Arquivos da categoria: Ministério da Agricultura

Governo Federal anuncia recursos para construção ou reforma de casas rurais

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Durante o anúncio do Plano Safra 2019/2020, o Ministério da Agricultura comunicou que, pela primeira vez, haverá verba para construção de casas rurais.

Serão destinados R$ 500 milhões para financiar a construção ou reformas de moradias dos pequenos agricultores.

Com esses recursos, será possível construir até 10.000 casas para agricultores familiares, informou o ministério.

Outra novidade será o recurso para custeio ou investimento, com juros de 3% ao ano para apoiar a exploração extrativista sustentável e a produção de ervas medicinais, aromáticas e condimentares. Fonte: Canal Rural

 

Mais informações: www.agricultura.gov.br

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Apoiado pelo Brasil, vice-ministro da Agricultura chinês é eleito novo diretor-geral da FAO

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O vice-ministro da Agricultura e dos Assuntos Agrários da China, Qu Dongyu, foi eleito neste domingo (23), com 108 votos,  como novo diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).  

Ele ocupará o cargo nos próximos quatro anos, de 1º de agosto de 2019 a 31 de julho de 2023. O governo brasileiro apoiou oficialmente a eleição de Dongyu para a FAO e a ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) participou da votação, em Roma.

Após a eleição, Dongyu se comprometeu com a justiça e transparência no cargo e disse que será imparcial e neutro na diretoria da FAO. “Trabalharei pelo povo e por todos os agricultores. Por uma FAO dinâmica, por um mundo melhor”, disse. 

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Qu Dongyu discursando já como diretor-geral eleito da FAO

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Ministra Tereza Cristina, Fernando Abreu, representante permanente do Brasil na FAO, e Orlando Ribeiro, secretário de Relações Internacionais do MAPA na eleição para diretor-geral da FAO, em Roma

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Ministra Tereza Cristina e delegação brasileira conversam com o vice-ministro da Agricultura da China, Qu Dongyu

 A delegação chinesa destacou que o novo diretor-geral vai reformar a FAO em pouco tempo e garantiu que a China vai manter seus compromissos de cooperação mundial em favor do desenvolvimento da agricultura. Outros países também cumprimentaram o vencedor, como França Itália, Kuwait, Tailândia, Guiné Equatorial, Bangladesh, Canadá, Cabo Verde, Alemanha, Austrália, Irã, Indonésia, Nigéria, Africa do Sul e Uganda. A delegação do Uruguai falou em nome da América Latina e Caribe, ressaltando que a região terá portas abertas para o novo diretor da FAo.  

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Qu Dongyu discursando já como diretor-geral eleito da FAO e José Graziano da Silva

O brasileiro José Graziano da Silva, que ocupa o cargo de diretor-geral da FAO desde 2012, cumprimentou o vencedor e entregou a ele o novo crachá da FAO. A ministra Tereza Cristina parabenizou Graziano pelo período na diretoria-geral da FAO. 

Diretores Gerais da FAO

Desde a criação da FAO em 1945, houve oito diretores-gerais:

• Sir John Boyd Orr, Reino Unido, 1945-1948 
• Norris E. Dodd, Estados Unidos, 1948-1954 
• Philip Vincent Cardon, Estados Unidos, 1954-1956 
• Binay Ranjan Sen, Índia, 1956-1967 
• Addeke Hendrik Boerma, Holanda, 1968-1975 
• Edouard Saouma, Líbano, 1976-1993 
• Jacques Diouf, Senegal, 1994-2011 
• José Graziano da Silva, Brasil, 2011-2019

 

Mais informações: www.fao.org / www.agricultura.gov.br

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Governo quer incentivar startups para acelerar a terceira revolução do agro

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A agricultura brasileira é extremamente inovadora e produtiva, sem deixar nada a desejar para outros países. O problema é que isso ocorre em apenas algumas culturas de larga escala, como soja, milho, algodão e na pecuária, maquiando os maus resultados de outros setores.

A opinião é do secretário de Inovação do Ministério da Agricultura (Mapa), Fernando Camargo, que participou na terça-feira (11) do 1º Fórum Regional de Inovação Agropecuária, promovido pelo Mapa, que ocorreu em Carambeí, na região dos Campos Gerais do Paraná. O fórum antecedeu a abertura da Digital Agro 2019, uma das principais feiras de tecnologia digital voltadas ao agronegócio que vai até 13 de junho.

Uma das ferramentas que o Brasil precisa desenvolver para acelerar o que Camargo chama de terceira revolução do agronegócio é um ambiente adequado para fomentar o desenvolvimento de tecnologias e ideias inovadoras, hoje basicamente concentradas em universidades, centros de pesquisas e startups que podem promover a melhoria das produtividades em todos os setores do agro brasileiro e tornar o país um exportador de tecnologias, e não apenas um exportador de commodities agrícolas.

“Estamos pessimamente colocados nos rankings de países com maior facilidade para se fazer negócios. Primeiramente, o governo tem que desregulamentar, desburocratizar. A primeira ajuda que ele pode fazer é deixar de atrapalhar”

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Fernando Camargo, secretário de Inovação do Ministério da Agricultura

A segunda maneira é incentivando o fomento da inovação, com o favorecimento de ambientes para a criação de startups, fornecer linhas de crédito para empresas inovadoaes e promover eventos em que os atores do setor se encontrem e pensem juntos sobre o tema inovação, afirma Camargo.

Ao todo, o Mapa planeja realizar cerca de 40 fóruns regionais para depois, em 2020, juntar as ideias e conhecimentos apreendidos no Fórum Nacional de Inovação Agropecuária.

Outro projeto que o ministério guarda na manga é a criação de polos regionais de inovação, que serão formados em cidades com infraestrutura voltada para o agro, com a presença de universidades públicas, centros de pesquisa, grandes empresas do setor e com a participação as estruturas municipais e estaduais, o que deve incluir espaços de co-working com foco nas startups ou agritechs. O objetivo é fomentar a vocação que já existe em cada região.

O primeiro polo anunciado pela ministra Tereza Cristina foi Londrina (PR), que segundo o ministério reúne condições para inovação do agronegócio brasileiro. O Paraná deve ter ainda uma segunda cidade-polo.

É preciso desburocratizar e facilitar a inovação

“A gente faz o nosso papel desburocratizando as normas do Ministério da Agricultura, mas quando a gente fala nacionalmente de ambiência de negócios a gente fala de Ministério da Economia. Existem uma série de ações que estão sendo desenvolvidas que provavelmente vão ser anunciadas após a aprovação da reforma da Previdência. Hoje a gente precisa primeiramente superar esse desafio, que é uma condição necessária para fazermos a retomada do crescimento econômico”, afirma Fernando Camargo.

Um desses desafios seria aprofundar o marco legal de inovação, ferramenta que destravaria iniciativas no setor. Camargo diz que o Brasil precisa correr atrás para recuperar o campo perdido em setor como o de cacau, onde o país era o maior produtor mundial e hoje caiu para sexto.

“Para fazer isso primeiro precisamos mapear a ineficiência e depois aportar recursos e expertise. Existem dois tipos de ineficiência, a da porteira para dentro e a da porteira para fora. A primeira é que demanda assistência técnica, extensão rural, novos cultivares, agricultura digital, conectividade no campo. A outra é a necessidade de portos, estradas, ferrovias e aí o Brasil também tem um grande desafio”, observa.

As criações e ideias que surgirão a partir das startups – e com soluções tecnológicas que podem aumentar a produtividade ou melhorar a eficiência no campo, reduzindo custos – são imprevisíveis, conforme explica o secretário de Inovação do Mapa.

“Quando a gente fala em inovação, se a caracterizarmos já estamos perdendo, porque inovação é, por si só, disruptiva. Então, a startup que virá amanhã, o unicórnio que irá se viabilizar, é justamente aquela que a gente nem tem noção do que pode acontecer. Se soubermos caracterizar, ela deixará de ser inovadora. A função da startup é pensar algo que nunca tínhamos imaginado”, define Camargo.

Segundo o secretário, o Brasil precisa acelerar a terceira revolução do campo. A primeira ocorreu ainda nos anos 1970, com o surgimento do plantio direto na região de Carambeí, que modificou completamente a forma de fazer agricultura. A segunda, nas décadas de 1980 e 1990, surgiu com o advento da segunda e terceira safra.

“A grande revolução de agora é a agricultura digital. Estamos falando de drones, de biotecnologia, de modificação genética sofisticada. O trigo, por exemplo, sempre foi uma cultura de clima temperado, frio. Hoje existe um forte indicativo de que o cereal vai chegar no Cerrado e que o Brasil vai se tornar autossuficiente em trigo daqui a alguns anos”, observa. Para ele, a revolução da agricultura tecnológica mostra que o país está no limiar de uma mudança de paradigma no campo.

Um exemplo disso é a Holanda, país 245 vezes menor em termos de território que os EUA e que consegue obter produtividades de alto nível. Então temos tudo para fazer essa revolução.

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Bert Rikken, conselheiro agrícola da Embaixada dos Países Baixos

Bert Rikken, conselheiro agrícola da Embaixada do Reino dos Países Baixos e que foi um dos painelistas do fórum, apresentou um esboço de como o país revolucionou a sua produção agropecuária após a década de 1970.

"O sucesso está em implementar o pacote completo. A Holanda é bem-sucedida porque somos inovadores, desenvolvemos tecnologias apropriadas e criamos infraestrutura. Mas não é só isso, tem que ver o que fazemos com isso, como uma boa prestação de serviços, sem burocracia, com competitividade e um ambiente propício para negócios".

Já o diretor de Operações do Sebrae/PR, Julio Cezar Agostini, mostrou um estudo de um projeto de ecossistema de inovação que está sendo implantado em Ponta Grossa e região que engloba 50 startups e 250 empresas consideradas inovadoras.

O estudo, uma parceria do Sebrae/PR e Prefeitura de Ponta Grossa, foi concluído no final e 2017 e identificou o perfil e o potencial de inovação presentes na região, desde empresas até universidades que poderiam gerar ações nesse sentido. Identificou que um dos setores com maior capacidade de alavancar o desenvolvimento territorial pela inovação foi o agronegócio.

Setores foram mapeados, estudados e diagnosticados, tanto dos talentos, do nível de governança e dos clusters industriais quanto o nível das políticas públicas, do empreendedorismo, do aporte de capital e as empresas de tecnologia do setor privado.

Posteriormente foi criado um plano de ação com metas de curto, médio e longo prazo. Além disso, foi criado um conselho de inovação em nível municipal e há um projeto concluído para um centro de inovação que irá abrigar desde os projetos de ideação, geração de empreendimentos, até educação e treinamento e administração.

Emerson Moura, CEO da Frísia Cooperativa Agroindustrial, lembra que é preciso aos agentes de inovação conhecer de perto os problemas dos agricultores no campo e perceber que a solução que ele está imaginando seja aplicável ao campo. “Se não, nada serve uma nova ideia. Ela ter que ser aplicável, simples e barata, caso contrário não será assimilada pelo produtor rural”.

Ele diz que as principais demandas dos produtores hoje são: ter acesso a informação; fazer a gestão financeira e de pessoas das propriedades; lidar com a sucessão familiar na era digital; incrementar o aumento de produtividade sem expansão de área; e ajuda para lidar com o excesso de informação sobre novas tecnologias, que acaba confundindo o produtor.

Fugindo do “vale da morte”

O pró-reitor de Relações Empresariais e Comunitárias da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Douglas Renaux, por sua vez, explicou os motivos de o Brasil não avançar na criação de ambientes competitivos. Ele mostrou uma escala de nível de maturidade tecnológica dos países, que consiste em 9 níveis, desde a etapa de pesquisa básica (níveis 1 e 2) até a etapa em que o produto está pronto para ganhar o mercado (9).

“Quem trabalha com os níveis iniciais, de invenção, são as universidades com apoio de instituições governamentais. Quem trabalha com os níveis 7, 8 e 9 é o setor privado. E no meio do caminho existe um buraco, chamado de ‘vale da morte’. Se a gente não conseguir passar por esse vale não adianta ter ideias maravilhosas porque elas não vão chegar ao mercado. E as nossas invenções não se transformam em inovações.”

Para transpor o tal “vale da morte”, segundo Renaux, é preciso ter programas específicos para isso, como os da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que apoia atividades inovadoras com recursos para que as atividades dos níveis 3, 4 e 5 (intermediários) sejam executadas.

“A Embrapii tem laboratórios, com o apoio da Fiep, em que consegue dar apoio às startups para conseguirem passar pelo ‘vale da morte’. Precisamos de muito mais exemplos como esse. As startups são o caminho para cobrir esse vale, apoiadas por um processo de pré-incubação, incubação e aceleração, desde que tenhamos um ambiente propício para isso e fomento apropriado”, afirma.

Nos primeiros níveis, o poder público geralmente é o responsável pelos recursos, diz o pró-reitor da UTFPR. No segundo, a Embrapii e outros mecanismos como o BNDES fazem o aporte financeiro. Na etapa final do processo o dinheiro vem de investidores anjo e dos bancos.

E por falar em recursos públicos, o fomento à inovação por enquanto vai ter de se contentar apenas com o apoio moral. “O Brasil quebrou. Temos que primeiro fazer a reforma da Previdência. Precisamos ter engenho e arte para fazer as coisas nesse momento. Não temos dinheiro para isso”, declarou Fernando Camargo.

Bert Rikken enxerga outros problemas no país, com o mercado extremamente fechado para se fazer negócios por aqui. “Muitas empresas internacionais que têm sede na Holanda e que estão também no Brasil estão funcionando aqui em um nível muito baixo. Estão esperando o momento em que o Brasil abrirá o seu mercado. Como se quer importar máquinas e inovação com altas taxas e burocracia? É muito difícil”, queixa-se. Fonte:Gazeta do Povo

 

Mais informações: www.gazetadopovo/agronegocio

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Ministério da Agricultura suspende mais de 126 mil declarações da agricultura familiar e apura irregularidades

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O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, por meio da Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo, anunciou na quarta-feira (5) a suspensão de 126.132 Declarações de Aptidão ao Pronaf (DAP) Físicas e 280 DAPs Jurídicas por indícios de irregularidades. 

A decisão foi tomada após uma auditoria realizada em 2018 pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que teve como objetivo verificar a conformidade da emissão das DAPs, e uma análise detalhada dos resultados apresentados.

O DAP é o instrumento utilizado para identificar e qualificar as Unidades Familiares de Produção Agrária (UFPA) da agricultura familiar e suas formas associativas organizadas em pessoas jurídicas. É o passaporte de acesso às políticas públicas do Governo Federal, no qual estão inseridas informações que darão segurança jurídica para as transações de financiamentos e acesso aos demais benefícios.

O motivo apontado pelo TCU para a suspensão do DAP pode ser consultado no endereço eletrônico dap.mda.gov.br. O objetivo é possibilitar que o agente emissor entenda qual é suspeita de irregularidade e, antes de solicitar o desbloqueio do CPF/CNPJ para nova emissão, verifique se o motivo da suspensão já foi regularizado.

A Unidade Agregadora (sindicato, associação, confederação, escritório regional, entre outros) deve entrar em contato com a Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo, pelo e-mail atendimento.cocaf@agricultura.gov.br, informando se a suspeita de irregularidade foi sanada e solicitando o desbloqueio ou o cancelamento da DAP em até 30 dias, a contar desta quarta-feira (5).

Caso nenhuma ação seja tomada, as declarações com indícios de irregularidades apontados pelo TCU serão canceladas.

“Estamos focados em cumprir todas as recomendações voltadas para coibir fraudes ou irregularidades, e na otimização do atendimento ao público-alvo. A determinação da ministra Tereza Cristina é de atuarmos em todos os indícios que foram levantados e isso está sendo feito desde o início. Apuramos o que foi apontado pela auditoria, atendemos aos prazos pactuados com o TCU, estamos informando sobre as suspensões e abrindo o prazo para esclarecimentos”, destaca o secretário Fernando Schwanke.

Segundo ele, a Secretaria está trabalhando na criação de um sistema mais inteligente e seguro. “Esse novo cadastro visa dar mais segurança na emissão das Declarações de Aptidão ao Pronaf. O sistema cruzará as informações declaradas com outras bases de dados do governo, por exemplo, o Cadastro Nacional de Informações Sociais, do INSS. A ferramenta vai possibilitar que indícios de inconsistências sejam logo identificados”, afirma.Fonte: imprensa@agricultura.gov.br

 

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Novas regras para produção de leite no Brasil já estão em vigor

 

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Produtores rurais e indústrias do setor lácteo devem estar atentos às novas regras para produção e padrão de qualidade do leite cru refrigerado, do pasteurizado e do tipo A.

As Instruções Normativas 76 e 77 publicadas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estabelecem os regulamentos técnicos e procedimentos para a produção, acondicionamento, coleta e conservação do leite cru. As novas regras foram publicadas em 26 de novembro de 2018 e entraram em vigor na última quinta-feira (30).

 

A IN 76 trata das características e da qualidade do produto na indústria. Já na IN 77 são definidos os critérios para obtenção de leite de qualidade e seguro ao consumidor e que englobam desde a organização da propriedade, suas instalações e equipamentos, até a formação e capacitação dos responsáveis pelas tarefas cotidianas, o controle sistemático de mastites, da brucelose e da tuberculose.

A intenção das medidas do Ministério da Agricultura é que o leite produzido no país siga alguns parâmetros mínimos para que a cadeia do leite seja mais competitiva. Segundo o secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, Ricardo de Gouvêa, Santa Catarina já tem uma produção de leite com uma qualidade diferenciada e as novas regras trazem avanços importantes para reduzir as perdas nas propriedades rurais e laticínios, além de melhorar o rendimento das indústrias, a diversidade de produtos e a durabilidade do leite nas prateleiras. “A cadeia produtiva do leite tem grandes oportunidades, principalmente se pensarmos em ampliar os nossos mercados. Santa Catarina tem uma produção em crescimento e esse pode ser mais um item da nossa pauta de exportações, principalmente pelo nosso status sanitário que agrega valor ao leite produzido no estado. Nossa preocupação é sempre aumentar a rentabilidade do produtor rural, a qualidade e segurança dos produtos”, ressalta.

O diretor de pesquisa da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Vagner Miranda Portes, explica que Santa Catarina já é reconhecido por ter um leite de excelente qualidade, exportando boa parte da sua produção. “Nós consumimos um terço da nossa produção, o restante abastece outros estados. Muitas das exigências da nova legislação passam pela profissionalização da produção, podendo ser atendidas com melhoria na assistência técnica e outras serão mais trabalhosas. Porém, esta é uma medida importante para que a qualidade seja um diferencial do leite produzido no Brasil”, destaca.

Contagem bacteriana
As IN 76 e 77 mantêm o padrão de contagem bacteriana para o leite cru refrigerado na propriedade rural de 300 mil unidades formadoras de colônias por ml (UFC/ml) vigente desde julho de 2014. Para as indústrias, o padrão de contagem bacteriana foi estabelecido em 900 mil UFC/ml para que o leite, após o transporte, mantenha a qualidade obtida na origem.

Saúde animal
As propriedades rurais devem comprovar a ausência de brucelose e tuberculose, introduzindo animais na propriedade apenas com exames negativos para estas doenças e respeitando demais normas e procedimentos estabelecidos no Regulamento Técnico do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal e legislação sanitária estadual.

É importante lembrar que a vacinação contra brucelose com a amostra B19 é proibida em Santa Catarina devido à baixa incidência da doença no estado. A prevenção pode ser feita utilizando a vacina RB51, aplicada em fêmeas bovinas acima de 3 meses de idade. Para mais informações, o produtor deve entrar em contato com a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) do seu município.

Melhoria da qualidade
Para acompanhar a evolução da aplicação das novas normas, o Ministério da Agricultura criou a Comissão Técnica Consultiva do Leite (CTC/Leite), que irá analisar e propor medidas melhorar a qualidade do leite produzido e consumido pelos brasileiros. Vai também assegurar a clareza no cumprimento e na fiscalização das instruções normativas.

Além disso, os produtores contarão com um Guia Orientativo para Elaboração do Plano de Qualificação de Fornecedores de Leite e os laticínios devem elaborar um Plano de Qualificação de Fornecedores de Leite (PQFL).

Leite em Santa Catarina
Santa Catarina é o quarto maior produtor de leite do Brasil. Esta é a atividade agropecuária com o maior crescimento no estado. Em 2017, a produção catarinense girou em torno de 3,4 bilhões de litros, um aumento de 8% em relação ao ano anterior.

Os três estados do Sul produziram 12,8 bilhões de litros de leite em 2017 – 38% do total produzido no país. As expectativas são de que até 2020 a região produza mais da metade de todo leite brasileiro.

Entenda quais os principais itens das Instruções Normativas:

● O tanque de refrigeração de sua propriedade deve apresentar temperatura de refrigeração igual ou inferior a 4°C no tempo máximo de três horas após a colocação do leite no tanque;
● No momento da coleta, o leite fornecido de sua propriedade deverá atender às exigências quanto ao teste do Álcool/Alizarol 72 (% v/v) previsto em regulamento técnico de identidade e qualidade específico e ao critério da temperatura de conservação do leite (4°C) estabelecido no programa de autocontrole do estabelecimento. Caso contrário o agente de coleta deixará de coletar o leite;
● O leite cru fornecido pela sua propriedade rural deve apresentar médias geométricas trimestrais de Contagem de Bactéria Totais – CBT ou Contagem Padrão em Placa – CPP inferiores a 300 mil UFC/mL e de Contagem de Células Somáticas – CCS abaixo de 500 mil CS/mL;
● Os estabelecimentos processadores deverão interromper a coleta do leite na propriedade que apresentar, por três meses consecutivos, resultado de média geométrica fora do padrão para CBT ou CPP (atualmente como descrito anterior 300 mil UFC/ml);
● Caso sua propriedade rural esteja com a coleta interrompida, para que o estabelecimento retorne a coletar seu leite, deverão ser adotadas as ações corretivas e sua propriedade rural apresentar um resultado de análise de CBT dentro do padrão, a ser emitido pelos laboratórios da Rede Brasileira de Qualidade do Leite – RBQL;
● Para que sua propriedade rural inicie o fornecimento de leite a algum estabelecimento, deverão ser atendidas as boas práticas agropecuárias e o leite deverá estar de acordo com o definido no regulamento técnico específico quanto a CBT. O estabelecimento deverá verificar e registrar estas informações no plano de qualificação de fornecedores ou similar; 
● As propriedades rurais devem participar de um plano de qualificação de fornecedores de leite, o qual será integrante do programa de autocontrole do estabelecimento recebedor. Este plano de qualificação deverá contemplar: assistência técnica e gerencial e capacitação com foco em gestão da propriedade e implementação das boas práticas agropecuárias; 
● Os estabelecimentos são obrigados a realizar e manter atualizado o cadastramento de seus fornecedores de leite em sistema do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e incluir no seu programa de autocontrole; 
● A qualquer momento, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento pode colher amostras de leite cru em sua propriedade rural para realização de análises fiscais;
● O tanque de refrigeração e armazenagem do seu leite, de uso individual ou comunitário, deve: ser instalado na propriedade rural em local adequado, provido de paredes, cobertura, pavimentação, iluminação, ventilação e ponto de água corrente; apresentar condição de acesso apropriado ao veículo coletor; ser mantido sob condições de limpeza e higiene; e ter capacidade mínima de armazenar a produção de acordo com a estratégia de coleta, que propicie a chegada do leite no estabelecimento processador em no máximo 48 horas após sua obtenção.Fonte:SAR

Perguntas e respostas sobre a IN 76 e IN 77

(http://www.agricultura.gov.br/assuntos/inspecao/produtos-animal/arquivos-publicacoes-dipoa/perguntas-e-respostas-in76-e-7718-2013-qualidade-do-leite.pdf/view

 

Guia orientativo para elaboração do Plano de Qualificação de Fornecedores de Leite – PQFL(http://www.agricultura.gov.br/assuntos/boas-praticas-e-bem-estar-animal/bovinocultura)
 

 

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Ministério da Agricultura vai apresentar projeto para aumentar proteção de quem usa agroquímicos

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A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, disse na segunda-feira (27) que o governo está preparando uma medida legislativa para, em parceria com as entidades do setor, redobrar os cuidados com os agricultores que aplicam defensivos químicos no Brasil. Segundo o Mapa, os produtores precisam de informação e de equipamentos adequados de proteção.

“É inaceitável que haja contaminação, não podemos mais permitir isso. É aqui que verdadeiramente ocorre o problema – e não na mesa do consumidor”, disse a ministra, que não detalhou como seria a medida legislativa. Recentemente, a pasta liberou o registro de mais 31 defensivos químicos, totalizando 169 produtos apenas em 2019. Ambientalistas criticam o que chamam de “facilidade” na liberação destes produtos por parte do ministério.

No entanto, para serem aprovados, os produtos precisam receber também o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Neste ano, nenhum novo princípio ativo foi liberado no mercado, apenas “cópias” de produtos já existentes. A Anvisa, por outro lado, iniciou um processo para rever a lista de ingredientes ativos dos agroquímicos existentes no país tidos como obsoletos, ou seja, foram de uso efetivo – seriam mais de 30, de acordo com um levantamento prévio.

Tereza Cristina lembrou que os defensivos que vêm sendo liberados no país são genéricos que já estão no mercado e produtos que aguardavam registro há anos. “Nenhum deles se refere a esses cinco meses de governo”, afirmou. A ministra disse ainda que, assim como ocorre com os agroquímicos, os biodefensivos também precisam ser aplicados com uma série de cuidados para não haver riscos de contaminação. O Brasil bateu recorde de aprovação de biodefensivos nos últimos meses e, segundo a ministra, a demanda por eles só cresce.

A ministra criticou também o que chamou de “fake news” sobre a qualidade dos alimentos produzidos no Brasil. Segundo ela, o Mapa garante a qualidade e a segurança não só dos orgânicos, mas dos alimentos convencionais também. “Considero um desserviço ao país, uma ação lesa-pátria a campanha massiva de desinformação que alguns brasileiros de renome, inclusive com função pública, têm feito na internet contra a qualidade dos nossos alimentos. Eu quero dizer a eles que nossos concorrentes agradecem”, ressaltou.

Segundo a chefe da pasta da Agricultura, todos os produtos brasileiros são testados e aprovados e ficam muito abaixo do que é permitido para eventuais resíduos de insumos. “Nem nós, nem o Ibama, nem a Anvisa, envenenamos o prato de ninguém. Aliás, eu quero informar que não assino nenhuma dessas aprovações; elas passam por um longo processo e são verificadas por várias equipes técnicas”, informou.

 

Orgânicos na merenda

Durante a abertura da Feira Nacional de Orgânicos, em Brasília, a ministra também anunciou que o governo quer incentivar que mais orgânicos cheguem à merenda escolar. Ela disse que pediu aos secretários do Ministério que trabalhem com as demais pastas, usando as políticas públicas já existentes que priorizam como fornecedores programas sociais de governo os agricultores familiares e já permitem a compra de produtos orgânicos." Fonte:https://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/Foto: Michel Willian/Gazeta do Povo

 

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Ministério da Agricultura confirma caso de vaca louca no Brasil

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O Ministério da Agricultura confirmou, no fim da tarde de sexta-feira (31.05), um caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina, também conhecida como mal da vaca louca, no Estado de Mato Grosso. A pasta informou que a ocorrência é isolada e não traz risco para a população.

Segundo a Secretaria de Defesa Agropecuária do ministério, o caso foi registrado numa vaca de corte de 17 anos. O animal foi abatido e teve o material de risco de contaminação retirado e incinerado no próprio matadouro. Os produtos derivados da vaca foram identificados e apreendidos preventivamente.

Com as medidas preventivas tomadas, a pasta descarta o risco de a doença passar para a população porque não houve ingresso de nenhum resíduo do animal na cadeia alimentar de humanos e de ruminantes. O Ministério da Agricultura reiterou que a doença, na variedade atípica, ocorre de maneira aleatória, espontânea e esporádica, sem estar relacionada à ingestão pelo animal de alimentos contaminados.

Após a confirmação do caso, o Brasil notificou oficialmente a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e os países importadores. No entanto, todas as ações sanitárias para eliminar o risco foram tomadas preventivamente pelo Ministério da Agricultura e pelo Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso, antes mesmo da emissão do laudo final da morte do animal. A propriedade de origem tinha sido interditada imediatamente após a detecção da suspeita.

O Ministério da Agricultura ressaltou que o caso isolado não mudará a classificação de risco do Brasil para a doença. O país continuará a ser considerado de risco insignificante. Em mais de 20 anos desde que o mal da vaca louca foi descoberto, o Brasil registrou somente três casos de EEB atípica, contraída de forma isolada, e nenhum caso de EEB clássica, quando a doença é contraída pela ingestão de carne do animal contaminado.

Sobre a doença

Doença cerebral em bovinos adultos que pode ser transmitida aos seres humanos pela ingestão de carne contaminada, o mal da vaca louca é causada por proteínas alteradas e não tem cura nem tratamento. O cérebro das vítimas perde massa e torna-se uma esponja, com o paciente sofrendo acelerada deterioração mental e entrando em coma em poucos meses. Não existe transmissão de uma pessoa para outra.

No fim dos anos 1990, alguns países da Europa enfrentaram um surto de casos de vaca louca por causa do consumo, por outros animais, de ração processada de bovinos afetados pela doença. Fonte: Agência Brasil/ http://agenciabrasil.ebc.com.br

 

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Semana dos Orgânicos terá programação em seis municípios catarinenses

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Santa Catarina é o quarto maior produtor de orgânicos do Brasil e o cultivo de alimentos sem agrotóxicos cresce em ritmo acelerado no estado. Com o tema “Qualidade e saúde: do plantio ao prato”, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento lança a Semana dos Orgânicos, que terá uma programação especial em vários municípios catarinenses entre os dias 26 de maio e 01 de junho.

Com início no domingo (26), a Semana dos Orgânicos pretende informar os consumidores sobre como reconhecer o produto orgânico e estimular a participação no controle de qualidade dos alimentos, melhorando a relação de confiança com os produtores. Este ano a campanha terá como tema “Qualidade e saúde: do plantio ao prato” e estão previstas ações em Chapecó, Florianópolis, Criciúma, Gaspar, Tubarão e Blumenau.

“Cada vez mais, os consumidores estão voltando os olhos para os produtos orgânicos e esta se tornou uma importante atividade para os agricultores catarinenses. É uma alternativa de produção que pode agregar valor e trazer mais renda para os produtores rurais. Essa aproximação com os consumidores é fundamental para estabelecer uma relação de confiança e também para valorizar a produção de alimentos orgânicos por seu benefício à saúde e meio ambiente”, ressalta o secretário da Agricultura e da Pesca, Ricardo de Gouvêa.

Em Santa Catarina, os produtores contam com uma Política Estadual de Incentivo às Feiras de Produtos Orgânicos para fomentar o consumo de alimentos orgânicos e estimular o empreendedorismo e cooperativismo.

A nova lei prevê a organização da cadeia produtiva, simplificação de licenças concedidas aos feirantes e para realização de feiras, programas e projetos voltados para organização de feiras e a possibilidade de convênios entre o Poder Público e a iniciativa privada para o apoio da comercialização de produtos orgânicos.  

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Semana dos Orgânicos
Ao longo da Semana, serão repassadas informações sobre os cuidados, direitos e obrigações que os produtores, consumidores, processadores e comerciantes devem ter para garantir que, ao comprar ou consumir produtos orgânicos em feiras, lojas, hotéis e restaurantes as pessoas estejam, de fato, levando e consumindo produtos verdadeiramente orgânicos.

O Ministério da Agricultura pretende ainda estimular gestores municipais e estaduais a ampliarem a compra de alimentos da agricultura familiar e orgânicos para a merenda escolar, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Produção de alimentos orgânicos em Santa Catarina
Com 1.275 unidades de produção cadastradas, Santa Catarina está entre os cinco maiores produtores de orgânicos do país. Segundo o Cadastro Nacional de Produtos Orgânicos do Ministério da Agricultura, o número de agricultores catarinenses que se dedicam ao cultivo de alimentos orgânicos aumentou 12,9% entre 2017 e 2018. O município de Santa Rosa de Lima, na região Sul, é o principal produtor do estado.

O que é agricultura orgânica?
A Agricultura Orgânica é um processo de produção agropecuária em que técnicas específicas são adotadas visando preservar a saúde humana e do meio ambiente.

A produção orgânica não utiliza agrotóxicos e fertilizantes solúveis ou sintéticos, organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização.

Acesse a programação completa da Semana dos Orgânicos em Santa Catarina.

http://www.agricultura.sc.gov.br/images/Fotos_Noticias/PROGRAMAO-FINAL-SEMANA-DE-ALIMENTO-ORGANICO-EM–SANTA-CATARINA.pdf

 

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Hortas ganham espaço nas cidades e se tornam alternativa de acesso à comida saudável

 

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Varandas, pátio de casas e quadras de moradores se transformam em áreas verdes e produtivas e unem moradores

Plantar e colher em varandas ou janelas de casa, no quintal ou no meio da cidade tem sido uma experiência transformadora em muitas comunidades. A agricultura no meio urbano é uma iniciativa incentivada para aproveitar áreas públicas, produzir alimentos orgânicos e aproximar as pessoas da terra. 

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Voluntários cuidam da agrofloresta na quadra 206 da Asa Norte, em Brasília

As hortas urbanas despertam cada vez mais curiosidade e interesse. Entre os atrativos de cultivar o próprio alimento está o de saber a procedência e garantir a qualidade do produto que vai para sua mesa. “As pessoas estão preocupadas em conferir de perto aquilo que consomem, querem também participar da produção, do manejo. É uma tendência em crescimento, inclusive em pequenos espaços, incluindo apartamentos”, comenta a bióloga Lenita Haber, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Hortaliças.

E para quem não tem espaço no ambiente doméstico, as áreas públicas não ocupadas aparecem como solução para cultivar alimentos saudáveis, sem agroquímicos e mais baratos.

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Trabalho comunitário

Em meio aos prédios do comércio e das casas, esconde-se um terreno com área verde, cheiro de ervas e o frescor das plantas. Ali, brotam pés de quiabo, couve, alface, cebolinha, tomate, cenoura, banana, mamão, um pouquinho de tudo. Os resultados são de um projeto comunitário do Guará II, uma das regiões administrativas do Distrito Federal, que há dois anos mantém uma pequena horta no meio da quadra residencial mais carente do bairro.

O projeto avançou com apoio da Administração Regional do Guará, que fornece adubo, entre outros tipos de ajuda. A Empresa de Assistência Técnica e Rural (Emater-DF) também contribui com sementes, ferramentas, além de serviços como capina e poda. A entidade também está desenvolvendo um projeto para aperfeiçoar o sistema de irrigação, garantida hoje por um poço. A proposta inicial era resgatar o uso de um terreno público abandonado, tomado por mato alto e improdutivo, e envolver a comunidade na produção de alimentos para as famílias mais necessitadas.

“A comunidade aqui é mais carente. Então, pensamos que a horta seria bem viável para garantir alimentos saudáveis ao pessoal da comunidade. A cesta que sai daqui, se fosse comprada no supermercado, custaria 40 reais, dependendo, até 100 reais, porque é tudo sem agrotóxico”, comenta Simone Vaz, profissional de recursos humanos e uma das coordenadoras voluntárias do projeto.

A colheita é feita a cada 15 dias em encontros realizados nas manhãs de sábado. Depois da oferta de um lanche comunitário, são colhidos verduras, legumes e frutas e distribuídos a quem precisa. Em média, cada encontro resulta na entrega de 25 a 30 cestas com diferentes produtos.

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Nicodemos visita a horta do Guará II diariamente em seus momentos de folga do trabalho

“Certa vez, uma senhora pediu: Deixa eu levar mais uma cesta, porque meu filho está preso. Minha filha, que ajuda na família está desempregada, literalmente, a gente precisa mais para não faltar nada em casa”, conta Dai Ribeiro, engenheira ambiental e coordenadora voluntária, para demonstrar a importância que a produção tem para o local.

Mão na massa

O projeto envolve cerca de 140 pessoas. Cada um contribui como pode, seja doando tempo, dinheiro ou material. “É um trabalho de formiguinha, cada um traz seu trabalho, seu conhecimento, alguns são formados, outros tem só a vivência. Nós temos várias pessoas idosas aqui têm os conhecimentos tradicionais”, completa Simone.

Um dos voluntários mais ativos é Nicodemos Manuel de Jesus, de 74 anos. “Isso aqui está passando da hora de colher”, diz ele ao passar pelos pés de alface maduros. Morador do Guará, Nicodemos visita a horta todos os dias depois do expediente como motorista. “Virou rotina. Quando não tem evento aqui e não chove, venho e irrigo. Eu não aguento ficar parado, fui criado trabalhando”.

Nicodemos sempre teve contato com chácaras, onde aprendeu a lidar com a terra e com as plantas. É ele quem dá algumas orientações para a manutenção da horta e aplica um produto biológico para controlar a incidência de pragas e doenças nas hortaliças.

“É tudo orgânico. A gente pega folha de fumo, pega aquela pimenta de macaco e coloca pra cozinhar com a calda de pimenta caseira, que arde muito. A gente cozinha, esfria, passa pelo funil para não entupir e bate nas pragas. Essa calda que eu faço mata até formiga, essa formiga “quenquém”, que ferroa e dá bolha. ”, explica Nicodemos.
Nicodemos também é expert em ervas medicinais. Ele destaca que na horta há 60 espécies de plantas com potencial curativo. Como a maioria das ervas são aromáticas, também servem de barreira natural para o avanço de insetos.

O envolvimento de Nicodemos com a horta levou seu netinho de dois anos e seis meses a criar gosto também pela horta. Ainda tão pequeno, Samuel anda com cuidado pelos canteiros e maneja com destreza a terra. “Ele vem aqui e não pode ver um tomate maduro que come”, brinca o avô.

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Samuel de dois anos já descobriu o gosto de mexer na terra e aproveitar os frutos que ela dá

Educação e terapia

Na horta há uma trilha para facilitar o acesso de cadeirantes e promover atividades que atraem pessoas interessadas em fazer novos amigos e reduzir o estresse do dia a dia.

O sucesso da horta é tamanho que rendeu, no ano passado, um prêmio concedido pela Secretaria de Meio Ambiente do Distrito Federal a iniciativas urbanas sustentáveis. Os recursos da premiação permitiram a construção de um centro de educação ambiental.

As crianças são um dos principais alvos do projeto. Alguns dos voluntários se dedicam à mobilização de alunos de escolas públicas para visitar o local. “Há crianças que acham que tudo vem do mercado, porque veem a alface só naquele saquinho”, comenta Simone. Além de aprender como os alimentos são plantados, quanto tempo levam para crescer e serem colhidos, as crianças são estimuladas a se sensibilizar pela proteção da natureza.

“Uma criança certa vez colheu cenoura, tirou do chão e gritou ‘pai, uma cenoura’, com muita surpresa. Ela não tinha descoberto antes que a cenoura vem da terra. A gente pergunta ‘de onde vem a água?’ E eles respondem ‘da torneira’. A criança não tem mais noção da captação no rio, que passa por um tratamento e que, só então, é disponibilizada na torneira”, observa Dai Ribeiro.

Floresta urbana

Promover a reconexão com a terra e produzir alimentos saudáveis também é um dos principais objetivos do projeto Reação, que mantém uma agrofloresta em uma quadra residencial da região central de Brasília, na Quadra 206, da Asa Norte, em Brasília.

Em uma área de aproximadamente 1 hectare, foram plantadas cerca de 35 espécies de árvores nativas, hortaliças, tubérculos e frutas como mamão, banana, acerola e abacate. No espaço, também é possível encontrar as chamadas Pancs, consideradas plantas alimentícias não tradicionais. Com aproximadamente 50 pessoas envolvidas, desde crianças até idosos, o grupo promove mutirões mensais para plantar, capinar e fazer a colheita.

“A gente quer trazer um pouco dessa realidade rural pra cá e se apropriar dos espaços públicos. E ter o contato das pessoas, esse reencontro com o alimento. Tem jovens que nunca viram um cacho de banana, só vêem a banana cortadinha, colocada no mercado”, comenta Renato Gontijo, estudante de sociologia e voluntário do projeto.
Inicialmente, a ideia era formar uma horta comunitária, mas a dificuldade de manter um manejo diário e a falta de uma fonte de água para irrigação levaram o grupo à decisão de formar uma pequena agrofloresta.

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Em um hectare, foram plantadas cerca de 35 espécies de árvores nativas, hortaliças, tubérculos e frutas 

“Se fôssemos plantar alface, tomate, essas coisas mais sensíveis, teria que ter uma pessoa todo dia aqui, adubando, colhendo, regando. Aqui, são árvores de ciclo longo e de vida longa que depois que se estabelecem não precisam de tanto cuidado assim”, explica Pedro Brandão, cientista político e voluntário do projeto.

Assim como na experiência do Guará, o projeto Reação formou ao redor da agrofloresta um cinturão de plantas grandes, como os margaridões, para reduzir o avanço de insetos nocivos. Os jovens explicam que o controle de pragas é biológico e garantido pelas próprias espécies que interagem no ambiente.

O cuidado com a área atrai a atenção de pesquisadores, da mídia e de órgãos públicos. O projeto já foi premiado e agora se organiza para conseguir a certificação da política distrital de apoio à agricultura urbana, aprovada no ano passado em Brasília, com o objetivo de regulamentar a prática de cultivo na cidade.

“Essa é uma das coisas que queremos mais avançar agora. Temos que reunir cerca de oito documentos, um deles são das estruturas planejadas. Com a certificação, a gente conseguiria provavelmente acesso à luz, um ponto de água, tudo com certificado das companhias distribuidoras de energia e água do DF”, diz Pedro.
Chamada pública

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) está preparando chamada pública para incentivar o desenvolvimento de hortas urbanas comunitárias em municípios do semiárido nordestino. Os editais estão sendo elaborados e devem ser publicados até junho. Poderão participar novos projetos e aqueles que já estão em andamento.

“Estamos trabalhando com as hortas urbanas e periurbanas como uma ferramenta de inclusão positiva”, disse Avay Miranda, diretor do Departamento de Estruturação Produtiva da Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Mapa.

Segundo o diretor, o objetivo é estimular o aproveitamento dos espaços vazios da cidade para o cultivo de alimentos saudáveis e melhorar a segurança alimentar de comunidades carentes. Além de garantir também melhor destinação a materiais que iriam para o lixão e que podem ser aproveitados para organizar o plantio, Avay destaca que as hortas podem servir a fins didáticos, pedagógicos e terapêuticos. “Essas hortas urbanas têm essas virtudes. E é uma oportunidade muito grande para as pessoas aprenderem tanto sobre a produção, quanto sobre o trabalho comunitário e coletivo”, comenta.

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Alface produzida na horta do Guará II, no Distrito Federal, que envolve 140 pessoas da comunidade

Incentivo

O diretor lembra que, atualmente, os agricultores urbanos podem ser elegíveis para emissão da Declaração de Aptidão (DAP) ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). “Muitos deles podem acessar o crédito do Pronaf. Mas o banco não tem o costume de financiar, então, precisa uma norma legal colocando esse pessoal como agricultor para facilitar o empréstimo”, explicou Avay.

Mesmo sem acesso ao crédito, com a DAP, os projetos de hortas comunitárias podem comercializar o excedente da produção para escolas públicas ou entidades da rede de assistência social no âmbito dos programas nacionais de Alimentação Escolar (PNAE) e de Aquisição de Alimentos (PAA).

Política nacional

O diretor ressalta que, apesar dos benefícios, a prática de produzir alimentos orgânicos no meio urbano ainda não é reconhecida oficialmente como modalidade de agricultura. O departamento quer estimular o avanço das discussões do projeto de lei que tramita na Câmara (PL 906/2015) e que institui a Política Nacional de Agricultura Urbana.
Poucos municípios ou estados têm iniciativas de apoio à regulamentação do cultivo doméstico ou comunitário. A aprovação da política pode direcionar os programas locais e resolver gargalos como o fornecimento de água para manter as hortas.

“O importante é que, além de produzir alimentos excedentes, ainda geram renda para a população. Isso é muito interessante. É preciso que as prefeituras apoiem essas iniciativas e estabeleçam as regras de ocupação dos espaços públicos para que as hortas sigam em frente”, conclui Avay.

O departamento está preparado para conhecer projeto de hortas urbanas comunitárias que já estão implantadas no país. Quem estiver envolvido em alguma iniciativa pode enviar mensagem com informações sobre o projeto para o email: dapsaf@agricultura.gov.br  /  (Fotos: Antonio Araujo/Mapa)

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Alimentos saudáveis são preparados com produtos da biodiversidade

 

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Produtoras lideram o comércio de produtos da agricultura familiar. Receituário Saúde Saberes e Sabores valoriza produção regional

“A terra é uma mãe, aquela que ampara seu filho”. É assim que a agricultora familiar Maria Luzinete, de 63 anos, descreve sua relação com a natureza. Moradora do povoado Lagoa da Volta, no município de Porto da Folha, em Sergipe, Netinha, como é conhecida na comunidade, vive do preparo de alimentos feitos com produtos do sertão.

Mãe de três filhos, Netinha sempre se preocupou em preparar alimentos saudáveis com produtos plantados, ali mesmo, na sua terra. Filha de agricultores familiares, desde a infância ela está envolvida com o plantio e o uso de plantas nativas para comer e tratar doenças.

“Toda vida eu gostei de lidar com a terra. Eu continuo na terra, porque é dela que vem o alimento e a diversidade, é da terra que a gente se alimenta”.

Um dos produtos regionais mais utilizados por Netinha e na comunidade é a moringa, que tem alto valor nutricional e medicinal. O chá da folha da moringa, por exemplo, é recomendado para tratamentos de diabetes e colesterol.

“A moringa é muito importante pra vida nossa. Da moringa você aproveita tudo, você pode fazer até macarrão, pode colocar no feijão, a madeira usa pra pesca, as folhas pra alimentação, tanto humana quanto pra animais. Ela é rica, tem vitaminas A, D e potássio”.

A moringa serviu de base da massa do bolo feito por Netinha e selecionado para integrar o Receituário “Saúde, Saberes e Sabores”, compilação de 23 receitas produzidas por mulheres de 20 países da América Latina e Caribe. O receituário foi publicado no ano passado pela FAO, no âmbito da campanha Mulheres Rurais, Mulheres com Direitos.

O objetivo da publicação é mostrar como as mulheres do mundo rural incorporam em suas práticas habituais a proteção da biodiversidade e a segurança alimentar e nutricional, para suprir necessidades em um contexto regional marcado por índices elevados de desigualdade, pobreza, fome, desnutrição e obesidade infantil.

O receituário também foi organizado como forma de homenagear as mulheres rurais, valorizar a alimentação saudável e promover o consumo de produtos da agricultura familiar.

Netinha aprendeu a receita do bolo de Moringa com a Associação de Mulheres Regatando sua História. O grupo nasceu em 2003 partir de uma reunião de mulheres que atuavam na evangelização, mas foi ampliado para trabalhar no empoderamento de mulheres rurais e na promoção dos produtos da agricultura familiar feitos pelas trabalhadoras.

O envolvimento com a associação revelou outra habilidade de Netinha: o de mobilização e liderança. Netinha fala com orgulho que a inclusão da receita na publicação da campanha, entre outras conquistas, trouxe mais respeito às mulheres da comunidade.

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Netinha: “Toda vida eu gostei de lidar com a terra". (Foto: Arquivo Pessoal)

“No começo, o pessoal não acreditava nas mulheres. Muitos homens achavam que as mulheres não tinham pensamento. Era humilhação, discriminação. Hoje, não. Hoje, eles me veem como uma mulher empoderada”.

Ela destaca que o maior desafio para as agricultoras familiares sergipanas é enfrentar a seca. Na estiagem do ano passado, perderam toda a produção. “Passou um tempão sem chover. Colocamos as sementes na terra, mas não teve lavoura, de jeito nenhum”.

Sua memória prova que o tempo de estiagem tem sido cada vez maior na região. Hoje, para plantar e colher ao longo do ano, as agricultoras dependem da água armazenada em barreiras e cisternas construídas com recursos doados de projetos internacionais e da região.

“Antigamente, dava muita água, meu pai plantava até arroz e nunca mais que eu vi isso aqui. A gente tenta fazer de tudo pra buscar alternativas, pra ter reservatório de água, barreira, cisternas, ter um cuidado, reflorestar nas áreas desmatadas”.

Aos 63 anos, Netinha está motivada e busca novas oportunidades para ampliar os negócios. O grupo pretende tomar parte em projetos, firmando parcerias, para melhorar o viveiro de mudas, o minhocário e conseguir um “ecofogão” para as famílias mais carentes, além de estimular jovens da comunidade.

“Graças à associação é que muita gente aqui tem um conhecimento melhor. Tem uns que se destacaram muito bem através da associação. A nossa preocupação é buscar o jovem pra terra, pra agricultura familiar. Temos que dizer pra eles que a terra é um bom lugar pra se viver e pra trabalhar”.

Buffet da agricultura familiar

Nos arredores da capital do Brasil, outra agricultora familiar também se destaca na comunidade por desenvolver receitas com frutos típicos do cerrado. A produtora Juliana Cristina de Souza, moradora da Bacia do Pipiripau, região de Planaltina, em Brasília, se tornou referência no trabalho de extrativismo e na produção de alimentos típicos.

Juliana começou seu trabalho como instrutora no Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), onde ensinava a outras mulheres o extrativismo de produtos do cerrado. Depois de adquirir sua propriedade rural, se tornou empreendedora e se destaca na região com a realização de buffet e coffee break com produtos da agricultura familiar.

Uma das receitas trabalhadas por Juliana é o bolo de banana com Jatobá, que também foi incluída no receituário da ONU. “Essa receita comecei a desenvolver pra aumentar a nossa renda. Ela começou a entrar no nosso coffee break, as pessoas gostaram muito, aí foi quando a FAO chamou a gente pra colocar no livro. Nós passamos por uma seleção de várias pessoas, várias empresas”, conta Juliana.

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A empreendedora Juliana de Souza trabalha com extrativismo de produtos do cerrado (Foto: Arquivo pessoal)

A produtora se orgulha e comemora o retorno do concurso que foi muito positivo. O bolo se tornou um dos produtos mais populares nas feiras em que participa. “Ganhamos mais credibilidade com os nossos clientes, algumas pessoas viram nosso trabalho, acharam interessante e quiseram conhecer depois de ver as nossas receitas no livro. Foi bem bacana, tem trazido resultado até hoje, a nossa participação. Não foi só momentânea”.

A receita homenageada é feita com seis bananas, três colheres de farinha de jatobá, dois copos de farinha de trigo, fermento em pó, meio copo de azeite, meio copo de água, um copo de açúcar mascavo, uma pitada de sal, canela e nós moscada.

No meio rural, a farinha de jatobá é base para receitas de pães, biscoitos, pastéis, doces e sorvetes. A farinha é extraída da polpa do fruto já maduro e pode ser consumida de forma pura, batida com leite ou vitaminas de frutas.

Rico em nutrientes como o ferro e fibras, o jatobá também serve para fins medicinais, principalmente para pessoas com anemia e diabéticos. A casca do fruto é aproveitada para chás e a seiva da árvore tem propriedades curativas para diversas enfermidades, incluindo problemas pulmonares.

Juliana também trabalha com cajuzinhos do cerrado, molhos agridoce feitos de cagaita, doces de araticum, de pequi, além de tortas, bolos e pães com castanhas de baru, entre outros frutos nativos da região. A produção é toda artesanal, feita por ela, o filho, o esposo e mais duas mulheres da comunidade.

Com o rendimento, a família já conseguiu construir uma cozinha industrial na propriedade, mas ainda enfrenta dificuldades para adaptar a produção aos critérios de registro dos produtos. “O desafio maior que a gente enfrenta é a burocracia. Eu preciso registrar produto por produto. E pra você construir uma agroindústria com frutos do cerrado, por exemplo, não posso produzir panificação e molhos agridoces. Tenho que escolher um dos produtos”.

A credibilidade do trabalho está sendo conquistada boca a boca, pela internet e pela divulgação em eventos e feiras, onde os produtos são disponibilizados para degustação. Mesmo com os desafios, Juliana conta que tem se voltado cada vez mais para a terra e seus benefícios.

“Apesar do trabalho árduo, o fato de não precisar mais trabalhar fora tem nos trazido qualidade de vida. Antes desse trabalho na área rural, eu tinha que trabalhar fora pra trazer renda pra casa. E meu esposo era motorista particular e hoje só trabalha na área da nossa propriedade”.

Juliana quer buscar investimentos para avançar no projeto do buffet da agricultura familiar e sonha em trocar experiências com outras propriedades nacionais e até internacionais que trabalham com extrativismo.

Agentes de mudança

O receituário da FAO destaca que a produção de alimentos com produtos da biodiversidade local, priorizando processos agroecológicos e ingredientes saudáveis, tem as mulheres como principais agentes e que a experiência testemunha o conhecimento tradicional de conservação e uso sustentável dos recursos naturais passado por gerações.

As técnicas usadas por elas durante a semeadura, cultivo, colheita e proteção das sementes tem permitido assegurar a qualidade e o equilíbrio dos padrões alimentares de suas famílias e das comunidades onde vivem.

O trabalho contribui ainda para um cultivo limpo, integral e resiliente para o desenvolvimento sustentável e a chamada agricultura inteligente para o clima. As mulheres rurais plantam vegetais nativos em seus quintais e observam com muita dedicação como as plantas se relacionam com o solo, os insetos, as doenças e as mudanças climáticas.

Ecochefs

E no meio urbano as chefs de cozinha também se destacam no trabalho de preservação da biodiversidade. Para a chef de cozinha Teresa Corção, presidente do Instituto Maniva, que reúne ecochefs interessados em transformar a realidade socioambiental e promover os pequenos produtores, as mulheres rurais são imprescindíveis no estímulo ao plantio, produção e processamento de alimentos da biodiversidade.

“A natureza provê o alimento, a biodiversidade. As comunidades descobriram como processar esse alimento. Só que para virar comida, precisa passar por um outro saber, que é o saber cozinhar. É essa comida que faz com que aquele produto permaneça importante naquele sistema. Então, a receita é fundamental para manutenção da biodiversidade”, explica a chef.

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Bolo de moringa, produzido no interior do Sergipe,  está no Receituário Saúde, Saberes e Sabores (Foto:Arquivo pessoal)

Teresa conta que a relação com agricultoras familiares aumentou seu interesse nas receitas regionais, que têm fórmulas centenárias, passadas de geração em geração. E as chefs do meio rural também têm se interessado pelas novidades da cozinha urbana, como as receitas veganas e vegetarianas.

“Existe uma troca muito interessante entre as chefs urbanas e rurais. Poderia se criar uma rede mesmo, juntando essas mulheres com essas duas características. Pra mim, foi muito enriquecedor conhecê-las, porque eu vi que elas tinham muito conhecimento".

Teresa, no entanto, lamenta as muitas dificuldades enfrentadas pelas mulheres rurais. Apesar de terem histórias e talentos diversos,  vivenciam os mesmos desafios, como a sobrecarga de trabalho,  machismo, preconceito,  solidão e  invisibilidade.

“Essas mulheres são incríveis, mas tem muita coisa a ser feita para que a população tenha consciência da sua importância. Ainda é uma população invisível”, comenta Teresa. Fonte imprensa@agricultura.gov.br

 

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