Arquivos da categoria: Agrotóxicos

Como uso de agrotóxicos sem orientação e proteção põe agricultores brasileiros em risco

pesquisaagrotoxico1

Pesquisa em zona rural no Estado do Rio de Janeiro revelou que 90% dos participantes disseram ter sentido ao menos um sintoma aguda de exposição a pesticidas; apenas 23% disseram ter recebido treinamento ou apoio para manejo desses produtos.

Pesquisas recentes sobre a saúde dos agricultores familiares brasileiros têm chamado a atenção para a prevalência de problemas respiratórios, hormonais, reprodutivos e de alguns tipos de câncer possivelmente associados à exposição aos agrotóxicos.

Apesar de o Brasil ser um dos maiores consumidores mundiais de agrotóxicos, os esforços para medir o impacto desses produtos na saúde dos trabalhadores rurais ainda são incipientes. Em comum, esses novos estudos evidenciam que a falta de orientação e assistência técnica a pequenos agricultores resulta na falta de cuidados adequados para evitar intoxicações.

A discussão sobre a segurança dos agrotóxicos está em alta desde que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, no final de agosto, a aprovação de um novo marco regulatório para agrotóxicos.

Para o pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da USP Rafael Junqueira Buralli, autor de um estudo sobre a condição respiratória de agricultores familiares expostos a agrotóxicos em uma pequena cidade do Rio de Janeiro, o despreparo é evidente: apenas 22,9% dos trabalhadores rurais avaliados no estudo afirmaram ter recebido treinamento ou apoio técnico para o manejo desses produtos.

Entre os parentes dos trabalhadores, que com frequência auxiliam nas atividades de cultivo e também se expõem aos agrotóxicos, nenhum passou por treinamento.

Impacto na saúde respiratória

A pesquisa de Buralli, publicada em 2018 pelo International Journal of Environmental Research and Public Health, avaliou 82 indivíduos da zona rural de São José de Ubá-RJ por meio de questionários, análise de amostras de sangue e espirometria, um exame que mede a capacidade pulmonar.

Os exames revelaram diminuições dos padrões respiratórios nos trabalhadores rurais em comparação a indivíduos não expostos a agrotóxicos. E quanto maior a exposição, medida pela presença de biomarcadores no sangue, pior foi a condição respiratória observada no participante.

Sintomas como tosse, alergia nasal e dificuldade para respirar foram mais prevalentes durante o período da safra do que na entressafra, o que sugere um efeito agudo durante o período de maior exposição, diz o pesquisador.

Segundo Buralli, 90% dos participantes também afirmaram sentir com frequência ao menos um sintoma agudo de exposição aos pesticidas, entre os quais os mais comuns foram irritações nas mucosas, dor de cabeça, taquicardia e palpitação, tontura, dor de estômago e câimbras. Além disso, 70% dos entrevistados relataram apresentar ao menos um sintoma crônico, como alterações no sono, irritabilidade e dificuldade de concentração e raciocínio.

Em busca de alterações genéticas

Para ilustrar o grau de desconhecimento da população rural de Casimiro de Abreu, no Rio de Janeiro, o enfermeiro Gilberto Santos de Aguiar, do Programa do Saúde do Trabalhador da Coordenação de Vigilância em Saúde da cidade, conta que ele já viu moradores armazenando água para beber em frascos de agrotóxico.

pesquisaagrotoxico2

Enfermeiro diz que maior parte dos agricultores que entrevistou usam agrotóxicos sem prescrição agronômica

Aguiar faz parte de um projeto que busca investigar a associação dos agrotóxicos com doenças comuns entre os agricultores. A iniciativa surgiu a partir de um caso de câncer de pulmão em um trabalhador rural da cidade em que o médico identificou a exposição aos agrotóxicos como causa do tumor. "Evidenciamos que muitas vezes o adoecimento de um trabalhador rural não é um adoecimento natural, mas por exposição ao agrotóxico", diz.

O grupo aplicou um questionário sobre uso de agrotóxicos e presença de sintomas em 41 propriedades rurais da região. O resultado foi encaminhado ao serviço de câncer ocupacional do Instituto Nacional de Câncer (Inca), que se interessou pelo projeto e hoje conduz um projeto de investigação de alterações genéticas por exposição a agrotóxicos na região.

Para Aguiar, a desinformação é o principal fator de risco para os pequenos agricultores da região. "A maioria dos agricultores utiliza agrotóxicos sem prescrição agronômica. A compra é orientada pelo funcionário do balcão da loja que vende agrotóxico, ou às vezes é feita na porta da propriedade por um carro que leva o kit de veneno", afirma. Ele diz que não há nenhuma assistência técnica para orientar sobre o modo de uso e nenhuma fiscalização.

Um levantamento do perfil epidemiológico dos trabalhadores rurais de Casimiro de Abreu, publicado pela Revista Brasileira de Enfermagem no início do ano, constatou que 51,8% da população entrevistada afirma nunca usar equipamentos de proteção individual recomendados durante o manejo de agrotóxicos, como botas, luvas e máscaras respiratórias.

Problemas endócrinos e reprodutivos

Em sua pesquisa, que avaliou o impacto dos agrotóxicos na função da tireoide em trabalhadores rurais da soja da cidade de Sertão, no Rio Grande do Sul, a farmacêutica Tanandra Bernieri também constatou o esse tipo de descuido: nenhum dos 46 agricultores entrevistados afirmou utilizar equipamentos de proteção individual corretamente. Do total, 34,8% afirmou usar luvas apenas na hora de fazer a mistura dos agrotóxicos. "Muitos não sabiam que o agrotóxico pode ser absorvido pela boca quando comem algo com as mãos sujas do produto", conta Bernieri. "A fonte de informação deles são os vendedores ou pessoas da família e amigos."

A biomédica Camila Piccoli, mestre pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, também pesquisou os efeitos dos agrotóxicos na tireoide de agricultores do Rio Grande do Sul, da cidade de Farroupilha. Ela e sua equipe constataram que a exposição aos agrotóxicos pode estar relacionada a um quadro de aumento do hormônio TSH e diminuição do hormônio T4, principalmente nos homens avaliados, resultando em sintomas análogos ao hipotireoidismo.

Ela também participou de um estudo, coordenado por seu colega Cleber Cremonese, que selecionou jovens de 18 a 23 anos da mesma região e, por meio do exame de espermograma, constatou a diminuição da mobilidade e morfologia do esperma dos jovens rurais em comparação aos jovens urbanos, além de alterações nos hormônios reprodutivos.

"Não se pode afirmar que as alterações estejam relacionadas somente ao uso de agrotóxicos", afirma Piccoli. Mas os dados sugerem que os agrotóxicos podem estar relacionados ao fenômeno, principalmente por se tratar de uma população jovem, sem outros fatores de risco.

Novo marco regulatório

O novo marco regulatório anunciado pela Anvisa traz mudanças na classificação toxicológica dos agrotóxicos e inclui mudanças na rotulagem dos produtos. Segundo a agência, as alterações podem facilitar a identificação de perigos à vida e à saúde humana.

Ao mesmo tempo, alguns produtos podem ser reclassificados para um grau de toxicidade menor, já que o novo critério leva em conta apenas estudos de mortalidade, desconsiderando outros sintomas comuns que não levam à morte. Para alguns dos pesquisadores que atuam na área, ainda não está claro se a nova classificação impactará a segurança dos agricultores.

pesquisaagrotoxico3

Levantamento feito por professora da UFBA constatou que houve 1.309 mortes por intoxicação ocupacional provocada por agrotóxicos em trabalhadores rurais entre 2000 e 2009/Imagem: David Bebber

Buralli observa que, como o nível de escolaridade dos agricultores é baixo, com muitos casos de analfabetismo, eles dificilmente leem o rótulo e as instruções da embalagem dos agrotóxicos. "Hoje a instrução parte mais dos técnicos nas lojas agropecuárias. Por isso, o ensino continuado providenciado pelas agências é muito mais importante do que o que está na bula", afirma.

Para Vilma Santana, professora titular do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a mudança é preocupante, já que usa como critério somente a morte por intoxicação aguda, quando os casos mais comuns são os de intoxicação crônica.

"Se já temos uma situação de desproteção por conta do baixo nível de importância que se dá ao comportamento preventivo, do baixo nível de escolaridade do agricultor, e do uso indiscriminado de agrotóxico, se o nível de controle é reduzido, eu acredito que as consequências podem ser desastrosas."

Santana é autora de um levantamento que constatou que houve 1.309 mortes por intoxicação ocupacional provocada por agrotóxicos em trabalhadores rurais entre 2000 e 2009, levando a uma mortalidade de 0,39 por 100 mil no ano de 2009.

"A mortalidade é pequena, mas no mundo desenvolvido, como na Inglaterra, um país que tem agricultura forte, nem se estima a mortalidade porque o número de casos de intoxicação aguda por agrotóxico é praticamente nulo", afirma.

Para ela, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer quanto ao estimulo a práticas preventivas, medidas educativas da população rural e fiscalização para chegar ao nível de segurança de países mais desenvolvidos. Fonte: Mariana Lenharo – De Nova York para a BBC News Brasil/Imagem: Reuters

 

Mais informações: https://noticias.uol.com.br/

Secretaria Executiva Estadual do SC Rural – (48) 3664 4305
Endereço eletrônico: imprensa@scrural.sc.gov.br

Governo do Estado e produtores agrícolas entram em acordo para nova regra de tributação de agrotóxicos

scagro1

Após reunião na Casa d’Agronômica, nesta quinta-feira, 21, com entidades ligadas ao agronegócio catarinense, o governador Carlos Moisés propôs uma nova regra de transição para a tributação de agrotóxicos no estado.

Os produtos seguem isentos de ICMS até 31 de dezembro e, a partir de janeiro de 2020, o imposto passará a ser por grau de toxicidade. O objetivo é promover o uso consciente dos produtos na agricultura, em função do seu potencial tóxico para o meio ambiente e a saúde pública.

scagro5

“Ouvimos as reivindicações e construímos uma alternativa que atende o setor produtivo e à sociedade, que apoia a produção de alimentos mais saudáveis. Entendemos que o prazo é necessário para que os agricultores possam ter o período de safra para a adaptação com as novas regras”, disse o governador.

A proposta é que os agrotóxicos sejam classificados em seis categorias, com variação na carga tributária de acordo com o grau de toxicidade. Os produtos alta e extremamente tóxicos não teriam redução na base de cálculo e permanecerão na faixa vermelha, com 17% de ICMS; já os que são moderadamente tóxicos, inseridos na faixa amarela, terão 12%; na faixa azul, há os produtos pouco tóxicos, cuja carga tributária será de 7%, e os improváveis de causar dano agudo, com carga de 4,8%; por fim, isentos de ICMS estarão os produtos biológicos e os bioinsumos, incluídos na faixa verde.

scagro4

“Acreditamos que a proposta deve ser vista como um bem coletivo. Este novo modelo de aplicação de tributos considera não apenas custos econômicos e de produção, mas também os custos para o meio ambiente e para a sociedade”, salientou o secretário de Estado da Fazenda (SEF), Paulo Eli.

O chefe da Casa Civil, Douglas Borba, destacou a importância do diálogo para construir a alternativa: “A prova foi esse gesto praticado pelo governador a pedido da base governista na Assembleia, que fez o apelo. O governador prontamente atendeu. Então, o diálogo é contínuo, não só para o agrotóxico e também para outras políticas públicas do Estado.”

scagro3

A classificação proposta pelo Governo do Estado se baseia na Resolução 2080 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 31 de julho de 2019, que dispõe a rotulagem de produtos químicos usados na agricultura. O texto será editado como uma Medida Provisória (MP), que será assinada digitalmente pelo governador nos próximos dias e terá validade retroativa a 1º de agosto.

O secretário da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Ricardo Gouvêa, destacou que o acordo preserva o período de plantio da safra em Santa Catarina: “O produtor catarinense pode ficar tranquilo. Até o fim do ano teremos um período de transição. Este acordo mostra a maturidade de todos.”

As lideranças do agronegócio comemoraram a nova regra proposta pelo governo. “Nós conversamos entre nós, que representamos o setor primário de Santa Catarina, e concordamos com as ponderações que o governo colocou, porque nessa safra não vamos sentir nenhum revés. Será plantada nas mesmas condiçãos anteriores. Por isso estamos saindo daqui satisfeitos, agradecendo essa compreensão do governo”, comentou José Zerefino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc).

Também acompanharam o encontro os presidentes da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc), Luiz V. Suzin, da Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina (Fecoagro), Cláudio Post, e Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaesc), José W. Dresch. Fonte:www.sc.gov.br 

 

Mais informações: www.agricultura.sc.gov.br

Secretaria Executiva Estadual do SC Rural – (48) 3664 4309
Endereço eletrônico: imprensa@scrural.sc.gov.br

Agrotóxicos: já é possível aplicar o veneno só onde está a praga

gazetaagrotoxico1

O recente debate sobre a liberação de agrotóxicos pelo governo federal acende uma alerta para pesquisadores e profissionais da saúde sobre os riscos dos pesticidas à vida humana e animal. Nos negócios, a polêmica dá mais visibilidade a startups que eram pouco conhecidas fora das grandes cidades: as agtechs, que atuam com sensores e controle de dosagem de defensivos agrícolas.

De acordo com a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), a quantidade de agtechs no Brasil passou de 245 em 2015 para 322 até agosto deste ano. O setor de agronegócio é o quinto mais representativo entre as startups do país, atrás de internet, saúde e bem-estar, finanças e educação, respectivamente.

"A Eirene Solutions faz parte desses números. Criada em 2013, startup promete auxiliar empresas e pequenos produtores a pulverizar agrotóxicos com mais facilidade e precisão, gerando até 90% de economia em defensivos agrícolas. Criamos um sensor com luzes azul e vermelha que indica onde há ervas daninhas. Assim, a planta não cria resistência ao pesticida e não utilizamos o produto sem necessidade”, explica Eduardo Marckmann, CEO da empresa, sobre o dispositivo SaveFarm.

A Eirene também desenvolveu um veículo que automatiza o processo de pulverização e possui um painel solar que gera energia para recarregar o robô de forma autônoma. “Com o Eirobot, o operador não tem contato algum com o composto químico”, acrescenta Marckmann.

E para desenvolver novas soluções, a empresa está captando dinheiro via crowdfunding até outubro pela plataforma CapTable. A startup de Porto Alegre (RS) tem como meta recolher R$ 750 mil, sendo que 93% do montante já foi atingido."

 

"Alto potencial

Como a Eirene, as agtechs têm alto potencial para captar investimentos devido à importância econômica do agronegócio para a economia nacional — o setor representa 21,1% do PIB brasileiro, segundo Amure Pinho, presidente da Abstartups.

“Essas startups oferecem ferramentas e tecnologias voltadas tanto para grandes empresas quanto para o desenvolvimento de pequenos produtores, como geolocalização, gerenciamento agrícola, drones e sensores para defensivos agrícolas”, detalha Pinho.

A Velbrax Agro, de Ribeirão Preto (SP), utiliza drones para captar imagens de terrenos agrícolas e machine learning para transformá-las em informações. Com os dados, a empresa presta serviço de monitoramento agrícola, apontando o estado da vegetação de uma fazenda após um temporal, por exemplo.

Até o final do ano, a startup espera concretizar uma parceria para oferecer também serviços de pulverização de agroquímicos, conforme revela Fabio da Cruz da Silva Primo, CEO da Velbrax Agro. “Trabalhar com defensivos agrícolas exige uma aeronave específica. Sozinho a gente vai rápido. Com pessoas, vamos mais longe”, destaca.

Com potencial de mercado, a startup ribeirão-pretano já obteve dois aportes: R$ 40 mil da Raja Ventures, de Belo Horizonte (MG), e R$ 30 mil da Sevna Startups, aceleradora de empresas do Supera Parque, onde está sediada atualmente.

Sensores criados em universidade

Após 13 anos de pesquisa acadêmica, a bióloga Mônica Vianna, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), criou sensores que medem a quantidade de agrotóxicos em uma plantação e permitem ao produtor avaliar se a pulverização foi realmente eficiente.

Este ano, a pesquisadora lançou a Wibis Vitae, pequena empresa carioca que neste semestre deve oferecer os serviços a empresas e produtores rurais de todo país. Os sensores, contudo, já estão sendo distribuídos para testes. “Se não tivermos um bom produto, seremos mais uma startup a morrer no mercado”, avalia.

No início deste ano, a empresa foi selecionada para o BNDES Garagem, programa de desenvolvimento de startups do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. A agetch também recebeu R$ 77 mil, divididos em 12 parcelas mensais por um ano, da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). “Qualquer economia no uso de agrotóxicos é positiva para o mundo”, afirma a doutora em química analítica.

Quantidade de agtechs no Brasil

gazetaagrotoxico2

O agronegócio representa o 5º setor em número de startups no país.Fonte: Associação Brasileira de Startups Mais infográficos"

 

Mais informações: https://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/agrotoxicos

Secretaria Executiva Estadual do SC Rural – (48) 3664 4309
Endereço eletrônico: imprensa@scrural.sc.gov.br

Gestor da Cidasc avalia que se aprovados projetos de deputados inviabilizam produção da banana e soja

 cidascagrotoxico3

Os deputados Luciane Carminatti e Padre Pedro Baldissera, ambos do PT, apresentaram dois projetos de lei que versam sobre o uso de agrotóxicos em Santa Catarina. Se aprovados, ficará proibida a pulverização aérea e a fabricação, uso e a comercialização do ingrediente ativo Diclorofenoxiacético, o 2-4-D, mais conhecido como agente laranja.

A possível aprovação inviabilizaria, tecnicamente, as culturas de banana e de soja em Santa Catarina, avalia o gestor da Divisão de Fiscalização de Insumos Agrícolas da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), Matheus Mazon Fraga. Ele defende o debate técnico das propostas e que deveriam ser apresentadas alternativas aos agricultores.

cidascagrotoxico

Matheus Fraga explica que atualmente Santa Catarina conta com 200 mil propriedades agrícolas, com uma média de 50 hectares, 950 estabelecimentos comerciais autorizados a comercializarem 1.250 marcas de agrotóxicos, que geram anualmente 1,2 milhão de receituários agrônomos. Todos fiscalizados pelos técnicos da Cidasc, que recolhem 630 amostras de 21 culturas diferentes, tanto no comércio como nas áreas agrícolas, que resultam num índice de inconformidade de 20%, número inferior ao do Brasil, que gira em torno de 30%. Fraga diz que por meio do programa Alimento sem Risco, utilizado desde 2011, esse índice de inconformidade vem se reduzindo e a meta é chegar a 8%. “A maioria dos problemas é o uso de agrotóxico sem autorização e acima do permitido. A figura chave de tudo isso seria a orientação e assistência técnica dos agrônomos para evitar esses problemas.”

Para Matheus Fraga, o modelo atual da agricultura e economia do estado, como do Brasil, não permite a mudança do uso desses agrotóxicos para uma cultura orgânica em geral. Ele relata que em Santa Catarina atualmente há cerca de mil produtores de produtos orgânicos, que representam 0,5% da agricultura catarinense. “O nosso modelo atual, de produção de commodities, afeta a balança comercial, e a mudança teria que ser muito discutida e precisariam ser apresentadas alternativas aos agricultores para mudar toda uma cadeia produtiva.” O gestor da Cidasc lembra ainda que Santa Catarina é o 9º consumidor de agrotóxicos do país, consumindo 2,5% ou 25 mil toneladas de agrotóxicos por ano produzidos no Brasil.

Sobre o projeto que veda a pulverização aérea de agrotóxicos no Estado, Matheus Fraga diz que a Cidasc já foi consultada e a orientação é de que precisaria de mais discussões técnicas, lembrando que o uso do método em Santa Catarina é focado principalmente na bananicultura e na rizicultura, culturas localizadas no litoral. “A aviação agrícola bem aplicada é melhor que a de trator e se for encerrada inviabilizaria a produção de banana.” Matheus Fraga salienta que Santa Catarina é o terceiro maior produtor de banana e o maior exportador da fruta do Brasil. “O impacto dessa lei seria enorme. São 3 mil famílias em 30 mil hectares de banana localizados em terrenos de difícil acesso, que não permitem a utilização de trator. Não vejo alternativa, ainda mais com o relevo na produção da banana.”

cidascagrotoxico2

O uso de agrotóxico na produção da banana é importante, relata o agrônomo, devido ao combate da Sigatoka-negra, considerada a doença mais destrutiva da cultura da bananeira e que está presente em Santa Catarina. “É uma doença agressiva, e sem o manejo feito atualmente, ela sairia de controle e afetaria toda a cadeia produtiva existente no Estado. Santa Catarina tem inclusive o selo de identificação agrícola para a fruta, que é considerada uma das melhores do país.”

Em relação à proposta do deputado Padre Pedro que proíbe a fabricação, o uso e a comercialização do Diclorofenoxiacético (2,4-D), a Divisão de Fiscalização de Insumos Agrícolas da Cidasc ainda não foi consultada oficialmente. Para o gestor Matheus Fraga, o assunto deve ser discutido tecnicamente, lembrando que é o segundo agrotóxico mais consumido no país e, consequentemente no Estado, e que pelo atual modelo agrícola e econômico afetaria a produção de soja, uma das principais commodities catarinenses, cultivada nas regiões do Meio Oeste e Oeste. “São 600 mil hectares de soja que atualmente precisam deste agrotóxico para sua produção.” Fonte:https://jornalsulbrasil.com.br

 

Mais informações: www.cidasc.sc.gov.br

Secretaria Executiva Estadual do SC Rural – (48) 3664 4309
Endereço eletrônico: imprensa@scrural.sc.gov.br

Agrotóxicos na água: grupo de trabalho reúne 15 órgãos e define as primeiras medidas

mpscagua

Com troca de experiências e informações, os órgãos definiram encaminhamentos e decidiram como primeira medida dar publicidade e cruzar informações, buscando resultados que ajudem a reduzir os índices de agrotóxicos na água do estado.

Os 15 órgãos que compõem o Grupo de Trabalho (GT) a fim de reduzir os índices de agrotóxicos na água de Santa Catarina se reuniram pela primeira vez na sexta-feira (5/4) e definiram como primeira ação a publicidade e o cruzamento de informações. Um termo de cooperação será assinado para compartilhar os dados e formalizar a parceria. Na reunião, na sede do Ministério Público de Santa Catarina, em Florianópolis, os representantes de cada órgão do GT explicaram suas atribuições e apresentaram seus objetivos dentro do grupo. A fiscalização do uso de agrotóxicos, os parâmetros utilizados pelo Ministério da Saúde, o investimento em laboratórios do estado que realizam monitoramentos e a necessidade de fazer coletas mais assertivas foram alguns dos tópicos discutidos.

O cruzamento de dados foi ressaltado como fundamental para o alcance de resultados mais conclusivos nas coletas de monitoramento. É importante, por exemplo, conhecer os principais princípios ativos utilizados no estado, assim como as culturas e as regiões com maior uso de agrotóxicos.  Os dados, que serão reunidos em plataforma do MPSC, também serão disponibilizados para a população, em formato de fácil leitura e compreensão.   

Na reunião, a CIDASC, que realiza o cadastro e a fiscalização do comércio e do uso dos agrotóxicos, já apresentou sua recente plataforma online, que reúne dados de 294 municípios e 112 culturas. A CASAN também reforçou que realiza monitoramentos da água há 14 anos, a cada seis meses. As demais instituições também se colocaram à disposição para fornecer os dados que possuem.  

Outro aspecto abordado no encontro foi a necessidade de monitoramentos constantes na água, visto que esse sistema é muito dinâmico, de tal forma que coletas realizadas em períodos diferentes do mesmo dia podem apresentar resultados diversos. O Coordenador da Pós-graduação em Recursos Genéticos Vegetais da UFSC, Professor Rubens Nodari, sugeriu o estudo de novas metodologias de monitoramento.  

"Podemos verificar, por exemplo, se há organismos aquáticos que poderiam ser utilizados como indicadores, como os peixes, que são bioacumuladores. Então talvez se olharmos para os peixes teríamos resultados diferentes do que temos olhando para a água", afirmou.

Ainda foi comentado, na reunião, da necessidade de revisão dos parâmetros mínimos relativos aos agrotóxicos, que atualmente só são definidos pelo Ministério da Saúde. Para a Vigilância Sanitária, o Grupo de Trabalho pode reunir esforços e focar recursos para a pesquisa, para embasar uma normatização a nível estadual. Além disso, ressaltou-se que no próximo mês haverá uma reunião com o Ministério da Saúde nacional para revisão da portaria que estabelece os limites.  

"Apesar de os resultados de muitos monitoramentos do estado estarem abaixo do parâmetro permitido no Brasil, se comparado ao que é permitido na União Europeia, os próprios princípios ativos e sobretudo as quantidades estariam acima do que é considerado potável", afirmou a Coordenadora do Centro de Apoio Operacional do Consumidor, Promotora de Justiça Greicia Malheiros da Rosa Souza.

 Alguns órgãos aproveitaram a reunião para apresentar propostas de atuação. A Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina (Aresc), por exemplo, comentou que a partir deste ano incluirá os cinco agrotóxicos mais utilizados no estado em suas ações de fiscalização da água parada e dos mananciais. Já a Agência Reguladora de Saneamento (AGR) de Tubarão propôs ampliar o monitoramento da água, fazendo uma comparação das coletas da água que entra e da que sai do município. 

"Nós também nos propomos a fazer o monitoramento de todos os princípios ativos que o MPSC utilizou em seu levantamento, uma vez por mês durante um ano, tanto na água bruta como na tratada. Queremos levar transparência para a população", comentou o diretor da AGR Michel Szymanski.  

O Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN) chamou atenção para o fato de ter sido o 1º laboratório do Brasil a implantar o monitoramento do glifosato na água. No entanto, apesar de quererem ampliar o escopo de suas análises, reforçaram a necessidade de investimento. O Ministério da Saúde falou que está disposto a contribuir para que o LACEN de Santa Catarina se torne um laboratório de referência.  

Além do Centro de Apoio Operacional do Consumidor, e do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente do MPSC, estiveram presentes na reunião representantes da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina, da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento, da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina, da Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento, da Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina, do Consórcio Intermunicipal de Saneamento Ambiental ( CISAM-SUL ) , da Vigilância Sanitária de SC, do Laboratório Central de Saúde Pública, da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável, da Agência Reguladora de Saneamento (AGR) de Tubarão, do Ministério da Saúde em Santa Catarina, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, da Universidade Federal de Santa Catarina, e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina. A FECAM também fará parte do GT. Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC

 

Mais informações: www.mpsc.mp.br

Secretaria Executiva Estadual do SC Rural – (48) 3664 4309
Endereço eletrônico: imprensa@scrural.sc.gov.br

Intoxicação por agrotóxicos pode levar à cegueira e até à morte; conheça histórias de vítimas no Globo Rural

gruagrotoxico2

Não são apenas os agricultores que estão suscetíveis à contaminação. Diagnóstico é difícil e receber indenizações, também. Intoxicação por agrotóxicos pode levar à cegueira e à morte: veja histórias de vítimas

Quando não é fatal, a contaminação por agrotóxicos pode provocar problemas graves como a cegueira e a perda dos movimentos. Conheça histórias de três vítimas do problema, todas do Paraná, estado com o maior número de casos relatados de intoxicação – e também o com o sistema mais eficiente de notificações.

A intoxicação por veneno é tema de um especial do Globo Rural que começou a ser apresentado no domingo (31 de março) e continua no próximo programa (07 de abril).

Nunca usou proteção

Valdir Furtado, 62 anos, lida com lavoura desde a infância. No sítio de 24 hectares que tem no município de Juranda, no Paraná, começou plantando algodão e depois soja e milho. Os agrotóxicos sempre fizeram parte da rotina da propriedade. E ele reconhece que nunca usou equipamento de proteção.

Nos tempos do algodão, aplicava os produtos com pulverizador costal. Eram venenos líquidos e em pó.

"Chegava em casa branquinho. Branquinho de veneno (…) Eu sentia às vezes vômito, mas não caçava um médico, né?"

Um dia, abriu a tampa da plantadeira em movimento, para checar se as sementes estavam caindo direito, e o veneno atingiu seus olhos. Ele perdeu 70% da visão no olho esquerdo e 30% no direito.

Contaminada na lavoura de fumo

Lídia Prado trabalha com lavoura de fumo desde a infância. Junto com o marido, Antônio, tocava a plantação em parceria com com uma grande empresa de tabaco. A família entrava com a terra e a mão de obra e a empresa com sementes, assistência técnica e insumos.

Certa vez, um dia antes da colheita, Antônio foi orientado por um representante da empresa a aplicar veneno nas folhas para combater pulgões.

O composto usado, organofosforado, mata o sistema nervoso da praga. "Ela morre de fome lá onde ela senta", conta Lídia. Quando foi usar o veneno, ela ainda questionou.

"Eu falei: E para nós? O orientador disse: Para nós não faz nada, porque temos mais sangue do que ela (a praga)."

Há 15 anos, Lídia começou a apresentar sintomas de polineuropatia, uma doença neurológica degenerativa, que afeta os sentidos. As pernas já não sustentam o corpo e, por isso, ela usa cadeira de rodas. Agora, está perdendo os movimentos dos braços e convive com fortes dores o tempo todo.

Os organofosforados acabaram proibidos no Brasil, justamente por serem muito tóxicos. Mas, mesmo manipulando produtos desse tipo, Lídia teve que entrar na Justiça para comprovar que a doença foi causada pela exposição constante e prolongada a agrotóxicos.

A Justiça reconheceu, mas a empresa para quem a agricultora produzia o fumo, não quer indenizá-la nem arcar com o tratamento, porque ela não era formalmente uma funcionária.

Produtor de leite morreu

Como sempre fazia, o produtor de leite Júlio Quintino comprou, em 2016, casquinha de soja para alimentar suas vacas. Passou o dia descarregando o produto e, à noite, teve febre alta, vermelhidão pelo corpo, foi parar no hospital e faleceu.

O diagnóstico, conta o pai de Júlio, José Quintino dos Santos, não foi fácil. Os médicos chegaram a suspeitar de leptospirose e até de “fogo selvagem” (ou pênfigo).

“Eu batia que não era (doença), porque o moleque estava bom, normal, foi só de carregar aquilo ali. Eu falava que era o veneno, o dessecante”, diz.

O tal veneno, paraquat, é um herbicida usado para dessecar a soja e facilitar a colheita. O produto deixa resíduos na planta e, por isso, é preciso esperar 7 dias para colher os grãos. A suspeita de José é de que, para acelerar o trabalho, alguns produtores não esperam esse tempo.

A morte de três vacas alimentadas com a casquinha de soja ajudou a comprovar que Júlio havia mesmo sido vítima do veneno.

A secretaria de Saúde do Paraná reconhece o caso. “Uma intoxicação aguda, gravíssima que levou a óbito”, descreve Lilimar Mori, médica epidemiologista do estado. Agora, com o laudo em mãos, José busca uma indenização para a filha de Júlio, Ana, hoje com 6 anos.

O que dizem os fabricantes

Para os fabricantes de agrotóxicos, os produtos são seguros e os casos de contaminação ambiental e intoxicação de pessoas são "excepcionais".

De 2007 a 2017, data do último levantamento oficial, quase 40 mil casos de intoxicação aguda por agrotóxicos foram notificados no Brasil. Quase 1,9 mil pessoas morreram.

"Eles não podem ser ignorados. Precisamos agir em cima desses casos. Quando um se torna conhecido, ações corretivas devem ser tomadas, de educação, de treinamento, de uso correto e seguro", diz Mário Von Zuben, da Andef, entidade formada pelas indústrias.

Mesmo que, por enquanto, nosso modelo de agricultura não permita eliminar os agrotóxicos, os pesquisadores garantem que dá para fazer muito melhor do que fizemos até agora.

Segundo Marcelo Morandi, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, é possível reduzir a contaminação no momento da aplicação com o uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPIs) e seguindo as formas corretas de aplicação.

"Aí tem a questão: como está minha conservação de solo, como está a minha aplicação frente às fontes de água? Estou respeitando os limites, as formas?", questiona.

É justamente isso que o Globo Rural vai trazer no próximo domingo (7). O programa vai mostrar as técnicas que ajudam no controle de pragas e doenças usando menos agrotóxicos. Fonte:https://g1.globo.com/economia/agronegocios

 

Mais informações: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/globo-rural/noticia/2019/03/31/intoxicacao-por-agrotoxicos-pode-levar-a-cegueira-e-ate-a-morte-conheca-historias-de-vitimas.ghtml

Secretaria Executiva Estadual do SC Rural – (48) 3664 4309
Endereço eletrônico: imprensa@scrural.sc.gov.br

Brasil registra 40 mil casos de intoxicação por agrotóxicos em uma década

gruagrotoxico1

O agrotóxico é uma ferramenta de trabalho comum na agricultura, mas esses produtos podem ser perigosos e muitas vezes são usados de maneira errada. De 2007 a 2017, data do último levantamento oficial, foram notificados cerca de 40 mil casos de intoxicação aguda por causa deles. Quase 1.900 pessoas morreram.

Segundo maior produtor de grãos do país, o Paraná é o estado com o maior número de casos relatados – e também o que tem o sistema mais eficiente de notificações.

Muitas comunidades paranaenses estão se organizando para tentar se livrar dos efeitos dos venenos agrícolas. Em alguns casos, ele chega pelo ar.

“A gente sente o cheiro do veneno entrando pela janela”, conta Mauritânia Guedes, que mora em Luiziana. Na cidade cercada por lavouras, apenas a rua separa as casas da plantação em alguns bairros.

Luiziana se tornou um dos primeiros municípios do Paraná a fazer valer uma lei que impõe regras para o uso de agrotóxicos ao redor da cidade.

A regra entrou em vigor no final de 2017 e determina que os agricultores que quiserem produzir perto de núcleos habitacionais têm que implantar "cortinas verdes".

"Cortinas verdes"são duas fileiras de árvores, uma arbórea e uma arbustiva, para o controle do agrotóxico. Elas têm que ser implantadas há 50 metros da divisa da propriedade com o núcleo urbano.

O agricultor até pode produzir nesta área, desde que não use veneno.

Fazer a barreira é opcional, mas, sem ela, é proibido usar agrotóxico numa faixa de 100 metros da cidade.

Na frente do hospital

Campo Mourão tem um caso semelhante. A Santa Casa, que abriga também um centro de tratamento de câncer e uma maternidade, fica em frente a uma imensa lavoura que também usa agrotóxico.

O Ministério Público está notificando os agricultores sobre uma lei que a cidade tem desde 1997, que proíbe a aplicação de veneno a 100 metros de qualquer núcleo habitacional.

A fazenda perto da Santa Casa pertence a José Luiz Gurgel e ao filho dele, Luiz Gustavo, ambos advogados. Segundo eles, a área onde está a o hospital pertencia à propriedade e foi doada pela família.

Luiz Gustavo não concorda com a proibição: “O agrotóxico que se passava aqui em hipótese alguma causou prejuízo para qualquer criança que nasça aqui. Os meus filhos nasceram aqui na Santa Casa”.

Apesar disso, ele afirma que cumprirá a lei. “Nós vamos trabalhar 100% com produtos orgânicos, sem agrotóxicos”, afirma. “Se, infelizmente, nós tivermos alguma praga que não se mate sem agrotóxicos, nós vamos ter que tombar a terra, acabar com a produção e depois cobrar, logicamente, de quem for necessário”, diz.

É possível produzir sem agrotóxico?

Na safra 2017/ 2018 o país produziu cerca de 228 milhões de toneladas de grãos. E consumiu quase 500 mil toneladas de agrotóxicos em 2017, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“O Brasil é um grande usuário de agrotóxicos, sim, porque, de fato, nós temos uma agricultura que é uma das maiores do mundo. Então, nesse sentido, é compatível”, diz o agrônomo Marcelo Morandi, chefe da Embrapa Meio Ambiente.

Ele explica que o modelo de agricultura intensiva, praticado no mundo todo desde o final da Segunda Guerra mundial, fez crescer a produção global de alimentos. E trouxe junto com ele a necessidade de combater pragas e doenças que atacam as lavouras.

Ranking

Para a Andef – entidade formada pelas indústrias que desenvolvem e fabricam agrotóxicos –, o uso desses produtos no país é eficiente.

“O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo?) Não. Quando a gente olha utilização por área, o Brasil já cai para sétimo”, afirma Mário von Zuben, diretor-executivo da associação.

“Se a gente olha por tonelada de produto extraída da área onde foi aplicado, o Brasil é o 13º. A gente deixa para trás países como os Estados Unidos, Canadá, países europeus como a Inglaterra, Alemanha, a própria França. Isso mostra eficiência na utilização dessa tecnologia aqui.”

Os dados da Andef mostram que, em média, o Brasil gasta menos de R$ 35 para produzir uma tonelada de alimentos. Os EUA gastam R$ 44. E no Japão, primeiro colocado neste ranking, o valor é de R$ 372.

Segundo Zuben, atualmente não seria possível eliminar o agrotóxico do processo de produção. “Nós traríamos uma crise mundial de alimentos. De fome”, avalia.

Em 2017, o mercado de agrotóxicos movimentou mais de R$ 33 bilhões no Brasil. Os campeões de venda são os herbicidas, usados principalmente na cultura da soja. Em seguida, vêm fungicidas e inseticidas.

No próximo domingo (7), o Globo Rural continua abordando o assunto, falando sobre os cuidados para preservação da água e as técnicas que podem reduzir o uso dos agrotóxicos.Fonte:Por Globo Rural

 

Mais informações:  https://g1.globo.com/economia/agronegocios/globo-rural/noticia/2019/03/31/brasil-tem-40-mil-casos-de-intoxicacao-por-agrotoxicos-em-uma-decada.ghtml.

Secretaria Executiva Estadual do SC Rural – (48) 3664 4309
Endereço eletrônico: imprensa@scrural.sc.gov.br

Secretário Adjunto do Estado Agricultura e da Pesca abre o 1° Seminário Intergovernamental sobre Agrotóxico e Afins

sarseminario

O 1° Seminário Intergovernamental sobre Agrotóxico e Afins, organizado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) em parceria com a CIDASC, visou apresentar ações e integrar os órgãos públicos no controle de agrotóxicose ocorreu  no dia 27 de abril.

Estiveram na composição da mesa de aberturao secretário Adjunto do Estado Agricultura e da Pesca, Athos de Almeida Lopes Filho, a promotora de Justiça do Ministério Público, Greicia Malheiros da Rosa Souza, e o Gestor Estadual de Sanidade Vegetal da Cidasc, Ricardo Miotto.

Em seu discurso, Athos ressaltou a importância da educação para o uso dos agrotóxicos e a busca da segurança alimentar. “Os defensivos agrícolas estão diretamente relacionados a agricultura, é uma grande preocupação nossa a maneira como isso é feito para que não sobre resíduos nos alimentos e nós consigamos manter a saúde da população. Todo munda busca um alimento sadio”, complementa o secretário adjunto.

A Promotora de Justiça Greicia Souza destacou a importância da colaboração entre os órgãos, “essas parcerias são fundamentais, porque não adianta nada o Ministério Público ter um programa se não tem quem o execute”.

Para o gestor Estadual de Sanidade Vegetal da Cidasc, esse tipo de evento é fundamental para colocar em contato os órgãos responsáveis pela segurança alimentar e pela fiscalização de agrotóxicos. “Com essa integração dos agentes de fiscalização dos diferentesórgãos é possível otimizar os métodos de fiscalização. Isso reflete em benefícios diretos para a sociedade, economia de recursos para o estado e maior segurança alimentar da população”, conclui Ricardo Miotto.

Programação

Os temas das palestras foram: Controle no uso de agrotóxicos e afins,peloEng. Agr. Geovani Pedro de Souza – Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (CIDASC).Eng. Agr. Paulo Francisco da Silva – Empresa de Pesquisa e Extensão Agropecuária de Santa Catarina (EPAGRI) e Tenente-Coronel PM Fábio Henrique Machado – Polícia Militar Ambiental (PMA/SC).

Controle do transporte de agrotóxicos e afins e fiscalização de produtos ilegais, pelo Subtenente Almir Vieira – Defesa Civil – Produtos Perigosos, Auditor da Receita Estadual Jair Schimitt – Conselho Estadual de Combate à Pirataria (CECOP), Policial Rodoviário Federal Adilson Soria Vaz – Polícia Rodoviária Federal em Santa Catarina (PRF/SC).

Mais informações: www.cidasc.sc.gov.br
Secretaria Executiva Estadual do SC Rural – (48) 3664 4307
Endereço eletrônico: imprensa@scrural.sc.gov.br

Secretaria da Agricultura e o Ministério Público de SC discutem rastreamento dos vegetais e fiscalização da venda de agrotóxicos

sarvegetais

Na quinta-feira (14), representantes da Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca, do Ministério Público Estadual, do Fórum Catarinense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos (FCCIAT) e da Cidasc estiveram reunidos para discutir a implantação da portaria que trata do rastreamento dos vegetais e o decreto sobre a fiscalização da venda de agrotóxicos em Santa Catarina. 

Os dois projetos estão em análise pela equipe técnica da Secretaria da Agricultura e da Cidasc para que atendam não só os consumidores, mas também os produtores rurais do estado. 

Para construir uma proposta de rastreabilidade dos vegetais produzidos em Santa Catarina, a Cidasc está ouvindo diversas entidades ligadas ao setor produtivo e também aos comerciantes. A intenção é aprimorar o projeto já existente e criar uma portaria que atenda tanto os produtores quanto os consumidores.

Segundo o secretário da Agricultura, Moacir Sopelsa, a rastreabilidade funcionará como uma identificação da origem dos produtos e será de adesão voluntária num primeiro momento. “Esse projeto é pioneiro no país e será um diferencial de competitividade para os produtores já que os consumidores poderão conhecer a origem dos alimentos”. 

Sobre o decreto que trata da fiscalização da venda de agrotóxicos em Santa Catarina, as discussões avançaram e uma proposta deverá ser apresentada tão logo seja possível. Hoje, as informações sobre quais agrotóxicos podem ser utilizados no estado, com as bulas e dados técnicos estão à disposição no Sistema de Gestão da Defesa Agropecuária Catarinense (Sigen +). A expectativa é de que em breve o Sistema possibilite também o registro online dos estabelecimentos que comercializam agrotóxicos e esta será mais uma informação disponível no Sigen +.

O gerente de Fiscalização de Insumos Agrícolas da Cidasc, Milton Luiz Breda, explica que a ideia é de que sejam registrados também os receituários agronômicos utilizados para a compra de agrotóxicos e isso resultaria em um maior controle do que é comercializado no estado. “Podemos ter um retrato do que é usado, em quais culturas e a quantidade. Com mais conhecimento podemos atuar para que o uso de agrotóxicos seja feito de forma mais correta e o mínimo possível”.

 

Mais informações: Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca – (483664-4417

Secretaria Executiva Estadual do SC Rural – (48) 3664 4307
Endereço eletrônico: imprensa@microbacias.sc.gov.br