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Bambu é alternativa de renda na produção familiar

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É possível manejar bambus nativos e fazer da planta uma opção de renda na agricultura familiar. Com técnicas de colheita adequadas o vegetal rebrota com facilidade e pode produzir por muito tempo. É o que concluiu uma pesquisa da Embrapa realizada em comunidades rurais do Acre com o objetivo de comprovar o potencial econômico e viabilizar o aproveitamento desse recurso natural.

Com moradores da Reserva Extrativista Chico Mendes, município de Assis Brasil (AC), os pesquisadores atuaram na definição de um sistema de produção para a cultura. Além de possibilitar o manejo de reservas nativas, as pesquisas realizadas pela Embrapa em parceria com a Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa (Sebrae) e Universidade Federal do Acre (Ufac) contribuíram para desmistificar o vegetal, antes considerado indesejado por sua capacidade de se espalhar rapidamente.

Para demonstrar as potencialidades do bambu aos agricultores, os pesquisadores instalaram um experimento na comunidade Bambuzal e testaram técnicas de seleção, corte e colheita da planta, além de métodos de tratamento e processamento, para garantir qualidade à madeira, segundo conta o pesquisador da Embrapa Acre Elias Miranda. “Paralelamente a esse trabalho, identificamos alternativas sustentáveis de aproveitamento da madeira na propriedade e compradores potenciais para a produção. Aos poucos, eles perceberam que o bambu é uma cultura promissora, com muitas possibilidades econômicas”, relata o cientista.

Sem replantio: bambu rebrota por mais de 30 anos

Perene, de rápido crescimento (algumas espécies crescem até 20 centímetros por dia) e fácil regeneração, o bambu pode produzir por mais de 30 anos, sem a necessidade de replantio. Conforme Miranda, uma das principais particularidades do manejo dessa gramínea é a colheita seletiva, com retirada anual de colmos maduros. Em bambuzais nativos deve ser colhida metade das plantas por touceira. Em cultivos plantados, a partir dos cinco anos é possível colher de 20% a 50% dos colmos com potencial econômico, dependendo da espécie e finalidade de uso.

O pesquisador explica, ainda, que a extração regular, com base em orientações técnicas, ajuda a planejar a produção, facilita a colheita e permite o surgimento de novas plantas, aspecto que garante a manutenção do bambuzal e sustentabilidade à atividade. “Conhecer o comportamento reprodutivo do bambu é importante para orientar empreendimentos comerciais, seja em reservas nativas ou áreas cultivadas. Como se trata de uma planta ainda em fase de domesticação, existe um longo caminho até desvendar plenamente a sua biologia”, afirma Miranda.

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De praga a fonte de renda

Na propriedade do agricultor Assis Oliveira, a família investiu na comercialização de colmos (varas) e esterilhas (pranchas aplainadas utilizadas para a confecção de painéis) tratadas na comunidade. “O aprendizado prático ajudou a transformar em fonte de renda uma planta vista como praga. Em três anos, faturamos 80 mil reais com a venda desses produtos. Uma pena não ter despertado antes para o valor do bambu”, conta Oliveira.

Os resultados motivaram outros produtores rurais a investir no bambu como atividade produtiva, entre eles Francisco da Silva, morador do Assentamento Bandeirante, município de Porto Acre, que há dois anos tem o apoio de pesquisadores no manejo da planta. “Aprendi a realizar a colheita na floresta e tratar a madeira de forma adequada. Hoje atendo encomendas de empresas de Rio Branco e São Paulo. Cada vara de quatro metros custa entre oito e 12 reais, de acordo com o diâmetro”, enfatiza. A meta do agricultor é ampliar o negócio com o cultivo de bambu consorciado com açaí.

No Brasil, há 258 espécies de bambu

De acordo com a Lista de Espécies da Flora Brasileira existem 258 espécies de bambu no País, distribuídas em 35 gêneros e encontradas nos diferentes biomas brasileiros. Essa diversidade, correspondente a cerca de 20% do total dos bambus no mundo, favorece a realização de pesquisas para o melhoramento genético da planta e conservação da espécie, o que é feito pela Embrapa desde 2013, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB). Um dos enfoques desses estudos é a produção de mudas, a partir de materiais genéticos de interesse comercial coletados em localidades da Amazônia e Cerrados.

Entre os resultados dos estudos está a definição de protocolos para a produção de mudas em laboratório, por propagação in vitro, com uso de biorreatores. O método, de acordo com o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) Jonny Everson Pereira, permite multiplicar as plantas de forma semi-industrial e proporciona agilidade ao processo “Isso garante a oferta de mudas de qualidade, em larga escala, e reduz tempo e custos com mão-de-obra”, enfatiza.

Além da técnica in vitro, no Acre a produção de mudas ocorre também em viveiros instalados em propriedades rurais parceiras, atividade que avalia a capacidade reprodutiva de espécies do gênero Guadua. “Por ser um processo simples, a propagação natural, por brotação de estacas, pode ser realizada pelos agricultores para obtenção de plantas tanto para aplicação em benfeitorias na propriedade rural como para gerar renda extra”, diz Miranda. 

Mapa do bambu

A maior reserva natural de bambu do planeta, localizada no sudoeste da Amazônia Legal, abrange cerca de 180 mil quilômetros quadrados de florestas com a presença da planta, que se iniciam na Cordilheira dos Andes, nos territórios peruano e boliviano, e se estendem até o estado do Acre e parte do Amazonas. Essa imensa mancha verde cobre cerca de 40% das florestas acreanas, o equivalente a 4,5 milhões de hectares com bambus nativos, conforme dados do Zoneamento Ecológico-Econômico  (ZEE) do estado. Para conhecer de perto esse recurso natural, desde 2009 um grupo de pesquisadores realiza o mapeamento de diversos municípios.

O trabalho pioneiro revelou maior concentração de bambus com potencial econômico nos municípios de Assis Brasil, Manoel Urbano, Xapuri e Sena Madureira, situados a leste do Estado. “Os conhecimentos sobre as espécies, quantitativo e localização espacial das reservas nativas serviram como subsídio para a criação do Plano Estadual de Desenvolvimento do Bambu, política pública que reúne diretrizes básicas para o uso sustentável desse recurso natural no Acre, estabelece regras para o cultivo e prevê investimentos para a geração de tecnologias para a cultura”, afirma Aldemar Maciel, gerente de projetos do Sebrae. 

Mercado em expansão

Presente em diversas partes do mundo, o bambu é utilizado para diferentes finalidades – da produção de brotos comestíveis à execução de projetos inovadores em arquitetura e engenharia. Segundo a Rede Internacional de Bambu e Rattã (Inbar), entidade que reúne mais de 43 países em iniciativas voltadas para o uso desses vegetais, incluindo o Brasil, o mercado mundial do bambu movimenta cerca de 60 bilhões de dólares ao ano.

No Brasil, conforme dados da Associação Brasileira de Produtores de Bambu (Aprobambu), existem cultivos de bambu no Maranhão (22 mil hectares) destinados à produção de biomassa para geração de energia para o setor industrial, principalmente cervejarias e cerâmicas. Na Paraíba e Pernambuco, os 15 mil hectares com a planta destinam-se à produção de celulose e papel para embalagens para cimento. São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia e Paraná investem em cultivos comerciais com foco na produção de painéis, broto e fitocosméticos.

Guilherme Korte, presidente da Aprobambu, considera as pesquisas essenciais para direcionar investimentos para suprir a demanda crescente por bambu no mercado interno e de outros países. “Temos imensas reservas naturais com espécies de Guadua tão resistentes, leves e flexíveis quanto a madeira convencional, que podem ser aproveitadas, e um clima propício para o cultivo da planta em todas as regiões, inclusive como alternativa para recuperação de áreas degradadas. O caráter renovável e os usos múltiplos fazem do bambu uma excelente alternativa de produção para agricultores familiares e uma opção de negócio sustentável para a região, com benefícios econômicos, sociais e ambientais”, destaca. .Fonte: Diva Gonçalves / Embrapa Acre 
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Prefeitura de Piratuba investe em programas de apoio aos produtores rurais

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Desde o início da atual Administração, a Prefeitura de Piratuba, através da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, investiu cerca de R$ 600 mil (sendo R$ 350 mil com recursos do Município) em programas de incentivo aos produtores rurais, incluindo distribuição de adubo orgânico, sementes de pastagens e sêmen para melhoramento genético de rebanhos (assim como o nitrogênio, utilizado para conservar o produto, e os materiais necessários para a inseminação).

Outra forma de auxiliar os produtores rurais é com a assistência técnica de profissionais da Secretaria e a prestação de serviços com máquinas e implementos agrícolas.

O secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Rogério Nunes Vieira (foto), destaca o Programa de Pastagens de Inverno, que já repassou, com valores subsidiados, cerca de cinco mil sacos de sementes de aveia e azevém, o Programa Cama de Aviário e a distribuição de adubo orgânico, todos com subsídio de 50% (metade do valor é pago pela Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente). “A prestação de serviços com a frota de veículos e implementos agrícolas da Prefeitura também tem subsídio do Município. O valor pago por horas/máquina em Piratuba é o mais baixo da região da AMAUC”, observa Vieira.

Melhoramento genético dos rebanhos

Outro destaque é o Programa de Melhoramento Genético, através do qual já foram repassados gratuitamente aos produtores 5.600 doses de sêmen de raças leiteiras (Holandesa e Jersey) e de corte (Red Angus, Aberdeen Angus e Nelore Mocho), além de 2.830 litros de nitrogênio para conservação do sêmen e os materiais utilizados na inseminação, como luvas descartáveis, aplicadores e réguas plásticas, entre outros.

Reserva de sementes de pastagens de inverno na reta final

A Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente ainda está aceitando reservas de sementes de aveia e azevém e as entregas começarão a ser feitas nos próximos dias. “Também faremos a distribuição de fertilizantes, já que o próximo período de plantio na região inicia em setembro”, informa Vieira. A quantidade de fertilizante a ser distribuída em cada propriedade será proporcional aos valores emitidos pelos agricultores em notas do bloco do produtor.

“É muito importante que essas notas sejam emitidas com os valores corretos, pois os recursos obtidos pelo Município com os impostos retornam em forma de benefícios aos próprios produtores”, ressalta o secretário, reafirmando que o objetivo é ampliar cada vez mais os atendimentos, com a continuação dos serviços já prestados e criação de novos programas.Fonte:Ascom/Prefeitura Municipal de Piratuba

 

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Vinhos proibidos

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As ruas de Garibaldi, no interior do Rio Grande do Sul, estavam desertas naquela noite fria de junho. No topo de uma colina, um homem barbudo abre a garagem da sua casa e mostra os tanques de plástico, os barris de carvalho e uma prensa conhecida como torchio. “É aqui que o crime acontece”, ele confessa. O delegado da cidade e agentes da fiscalização agropecuária vistoriaram o local no dia 7 de junho de 2016. Desde então, tudo o que Eduardo Zenker faz em sua vinícola está sendo controlado pelo governo.

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produtor Eduardo Zenker em sua garagem, em Garibaldi (RS)

Conhecida na Serra Gaúcha pela qualidade do vinho artesanal, a Arte da Vinha de Eduardo Zenker produzia 5.000 litros da bebida por ano, em lotes de até 400 unidades. A apreensão do último lote pelos fiscais da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul, em função de denúncias sobre irregularidades sanitárias, provocou reações no setor. Um grupo saiu em defesa da vinificação em pequena escala e com o mínimo de intervenções. “São vinhos totalmente diferentes dos convencionais”, explica o vinhateiro.

Após uma quebra ter reduzido pela metade a safra de 2016, em função do clima adverso, o Brasil produziu 340 milhões de litros de vinhos e espumantes no ano passado, com apoio da crescente produção do Vale do São Francisco (4 milhões de litros). O país ocupa o 16o lugar no ranking mundial da oferta de uva, próximo da Grécia, mas continua longe de ter alguma relevância nas exportações de vinho, como o Chile (quarto maior exportador).

“Sempre fiquei muito frustrado por sermos a última nação a entrar no rol dos grandes vinhos, sendo que a Califórnia começou a produzir depois de nós”, lamenta Marco Danielle, do Atelier Tormentas, de Canela (RS). Atualmente, os Estados Unidos são o quarto maior produtor e sétimo exportador da bebida.

O produtor antecipou o movimento que hoje envolve Eduardo Zenker e outros produtores da Serra Gaúcha. Ele começou a produzir em 2002 e aprimorou suas técnicas após uma visita à França, em 2010, dispensando o dióxido de enxofre (SO2), conservante exigido por lei. Seu pinot noir, uva clássica da Borgonha, coleciona elogios de sommeliers famosos e comparações com os melhores borgonheses. Em 2012, foi eleito um dos cinco melhores do mundo por um renomado especialista holandês na feira de vinhos de Amsterdã.

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Ramatis Russo e Liz Cereja da Enoteca Saint Vin Saint

DENTRO DA PORTEIRA

Marco recebeu a reportagem no galpão que está construindo para transferir sua vinícola. “Estou em franco processo de legalização, em função da caça às bruxas que está acontecendo”, ele diz. Como um “tesouro escondido”, suas garrafas ficam em uma adega subterrânea e são vendidas diretamente para os clientes. “Quem faz vinho artesanal está foragido neste país”, afirmou. “O vinho brasileiro foi achincalhado até que os artesanais começassem a melhorá-lo. É ridículo o que está acontecendo.”

A legislação do setor vitivinícola envolve 30 decretos, explica Kelly Bruch, que representa o Brasil na Organização Internacional do Vinho (OIV). Para ter registro oficial, é preciso cumprir à risca a Lei do Vinho (7.678/1988) e a Instrução Normativa no 5, de 31 de março de 2000, do Ministério da Agricultura. Os pequenos produtores consideram inviável cumprir boa parte dessa legislação, por causa do alto custo. Não são poucas as obras que devem ser feitas em qualquer projeto de vinícola para atender, por exemplo, às regras que dispõem sobre instalações e logística.

A legislação prevê que os produtores da agricultura familiar podem produzir até 20.000 litros por ano, mas, para serem considerados como tal, devem plantar 70% da uva vinificada e vender a bebida somente da porteira para dentro ou em feiras do segmento. “Em algumas situações, os produtores são pequenos, mas não são da agricultura familiar, então não conseguem se enquadrar”, diz Kelly.

No caso de Eduardo Zenker, o enquadramento na agricultura familiar seria impossível, pois ele cultiva apenas 1 hectare de uva, depende da produção de terceiros e vinifica um volume quatro vezes menor que o mínimo estabelecido por essa lei.

O caso dos outros produtores é similar – eles costumam trabalhar com matéria-prima de fornecedores, cuidadosamente selecionada. Além disso, como fazem vinhos de alta qualidade, estão voltados para demandas urbanas distantes das suas propriedades. “Nosso mercado está em São Paulo e no Rio de Janeiro”, observa Eduardo.

Para o chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Mauro Zanus, a legislação rigorosa é importante para garantir a segurança alimentar. Ele lembra que, há 30 anos, na Itália, um produtor utilizou metanol no vinho, matando um consumidor e causando cegueira em outros. “Os italianos perderam o mercado americano durante dez anos por causa disso. O dirigente acredita, no entanto, que o Brasil tem mais chances de dar destaque ao seu produto com os vinhos artesanais. “O produtor artesanal tem uma tendência muito maior de valorizar o produto, por isso é importante rever a legislação.”

 

A Confraria dos Sommeliers apoia o artesanal e critica o limbo jurídico

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Marco Danielle em sua cave, em Canela (RS)

Na visão dos produtores, para quem um dos segredos do ofício é o mofo que se acumula nas paredes da cantina, o uso de aditivos e a esterilização, previstos em lei, são fatores contrários à qualidade. “É tão louca a coisa que querem provas do que você não bota no vinho, mas é permitido utilizar centenas de substâncias”, diz Lizete Vicari, do Domínio Vicari, que começou a produzir vinhos em 2007, em uma garagem na Praia do Rosa (SC). Hoje, ela produz, em média, 1.500 garrafas por ano no porão de casa, em Monte Belo do Sul (RS). Lizete pretende investir na vinícola para não correr mais riscos.

Ela foi a primeira produtora, entre os colegas de Eduardo Zenker, a ser fiscalizada, em 2013, quando ainda morava em Santa Catarina. Um dia antes,  seu vinho, bem como o de Eduardo e Marco Danielle, tinha participado de uma degustação em Paris. Os fiscais foram informados por meio de uma denúncia anônima. “Viram a quantidade de pipas que eu tinha e isso não configurou como comercialização. Mas fiquei um mês sem abrir a cave, com medo de perder tudo”, lembra a produtora.

Na capital paulista, os vinhateiros gaúchos contam com o apoio da Enoteca Saint Vin Saint, que lidera uma campanha para pedir mudanças na lei. “O vinho artesanal remete à história do vinho no Brasil”, observa Lis Cereja, dona do bistrô, que tem uma carta excepcional de vinhos especiais. “Hoje, no circuito internacional, existe uma comoção em cima do vinho brasileiro que nunca existiu, justamente porque os pequenos produtores saíram da mesmice da vinificação convencional”, diz. Seu marido e sócio, Ramatis Russo, considera a legislação de uma natureza draconiana: “Se aplicasse na Europa, afundaria a produção de vinhos que são patrimônio histórico, com 300 anos de tradição, em caves cheias de mofo e poeira.”

Na opinião do especialista em vinhos Jorge Lucki, os artesanais são uma tendência de mercado. “É um nicho com bastante receptividade. O futuro, pra quem sobe um pouco de degrau, é cair fora dos vinhos industrializados”, ele diz. No entanto, ele observa que o fato de a bebida ser produzida fora da norma não garante sua qualidade: “O produtor tem de ter um bom grau de atenção para evitar contaminações.”

Jorge considera, apesar disso, a legislação  brasileira inadequada. “As normas estão fora da realidade. Eu sou contra o que fizeram com o Eduardo, mesmo que o vinho não seja  lá dos melhores. Se ele for cumprir as regras à risca, nunca vai fazer vinho.”

O fiscal agropecuário Carlos Muller, coordenador geral de vinhos e bebidas do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Ministério da Agricultura, explica que a ação contra Eduardo Zenker começou por conta de uma denúncia, após o produtor ter sido entrevistado pelo  programa Globo Repórter, veiculado pela TV Globo.

Para especialistasa produção de vinho artesanal éuma tendência de mercado

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Lizete Vicari no vinhedo em Monte Belo do Sul (RS)

Como Eduardo não detinha nem o registro de estabelecimento nem de produtor, o Ministério da Agricultura determinou uma ação por parte da equipe de fiscalização da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul.

Segundo Carlos, “a ação fiscal foi empreendida dentro da mais estrita legalidade, observando os preceitos do direito administrativo e os ditames legais que regulam essa atividade. Na ocasião, vários produtos foram apreendidos e o estabelecimento clandestino foi fechado cautelarmente”.

O auditor fiscal José Werlang, que chefia a fiscalização de bebidas na Superintendência do Ministério da Agricultura no Rio Grande do Sul, descreve que “foi uma ação realizada e executada com perfeição, que o objeto trata-se de produção clandestina de vinho, onde foram apreendidos 13.950 litros em péssimas condições, condenados a inutilização”. De acordo com José, o processo foi julgado no Ministério da Agricultura em dezembro em primeira instância.

Vinho artesanal faz parte da cultura francesa

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Texto e fotos:Alan Fraga de Montpellier(França)

Dupla mais famosa da gastronomia francesa, o queijo e o vinho são os produtos mais tradicionais na produção artesanal e dos quais os franceses mais se orgulham. Para atender aos anseios da maioria dos consumidores franceses – 63% deles privilegiam regularmente  o consumo de produtos regionais e 93% o fazem de tempos em tempos (segundo pesquisa da OpinionWay) – e garantir a qualidade dos produtos cada vez mais artesanais, a legislação francesa trata de ser ao mesmo tempo simples e complexa.

A Organização Comum do Mercado do Vinho (OCM) estabelece medidas de controle para os vinhos artesanais. Trata-se das regras inerentes, por exemplo, à classificação do vinho (denominações e categorias), às práticas enológicas específicas de cada categoria de vinho, à rotulagem do vinho, ao consumo e à comercialização, como a simplificação das regras de rotulagem em benefício tanto dos produtores como dos consumidores.

Na França, existem duas formas de produção de vinhos: ou se é cooperado, possuindo uma carta que regulamenta as condições gerais para cada produtor vinculado à cooperativa, ou se é um produtor independente, tido como artesanal. Mas estes seguem as regras da instituição fiscal e de marketing e da comissão de repressão a fraudes. Para cada garrafa de vinho artesanal vendida na França, paga-se uma taxa que varia conforme o teor alcóolico do vinho e a região na qual foi produzida.

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As “cavistes”, lojas de venda de vinhos artesanais na França

Todas essas garantias de produção artesanal rastreadas pelas leis garantem um mercado fiel entre produtores, “cavistes” – lojas especializadas em vinhos artesanais – e consumidores.

Em Montpellier, cidade ao sul da França cercada por regiões de grandes “château” e tradicionais vinhos, cavistes em ruas estreitas por onde passam bicicletas atendem a clientes fiéis aos costumes de vinhos exclusivamente artesanais. Instalada desde 2001, La Cave des Arceaux possui mais de 1.000 rótulos de vinhos artesanais, com garrafas que custam mais de 500 euros.

“Faz parte da nossa cultura. A gente consome o vinho artesanal, assim como as carnes, o leite, os ovos, as frutas e os legumes. Os franceses não são muito adeptos dos produtos industrializados, assim como na Espanha, na Alemanha, em Portugal”, ressalta Isabelle Mangeart, viticultora artesanal em Clos de Nimes, no sul da França.

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Desde 2003, Isabelle cultiva as vinhas, produz o vinho e engarrafa em sua propriedade, fazendo parte da revenda própria e parte direcionada às cavistes. Entre as classificações dadas aos vinhos produzidos no país – Vin de France (VDF), IGP, AOP e Vinho Efervescente –, Isabelle produz vinhos IGP e AOP de dez cepas diferentes. O local onde se instalaria para produzir os vinhos não foi uma escolha ao acaso, pois as classificações dos vinhos, mesmo artesanais, exigem padrões mínimos de garantia.Fonte:Matéria originalmente publicada em fevereiro de 2018 na edição 388 da revista Globo Rural / Texto: Bruno Cirillo – Fotos: Marcelo Curia, de Garibaldi (RS)

 

Vinho Artesanal Brasileiro Agricultura familiar

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Grupo de produtores de vinhos artesanais inova ao se diferenciar através da qualificação técnica e adequação à legislação

Junto com os imigrantes italianos veio a arte de elaborar o vinho artesanal ou colonial, produzido inicialmente para o consumo próprio e presente em muitas das propriedades agrícolas da Serra Gaúcha e outras regiões até hoje. Esse produto característico, parte importante da cultura e da vitivinicultura brasileira, desde 2011 vem ganhando uma atenção especial de entidades como a Emater/RS-Ascar, Embrapa, Ibravin, IFRS (Instituto Federal do Rio Grande do Sul), UFRGS, MAPA e SDR (Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo), que se reuniram para contribuir tecnicamente para a qualificação e registro das vinícolas e dos produtos obtidos dentro das normas estabelecidas pela legislação brasileira. Após vários anos de trabalhos, os primeiros resultados da colaboração entre as instituições e os produtores começam a ser alcançados. No último dia 11, técnicos e produtores estiveram reunidos na Embrapa Uva e Vinho para obterem as orientações que poderão resultar no registro das primeiras vinícolas produtoras de vinhos artesanais, após a aprovação da chamada Lei do Vinho Colonial.

"Há cinco anos, nesta mesma sala, formamos um grupo de assessoria técnica informal, para auxiliar na superação dos desafios do segmento do vinho artesanal ou colonial. Na época, entendíamos que era necessário apoiar um segmento que foi e é importante na sustentabilidade de muitos agricultores familiares, em diversas regiões do Brasil. Estes produtores devem ser apoiados para ofertar um produto de alta qualidade e ter o suporte necessário para atender à legislação. Hoje estamos reunidos após termos tido alguns avanços importantes e com o primeiro grupo de 20 produtores encorajados a colocar em prática a solução construída em conjunto", comentou Alexandre Hoffmann, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Uva e Vinho.

Segundo Hoffmann, o grupo colaborou tecnicamente com a Câmara dos Deputados e Senado para a criação da Lei do Vinho Colonial (Lei nº 12.959/2014), que dá visibilidade ao produto elaborado por agricultor ou empreendimento agrícola familar. A Lei estabelece as orientações que o produtor deve adotar e se baseia, essencialmente, na Lei do Vinho (Lei nº 7.678/1988) e em conjunto de instruções normativas que constituem a base legal para a elaboração e comercialização do vinho. "Em outras palavras, a legislação prevê que o produtor atenda aos padrões de identidade e qualidade do vinho, com responsabilidade técnica e com volume limitado de produção, especificamente para os produtores que se enquadram no PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar)", pontuou. Com a adequação, os produtores podem ter segurança jurídica e os consumidores podem ter maior confiança na qualidade do vinho que adquirem.

Ao longo desses cinco anos, técnicos das instituições parceiras, com o apoio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento da Agricultura de Bento Gonçalves, sensibilizaram os produtores para qualificar e legalizar a sua produção do vinho artesanal e proporcionaram meios para fazê-lo. "Ao longo do período, 62 produtores participaram e receberam orientações de como melhorar a sua produção através de cursos de capacitação em áreas prioritárias identificadas pelo próprios produtores ou pelos técnicos que apoiam a ação", sintetizou Thompson Didoné, extensionista da Emater/RS, em Bento Gonçalves. que acompanha a ação desde o seu início.

Os treinamentos envolveram o manejo do vinhedo, elaboração e a análise sensorial dos vinhos. Na visão de Didoné, a etapa atual, que é de acompanhar o registro das vinícolas e dos produtos destes produtores pioneiros, encerra uma parte importante do processo. "Agora estamos conseguindo fechar uma fase do processo e efetivamente viabilizar a sustentabilidade do vinho colonial, preservando a identidade e a maneira tradicional da produção do vinho artesanal, valorizando e incentivando a melhoria dos produtos", concluiu.

As próximas etapas consistirão no registro dos produtores no Programa Estadual de Agroindústria Familiar, seguido da regularização dos documentos, projetos e autorizações para entrar com o pedido de registro da vinícola familiar junto ao MAPA. Após concluída esta etapa, os produtores poderão dar início à atividade da vinícola devidamente regularizada.

O Prosa Rural desta semana fala sobre a coroação de uma antiga reivindicação dos pequenos produtores de vinho do Sul do País: a legalização do vinho colonial. Ao acompanhar o pesquisador Alexandre Hoffmann, da Embrapa Uva e Vinho, o ouvinte vai conhecer os critérios necessários para que o pequeno produtor possa legalizar sua vinícola, saindo, assim, da informalidade. Entre os destaques do programa, detalhes da legislação, como por exemplo, a permissão para a comercialização da produção com o uso do talão de produtor rural para a emissão de notas, sem a necessidade da abertura de uma empresa. Para saber mais, não perca o próximo Prosa Rural, O Prosa Rural é o Programa de rádio da Embrapa.Fonte:https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/32176750/prosa-rural—como-legalizar-o-vinho-colonial

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Primeiros produtores de vinho colonial são apresentados pelo governo do Rio Grande do Sul

Os primeiros empreendimentos familiares gaúchos aptos à comercialização de Vinho Colonial, enquadrados na Lei 12.959/2014, receberam seus números de registro no último sábado (27), durante a abertura oficial da colheita da uva no estado do Rio Grande do Sul – Safra 2018, em Nova Pádua, na Serra Gaúcha. Os produtores Aldo Lazzari, de Garibaldi, e Auri Flâmia, de Bento Gonçalves, foram os primeiros registrados pelo processo que permite a venda em feiras, cooperativas ou na propriedade utilizando apenas o talão de produtor rural para emissão de notas, sem a necessidade de abrir uma empresa.

A solenidade contou com a presença do governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, do secretário estadual da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi/RS), Ernani Polo, do presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Oscar Ló, do chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Mauro Zanus, além de representantes de entidades setoriais.

Durante o evento foi lançada, ainda, uma cartilha explicativa elaborada para auxiliar os produtores nas etapas de formalização. O material foi produzido em parceria entre Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Seapi/RS, Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo do Rio Grande do Sul (SDR/RS), Ibravin, Associação Riograndense Empresa Técnica Extensão Rural (Emater/RS – Ascar), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Uva e Vinho e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

O grupo de trabalho foi também o responsável por ajudar no processo de regularização das primeiras vinícolas que se enquadram na Lei do Vinho Colonial. Os viticultores interessados precisam estar enquadrados como agricultores familiares, com comprovação por meio da Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), estar incluídos no Programa Estadual de Agricultura Familiar (Peaf) e produzir até 20 mil litros por ano, com uvas próprias.

A coordenação da equipe que trabalhou por dois anos na elaboração da lista dos requisitos mínimos de instalações, equipamentos e boas práticas para vinho colonial, também chamado de vinho artesanal, e as consultorias para aplicação da lista de requisitos e elaboração de documentos de boas práticas em empreendimentos piloto foram realizados com recursos da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI), em convênio com o Ibravin.

“A atividade contou com colaboração da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi/RS) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que visitaram alguns empreendimentos do grupo piloto acompanhados pela Emater para validação de materiais e orientação para adequação às exigências legais”, destaca a consultora do Ibravin, Janine Basso Lisbôa.

Janine explica que mesmo produzindo em menor escala e com processos considerados artesanais, as vinícolas deste modelo também precisam atender os requisitos relacionados às boas práticas e controle de qualidade, e ressalta que essa adequação não é difícil e tampouco exige intervenções complicadas. “A lei especifica que as exigências para o registro de estabelecimento produtor de vinho produzido por agricultor familiar ou empreendedor familiar rural devem ser adequadas às dimensões e finalidades do empreendimento e seus procedimentos devem ser simplificados. Por isso, com base na legislação vigente, trabalhamos para construir um material com orientações mais específicas e diretas para auxiliar o entendimento do que é necessário para a formalização”, observa a consultora.

O chefe do escritório da Associação Riograndense Empresa Técnica Extensão Rural (Emater/RS – Ascar) de Bento Gonçalves, o enólogo Thompson Didoné, conta que o processo para legalizar o grupo de pequenos produtores demandou esforços para viabilizar essa regularização em três eixos: tributário, sanitário e ambiental. Ele valoriza também a união das entidades do setor primário que, segundo ele, está sendo fundamental para o registro dos profissionais de vinho colonial. “É uma vitória da agricultura familiar. Logicamente, devem ser cumpridas as exigências sanitárias, mas levando em conta o aproveitamento das instalações já existentes e o aspecto cultural que envolve a produção colonial”, garante.

Segundo Alexandre Hoffmann, um dos articuladores do grupo de trabalho e pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, o momento é de entrega de resultados, após o trabalho de diversas instituições que, ao longo de seis anos, não pouparam esforços para dar o suporte técnico na elaboração da lei e na viabilização do registro de forma mais ágil e simples para quem produz o vinho colonial. "Sabemos que o resultado obtido até aqui atende a uma parcela importante de produtores que tinham dificuldades em conseguir legalizar seus empreendimentos e querem ofertar um produto de qualidade ao consumidor. Pois tão importante quanto alcançar o registro é obter uma uva de alta qualidade e elaborar o vinho de acordo com as boas práticas, sem abrir mão da cultura que está imersa nesse produto tão apreciado", afirma. “Com a adequação, os produtores terão segurança jurídica e os consumidores maior confiança na qualidade do vinho que adquirem”, resume o especialista da Embrapa.

Em abril de 2017 foram realizadas as visitas em empreendimentos interessados na regularização. Entre maio e agosto, a Emater apontou as alterações necessárias na estrutura física dos produtores e o Ibravin realizou consultorias para elaboração de documentos como memorial descritivo e manual da qualidade. A partir no mês de julho, a Emater assessorou o encaminhamento de documentos e na inserção de dados no Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro).

O Rio Grande do Sul concentra a maior parte dos produtores de vinho colonial/artesanal, mas, segundo projeções, estima-se que cerca de quatro mil famílias produzam e vendam sem registar seu vinho no Brasil. A expectativa dos coordenadores do grupo é que essa experiência possa guiar e facilitar a legalização destes agricultores, como um importante fator de renda, sustentabilidade e manutenção da tradição da elaboração de vinho.

Além de Ibravin, Emater, Embrapa Uva e Vinho, Seapi/RS e Mapa, integram o grupo representantes da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo do Rio Grande do Sul (SDR/RS), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS) e do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS).Fonte:Embrapa

 

 

Piccola Cantina, a primeira agroindústria de vinho colonial legalizada no Brasil

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Autoridades, casal Flâmia e os produtos da Cantina

A primeira agroindústria de Vinho Colonial do Rio Grande do Sul, e do Brasil, a Piccola Cantina, foi inaugurada em Bento Gonçalves no início do mês de fevereiro. A propriedade do casal Auri e Diva Flâmia fica em Faria Lemos, no interior de Bento Gonçalves e foi a primeira a receber o certificado de registro.

Agora, a família Flâmia poderá comercializar seus produtos em feiras, cooperativas e associações e diretamente ao consumidor na propriedade utilizando o talão de produtor rural, sem a necessidade de abrir uma empresa, desde que elaborem até 20 mil litros de vinho por ano com 100% de uva própria (fora do RS, o mínimo é de 70%). Durante o evento, no qual estiveram presentes representantes de diversas instituições envolvidas com o projeto do vinho colonial, a cantina também recebeu o Selo “Sabor de Bento”, da prefeitura de Bento Gonçalves, que certifica a qualidade do produto elaborado. .

De acordo com o produtor Auri Flâmia, “agora vai ser possível trabalhar com mais qualidade, podendo vender com nota e com rótulo. A ideia é crescer e fazer mais vinho”.  Para a esposa do produtor, Diva Flâmia, "isso representa um futuro melhor para nossas filhas, que certamente não terão que passar por tudo o que a gente passou, e assim, processar o nosso próprio produto”. 

Para Mauro Zanus, chefe geral da Embrapa Uva e Vinho, a expectativa com essa legalização é abrir as portas para o setor de vinhos do Brasil crescer como um todo. “Nesse primeiro momento está equacionada a questão no estado do Rio Grande do Sul e esperamos, a partir de agora, fortalecer as ações de agro e enoturismo e da própria valorização do vinho, sobretudo o colonial, no segmento de cadeias curtas (venda direta ao consumidor), com mais competitividade e valorização das condições particulares de cada região na arte da elaboração do vinho”. De acordo com ele, essa conquista é mais uma oportunidade de inovação, já que a Embrapa e parceiros vão oferecer cursos de capacitação para qualificar ainda mais os produtores em todos os aspectos relativos ao vinho: desde a elaboração às estratégias de mercado. 

Para Sandra Dalmina, gerente regional da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul esse evento coroa o trabalho que está se fazendo há muito tempo: “desde 2010, várias entidades envolvidas com o setor vitivinícola se reúnem em torno do projeto do vinho colonial, por demanda dos próprios produtores, e que acabou se tornando uma lei”. O Rio Grande do Sul é o primeiro estado a implementar a Lei do Vinho Colonial, que também conta com a complementação da legislação estadual – a Lei da Agroindústria, que enquadra o produtor automaticamente na Lei do Vinho Colonial.

Tarcisio José Minetto, Secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo do RS, acredita que a Lei do Vinho Colonial “resgata toda uma produção culturalmente tradicional.  O esforço de instituições como  a Embrapa, Emater, o Ministério da Agricultura, a Secretaria de Agricultura do RS, a Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, a prefeitura de Bento Gonçalves, principais envolvidas no processo de construção e certificação da lei está gerando resultados: já são 11 agricultores buscando fazer o passo-a-passo da formalização, cuja simplificação permite a venda formal do seu vinho colonial”.  Conforme Minetto, o processo de legalização do vinho colonial resgata a cultura e tradição aliadas à questão do turismo, dando o efeito multiplicador, do ponto de vista econômico e financeiro, gerando a questão de renda e motivação à permanência da juventude no meio rural e a sucessão rural. Assim a economia local circula e se promove o desenvolvimento local e regional. A nova lei ultrapassa fronteiras, pois com esse diferencial de qualidade, mais pessoas poderão visitar nossa região e levar vinhos coloniais de qualidade como lembrança até mesmo para fora do país.Fonte:Embrapa

 

Com ajuda da ciência vinícolas gaúchas de pequeno porte são legalizadas

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A partir da próxima safra, um grupo-piloto de 11 pequenos vinicultores da Serra Gaúcha sairá da ilegalidade e poderá vender e divulgar seus produtos. A conquista é fruto de um trabalho realizado desde 2010 por oito instituições, com a articulação da Embrapa Uva e Vinho (RS), Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS-Ascar). Além de viabilizar uma lei feita sob medida para produtores da região, a Lei do Vinho Colonial, o grupo estruturou um protocolo de adequação que foi decisivo para legalizar a produção. Boas práticas, tais como uso de piso impermeável, paredes laváveis, controle de pragas (portas que impeçam a entrada de roedores e insetos, por exemplo), rastreabilidade e procedimentos para higienização, foram detalhadas na Instrução Normativa 05/2000 com a finalidade de auxiliar vinicultores a adaptar sua produção. Todo o conteúdo foi elaborado e proposto por cientistas e técnicos da área.

Conhecimento tradicional preservado

Os pequenos produtores são, na maioria, descendentes de imigrantes italianos que trouxeram na bagagem a fórmula para produzir o próprio vinho, considerado um item básico na sua alimentação. Com o aumento do enoturismo, a procura dos turistas para conhecer, degustar e levar para casa um pouco do vinho denominado colonial ou artesanal podia deixar o pequeno produtor à margem da lei, pois a necessidade de abertura de empresa para formalizar a atividade vinícola representava uma barreira.

Thompsson Didoné é técnico do escritório municipal da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS-Ascar), de Bento Gonçalves, e relata que o “saber elaborar vinho” foi uma herança repassada de geração para geração, em especial na Serra Gaúcha, que detém hoje 85% da produção nacional de vinho e derivados, segundo dados do Ibravin. Na região, muitos pequenos produtores tornaram-se grandes empresários do mundo do vinho, mas a grande maioria continua sendo de pequeno porte.  “Resgatar o vinho colonial é uma espécie de resgate cultural dos nossos imigrantes. É também uma forma de valorização e legalização para que esse saber-fazer tradicional se mantenha forte. É a concretização de um sonho”, pontua ele, que há 15 anos atua na extensão rural e foi um dos grandes incentivadores da ação conjunta.

Produtores capacitados

Didoné conta que o processo para legalizar o grupo-piloto dos 11 pequenos produtores demandou esforços para viabilizar essa regularização em três eixos: tributário, sanitário e ambiental. “A legislação é direcionada aos pequenos produtores de agricultura familiar, que elaboram até 20 mil litros de vinho por ano e possuem 100% de uvas próprias. Eles precisam seguir normas específicas para garantir a qualidade do produto e adequadas à sua realidade”, conta Alexandre Hoffmann, articulador do grupo de trabalho e pesquisador da Embrapa Uva e Vinho. Mesmo tendo a lei aprovada, o grupo precisou continuar o trabalho e orientar e capacitar pequenos produtores, desde o repasse de tecnologias para a elaboração da bebida até o apoio para adequação das pequenas cantinas atendendo as exigências legais.

Segundo Hoffmann, o grupo colaborou tecnicamente com o Congresso Nacional para a criação da Lei do Vinho Artesanal/Colonial (nº 12.959/2014), que dá visibilidade e segurança ao produto elaborado por agricultor ou empreendimento agrícola familiar. A lei estabelece as orientações que o produtor deve adotar e se baseia, essencialmente, na Lei do Vinho (Lei nº 7.678/1988) e em um conjunto de instruções normativas para a elaboração e comercialização do vinho. “Em outras palavras, a legislação prevê que o produtor atenda aos padrões de identidade e qualidade do vinho, com responsabilidade técnica e com volume limitado de produção, especificamente para os produtores que se enquadram no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)”, destaca. “Com a adequação, os produtores terão segurança jurídica e os consumidores, maior confiança na qualidade do vinho que adquirem”, resume o especialista da Embrapa.

Enoturismo fortalece resgate das tradições

Conforme prevê o Programa, no eixo tributário, foram feitos ajustes para que produtores que elaboram até 20 mil litros de vinho por ano, com uvas provenientes exclusivamente na sua propriedade, possam utilizar o bloco do produtor rural para a comercialização, que deverá ser feita na propriedade, em feiras de produtores ou em cooperativas e associações às quais esteja ligado. Na questão ambiental, a própria equipe técnica da Emater desenvolveu uma planta modelo para tratamento de efluentes. A adoção desta planta já é pré-aprovada para licenciamento pela Secretaria do Meio Ambiente do RS.

Já na questão sanitária, independentemente de ser elaborado por pequenos ou grandes estabelecimentos, por ser um produto para o consumo humano, devem ser seguidas as normas de boas práticas para garantir um alimento seguro. Assim, o grupo de trabalho com coordenação do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) desenvolveu uma lista de requisitos com base na legislação vigente, porém mais detalhada e com explicações específicas para a realidade do vinho colonial. Também foi estruturado um modelo de manual de boas práticas a partir do PAS – Uva para Processamento, porém de forma simplificada.  “Esse trabalho foi desenvolvido e implementado com alguns dos produtores do grupo-piloto para chegar a um formato com boa aplicabilidade.  A lista de requisitos agora estará à disposição em cartilha orientativa, comenta a consultora do Ibravin Janine Basso Lisbôa. Produtores de outros estados poderão usar o material como referência, mas devem se adequar às políticas da agroindústria familiar de cada estado.

Outras normas foram mantidas, como a obrigatoriedade do rótulo, no qual deverá constar a variedade da uva, o nome fantasia do estabelecimento, a data de elaboração e o número da Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Agricultura Familiar (DAP), que foi um ajuste necessário para eliminar a necessidade de formalização de uma empresa.

Visando tornar o processo mais eficiente, as equipes da Superintendência do Ministério da Agricultura do Rio Grande do Sul e da Secretaria do Estado da Agricultura fizeram visitas extraordinárias que serviram para ajustar as questões estruturais dos produtores que manifestaram interesse em se registrar. “Acompanhamos a visita aos 11 produtores que integram o projeto-piloto e atentamos aos itens necessários para a obtenção do registro”, complementa Didoné. A partir disso, a equipe de extensionistas da Emater/RS incluiu no seu calendário uma série de visitas de rotina e acompanhamento dos ajustes nas vinícolas coloniais participantes para orientar os produtores. “O registro é a realização de um sonho, que com certeza vai tirar da informalidade muitos pequenos produtores que poderão legalizar seus empreendimentos”, avalia Didoné.

O grupo de instituições foi mobilizado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS-Ascar) e, além da Embrapa, reuniu representantes do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da Prefeitura de Bento Gonçalves (RS) e das secretarias estaduais de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo e de Agricultura, Pecuária e Irrigação do Rio Grande do Sul.

Primeiras vinícolas legalizadas

Auri Flâmia, da Linha de São Valentim, no interior de Bento Gonçalves, foi um dos primeiros produtores participantes do projeto que conseguiu a legalização da sua vinícola, a Piccola Cantina. Neto de imigrantes italianos, em conjunto com a esposa Diva, cultiva 16 hectares de uvas comuns, como Niágara e ‘BRS Lorena’, e elabora vinhos para consumo próprio e da família e também vende parte da fruta para consumo. Já tinham praticamente toda a estrutura pronta, mas, mesmo assim, precisaram investir cerca de R$ 50 mil para adequar a estrutura conforme determina a norma. “Não me preocupo quando vou ter o dinheiro de volta, mas gosto de produzir vinho e agora que vai ser legalizado fica mais tranquilo. Dá orgulho fazer um bom produto que o pessoal gosta”, comenta Flâmia.

Com a participação da filha mais velha, que é a responsável técnica do estabelecimento,  planejam já na próxima safra fazer os 20 mil litros de vinhos autorizados e comercializar na vinícola ou em feiras de produtores. “Vamos vender em garrafões de cinco litros ou em embalagens pet (plástico) de dois litros, que todos preferem por ser mais práticas e não precisar devolver”, comenta. Sonham que no futuro a propriedade passe a integrar uma rota turística do município, pois os 3,5 km de estrada de chão que separam a BR 470 da sua propriedade proporcionam lindas paisagens, como a vista do Vale da Ferradura.

O produtor Aldo Lazzari, de Garibaldi, não fazia parte do grupo-piloto, mas, em função da urgência devido à fiscalização, recebeu um apoio técnico do grupo gestor e obteve também o registro.

Vinho e turismo

Os irmãos Batistelo, Mateus, Maurício e Marcelo, proprietários dos Vinhos Don Bernardo, localizados no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, aderiram ao projeto de legalização desde o princípio, ainda em 2010, junto com outros 82 produtores do município. Segundo contam, a caminhada foi longa, mas cheia de aprendizados. “A Emater nos incentivou muito e mostrou que íamos ter uma renda a mais ao fazer o vinho e comercializar. E, o melhor, fazer o que a gente gosta”, comenta Mateus.

Eles já tinham o pavilhão, mas foram necessários muitos ajustes que somaram cerca de R$ 50 mil. Com uma produção anual de cinco mil litros de vinho, eles esperam recuperar o investimento em dois anos. “Na frente da antiga casa do nosso bisavô, que fica na frente da vinícola, vamos construir um varejo e também um espaço para os turistas poderem se sentar, beber e aproveitar a vista”, conta Mateus, que é o responsável pela comercialização dos vinhos.

Os irmãos produzem vinhos para a família desde 1995 e contam que participar deste projeto do resgate e legalização já qualificou a produção. Desde 2013, fizeram a conversão dos parreirais para o sistema de espaldeira, que garante uvas de qualidade para a elaboração do vinho. “Toda a parte técnica, do vinhedo à enologia, foi aprendido com a Embrapa e com a Emater. Eles que nos incentivaram a mudar para espaldeira que ia melhorar o vinho”, comenta Marcelo, responsável pelo gerenciamento dos parreirais. Atualmente, eles cultivam as variedades Tempranillo, Marselan, Malbec, Shiraz e Merlot para a elaboração dos seus vinhos.

Mesmo estando fora de uma rota turística conhecida, Vitório e Ivone Somensi, da Cantina Porão do Vale, elaboram vinho há sete anos e, desde que integram o projeto, já conseguem perceber a evolução na sua produção, nos últimos cinco anos. Eles investiram 70 mil reais nos ajustes necessários e estão confiantes que irão recuperar o investimento em até três anos com a venda dos produtos. “Uma agência de turismo nos procurou para organizar visitas. Estão só esperando legalizarmos a estrutura e finalizar o nosso varejo para começarem a trazer os turistas”, contam animados. Além de vinhos de uvas viníferas, como a Merlot, eles também produzem o tradicional vinho de Isabel e Niágara. As bebidas serão comercializadas em garrafas e garrafões de cinco litros.

Próximos passos

Segundo dados da área de Transferência de Tecnologia da Embrapa Uva e Vinho, cerca de três mil pessoas já foram treinadas, muitos dos quais hoje são grandes produtores. Além de coordenar esta ação de legalização, na percepção do pesquisador Alexandre Hoffmann, ainda há muito trabalho para as próximas etapas da pesquisa, como desenvolver e repassar tecnologias para qualificar o vinho colonial.

O Rio Grande do Sul concentra a maior parte dos produtores de vinho colonial, mas, segundo projeções, estima-se que cerca de quatro mil famílias produzam e vendam, sem registar, seu vinho no Brasil. “Conhecemos empreendedores também nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, que, com certeza, também se beneficiarão com os avanços da lei e das tecnologias”, avalia Hoffmann. A expectativa do grupo que coordenou o projeto-piloto é que essa experiência possa guiar e facilitar a legalização desses produtores, como um importante fator de renda, sustentabilidade e manutenção da tradição da elaboração de vinho.Fonte:Embrapa

 

Mais informações: uva-e-vinho.imprensa@embrapa.br 

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A dupla jornada do pequeno agricultor de Gaspar para sustento da família

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Conciliar o trabalho rural e os serviços no meio urbano. É assim que ainda vivem muitos brasileiros e essa realidade também se aplica à história do gasparense Artur da Silva, hoje com 68 anos.

Nascido em uma família agricultora, ele sempre esteve inserido neste meio e, desde muito cedo, exerceu outras atividades para ajudar a aumentar na renda da casa. Junto da esposa Iolanda da Silva, ele está incluso no grupo de pessoas que produzem pequenas quantidades para consumo próprio e venda em escala menor.

Seu Artur vive com a esposa no bairro Belchior Baixo, onde possui aproximadamente dez hectares de terras. Lá, eles plantam arroz, criam vacas leiteiras, algumas galinhas, porcos e, às vezes, bezerros. “Nossa rotina é tranquila. Acordamos, vamos tratar os bichos, tirar o leite e pegar os ovos. Já na arrozeira, o processo é diferente, tem época pra tudo”.

De acordo com Artur, sua esposa chegou a trabalhar fora por algum tempo. Porém, abriu mão do emprego. “A Iolanda foi contratada por uma fábrica, onde ficou por muitos anos. Mas, depois que vieram os filhos, ficou complicado e ela acabou focando nas crianças e na demanda que tínhamos aqui em casa. Sempre forte, ela é muito companheira”.

Hoje, além de trabalhar na produção rural, seu Artur é entregador do Jornal Cruzeiro do Vale.

 

Mais informações: Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar  - (47) 3332-0471

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Em Ipira, Casa Colonial é vitrine para agricultura familiar.

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Na maioria das vezes, produtores rurais familiares carregam uma vasta experiência no plantio, cultivo, criação e manejo de animais e lavouras. Eles dominam a atividade como ninguém. Mas, na hora da venda do produto, do acesso aos mercados, nada melhor do que contar com o associativismo para ganhar força e competitividade.

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Dessa forma, um ponto comercial exclusivo para a agricultura familiar pode fazer toda a diferença na renda da família. É esse local que fomos conhecer em Ipira, no Oeste Catarinense. Quem compra, ganha em qualidade. E quem vende, claro, além de um dinheiro extra, ainda consegue expor e divulgar a marca.

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A Casa Colonial de Ipira é um daqueles lugares onde dá vontade de levar de tudo para experimentar cada sabor. O grande diferencial é mesmo a qualidade. Isso porque o alimento chega direto do campo, todos os dias, em quantidades pequenas, mantendo aquele sabor especial que todo consumidor busca. É o que explica a extensionista rural da Epagri, Mari Lúcia Dal Prá. “O turista vem em busca disso. As pessoas estão procurando produtos mais naturais, uma alimentação mais saudável”, diz Mari Lúcia.

A sede da Casa Colonial é nova, espaçosa e muito bem localizada. Um projeto apoiado pelo SC Rural para aproximar o agricultor de seus compradores. Esse empreendimento é administrado hoje pela CPAMI, a Cooperativa dos Produtores Agroindustriais do Município de Ipira. São 58 famílias associadas que contam com o associativismo para levar o produto até consumidor e poder divulgar sua marca.

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Antonio Cavasin é agricultor e cooperado. Segundo ele, “o importante para o produtor rural é ter uma renda a mais na propriedade. Um dinheiro extra que entra e ainda divulga a marca ao consumidor que prefere um produto mais puro, sem agrotóxico, sem conservante”.

Confira essa reportagem completa em vídeo e muitas outras no canal da Epagri. https://www.youtube.com/watch?v=qcvYRi8hJoI

 

Mais informações: emipira@epagri.sc.gov.br

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Produção de leite é de pai para filho

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Acordar às cinco horas da manhã todos os dias para ordenhar as vacas. Colocá-las de 12 em 12 na ordenhadeira canalizada e repetir a ação até que as 35 vacas de leite da fazenda tenham sido ordenhadas. Essa é a rotina diária de Marco Aurélio Gamborgi, produtor de leite em Gaspar.

O trabalho árduo de produtor de leite está na família há bastante tempo. Começou com os pais de Marco, Milton e Léia Gamborgi, no ano de 1968, na cidade de Lages, quando a bebida ainda era entregue direto ao consumidor, de porta em porta. Alguns anos mais tarde, a família se mudou para Gaspar e continuou com o ofício no município. Em 2010 Milton decidiu que era hora de parar com o negócio Foi então que o filho Marco abandonou a carreira de jornalista e assumiu a fazenda da família. “Comprei as vacas dele, aluguei a propriedade e trabalho aqui desde então. Mas meu pai continua me ajudando”, comenta Marco.

Ao todo, a fazenda da família Gamborgi tem cerca de 90 cabeças de gado, entre vacas produzindo e esperando para parir. Destas, 35 são para ordenha. “Nossas vacas são da raça Holandesa e algumas Holandesas cruzadas com Jersey. Essas raças são europeias, sofrem um pouco no nosso verão, só que são as vacas que mais produzem leite em absoluto no mundo inteiro”, destaca.

A ordenha das vacas acontece duas vezes ao dia: uma às 5h e outras às 17h. “Essa é mais ou menos a nossa rotina. Faz um ano que não tenho mais funcionários, então eu faço todo o serviço sozinho”. Marco ainda conta que, por dia, uma vaca chega a dar 25 litros de leite, o que ele considera uma boa quantidade para a forma como conduz o trabalho. “É um número bom para o nosso sistema, que não é tão intensivo. Tenho vacas que foram vendidas pra um produtor de Presidente Getúlio e estão dando cerca de 40 litros de leite por dia. Aqui elas davam de 25 a 30 litros”, compara.

Por ano, a fazenda gasparense produz 200 mil litros de leite, que são vendidos para a empresa Chocoleite, de Jaraguá do Sul.

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Gado

Os Gamborgi também fazem a criação do próprio gado. “A gente faz o ciclo completo. Nossas vacas são todas crias daqui e eu vendo bastante também. O pessoal gosta da nossa linhagem. Uma vaca dá entre seis e sete crias durante a vida. Ela é uma trabalhadora que tem dois meses de férias por ano”, explica Marco, destacando que o grande desafio do setor produtor de leite hoje é a reprodução. “Temos um veterinário que nos acompanha. Trabalhamos com reprodução assistida pra garantir o máximo de vacas prenhas por ano”. 

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O produtor

Marco é jornalista por formação e apaixonado por fotografia, mas optou dar continuidade no trabalho que o pai desenvolveu por tantos anos. Com a filha Helena, de pouco mais de um ano nos braços, ele fala que um dos maiores privilégios de trabalhar em casa é a proximidade com a família. “Meus filhos sempre vêm me visitar quanto eu tô trabalhando. Eu acho que a grande vantagem da vida no campo é qualidade de vida. Não ganhamos tanto, mas continuamos vivendo igual. Eu acho que vale cada gota de suor derramado”.

 

Mais informações: http://www.cruzeirodovale.com.br

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Agricultora de Criciúma lança livro de poesias

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O livro “Poemas da natureza”, escrito por Loiva Perdoná Ceza, agricultora de Criciúma e coordenadora do Núcleo da Rede Eco Vida, foi lançado em março no município. A publicação contou com o incentivo da Epagri, que ficou responsável pela organização das poesias, e teve o apoio financeiro do Governo Estadual pelo programa Cem cópias sem custos.

Produtora de bananas orgânicas, a agricultora é um exemplo de determinação. “Este livro eu escrevi criando quatro filhos, acompanhando todas as etapas produtivas e sendo responsável pela comercialização das bananas. Nunca parei de fazer nada para escrever. Escrevia somente quando todos estavam dormindo”, conta Loiva.

No evento de lançamento do livro também foram inauguradas as instalações da Gerência de Agricultura e Agronegócio do município. O setor foi o último a ser concluído depois da reinauguração do Paço Municipal Marcos Rovaris, em 6 de janeiro. Para comemorar a conquista, os produtores organizaram um café com produtos da agricultura familiar e visitaram todos os setores da prefeitura acompanhados de um gaiteiro.Fonte:Epagri

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 Loiva Perdoná Cesa em 2010 

Entre os moradores da comunidade Capão Bonito, que fazem parte da Microbacia Sanga do Terneiro, no município de Criciúma, Sul do Estado, ela se destaca como empreendedora – é Loiva Perdoná Cesa. Natural do município de Treze de Maio, seu pai em busca de melhores condições para a família, mudou-se para Criciúma.


Durante anos trabalharam como agregados nas terras daquele que mais tarde ser tornaria o sogro do Loiva e não demorou muito para Loiva se tornar noiva. “Meu pai era agricultor, mas também bom cambista e minha mãe era uma mulher que sabia fazer de tudo sem ter feito nenhum curso. Ela era chamada para fazer casamentos: fazia o vestido da noiva, das damas, o bolo, a janta, a festa completa”,conta. 


Como produtora de banana orgânica, Loiva nos fala sobre a ação do Projeto Microbacias 2. “No começo, não acreditava muito. Pensava que era uma coisa só de fala. Quando a coisa começou a acontecer, quando veio a primeira máquina, aí passei a acreditar. Foi bom porque, para nós que somos colonos, foi a primeira vez que atingiu a família toda. Quem começou a ir foi o Orlando, meu marido. Depois não quis mais ir e eu fui substituir ele. O que me empolgou foram os cursos de administração rural e empreendedorismo. Também foi implantado no bananal da nossa propriedade uma Unidade Demonstrativa com tratamento orgânico e foi muito bom, pois já temos certificação”. 


E Loiva continua. “Depois de uma excursão ao Rio Grande do Sul me entusiasmei e percebi que poderia trabalhar com banana passa. Fiz o curso no Cetrag – Centro de Treinamento da Epagri em Araranguá . Comprei com recursos próprios uma máquina desidratadora e comecei a processar.Consigo fazer 80 kg em ter dias. Hoje, eu vendo através da Cooperativa dos Agricultores Familiares Nosso Futuro. A minha unidade de processamento ainda está no sonho, mas às vezes quando deito fico imaginando como ela seria, quem serão meus clientes, como vou apresentar meu produto. Não quero só botar banana na bandejinha, quero também trabalhar com a fibra, algo diferente. Tenho tanta opção para ganhar dinheiro na agricultura que se não estivesse trabalhando forte com a banana, queria ganhar dinheiro com as galinhas. Tenho 100 galinhas de postura e vendo os ovos. Tem muita gente perdendo tempo: é só produzir com qualidade e sair vendendo”, conclui Loiva ressaltando ainda que com o Microbacias 2, “a gente conversa, cria laços. Pude conhecer muita gente”.Fonte:Microbacias2

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Produtos da agricultura familiar da região de Blumenau ganham identidade visual

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Agricultores dos municípios de Ilhota, Luiz Alves e Gaspar já contam com uma identidade visual para comercializar seus produtos. É que no dia 16 de março a Epagri realizou a etapa final do projeto de identidade visual de pequenas agroindústrias das regiões de Blumenau e Joinville.

No evento, realizado na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar, 17 empreendimentos rurais receberam sua identidade impressa em placas, aventais, chaveiros e cartões de visitas. Os agricultores também receberam um manual com recomendações e sugestões de como utilizar suas marcas.

O projeto é uma parceria da Epagri com o Núcleo de Gestão e Design da Universidade Federal de SC (UFSC). A inciativa contou com recursos do Programa SC Rural e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu).

De acordo com Cesar Augusto Lodi, gerente regional da Epagri em Blumenau, o objetivo do trabalho é contribuir para que esses negócios tenham melhor inserção no mercado, por meio da valorização e identificação de seus produtos. “O design trabalha todos os elementos presentes no produto, como território, tradição e sabor, atraindo consumidores”, descreve Dione Benevenutti, que liderou o projeto Gestão de Negócios e Mercados da Epagri na região até o ano passado.

O projeto teve início em 2014. Desde então, os extensionistas municipais identificaram os empreendimentos que poderiam participar e iniciaram as visitas às propriedades para realizar o diagnóstico ténico da unidade produtiva. A extensionista social do escritório municipal da Epagri de Gaspar, Sônia Medeiros, frisa que os agricultores participaram de todo o processo de elaboração da marca. Assim, os designers conseguiram elaborar logomarcas que realmente representam o trabalho de cada família.

O produtor de olerícolas orgânicas Jair Hass, de Luis Alves, não possuía uma marca própria nas suas embalagens. Agora suas verduras têm identidade, com forte apelo comercial. Por outro lado, os agricultores Mariano e Patrícia Gesser, de Gaspar, já possuíam uma logomarca, desde 1997, que identificava seu bijú, cuscuz, aipim chips e outros produtos. Nesse caso, o projeto aperfeiçoou a imagem existente, de acordo com o anseio do casal. Mariano conta que o resultado o surpreendeu de forma muito positiva.

 

Mais informações: grb@epagri.sc.gov.br 

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No Globo Rural – Família de agricultores de SC produz quase tudo o que consome

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Exemplo de relação profunda com o campo, onde a produção familiar não é apenas uma fonte de renda, e sim um jeito simples de viver e ser feliz.

Sabe aqueles sítios antigos que produziam tudo o que era consumido pela família? A Neide Duarte foi visitar uma propriedade com esse perfil e conheceu pequenos produtores que têm uma relação profunda com o campo. É gente que vive da terra, que ama agricultura e também a natureza. Para a família Kern, a produção familiar não é apenas uma fonte de renda, mas um jeito de viver e ser feliz.

Eles são netos, bisnetos, tataranetos de alemães que chegaram em Santa Catarina no final do século 19, com muito trabalho, deixaram de herança aos seus descendentes, a terra, a criação, os grãos, as sementes.

Na comunidade de alemães, no oeste de Santa Catarina, na vizinhança do rio Uruguai, no município de São Carlos, vive a família Kern, Zuleica, a mãe, Waldemir, o pai, Davi o filho de 17 anos e Luiza, a filha de 11 anos. No sítio onde moram produzem feijão, arroz, milho, mandioca. Tem leite, pomar, horta, galinhas. São praticamente autossuficientes na alimentação.

Fazer compras não faz parte da rotina dessa família, quando eles vão ao mercado uma vez por mês, mais ou menos, é só para comprar farinha de trigo, açúcar, sal, café e erva mate para o chimarrão.

O tempo do chimarrão é o tempo do intervalo, da calmaria nos dias longos de trabalho duro para que as plantas vinguem, para que tudo brote, para que o alimento chegue dentro da casa livre de agrotóxicos.

“Acordo lá pelas 5h, aí eu levanto, faço fogo, faço a polenta, o chimarrão, a gente toma o chimarrão, toma café e sai para fora. A gente trabalha agora no verão um pouquinho mais de manhã e descansa mais um pouquinho de meio-dia, e depois que o sol fica mais brando, mais calmo, daí a gente vai mexer de novo. Os quatro cada um na sua função”, explica o agricultor Waldemir Kern.

A roça de feijão espera por Zuleica e a tia dela. E enquanto trabalham com a enxada, conversam na língua dos antepassados, o alemão. “É uma coisa que todo mundo ajuda. A família ajuda, mas é uma coisa que nós duas começamos e estamos fazendo”, conta Zuleica.

O arroz que brotou no campo, foi colhido e separado, hoje vai ser descascado. Waldemir coloca na máquina só a quantidade suficiente para o almoço do dia. A máquina não consegue limpar completamente o arroz, que passa para as mãos de Davi, Luiza e a prima deles, Edna.

Depois, num segundo momento de paciência, com a ajuda de um ventilador, expulsam as cascas mais teimosas do arroz.

Quem faz o almoço nesse dia é Davi Kern. No cardápio, arroz misturado ao feijão, purê de mandioca frito, salada de rúcula, capuchinha, repolho. Antes do almoço, Zuleica joga as cinzas do fogão à lenha nas verduras da horta para ajudar a controlar os insetos.

A engenheira agrônoma Keli Hoss e o técnico em agropecuária Rudnei Cenci, ajudaram na implantação da horta em forma de mandala e agora fazem uma assistência técnica para a Zuleica e o Waldemir. A mandala é uma horta circular que traz no meio, o galinheiro.

A Zuleica Kern tem 15 vacas, mas ela só gosta de fazer o queijo com uma delas, a Penha. “Porque ela é uma vaca que come só as coisas que nós temos na propriedade, nosso milho criolo, a mandioca daqui, o chuchu, abóbora, moranga, não come nada do transgênico”, explica.

A vaca Penha sustenta a família na hora do lanche, além do leite com café, a manteiga, a ricota o queijo. Eles criam um porquinho de cada vez, depois da engorda, matam o porco e congelam a carne que se conserva durante quatro meses. A banha chega a durar até seis meses. 

Zuleica conta o que ensina para sua filha, Luiza, de 11 anos. “Plantar mudinhas, como replantar, o jeitinho certo de colocar ela no centro do potinho, irrigar, pegar o adubo certo, às vezes a gente pega e vai lá no meio do mato, catar uma terra bem bonita é uma atividade que nós dois fazemos juntas e adoramos fazer, ir lá para o meio do mato, pegar a terra para plantar as mudinhas”.

Luiza conta como é viver na região. “Muito gratificante e assim é o melhor que se tem para viver porque eu sou muito diferente dos meus colegas. Eles moram na cidade, em apartamentos, eles ficam trancados o dia inteiro e eu posso ficar livre”.

O engenheiro agrônomo, Paulo Menoncini fala sobre a água das nascentes. “Essas águas têm as nascentes naturais delas aqui. Em duas delas, eles usam para três famílias e mais o salão da comunidade. Dois poços são protegidos e abastecem as famílias. O remanescente dessa água, a gente reservou para usar no sistema de irrigação do horto medicinal, no arroz e na horta da família”.

O leite é a principal fonte de renda da família. Os agricultores Waldemir e Zuleica coletam cerca de 120 litros por dia, três mil litros por mês e vendem para uma empresa da região que fabrica iogurte.

O Filho deles, Davi Kern, sabe tocar vários instrumentos e também pinta muito bem. “Estudo por minha conta. Tem o piano que eu estudo todos os dias”, conta.

Luiza acompanha o irmão. Eles cantam juntos. E o que ganham com a música ajudam a família.  Segundo Waldemir, juntando todas as atividades que a família faz, eles conseguem ganhar R$ 2,5 mil por mês.

Horto e as plantas medicinais
O horto de plantas medicinais ainda não gera renda, mas é uma promessa. São 85 plantas identificadas. Algumas são usadas para alimento, outras para a cura. Todas carregam uma antiga tradição na origem das suas sementes. O horto de plantas medicinais da Zuleica e do Waldemir não é só feito de plantas, mas também de alguns animais, usados para curar algumas doenças.

A família Kern recebeu o horto do Movimento de Mulheres Camponesas. As plantas estavam na casa de uma outra agricultora da comunidade, que se mudou para perto do asfalto e assim a família Kern ganhou essa herança.

As mulheres da região têm uma função fundamental na manutenção das chamadas sementes criolas, tradicionais. No Encontro das Mulheres Camponesas, elas trocam as sementes e falam da preservação dessa tradição.

A agricultora aposentada Nelci Endler fala sobre o encontro. “Essa semente tem que ter continuidade, ela não pode ser desperdiçada porque corremos o risco de perder a nossa semente. Essa semente criola, que já é patrimônio, nós colhemos, plantamos, cuidamos dessa semente. Ela não precisa de muito cuidado. Ela mesma dá a continuidade da produção”.

Todo o potencial que vive numa semente e passa de geração para geração, também vive na casa da família Kern. Davi quer fazer faculdade de música, mas tanto ele quanto Luiza, se preparam para, no futuro, cuidar da terra, plantar, colher. Os dois já levam dentro deles o potencial das melhores sementes.

Viver no campo com dignidade, em harmonia com a natureza; consumir alimentos frescos e valorizar a produção local. A história da família Kern nos convida a pensar sobre muita coisa. Será que essa vida que eles escolheram é coisa do passado ou do futuro? Neide DuarteSão Carlos, SC 

Assista a reportagem completa no vídeo

http://g1.globo.com/economia/agronegocios/globo-rural/noticia/2018/03/familia-de-agricultores-de-sc-produz-quase-tudo-o-que-consome.html

 

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Feira dos agricultores familiares de Apiúna acontece todas as quintas com música ao vivo

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Com apoio dos técnicos da Epagri, toda quinta-feira, acontece no município de Apiúna, a tradicional feirinha dos agricultores, voltada a comercialização dos produtos provenientes da agricultura familiar.

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Deliciosos produtos como geleias, sanduíches e sucos de linha natural, pães, geleias, frutas, licores, bebidas como refrigerante e cerveja, espetinho, pastéis, mel, melado, verduras e hortaliças você encontra na feira, assim como diversos itens de artesanato estão à vendo no centro de eventos da Rua São Paulo.  

Além disso, as edições da feirinha contam com música ao vivo para animar os visitantes e cama elástica e piscina de bolinhas para as crianças, um prato cheio para um happy hour com os amigos e família.

 

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