Arquivos da categoria: Agricultura Familiar

Startup com apoio do NITA instala sistema de automação em cultivo protegido em Ituporanga

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O meio rural catarinense vem cada vez mais buscando modernizar seus processos, aumentando a produtividade no campo. Neste sentido, uma solução inovadora na área é a irrigação totalmente automatizada, que funciona com sensores que indicam o momento certo de ligar a irrigação, baseado na umidade, temperatura e pressão do ambiente.

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O elo entre os agricultores e as empresas que desenvolvem essas tecnologias é realizada através do Núcleo de Inovação Tecnológica para Agricultura Familiar (NITA), que através de uma parceria com a Startup catarinense Agrotechlink instalou o sistema na plantação de morangos do agricultor Joel Eger de Ituporanga. "Através da experiência dessas Unidades de Referência Tecnológicas (URT), que é onde são instalados esses sistemas, pode-se analisar o impacto da tecnologia na vida dos agricultores"comenta o engenheiro agrônomo Gilmar G. Jacobowski, Consultor Sênior do Banco Mundial.

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De acordo com Alexsandro Olivo, desenvolvedor da Agrotechlink o dispositivo de irrigação possibilitará ao agricultor automatizar todo o sistema de irrigação de morangos que ele tem “Hoje ele possui uma estufa de 400metros quadrados e nós viemos instalar o painel, juntamente com três sensores que possibilitarão a ele irrigar sua plantação de onde ele estiver de maneira totalmente automatizada” comenta Alexsandro.


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O dispositivo de irrigação pode ser acionado sozinho ou pelos produtores rurais que acionam o sistema após receberem alertas via celular, além disso, as informações sobre a propriedade rural podem ser levadas diretamente para os técnicos que fazem a assistência técnica no município, garantindo decisões muito mais técnicas, facilitando a tomada de decisão durante o processo pelo produtor. . “A Agrotecklink está desenvolvendo esse projeto através de uma parceria de longa data com o NITA, com a SC Rural e com a Epagri, que possibilita com que as empresas desenvolvam e tragam tecnologia para o campo” enfatiza o desenvolvedor Alexsandro Olivo.
"O projeto de irrigação automatizada leva uma visão empreendedora ao meio rural, agregando praticidade e facilitando a execução das tarefas, trazendo qualidade de vida para o produtor", ressalta o agrônomo Jacobowski.


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OBJETIVOS DO NITA

Ofertar um conjunto de serviços em apoio a pequenas e médias empresas, para o aprimoramento do processo de geração e oferta de inovações a produção de pequena escala;

Melhorar o ecossistema de desenvolvimento de tecnologias e inovações acessíveis para a agricultura familiar;

Conectar e articular oferta e demanda de inovações na cadeia do agronegócio da agricultura familiar;

Aumentar a resiliência das atividades desenvolvidas pela agricultura familiar frente as mudanças climáticas;

Aumentar a competitividade da agricultura familiar através da introdução, preferencialmente, de tecnologias verdes.

 

 

 

 

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Práticas agrícolas sustentáveis premia 15 comunidades tradicionais brasileiras, três são de Santa Catarina

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O Prêmio BNDES de Boas Práticas para Sistemas Agrícolas Tradicionais é uma iniciativa do BNDES em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa/MAPA), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MinC) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO/ONU).

O objetivo é reconhecer boas práticas ligadas à salvaguarda e conservação dinâmica de bens culturais e imateriais associados à agrobiodiversidade e à sociobiodiversidade presentes nos Sistemas Agrícolas Tradicionais no Brasil.

A solenidade de premiação foi realizada na sede da Embrapa, dia 18 de junho, em Brasília-DF.

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Premiados:

1º Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais (AMTR), do Lago do Junco (MA)

2° Associação dos Produtores Rurais de Vereda, de Matias Cardoso (MG);

3º Associação dos Remanescentes de Quilombo de São Pedro, de Eldorado (SP),

4º Associação Comunitária Rural de Imbituba, de Imbituba (SC)

5º Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), dos municípios baianos de Pilão Arcado, Campo Alegre de Lourdes, Canudos, Casa Nova, Remanso, Curaçá, Sento Sé, Uauá, Sobradinho e Juazeiro.

Os primeiros cinco colocados receberão o valor bruto de R$ 70 mil e os demais R$ 50 mil.

Demais premiados

6º – Associação Yaualapiti Auapá – Canarana, MT

7º Associações dos Agricultores Familiares de Roça de Toco e da Valor da Roça – Biguaçu, SC

8º – Associação Comunidade Uamiri Atroari – AM e RR

9º – Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique -Macapá, AP

10º – Sindicato dos Trabalhadores Rurais Assalariados e Agricultores Familiares de Rio Pardo, MG

11º – Associação Indígena Guarani Boapy Pindó – Aracruz, ES

12º – Apicultura sustentável: Casa Nova – BA

13º Associação Vianei de Cooperação e Intercâmbio no Trabalho, Educação, Cultura e Saúde-Lages SC

14º – Associação da Comunidade Tradicional Geraizeira de Sobrado – MG

15º - Associação dos Povos Indígenas da Terra São Marcos/Pacaraima e Boa Vista (RR)

 

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Associação Comunitária Rural de Imbituba

Areais da Ribanceira: resistência da agricultura tradicional. A Comunidade Tradicional dos Areais da Ribanceira convive há várias décadas com um processo de desterritorialização, que elimina formas de uso comum da terra e da água, colocando em risco o grupo social e todo patrimônio imaterial acumulado ao longo das gerações. Um exemplo é a ação de reintegração de posse que o governo do Estado de Santa Catarina, está movendo contra a ACORDI, assim como vários pescadores da praia de Imbituba também estão sendo ameaçados por processos similares, movidos por empresa privada (IEP).

A essência da comunidade está no uso comum do seu território, que está diretamente ligado ao acesso aos recursos naturais. E, se isto for interrompido, interrompe-se também a reprodução cultural/social/religiosa/ancestral e econômica da comunidade, que é a principal responsável pela manutenção do ecossistema e da construção tradicional de um conjunto de conhecimentos, inovações e práticas que beneficiam toda sociedade. Fonte: https://engenhosdefarinha.wordpress.com

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Associação Valor da Roça – Biguaçú

O processo de certificação participativa para uso e conservação da floresta no sistema itinerante, desenvolvido pela Associação Valor da Roça, de Biguaçu, na Grande Florianópolis, foi um dos vencedores do Prêmio.

A Epagri, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) são os principais apoiadores do projeto

A comunidade rural de Biguaçu desenvolve há gerações um sistema de cultivo caracterizado por períodos de alternância entre lavouras anuais e a floresta nativa, sem revolvimento do solo e com um manejo especial. Neste sistema eles plantam principalmente mandioca, banana, feijão e milho, sem uso de agroquímicos. A prática tem permitido a manutenção da floresta, da paisagem e a conservação da biodiversidade, evitando a conversão definitiva da terra para uso diversos, como por exemplo, formação de pastagem ou plantio de florestas exóticas.

Sustentabilidade e tradição

De modo geral, esse sistema de uso da terra tradicionalmente praticado pelos agricultores de Biguaçu, caracteriza-se pela supressão de pequena gleba de vegetação para o cultivo de lavouras anuais por curto período de tempo. A lenha retirada é usada na produção de carvão vegetal. Após a colheita da lavoura, a floresta volta a se regenerar. Outra importante característica é o fato de que já entre as plantas de ciclo anual é realizada a condução da regeneração natural. Ou seja, ao mesmo tempo que cultivam, os agricultores manejam espécies arbóreas regenerantes, o que caracteriza um tipo peculiar de Sistema Agroflorestal. Isso permite a rápida regeneração do fragmento florestal após a colheita da lavoura anual.

Outro aspecto fundamental desta prática é o caráter social. Ao respeitar o conhecimento empírico dos agricultores locais, a instituições governamentais preservam um saber fazer histórico. Diversos estudos nacionais e internacionais têm apontado os benefícios socioecológicos desse sistema e registram importantes prejuízos nas regiões onde ele tem sido abandonado, sobretudo a perda da biodiversidade.

Desde 2009 a Epagri e as instituições parcerias desenvolvem projetos com esses agricultores, que formaram, em 2013, a Associação Valor da Roça. A entidade possui um Caderno de Normas que é seguido rigidamente pelos associados. Uma das principais regras estipuladas é que a vegetação suprimida para a roça volte a se regenerar após o cultivo. Para garantir que as regras sejam cumpridas, uma comissão de associados faz vistorias nas áreas em regeneração e, assim, certifica de forma participativa o cumprimento do compromisso assumido.

A Embrapa presidiu a comissão julgadora, por meio do pesquisador João Roberto Correia, da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire).

Segundo o diretor-executivo de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Cleber Soares, a presença da Empresa na realização do Prêmio BNDES reforça o alinhamento com as megatendências do recém-lançado documento Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira. “Além disso, é uma forma de contribuir com a pauta internacional que tem como foco os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em especial o que se refere à erradicação da fome e o incentivo à agricultura sustentável”, lembrou ele.

"A experiência de todo o processo do Prêmio BNDES SAT foi exitosa", avaliou o presidente da comissão julgadora, pesquisador João Roberto Correia, da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas da Embrapa. "Foi a concretização de uma parceria entre as instituições em benefício de grupos sociais que realizam atividades que preservam tanto a agrobiodiversidade local, quanto sua cultura e o meio ambiente". Na opinião dele, a iniciativa também atende as metas do acordo firmado com Iphan, no que se refere à identificação de SATs no Brasil, além de levantar potenciais fontes de pesquisa em desenvolvimento territorial e conservação em recursos genéticos e temas ligados à gastronomia e turismo rural.

Também participaram da solenidade de entrega do Prêmio BNDES SAT o secretário-adjunto de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Francisco Melo, o coordenador de Agroecologia e Produção Sustentável da Secretaria de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), Marco Pavarino, o diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Hermano Queiroz.  Da Embrapa, estiveram presentes o pesquisador da Embrapa Clima Temperado e ex-diretor de Transferência de Tecnologia, Waldyr Stumpf, e o chefe-geral da Embrapa Amapá, Nagib Melém Júnior.

 

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Rodada de negócios estimula vendas de agricultores familiares em Mafra

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Com o objetivo de fortalecer a agricultura familiar e o comércio local, a Epagri realizou a Primeira Rodada de Negócios da Agricultura Familiar de Mafra. O evento, realizado na sede da Amplanorte e reuniu empresários, representantes do Exército Brasileiro e agricultores familiares para fazer negócios.

Telma Koene, líder do Projeto Gestão de Negócios e Mercados da Epagri para o Planalto Norte, explica que a rodada une compradores e vendedores para fazer negócios. “Entre as vantagens para as empresas compradoras estão o conhecimento de novos fornecedores, uma maior variedade de opções, facilidade na compra e descoberta de produtos inovadores. Já para os vendedores, a relação custo-benefício cresce, a possibilidade de encontrar potenciais compradores aumenta e a comunicação com o cliente final se torna mais dinâmica e direta”, detalha.

No encontro, representantes do Ministério Público de Santa Catarina e da Cidasc realizaram palestras para esclarecer detalhes da legislação a respeito da produção segura de alimentos e destacar a importância do cadastramento no programa E-origem, um sistema de rastreabilidade que será exigido de todos os produtores catarinenses. O evento contou com apoio da Amplanorte, da Prefeitura e da Associação Empresarial de Mafra.

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Agricultura familiar e agroecologia são soluções contra o agrotóxico

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Aprovado pela Comissão Especial da Câmara, o Projeto de Lei dos Agrotóxicos tem causado discussões em todo o País, devido a sua controvérsia. Em campanhas nas redes sociais, encabeçadas por artistas, chefes de cozinha, ONGs e entidades ligadas ao Meio Ambiente e à Saúde, chamam o projeto de PL do Veneno.

O relatório do deputado Luiz Nishimori (PR-PR) e defendido pela bancada ruralista brasileira foi aprovado por 18 votos a 9. Com a conclusão da votação, segue, agora, para análise do plenário da Câmara.

Alguns dos principais pontos do texto, é a substituição da palavra “agrotóxico por “pesticida” e também a concentração dos poderes de liberação de novos produtos pelo Ministério da Agricultura, além da ação de uma nova tabela de grau de risco para novas substâncias no Brasil, permitindo que produtos não autorizados passem a ser analisados.

Isso permitirá que agrotóxicos, hoje vetados pela lei atual por conterem substâncias cancerígenas e que causam malformações e mutações genéticas, passem a ser analisados conforme um grau de tolerância. E, também, os novos pedidos de registro devem ser analisados em até 24 meses – vencido esse prazo, pode haver autorização imediata. Atualmente, a legislação prevê até cinco anos.

Opções

O professor universitário e engenheiro agrônomo, Germano Güttler, explica que o uso de agrotóxicos não é a única solução para a agricultura. Ele ressalta que as produções agroecológica e orgânica são alguns dos muitos exemplos que dão certo sem o uso dessas substâncias.

“E as produções não são menores que aquelas que usam os agrotóxicos e são até mesmo maiores”, acrescenta. Germano ainda enfatiza que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (Fao) já realizou estudo indicando que, a única forma de produção para os próximos anos, será sem o uso abusivo de agrotóxicos.

A mudança para o Ministério da Agricultura da liberação de novos produtos também é um fato importante do PL. De acordo com Germano, isso acontece porque órgãos como Ministério da Saúde, Meio Ambiente, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Fiocruz e Inca – que são contra a aprovação da lei -, não estão ligadas ao agronegócio. Ele ainda ressalta que, nem mesmo um engenheiro agrônomo conhece, realmente, os efeitos do agrotóxico para o organismo humano e a categoria é conivente, no ambiente do agronegócio, e age como se as substâncias não fossem prejudiciais.

Alteração do nome

A engenheira agrônoma e ambientalista Gabriela Canto Santos Savian destaca que a mudança do nome de agrotóxico para defensivo agrícola, produto fitossanitário, defensivo agrícola ou qualquer outro nome, não muda a natureza tóxica do produto.

“A mudança do nome também complica, pois várias leis e regulamentações trazem essa denominação, então, serve só para confundir, como uma nuvem de fumaça encobrindo o problema de fato”, ressalta.

Gabriela explica que, na prática, o PL autoriza que substâncias já desaprovadas em outros países, após estudos e análises, possam ser utilizadas no Brasil a partir de um cadastro provisório, levando em consideração que apenas seriam proibidas substâncias com risco inaceitável.

A ambientalista acrescenta que, com o atual sistema produtivo e a dinâmica competitiva no Brasil, são utilizados todos os insumos possíveis para aumentar a produtividade e nisso podemos citar adubos químicos e os agrotóxicos.

“Mas sem esquecer que os serviços ecossistêmicos que a natureza presta ao “agro” são muito importantes, como a água e também os polinizadores (especialmente as abelhas), e estes são muito impactados com o uso indiscriminado dos insumos agrícolas.”

Ela ainda acrescenta que são exemplos de formas que podem ser utilizados e não precisam do uso das substâncias, práticas ou sistemas que contribuem em vários graus: rotação de culturas, o manejo integrado de pragas e doenças, que conta com métodos de controle e uso de defensivos biológicos; a produção orgânica e a agroecologia, assim como a diversificação de cultura, muito presente na agricultura familiar. Aliás, é a agricultura familiar responsável por 70% dos produtos consumidos por brasileiros.Fonte: Correio Lageano

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Apoio ao desenvolvimento rural sustentável

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Ministério do Meio Ambiente e Secretaria Especial de Agricultura Familiar firmam acordo para inclusão socioprodutiva de agricultores, extrativistas e povos indígenas

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) da Presidência da República assinaram, nesta terça, acordo de cooperação técnica (ACT) para realizar ações conjuntas de desenvolvimento rural sustentável, com foco na inclusão socioprodutiva da agricultura familiar, dos assentados da reforma agrária e dos povos e comunidades tradicionais.

Pelo acordo, firmado no Palácio do Planalto, durante solenidade de anúncio de novas medidas para fortalecer a safra 2018/2019, MMA e Sead deverão promover políticas públicas para inserir extrativistas, indígenas e agricultores familiares no programa de Assistência Técnica e Extensão Rural, o Ater Agroambiental.

Deverão, ainda, desenvolver ferramentas de planejamento, gestão e monitoramento de políticas agroambientais voltadas para a sustentabilidade na agricultura familiar e realizar estudos para dimensionar a contribuição dos sistemas agroecológicos nas iniciativas de mitigação e adaptação aos efeitos das mudanças do clima.

O acordo prevê, também, a atuação dos dois órgãos em ações de implementação do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo), instrumento da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica.

"A importância desse acordo decorre do interesse de trabalho conjunto, de desenvolver a sinergia, ampliando o impacto das ações do MMA e investimentos da Sead em prol do desenvolvimento da agricultura familiar e da conservação dos recursos naturais, buscando conciliar desenvolvimento econômico da agricultura familiar e conservação ambiental", disse o ministro substituto do Meio Ambiente, Jair Tannús Júnior.

O ACT tem validade de quatro anos, podendo ser prorrogado por mais quatro. Nesse período, o MMA, por meio da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável (SEDR), deverá compartilhar informações, indicar áreas prioritárias para a intervenção, promover insumos técnicos para o desenvolvimento de boas práticas para a gestão ambiental no espaço rural e apoiar os editais e chamadas públicas destinadas à agricultura familiar, entre outras funções.Fonte:Por: Ascom MMA

 

 

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Feira itinerante da agricultura familiar é lançada em São Miguel do Oeste

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A Feira Itinerante é resultado de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Agricultura e a Epagri e foi lançado oficialmente no sábado, 30, na praça Belarmino Anoni, no município de São Miguel do Oeste.

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De acordo com o secretário de Agricultura, Renato Romancini, a feira itinerante vai seguir um roteiro pré-definido. Os feirantes estarão no 1º sábado de cada mês no bairro Progresso; no 2º sábado, no bairro Estrela; no 3º no Agostini e no 4º sábado no São Luís. Além disso, a feira também será realizada os sábados, na Praça Belarmino Annoni.

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A Feira Itinerante não vai interferir na feira livre que acontece no pavilhão da rua Marcilio Dias. A garantia é do secretário de Agricultura, Renato Romancini. A feira do centro vai continuar nos mesmos dias e horários. Ele disse que o objetivo do projeto é permitir que mais moradores da cidade tenham acesso à Feira mais perto de casas, com grande variedade de produtos de origem vegetal e artesanato. Os agricultores interessados em participar das feiras nos bairros podem entrar em contato com a Secretaria de Agricultura ou a Epagri. Fonte:Cristian Lösch / Portal Peperi

 

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Compra da agricultura familiar regionalizada será discutida hoje na ALESC

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Hoje (28), a Assembleia Legislativa, através da Comissão de Finanças e Tributação, realiza um Seminário voltado para discutir a compra de alimentos da agricultura familiar regionalizada. A programação que terá palestras e debate, inicia às 8h.

De acordo com Milton Hobus tramita na Alesc desde 2015, um Projeto de Lei que trata do assunto e diante disso, Hobus pediu vistas para aprofundar a discussão que para ele ainda é superficial no Estado. Conforme o parlamentar, promover critérios de organização de produtores, cooperativas e grupos de produtores rurais. “Este seminário dará a orientação e definição o norteador desse PL,” salientou.

Hobus lembrou que pelo menos quatro palestras estão previstas. Reforçou exemplos de que alguns produtores de uma determinada região ganham licitações fora da área em que vivem e produzem e isso dificulta o deslocamento e reduz a capacidade de competitividade. Com a proposta de regionalizar, Hobus quer que o Estado possibilite que o produtor forneça alimentos e derivados para municípios próximos. “A intenção é fornecer para educação, segurança pública e todos os setores que precisam adquiri alimentos,” destacou.

Para Hobus, a proposta é amparada em experiências já vividas. “Em Rio do Sul, chegamos a comprar até 70% do que era adquirido pela prefeitura, desde sucos, geleias e tantos produtos que precisávamos para o serviço público. disse.

Diante disso, Hobus enfatizou que a nova proposta deve duplicar as vendas de produtores de pequeno porte do Estado. Para ele, a licitação regionalizada vai fomentar um setor da economia catarinense que sofre com os altos custos de produção e transporte e com a regionalização, poderá vislumbrar o empreendedorismo no campo.

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Mulheres catarinenses no comando, no mar e no rural

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Atuação em diferentes espaços da agricultura familiar e da pesca artesanal mostra a importância das mulheres catarinenses não apenas como geradoras de renda, mas como gestoras da propriedade e responsáveis pela organização comunitária e pela qualidade de vida da sociedade.

As mulheres representam 48% da população rural brasileira, de acordo com a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário. Em 2014 elas eram mais de 14 milhões e as maiores responsáveis pela produção destinada ao consumo familiar e pelas práticas agroecológicas e de reprodução de sementes crioulas. Elas contribuem com 42,4% do rendimento da família, mas ainda são minoria quando se trata da propriedade dos estabelecimentos da agricultura familiar: somente 16% deles têm as mulheres como responsáveis.

Em Santa Catarina essa participação alcança só 7,5% (Censo, 2010 e Censo Agro, 2006). Esses números refletem a pouca valorização do trabalho feminino no espa- ço rural e pesqueiro. Segundo dados do IBGE de 2006, muitas mulheres não são nem mesmo reconhecidas como agricultoras familiares: a maioria das atividades produtivas realizadas por elas são consideradas extensão do trabalho doméstico. Por muitos anos isso gerou exclusão de autonomia econômica desse grupo, bem como das decisões sobre a terra.

Foi a partir da constituição de 1988, por exemplo, que elas passaram a ter os mesmos direitos previdenciários que os homens trabalhadores rurais. Para as mulheres que atuam na pesca, as dificuldades de reconhecimento e visibilidade como profissionais também são inúmeras e só muito recentemente é que elas estão se inserindo em colônias de pescadores e buscando seus direitos.

Para mudar essa realidade, desde 2003 o governo federal passou a ampliar as políticas públicas para a mulher do campo e da pesca. Entre outros benefícios, elas facilitam o acesso à documentação, à terra, ao crédito, além de assegurar a participação na gestão de associações e cooperativas, influenciando a comercialização e a agregação de valor aos produtos. As empresas estaduais de assistência técnica e extensão rural são responsáveis pela implantação dessas políticas. Em Santa Catarina, a Epagri também desenvolve outras ações para qualificar o público feminino. Tais capacitações permitem que as mulheres desenvolvam habilidades e usem o conhecimento adquirido para melhorar a qualidade de vida da família e da comunidade. Outra iniciativa são os cursos de liderança, gestão e empreendedorismo com jovens rurais e oriundas de famílias que adotaram a pesca como principal atividade. São oportunidades que refletem a mudança na visão de futuro do público feminino.

Em Santa Catarina as atividades produtivas com que as mulheres mais se envolvem são bovinocultura de leite, olericultura, suinocultura, turismo rural, agroecologia, pesca, maricultura e processamento de alimentos para agrega- ção de valor. Em 2010, 25% das agroindústrias catarinenses estavam sob a responsabilidade de mulheres (Epagri/ Cepa). “As mulheres transformam informação em conhecimento e possibilidades a serem compartilhadas. Elas não costumam se acomodar, estão sempre inovando e investindo. Eu acredito que elas se pautam por um princípio: o que se acomoda não avança. Elas têm garra e espírito de inovação. Outro diferencial é que elas lutam pela melhoria da renda e da qualidade de vida da família e da comunidade, não se contentam em resolver apenas o problema delas”, diz a coordenadora do programa Capital Humano e Social da Epagri, antropóloga Rose Mary Gerber. Com essas atitudes e com acesso às políticas públicas, as mulheres do campo e da pesca ocupam espaços de liderança, empreendendo, realizando mudanças e superando desafios

Esta reportagem traz histórias de mulheres que estão transformando o espaço rural e da pesca, garantindo a qualidade de vida à sociedade.

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Primeira produtora do queijo serrano a conquistar o SIM na região de São Joaquim

Conhecida como a mulher do queijo na comunidade do Pericó, município de São Joaquim, a agricultora Rosângela Carbonar Guedes de Souza, 48 anos, assumiu a produção do queijo artesanal serrano (QAS) como principal atividade econômica em 2015 e em 2017 recebeu o Selo de Inspeção Municipal. Ela foi a primeira produtora a conquistar o registro na região de São Joaquim, que atesta a qualidade e a segurança de produtos de origem animal para o consumo humano.

Segundo a coordenadora do Projeto Queijo Artesanal Serrano na Epagri, Andreia Meira, Rosangela já é referência por sua determinação e se destaca como empreendedora rural. “Nos projetos desenvolvidos na região acreditamos muito na mulher como agente de mudança, principalmente pela visão de futuro, capacidade de articulação e de inovação. Temos na queijaria cor-de-rosa a expressão da for- ça da mulher rural”, diz ela se referindo à agroindústria que foi pintada de branco e rosa.

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Até 2015 a agricultora cultivava hortaliças orgânicas, mas decidiu escolher outra atividade que tivesse menos impacto na coluna. Uma reunião com técnicos da Epagri foi suficiente para ela decidir apostar no queijo. O marido Janir não se animou muito na época, mas embarcou no projeto. Hoje ela produz o queijo e faz a gestão financeira da agroindústria; ele é responsável pela lida com os animais. Em 2016 eles conseguiram R$17 mil do Programa Santa Catarina Rural e investiram mais R$53 mil para construir a queijaria, comprar equipamentos, construir uma nova sala de ordenha, reformar o galpão e outras obras. “O Janir ficou meio apavorado, mas insisti. Pra gente ir pra frente tem que investir”, diz Rosângela. Eles produzem uma média de seis quilos de queijo por dia. O comércio, também conquistado por ela, por enquanto se limita aos supermercados locais e aos turistas. O quilo é vendido por R$35,00 e rende cerca de R$3 mil para a família, que é formada também por um casal de filhos. Mas a agricultora tem planos ambiciosos: ela quer obter o selo de inspeção federal para comercializar em todo o país. Em meados de 2018 ela pretende chegar a uma produção diária de 25 quilos de queijo, trabalhando apenas com a mão de obra familiar.

Com incentivo da Epagri, outra ideia de Rosângela é fazer parte da Acolhida da Colônia, projeto que reúne agricultores para atuar no turismo rural. Ela pretende construir um quiosque para vender o queijo e um chalé para receber hóspedes. A agricultora vai se juntar à irmã que tem padaria para oferecer diferentes produtos aos turistas. “Temos que crescer. É daqui que vai sair nosso lucro e o dos filhos. Quero deixar um bom negócio para eles, sem precisar sair da propriedade”. Segundo Andréia, Rosângela tem sido um dos muitos exemplos inspiradores que comprovam o potencial e a capacidade da mulher serrana em investir na valorização dos produtos regionais e transformar a realidade, gerando renda, fortalecendo a identidade e a história da família, ampliando a esperança e as perspectivas de qualidade de vida no meio rural.

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Liderança entre os pescadores de Balneário Piçarras

A jovem de Piçarras Adriana Ana Fortunato Linhares, 29 anos, está na pesca há nove anos, desde que se casou. Filha de operário e de costureira, ela abraçou a profissão da família do marido Alex com a mesma garra que faz tudo na vida e hoje se destaca na atividade, que vai bem graças à gestão feita por ela. Em 2017 ela foi eleita para a presidência da Colônia de Pescadores Z-26, a primeira mulher na história da entidade a alcançar esse posto. Ela atribui a conquista desse espaço à participação no curso de gestão e empreendedorismo para jovens do mar oferecido pela Epagri, realizado em 2016. “Através do curso chegamos à conclusão de que é possível fazer mudanças, fazer a diferença. A colônia é suporte para os pescadores, através dela eles têm acesso a direitos trabalhistas e previdenciários, além de outros documentos importantes para a atividade”, diz a nova presidente. A entidade existe desde 1998 e hoje conta com cerca de 40 associados. “O interesse pelo acesso à informação é o diferencial de Adriana”, destaca a extensionista do município de Penha, Naiara Sampaio Silva, que acompanhou e orientou a pescadora durante o curso. Segundo Naiara, ela foi a melhor aluna da turma e já estava com o projeto pronto antes do prazo. O projeto, que previa desenvolver a atividade com mais segurança, foi contemplado em 2017 com R$10 mil do Programa Santa Catarina Rural para aquisição de hélice, eixo e guincho para a embarcação familiar.

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A renda da família de Adriana – formada também pelos pequenos Davi e Elisa – vem 100% da pesca do camarão, cuja produção fica em torno de 80kg di- ários. O trabalho dela começa antes da embarcação ganhar as águas, permanece enquanto o Alex pesca e continua depois que ele chega. Ela providencia o gelo para o pescado e o combustível para o barco, limpa a embarcação, cuida dos filhos, arruma a casa, cozinha, faz serviços bancários, administra as finan- ças do lar e da atividade pesqueira, é responsável pela agregação de valor ao pescado (descasca camarão, eviscera e fileta peixe), vende a produção, organiza o rancho de pesca, faz a manutenção do barco quando ele está no porto. “Se a mulher não pegar junto, a atividade não vai pra frente”, diz Alex. Ela acha graça, mas reconhece que a mulher é mais corajosa para assumir riscos e encarar desafios. “Com lideranças como Adriana, a pesca artesanal, que hoje é responsável por 80% da produ- ção dos pescados do País, só tem a crescer”, afirma a extensionista.

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Organização dos agricultores e agregação de valor da produção

A agricultora de Sangão Nilziane Ricardo Rodrigues da Silva, 33 anos, é o exemplo da mulher que quer melhorar a qualidade de vida não apenas da família, mas também de toda a comunidade onde vive.

Presidente da Associação dos Agricultores de Sangão (Agrisan) desde que a entidade foi criada, em 2015, ela vem desenvolvendo um trabalho incansável para que os produtores se organizem em grupo. “Esse é o caminho para conseguir mais recursos e melhorar a produção. O agricultor tem seus direitos, tem que se unir pra buscá-los”.

Hoje a entidade conta com 26 famílias associadas. A agregação de valor é o foco da atuação de Nilziane na Agrisan, que foi criada por estimulo da Epagri para que os agricultores tivessem acesso aos recursos do SC Rural. Ela usa a própria experiência para motivar os associados: a propriedade da família se dedica ao processamento de aipim ao invés de entregá-lo in natura para outras agroindústrias, pois a renda do produto processado é bem mais significativa.

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A criação da Agrisan permitiu que o grupo recebesse, em 2016 e 2017, mais de R$ 284 mil do SC Rural para projetos individuais e um coletivo, que foi a criação da feira da associação. Essa feira terá início no começo de 2018 e vai comercializar doces, geleias, melado, açúcar mascavo, licor, sal temperado, farinha de mandioca, escondidinho e outros produtos típicos regionais como derivados de aipim, batata-doce, hortaliças, frutas, etc. “Roça dá dinheiro uma vez por ano e ninguém quer mais isso. O jovem urbano quer celular, tênis bom. O rural também! Na agricultura a gente tem que inovar pro filho não sair”, diz ela, que tem três filhos pequenos e está montando toda essa estrutura para que os herdeiros tenham onde trabalhar no futuro.

Ela vive com as crianças e o marido Ailton numa área de 30 hectares, onde estão instaladas a agroindústria e a moradia, bem como a roça de aipim, a plantação de eucalipto e a criação de gado de corte para consumo da família. Hoje eles processam 2,5 toneladas de aipim por mês e comercializam em restaurantes e mercados, além de entregar para alimentação de escolas de Laguna e vender na feira de Jaguaruna. A agroindústria foi criada em 2016 com assessoria da Epagri e a partir de recursos do SC Rural. O marido se envolve com o cultivo e com as entregas e Nilziane com as vendas e com a gestão financeira do empreendimento. A renda bruta mensal está em torno de R$6,2 mil. A intenção é aumentar a produção e investir em novos produtos, como aipim frito e caldo de aipim. “Estamos em busca de novos financiamentos”, diz ela. Segundo o extensionista rural de Sangão, Natalício Nandi, Nilziane se destaca porque é muito trabalhadora, dinâmica e tem preocupação com a comercialização dos produtos com valor agregado. À frente da Agrisan e com assistência técnica da Epagri, ela está mudando a realidade da agricultura do município.

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Produção sustentável e saúde para as famílias

Maria Olice Merelles Prestes dos Santos, de 47 anos, mais conhecida como Lila Orgânica, descobriu na produção agroecológica um modo de vida mais saudável para ela e a população de Papanduva, município do Planalto Norte onde mora desde a infância. Ela se mudou para a área rural quando se casou, em 1997, e em seguida procurou a Epagri para aprender sobre agricultura sustentável, porque queria produzir alimento saudável para a família. “Se antigamente tudo era plantado sem veneno, por que agora não dá?”, indaga. Sua iniciativa foi tão bem-sucedida que ela conseguiu estimular outros produtores a mudar o sistema de produção e, com assessoria da Epagri, em 2012 montou um grupo de agricultores orgânicos no município.

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Desde 2015 ela tem a certificação da Rede Ecovida de Agroecologia e comercializa no município, principalmente na feira que ajudou a criar e na qual trabalha como secretária. Dependendo da época do ano, ela leva para lá tomate cereja, alface crioula, quiabo, batata yacon, banana, amendoim, pipoca, brócolis, rabanete, repolho, cebola e mudas de temperos e ervas medicinais. Tudo é cultivado em uma área de 2,7 mil m², com o apoio do marido Valdemir, na propriedade onde eles vivem com três filhos. A demanda é maior que a oferta, mas a atual produção permite que ela comercialize na feira e ao mesmo tempo na propriedade, direto para o consumidor. As escolas também recebem alguns produtos da horta de Lila, que se preocupa com a alimentação das crian- ças. Isso a fez, inclusive, ser eleita presidente do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), criado em 2015. Foi por meio do Consea que Papanduva realizou o primeiro encontro de sementes crioulas, em 2017, experiência que Lila já trazia de trocas com grupos do Planalto Norte e do Paraná. “Minha vó era índia e ensinou minha mãe a tirar as sementes, deixar secar num pedaço de pacote de trigo e replantar. Cresci vendo isso. Acho que vem delas essa vontade de guardar semente, multiplicar e trocar com os vizinhos para garantir a existência de várias espécies A produção de alimentos limpos e saudáveis é prioridade da agricultora de Papanduva não comerciais e diversificar a alimentação”. O modo de vida de Lila está influenciando a população: os vizinhos estão diminuindo o uso de venenos e muitos pedem a ajuda técnica dela para implantar hortas. Uma coisa é comum a todos: a procura pelas hortaliças que ela produz.

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A agricultora ensina tudo o que sabe, quer estimular os outros a fazerem também. “A dona Lila é uma mulher sonhadora, que luta pelos seus objetivos. Sonha com um mundo melhor, onde a produção de alimentos limpos e saudáveis é prioridade. Faz da agroecologia o seu modo de vida e, sempre que pode, compartilha seu saber e motiva as pessoas ao seu redor,” afirma a extensionista rural do município, Camila Pereira Croge. Hoje Lila se diz realizada e feliz por ver o espaço rural transformado. “Me pergunto porque não comecei antes. Quero chegar aos 100 anos produzindo”. Os planos da família são direcionar os investimentos na horta, aumentar a área e trazer o marido, que ainda faz trabalhos como pintor na cidade, para se dedicar apenas à produção agroecológica.

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Exemplo de força, superação e resiliência

A agricultora de Descanso Verônica Chenedeze Dambrós, de 54 anos, é exemplo força, superação e resiliência. Viúva em 2003, aos 40 anos e com três filhas pequenas, ela teve que deixar a propriedade da família do marido e se reinventar para sobreviver no campo, de onde ela nunca quis sair. “A evolu-ção acontece com a crise”, acredita. Até então ela plantava fumo e feijão e produzia leite. Ao se ver sozinha, procurou a Epagri e foi inserida no programa de crédito fundiário, de onde conseguiu financiamento de R$40 mil para comprar a propriedade de 3,5ha onde vive desde 2011 e produz frutas e hortaliças orgâ- nicas. “A história de vida dela tem um enredo de perdas e sofrimentos, mas agora de empoderamento. E ela segue nesse mistério, que é uma felicidade contagiante”, diz a extensionista social em Descanso, Flavia Maria de Oliveira.

A principal atividade da agricultora é o processamento de hortaliças para conserva, no que a Epagri novamente foi decisiva para o sucesso do negócio: Verônica fez cerca de 20 cursos na área oferecidos pela Empresa. Além do recurso para comprar a propriedade, Verônica conseguiu mais R$30 mil do Banco da Terra para investir na agroindústria e R$4 mil do Programa Santa Catarina Rural para comprar equipamentos. No começo era só pepino, hoje “planto e colho repolho roxo, cebola, couve-flor, beterraba, rabanete, pêssego…” São cerca e 8,3 mil vidros por ano, tudo comercializado no município. Sempre em busca de novos mercados, Verônica passou a entregar hortaliças para a alimentação nas escolas do município. Hoje o cardápio da criançada inclui cenoura, pimentão, brócolis, radiche, geleia de morango, conserva de pepino, doce de abóbora. “Só vou parar de oferecer alimento para as escolas quando estiver vovozinha. É uma terapia plantar verdura orgânica”, diz ela, que acredita durar mais 40 anos devido à felicidade que encontrou na atividade. A extensionista da Epagri sempre é surpreendida pela animação de Verônica, que cria receitas novas, vai experimentando, vai se desafiando. Uma preparação de sucesso é a cebola ao vinho.

O próximo desafio é desenvolver a conserva de pepino light para atender consumidores com restrições alimentares, como é o caso de diabéticos e hipertensos. “Não podemos parar no tempo, temos sempre que evoluir, amanhã é outro dia”, afirma a agricultora. Agora, ela também está pesquisando outras formas de financiamento para comprar freezer para mandioca, já que recentemente começou a trabalhar com a cultura.

Hoje suas filhas são casadas e ela também se casou novamente. O marido Ivo, aposentado de um frigorífico da região, ajuda Verônica na roça e faz as entregas. “Hoje eu tenho uma vida boa, tenho bons calçados, roupa boa, e ainda tenho reserva pro ano que vem”. Sua intenção é investir na qualidade dos produtos e não na quantidade, já que não pretende contratar mão de obra. “Quero aproveitar mais a vida, trabalhar menos e viver mais com a minha família”, diz. Produção de hortaliças garante uma vida confortável para Verônica, que tem reserva financeira para o ano seguinte

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Independência financeira e donas do próprio negócio

“Antigamente eu precisava pedir dinheiro pro meu marido pra tudo. Hoje é ele quem me pede”, se diverte a agricultura de Trombudo Central, no Alto Vale do Itajaí, Maria Salete de Lourenzi, de 60 anos. Essa realidade foi possível a partir de 2014, quando ela e as amigas Varlene Teresinha Bastos Belichvel, de 47 anos, e Marlise Voigt Dalke, de 49, criaram a indústria de panificados Aroma Rural. “Aqui nós plantamos e colhemos na hora. A roça depende do clima e de fazer uma boa colheita”, ressalta Varlene. Atualmente fazem parte do negócio apenas Salete e Varlene.

A agroindústria familiar rural foi a concretização de um sonho antigo das três amigas e a assessoria da Epagri foi essencial para o sucesso do empreendimento. Outro fator importante foi o apoio financeiro do SC Rural com o aporte de R$10.446,00. Na ocasião elas investiram o mesmo valor como contrapartida. “No começo os maridos ficaram meio receosos, com medo de perder a nossa mão de obra na roça. Depois que começou a dar lucro, eles se interessaram”, diz Salete. Apesar de elas ainda continuarem com as atividades no campo – Salete com o gado de leite e Varlene com a fumicultura e com o gado de leite, o foco é a produção de pães e bolachas, comercializados principalmente para a alimentação escolar de Trombudo Central, São Cristóvão, Ponte Alta e também como merenda nas escolas estaduais. Quando as encomendas aumentam, os maridos ajudam na produção, nas compras e nas entregas.

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A extensionista social do município, Leonir Claudino Lanznaster, que acompanhou o trio desde o começo, conta que as agricultoras são exemplo de coragem na região, porque começaram do nada. “Elas têm determinação e força de vontade. A primeira venda comercial delas foi de 800 gramas de docinhos. A agroindústria permitiu que elas tenham renda própria, autonomia na tomada de decisão e no gerenciamento da agroindústria. Elas têm mais sentimento de pertencimento ao empreendimento do que nas atividades desenvolvidas na propriedade. A independência financeira elevou a autoestima das duas, que se sentem valorizadas pelo reconhecimento da qualidade do produto, que rapidamente foi muito bem aceito no mercado. Elas estão mais felizes”. A agroindústria tem 70m2 e está instalada na propriedade de Maria Salete. Hoje a média da produção mensal é de 300kg de pães e 800kg de bolachas, o que proporciona uma renda em torno de R$ 2,5 mil por mês para cada uma. Para o futuro, os planos são investir em equipamentos para dobrar a produção e trazer definitivamente os maridos para, juntos, tocarem o negócio da família. Fonte: Reportagem Isabela Schwengber / Epagri- Fotos: Aires Mariga/Epagri

 

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Agricultores desenvolvem ‘fubá da paixão’ artesanal, feito de milho orgânico e resistente à seca

 

milhofubaUm novo tipo de fubá foi lançado, durante a 13ª Feira Regional de Produtos Agroecológicos, que aconteceu na última semana, durante feira Agroecológica, na cidade de Campina Grande. O ‘Fubá da Paixão’ é feito, artesanalmente, a partir de um tipo de milho orgânico mais resistente à seca e sem agrotóxicos.

Segundo Emanoel Dias, assessor dos agricultores da Paraíba através da Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), o nome ‘Fubá da Paixão’ surgiu porque as famílias agricultoras da Borborema vêm, ao longo dos anos, conservando e multiplicando uma diversidade de sementes crioulas (ou 'sementes paixão', como são localmente chamadas).

As sementes crioulas recebem esse nome de 'sementes da paixão' pelos agricultores da Borborema em forma de carinho à tradição mantida pelas famílias ao longo dos anos. São sementes de todo tipo: feijão, fava, jerimum, milho, macaxeira, "que resgatam e valorizam a cultura nordestina", diz Emanoel.

O assessor técnico dos agricultores da Paraíba explica que a diferença das 'sementes da paixão' para as outras é que os grãos são selecionados naturalmente, sem nenhuma modificação genética, e que elas são adaptadas às condições de chuvas e seca, por isso são mais resistentes.

Uma unidade de produção e beneficiamento do 'Fubá da Paixão' foi montada no Banco Mãe de Sementes, no município de Lagoa Seca, na Paraíba. Todo milho para a produção do novo tipo de fubá foi adquirido das famílias agricultoras guardiãs das sementes na região e, antes de armazenamentos, foram feitos testes de transgenia para que pudesse ser garantido um produto de qualidade, livre de transgênicos e agrotóxicos, afirmou Emanoel Dias.

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Anilda Batista é agricultora da cidade de Remígio, no Agreste paraibano, e uma das guardiãs das ‘sementes da paixão’ na região (Foto: Érica Ribeiro/G1)

Anilda Batista, 48 anos, é agricultora da cidade de Remígio, no Agreste paraibano, e uma das guardiãs das ‘sementes da paixão’ que foi escolhida para fazer o lançamento do produto na barraca dela, durante a 13ª Feira Feira Regional de Produtos Agroecológicos em Campina Grande. Ela, que possibilitou ao público a degustação do ‘Fubá da Paixão’, afirma que é feirante agroecológica há 12 anos e que o novo alimento é uma conquista para os agricultores.

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Anilda Batista contou ao G1 como preparar o cuscuz a partir do ‘Fubá da Paixão’, confira abaixo:

Ingredientes: 2 xícaras de chá de fubá da paixão e 2 xícaras de cafezinho de água morna e sal a gosto.

Modo de preparo:

Em um recipiente, misture o 'Fubá da Paixão', adicione gradativamente pequenas quantidades de água morna e continue misturando a massa sem parar, por 7 min, quebrando os grumos que porventura apareçam. Deixe a massa em repouso por 3 min. Coloque em uma cuscuzeira com água (fria, em temperatura ambiente) e deixe cozinhar no fogo por cerca de 6 min.

A agricultora diz que, após o cozimento, é preciso utilizar a criatividade. Ela afirma ainda que o cuscuz feito do ‘Fubá da Paixão’ combina com manteiga da terra ou com ovos da capoeira; e com carne de sol na nata ou queijo de coalho – produtos também produzidos pela agricultura familiar da região da Borborema.

 

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Outros alimentos das 'sementes da paixão'

Atualmente, além do 'Fubá da Paixão', estão sendo produzidos também outros alimentos provenientes das 'sementes da paixão' como o xerém, o munguzá e o farelo. Os produtos estão sendo vendidos em todas as Feiras Agroecológicas organizadas pela Associação dos Agricultores e Agricultoras Agroecológicos do Compartimento da Borborema, a EcoBorborema.

A produção desses produtos derivados das 'sementes da paixão' começou em janeiro deste ano, depois de vários testes em cursos de tecnologia de alimentos de universidades da região, afirmou o assessor técnico da AS-PTA.

Para as pessoas que desejam adquirir os produtos, mas não sabem como e onde encontrar, a EcoBorborema disponibiliza os telefones 3361-9009 e 99692-0118 para encomendas e também para informar onde estão localizadas as 12 feiras agroecológicas espalhadas pelas cidades da região.

Em Campina Grande, há uma feira localizada no Museu do Algodão, próximo ao Açude Velho, no centro da cidade, onde todas as quartas-feiras há venda desses produtos.

‘Por um São João livre de transgênicos e agrotóxicos’

Com o tema ‘Por um São João livre de transgênicos e agrotóxicos’, a 13ª Feira Regional de Produtos Agroecológicos comemorou, a semana nacional dos orgânicos e a semana do meio ambiente.

 

Além do lançamento do 'Fubá da Paixão', a feira fez distribuição de 300 mudas e contou com uma estrutura de mais de 20 barracas, com cerca de 30 agricultores da Paraíba, que estavam oferecendo ao público uma diversidade de hortaliças, frutas, ovos, leite e derivados, grãos e produtos beneficiados como doces, bolos, polpas de frutas, beijus, tapiocas e artesanato.

Ao todo, a feira contou com representantes da Rede de 12 Feiras Agroecológicas da EcoBorborema; da Tenda Agroecológica do Cariri Oriental; da Bodega Agroecológica do Cariri, Seridó e Curimataú e das Feiras Agroecológicas de Picuí, Cuité, Aroeiras, Ingá, Monteiro, Sumé, entre outros municípios.

A Feira Regional na Praça da Bandeira teve ainda uma programação cultural com apresentações de teatro com alunos da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e apresentação do trio de forró Puxando o Fole. Durante toda a manhã, estudantes e professores estavam no local distribuindo materiais e dialogando com o público sobre alimentação saudável e as diferenças entre os produtos agroecológicos e orgânicos; e os riscos dos transgênicos e agrotóxicos.

Mais informações: http://g1.globo.com/economia/agronegocios/

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Agricultores familiares de Lauro Muller comercializam com padrões de qualidade

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O Governo do município de Lauro Müller tem ampliado cada vez mais o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA que permite o Poder Executivo adquirir alimentos produzidos por agricultores familiares do município.

Somente a atual gestão, liderada pelo prefeito Valdir Fontanella, aumentou nestes últimos meses 42,97% a aquisição de alimentos produzidos por famílias de Lauro Müller. Atualmente o município atinge a marca de 64,97%, sendo que a Legislação exige que seja comprado no mínimo 30%.

Conforme o secretário de Agricultura do município, Acione Andrade Izidoro, no início de 2017, quando assumiu a pasta, a aquisição por meio do PAA estava em 22%, diante disso, iniciou-se uma série de trabalhos a fim de fortalecer a participação dos produtores do município. “O trabalho já tem dado resultado, meses depois, já estamos com este índice que podemos dizer que é uma referência para a região e deve subir mais. Temos dado todo suporte necessário para que nossos agricultores possam produzir ainda mais, visando sempre a qualidade destes alimentos, que sempre são recebidos por nutricionistas antes de serem enviados para as unidades de ensino”, destacou Acione.

Ainda conforme o secretário, entre os alimentos fornecidos no município estão: carne em cubos, moída e lombo suíno, temperos verdes, verduras, frutas, pão integral, mel, melado, queijo, feijão, banana, maça, laranja, limão e aipim. Recentemente também foi incluído o peixe, visando fomentar o setor da piscicultura e propiciar uma alimentação saudável aos alunos.

E quem já está colhendo os frutos deste projeto é a família da senhora Rosimari Carrer Baggio Demarch, produtora rural da comunidade de Guatá de Baixo. Há quase quatro anos participando da iniciativa, ela garante que não abre mão de se cadastrar, assim como outras 13 famílias que atualmente fornecem alimentos para o município.

“É uma renda extra que podemos contar todo mês para ajudar no sustento da minha família e arcar com as despesas. Produzo alface, repolho, couve, batata doce, milho aipim, laranja e limão. Acredito que é uma maneira também de promover o trabalho da agricultura”, comemorou Dona Rosimari.

O prefeito Valdir Fontanella destacou a felicidade de ver o município fortalecendo cada vez mais sua economia e valorizando as pessoas do meio rural. Ele parabenizou o excelente trabalho em equipe realizado pelas pastas de Agricultura e Educação.

“Estamos dando um grande para o fortalecimento da agricultura familiar. Este aumento mostra o quanto nossa equipe já ampliou na aquisição de alimentos produzidos pelos nossos agricultores familiares e isso tem ajudado a gerar emprego, mais renda para os nossos trabalhadores no campo e também alimentando com qualidade nossas crianças da rede municipal de ensino”, registrou Fontanella.

O programa

Os Programas de Aquisição de Alimentos (PAA) e Compra Direta Local são ações do Fome Zero e promovem o acesso de alimentos às populações em situação de insegurança alimentar. Os programas também promovem a inclusão social e econômica no campo por meio do fortalecimento da agricultura familiar.

Na modalidade, o agricultor familiar comercializa diretamente alimentos de acordo com padrões de qualidade que são determinados pelos órgãos regionais competentes em um limite de R$ 4,5 mil por ano. Fonte: Assessoria de Comunicação

Mais informações: www.lauromuller.sc.gov.br

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