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Como uso de agrotóxicos sem orientação e proteção põe agricultores brasileiros em risco

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Pesquisa em zona rural no Estado do Rio de Janeiro revelou que 90% dos participantes disseram ter sentido ao menos um sintoma aguda de exposição a pesticidas; apenas 23% disseram ter recebido treinamento ou apoio para manejo desses produtos.

Pesquisas recentes sobre a saúde dos agricultores familiares brasileiros têm chamado a atenção para a prevalência de problemas respiratórios, hormonais, reprodutivos e de alguns tipos de câncer possivelmente associados à exposição aos agrotóxicos.

Apesar de o Brasil ser um dos maiores consumidores mundiais de agrotóxicos, os esforços para medir o impacto desses produtos na saúde dos trabalhadores rurais ainda são incipientes. Em comum, esses novos estudos evidenciam que a falta de orientação e assistência técnica a pequenos agricultores resulta na falta de cuidados adequados para evitar intoxicações.

A discussão sobre a segurança dos agrotóxicos está em alta desde que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, no final de agosto, a aprovação de um novo marco regulatório para agrotóxicos.

Para o pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da USP Rafael Junqueira Buralli, autor de um estudo sobre a condição respiratória de agricultores familiares expostos a agrotóxicos em uma pequena cidade do Rio de Janeiro, o despreparo é evidente: apenas 22,9% dos trabalhadores rurais avaliados no estudo afirmaram ter recebido treinamento ou apoio técnico para o manejo desses produtos.

Entre os parentes dos trabalhadores, que com frequência auxiliam nas atividades de cultivo e também se expõem aos agrotóxicos, nenhum passou por treinamento.

Impacto na saúde respiratória

A pesquisa de Buralli, publicada em 2018 pelo International Journal of Environmental Research and Public Health, avaliou 82 indivíduos da zona rural de São José de Ubá-RJ por meio de questionários, análise de amostras de sangue e espirometria, um exame que mede a capacidade pulmonar.

Os exames revelaram diminuições dos padrões respiratórios nos trabalhadores rurais em comparação a indivíduos não expostos a agrotóxicos. E quanto maior a exposição, medida pela presença de biomarcadores no sangue, pior foi a condição respiratória observada no participante.

Sintomas como tosse, alergia nasal e dificuldade para respirar foram mais prevalentes durante o período da safra do que na entressafra, o que sugere um efeito agudo durante o período de maior exposição, diz o pesquisador.

Segundo Buralli, 90% dos participantes também afirmaram sentir com frequência ao menos um sintoma agudo de exposição aos pesticidas, entre os quais os mais comuns foram irritações nas mucosas, dor de cabeça, taquicardia e palpitação, tontura, dor de estômago e câimbras. Além disso, 70% dos entrevistados relataram apresentar ao menos um sintoma crônico, como alterações no sono, irritabilidade e dificuldade de concentração e raciocínio.

Em busca de alterações genéticas

Para ilustrar o grau de desconhecimento da população rural de Casimiro de Abreu, no Rio de Janeiro, o enfermeiro Gilberto Santos de Aguiar, do Programa do Saúde do Trabalhador da Coordenação de Vigilância em Saúde da cidade, conta que ele já viu moradores armazenando água para beber em frascos de agrotóxico.

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Enfermeiro diz que maior parte dos agricultores que entrevistou usam agrotóxicos sem prescrição agronômica

Aguiar faz parte de um projeto que busca investigar a associação dos agrotóxicos com doenças comuns entre os agricultores. A iniciativa surgiu a partir de um caso de câncer de pulmão em um trabalhador rural da cidade em que o médico identificou a exposição aos agrotóxicos como causa do tumor. "Evidenciamos que muitas vezes o adoecimento de um trabalhador rural não é um adoecimento natural, mas por exposição ao agrotóxico", diz.

O grupo aplicou um questionário sobre uso de agrotóxicos e presença de sintomas em 41 propriedades rurais da região. O resultado foi encaminhado ao serviço de câncer ocupacional do Instituto Nacional de Câncer (Inca), que se interessou pelo projeto e hoje conduz um projeto de investigação de alterações genéticas por exposição a agrotóxicos na região.

Para Aguiar, a desinformação é o principal fator de risco para os pequenos agricultores da região. "A maioria dos agricultores utiliza agrotóxicos sem prescrição agronômica. A compra é orientada pelo funcionário do balcão da loja que vende agrotóxico, ou às vezes é feita na porta da propriedade por um carro que leva o kit de veneno", afirma. Ele diz que não há nenhuma assistência técnica para orientar sobre o modo de uso e nenhuma fiscalização.

Um levantamento do perfil epidemiológico dos trabalhadores rurais de Casimiro de Abreu, publicado pela Revista Brasileira de Enfermagem no início do ano, constatou que 51,8% da população entrevistada afirma nunca usar equipamentos de proteção individual recomendados durante o manejo de agrotóxicos, como botas, luvas e máscaras respiratórias.

Problemas endócrinos e reprodutivos

Em sua pesquisa, que avaliou o impacto dos agrotóxicos na função da tireoide em trabalhadores rurais da soja da cidade de Sertão, no Rio Grande do Sul, a farmacêutica Tanandra Bernieri também constatou o esse tipo de descuido: nenhum dos 46 agricultores entrevistados afirmou utilizar equipamentos de proteção individual corretamente. Do total, 34,8% afirmou usar luvas apenas na hora de fazer a mistura dos agrotóxicos. "Muitos não sabiam que o agrotóxico pode ser absorvido pela boca quando comem algo com as mãos sujas do produto", conta Bernieri. "A fonte de informação deles são os vendedores ou pessoas da família e amigos."

A biomédica Camila Piccoli, mestre pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, também pesquisou os efeitos dos agrotóxicos na tireoide de agricultores do Rio Grande do Sul, da cidade de Farroupilha. Ela e sua equipe constataram que a exposição aos agrotóxicos pode estar relacionada a um quadro de aumento do hormônio TSH e diminuição do hormônio T4, principalmente nos homens avaliados, resultando em sintomas análogos ao hipotireoidismo.

Ela também participou de um estudo, coordenado por seu colega Cleber Cremonese, que selecionou jovens de 18 a 23 anos da mesma região e, por meio do exame de espermograma, constatou a diminuição da mobilidade e morfologia do esperma dos jovens rurais em comparação aos jovens urbanos, além de alterações nos hormônios reprodutivos.

"Não se pode afirmar que as alterações estejam relacionadas somente ao uso de agrotóxicos", afirma Piccoli. Mas os dados sugerem que os agrotóxicos podem estar relacionados ao fenômeno, principalmente por se tratar de uma população jovem, sem outros fatores de risco.

Novo marco regulatório

O novo marco regulatório anunciado pela Anvisa traz mudanças na classificação toxicológica dos agrotóxicos e inclui mudanças na rotulagem dos produtos. Segundo a agência, as alterações podem facilitar a identificação de perigos à vida e à saúde humana.

Ao mesmo tempo, alguns produtos podem ser reclassificados para um grau de toxicidade menor, já que o novo critério leva em conta apenas estudos de mortalidade, desconsiderando outros sintomas comuns que não levam à morte. Para alguns dos pesquisadores que atuam na área, ainda não está claro se a nova classificação impactará a segurança dos agricultores.

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Levantamento feito por professora da UFBA constatou que houve 1.309 mortes por intoxicação ocupacional provocada por agrotóxicos em trabalhadores rurais entre 2000 e 2009/Imagem: David Bebber

Buralli observa que, como o nível de escolaridade dos agricultores é baixo, com muitos casos de analfabetismo, eles dificilmente leem o rótulo e as instruções da embalagem dos agrotóxicos. "Hoje a instrução parte mais dos técnicos nas lojas agropecuárias. Por isso, o ensino continuado providenciado pelas agências é muito mais importante do que o que está na bula", afirma.

Para Vilma Santana, professora titular do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a mudança é preocupante, já que usa como critério somente a morte por intoxicação aguda, quando os casos mais comuns são os de intoxicação crônica.

"Se já temos uma situação de desproteção por conta do baixo nível de importância que se dá ao comportamento preventivo, do baixo nível de escolaridade do agricultor, e do uso indiscriminado de agrotóxico, se o nível de controle é reduzido, eu acredito que as consequências podem ser desastrosas."

Santana é autora de um levantamento que constatou que houve 1.309 mortes por intoxicação ocupacional provocada por agrotóxicos em trabalhadores rurais entre 2000 e 2009, levando a uma mortalidade de 0,39 por 100 mil no ano de 2009.

"A mortalidade é pequena, mas no mundo desenvolvido, como na Inglaterra, um país que tem agricultura forte, nem se estima a mortalidade porque o número de casos de intoxicação aguda por agrotóxico é praticamente nulo", afirma.

Para ela, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer quanto ao estimulo a práticas preventivas, medidas educativas da população rural e fiscalização para chegar ao nível de segurança de países mais desenvolvidos. Fonte: Mariana Lenharo – De Nova York para a BBC News Brasil/Imagem: Reuters

 

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Conscientização Ambiental de crianças e jovens foi destaque da Epagri de Barra Velha

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Com o objetivo de sensibilizar crianças e jovens sobre um tema muito importante que é a destinação incorreta dos resíduos sólidos, o extensionista rural da Epagri, no município de Barra Velha, Ricardo Grejianin, realizou 10 palestras com diversas turmas de três escolas municipais, abrangendo um total de 549 alunos e 18 professores de turmas do 2º ao 9º.

O foco das ações deste ano, segundo Ricardo foi a elaboração de um folder no ano anterior, como meta do Projeto da Pesca, intitulado “Lixo no Mar ou Mar de Lixo, a comodidade que trouxe o caos”

Esse trabalho trata do problema que é o plástico nos dias de hoje. Desde a incrível descoberta do plástico no início do século passado até os dias atuais, muita coisa já foi feita de plástico, é embalada com plástico ou é transportada com plásticos. É praticamente impossível passa um dia sem ter contato com o plástico. Estudo da ONU indica que uma pessoa utiliza, em média, 120 kg de plástico por ano e que em torno de 8 milhões de toneladas de resíduos plásticos vão parar nos oceanos a cada ano. Esse mesmo estudo diz que mais de 1 milhão de pássaros e mais de 100 mil mamíferos e tartarugas morrem todo ano, devido esse lixo.

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“Juntando essas palestras, com 1º Seminário realizado no início de junho, também sobre o tema, que teve a participação de mais de 100 alunos e 30 representantes de órgão e entidades, temos o total de quase 700 pessoas sensibilizadas e motivadas em prol da preservação da natureza, partindo do princípio que tudo começa por nós mesmos, cada um fazendo a sua parte e incentivando o próximo para que faça o mesmo”, relata o extensionista.

“Está nas mãos de nossas crianças o futuro do nosso país e a possibilidade de mudarem essa realidade que, apesar de alarmante, continua ignorada por muitos!”conclui.

Mais informações: embarravelha@epagri.sc.gov.br

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Autoridades de Lages buscam apoio para a regulamentação do manejo da araucária

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A proposta de manejo de florestas nativas, em especial, da Araucária, levantada em audiências públicas promovidas pela Câmara de Vereadores de Lages motivou mais um ato no dia 26 de junho.

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Uma comitiva liderada pelo presidente do Legislativo Lageano, Vone Scheuermann, visitou a sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa Florestas, localizada na cidade paranaense de Colombo. Os pesquisadores André Hess e Nilton Schneider, estudiosos da espécie araucária, também participaram do encontro.

Segundo o presidente da Cãmara de Vereadores, a intenção é de unir esforços para apresentar um projeto que proporcione avanços à proposta em Brasília. “A gente fez as audiências públicas em 2013 e 2019, com a Embrapa e o Ministério da Agricultura, que esteve na cidade de Lages, e hoje estamos aqui na Embrapa para arredondar o projeto, junto aos técnicos daqui, para que possamos apresentar aos ministros Ricardo Salles e Tereza Cristina, em Brasília, para poder dar seguimento a esta iniciativa”.

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Para o chefe-geral da Embrapa Florestas, Edson Tadeu Iede, é necessário elaborar um plano de uso e manejo para que a espécie continue a ser preservada, mas que também permita uma exploração racional. “O que foi discutido aqui é uma interação entre a parte técnica e a parte política-legislativa, que é fundamental para que a gente possa apresentar uma proposta com embasamento técnico-científico e na lei. Não podemos fazer nada que vá contra a lei. Temos que fazer um plano de uso e manejo da araucária, que continue preservando a espécie e que ela possa também ser manejada”, afirma.

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Pesquisadores apresentam argumentos que reforçam a proposta

A pesquisadora Yeda Malheiros de Oliveira aponta que existem razões técnicas para o manejo florestal sustentável tanto da araucária plantada como para às florestas nativas. Sobre o primeiro item, ela diz que o corte não está acontecendo também por questões administrativas dos órgãos ambientais. “Há a necessidade de que trabalhemos na regulamentação e no esclarecimento neste ponto”, argumenta. 

Com relação aos fragmentos da floresta nativa, Oliveira explica que os estudos que têm acompanhado demonstram que existe uma necessidade e um potencial grande para o manejo, principalmente de espécies como bracatingas, imbuias e araucárias. “Manejo no sentido tanto do plantio, de introdução de mudas na floresta, como no corte seletivo para regeneração, tanto na araucária quanto nas outras espécies em função da estagnação destes fragmentos”.

A construção de uma estratégia e uma visão de futuro que atenda aos interesses ambientais e também do uso da araucária. Este é o caminho apontado pelo pesquisador Erich Schaitza. “O primeiro caminho para a gente ter um plano de conservação e uso da araucária é ouvir as diferentes opiniões e juntos traçarmos um projeto que contemple ambos os aspectos. Avaliar a parte técnica do manejo, a parte técnica da conservação, da lei, e junto definir para onde a gente vai. Não há como tomar uma decisão unilateral, seja para banir ou ter qualquer corte, precisamos conversar sobre como vamos fazer, onde todo mundo seja ouvido, com técnica”, conclui. Fonte: Câmara de Vereadores de Lages

 

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Futuro do meio ambiente em debate no Extremo Oeste

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Despertar na população a preocupação com a preservação do meio ambiente e discutir políticas públicas em favor de um desenvolvimento econômico que priorize a natureza foram alguns dos objetivos do Seminário Meio Ambiente e Sociedade 2019, promovido pela Comissão de Turismo e Meio Ambiente e Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, realizado no dia 28 de junho, no Centro dos Idosos, em Anchieta.

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Mais de 350 jovens, vereadores, secretários municipais, agricultores, pesquisadores e especialistas de renome no Estado debateram as perspectivas sobre o desenvolvimento da região e a sustentabilidade.


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Além das palestras, também foram apresentados projetos voltados à preservação ambiental na região, desenvolvidos por prefeituras e por organizações da sociedade civil. A atividade é a segunda de uma série de sete eventos voltados ao tema, em todas as regiões do Estado. A primeira foi realizada em Florianópolis, em junho. Antes do evento, alunos do terceiro, quarto e quinto anos do Centro Municipal Educacional Infantil e Fundamental apresentaram uma “mística” sobre os quatro elementos do meio ambiente e sua preservação.

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O deputado Padre Pedro Baldissera (PT), proponente do encontro, destacou que o objetivo dos seminários é despertar na juventude ações concretas na relação do meio ambiente e a tecnologia, procurando uma convivência saudável e prática. Lembrou que, desde 2002, vem trabalhando na conscientização sobre a preocupação da produção agrícola saudável e a indústria do agrotóxico, que vem aumentando gradativamente no Brasil.


A realização do seminário em Anchieta, um município essencialmente agrícola, busca também mostrar a preocupação com o crescimento de casos de câncer na região e a utilização de agrotóxicos. “Estamos nos alimentando de veneno e temos que buscar um modelo de desenvolvimento científico com a produção ecológica e orgânica. Uma produção harmoniosa que se respeite o meio ambiente e o ser humano.”


O deputado Fabiano da Luz (PT) enalteceu o trabalho desenvolvido por Padre Pedro Baldissera na preocupação com o meio ambiente. “Ele é um grande defensor da terra, da natureza e da vida. Desde quando prefeito de Pinhalzinho, venho acompanhando o trabalho do Padre Pedro na defesa do meio ambiente.” Fabiano também alertou sobre a preocupação dos deputados contra a intenção de uma empresa internacional em explorar o xisto em Santa Catarina, que vai ser discutido na Assembleia Legislativa. “O lobby em favor desta exploração econômica é grande, mas temos que alertar sobre a situação ambiental, que poderá ser afetada caso essa exploração seja permitida.”

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O prefeito de Anchieta, Ivan Cansi (PT), avaliou como importante a realização do seminário no município, trazendo um tema que reflete a realidade econômica e social da região, discutindo o que a população quer para o futuro por meio de uma reflexão sobre as políticas públicas envolvendo o meio ambiente e uma vida saudável. “Queremos o desenvolvimento, mas sem degradar o meio ambiente.”

Cansi citou que Anchieta já teve mais de 11 mil habitantes na década de 70, mas devido ao êxodo rural, atualmente tem 5.600 habitantes, por isso debater o meio ambiente e o desenvolvimento econômico tem que ser em cima de políticas públicas que unam essas duas áreas e planejando o futuro da região, por meio da conscientização dos jovens. 

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Aquífero Serra Geral


O professor Luciano Augusto Henning, do Projeto Rede Guarani/Serra Geral, apresentou a primeira palestra, abordando o tema Ciclo da Água, Aquíferos, Energia e Gás de Xisto, considerado fundamental para Santa Catarina, por já existir na pauta projetos para exploração de gás de xisto utilizando o fracking, tecnologia invasiva que já causou danos ambientais irreversíveis em diversas regiões do mundo. Henning apontou a importância do aquífero Serra Geral, mais importante que o Guarani para o estado, por cobrir 51% de Santa Catarina. “Essa água, limpa e boa, está no subsolo catarinense, nas fraturas das pedras de ferro, e tem que ser preservada e utilizada conscientemente, apesar de já existir indícios de poluição.”

Henning tem mestrado e doutorado pela UFSC na área de Geografia e participou de pesquisas na Queen´s University, no Department of Global Development Studies, em Kingston, no Canadá. Atualmente, além de pesquisador do projeto Rede Guarni/Serra Geral, integra a equipe de investigadores do Laboratório de Análise Ambiental (LAAm) do Departamento de Geociências da UFSC, com ênfase na área de recursos hídricos. Ele explicou que as águas do aquífero Guarani estão a mais de 1.500 metros de profundidade e que as águas do Serra Geral são mais acessíveis, por isso a divulgação da sua existência e a preocupação ambiental com ela é importante. “Primeiro temos que conhecer, para depois preservar e utilizar conscientemente.”

Contrato com a natureza


A segunda palestra, Energia e Desastres Ambientais, ministrada pelo professor Marcos Aurélio Espíndola, evidenciou a relação entre o modelo de geração de energia no país e as consequências ambientais e sociais para as populações. Para o professor, que é mestre em Geografia pela USP, doutor em Geografia Humana pela UFSC e Pós-doutor pelo Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas, Área de Concentração Sociedade e Meio Ambiente (Desastres Ambientais e Políticas Públicas), também pela UFSC, a ideia é conscientizar a população da importância de estabelecer um contrato com a natureza, estabelecendo uma reflexão em detrimento com o contrato que herdamos com o iluminismo, que prioriza o social e o econômico.


“Temos que colocar a natureza em evidência, despertar essa consciência ecológica.” De acordo com o professor, o contrato natural reza que as relações socioeconômicas entre os homens não podem mais ser regidas pela premissa de que a natureza é apenas o ponto de partida do processo de produção. “Somos parte da teia da biosfera e dependemos imediatamente dela para viver. A natureza é o ponto de partida e de chegada de si mesma.” Espíndola afirma que não se pode fazer morrer o que faz nascer, apenas para que adquira a forma de mercadoria, de lucro e de lixo.

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Energias renováveis e tecnologias sociais


Com o foco em desenvolvimento de formas alternativas de geração de energia e sua interação com a sociedade, o professor Marcio Antônio Nogueira Andrade ministrou o tema Energias Renováveis e Tecnologias Sociais. O professor, que é mestre e doutor em Engenharia Civil na área de Hidráulica e Saneamento pela Escola de Engenharia de São Carlos, da USP, e pós-doutor no Laboratório Nacional de Engenharia Civil – LNEC (Núcleo de Engenharia Sanitária do Departamento de Hidráulica) em Lisboa, Portugal, e na Cornell University (Department of Biological and Environmental Engineering) em Ithaca, Nova Iorque (EUA), defendeu investimentos em tecnologias sociais para que a população possa sobreviver às adversidades.


Para ele, a tecnologia sustentável pode diminuir os problemas de convivência harmoniosa com os recursos naturais. Citou como exemplos a utilização das águas da chuva como recurso hídrico, a utilização da biomassa residual, como dejetos de animais, para produção de biogás como fonte de energia. Relatou que na Alemanha, um terço do que é produzido em energia elétrica na usina de Itaipu é produzida por essa biomassa residual. “Nós somos um país tropical, a era do carvão e do petróleo está no fim. Nós temos que utilizar a tecnologia sustentável, disponível no nosso país, como a biomassa, a energia solar, eólica, para progredirmos.”

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Experiências regionais


No período da tarde, o seminário abriu espaço para apresentações de projetos voltados ao meio ambiente e à sustentabilidade na região do Extremo Oeste. O prefeito de Anchieta, Ivan Cansi, que é engenheiro agrônomo da Epagri, abordou o tema modelo de desenvolvimento e o meio ambiente em Anchieta e região. Ele enfatizou que não existe pensar em desenvolvimento regional sem pensar no meio ambiente, “tudo está ligado”.


Cansi lembrou que na região, de 1940 a 1970, a população não respeitava o meio ambiente, a cultura era de limpar os terrenos, queimar florestas, tirar as pedras para preparar os terrenos. Roçadas e queimadas eram normais, quando a terra ficava fraca, os agricultores mudavam para outras áreas. Cultivava-se milho, fumo. De 1980 a 2000, observou que foi o apogeu do agrotóxico e o início das estiagens na região. “Se intensificou a monocultura da soja, do milho hídrico. Se introduziu a bovinocultura de leite, que causa a compactação do solo. Visível degradação do solo e da água.”, disse o prefeito, que ainda completou: "De 2000 para agora, surgiram os transgênicos, milho é para silagem, solo descoberto, produção da aveia, e a bovinocultura continua. Há a retomada do cultivo da subsistência, o 'fim do desmatamento' e a escassez da água". Como positivo, o prefeito enumerou que a região começou a investir em cisternas, recuperar a mata ciliar, além da existência de uma legislação ambiental mais rígida, uma educação ambiental mais presente.


O vice-prefeito de Anchieta, Vilmar Piovesani (PT), falou do projeto Prefeitura Ecológica, como recolhimento de lixo e práticas sustentáveis de separação do lixo, coleta de lixo orgânico e transformar esse material em material de adubação. O agrônomo da Epagri, Jacir Strapasson, abordou o tema Água para os Bisnetos, de Anchieta, voltado à gestão hídrica e à preservação e qualidade da água do município e da região. A coordenadora do Grupo Raízes Ecológicas, Roselei Willi, focalizou o Projeto Agroecologia, abordando a experiência da produção de alimentos orgânicos, que buscam certificados. 


Encerrando o evento, o diretor de Meio Ambiente e Defesa Civil de Palma Sola, Douglas Fernando Ribeiro, enalteceu o projeto de tratamento de dejetos humanos, adotado no município desde 2010 e que é considerado referência nacional para tratamento de esgoto para cidades de pequeno porte, atendendo todo perímetro urbano de Palma Sola. O projeto está sendo ampliado e está em fase de conclusão de parceria técnica com outros municípios da região e pesquisado por outros estados. Fonte: 
AGÊNCIA AL

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Aumentam pedidos por pequenas usinas na região oeste de Santa Catarina

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As fontes de energia limpa e renovável com enfoque em Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) estão ganhando força na região oeste de Santa Catarina.

Os rios que cortam cidades e comunidades da microrregião de Seara aos poucos vão sendo tomados por pequenos empreendimentos que visam a geração de energia elétrica.

A gerente de Desenvolvimento Ambiental da Coordenadoria do Alto Uruguai Catarinense do Instituto do Meio Ambiente (IMA), Maiara Keller, explica que na microrregião de Seara, que compreende Seara, Arabutã, Itá, Ipumirim e Lindóia do Sul, existem seis CGH's com licença. Há ainda outras duas PCH's e uma CGH em processo de licenciamento. Somente nas últimas semanas foram publicados no jornal Folhasete dois pedidos de licença ambiental para instalação de CGHs, uma em linha Borboleta Baixa-Itá e outra em linha Chapada-Arvoredo.


As Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) são usinas hidrelétricas de tamanho e potência relativamente reduzidos, conforme classificação feita pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 1997. Esses empreendimentos têm, obrigatoriamente, entre cinco e 30 megawatts (MW) de potência e devem ter menos de 13 quilômetros quadrados de área de reservatório. Já as Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) também são geradoras de energia e utilizam o potencial hidrelétrico para sua produção. A diferença é que as CGHs são ainda menores, tanto em termos de tamanho quanto de potência. De acordo com a classificação da Aneel, esses empreendimentos podem ter o potencial de gerar de zero até cinco 5MW de energia.


O analista técnico em Gestão Ambiental do IMA do Alto Uruguai, Alessandro Antoniolli, destaca que nos últimos anos tem aumentado a procura por essas alternativas de energia na região. "A melhoria das tecnologias de geração de energia hídrica favoreceu a redução nos valores investidos e, consequentemente, o retorno dos investimentos. Novas formas de geração de energia hídrica, como CGHs, que não geram lago, estão com pequenos trechos de supressão de vegetação, novas consultorias no mercado, geradores e turbinas menores para gerar menos energia são fatores que têm se desenvolvido nos últimos anos".

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O Brasil é o terceiro maior gerador de energias renováveis – aquelas que não liberam resíduos ou gases poluentes na atmosfera – de todo o planeta, segundo a Agência Internacional de Energia. O último relatório da Secretaria de Energia Elétrica (SEE) do Ministério de Minas e Energia (MME) apontou que até 2018 as energias limpas somaram 82,2% do total produzido no Brasil, sendo que mais de 70% são representadas pelas hidrelétricas.

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Exigências técnicas precisam ser seguidas à risca

Conforme o analista técnico de Gestão Ambiental do Instituto do Meio Ambiente para a Amauc, Alessandro Antoniolli, para licenciar o empreendimento energético o IMA/SC segue a Instrução Normativa 44. "Para empreendimentos que ultrapassem 100 hectares de área alagada é necessário, dentre outros documentos, a apresentação de um Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental. Já em empreendimentos menores é exigido um Estudo Ambiental Simplificado – que embora seja simplificado, é um estudo bastante completo. Também é exigida a apresentação de outorga do uso da água, autorização para coleta e captura de fauna e o posicionamento do município atingido. Os estudos geralmente têm a assinatura de um grupo de profissionais qualificados e especialistas. Sempre deve haver aceitação dos proprietários das áreas atingidas pelo empreendimento. No caso das PCHs, esta anuência pode ser inclusive judicializada. Já para as CGHs, a concordância tem que ser expressa".
 

O analista técnico em Gestão Ambiental do IMA de Alto Uruguaiesclarece que cada empreendimento causa um impacto diferente. Em alguns casos não há geração de lago, então neste sentido o impacto sobre a ictiofauna- conjunto de peixes de uma região ou ambiente – é reduzido. "Quando há geração de lago, deve haver cuidado com a disseminação de macrófitas, a alteração do comportamento da ictiofauna e riscos com eutrofização". Acrescenta que outras vezes o impacto ocorre no trecho de vazão reduzida, que se torna extenso. Neste caso deve ser bastante coerente o levantamento de peixes para garantir que a vazão remanescente garanta a vida nesta sobra de água que não poderá ser usada para geração de energia. "Também nesta sobra de água é necessário garantia de água para os habitantes, animais domésticos e animais silvestres em geral". 
 

Outro impacto que pode ocorrer é devido à supressão da vegetação, como destruição de habitats, perda de material lenhoso e de espécies. "Neste caso, quando é aprovada a supressão, sempre se exige que seja feito no menor volume possível, com a apresentação de programas para mitigação dos impactos. Geralmente em empreendimentos menores, as chamadas CGHs, os danos ao meio ambiente são reduzidos, pois geram lagos menores e trechos de vazão reduzida".As CGHs muitas vezes não chegam a ter lago ou em outros casos têm barramentos de dois a três metros de altura. Fonte:http://www.adjorisc.com.br

 

Mais informações: http://www.ima.sc.gov.br

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Jovens ajudam Atalanta, município do Alto Vale do Itajaí, a plantar o futuro

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Trabalho desenvolvido na pequena cidade tem foco na conscientização ambiental dos produtores rurais e reconhecimento de ONG mundial

Vitor Lauro Zanelatto, 17 anos, lidera trabalho dedicado à conscientização ambiental da comunidade, sobretudo de produtores rurais e alunos. Ele foi o único representante da região Sul do Brasil a ser escolhido como Jovem Transformador.

O projeto é da Ashoka, considerada uma das Organizações Não Governamentais (ONGs) de maior impacto social no mundo. Em todo o país são apenas nove integrantes, que estão engajados em diferentes causas.

Morador de Atalanta, no Alto Vale do Itajaí, ele entrou para o time com o projeto Plantando o Futuro, trabalho dedicado à conscientização da comunidade, sobretudo de produtores rurais e alunos, sobre a necessidade de recuperar e preservar o meio ambiente.

A iniciativa surgiu dentro da escola, a EEB Dr. Frederico Rolla. No início eram apenas 12 integrantes, que faziam intervenções pontuais de plantio de árvores. Com o tempo, foi percebido a necessidade de ir além. Em 2016, foram estipuladas diretrizes, trabalhado formação e agora os integrantes atuam pautados nos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Segundo o documento, é preciso recuperar cerca de 80 hectares de Área de Preservação Permanente (APP) nas 839 propriedades cadastradas na prefeitura de Atalanta. Para esse desafio, o grupo ganhou reforço e já mobiliza 30 estudantes a partir dos 12 anos. Fonte: Por Talita Catie / talita.medeiros@somosnsc.com.br/(Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina)

 

Mais informações: https://www.ashoka.org/pt-br

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“A nossa araucária e o nosso pinhão”

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Com 39 anos dedicados à pesquisa das araucárias, o professor Flávio Zanette estuda o cultivo sustentável da planta para a produção de pinhão.

Fazer o pinheiro valer muito mais em pé que deitado é uma das missões do professor titular sênior da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Flávio Zanette, reconhecido como um dos maiores pesquisadores de araucárias do país. A proposta foi defendida na primeira aula magna do curso de Agronomia do Câmpus Canoinhas, na tarde da segunda-feira, 11, intitulada “A nossa araucária e o nosso pinhão”.

É justamente no pinhão que professor Zanette aposta suas pesquisas. “A forma mais segura de garantir a preservação da nossa tão amada araucária é a exploração econômica de seus produtos não madeiráveis, dentre eles o pinhão”, explicou. Para o pesquisador, o atual marco legal da araucária é um verdadeiro crime ambiental. “A Araucaria angustifolia não é peça de museu”, enfatizou Zanette, explicando que a legislação impede o corte das espécies existentes, mas não incentiva o plantio e nem sua exploração.

Com 39 anos dedicados à pesquisa das araucárias, Zanette estuda o cultivo sustentável da planta para a produção de pinhão, para que dê lucro ao proprietário rural e preserve as condições ambientais. Pelo método natural, um pinheiro comum costuma começar sua produção em torno dos vinte anos e chega a ter cem pinhas contendo em média 150 sementes cada. O objetivo é ampliar esta produção e de forma precoce. Neste caso, as experiências com enxertia estão dando ótimos resultados.

As pesquisas com enxertos de mudas de araucárias começaram em 2007, depois de experiências com clonagem e o pinheiro de proveta, que, segundo Zanette, trouxeram-lhe muita fama e pouca satisfação. Em 2017, o Grupo de Estudos para Valorização da Araucária da Universidade Federal do Paraná (Geva), coordenado pelo pesquisador, começou a comercializar mudas enxertadas de araucária com a garantia de que serão produtoras de pinhão. E, atualmente, Zanette se orgulha de ter o primeiro pomar do mundo de araucária enxertada.

“A enxertia é feita com brotos de plantas selecionadas por sua grande produtividade”, contou Zanette, que citou o exemplo de uma araucária localizada no município de Caçador, que, em 2015, chegou a ter 674 pinhas. “Para os enxertos, trabalhamos com um processo de seleção de matrizes de araucárias que produzam mais de 100 pinhas todo o ano”, disse. A coleta adequada do material para enxerto também possibilita a produção precoce. Enquanto pinheiros comuns costumam produzir em torno dos vinte anos, uma muda enxertada pode começar a produzir entre oito e dez anos.

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PAIXÃO CONTAGIANTE

“Professor Zanette é um apaixonado por araucárias e sua paixão é contagiante”, enalteceu a professora de Agronomia e do técnico em Agroecologia do Câmpus Canoinhas, Crizane Hackbarth, que sugeriu o nome do pesquisador para a aula magna. “O tema tem tudo a ver com o curso, primeiro porque estamos em uma região em que os recursos florestais são muito importantes. A araucária fez e faz parte da história de Canoinhas e de Três Barras”, enfatiza.

Outro ponto destacado pela professora Crizane está relacionado à importância da pesquisa, já que muita gente tem renda no pinhão extraído de remanescentes de araucárias e pode se beneficiar com o plantio de pinheiros enxertados. “Sem contar o casamento perfeito entre a araucária e a erva-mate”, defendeu Crizane. Ela foi orientanda do professor Zanette em seu doutorado na UFPR, onde defendeu a tese “Aspectos morfológicos e fisiológicos do polimorfismo do caule da Araucaria angustifolia”, no ano passado. “É impossível não se apaixonar também.”

A aula foi inspiradora para o estudante Diogo Simão Sudoski, de 36 anos, que viu no IFSC a esperança de realizar o sonho de cursar Agronomia. Morador do município de Major Vieira, onde é atualmente vereador, Diogo vem de uma família ligada à agricultura, na produção e comércio agrícola. Depois do ensino médio, ele chegou a ingressar no curso de Veterinária, mas, como não era o que queria, acabou desistindo.

Então casado, com três filhas e trabalhando como caminhoneiro, o sonho foi ficando para trás, até o dia que soube que o IFSC ofertaria Agronomia em Canoinhas. “Em 2017, estava no caminhão, quando ouvi, na rádio, uma entrevista da diretora [Maria Bertília Oss Giacomelli] contando sobre o curso. Memorizei que uma vaga seria minha. Fiz o Enem no ano passado e aqui estou”, contou Diogo, que ficou ainda mais animado depois da palestra. “É isso que espero do curso, que não seja algo ‘enlatado’, mas que seja dinâmico e abra a nossa mente, trazendo alternativas para a nossa realidade”.

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Sonho antigo de toda região do Planalto Norte, o curso de Agronomia do Câmpus Canoinhas vem com o diferencial de preparar profissionais para atuarem em diversos segmentos do setor agropecuário, com conhecimento em sistemas de produção vegetal e animal e em preservação ambiental. Para isso, além do ensino de qualidade, os novos alunos também podem contar com bolsas de pesquisa, projetos de extensão, oportunidades de intercâmbio e programas de assistência estudantil.

“O IFSC é uma instituição que planeja. Estamos nos preparando para ofertar o curso desde que começamos a atuar em Canoinhas. Nestes oito anos, contratamos servidores, melhoramos a infraestrutura e equipamos os laboratórios para tornar tudo possível, porque sabemos da nossa responsabilidade enquanto única instituição pública da região a ter o curso de Agronomia”, destacou a diretora do Câmpus Canoinhas, Maria Bertília Oss Giacomelli, durante a abertura da aula magna.

Para o prefeito de Canoinhas, Gilberto dos Passos, o novo curso do IFSC é muito bem-vindo por vir ao encontro das necessidades do município. “O setor agropecuário tem grande potencialidade para a economia da região. Precisamos melhorar a qualidade dos produtos e potencializar o desenvolvimento de toda região”, enfatizou o prefeito, que reafirmou o compromisso do município de doar uma nova área para garantir a ampliação do IFSC.

Em sua fala, a reitora do IFSC, Maria Clara Kaschny Schneider, também enfatizou a importância da Agronomia para o desenvolvimento e transformação social do país. “Que Agronomia vocês querem? Reproduzir o grande capital ou uma Agronomia para todos? Se for só para reproduzir, não teremos transformação. Para pensar que uma outra agricultura é possível, nós precisamos que os pequenos agricultores tenham melhores condições, precisamos reduzir os agrotóxicos e investir em sustentabilidade e produção de alimentos”, enfatizou.

“O que nós queremos para o país não é só formar agrônomos, mas cidadãos. E somente a educação é capaz de mudar o contexto”, completou a reitora, que ganhou o apoio do professor Flávio Zanette. “Esqueçam o diploma. O grande trunfo é o conhecimento. Se quiserem ser grandes agrônomos, foquem em sonhar, adquirir conhecimento e fazer a diferença com o conhecimento”, aconselhou o professor convidado aos estudantes da turma pioneira de Agronomia no Câmpus Canoinhas.

 

Mais informações: https://canoinhas.ifsc.edu.br

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Técnicos da Epagri participam da elaboração dos Planos de Ação Territoriais para espécies ameaçadas

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O Projeto Pró-Espécies: Todos contra extinção iniciou em fevereiro os preparativos para a elaboração do Plano de Ação Territorial para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção do Planalto Sul, em conjunto com os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O Plano será voltado para espécies categorizadas como Criticamente em Perigo (CR) e que não possuem nenhuma estratégia de conservação, como planos de ação ou ocorrência em Unidades de Conservação.

A oficina preparatória, realizada em março contou com representantes de diversas instituições parceiras. Da Epagri participaram os extensionistas Célio Haverroth (coordenador Estadual de Desenvolvimento e Sustentabilidade Ambiental), Marlon Francisco Couto (gerente da Epagri de São Joaquim) e Názaro Vieira Lima (gerência de São Joaquim).

A realização do Plano de Ação (PAN) será coordenada por representantes do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA-SC), da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDS-SC ) e da Secretaria de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul (SEMA-RS). A reunião aconteceu no Centro de Treinamento da Epagri em São Joaquim no dia 27 de fevereiro.

A oficina foi a etapa inicial para a elaboração e implementação do Plano de Ação do Planalto Sul. Durante o evento foi discutido a identidade do PAN, nome pelo qual será identificado, e seus limites territoriais. Além disso, foram listados os participantes estratégicos que serão importantes para a elaboração do plano e realizou-se um levantamento dos principais fatores de pressão à biodiversidade da área.

O IMA-SC levou para discussão a proposta de criação do Corredor Ecológico Papagaios da Serra, que se encontra na região norte do território Planalto Sul e, por ser uma área catalogada como importante para a conservação, pode-se tornar uma ação do PAN. A intenção é juntar os esforços e iniciativas para que as ações sejam mais efetivas.

Espécies Ameaçadas

As espécies estão distribuídas em dez categorias e quatro delas são consideradas ameaçadas: Extinta na Natureza (EW), Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN) e Vulnerável (VU).

O foco principal dos PANs territoriais do Projeto Pró-Espécies são as espécies correspondentes à categoria Criticamente em Perigo (CR) como a espécie Aegla brevipalma (invertebrado aquático) e a Bromidium ramboi (angiosperma), tanto de fauna como de flora, apenas um nível inferior em relação a categoria Extinta na Natureza (EW). Porém, há espécies Criticamente em Perigo (CR) que são mais vulneráveis porque não contam com uma estratégia de conservação. Estas espécies são chamadas de espécies CR Lacuna no âmbito do projeto.

O Projeto Pró-Espécies: Todos contra a extinção busca adotar ações de prevenção, conservação, manejo e gestão para minimizar as ameaças e o risco de extinção de no mínimo 290 espécies Criticamente em Perigo (CR) como invertebrados, peixes continentais, mamíferos, flora, entre outros. A expectativa é que com estes PANs territoriais as ações sejam capazes de beneficiar direta ou indiretamente até 2.755 espécies.

Próximos Passos

Está sendo planejada para os próximos meses a realização de uma expedição de campo para análise e registros das espécies no território, bem como para observação dos fatores de pressão levantados. Além disso, está prevista para esse semestre a capacitação de especialistas sobre a metodologia escolhida para a elaboração de PANs territoriais. Por último, a Oficina de Elaboração do PAN Planalto Sul está prevista para o mês de maio na qual serão planejados, junto com os parceiros, os objetivos e as ações de conservação para as espécies alvo do PAN para os próximos 5 anos.

Shigueko Ishiy, coordenadora do subcomponente Gestão de Ecossistemas do IMA-SC destaca a elaboração do PAN: “consideramos muito importante esse olhar específico para a região definida, congregando diversas instituições e visando a conservação num espaço territorial conjunto com o estado do RS, respeitando as culturas locais e valorizando ações já existentes”.

Os Planos de Ação Nacional para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção (PANs) são indispensáveis para estabelecer ações a médio e curto prazos na preservação de espécies ameaçadas. O resultado da implementação de PANs possibilita iniciativas nacionais, atualização de regulamentações, sensibilização, conscientização e educação ambiental, entre outras linhas de ação. Tudo isso para reverter o impacto negativo dos fatores responsáveis pelo declínio de populações de espécies ou degradação de ambientes.Fonte: Mariana G. Menezes/  WW- Brasil- Foto: Alessandra Manzur / WWF-Brasil

 

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Por que há cada vez mais moscas e baratas e menos borboletas e abelhas

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Uma nova análise científica sobre o número de insetos no mundo sugere que 40% das espécies estão experimentando uma "dramática taxa de declínio" e podem desaparecer. Entre elas, abelhas, formigas e besouros, que estão desaparecendo oito vezes mais rápido que espécies de mamíferos, pássaros e répteis. Já outras espécies, como moscas domésticas e baratas, devem crescer em número.

Vários outros estudos realizados nos últimos anos já demonstraram que populações de algumas espécies de insetos, como abelhas, sofreram um grande declínio, principalmente nas economias desenvolvidas. A diferença dessa nova pesquisa é ter uma abordagem mais ampla sobre os insetos em geral. Publicado no periódico científico Biological Conservation, o artigo faz uma revisão de 73 estudos publicados nos últimos 13 anos em todo o mundo.

Os pesquisadores descobriram que o declínio nas populações de insetos vistos em quase todas as regiões do planeta pode levar à extinção de 40% dos insetos nas próximas décadas. Um terço das espécies está classificada como ameaçada de extinção.

"O principal fator é a perda de habitat, devido às práticas agrícolas, urbanização e desmatamento", afirma o principal autor do estudo, Francisco Sánchez-Bayo, da Universidade de Sydney.

"Em segundo lugar, está o aumento no uso de fertilizantes e pesticidas na agricultura ao redor do mundo, com poluentes químicos de todos os tipos. Em terceiro lugar, temos fatores biológicos, como espécies invasoras e patógenos. Quarto, mudanças climáticas, particularmente em áreas tropicais, onde se sabe que os impactos são maiores."

Os insetos representam a maioria dos seres vivos que habitam a terra e oferecem benefícios para muitas outras espécies, incluindo humanos. Fornecem alimentos para pássaros, morcegos e pequenos mamíferos; polinizam em torno de 75% das plantações no mundo; reabastecem os solos e mantêm o número de pragas sob controle.

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Besouros também estão em declínio, segundo o estudo

Os riscos da redução do número de insetos

Agricultor e Homem do Tempo lança livro sobre 83 anos de clima no oeste catarinense

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O agricultor Wolfgang Johannes Lengert, também conhecido como Homem do Tempo, mora na comunidade de Linha Becker, município de Itapiranga, extremo oeste de Santa Catarina, acaba de lançar o livro que  traz dados meteorológicos dos últimos 83 anos, desde o ano de 1935 até o ano de 2017. O trabalho iniciou com seu pai Bruno Lengert e hoje ele dá continuidade com anotações diárias. A confecção do livro contou com o apoio da Prefeitura de Itapiranga.

O trabalho impressiona, afinal são mais de 30 mil dias de anotações. Iniciado em 1935, pelo pai, o alemão Bruno Lengert que chegou ao Brasil, mais precisamente em Itapiranga, em 1934. Geólogo e engenheiro de mineração, Bruno Lengert trouxe na bagagem um simples termômetro, que seria usado na região para medir a temperatura. Ao longo dos dias, o alemão iniciou uma saga que mais tarde passou a ser realizada pelo filho, Wolfgang Lengert. “Isso veio do interesse, parece que ele era um observador das coisas, e logo sentiu a diferença do clima de lá para esse. Talvez incentivado pelos comentários, pois se falava que aqui chovia bem mais”, diz Wolfgang.

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Depois que o pai morreu, Wolfgang continuou o trabalho e hoje tem nada mais, nada menos, que 83 anos de relatos de como se comportou o clima na região. As anotações apresentam inúmeros dados e são de causar inveja a muitos meteorologistas. “Isso se torna interessante na hora em que já temos anotações e variações que podemos perceber fazendo os comparativos”, comenta. 

VARIAÇÕES 
Questionado, Wolfgang fez um apanhado de como se apresentaram as variações do clima ao longo destes anos. “Acontece muita coisa em 83anos, a variação e oscilação do tempo são muito grandes”, diz. 
Ele conta que teve épocas maiores e menores de calor e também de muita chuva ou falta dela. “Para definir alguma coisa exata temos que pegar um nível de tudo. Parece que as vezes tem um aquecimento, mas eu acho que esse aquecimento está dentro do normal, por que depois de épocas de muito calor, a temperatura volta para a normalidade”, avalia. 

Wolfgang estudou apenas até a quinta série, mas se mostra um homem profundamente conhecedor das ações do clima. Com uma caligrafia invejável e com anotações e comparativos, todos desenhados em gráficos ele menciona que a última primavera foi uma das mais frias dos últimos anos. “A primavera que terminou no final de dezembro, foi dentre as últimas 16 primaveras, a mais fria que nós tivemos. Enquanto todos falam do calor, nós tivemos uma primavera bastante fria que simplesmente não aqueceu e só agora que começa a entrar o calor, que também não é anormal e se comporta dentro da média do que temos anotado”, destaca. 

Ao longo de quase oito décadas de anotações ele expõe ainda que houve períodos em que o calor se sobressaiu, já por outros períodos permaneceu na média ou abaixo dela. “As diferenças só são percebidas por meio das análises dos dados que temos”. 

DÉCADA DE 1950 A 1960 
Em meados dos anos de 1950, até metade da década de 1960, foram anos extremamente quentes, principalmente pela temperatura máxima, e isso segundo Wolfgang, ocorreu por causa da chuva abaixo da média. “Quando as chuvas diminuem as temperaturas oscilam mais. De noite esfria mais e de dia esquenta”, explica. 

DÉCADA DE 1960 A 1970 
Da metade de 1960, até aproximadamente 1975, a mínima passou longe da média enquanto a máxima se manteve, mas essa, de acordo com o agricultor, foi uma época de muita chuva. “Foi uma das épocas de maior intensidade de chuva, nesses anos não houve grande estiagem, o que foi vantajoso para a agricultura da época”. 

DÉCADA DE 1980 A 1990 
“Passando para os anos de 1980 a 1990, tivemos uma década bem mais fria, abaixo da média, com muita chuva que se estendeu até o final de 1998. E a partir de lá nós estamos em uma época mais quente, com menos chuva, com relação às médias registradas”. Conforme as anotações na década de 1990, o volume de chuvas ficou em torno de 500 milímetros por ano, mais do que choveu de 1999 até 2010. “Desses quase dez anos (1999 a 2010) a média de chuva anual ficou em torno de 2 mil milímetros, enquanto a média total é de 2.165 milímetros. Já a década de 1990 passou de 2.500 milímetros ao ano”, destaca. 
Wolfgang também lembra que o mesmo ocorreu em 1965 até meados 1975, onde a média também ultrapassou 2.500 milímetros por ano. Enquanto que em todas as outras épocas choveu bem menos. 

ENGENHO 
Atualmente Wolfgang faz a medição da temperatura máxima, da mínima, do volume de chuvas, da umidade e da direção do vento. Ele faz isso com um termômetro digital adquirido na Alemanha. O aparelho é munido de um sensor que é colocado em um lugar externo, e por meio de bateria, manda o sinal para o termômetro instalado na varanda da casa. “Por longos anos eu media com um termômetro convencional, hoje temos um que mede a mínima da madruga e a máxima do dia”. Para a medição da chuva ele usa um vasilhame específico e uma régua. “Eu não confio nos medidores atuais, pois eles apresentam muita variação, todos os que eu tive medem a mais. Eu fiz o teste e comprovei”. 

ASTÚCIA 
Os anos de anotações e comparações renderam a Wolfgang muita propriedade quando o assunto é o clima. “Nunca se pode definir alguma coisa com exatidão, na própria meteorologia, quem observa percebe que os meteorologistas vivem se repetindo e se corrigindo, mas não pode ser diferente, não existe a certeza, pode dar certo como não”, diz ele quando o assunto é a previsão do tempo. 
Para concluir ele diz que as anotações viraram hobby e as faz por diversão. Há alguns anos os dados recolhidos por Wolfgang são encaminhados ao meteorologista Ronaldo Coutinho, em São Joaquim (SC) e também para a prefeitura municipal que toma nota. 
Conforme Lengert, houve um interesse por parte de instituições em formar um livro com as anotações, mas os contatos estabelecidos, infelizmente não resultaram em nada. Quanto ao futuro ele se mostra consciente: “Não sei quem vai continuar com essa atividade, filhos ou netos, mas enquanto eu puder vou continuar”. Fonte:com informações:Folha do Oeste e www.peperi.com.br

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