudão (41 milhões), Argentina (38 milhões), Canadá (22 milhões), Colômbia (20 milhões), Venezuela (18 milhões), Ucrânia (8 milhões), México (6 milhões), Indonésia (5 milhões) e França (4 milhões). Fora isso, quase nada.

No caso do Brasil, vale destacar, que não seria preciso sequer avançar sobre este “estoque”. Apenas usando melhor nossas terras poderíamos responder ao mundo com o que, de certa maneira, se espera de nós. Temos hoje 1,3 cabeça de gado por hectare de pastagem e dobrássemos isso para 2,6 bois por hectare já liberaríamos muitíssimo território (cerca 80 milhões de hectares) sem derubar nenhuma árvore.

Outro problema mundial para aumentar a produção agrícola é a escassez de água. Novamente o Brasil é a nação mais “abençoada” com este recurso. O país detém a maior reserva mundial disponível e concentra 12% da água doce de superfície do planeta.

Os outros poucos países “ricos em água” são aqueles que têm índice de 10.000 m3/hab/ano a 100.000 m3/hab/ano como Austrália, Colômbia, Venezuela, Suécia, Rússia, Albânia, Canadá, Argentina e Angola. O Brasil tem 35.732 m3/hab/ano. Ainda existem os “muito ricos em água” como Guiana Francesa, a Islândia, o Gabão, o Suriname e a Sibéria (Rússia), mas estes não têm quantidade expressiva de terras para cultivar.

Ainda há um terceiro problema: os fertilizantes são limitados e não renováveis. Se o fósforo, talvez o mais importantes deles, não for usado com sabedoria poderíamos esgotar as reservas mundiais em apenas 60 anos. Sem fertilizantes, produtividade baixa e maior chance de fome generalizada. E apenas quatro países – Marrocos, China, África do Sul e Jordânia – controlam 80% das reservas de fosfato utilizável do mundo.

Isso sem falarmos na disputa pelos mesmos recursos para a produção de fibras (para roupa, tecidos, etc), madeiras e biocombustíveis. Mas com pouca terra, escassez de água, fertilizantes acabando e a obrigação de preservar o meio ambiente, o que fazer para aumentar a produção de alimentos?

Não tem pão?

Apesar de simpática, a resposta não é a produção orgânica que, no exemplo do milho, produz hoje 25% menos que as culturas convencionais e 64% menos que os transgênicos. Na prática, comida pouca e cara que poderia atender somente uma elite da população mundial com dinheiro suficiente para pagar uma produção menos eficiente.

A palavra de ordem que corre entre cientistas, pesquisadores e as empresas que trabalham com agricultura e pecuária é: “produzir mais com menos”. E nesse caminho, a ciência, a pesquisa e a tecnologia são todos os instrumentos que o ser humano tem para, com o crescimento populacional, não precisar encarar grandes fomes.

Na verdade, se as novas técnicas (a transgenia cobre 91,1% da produção de soja, por exemplo) não estivessem sendo utilizadas, teríamos muito mais do que os atuais 815 milhões de famintos estimados pela ONU. As novidades da ciência utilizadas com critério garantiram produção suficiente para todos e só existe fome por questões de distribuição, concentração de riqueza, desperdício ou outras causas.

Pode parecer impossível produzir tanta comida a mais quando imaginamos o espaço e os recursos que a agricultura e a pecuária já demandam. Mas, para ficar mais otimista, basta lembrar que triplicamos a produção mundial de alimentos nos últimos 50 anos devido, principalmente, a descobertas da ciência.

E não é de agora. A invenção da agricultura há 10 ou 12 mil anos, do arado (no Egito Antigo), da rotação de culturas (na Europa medieval ou com os Maias), da semeadeira mecânica (Jethro Tull, no século XVII – a banda de rock é uma homenagem a ele) e tantas outras técnicas já haviam feito isso antes.

Mais recentemente, na década de 1950, a chamada revolução verde iniciou uma série de inovações tecnológicas como melhoramento genético (sementes híbridas), uso de insumos industriais (defensivos e fertilizantes), mecanização de plantio e colheita, irrigação e redução nos custos de manejo que aumentaram enormemente a produção em países desenvolvidos e não-desenvolvidos “resolvendo” o problema da falta de alimentos pelo menos quanto ao volume.

Um pouquinho de Brasil

O Brasil, talvez, seja um dos melhores e maiores exemplos de como o ser humano e a ciência podem encontrar soluções sustentáveis para “ter o que comer”.

O desenvolvimento das lavouras no cerrado brasileiro por meio da técnica do plantio direto e outras tecnologias de agricultura tropical foi chamado pelo Prêmio Nobel da Paz, Norman Borlaug, o pai da revolução verde, como “uma das maiores revoluções da história”.

Borlaug, tido como “o ser humano que mais salvou vidas” em todos os tempos – algo entre 250 milhões a 1 bilhão de pessoas teriam morrido de fome se não fossem as técnicas difundidas por ele e outros pesquisadores -, morreu em 2009 mas, antes, conheceu bem os resultados dos produtores brasileiros pois visitou algumas vezes nosso país.

A série histórica da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) mostra que a produção no Brasil foi de 40 milhões de toneladas de grãos em 37,5 milhões de hectares em 1977/1978 contra 238,7 milhões em 60,8 milhões de hectares em 2016/2017. Um aumento de 496,7% na produção e de apenas de 62,1% na área cultivada nos últimos 39 anos.

Um salto de 1,06 toneladas de grãos por hectare em 1977/78 para 3,92 toneladas por hectare em 2016/17. Isso também vale para todas as principais culturas. Em tonelagem por hectare, a produtividade cresceu em algodão (de 0,43 para 2,44), arroz (de 1,5 para 6,22), feijão (0,488 para 1,69), milho (1,632 para 5,55), soja (1,748 para 3,36), trigo (0,655 para 2,70), entre outras.

Uma das consequências foi a melhora na qualidade de vida do brasileiro. A eficiência da produção de alimentos no Brasil permitiu que a parcela da renda familiar média utilizada para compra de alimentos caísse de 48% em 1968 para 16% em 2011. Isso representa uma redução de 66% na parte da renda familiar média dos brasileiros que é usada para compra de comida.

O mais incrível é pensar que, com tantos recursos naturais, chegamos a importar a preços muito mais altos grande parte dos alimentos que consumíamos. Parece inacreditável mas importávamos, na década de 1960, quase 30% do que consumíamos, como arroz das Filipinas, feijão do México e do Chile, carne da Austrália, Argentina e Uruguai.

Hoje, o Brasil é uma potência agropecuária, somente atrás dos EUA e UE que são economias altamente desenvolvidas. O agronegócio tupiniquim responde por 23,5% do PIB, um terço dos empregos e para cerca de 45% das exportações do país. Do total, o povo brasileiro consome 70% da produção nacional de alimentos e o 30% de excedente é exportado.

Parece bastante? Pouco. Nosso “compromisso” com o mundo, segundo alguns estudiosos da segurança alimentar, é suprir até 50% do aumento da demanda prevista até 2050. A máxima de que somos o “celeiro do mundo” e o “país do futuro” se explica em muito pelo potencial que a produção agropecuária brasileira tem.

Soluções

A espécie humana conseguiu prosperar graças a descobertas da ciência (que também deve ter seus limites) e, agora, mais do que nunca, a pesquisa por novas tecnologias que conciliem aumento da produção, segurança alimentar e sustentabilidade é o único caminho. Ou então, não poderia haver mais gente, talvez seus filhos, irmãos, primos, sobrinhos, netos…

Mas, afinal, o que a ciência já aponta como soluções para alimentar um mundo cada vez mais faminto? Muitos especialistas estão otimistas com dezenas de novas técnicas para produção agrícola e pecuária, além de outros tipos de alimentos (sim!), e já apostam que haverá alimentos sustentáveis para mais alguns bilhões de terráqueos.

As alternativas são muitas e, a seguir, selecionamos algumas das possíveis soluções –

Ambientes controlados – Os ambientes controlados são como estufas e permitem que as genéticas desenvolvam todo seu potencial graças a condições de ambiente e manejo praticamente perfeitas para várias espécies. Esta técnica permite ampliar o número de colheitas a cada ano, maximizando o volume produzido e o rendimento de várias plantas. Em tomate, por exemplo, é possível elevar a produtividade de 9 kg/m² para 80 kg/m² (800% de aumento!). Isso vale para várias outras: rúcula, incremento de 210% (de 1,5 kg/m² para 4,7 kg/m²); pimentão, 480% (2,5 kg/m² para 12 kg/m²); e pepino, 590% (4,4 kg/m² para 26 kg/m²), entre outras. Uma verdadeira “fábrica” de hortifrutis. O problema é justamente este. Apesar de muito eficiente para legumes, verduras e algumas frutas, a técnica é muito cara para culturas que exigem maior escala, como grãos. Ainda assim, pesquisadores brasileiros obtiveram 15 toneladas de trigo em 1 hectare em um teste realizado no Brasil quando a média do país é de apenas 2 toneladas (incremento de 750%). Ou seja, se a fome apertar também não faltará matéria prima para fazer pão.

Hidroponia - É uma área ampla mas fundamenta-se no princípio de que o solo é apenas meio físico de sustentação. Já existem sistemas hidropônicos para mais de 100 tipos de plantas que usam uma solução nutritiva de água, nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre além de boro, cobre, manganês, zinco, molibidenio e ferro nas raízes das plantas em forma corrente ou vaporizada (aeroponia). Isso facilita a absorção e as plantas produzem em média 100% mais volume e 50% mais rápido. No Japão, a técnica já é utilizada para produzir dentro de grandes cidades seja no subsolo de restaurantes, cozinhas industriais e mesmo casas. Com a luz apropriada e orientação de um técnico, uma família de quatro pessoas, por exemplo, precisaria de 4m² para produzir 30 pés de alface por mês com a hiroponia. No futuro, se cada condomínio nas grandes cidades fizesse isso, além de legumes e verduras fresquinhos, reduziríamos o trânsito, a poluição e abriríamos “espaço” para outras culturas no campo.

Produção cúbica – Ao invés de horizontalizar a produção, é possível verticalizar. Seriam como pilhas de mini-estufas (com cultivos de ambientes controlados) que ocupariam muito menos área territorial para produzir muitas variedades de verduras e hortaliças. O tamanho dos “cubos” dependeria apenas da capacidade e do custo de guindastes para empilhar e desempilhar ou, ainda, dos projetos dos “prédios horta”. Isso já é realidade mas para espécies de produção limitada e de alto valor agregado como alface. Plantas que se desenvolvem em árvores (precisam de mais espaço) ou dependentes de escala para viabilidade econômica, provavelmente, não usarão esta técnica mesmo no futuro. O curioso é que, por usar menos espaço horizontal, a produção cúbica poderia usar o campo mas também rumar para dentro das cidades.

Algas – O potencial de gerar alimento a partir das algas é incrível. Elas são capazes de produzir proteína 21 vezes mais que a soja e 49 vezes mais que o milho e quadruplicar sua biomassa a cada dia. Pesquisadores de uma empresa privada com sede no Brasil geraram 20 toneladas de matéria seca a partir de 150 ml da alga Chlorella em apenas nove dias!! E ainda existem outros 800 mil espécies para se pesquisar. Só isso seria motivo para imaginar elas cada vez mais presentes no cardápio humano. Mas, para as algas, quantidade também é sinônimo de qualidade uma vez que várias delas, como a Schizochytrium limacinum, possuem muito ômega 3 e 6, antioxidantes, ácidos graxos, vitaminas, etc, etc. Se você acha estranho, não se esqueça das algas nos temakis de final de semana… Por enquanto, as algas são mais usadas para produzir biocombustíveis o que, de certa maneira, já é bom para liberar espaço para lavouras.

Piscicultura – A conversão alimentar é um índice usado para medir quanto os animais precisam comer de ração para ganhar um quilo. Bovinos, aves e suínos ingerem sempre mais comida do que ganham em “peso vivo”. Alguém poderia pensar que é normal pois parte da comida é digerida e eliminada pelo animal. Está certo mas existe uma exceção: a produção moderna de peixes. As tilápias em aquários chegam a ganhar 1 kg vivo com apenas 760 gramas de ração. Sim! A explicação é que, além da ração, elas comem as algas microscópicas que surgem espontaneamente nos reservatórios. E mais, testes com tambaquis na Amazônia mostraram que o volume produzido por hectare pode aumentar 176% (de 6,5 para 18 toneladas) com tanques escavados e aeração artificial (que usa eletricidade). Por isso, muitos apostam que a eficiência dos peixes, assim como seus benefícios para a saúde, vai elevá-los nos cardápios ao redor do mundo.

Melhoramento genético – A seleção genética permitiu que animais de produção (aves, suínos, bovinos, entre outros) gerem mais carne com menos ração. Por exemplo, a criação de frangos, na década de 1950, exigia 3 kg de ração para cada quilo de peso vivo nos animais que chegavam a 1,9 kg em 70 dias. Hoje, é necessário 1,68 kg de ração (44% melhor) para cada quilo de frango vivo e eles alcançam 2,4 kg em menos de 40 dias. Até 2030, segundo especialistas, estas aves comerão 1,2 kg de alimento como milho e soja para ganhar 1 kg, ou seja, uma melhora de novos 28,6% na conversão alimentar. Os suínos também, para ganhar um quilo, comiam 4 kg de ração nos anos 1970 e não passam de 2,3 kg nas granjas mais eficientes. Até 2030, cada porquinho vai precisar de apenas 1,8 kg de ração para ganhar 1 kg. Tudo isso pela seleção dos exemplares com melhores genes por meio de marcadores genéticos, sem qualquer hormônio. Aliás, não se usa hormônio na produção de animais pois é caro e ineficaz, além de proibido.

Nutrigenômica - Até hoje, 80% da melhora do desempenho na produção animal se deve à genética mas a nutrigenômica chegou para equilibrar as coisas. A interação entre a nutrição e os genes é o foco desta ciência que abre grandes perspectivas de aumento da produção, especialmente das carnes. Funciona assim: técnicas de mapeamento genético em nível molecular identificam os genes de interesse comercial do DNA que estão “desligados” no RNA que, na prática, geram a expressão genética. A partir dos nutrientes certos, eles são ativados e isso melhora a quantidade e a qualidade da carne produzida bem como a saúde de bovinos, suínos, aves, peixes, ovinos, etc, para reprodução ou, até mesmo, o comportamento. Ou seja, o potencial genético de cada espécie chega mais perto de sua expressão máxima em características boas para a nutrição humana como diminuição da gordura e do colesterol, maior sabor e maciez, entre outros pontos. Tudo isso naturalmente sem mudar os genes, alcançando o mesmo peso mas com animais comendo até 20% menos em volume e 75% menos em minerais.

Bem-estar animal – A realidade mostrou a produtores que o desempenho dos animais melhora quando suas “condições de vida” são mais confortáveis. A imagem de animais espremidos em um espaço pequeno está sendo coisa do passado simplesmente porque, entre outros motivos morais, dá prejuízo. A preocupação com o bem estar animal e seus resultados econômicos já levaram grandes empresas de equipamentos a desenvolver verdadeiros playgrounds. Os suínos, por exemplo, podem brincar de empurrar objetos e saltar pequenos obstáculos e, depois, se aliviar em massageadores. Os bovinos, além de massagens, são beneficiados com sistemas de irrigação para evitar inalação de poeira. Já as aves, têm cada vez mais espaço e temperatura controlada nos seus ambientes. Tudo isso porque assim eles têm menos doenças e melhor conversão alimentar.

Insetos – “Ricos em nutrientes, de baixo custo, ecológicos e deliciosos”. Foi assim que a ONU sugeriu os mais de 1600 insetos comestíveis (do total de 1,5 milhão de espécies) como uma excelente alternativa para alimentação da humanidade em relatório divulgado em maio de 2014. Mais difundido no Oriente e na África, o consumo dos bichinhos pode parecer “exótico demais” mas comer peixe cru (como o sashimi ou o sushi), tão estranho há 20 anos, está na moda atualmente. Com técnicas apropriadas, eles poderiam ser produzidos em casa pois ocupariam recipientes ventilados com capacidade de 100 ml até 1 kg para compor de 5% a 10% da nossa dieta. Sim, eles têm altos índices de proteínas (a barata cinérea tem 60% enquanto o boi, 28%), gorduras saudáveis, vitaminas (como a B), minerais, ferro, cálcio, grande produtividade e são ecológicos por consumirem a mesma quantidade de ração para gerar oito vezes mais carne que o boi. Entre os mais apreciados estão as traças, besouros, mosquitos, mariposas, gafanhotos, grilos, formigas, entre outros. Mas não pense que é apenas para classes mais pobres. Restaurantes de alta gastronomia na Europa já têm alguns insetos nos seus pratos mais sofisticados. Se você quiser ser um “pecuarista” de insetos comestíveis, inclusive, existem cursos online para isso.

Plantar nos desertos – Na hora do aperto, até mesmo os solos de desertos podem ser usados para produzir alimentos e seriam mais de 12 milhões de hectares de espaço (quase um Brasil inteirinho e meio) apenas nos cinco maiores desertos quentes do mundo (Saara, Arábia, Kalahari, Gobi e Grande Arenoso na Austrália). Experimentos realizados no deserto do Atacama no Chile mostram que, a partir do uso de fertilizantes hiperconcentrados e irrigação moderna, plantações de cana de açúcar atingiram uma produtividade de até 220 toneladas por hectare quase 175% maior que as 80 toneladas por hectare de média obtidas na “terra roxa” de São Paulo. Outros exemplos consolidados vêm do deserto de Negev, em Israel, que atende 90% de sua demanda interna (e até exportação) com frutas, legumes e verduras a partir de solos desérticos estruturados para a agricultura intensiva e, para água, bombardeio de nuvens e reciclagem de esgoto. O problema é o alto custo mas, entre passar fome e gastar dinheiro, fica fácil a escolha.

Concentração de CO² – Maior concentração de CO², apontado como vilão para o clima, tem um efeito positivo em muitas lavouras. É a tese da pesquisa do Centro de Estudo sobre o Dióxido de Carbono e Mudança Global (do inglês, Center for the Study of Carbon Dioxide and Global Change ) que mostra aumento médio de 51,5% no rendimento das 45 lavouras mais produzidas no mundo com mais 145 ppm de CO² na atmosfera até 2050, contra crescimento de 34,7% se contarmos “apenas” com as novas técnicas. A ONG dos EUA, inclusive, é contra as leis de restrição a emissão do gás pois “isso levaria centenas de milhões a falta de comida” e argumenta que entre a fome e teorias “não comprovadas” sobre o efeito do CO² em mudanças climáticas, a primeira é muito mais eminente. Segundo as estimativas do Centro, apenas nove dos 25 países mais populosos do mundo teriam alimentos suficientes em 2050 sem aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera. Pelo estudo, sem mais CO² na atmosfera, faltaria comida na Índia, EUA, Indonésia, Paquistão, Nigéria, México, Filipinas, Egito, Etiopia, Irã, Turquia, Congo e Reino Unido.

Genética e agricultura – A genética na agricultura contribuiu com pelo menos 140% do aumento de 200% na produtividade (os outros 60% se deve a manejo, ambiente e melhores defensivos) que as lavouras experimentaram nos últimos 50 anos. Até 2050, o conjunto de técnicas da genética pode gerar mais 280% de ganho em relação a média atual em culturas tão diferentes como trigo ou cana mas, no mínimo, 30% para as demais. Entre estas técnicas, estão o melhoramento convencional (escolher as plantas com melhor resultado e cruzá-las), o melhoramento genético molecular (com muito maior precisão para identificar os genes “campeões”) e a transgenia (que insere um gene externo na planta). Esta última é a mais polêmica mas, na verdade, não gera maior capacidade produtiva nas plantas apenas diminui perdas com pragas e doenças. Só com isso, os OGM´s (Organismos Geneticamente Modificados) pela transgenia produzem, no caso do milho, 103% mais que as lavouras convencionais e 171% mais que as orgânicas. Mas, para muitos especialistas, a segunda geração de transgênicos será para produzir alimentos funcionais (mais ricos em nutrientes) enquanto a resistência a pragas ou doenças será feita por nano-defensivos, muito mais eficientes.

Nanotecnologia – A nanotecnologia aplicada à agricultura poderia, inclusive, acabar com o interesse comercial pelos transgênicos pois, ao invés de inserir um gene exótico na planta, a técnica permitiria apenas “colar” nanopartículas no genoma, sem alterá-lo. Isso possibilitará “enriquecer” os alimentos com características funcionais boas para a saúde, como vitaminas e outros nutrientes. Além disso, reduziria o uso de defensivos agrícolas para quantidades centenas de vezes menores que as utilizadas na agricultura convencional em um combate muito mais eficiente a doenças e pragas. Estas intervenções em nível atômico trariam benefícios de, pelo menos, 30% na produtividade em geral, na minimização de perdas e na redução do impacto ambiental em águas, solo e ar.

Acabar com o desperdício – Segundo relatório da FAO, o desperdício de alimentos no mundo chega a 33% (um terço) de tudo que é produzido, gerando um prejuízo de US$ 750 bilhões por ano. Enquanto isso, 850 milhões de pessoas (12,7% da população) passam fome diariamente. Ou seja, esta comida jogada fora pode matar quase três vezes a fome destes homens, mulheres, crianças e idosos espalhados por todo mundo, especialmente em países e regiões pobres. O documento diz ainda que 54% do desperdício ocorre na fase inicial da produção –na manipulação, após a colheita e na armazenagem. Os restantes 46% de perdas ocorrem nas etapas de processamento, distribuição e consumo. Aqui entra a comida que nós colocamos no prato e não comemos! Imagine só… A FAO estimou ainda que, se reduzíssemos pela metade o desperdício, faltaria “apenas” mais 32% de aumento na produção de alimentos para alimentar toda a população mundial em 2050.

 

Foram fontes para esta reportagem o presidente da Embrapa Soja Alexandre José Cattelan; o consultor Osler Desouzart; o engº agrônomo Maurício Rangel; o professor da Unesp, Morel de Passos e Carvalho; o professor da Universidade Federal de Pelotas, Fernando Rutz; o especialista Csaba Kenez; o engº agrônomo Marcos Gaio; o engº agrônomo Fábio Braz Brass e a engª agrônoma Lisane Colombano; o pesquisador do IAC Luis Felipe Villani Purquerio; o coordenador da APTA Orlando Melo de Castro; e o presidente da comissão de biossegurança da Esalq, Mateus Mondin.  Fonte: http://agromulher.com.br

 

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A universidade e os novos negócios

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Um modelo diferente de pensar a criação de novos negócios vem se fortalecendo nos últimos anos. O conhecimento presente nas universidades ganha espaço no meio empresarial e oportuniza a geração de novos negócios com valorização econômica.

Na atualidade, para além de proporcionar a formação acadêmica as universidades têm feito um pouco mais em prol do desenvolvimento dos negócios. Muitas iniciativas possibilitam que ideias empreendedoras se tornem negócios de fato.

As universidades tornaram-se protagonistas do desenvolvimento econômico e social, liderando processos de mobilização, de encontros colaborativos, de incubação, de espaços abertos, parques científicos e tecnológicos.

É um desafio usar a ciência para gerar novos negócios, pois nem todo o conhecimento pode ser transformado em valor econômico. Entretanto, percebem-se muitos ganhos ao aproximar o mundo empresarial do acadêmico, pois o empreendedorismo é uma grande ferramenta para elevar a qualidade do ensino e ao mesmo momento que gera riquezas para determinada região.

Nota-se que a vivência universitária possibilita às pessoas pensarem diferente, ter maior amplitude, facilidade de acesso às informações, que são conhecimentos essenciais para desenvolver o empreendedorismo.

O principal negócio das universidades é o conhecimento que se desenvolve por meio da pesquisa, da extensão e principalmente pelo ensino. Hoje, as universidades estão oferecendo um pouco mais do que o ensino tradicional, busca-se a interatividade em prol de maior aprendizado para o acadêmico, melhor desenvolvimento profissional e, consequentemente, o desenvolvimento do entorno. Note-se que as universidades buscam intensificar a formação de profissionais que possam contribuir com o desenvolvimento tecnológico e econômico da nação.

Um exemplo clássico de sucesso em gerar novos empreendimentos a partir do conhecimento é a Universidade de Stanford, que contribuiu para a região do Vale do Silício ser um berço das empresas de tecnologia mais relevantes do planeta, tais como Google, Facebook, HP.

Outro exemplo mais próximo de nós, foi a inauguração da Estufa Hidropônica Solar no Campus Universitário da Unisul de Tubarão. Ela foi desenvolvida para servir de modelo para empreendimentos mais sustentáveis na área agrícola, pois usa uma combinação de tecnologias que diminui muito o consumo de água, energia e agroquímicos. Foi uma parceria entre a Unisul e a Universidade de Cambridge (Reino Unido).

O posicionamento adequado para uma universidade é de assumir o papel de líder de ecossistemas de inovação e empreendedorismo, pois ainda não é habitual serem proprietárias de negócios gerados em seus campi, mas acreditamos que se tornará uma tendência, uma vez que hoje precisa-se diversificar as origens dos financiamentos das universidades, ao mesmo momento que é necessário desenvolver a comunidade.

Para conhecer mais é só acessar www.unisul.br ou entrar em contato pelo e-mail: celso.albuquerque@unisul.br
Autores: Celso Lopes de Albuquerque Junior, Eng. Agr. Ph.D
Jonas Schneider, Adm. Esp

 

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A boa vida das galinhas aposentadas

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ONG que promove o bem-estar animal encontra lares adotivos para milhares de galinhas poedeiras aposentadas; veterinária brasileira prevê que o sistema de criação em gaiolas desaparecerá em poucos anos

Ciscar, bater asas, se empoleirar quando bem entender e passar o dia procurando larvas e insetos como aperitivo, na companhia de amigas. A vida “sonho de consumo” de qualquer galinha poedeira é realidade na Inglaterra, onde uma organização sem fins lucrativos mantém há uma década um sistema que recompensa as provedoras de ovos com a merecida aposentadoria.

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Cerca de 750 mil ingleses têm galinhas poedeiras como pets em suas casas

As galinhas contempladas pela “previdência social” britânica chegam aos quintais de seus pais adotivos como sedentárias crônicas: viveram a juventude em pequenas gaiolas, só comendo, bebendo e botando ovo.

A iniciativa de incentivar as pessoas a terem um asilo para galinhas em seus quintais partiu de Jane Howorth, inglesa que ficou sensibilizada ao ver as duras condições de trabalho das galinhas poedeiras mantidas no sistema de baterias de gaiolas. Além de levar uma vida no aperto, sem poderem expressar seus movimentos naturais como bater asas e ciscar, após dois anos, quando o ritmo de produção de ovos diminui, essas galinhas normalmente terminam seus dias na fila do abatedouro.

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"Garota inglesa Sally Hilton cercada por galinhas adotadas"

Nos últimos dez anos, o Fundo Britânico para Bem-Estar das Galinhas (British Hen Welfare Trust – BHWT), fundado por Jane, já conseguiu salvar do abate 665 mil galinhas poedeiras, que graças à iniciativa passam o restante da vida (uma galinha vive em média entre 6 e 8 anos) confortavelmente instaladas como pets em lares de toda a Inglaterra. A BHWT estima que atualmente 750 mil britânicos mantêm galináceas em casa, como bichos de estimação. Entre os apoiadores da causa está o chef Jamie Oliver, astro da televisão inglesa que viaja o mundo procurando entender como se alimentam as populações mais saudáveis.

O fundo exige que cada família adotante leve pelo menos três galinhas – afinal, elas são aves bastante sociáveis – e que providencie viveiros seguros (à prova de raposas), com espaço para ciscar e se empoleirar. Cada galinha é vendida por 5 libras (cerca de R$ 25) e o dinheiro vai para pagar as aves aos criadores e cobrir gastos com veterinários e programas educativos e de promoção do bem-estar animal. Além disso, todas as galinhas adotadas são registradas pela Agência de Saúde Animal e Vegetal.

Sophia foi o nome dado a uma das galinhas adotadas por Paul Checkley, de St Helens, no condado de Lancashire, no Noroeste da Inglaterra. “Eu tenho problemas de saúde mental. Ser responsável pelo cuidado dessas meninas, recebendo em retorno belíssimos ovos, virou meu mundo de cabeça para baixo. Elas sofreram em nome da produção e do lucro, mas agora é a vez delas de viver uma vida completa, livre e feliz, depois de tanto que fizeram por nós”.

Além de promover a aposentadoria das galinhas poedeiras, o Fundo Britânico faz campanha para encorajar os consumidores a comprarem apenas ovos “free range” – de galinhas criadas soltas – ou ovos orgânicos, para “assegurar o melhor bem-estar possível às galinhas”, segundo a diretora de comunicação da instituição, Francesca Taffs. “Nós não apenas providenciamos abrigo para essas aves, mas também transformamos a vida de seus donos. Eu mesma já adotei galinhas libertadas das gaiolas e posso testemunhar, em primeira mão, como essas dóceis criaturas enriquecem nossas vidas. Já realojamos 650 mil aves e mal vemos a hora de arranjar abrigo para outras 650 mil”.

Apesar de a aposentadoria chegar a menos de 1% das galinhas poedeiras inglesas, o movimento de conscientização dos consumidores quanto ao bem-estar animal tem levado várias empresas de alimentação, inclusive no Brasil, a se comprometerem com a produção de ovos livres de gaiola até 2025. Na Inglaterra, desde 2011 a maionese Hellman’s é feita apenas com ovos de galinhas soltas.

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Mudança de paradigma

A tendência cresce também no Brasil. O Grupo Mantiqueira, maior granja da América do Sul, já produz 6,5 milhões de ovos por dia de galinhas livres de gaiola. A empresa acaba de investir R$ 7 milhões no arrendamento de uma fazenda em Paraíba do Sul, no sul do Rio de Janeiro, para produzir ovos de até 500 mil galinhas criadas fora de gaiola.

A médica veterinária Carla Molento, professoras e coordenadora do Laboratório de Bem-Estar Animal da Universidade Federal do Paraná, diz que o sistema de criação de galinhas em gaiolas industriais está com os dias contados. “É um sistema muito crítico para o bem-estar das aves, que passa por um crescente questionamento e tende a desaparecer. Até coisas básicas, de altíssima importância para o organismo das galinhas, como se espreguiçar, é impossível de fazer nesses pequenos espaços”, comenta.

Para a professora, o fato de os grandes atacadistas sinalizarem que não vão mais comprar ovos de galinhas de gaiolas a partir de 2025 permite que o setor produtivo tenha tempo para se reorganizar. “Isso mexe em infraestrutura e não é algo que se faça da noite para o dia. É preciso haver uma reação já. Por que quando houver a mudança, quem não tiver se preparado não vai conseguir vender”, alerta. O Canadá, aponta a veterinária, decidiu por lei que, a partir de 2036, não poderá existir nenhuma galinha em gaiola industrial.

A Expedição Avicultura da Gazeta do Povo esteve no início do mês nas granjas do avicultor Rildo Ferraz, de São Bento do Una, no Agreste pernambucano. Ele já conta com 420 mil galinhas livres de gaiolas, cujos ovos ainda são vendidos misturados aos comuns. Em três meses Ferraz deve receber uma certificação de que seu plantel é “cage-free”. Com o selo em mãos, deve fechar contrato e começar a entregar ovos para grandes redes supermercadistas que já visitaram as criações. Ferraz ainda está de olho na possibilidade de exportar para a Europa e os Estados Unidos. “Fomos nós que trouxemos as aves para o sistema artificial. Mas a natureza delas é isso aí, é ciscar pelo chão, comer raiz, sementes e pedriscos. Estamos trazendo novamente as galinhas para seu habitat natural”, diz Ferraz. Fonte: Gazeta do Povo

 

Mais informações:https://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/mercado/como-recompensa-pelos-ovos-essas-galinhas-ganharam-a-aposentadoria-1e7vsjvai5wbdoav4swcfoq5u/

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Agronegócio precisa de comunicação estratégica da porteira para fora

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Entender como os diversos públicos-alvo buscam informação nos dias de hoje é tarefa complexa para as empresas de todas as áreas. Essa realidade ganha contornos especiais no agronegócio que, além da necessidade de se comunicar internamente, precisa atingir positivamente a sociedade urbana e, por consequência, os consumidores finais.

Seja sobre temas diversos como produtos transgênicos, responsabilidade ambiental ou variações climáticas, o mundo do campo ainda carece de uma comunicação estratégica efetiva em um universo onde mitos são criados todos os dias.

Esse complexo mundo da comunicação exige que as plataformas on-line e off-line se completem. Se, antes, jornais, revistas, televisão e rádio cumpriam com eficácia a missão de transitar informação, agora, estão aí as mídias digitais, acrescentando ingredientes essenciais ao dinamismo e à atualização das mensagens.

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Artigo escrito por Jorge Espanha, presidente da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio

Nesse cenário, a agilidade da troca de informações ganha cada vez mais relevância. Para citar um exemplo: a mais recente pesquisa Hábitos do Produtor Rural, da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio e Informa/FNP, que consultou 2.835 produtores rurais de 15 diferentes estados, mostra que perto de 70% deles têm perfis no Facebook. Além disso, 76,8% usam o WhatsApp para a troca de informações. Esses dados são fundamentais para as empresas que desejam levar suas mensagens de maneira assertiva para os produtores rurais. Cada vez mais é preciso direcionar os conteúdos para as plataformas ideais. Com isso, atrai-se o interesse do produtor e, ainda mais rico, obtém-se feedbacks, que vão contribuir com o aperfeiçoamento dos produtos e serviços oferecidos.

Afinal, quando falamos de comunicação não podemos nos esquecer que se trata de uma via de mão dupla. Os novos meios digitais incorporam um componente novo em termos de aproximação com os públicos-alvo (primários ou secundários). As empresas precisam estar preparadas para responder de forma rápida e eficaz às dúvidas e sugestões dos seus interlocutores.

Outro ponto de discussão em termos de comunicação do agro é o trânsito dos diversos públicos – inclusive os produtores rurais – entre os veículos impressos e digitais. A pesquisa da ABMRA/Informa joga luz sobre o tema e reforça que a comunicação é extremamente dinâmica e complexa. Isso significa que o conceito de impresso/digital muda de acordo com a atividade produtiva e a região. A comunicação não deve estar atrelada a apenas um meio e, sim, deve ser aberta, considerando tanto os canais existentes como as novas ferramentas. É o conceito de Multi Plataforma.

Com isso, é possível levar as mensagens para mais pessoas de diferentes perfis. Afinal, esse é o objetivo da comunicação: impactar os diversos públicos-alvo, incluindo clientes, parceiros, formadores de opinião e consumidores finais.

Numa outra ponta, a comunicação do campo para a sociedade urbana é um desafio sob vários aspectos. O processo está em andamento, porém ainda carecemos de uma agenda positiva, que valorize o tema que é nossa maior responsabilidade: alimentar o mundo, gerando empregos e competitividade no mercado.

A ABMRA iniciou esse processo há alguns anos com a criação da campanha SOU AGRO, que depois evoluiu para várias campanhas que aproximam o urbano do campo, como o Campo é POP ou mesmo o Campo é TECH. Esse movimento continua com empresas cada vez mais dedicadas a cuidar da imagem de 23% do PIB nacional.

Devido a isso, a pesquisa Hábitos do Produtor Rural traz uma visão bem completa sobre a transformação no campo, onde 27% dos produtores são jovens abaixo de 35 anos – crescimento de 50% em relação à pesquisa anterior, de quatro anos atrás.

Mais do que nunca, a comunicação Multi Plataforma é essencial. Os formatos e os conteúdos precisam estar conectados com esse novo público, contribuindo para aproximar o campo das cidades. Apesar de avanços nessa área, ainda há muito o que intensificar. Mas esse é um caminho que não permite retrocesso. Fonte: Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio

Mais informações: www.abmra.org.br

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Como a economia verde pode contribuir para a agricultura familiar em Santa Catarina

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A questão agrícola permeia com frequência discussões sobre comércio e desenvolvimento socioeconômico no Brasil, dado o caráter predominantemente agroexportador do país. Em Santa Catarina, o tema também tem grande destaque e enfrenta desafios e oportunidades em relação à inovação, produtividade e sustentabilidade nesse setor, principalmente quando se fala de agricultura familiar.

Segundo a Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais, o agricultor familiar pode ser caracterizado por explorar área produtiva de até 4 módulos rurais, ter sua renda predominantemente dessa fonte e, claro, ter a maior parte de sua mão-de-obra e gerenciamento da produção composta por membros de sua família.  Segundo o último Censo Agropecuário realizado em 2006 (NITA, 2017), 84% dos estabelecimentos agropecuários no Brasil são de agricultura familiar, número que atinge 87% em Santa Catarina.  No entanto, o número expressivo em estabelecimentos não é refletido na participação na posse de terras de produtores familiares: no Brasil, apenas 24% do total de hectares de agropecuárias são de agricultura familiar, número que gira em torno de 44% em Santa Catarina, que apesar de melhor que em relação ao índice nacional, ainda indica forte concentração de terras nas mãos de grandes monocultores.

A importância da agricultura familiar no país se dá por diversos motivos, dentre eles a segurança alimentar já que, segundo Pinto et al. (2012),  cerca de 70% dos alimentos básicos do país são produzidos por agricultura familiar, como arroz, mandioca, milho, feijão e leite, enquanto o agronegócio se ocupa com a monocultura voltada à exportação de produtos como soja. Pinto e Assad (2008, apud PINTO, 2012) descrevem que, em decorrência do aquecimento global, a produção agrícola brasileira pode ser extremamente prejudicada nos próximos anos em todas as culturas com exceção da cana, prevendo um impacto de perdas em cerca de R$ 350 milhões ao ano em culturas como arroz, café e milho em 2050.

De outro lado, uma temática cada vez mais discutida no Brasil e na qual Santa Catarina vem ganhando destaque é a de Economia Verde. A economia verde objetiva a melhoria do bem-estar da humanidade e igualdade social, juntamente com a redução dos riscos ambientais e a escassez ecológica, apoiada na redução das emissões de carbono, maior eficiência energética e dos recursos e preservação da biodiversidade. Contudo, é importante detalhar que a mesma atua para além da responsabilidade socioambiental dos recursos naturais: ela procura gerar valor compartilhado, criando produtos, mercados e cadeias de valor de impacto com retorno financeiro, o que é potencializado quando atrelado à inovação. Santa Catarina, estado com polo inovador e de startups, conta com referências nacionais em projetos de Economia Verde, como a Fundação CERTI.

Dito isso, há enormes possibilidades de sinergia resultante de uma união entre agricultura familiar e economia verde. De um lado, o campo precisa manter sua sustentabilidade, ao mesmo tempo em que um aumento de produtividade resultaria em impacto positivo aos pequenos produtores, com um aumento de renda e geração de empregos. Segundo Costa J.P et al. (apud PINTO, 2012), países com elevados níveis de desenvolvimento têm investido na modernização da grande massa de produção familiar, em que o progresso tecnológico a partir da sustentabilidade tem resultado na produção de alimentos mais baratos na elevação da qualidade vida.  Para além do impacto aos produtores, em detrimento da monocultura de larga escala que resulta uma perda constante da matéria orgânica do solo, comprometendo seriamente a qualidade do mesmo, a agricultura familiar incrementa as condições físicas e biológicas da terra, melhorando sua qualidade.

No quesito tecnológico, a economia verde pode estimular o desenvolvimento de diversos produtos que atuem em questões como o melhoramento genético, alternativas aos agrotóxicos, controles de pragas e doenças, métodos mais avançados de plantio e colheita, transporte e armazenamento mais eficientes e conexão do produtor com demandas de mercado, investidores e P&D ao inseri-los num ecossistema voltado à inovação de impacto (social e ambiental). A lógica de aumento de produtividade nas pequenas propriedades, além de atuar na renda do negócio familiar, diminuindo desigualdade social, reduz a necessidade de expansão para novas áreas, mantendo fronteiras de desmatamento controladas, além de reduzir a necessidade brasileira de importação de certos produtos e de aumentar sua capacidade de exportação, impactando positivamente na balança comercial do país.  De uma maneira geral, seguindo o modelo de Ecossistemas de Inovação, que é a principal força impulsionadora da Economia Verde em Santa Catarina, a criação de uma cadeia sustentável – do ponto de vista econômico e ambiental – incentiva a criação de produtos que além de responderem à agricultura mais tecnificada, valoriza as áreas naturais, criando novos negócios e impulsionando de forma inovadora o desenvolvimento regional.

Numa perspectiva mais ampla, os autores que cunharam o termo Criação de Valor Compartilhado, Porter e Kramer (2011), trabalharam de forma bastante pragmática os principais pilares que conduzem uma economia baseada até então na busca simples pelo lucro, para uma economia que associe os ativos sociais e ambientais ao core business produtivos. A transição deve passar pela (a) Reconcepção de Produtos e Mercados; (b) Redefinição da produtividade na cadeia de valor e (c) Promoção do desenvolvimento de clusters locais. Estes são os pilares que irão direcionar a próxima evolução no capitalismo. 

Acesse o artigo completo (https://hbrbr.uol.com.br/criacao-de-valor-compartilhado/)

Quer entender mais como a Economia Verde pode atuar sobre o desenvolvimento de negócios? Acesse o blog:http://insights.certi.org.br/tag/economia-verde/

Fonte:Núcleo de Inovação Tecnológica para Agricultura Familiar - NITA 

 

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Cooperativas levam tecnologia ao campo

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Ao longo das últimas décadas, a evolução tecnológica (principalmente, no que diz respeito ao âmbito digital) tem revolucionado a vida de todas as pessoas, desde a forma como nos relacionamos até o modo como trabalhamos e fazemos atividades simples. No campo, não é diferente.

É claro que o acesso às novas tecnologias é facilitado quando falamos de grandes cidades e, por outro lado, pode ser mais difícil para quem vive em áreas rurais. E é nesse contexto que se evidencia a importância das cooperativas, sejam do ramo do agronegócio, de crédito ou até de infraestrutura.

Associando-se a cooperativas, os pequenos produtores ganham escala e conseguem ter acesso a informações, produtos e serviços que facilitam seu dia a dia, reduzem seus custos e ampliam sua produtividade.

Anualmente, a Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA) apresenta um levantamento sobre os hábitos de compras, de consumo de mídia e de lazer dos produtores rurais brasileiros (realizado pela Informa Economics Group – IEG | FNP). A 7ª edição da Pesquisa Hábitos do Produtor Rural ABMRA, referente ao ano de 2017, contou com 2.835 entrevistas pessoais, incluindo agricultores e criadores/pecuaristas de 15 estados brasileiros. De acordo com o estudo, entre os produtores rurais:

. 96% têm celular;

. 61% desses tem smartphone;

quase a totalidade deles usa WhatsApp;

. 77% faz uso de uma ou mais redes sociais;

. quase metade deles pesquisa na internet antes de comprar algum item;

. 33% utiliza a agricultura de precisão em alguma atividade (como lavoura, preparação do solo, plantio, etc.).

Observa-se, portanto, que ocorre uma gradativa disseminação das inovações tecnológicas pelas áreas rurais do país. Contudo, diante da sobrelevação da população mundial, torna-se cada vez mais urgente a ampliação da produtividade no campo, o que, segundo especialistas, deve acontecer dando início a quarta grande revolução na agricultura, a chamada agricultura 4.0.

Equipamentos de telemetria para o monitoramento preciso de lavouras, adubadoras com regulagem de faixas de aplicação e ferramentas digitais para escolha de bicos de pulverização são apenas algumas das tecnologias rurais já disponíveis no mercado.

Outros bons exemplos são os equipamentos robotizados, como drones de pulverização precisa, tratores autônomos (sem piloto), colheitadeiras automatizadas, etc.

Na área de inteligência artificial e machine learning existem até pesquisas na adoção de ferramentas de reconhecimento facial utilizadas para fornecer informações sobre o gado e sua rotina alimentar, auxiliando a reduzir desperdícios e melhorar os resultados do produtor.

No entanto, "o produtor nem sempre tem conhecimento da tecnologia que vem sendo gerada", comenta Renato Greidanus, presidente de uma cooperativa agroindustrial paranaense.

O produtor Franke Leonardo Dykstra, de Carambeí, diz ainda que não são todos os produtores que veem a tecnologia da mesma forma. "Alguns são inovadores: testam e adotam; muitos esperam o resultado obtido por outros; e há os que nunca mudam." Greidanus completa: "Daí o papel da cooperativa ser essencial nessa área".Fonte: Fecoagro

Mais informações: www.fecoagro.coop.br

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O desperdício de alimentos é o maior desafio da década

alimentos

Sem um grande avanço tecnológico e sem uma dramática redução no desperdício, não será possível atender à crescente demanda da população mundial por alimentos. 

Escrevi, na minha coluna anterior, que a próxima revolução na agricultura será baseada na adoção de tecnologias digitais e de microbiologia, com foco no aumento da produtividade do agronegócio, mas, ao mesmo tempo, com um menor uso de recursos naturais, preservando o meio ambiente e combatendo o desperdício na produção e no consumo de alimentos.

Sem um grande avanço tecnológico e sem uma dramática redução no desperdício de alimentos, não será possível atender à crescente demanda da população mundial. A escassez de recursos naturais e as mudanças climáticas são os principais desafios para o aumento da oferta de alimentos no mundo.

Dos cinco maiores riscos globais para a próxima década, elencados na última reunião do Fórum Econômico Mundial (WEF), quatro são relacionados às mudanças climáticas: severas condições climáticas; desastres naturais, falta de prevenção e de adaptação às mudanças climáticas e as crises de água. Essas quatro condições são equiparadas à armas de destruição em massa, apontadas como o maior risco global.

O WEF avalia que essas condições adversas podem provocar consequências que vão muito além da fome e da mortalidade. São capazes de causar aumento da migração e das tensões sociais e até conflitos entre os países, quando um deles resolver impor medidas para restringir exportações, garantindo o fornecimento de alimentos no seu mercado interno em detrimento de outros países.

Para dar conta do aumento da demanda por alimentos, a agricultura precisará produzir mais com menos e com um menor impacto ambiental. Será necessário focar cada vez mais no combate ao desperdício e no reaproveitamento de resíduos. Todos os países precisarão repensar e otimizar os seus sistemas de alimentação (produção, distribuição e consumo) já na próxima década.

 

Índice de Sustentabilidade de Alimentação

Em 2016, a Unidade de Inteligência Econômica da revista The Economist e o Centro de Alimentação e Nutrição da empresa Barilla lançaram o Índice de Sustentabilidade de Alimentação (Food Sustainability Index – FSI), para tentar monitorar e comparar o desempenho de vários países em relação à sustentabilidade na produção e no consumo de alimentos.

Em 2017, o estudo avaliou 34 países, usando 35 indicadores em três grandes áreas: (i) agricultura sustentável (pesquisa e produção de alimentos com preservação ambiental); (ii) desperdício de alimentos (implementação de políticas governamentais para evitar a perda e o desperdício de alimentos); e (iii) desafios nutricionais (educação nutricional, estilo de vida, composição da dieta da população etc.).

O estudo revelou uma interdependência entre a alimentação e a saúde da sociedade e da economia dos países em geral. Há, por exemplo, uma correlação positiva entre a sustentabilidade de sistemas de alimentação e os elevados níveis de renda e de desenvolvimento humano. E, ao mesmo tempo, há uma correlação negativa relacionada a elevados níveis de urbanização e ao tamanho da população.

Encabeçam o ranking de 2017 os seguintes países, considerados os mais sustentáveis em seus sistemas de alimentação: França, Japão, Alemanha, Espanha, Suécia, Portugal, Itália, Coreia do Sul e Hungria.

A França foi o país mais bem avaliado no quesito de prevenção de desperdício de alimentos. Graças à implementação de eficazes políticas governamentais, aquele país descarta somente 1,8% de tudo que produz de alimentos anualmente (lembrando que o mundo descarta um terço daquilo que produz). A legislação francesa, adotada em 2016, proíbe os supermercados de jogarem fora os alimentos próximos à data de seu vencimento. É exigido que esses alimentos sejam doados a organizações de caridade ou bancos de alimentos. Há, também, exigências em relação à prevenção de desperdício nas escolas e a obrigatoriedade de listar medidas de sustentabilidade nos relatórios anuais das empresas.

A Alemanha, a Espanha, a Hungria e os Países Baixos foram os primeiros países europeus a aderir ao programa de pesquisa REFRESH, que visa a reduzir pela metade, até 2030, os desperdícios de alimentos por estabelecimentos e consumidores, além de diminuir as perdas de alimentos nas cadeias de produção e fornecimento, otimizando os custos de gerenciamento de resíduos e maximizando o aproveitamento das embalagens.

A Itália, por sua vez, flexibilizou a legislação que restringia a doação da comida não usada pelos restaurantes, e encoraja o uso de embalagens para que os clientes possam levar as sobras de suas refeições. Aquele país também lidera a lista na questão de uso econômico de água na produção agrícola.

Só para citar alguns outros exemplos, a Coreia do Sul foi o país mais bem avaliado quanto à diversificação da produção agrícola. O Japão, por sua vez, mesmo sendo um dos países mais populosos, é o líder dentre os 34 países analisados no pilar de desafios nutricionais. Aquele país apresenta resultados impressionantes em relação à qualidade de vida, à longevidade e aos hábitos alimentares saudáveis. Além disso, 100% da população japonesa tem acesso à agua tratada. A obrigatoriedade da educação nutricional nas escolas parece ter contribuído positivamente para os baixos níveis de obesidade infantil.

 

Um dos maiores desafios da próxima década

No combate ao desperdício de alimentos, não faltam boas práticas, tanto em políticas governamentais quanto na esfera empresarial. Há exemplos de oportunidades de negócios que nasceram com o objetivo de reaproveitar as sobras de alimentos. É o caso de empresas que criaram aplicativos para os restaurantes venderem a comida excedente com desconto ou mesmo para as pessoas revenderem alimentos em embalagens lacradas que não vão consumir.

O Brasil, infelizmente, ficou em 28º lugar dentre os 34 países avaliados pelo FSI. Enquanto o nosso país apresenta uma experiência bem sucedida na implementação de tecnologias sustentáveis na produção agropecuária, há muito a ser feito no combate ao desperdício de alimentos e na melhoria da nutrição da população.

Os especialistas destacam que a alimentação é um fenômeno multifacetado. Pode ser uma commodity, um ingrediente, uma forma de nutrição e até uma manifestação de cultura e de identidade. A falta de alimento pode ter consequências desastrosas.

O Brasil tem um papel relevante no fornecimento global de produtos alimentícios. Um dos maiores produtores e o segundo maior exportador mundial de alimentos, o nosso país precisa se juntar ao esforço internacional na implementação de sistemas sustentáveis de alimentação. O combate ao desperdício será um dos maiores desafios da próxima década.Fonte: gazetadopovo.com.br

 

Mais informações: http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/tatiana-palermo

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Crianças Agro

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Como criar um homem (ou mulher) do campo morando na cidade.Morar em um centro urbano não é desculpa para deixar de ensinar às crianças sobre a origem dos alimentos e despertar nelas o interesse pela agricultura

“Ao promover um relacionamento entre a criança, a comida e a produção de alimentos ensinamos aos mais jovens como estarem engajados com a própria saúde”, afirma Jaqueline Maisonpierre, diretora da New Haven Farms

Todos os dias, meu filho de quatro anos senta à mesa e cuidadosamente inspeciona a comida: “O que é isso? Quem fez isso?” Ele não está sendo chato nem criticando, ele apenas quer saber, sinceramente, a origem do alimento.

Essa carne veio de um frango ou de um suíno? Como o arroz chegou ao prato? Quem plantou as cenouras que estamos comendo? Como o leite foi levado da fazenda para a loja até chegar ao copo?

Meu marido e eu estamos felizes por levar ao nosso filho uma educação da “agricultura para a mesa”, explicando o que estamos comendo, de onde tudo aquilo veio e como chegou até os nossos pratos.

“Ao promover um relacionamento entre a criança, a comida e a produção de alimentos ensinamos aos mais jovens como estarem engajados com a própria saúde e desenvolver hábitos de vida que vão servir para o futuro”, afirma Jaqueline Maisonpierre, diretora da New Haven Farms, uma organização não organizacional com sede em Connecticut que transforma espaços urbanos em fazendas orgânicas.

“Ao aprender sobre nutrição e hábitos de desenvolvimento saudável ainda jovem, a pessoa pode ter impactos de longo prazo na saúde e bem-estar, levando a uma menor incidência de doenças crônicas relacionadas à dieta”, afirma a especialista.

Hortas escolares são uma boa maneira de ensinar às crianças o valor dos alimentos

Ensinar crianças sobre a origem dos alimentos é algo valioso, mas atualmente a promoção desse tipo de educação é um desafio para muitos pais. Nem todas as famílias têm um quintal. Outras não têm sequer fácil acesso a estabelecimentos que vendam alimentos frescos. E outras não podem arcar com os custos de alta qualidade, alimentos produzidos localmente ou em participação com programas de agricultura familiar e comunitária.

Em um mundo ideal, hábitos da “agricultura para a mesa” deveriam ser possíveis para todas as famílias. Na verdade, isso parece uma meta impossível. Contudo, ensinar crianças sobre a origem dos alimentos não é impossível, apenas exige uma pequena dose de criatividade e cooperação comunitária. E aqui vão algumas dicas para começar:

Leve as crianças para a cozinha

Quando a comida já está pronta em um pacote ou é passada através de um balcão, há um descolamento inevitável. Ao comprar os ingredientes para produzir refeições em casa – pelo menos algumas vezes – acontece um esforço extra. Afinal, o ato de cozinhar é um convite às crianças não apenas tocarem, provarem e explorarem os alimentos, mas de fazerem perguntas:

“Por que isso tem sementes? Porque não podemos comer espinhos? Por que isso foi embalado desta maneira? Quando sabemos que está pronto para comer?”

Diretora agrícola da escola de ensino médio Common Ground – especializada em agricultura urbana e meio ambiente -, Deborah Grieg recomenda um início simples. “Você pode envolver as crianças em itens básicos, como ensinar a jantar ou tentar realizar projetos como fazer manteiga, pizza, geleias ou qualquer outra coisa que elas tenham visto apenas em mercados e restaurantes”, afirma. “Cozinhas com crianças incentiva debates e ajuda a expandir o paladar delas”.

Comece com uma semente

A Common Ground está localizada na cidade de New Haven, no estado do Connecticut, nos Estados Unidos, e fica junto a um parque estadual no qual os alunos podem aprender sobre crescimento de vegetais e agricultura urbana. Há também um centro de educação ambiental para crianças e adultos. Tudo desenvolvido para incentivar a conexão da comunidade quanto à compreensão do mundo natural.

Uma grande variedade de frutas, legumes e ervas são cultivados dentro do campus do colégio. Grieg afirma que o simples ato de cultivar sementes oferece uma oportunidade de aprendizado às crianças: “Mesmo que essa não seja uma maneira de cultivar grandes árvores, é uma maneira de observar algo em crescimento”.

Germinar sementes é uma atividade fácil e infalível: basta colocar um feijão em um algodão dentro de um copo de vidro ou plástico. Em poucos dias, o feijão vai começar a brotar e as crianças poderão examinar o crescimento passo a passo.

O mapa dos alimentos

“É importante que as crianças saibam de onde veio seu alimento para que eles tenham mais admiração pela comida e pelos agricultores”, afirma Alexa Fiszer, especialista em educação ambiental na Commom Ground. “Esse respeito geralmente ajuda a desenvolver o aprendizado sobre como funciona o ciclo de produção agrícola e como ele evoluiu no curso da história”.

Muitos de nós não consideramos os recursos, como eletricidade e combustível envolvidos no transporte dos alimentos aos supermercados. Grieg incentiva as famílias a criarem um “mapa dos alimentos” para facilitar o aprendizado sobre as relações entre produção agrícola, nutrição e frescor.

 “Após as compras, podemos verificar a origem daqueles alimentos na embalagem (de onde vieram ou onde foram embalados) e traçar mapas dessas rotas”, afirma a especialista. “Você pode começar falando sobre como as longas distâncias percorridas afetam o valor nutricional e a qualidade dos alimentos, sobre quem está produzindo aquela comida, e até sobre como pode ser a vida dos agricultores, e ainda falar sobre os impactos ambientais de alguns tipos de produção agrícola”.

Suje as mãos

Estudos mostram que crianças são mais dispostas a experimentar novos tipos de alimentos quando auxiliam no cultivo ou no preparo. Famílias que têm acesso a algum quintal, mesmo que pequeno, podem plantar tomates, cenouras ou ervas.

Uma criança que odeia feijão pode ficar tentada a experimentá-lo na refeição se ela tiver um sentimento de orgulho por fazer parte da realização ou por ter ajudado no plantio daquilo que está sendo servido.

Comunique-se com a escola da criança

Cada vez mais escolas estão percebendo o valor de conectar estudantes com o processo de produção de alimentos, seja através de hortas escolares ou mesmo nos jardins das escolas. Se a escola de seu filho ainda não pensou nisso, pode ser a hora de argumentar por mudanças, ou pelo menos incentivar um passeio por uma fazenda local.

Também há uma grande quantidade de material educacional disponível na internet para professores que querem promover o aprendizado sobre o assunto. O Netflix, por exemplo, tem uma série de documentários sobre o tema, como What the HealthFood Choices e Cooked. Essas são boas alternativas para incentivar o debate e até mesmo qualificar a merenda escolar.

Explore recursos locais

Observar onde está a produção local é uma boa alternativa. Muitas pessoas associam a ideia de “agricultura para a mesa” com comunidades rurais, mas também existem produtores no próprio meio urbano. Comunidades produtivas estão em todos os lugares, inclusive em regiões metropolitanas, e sempre precisam de voluntários.

Mercados do tipo “direto do produtor” (no Paraná existe o Ceasa, por exemplo) podem ser uma oportunidade para olhar de perto alimentos. Visitas a produtores locais de frutas e vegetais também são outro exemplo.

Por fim, a agricultura urbana como na escola Common Ground e a incentivada pela New Haven Farms podem parecer raras, mas atualmente não são tão difíceis de encontrar. Há várias delas, e muitas são acessíveis e abertas à visitação. As famílias inclusive são convidadas a explorar e a aprender sobre a produção no local.

“Penso que as crianças estão dispostas a explorar uma variedade de alimentos quando elas veem a origem e acompanham o crescimento, e são estimuladas a escolher a comida”, confirma Fiszer. “Uma abordagem prática mostra às crianças o trabalho com a ‘mão na massa’ dedicado à alimentação, consequentemente gerando mais interesse pela comida”.* Sarah Bradley é escritora freelancer e escreve sobre ensino criativo.Fonte:Brunno Covello/Gazeta do Povo

 

Mais informações:https://www.udemy.com/user/sarah-bradley-6/

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