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Pesquisa aponta desafios do reconhecimento profissional das mulheres na pesca

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Rose Mary Gerber é antropóloga e defende o reconhecimento na legislação trabalhista não só das mulheres embarcadas, mas também aquelas que ficam em terra participando ativamente dos processos que envolvem a pesca

Pela legislação atual, para conseguir a aposentaria com a denominação pescadora, a mulher deve estar inserida dentro do chamado grupo familiar. Ela é aposentada como pescadora quando prova que é filha ou esposa de pescador

Com o título Mulheres e o Mar: uma etnografia sobre pescadoras embarcadas na pesca artesanal no Litoral de Santa Catarina, a antropóloga Rose Mary Gerber, que atua na Epagri, tornou-se uma referência no tema. O estudo foi lançado em 2013, após 13 meses de trabalho em oito municípios catarinenses e envolvendo cotidiano de 22 pescadoras.

O diagnóstico está centrado em três formas de trabalho da mulher pescadora: das que ficam em terra e trabalham no descasque, na evisceração, na filetagem de peixe, no desconchamento de marisco, em limpeza, beneficiamento e venda do pescado; daquelas que atuam na coleta de berbigão, à beira do mar; e das embarcadas. Neste caso, aquelas que saem todos os dias para o mar.

Além da rotina na pesca, a pesquisadora observou o trabalho em casa, como arrumação, lavação de roupas e preparo das refeições. Na tese defendida na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a antropóloga propõe uma redefinição do conceito de pescador e de pesca. Para Rose, pescador é definido, por exemplo, nos dicionários de língua portuguesa, como um "substantivo masculino singular" e o significado de pesca é "retirar os produtos do mar, de lagoas, de rios".

— Busquei, com o diagnóstico, mostrar que existem pescadoras mulheres e também que todo o processo de retirar, limpar, eviscerar, transformar e vender, tudo isso é a pesca. É a extração de produtos do mar, da lagoa, do rio, até a preparação para a comercialização.

"Sem elas, a pesca não se reproduz"

De acordo com a antropóloga, o trabalho evidenciou o que ela considera ser um dos principais desafios dessas pescadoras, ou seja, serem reconhecidas como profissionais da pesca. Pela legislação atual, para conseguir a aposentaria com a denominação pescadora, a mulher deve estar inserida dentro do chamado grupo familiar. Ela é aposentada como pescadora quando prova que é filha ou esposa de pescador.

— Caso queira requerer o benefício, mas não esteja inserida no formato de grupo reconhecido, ela precisa constituir provas para tentar obter o direito no INSS.

Por lei, para exercer a pesca artesanal é necessário possuir a Carteira de Pescador Profissional (CPP) e a inscrição na colônia de pesca ou sindicato, e participar de cursos previstos pela Capitania de Portos e Marinha, além de pagar as contribuições previstas periodicamente. O convívio com as comunidades pesqueiras possibilitou a pesquisadora a concluir outras coisas:

“A denominada invisibilidade feminina na pesca se dá de duas formas: por parte de quem olha de fora, sejam órgãos públicos, acadêmicos, população de forma mais ampla; e no contexto interno em que as famílias e elas próprias, com ênfase nas que atuam em terra, muitas vezes não se dão conta de que sem elas, a pesca não se reproduz”.

Apesar da capacitação, artesanais usam linguagem para se diferenciar dos industriais

A Marinha do Brasil define duas formas de pescadores: o amador e o profissional, sendo que a última abrange duas categorias. Neste caso, o POP (Pescador Profissional), que se refere a quem faz o curso básico de pesca, e o PEP (Pescador Especializado), título recebido a partir da participação em cursos junto à Capitania dos Portos e à Marinha do Brasil, considerados especializados, como de motorista ou de mestre.

A sessão II da Lei 11.959, considera como atividade pesqueira artesanal, os trabalhos de confecção e de reparos de artes e apetrechos de pesca, os reparos realizados em embarcações de pequeno porte e o processamento do produto da pesca artesanal.

— Embora a Marinha divida os pescadores em POP e PEP, a expressão “pesca artesanal” é usada pelos pequenos pescadores para se diferenciarem da “pesca industrial" — explica Rose Gerber. Fonte: Por Ângela Bastos – angela.bastos@somosnsc.com.br

Mais informações: https://www.nsctotal.com.br/noticias/pesquisa-aponta-desafios-do-reconhecimento-profissional-das-mulheres-na-pesca

Questionada sobre o tema da pesquisa, a antropóloga Rose Mary Gerber, da Epagri, conta que a escolha surgiu a partir de um recorte de jornal que viu na mesa do presidente da Federação de Pescadores de SC, quando foi conversar sobre temas de interesse na área da pesca. “São mulheres que trabalham diariamente na pesca em diferentes etapas da mesma, sendo que na pesquisa que fiz me detive nas que embarcam”.

A pesquisa foi realizada durante os anos de 2010 a 2012 e a defesa da tese em Antropologia Social, pela UFSC, em 2013 sendo que o território com o qual trabalhou foi desde Laguna a Itapoá.

Rose conta que a partir da sua qualificação, que não foi fácil, foi o fator decisivo, de mudar seu foco de pesquisa em que a busca de dados, para a pesquisa, teve momentos bons e outros nem tanto. “Em termos de dificuldades, os deslocamentos que fiz, de carro, de ônibus, de barca, de carona, dependendo onde estavam e como iria encontrar as pescadoras, mas o mais importante foram as alegrias ao ter encontrado tantas histórias de luta, de coragem e de bom humor”.

Cópias do livro Mulheres e o Mar: uma etnografia sobre pescadoras embarcadas na pesca artesanal no Litoral de Santa Catarina foram encaminhados para órgãos como INSS, Colônia e Federação de Pescadores, Ministério da Pesca, advogados e juízes.

Os órgãos públicos para os quais foi enviado o livro, não deram qualquer retorno. “Apenas um servidor do INSS de Florianópolis, logo que saiu a pesquisa, me ligou e, alegando "que é daqui", disse por telefone que não existem mulheres pescadoras, que embarcam. Eu respondi que também sou daqui e posso afirmar que elas existem. Eles é que não veem. São poucas, se comparadas aos homens, mas existem e trabalham tanto, ou mais do que eles. Estas pescadoras são, na maioria, a filha mais velha da família em que o filho não tinha um "corpo para a pesca", famílias de escassez econômica, em que a filha foi chamada para ser pescadora, sem, muitas vezes, perguntar se queria. Entretanto, no exercício diário da pesca, ela se "apaixonou", por esta vida e não vive mais sem ser assim. Em termos de corporalidade, são corpos que se desgastam muito cedo devido a vida no mar. São muitas com cerca de trinta e poucos anos com problema de coluna ou respiratórios devido "a friagem".

"A maior lição que fica do convívio com estas mulheres é que a maior lição é a própria forma de viver, mas o que ensina a viver a vida, em terra, são as lições que o mar dá diariamente mostrando o o momento que vale é o presente, o hoje. Amanhã? Ninguém sabe!" conclui a antropóloga Rose Gerber.

 

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Como uso de agrotóxicos sem orientação e proteção põe agricultores brasileiros em risco

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Pesquisa em zona rural no Estado do Rio de Janeiro revelou que 90% dos participantes disseram ter sentido ao menos um sintoma aguda de exposição a pesticidas; apenas 23% disseram ter recebido treinamento ou apoio para manejo desses produtos.

Pesquisas recentes sobre a saúde dos agricultores familiares brasileiros têm chamado a atenção para a prevalência de problemas respiratórios, hormonais, reprodutivos e de alguns tipos de câncer possivelmente associados à exposição aos agrotóxicos.

Apesar de o Brasil ser um dos maiores consumidores mundiais de agrotóxicos, os esforços para medir o impacto desses produtos na saúde dos trabalhadores rurais ainda são incipientes. Em comum, esses novos estudos evidenciam que a falta de orientação e assistência técnica a pequenos agricultores resulta na falta de cuidados adequados para evitar intoxicações.

A discussão sobre a segurança dos agrotóxicos está em alta desde que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, no final de agosto, a aprovação de um novo marco regulatório para agrotóxicos.

Para o pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da USP Rafael Junqueira Buralli, autor de um estudo sobre a condição respiratória de agricultores familiares expostos a agrotóxicos em uma pequena cidade do Rio de Janeiro, o despreparo é evidente: apenas 22,9% dos trabalhadores rurais avaliados no estudo afirmaram ter recebido treinamento ou apoio técnico para o manejo desses produtos.

Entre os parentes dos trabalhadores, que com frequência auxiliam nas atividades de cultivo e também se expõem aos agrotóxicos, nenhum passou por treinamento.

Impacto na saúde respiratória

A pesquisa de Buralli, publicada em 2018 pelo International Journal of Environmental Research and Public Health, avaliou 82 indivíduos da zona rural de São José de Ubá-RJ por meio de questionários, análise de amostras de sangue e espirometria, um exame que mede a capacidade pulmonar.

Os exames revelaram diminuições dos padrões respiratórios nos trabalhadores rurais em comparação a indivíduos não expostos a agrotóxicos. E quanto maior a exposição, medida pela presença de biomarcadores no sangue, pior foi a condição respiratória observada no participante.

Sintomas como tosse, alergia nasal e dificuldade para respirar foram mais prevalentes durante o período da safra do que na entressafra, o que sugere um efeito agudo durante o período de maior exposição, diz o pesquisador.

Segundo Buralli, 90% dos participantes também afirmaram sentir com frequência ao menos um sintoma agudo de exposição aos pesticidas, entre os quais os mais comuns foram irritações nas mucosas, dor de cabeça, taquicardia e palpitação, tontura, dor de estômago e câimbras. Além disso, 70% dos entrevistados relataram apresentar ao menos um sintoma crônico, como alterações no sono, irritabilidade e dificuldade de concentração e raciocínio.

Em busca de alterações genéticas

Para ilustrar o grau de desconhecimento da população rural de Casimiro de Abreu, no Rio de Janeiro, o enfermeiro Gilberto Santos de Aguiar, do Programa do Saúde do Trabalhador da Coordenação de Vigilância em Saúde da cidade, conta que ele já viu moradores armazenando água para beber em frascos de agrotóxico.

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Enfermeiro diz que maior parte dos agricultores que entrevistou usam agrotóxicos sem prescrição agronômica

Aguiar faz parte de um projeto que busca investigar a associação dos agrotóxicos com doenças comuns entre os agricultores. A iniciativa surgiu a partir de um caso de câncer de pulmão em um trabalhador rural da cidade em que o médico identificou a exposição aos agrotóxicos como causa do tumor. "Evidenciamos que muitas vezes o adoecimento de um trabalhador rural não é um adoecimento natural, mas por exposição ao agrotóxico", diz.

O grupo aplicou um questionário sobre uso de agrotóxicos e presença de sintomas em 41 propriedades rurais da região. O resultado foi encaminhado ao serviço de câncer ocupacional do Instituto Nacional de Câncer (Inca), que se interessou pelo projeto e hoje conduz um projeto de investigação de alterações genéticas por exposição a agrotóxicos na região.

Para Aguiar, a desinformação é o principal fator de risco para os pequenos agricultores da região. "A maioria dos agricultores utiliza agrotóxicos sem prescrição agronômica. A compra é orientada pelo funcionário do balcão da loja que vende agrotóxico, ou às vezes é feita na porta da propriedade por um carro que leva o kit de veneno", afirma. Ele diz que não há nenhuma assistência técnica para orientar sobre o modo de uso e nenhuma fiscalização.

Um levantamento do perfil epidemiológico dos trabalhadores rurais de Casimiro de Abreu, publicado pela Revista Brasileira de Enfermagem no início do ano, constatou que 51,8% da população entrevistada afirma nunca usar equipamentos de proteção individual recomendados durante o manejo de agrotóxicos, como botas, luvas e máscaras respiratórias.

Problemas endócrinos e reprodutivos

Em sua pesquisa, que avaliou o impacto dos agrotóxicos na função da tireoide em trabalhadores rurais da soja da cidade de Sertão, no Rio Grande do Sul, a farmacêutica Tanandra Bernieri também constatou o esse tipo de descuido: nenhum dos 46 agricultores entrevistados afirmou utilizar equipamentos de proteção individual corretamente. Do total, 34,8% afirmou usar luvas apenas na hora de fazer a mistura dos agrotóxicos. "Muitos não sabiam que o agrotóxico pode ser absorvido pela boca quando comem algo com as mãos sujas do produto", conta Bernieri. "A fonte de informação deles são os vendedores ou pessoas da família e amigos."

A biomédica Camila Piccoli, mestre pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, também pesquisou os efeitos dos agrotóxicos na tireoide de agricultores do Rio Grande do Sul, da cidade de Farroupilha. Ela e sua equipe constataram que a exposição aos agrotóxicos pode estar relacionada a um quadro de aumento do hormônio TSH e diminuição do hormônio T4, principalmente nos homens avaliados, resultando em sintomas análogos ao hipotireoidismo.

Ela também participou de um estudo, coordenado por seu colega Cleber Cremonese, que selecionou jovens de 18 a 23 anos da mesma região e, por meio do exame de espermograma, constatou a diminuição da mobilidade e morfologia do esperma dos jovens rurais em comparação aos jovens urbanos, além de alterações nos hormônios reprodutivos.

"Não se pode afirmar que as alterações estejam relacionadas somente ao uso de agrotóxicos", afirma Piccoli. Mas os dados sugerem que os agrotóxicos podem estar relacionados ao fenômeno, principalmente por se tratar de uma população jovem, sem outros fatores de risco.

Novo marco regulatório

O novo marco regulatório anunciado pela Anvisa traz mudanças na classificação toxicológica dos agrotóxicos e inclui mudanças na rotulagem dos produtos. Segundo a agência, as alterações podem facilitar a identificação de perigos à vida e à saúde humana.

Ao mesmo tempo, alguns produtos podem ser reclassificados para um grau de toxicidade menor, já que o novo critério leva em conta apenas estudos de mortalidade, desconsiderando outros sintomas comuns que não levam à morte. Para alguns dos pesquisadores que atuam na área, ainda não está claro se a nova classificação impactará a segurança dos agricultores.

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Levantamento feito por professora da UFBA constatou que houve 1.309 mortes por intoxicação ocupacional provocada por agrotóxicos em trabalhadores rurais entre 2000 e 2009/Imagem: David Bebber

Buralli observa que, como o nível de escolaridade dos agricultores é baixo, com muitos casos de analfabetismo, eles dificilmente leem o rótulo e as instruções da embalagem dos agrotóxicos. "Hoje a instrução parte mais dos técnicos nas lojas agropecuárias. Por isso, o ensino continuado providenciado pelas agências é muito mais importante do que o que está na bula", afirma.

Para Vilma Santana, professora titular do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a mudança é preocupante, já que usa como critério somente a morte por intoxicação aguda, quando os casos mais comuns são os de intoxicação crônica.

"Se já temos uma situação de desproteção por conta do baixo nível de importância que se dá ao comportamento preventivo, do baixo nível de escolaridade do agricultor, e do uso indiscriminado de agrotóxico, se o nível de controle é reduzido, eu acredito que as consequências podem ser desastrosas."

Santana é autora de um levantamento que constatou que houve 1.309 mortes por intoxicação ocupacional provocada por agrotóxicos em trabalhadores rurais entre 2000 e 2009, levando a uma mortalidade de 0,39 por 100 mil no ano de 2009.

"A mortalidade é pequena, mas no mundo desenvolvido, como na Inglaterra, um país que tem agricultura forte, nem se estima a mortalidade porque o número de casos de intoxicação aguda por agrotóxico é praticamente nulo", afirma.

Para ela, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer quanto ao estimulo a práticas preventivas, medidas educativas da população rural e fiscalização para chegar ao nível de segurança de países mais desenvolvidos. Fonte: Mariana Lenharo – De Nova York para a BBC News Brasil/Imagem: Reuters

 

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Embrapa desenvolve hambúrguer de feijão fermentado

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A equipe da pesquisadora Priscila Zaczuk Bassinello, da Embrapa Arroz e Feijão (GO), Em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), desenvolveu um alimento a partir da fermentação de grãos de feijão, chamado tempeh, produto original da Indonésia usualmente feito de soja.

Ele ainda é pouco conhecido dos brasileiros e pode ser consumido como um hambúrguer vegetal no recheio de sanduíches. Rico em fibras, proteína e minerais, como zinco, ferro e cálcio, o hambúrguer de tempeh de feijão (HTF) da Embrapa pode também ser empregado em dietas sem proteína animal como substituto da carne em sopas, saladas e molhos para massas.

Com forte apelo em nichos comerciais com linhas vegetarianas ou veganas, o tempeh não é algo simples para ser preparado por consumidores. Produzido com grãos sem casca, inteiros ou não, o tempeh de feijão (TF) passa agora por aperfeiçoamento em sua composição, para aumentar a sua aceitabilidade.

A empresa Totale Vegan, parceira nessa pesquisa, com sede em Resende (RJ) e experiência no mercado, ficou interessada no produto e, como já fabrica e comercializa o tempeh de soja, acenou com possível inclusão do produto à base de feijão em sua linha de produção. Após a conclusão da fórmula, ela deverá ser disponibilizada tanto para a indústria como para os demais interessados, quando a receita do hambúrguer à base de tempeh de feijão também será divulgada, inclusive para preparo doméstico.

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A pesquisadora Priscila Zaczuk Bassinello, da Embrapa Arroz e Feijão, fala sobre prováveis ganhos de mercado com o aproveitamento de grãos de feijão não inteiros ou envelhecidos para produção do Tempeh

Para a produção do tempeh que deu origem ao hambúrguer dessa pesquisa, optou-se pelo feijão do tipo carioca, cultivar BRS-Pérola, que possui boa representação de padrão comercial. Também foi desenvolvido com sucesso a partir de feijão branco, cultivar BRS-Ártico. A ele, adicionaram-se temperos tradicionais da culinária popular, como alho, cebola, pimenta e azeite. Os grãos foram multiplicados em experimentos conduzidos na Fazenda Capivara, sede da Embrapa Arroz e Feijão, em Santo Antônio de Goiás.

Os ingredientes utilizados na produção dos hambúrgueres foram homogeneizados em multiprocessador culinário e moldados manualmente. A massa moldada de hambúrgueres foi grelhada em frigideira antiaderente, untada com azeite, dourando em ambos os lados.

 

O que é tempeh?

tempeh é um alimento originário da ilha de Java, na Indonésia, tradicionalmente produzido por meio de fermentação do grão da soja, pelo fungo Rhizopus oligosporus. Normalmente consumido frito, cozido ou assado, é um produto atrativo pelo sabor, textura e propriedades nutricionais, adotado como substituto da carne, devido à sua riqueza proteica. Para o tempehde feijão brasileiro, adotou-se o mesmo fungo.

 

Análise Sensorial

Os testes sensoriais foram aplicados no Laboratório de Microbiologia da Faculdade Metropolitana de Anápolis (FAMA) e em um mercado gourmet de um bairro residencial de Goiânia. A aceitação dos hambúrgueres com tempeh de feijão foi avaliada pela aparência, aroma, sabor e impressão global, por um grupo de 82 provadores não treinados e que nunca haviam consumido esse alimento à base de tempeh.

Para comparação, foi utilizado o hambúrguer elaborado à base de tempeh de soja, produto já disponível no mercado, com boa aceitação entre consumidores das diversas regiões do País. A avaliação baseou-se em escala hedônica de nove pontos, na qual o 9 significa Gostei Muitíssimo e o 1 Desgostei Muitíssimo.

Segundo Priscila Bassinello, geralmente é com a apresentação visual do alimento que o provador, em seu imaginário, seleciona os sabores que espera sentir. Isso afirma o provável sucesso do HTF, já que, quanto à aparência, foi grande sua aceitação, passando de 75% a frequência de provadores que consideraram “agradável” o aspecto dos hambúrgueres de tempeh, remetendo aos hambúrgueres de carne de frango.

Busca por hábitos mais saudáveis

Com o interesse de boa parte da população por hábitos de consumo mais saudáveis, e a busca por produtos que aliem saciedade, sensação de prazer, sabor e benefícios à saúde, a indústria alimentícia vem diversificando sua oferta e mudando o foco de sua linha de produção. Em uma lista diversa, destacam-se os fermentados, como o kefir, o iogurte probiótico e o tempeh.

 
Quanto ao aroma, a aprovação ultrapassou os 55% dos provadores, mas, em relação ao sabor, houve uma rejeição por parte de 42% dos participantes. Parece haver um sabor amargo residual. Além da possibilidade de um tempo de cozimento insuficiente dos grãos para fermentação, esse fato pode ser explicado pelo odor do feijão não fazer parte da memória olfativa, ligada ao aroma de hambúrguer já experimentado pelo provador, e, como o paladar (sabor) envolve uma mistura de sensações gustativas, táteis e também ligadas diretamente ao olfato, o participante do teste tem a mesma dificuldade de reconhecer de imediato como agradável. “Quando se imagina ou visualiza um alimento, automaticamente, aroma e sabor são buscados no subconsciente e, ao prová-lo, espera-se sensação parecida com o já conhecido”, diz Bassinello.

Os estudos mostram que são necessárias, ainda, melhorias nas técnicas de produção da matéria-prima, em especial o cozimento, e do produto final, experimentando novas receitas, novos ingredientes ou adequando os já utilizados, de modo a aumentar a aceitabilidade nos testes sensoriais. Já é possível, entretanto, inferir que o produto à base de feijão tem potencial como boa alternativa para compor uma alimentação saudável, alvo da indústria alimentícia atualmente, podendo apresentar nova perspectiva de uso do grão, contribuindo para a promoção da cadeia produtiva, por meio de agregação de valor ao produto.

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Parceria

Os estudos sobre o hambúrguer de tempeh de feijão (HTF) foram conduzidos na Embrapa, com participação da estudante de mestrado da Escola de Agronomia da UFG Aline Oliveira Colombo, e da graduanda do curso de Nutrição da Universidade Paulista (UNIP) Rayane de Jesus Vital. A parceria teve ainda, por parte da UFG, a colaboração da equipe do Instituto de Química e do Laboratório de Controle Higiênico-Sanitário de Alimentos, da Faculdade de Nutrição, além do apoio dos Laboratórios de Microbiologia da FAMA e do SENAI (Anápolis).

A cepa de Rhizopus oligosporus, utilizada para a produção do tempeh, foi adquirida da coleção de culturas tropicais da Fundação André Tosello Pesquisa e Tecnologia (FAT), em Campinas (SP). Como amostras de referência de tempeh de soja (TS), foram adquiridos produtos comerciais congelados, de lote único, junto ao fabricante Totale Vegan.

 

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Desperdício de alimentos chega a R$ 1 mil por família ao ano, diz Embrapa

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O desperdício de alimentos de uma família brasileira composta por três pessoas em um ano pode ultrapassar R$ 1.002,00, valor superior ao salário mínimo nacional. Os dados são de estudo liderado pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que ouviu 1.764 famílias em todo o País, em parceria com a FGV (Fundação Getúlio Vargas), em 2018.

A pesquisa mostra que cada família desperdiça, em média, 128 quilos de alimentos por ano. Por pessoa, o desperdício de comida em casa atinge 41 quilos por ano – o equivalente a R$ 323.

Os cálculos foram realizados pelo analista Gustavo Porpino, um dos líderes do levantamento, a pedido do jornal O Estado de S. Paulo e o do Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), com base nos valores do IEA (Instituto de Economia Agrícola), de São Paulo, em abril de 2019.

A análise levou em conta apenas o universo familiar, sem considerar perdas em restaurantes, empresas, hotéis e escolas. “Os R$ 1 mil perdidos ao ano representam apenas o gasto com a compra dos alimentos mais desperdiçados. Se levarmos em conta o custo do preparo, que inclui gás de cozinha, óleo, água e outros recursos, o montante será ainda mais impactante.”

Os produtos mais perdidos são arroz – 28,33 kg -, carne, com 25,76 kg, feijão, com 20,60 kg, e frango, com 19,32 kg. O leite completa a lista dos principais alimentos jogados fora, com 5,15 litros anuais.

Na avaliação do pesquisador, chama a atenção o fato de a renda não explicar totalmente a diferença entre as famílias que desperdiçam mais ou menos.

O estudo, que integra o programa de cooperação Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil, identificou altos níveis de desperdício mesmo em famílias de classe média-baixa. A diferença recai, isso sim, sobre o que é jogado fora, como hortaliças e frutas, que são mais consumidas nas famílias mais ricas. “Mas em termos de volume, a renda e a idade não explicam”.

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Porpino afirma que alguns hábitos esclarecem esse elevado desperdício, próximo ao de nações mais ricas. A compra mensal é um deles, assim como o hábito da “fartura”. “O costume de fazer uma grande compra depois de receber o salário e encher a despensa faz com que as famílias preparem porções muito grandes e não aproveitem as sobras. Esses fatores comportamentais estão associados à valorização da abundância, da preferência por uma comida ‘fresquinha’ e até por haver certo preconceito com sobras de refeição, a ‘comida dormida'”.

Segundo o especialista, planejar melhor as compras e refeições, não adquirir alimentos em excesso e reaproveitar sobras é fundamental para reduzir a quantidade jogada fora. “A cultura do ‘melhor sobrar do que faltar’ também deveria ser mudada”, avalia.

Gustavo Porpino ressalta que as famílias brasileiras percebem que o desperdício causa impacto no orçamento, mas a força da cultura é tanta que o hábito de desperdiçar permanece. “Como trata-se de uma média, não significa que todos os brasileiros jogam fora estes volumes. A pesquisa mostra que há tanto famílias que desperdiçam pouco quanto outras que desperdiçam muita comida, e os fatores comportamentais explicam a variação”, pondera.

 

Educação

Ele sugere ações educacionais e de comunicação realizadas por parcerias público-privadas para elevar conscientização da população sobre o problema. Recentemente, a Embrapa renovou memorando de entendimento com o WWF Brasil para dar continuidade à iniciativa “Sem Desperdício”, que inclui ações de comunicação para mudança comportamental.

“As estratégias para redução do desperdício podem ser direcionadas ainda para gerar novas oportunidades de negócio e incrementar a disponibilidade de alimentos saudáveis. O Brasil, por exemplo, produz muitas frutas e hortaliças mas, paradoxalmente, o consumo per capita é bem abaixo dos valores recomendados pela Organização Mundial de Saúde e as perdas e o desperdício são muito elevados”, diz.

Segundo Gustavo Porpino, mudar esse quadro demanda ações em diferentes elos da cadeia produtiva. Ele diz que vê no Brasil tecnologias disponíveis e uma geração jovem empreendedora antenada com inovações sociais. “Se houver vontade política, podemos avançar consideravelmente”, estima.

 

América Latina

Segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas), a América Latina desperdiça, em média, 127 milhões de toneladas de alimentos a cada ano. Em valores, seriam cerca de US$ 97 bilhões. A entidade elencou como um dos objetivos de desenvolvimento sustentável a redução pela metade do desperdício de alimentos até 2030.

Para Porpino, os números mostram uma contradição e uma oportunidade de aliar o combate ao desperdício com o fortalecimento da segurança alimentar no Brasil. 

“Temos características de países ricos no fim da cadeia, com elevado desperdício de alimentos, e características de países em desenvolvimento no início, com perdas na produção, transporte. Temos uma grande oportunidade de pegar toda essa abundância que se perde e direcionar para a rede de enfrentamento à fome, como os bancos de alimentos, por exemplo, além de aprovar as Leis que incentivam a doação de alimentos por parte do varejo.” Fonte: http://www.deolhonocampo.com.br

 

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Pesquisadores da Epagri identificam pela primeira vez no Brasil fungo que ataca videiras e oliveiras

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Pesquisadores do Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar (Epagri/Cepaf) identificaram pela primeira vez no Brasil um fungo capaz de matar videiras e oliveiras.

A identificação do fungo Pleurostomophora richardsiae foi publicada numa das revistas mais importantes da área de doenças de plantas, a Phytopathologia Mediterranea, de Firenze, Itália, editada pela Mediterranean Phytopathological Union.

O artigo pode ser acessado em http://www.fupress.net/index.php/pm/article/view/23357.

Eduardo Brugnara, um dos pesquisadores que assinam o artigo, explica que plantas cultivadas nos municípios de Itá e Riqueza, no Oeste Catarinense, começaram a apresentar sintomas de amarelecimento, murcha e morte de folhas e ramos, além de manchas escuras na madeira e casca. Após a coleta de amostras das plantas infectadas, os pesquisadores conseguiram isolar o fungo, que foi identificado através de características do DNA. O próximo passo foi comprovar sua capacidade de causar doença em novas plantas de oliveira e videira.

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Oliveira atacada pelo fungo – crédito Divulgação Epagri

Segundo Maria Cristina Canale, outra pesquisadora da Epagri/Cepaf responsável pela identificação, o conhecimento da ocorrência deste fungo é importante para auxiliar na compreensão e solução de problemas de morte de plantas de oliveira e videira, comum no Sul do Brasil e muitas vezes causada por uma série de fatores em conjunto. Contudo, os assinantes dos artigos ressaltam que são necessárias mais pesquisas para verificar a incidência da doença em outras regiões e a quantidade de plantas ou pomares afetados.

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Colônia 21 dias no escuro crédito divulgação Epagri

Apesar de já se saber que a doença pode matar as plantas em casos severos, também serão necessários novos estudos para quantificar os danos que a doença pode causar na produtividade das plantas e na qualidade dos frutos em casos menos graves. Outra demanda que se apresenta é o desenvolvimento de cultivares resistentes ao fungo.

A viticultura é uma cadeia produtiva importante para Santa Catarina. A produção catarinense de uvas comuns, viníferas e de mesa foi de 46,7 mil toneladas em 2017/18, com produtividade média de 14,2 mil quilos por hectare. Esse total representa crescimento de 1% na área colhida e de 3% na produção de uva comum em relação à safra anterior. Por outro lado, a uva vinífera apresentou redução de 17% na área e de 40% na quantidade produzida.

Há vinte anos a Epagri/Cepaf, localizado em Chapecó, desenvolve trabalho com o objetivo introduzir a oliveira no território catarinense, e vem observando boa produtividade em algumas regiões. Atualmente o Estado conta com cerca de 70 hectares cultivados com a planta. Em 2019 já foram produzidos mais de mil litros de azeite extra virgem. Fonte: Eduardo Brugnara ou Maria Cristina Canale, na Epagri/Cepaf, pelo fone (49) 20497510

 

Mais informações: cepaf@epagri.sc.gov.br 

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Pesquisa EPAGRI/CEPAF revela que agricultores fornecem R$ 280,00 por mês em alimentos para filhos na cidade

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Uma pesquisa realizada em 2018 pelo Centro de Pesquisa da Agricultura Familiar da Epagri em Chapecó descobriu que 51% das famílias de agricultores fornecem alimentos para filhos que moram na cidade. 

Isso representa R$ 280,00 por mês. Num universo de 128,9 mil famílias cadastradas pela Epagri, isso representa cerca de R$ 18 milhões por mês que os agricultores fornecem em alimentos para familiares que residem na área urbana. 


A pesquisa “Transferência de Alimentos de Agricultores Familiares para Filhos que Moram na Cidade” faz parte de uma pesquisa mais ampla, sobre a produção de alimentos para autoconsumo no Oeste de Santa Catarina. 

Foram aplicados 381 questionários em 112 municípios. De acordo com o coordenador da pesquisa e doutor da Epagri, Clóvis Dorigon, todas as propriedades produzem alimentos para o próprio consumo, embora a diversidade não é muito grande. Isso representa uma economia de R$ 1,2 mil por mês. O que vai para os filhos é cerca de 20% desse total e representa 30% de um salário mínimo. Entre os produtos fornecidos estão queijo, salame, frutas, verduras e plantas medicinais. 

- Além de representar uma economia essa transferência de alimentos é muito importante na questão se segurança alimentar, pois permite o acesso a produtos diversos, de qualidade, sem agrotóxicos e que tem uma relação afetiva e cultural – disse Dorigon. Fonte: https://www.nsctotal.com.br/colunistas/darci-debona

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Cultura da fartura impulsiona desperdício de alimentos no Brasil

desperdicio alimentos

Compras grandes demais e porções exageradas contribuem para que cada brasileiro jogue mais de 40 quilos de comida no lixo por ano, aponta estudo. Total desperdiçado seria suficiente para alimentar 13 milhões de pessoas.

A cultura do "é melhor sobrar do que faltar" impulsiona o desperdício de alimentos no Brasil, aponta uma pesquisa recente realizada pela Embrapa com apoio da Fundação Getúlio Vargas. O gosto pela fartura, desde a ida ao supermercado até o preparo das refeições, e a preferência por comida fresca à mesa faz com que cada brasileiro jogue mais de 40 quilos de comida no lixo por ano.

Além de ser associada à hospitalidade e ao cuidado com a família, a abundância está ligada ao status, aponta o estudo. "O Brasil é um país muito desigual, e a comida sinaliza riqueza. Famílias que enfrentaram pobreza no passado, por exemplo, tendem a gostar de preparar uma mesa farta, como forma de mostrar que vivem tempos melhores", afirma Gustavo Porpino, analista da Embrapa e líder da pesquisa sobre desperdício, realizada no âmbito dos Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil.

Ter a despensa sempre abastecida também traz tranquilidade para quem tem baixo poder aquisitivo. Por ser prioridade no orçamento, a comida é comprada e estocada em grandes quantidades para garantir que será suficiente para todo o mês. Contudo, o preparo de porções exageradas e o não reaproveitamento das sobras fazem com que parte da comida vá diretamente para o lixo.

A classe social não é o que determina o desperdício, aponta a pesquisa da Embrapa. "As famílias que desperdiçam pouco não são necessariamente as mais pobres, mas as que adotam hábitos de consumo mais sustentáveis", explica Porpino.

Na prática, são as pessoas que fazem compras menores, preparam lista de compras e reutilizam as sobras em novas refeições. A pesquisa, que ouviu 1.764 pessoas de toas as classes sociais e regiões do país, aponta que quem tem maior consciência sobre o impacto do desperdício no orçamento tende a descartar menos comida.

Segundo o estudo, a família brasileira joga fora quase 130 quilos de comida por ano, uma média de 41,6 quilos por pessoa. Os alimentos que mais vão para o lixo, por percentual do total desperdiçado, são: arroz (22%), carne bovina (20%), feijão (16%) e frango (15%).

Cálculos do Instituto Akatu, ONG voltada ao consumo consciente, indicam que se uma família brasileira que gasta em média 650 reais por mês com alimentos reduzisse pela metade o desperdício com comida e depositasse o valor equivalente (cerca de 90 reais por mês) numa poupança, acumularia cerca de 1 milhão de reais em 70 anos, considerando o rendimento anual.

Além de pesar no bolso, o desperdício prejudica o meio ambiente, pois os recursos utilizados na agricultura para a produção de alimentos, como água, acabam sendo em vão.

"A Fao [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] estima que se o desperdício de alimentos fosse concentrado em um único país, ele seria o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, depois dos EUA e da China, representando 8% das emissões globais, e o maior usuário de água, ultrapassando a Índia e a China", compara Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu.

Além da renda familiar e de recursos naturais, com o desperdício de alimentos aptos ao consumo vai para o lixo também a oportunidade de alimentar quem sofre com a fome.

"No Brasil, o elevado desperdício de alimentos convive com a insegurança alimentar, uma combinação infeliz para um país onde 22,6% da população enfrenta algum nível de insegurança alimentar e com 54,8 milhões de pessoas vivendo com até 5,5 dólares por dia, linha de pobreza proposta pelo Banco Mundial", comenta Porpino.

A pesquisa sugere que os brasileiros não estão alheios aos malefícios do desperdício. A grande maioria dos entrevistados (94%) tem consciência de que devem evitá-lo. Segundo Porpino, as sobras até são guardadas na geladeira, como forma de aliviar a culpa, mas não são de fato reaproveitadas. Assim, o descarte é apenas procrastinado.

No âmbito internacional, um terço da produção total de alimentos, ou 1,3 bilhão de toneladas, vai para o lixo, o que seria suficiente para alimentar 2 bilhões de pessoas, de acordo com cálculos da Fao. Com base nesse cálculo, é possível estimar que 8,7 milhões de toneladas de comida são desperdiçadas no Brasil, o suficiente para alimentar mais de 13 milhões de pessoas.

Ainda de acordo com o estudo, os números do Brasil o posicionam à frente da maioria dos países europeus. Uma pesquisa da União Europeia publicada em 2017, por exemplo, revelou que na Alemanha, Espanha, Holanda e Hungria são desperdiçados, em média, 439 gramas de comida por domicílio por semana, enquanto no Brasil são 353 gramas por domicílio por dia.

Uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas é reduzir pela metade o desperdício per capita de alimentos no mundo até 2030. Segundo Mattar, quantificar o desperdício de alimentos e fortalecer os sistemas de informação sobre a geração e coleta de resíduos em cada país é fundamental para que tal objetivo seja alcançado. Fontehttps://g1.globo.com/economia/agronegocios/

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Arroz preto desenvolvido pela Epagri tem alta atividade antioxidante, revela estudo

arroz preto Onix

Testes realizados pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) em parceria com a Embrapa Arroz e Feijão (GO) apostaram que o de arroz de grão preto SCS 120 Ônix, desenvolvido pela Epagri, contém os maiores teores de compostos bioativos, sendo as mais eficientes em neutralizar radicais livres.

O arroz vermelho BRS 902, da Embrapa, também foi destaque no estudo de buscou identificar a presença de compostos capazes de prevenir o envelhecimento das células do organismo humano.

A pesquisa comparou amostras do grão integral cozido de quatro cultivares de arroz colorido. Usando método laboratorial para obter extratos fitoquímicos do conteúdo das amostras, o estudo isolou o fenol, um tipo de composto conhecido nos alimentos ligado à atividade antioxidante. Ele se apresenta sob duas formas: a primeira, livre; e a segunda, complexada. Para ambas, foram medidas as concentrações.

Compostos fenólicos são moléculas presentes em alimentos de origem vegetal. A maior ingestão dessas estruturas químicas pode aumentar a eficácia da sua função protetora contra danos oxidativos, ligados ao envelhecimento, nas células. Esses compostos protegem as células ao promover o sequestro dos chamados radicais livres, moléculas que em grande quantidade podem danificar células sadias (veja quadro no fim da matéria). Os compostos fenólicos são categorizados como livres ou compostos, quando são associados a açúcares e proteínas.

Seis vezes mais compostos fenólicos

O melhor resultado para os compostos fenólicos complexados ocorreu com o SCS 120 Ônix da Epagri, que é caracterizado por grãos pretos. No caso dos compostos fenólicos livres o melhor resultado alcançado foi do cultivar BRS 902 de grão vermelho, da Embrapa. Comparativamente, essas cultivares apresentaram 14% mais compostos fenólicos livres do que as outras variedades em teste com menor teor. Na avaliação dos compostos fenólicos complexados, o resultado foi 17% a mais no grão preto. Se comparadas ao arroz branco, os cultivares de grão colorido possuem, em média, seis vezes mais compostos fenólicos.

Para medir a atividade antioxidante, os extratos de compostos fenólicos, em suas duas formas, foram testados em laboratório quanto à capacidade de reação e sequestro de radicais livres por dois métodos denominados pelas siglas DPPH e ABTS.

Para a responsável pela pesquisa de tipos especiais de arroz da Epagri, Ester Wickert, as cultivares de grão colorido são um diferencial atrativo para o rizicultor. “Grãos de pericarpo colorido, preto ou vermelho, têm maior valor de mercado, até porque têm uma produção menor, em termos de área, mas não de produtividade, e têm seu consumo associado à melhor qualidade de vida, uma vez que oferecem maior quantidade de compostos fenólicos, considerados importantes agentes antioxidantes”, diz Wickert. Trabalhando na Estação Experimental da Epagri em Itajaí, ela considera também que há espaço para variedades de arroz colorido em diferentes formatos de grão: longo-fino, longos, curtos ou arredondados, associados ainda a características de aroma e teor de amilose.

De acordo com a pesquisadora, o aumento da demanda por grãos de arroz com atributos especiais é um dos motivos que fez com que a Epagri desenvolvesse variedades de grão colorido, adaptadas às condições de cultivo de Santa Catarina, cujo sistema de produção é formado essencialmente por pequenas propriedades com mão de obra familiar.

Ação de radicais livres

O corpo gera energia a partir da respiração celular, quando ocorre o consumo de oxigênio e ao mesmo tempo a oxidação de combustíveis celulares, como a glicose e ácidos graxos. Esse metabolismo gera subprodutos, conhecidos como radicais livres. Essas moléculas são instáveis e quimicamente reativas e podem ter como efeitos indesejáveis o envelhecimento celular.

No entanto, o organismo humano dispõe de um sistema de desintoxicação do excesso de radicais livres, capaz de neutralizar suas ações prejudiciais. E o melhor é que existem substâncias que podem ajudar nessa tarefa. Por exemplo, compostos fenólicos vindos da ingestão de alimentos possuem função protetora contra danos oxidativos. Quanto maior a ingestão de alimentos que auxiliem nesse processo, menor será o envelhecimento celular.Fonte:esterwickert@epagri.sc.gov.br

Com informações de Rodrigo Peixoto, jornalista da Embrapa Arroz e Feijão.
Leia a íntegra da matéria. (https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/41197731/estudo-indica-cultivares-de-arroz-vermelho-e-preto-com-maior-atividade-antioxidante?link=agencia)

 

Mais informações: esterwickert@epagri.sc.gov.br

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Cultura da fartura impulsiona desperdício de alimentos no Brasil

desperdicio alimentos

A cultura do "é melhor sobrar do que faltar" impulsiona o desperdício de alimentos no Brasil, aponta uma pesquisa recente realizada pela Embrapa com apoio da Fundação Getúlio Vargas. O gosto pela fartura, desde a ida ao supermercado até o preparo das refeições, e a preferência por comida fresca à mesa faz com que cada brasileiro jogue mais de 40 quilos de comida no lixo por ano.

Além de ser associada à hospitalidade e ao cuidado com a família, a abundância está ligada ao status, aponta o estudo. "O Brasil é um país muito desigual, e a comida sinaliza riqueza. Famílias que enfrentaram pobreza no passado, por exemplo, tendem a gostar de preparar uma mesa farta, como forma de mostrar que vivem tempos melhores", afirma Gustavo Porpino, analista da Embrapa e líder da pesquisa sobre desperdício, realizada no âmbito dos Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil.

Ter a despensa sempre abastecida também traz tranquilidade para quem tem baixo poder aquisitivo. Por ser prioridade no orçamento, a comida é comprada e estocada em grandes quantidades para garantir que será suficiente para todo o mês. Contudo, o preparo de porções exageradas e o não reaproveitamento das sobras fazem com que parte da comida vá diretamente para o lixo.

A classe social não é o que determina o desperdício, aponta a pesquisa da Embrapa. "As famílias que desperdiçam pouco não são necessariamente as mais pobres, mas as que adotam hábitos de consumo mais sustentáveis", explica Porpino.

Na prática, são as pessoas que fazem compras menores, preparam lista de compras e reutilizam as sobras em novas refeições. A pesquisa, que ouviu 1.764 pessoas de toas as classes sociais e regiões do país, aponta que quem tem maior consciência sobre o impacto do desperdício no orçamento tende a descartar menos comida.

Segundo o estudo, a família brasileira joga fora quase 130 quilos de comida por ano, uma média de 41,6 quilos por pessoa. Os alimentos que mais vão para o lixo, por percentual do total desperdiçado, são: arroz (22%), carne bovina (20%), feijão (16%) e frango (15%).

Cálculos do Instituto Akatu, ONG voltada ao consumo consciente, indicam que se uma família brasileira que gasta em média 650 reais por mês com alimentos reduzisse pela metade o desperdício com comida e depositasse o valor equivalente (cerca de 90 reais por mês) numa poupança, acumularia cerca de 1 milhão de reais em 70 anos, considerando o rendimento anual.

Além de pesar no bolso, o desperdício prejudica o meio ambiente, pois os recursos utilizados na agricultura para a produção de alimentos, como água, acabam sendo em vão.

"A Fao [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] estima que se o desperdício de alimentos fosse concentrado em um único país, ele seria o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, depois dos EUA e da China, representando 8% das emissões globais, e o maior usuário de água, ultrapassando a Índia e a China", compara Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu.

Além da renda familiar e de recursos naturais, com o desperdício de alimentos aptos ao consumo vai para o lixo também a oportunidade de alimentar quem sofre com a fome.

"No Brasil, o elevado desperdício de alimentos convive com a insegurança alimentar, uma combinação infeliz para um país onde 22,6% da população enfrenta algum nível de insegurança alimentar e com 54,8 milhões de pessoas vivendo com até 5,5 dólares por dia, linha de pobreza proposta pelo Banco Mundial", comenta Porpino.

A pesquisa sugere que os brasileiros não estão alheios aos malefícios do desperdício. A grande maioria dos entrevistados (94%) tem consciência de que devem evitá-lo. Segundo Porpino, as sobras até são guardadas na geladeira, como forma de aliviar a culpa, mas não são de fato reaproveitadas. Assim, o descarte é apenas procrastinado.

No âmbito internacional, um terço da produção total de alimentos, ou 1,3 bilhão de toneladas, vai para o lixo, o que seria suficiente para alimentar 2 bilhões de pessoas, de acordo com cálculos da Fao. Com base nesse cálculo, é possível estimar que 8,7 milhões de toneladas de comida são desperdiçadas no Brasil, o suficiente para alimentar mais de 13 milhões de pessoas.

Ainda de acordo com o estudo, os números do Brasil o posicionam à frente da maioria dos países europeus. Uma pesquisa da União Europeia publicada em 2017, por exemplo, revelou que na Alemanha, Espanha, Holanda e Hungria são desperdiçados, em média, 439 gramas de comida por domicílio por semana, enquanto no Brasil são 353 gramas por domicílio por dia.

Uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas é reduzir pela metade o desperdício per capita de alimentos no mundo até 2030. Segundo Mattar, quantificar o desperdício de alimentos e fortalecer os sistemas de informação sobre a geração e coleta de resíduos em cada país é fundamental para que tal objetivo seja alcançado. Fonte: Revista Globo Rural/ Foto: Reprodução: TV Globo

 

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Pesquisa do NITA e Epagri identifica desafios tecnológicos da piscicultura catarinense

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Uma das importantes atividades para o Estado e que possui grande crescimento nos últimos anos em Santa Catarina é a piscicultura. 

Segundo dados da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR), em 2016, os cinco estados maiores produtores de peixes cultivados foram Paraná, Mato Grosso, Rondônia, São Paulo e Santa Catarina, nesta ordem. Paraná, São Paulo e Santa Catarina produzem como espécie principal a tilápia, o Mato Grosso os peixes híbridos e Rondônia principalmente Tambaqui.

A piscicultura catarinense tem características que a distinguem de outros estados. É desenvolvida majoritariamente em pequenas propriedades rurais, com média de 2 hectares de lâmina de água por propriedade, e mão de obra familiar.

Na safra de 2016, a piscicultura de água doce catarinense produziu 43.300 toneladas de peixes de diferentes espécies, sendo os produtores comerciais responsáveis por 29.637 toneladas (mais de 68%) dessa produção. A espécie mais produzida no Estado é destacadamente a tilápia, mas a produção de carpas também é relativamente significativa em relação às demais espécies.

Figura 1 – Distribuição percentual das espécies de peixes produzidos em Santa Catarina 2016

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Fonte: Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina 2016 -2017, Epagri/Cepa

Tendo por base a área de abrangência das Gerências Regionais da Epagri, se destacam as regiões de: Tubarão, Joinville, Rio do Sul e Blumenau, como as maiores produtoras de pescado comercial (Figura 2).

Figura 2 – Produção comercial de piscicultura comercial de água doce de Santa Catarina 2016 (kg)

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Fonte: Síntese Anual da Agropecuária de Santa Catarina 2016-2017.

Na figura 3 são apresentados os municípios de maior destaque na produção comercial de pescado, com destaque a região de Tubarão que concentra cinco dos dez maiores produtores: Grão Pará, Braço do Norte, São Martinho, Armazém e Rio Fortuna. O destaque fica para o município de Massaranduba que produz 1,77 mil toneladas, sendo o maior produtor do estado (Figura 3).

Figura 3 – Produção comercial dos dez maiores municípios produtores de Santa Catarina em 2016 (kg)

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Fonte: Síntese Anual da Agropecuária de Santa Catarina 2016-2017.

Devido à grande importância da atividade da piscicultura e a tendência de expansão no Estado, o NITA realizou uma pesquisa, que foi deflagrada de forma “on line” no período de maio a junho de 2018, dirigida a técnicos do setor que atuam nas diversas regiões do Estado.

A pesquisa buscou conhecer um pouco mais sobre a cadeia da piscicultura e captar a percepção técnica sobre deficiências e problemas que podem ser aprimoradas com tecnologias inovadoras.

O questionário foi encaminhado em formato eletrônico às coordenações das empresas que fornecem assistência técnica aos produtores, que por sua vez encaminharam aos seus técnicos com maior atuação na cadeia produtiva, resultando na opinião de profissionais com grande experiência na área. Como resultado obteve-se a participação de 19 técnicos, distribuídos entre a Epagri (90%), Cooperativas (5%) e Cidasc (5%).

Figura 4 – Frequência das respostas por região em relação a área de atuação do Programa SC Rural

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Fonte: Nita – Pesquisa realizada junto aos técnicos que atuam com bovinocultura de leite em Santa Catarina – maio de 2.018.

As respostas obtidas estão localizadas em sua maioria na região oeste e no litoral sul, seguida do planalto norte.

Aos participantes da pesquisa foi solicitado que apontassem mediante a pontuação em uma escala de 1 a 5 (onde 5 é o de maior importância), quais as áreas em que mais necessitam de inovação. Na figura 4 são apresentadas as áreas em que o maior número de técnicos que atribuíram pontuação 4 e 5.

Figura 4 – Área de maior pontuação total para a inovação (número de técnicos)

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Fonte: Nita – Pesquisa realizada junto aos técnicos que atuam com bovinocultura de leite em Santa Catarina – maio de 2.018.

Na figura 5, é apontada a área em que, na percepção dos participantes da pesquisa, há maior necessidade de inovação, aspecto este que corrobora com o questionamento sobre a área de maior importância. O controle de qualidade da água se destaca com 42%, seguido da alimentação (nutrição) com 16%. (Figura 5).

Figura 5 – Área considerada imprescindível para inovações

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Fonte: Nita – Pesquisa realizada junto aos técnicos que atuam com bovinocultura de leite em Santa Catarina – maio de 2.018.

Dentre as principais áreas apontadas como prioritárias para investimento em processos de inovação, passamos a destacar os principais comentários apresentados pelos participantes na pesquisa, relacionados a duas delas: o controle de qualidade de água e a alimentação e nutrição.

Controle de qualidade da água

  • Controle de qualidade de água é fundamental para produção acima da capacidade de suporte natural dos viveiros aquáticos. O produtor precisa de ferramentas de fácil uso para que avaliar a qualidade dá água numa frequência diária, para que em cima disso possa tomar decisões mais precisas, como horário de alimentação, manejo de aeradores, tratamentos, etc..
  • Manejo de água buscando alta produtividade de fito e zooplancton, e redução de custos de produção.
  • É na água que o peixe se desenvolve. É neste meio onde come e defeca, sendo fundamental o controle da qualidade do ambiente para uma melhor conversão alimentar e consequentemente viabilidade econômica da piscicultura.
  • Muitas vezes o piscicultor falha em alguma etapa no decorrer do ciclo produtivo por falta de acompanhamento técnico e fica sem marcação de dados importantes, que podem apresentar parâmetros para corrigir algum problema apresentado que poderá comprometer o processo produtivo.
  • Qualidade da água é fundamental e uma das mais importantes na piscicultura. Existem aparelhos e kits de monitoramento de qualidade, mas são poucos os piscicultores que adquirem e fazem o monitoramento. Um dos grandes complicadores da qualidade da água quanto ao consumo de oxigênio e liberação de amônia é a matéria orgânica proveniente de ração não consumida e das fezes geradas pelos peixes

Alimentação e nutrição

A alimentação dos peixes possui estreita correlação com a qualidade da água, já que a mesma irá influenciar na quantidade, tipo e frequência do fornecimento da alimentação.

A seguir alguns comentários adicionais obtidos na pesquisa com relação a esta questão:

  • Um dos principais problemas encontrados hoje é o arraçoamento seguindo somente a tabela de alimentação de acordo com a biomassa, ou fornecimento de ração de acordo com a comportamento do peixe (o peixe está comendo joga ração). Se faz necessário que se observe principalmente parâmetros de oxigênio, pH e temperatura, para fornecer a quantidade adequada com o objetivo de se obter a melhor conversão alimentar possível otimizando o uso da ração que hoje corresponde a 70% do custeio da atividade.

Conclusão

Em análise preliminar, ficou evidente que a principal preocupação da área técnica consultada, está direcionada para o correto controle da qualidade da água do cultivo, mediante o acompanhamento de indicadores e marcadores, os quais influenciam diretamente as demais práticas do sistema de produção, com destaque ao manejo da alimentação.

Como a ração se constitui no principal item de custo da atividade, ações com vistas a melhoria da conversão alimentar são aspectos críticos para o sucesso econômico da atividade.  Assim, o desenvolvimento de equipamentos e/ou softwares que produzam a informação necessária para a tomada de decisão e ajude responder questões como: qual o momento adequado para alimentar, qual a quantidade de ração a oferecer, quais os melhores horários para fornecimento da alimentação, quando devo ligar o sistema de aeração, entre outros, contribuirá para ganhos no desempenho dos indicadores técnicos e econômicos da atividade.

Também o desenvolvimento de equipamentos que possam trazer melhorias na qualidade do trabalho e segurança para o sistema de produção são fundamentais, como: automação de processos, emissão de alertas, redução do esforço físico no desempenho das práticas de manejo, são fundamentais para atrair novos adeptos a produção comercial de peixes.

Outro desafio está na acessibilidade das inovações ao produtor. Dado a isso, processos de difusão de inovações existentes e desenvolvimento de novas soluções são fundamentais, desde que as mesmas sejam ofertadas a um custo compatível com a produção em pequenas áreas, viabilizando a sua incorporação ao processo de produção. Fonte:NITA

Autor: Ditmar Alfonso Zimath, Engenheiro Agrônomo, Especialista em Administração Rural, Diretor de Projetos Especiais da Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca e Coordenador Técnico do Programa SC Rural e do NITA- Núcleo de Inovação Tecnológica para Agricultura Familiar

Bibliografia consultada:Sintese Anual da Agricultura de Santa Catarina 2016-2017. In: http://docweb.epagri.sc.gov.br/website_cepa/publicacoes/Sintese_2016_17_site.pdf

 

Mais informações: http://nita.org.br/desafios-tecnologicos-da-piscicultura-catarinense/
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