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As principais notícias de sustentabilidade de 2018

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Ano foi marcado por Fórum Mundial da Água, no Brasil, novos balanços de emissão de gases do efeito estufa e de maior desmatamento em Mato Grosso

Ano de realização do Fórum Mundial da Água, em Brasília, e de divulgação de novos indicadores de gases do efeito estufa e de desmatamento, 2018 contou ainda com a instituição do Dia Nacional da Agroecologia pelo Governo Federal. Confira as principais notícias de sustentabilidade de 2018:

Janeiro

Governo institui o Dia Nacional da Agroecologia

Grupo ambiental vai restaurar 210 hectares de Mata Atlântica em parques da Bahia

Fevereiro
O que é compostagem e como fazê-la em casa

Brasil tem primeira fazenda de erva-mate com 100% de energia solar

Março

Segurança hídrica requer US$ 650 bilhões por ano, aponta Fórum da Água

Água é de boa qualidade em apenas 4% dos pontos monitorados na Mata Atlântica

Brasil tem 177 milhões de hectares preservados dentro das fazendas

Fórum da Água derruba mito de que agricultura é “vilã hídrica”

5 maneiras de economizar água na irrigação

Abril

No Dia da Terra, organização alerta sobre poluentes plásticos

Maio

MPF e Ibama fazem operação contra o desmatamento ilegal no Cerrado 

Junho

Deputados paulistas proíbem caça para manejo de espécies nocivas

STF vai analisar prescrição de ressarcimento de dano ambiental 

Julho
Rastreabilidade: novo sistema para alimentos frescos entra em vigor em agosto

Agosto

Ecoturismo é alternativa para quem preserva a natureza

Setembro
A nova economia da Amazônia

Metrópoles brasileiras aderem à iniciativa mundial para preservar florestas

Dia da Árvore: desmatamento vem caindo, mas ainda há desafios

Outubro
Melhores do Agronegócio: cresce o número de empresas que investem em sustentabilidade

Novembro
Agro reduziu ligeiramente emissões de gases do efeito estufa em 2017

Ibama inicia nova etapa de conversão de multas ambientais

“Meio ambiente será questão de Estado, e não de governo”, diz Evaristo de Miranda, da Embrapa

Conheça as fazendas mais sustentáveis do Brasil
 

Dezembro

Pesca fantasma ameaça quase 70 mil animais marinhos por dia no Brasil

Mato Grosso tem a maior taxa de desmatamento nos últimos 10 anos

Campo ultrapassa metas voluntárias de redução de emissões de gases

Comissão na Câmara aprova PL que prevê indenização sobre áreas preservadas

 

Mais informações: g1.com/globorural

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Fazendeiro urbano já desponta no Brasil

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Influenciador digital, motorista de Uber, desenvolvedor de aplicativos para celular, operador de drone, gerente de mídias sociais: profissões que hoje são conhecidas não existiam anos atrás. E o mesmo vai acontecer no futuro.

Estudo da consultoria PwC no Reino Unido prevê que, em 2030, 5% ou mais empregos serão em áreas que ainda não foram criadas. Segundo a mesma fonte, 10% de todos os empregos de Londres em 2013 eram funções que não existiam em 1990.

Carreiras relacionadas à robótica e à inteligência artificial, ao cuidado com idosos e ao meio ambiente estão entre as previsões de novas funções que vão ser demandadas.

Uma delas já começa a despontar no Brasil: o fazendeiro urbano, profissional que cultiva alimentos em prédios nas grandes cidades. Em Belo Horizonte, dois sócios produzem hortaliças orgânicas como alface, rúcula, espinafre e alecrim em estufas no segundo andar de um shopping.

O processo, feito com base em aquacultura (cultivo na água junto com peixes), exige tecnologia. Softwares criados pela empresa monitoram parâmetros como temperatura e pH da água. Eles afirmam que a produtividade é 28 vezes maior do que em fazendas convencionais. Uma das vantagens é dispensar o transporte de longa distância.

Outro casal de fazendeiros urbanos se prepara para inaugurar, ainda em 2018, uma unidade da suíça Urban Farmers no terraço de um prédio da capital paulista."A cadeia de perecíveis depende muito do diesel. E quase 70% dos alimentos são desperdiçados ao longo do trajeto. Eles não chegam frescos até nós", diz Giuliano Bittencourt, um dos fundadores da Be Green, que está levando a fazenda urbana para Rio e São Paulo.

"Vamos plantar tomate, pepino, morango albino. A ideia é praticar agricultura de larga escala em espaços pequenos", afirma uma das fundadoras, Talita Campoi.

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O que é: Profissional que cultiva alimentos dentro das cidades, geralmente em prédios (fazendas verticais)

Formação: Cursos como agronomia, biologia e engenharia de alimentos são um diferencial, mas não são necessários. É preciso colocar a mão na massa para aprender

Salário médio: de R$ 3 mil a R$ 5 mil

Fonte: Flávia Mantovani/São Paulo/Folha de São Paulo

Mais informações: https://www1.folha.uol.com.br

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Fazendas verticais: produção pode atingir o triplo da agricultura convencional

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No ano de 2050 seremos mais de 9 bilhões de habitantes. Todo esse aumento populacional necessitará, prioritariamente, de alimentos. Fica a pergunta: Como alimentar todo esse crescimento populacional?

De fato, uma das maiores preocupações mundiais está na capacidade da agricultura em alimentar a população daqui 30 anos, estudos indicam que para alimentar esse montante populacional, a produção agrícola terá que praticamente duplicar a produção de hoje.

Por isso, novas formas de cultivo, que buscam a máxima eficiência produtiva, começam a ser pensadas e, dentre as mais inovadoras, certamente as fazendas verticais ganham papel de destaque.

Essas fazendas verticais se baseiam em realizar o cultivo em ambientes controlados, com alta economia de água e produtividade muito maior.

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O que são fazendas verticais?

O que você pensa sobre cultivar hortaliças, verduras e frutas em prédios, longe de qualquer fonte de terra? Pode parecer estranho, mas essa é a ideia das fazendas verticais e tudo indica que funciona muito bem!

O sistema das fazendas verticais visa a realização da produção agrícola via hidroponia (e até aeroponia) em andares presentes em construções urbanas, estufas e galpões, onde todas as variáveis ambientais são devidamente controladas, com todos os nutrientes necessários para o correto desenvolvimento da planta oferecidos na quantidade e qualidade corretos.

Segundo seus idealizadores, a adoção do cultivo em fazendas verticais permite o dobro ou até o triplo de desempenho e produtividade em comparação à agricultura tradicional, realizada em imensas áreas de produção.

Além do aumento da produtividade, o cultivo em ambientes totalmente controlados também visa outros benefícios, um deles é o alto ganho em sustentabilidade.

O principal ganho sustentável relaciona-se ao fato da não necessidade de transporte por longas estradas (reduzindo drasticamente a emissão de gases poluidores provindas do transporte da produção), isso porque diversos projetos ao redor do mundo estão sendo conduzidos em áreas urbanas marginais, portanto muito próximas aos centros de consumo. Menos tempo de transporte, menor emissão de gases na atmosfera, maior produção. Tudo será perfeito!

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Vantagens do cultivo em ambientes controlados

Sem dúvidas, a sustentabilidade e a elevação da produtividade são as vantagens mais significativas quanto da adoção das fazendas verticais. Mas, as vantagens não se restringem a somente isso.

O cultivo em ambientes fechados possibilita a produção durante todo o ano, pois não há dependência do clima, visto que o fornecimento de luz, umidade e calor será todo artificial. Além disso, há grande economia de água, pois a hidroponia requer muito menos água quando comparada à produção convencional.

Por estarem próximas dos grandes centros, a tendência é que ocorra alta redução dos desperdícios, já que grande parte dos desperdícios de alimentos ocorrem após a colheita, principalmente durante o transporte.

A incidência de pragas também será bastante reduzida, assim como o uso de agrotóxicos (que será praticamente zero), devido à total capacidade de controle das variáveis.

Por fim, o lixo que será gerado pela produção poderá ser utilizado na produção de energia que será destinada a manter a iluminação e a temperatura interna das “fazendas edifícios”. Além disso, a energia gerada poderá contribuir com a geração de energia até para as cidades.

 

E no Brasil? A realidade ainda é distante

Fica claro que esse modelo é inovador e sem dúvidas estará presente no futuro da agricultura mundial. Porém, para o Brasil, a realidade das fazendas verticais ainda é distante. Alguns fatores explicam essa maior distância.

Os altos custos na construção e manutenção destes edifícios ainda representam grandes barreiras para a expansão das fazendas verticais no país, já que podem acabar encarecendo o produto final, tornando o projeto inviável.

Além da questão econômica, no Brasil ainda há déficit de mão de obra especializada para esse tipo de cultivo, lembrando que o cultivo nas fazendas verticais é quase que totalmente automatizado.

Porém, a tendência que o custo de produção seja reduzido ao longo dos anos e, isso irá ocasionar maior popularização das fazendas verticais em todo o mundo, e o Brasil estará incluído neste cenário.

Assim, mais cedo ou mais tarde, veremos belos e imponentes edifícios produtores de alimentos que vão contribuir para alimentar todo o mundo.

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Ítalo Guedes, pesquisador da Embrapa, afirma que o sistema de produção agrícola controlada em construções urbanas e prédios oferece, entre outras vantagens, a utilização de áreas marginais nas cidades e o decréscimo nos custos de cultivo como os de hortaliças e frutos. Foto: Divulgação.

Atualmente, a agricultura urbana responde a uma preocupação mundial, que é o distanciamento entre os centros de produção e de consumo. O transporte de alimentos por grandes distâncias é hoje uma das principais causas das perdas pós-colheita, e contribui para a pegada de carbono da agricultura, devido à utilização de combustíveis fósseis.

Nesse sentido, as chamadas fazendas verticais podem ser uma das soluções para o aproveitamento de áreas urbanas destinadas à produção agrícola intensiva e para a aproximação dos polos de produção e consumo. A observação é do pesquisador da Embrapa Hortaliças, Ítalo Guedes.

Segundo ele, o sistema que envolve a produção agrícola controlada em construções urbanas e prédios, onde todas as variáveis ambientais são controladas, permite o dobro ou até o triplo de desempenho em comparação à agricultura tradicional. Guedes afirma ainda que a utilização de variedades e híbridos adaptados de forma específica para esse tipo de ambiente e o manejo adequado dos cultivos podem aumentar essa proporção.

“Para se ter uma ideia, hoje a média de produtividade de tomate para consumo in natura em campo aberto deve girar, no Brasil, em torno de 70 a 90 toneladas por hectare; no cultivo em estufa, não são incomuns produtividades de até 200 toneladas por hectare. O cultivo em fazendas verticais tem potencial para mais”, destaca o pesquisador. “Em experimentos científicos na Holanda, utilizando ambiente controlado com tomate, já foram alcançadas produtividades equivalentes a mil toneladas por hectare. O potencial é grande”, avalia.

De acordo com o pesquisador, o sistema também oferece como vantagens a utilização de áreas urbanas marginais e o decréscimo nos custos de cultivo como os de hortaliças e frutos. “É preciso também considerar que as experiências de plantio em ambiente controlado demonstram o uso muito mais eficiente de nutrientes e água pelas plantas”, acrescenta.

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PROJETOS

No mundo, já existem algumas empresas que investem em fazendas verticais ou “plant factories”. Recentemente, o lançamento da startup Plenty, no Vale do Silício (EUA), recebeu atenção especial da mídia. A AeroFarms, também nos Estados Unidos, é outro projeto do gênero em desenvolvimento. Alguns países asiáticos, como Coreia do Sul e Singapura, têm realizado pesquisas avançadas com o conceito de fazendas verticais. “São países com alta demanda por hortaliças e frutas de qualidade, mas com escassez de terras e limitações climáticas”, afirma Guedes.

No Brasil, o interesse por fazendas verticais ainda é pequeno. No entanto, o pesquisador da Embrapa lembra que há dois fatores que têm aumentado a área de agricultura em ambientes protegidos (neste caso, em proporção mais modesta que as ‘vertical farms’): o crescimento da população urbana, principal consumidora de hortaliças e frutas, e o aumento da incidência de eventos climáticos extremos, que afetam de forma negativa a produção desses dois grupos de cultivos.

“As áreas de cultivo protegido têm se concentrado ao redor de grandes centros urbanos, já começando a formar expressivos ‘white belts’ ou cinturões brancos (em relação à cor do plástico das estufas), como ocorre ao redor de Brasília, São Paulo e mesmo Manaus, por exemplo”, ressalta Guedes.

Ele observa ainda que é crescente o interesse por empreendimentos conhecidos por “roof farms” ou fazendas de teto, cada vez mais comuns em Nova York, que utilizam as coberturas de grandes edifícios, como shopping centers, para a produção de alimentos. “Em Belo Horizonte há um projeto desse tipo em um dos shoppings da cidade”, afirma o pesquisador.

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SOLUÇÃO CRIATIVA

Porém, ele ressalta que “no Brasil, um dos fatores que limita o crescimento da produção tecnificada de hortaliças e frutas em ambiente controlado é o baixo consumo deste tipo de alimento pelo brasileiro”.

De acordo com Guedes, em âmbito global, as fazendas verticais não deixam de ser uma das soluções criativas para a agricultura no mundo. “São sistemas que atendem à realidade atual, diante da maior incidência de eventos climáticos extremos, da pressão urbana por terras agricultáveis, da preocupação com a diminuição de perdas de alimentos pós-colheita e da pressão ambiental por uma agricultura mais eficiente no uso de insumos, mais produtiva e menos dependente do uso de terras”. Fonte: Por equipe SNA/Rio

 

 Mais informações: www.sna.agr.br

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Fogão solar – ideia inovadora e sustentável

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Fogão age parecido com o microondas, mas utiliza os raios solares em ondas dentro da caixa

Alunas do curso de Engenharia Ambiental, Maria das Dores Lopes e Deusdith Ramos, orientadas pelo Professor Johnson Pontes de Moura da faculdade UNINORTE criaram dois tipos de Fogão: o fogão solar parabólico e o fogão solar tipo caixa, que utilizam a energia Solar como fonte para funcionar. Ambos os fogões usam espelhos para a captar os raios solares.

No fogão solar parabólico é necessário que os raios solares batam diretamente nos espelhos e com a reflexão dos raios a temperatura é transferida para a chapa. Assim, o aquecimento possibilita a cocção dos alimentos.

Age parecido com o microondas, mas utiliza os raios solares em ondas dentro da caixa. A radiação entra e permanece dentro do fogão fazendo a cocção dos alimentos. O calor permanece nele por muito mais tempo que o parabólico.

O fogão solar não polui e não transmite toxinas para os alimentos. O processo de cozimento pode iniciar entre 40 a 60 graus, para isso o fogão precisa estar exposto ao sol pelo menos uns 10 minutos absorvendo o calor. Alguns experimentos mostraram que com 100 graus os alimentos já estavam assados.

As alunas pretendem levar o projeto do Fogão Solar para famílias do interior, porque o valor de uma botija de gás é elevado e a radiação é gratuita e não existe poluição usando o Fogão Solar

Veja mais fotos da construção no endereço: https://www.flickr.com/photos/uninorte/30924826912/in/album-72157676732387205/

 

Mais informações:http://www.noticiascientificasam.com/

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Escassez de água faz surgir um arroz que produz mais com menos irrigação

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Produtores da região Norte descobrem que arrozais produzem mais se não forem inundados, diferentemente do que acontece no Sul do país

A região de Lagoa da Confusão, município a cerca de 200 quilômetros de Palmas, fez jus a seu nome. Depois de três anos de forte estiagem, o estresse hídrico virou estresse social e moradores e produtores agrícolas se desentenderam.

Numa área de várzea e muito quente, arroz e sementes de soja, que começaram a ser cultivados em larga escala na última década, demandam o uso intensivo de água, retirada de rios de médio porte. O Ministério Público e a sociedade civil questionaram produtores judicialmente. Apesar de o problema não ter sido totalmente resolvido, os agricultores passaram a contar com uma técnica inovadora: um arroz irrigado que produz mais, com menos água.

Uma das mais jovens fronteiras agrícolas do País, Tocantins viu sua área cultivada passar de 650 mil para 1,2 milhão de hectares, desde o início da década, segundo a Secretaria do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária (Seagro-TO). Nesse processo de expansão, ao se depararem com a gigantesca região alagadiça próxima à Ilha do Bananal, gaúchos que migraram para as cidades próximas passaram a usar a mesma técnica que praticavam no Rio Grande do Sul para o cultivo do arroz, sob lâminas d’água. “Só que são tipos diferentes de várzea”, diz André Borja Reis, pesquisador da Esalq/USP e autor do estudo. “No Tocantins, a terra é mais porosa e é preciso muito mais água para manter a lâmina, num terreno que tem alta condutividade hidráulica.”

Ao contrário do Sul, a área a ser alagada não é totalmente plana. As irregularidades dos campos permitiram aos especialistas perceber que, nos lugares onde o arroz não crescia parcialmente submerso, ele vinha mais forte. As hastes não ficavam tão finas nem se deitavam com ventanias, dificultando a colheita. Foi então que Reis, que se mudara para Tocantins em 2008 e diz ter se sentido incomodado com o uso da água, tentou criar alternativas mais sustentáveis para seu manejo. Há quatro anos, começou os testes que provaram que o arroz sem a inundação produz 15% mais, consumindo metade dos recursos hídricos.

Mais sacas

Todas as 500 mil sacas de arroz esperadas para essa safra na Fazenda Dois Rios, propriedade de 30 mil hectares a cerca de 30 quilômetros da cidade, serão produzidas com a nova técnica. Josnei Spinardi Rosa, gerente operacional da Dois Rios, explica a diferença entre os métodos. Ele mostra canais cavados ao lado das parcelas, nome dado a campos retangulares de 200 metros por 1.000 metros onde ocorre o cultivo.

“Antes, enchíamos os canais até transbordar, para criar a lâmina d’água”, afirma Rosa. “Hoje, não há esse transbordo: colocamos água apenas no canal e, por capilaridade, todo o terreno é umidificado, em quantidade de água ideal para o arroz.” Segundo ele, a produção saiu de 120 sacos de 60 quilos por hectare para 140 sacos, no novo método. Detalhe: não se trata de arroz de sequeiro, o mais comum do Tocantins, cuja produção média é de 70 sacos por hectare.

Apesar da maior sustentabilidade econômica e ambiental, metade dos produtores da região ainda não adotou a nova técnica. “Há agricultores muito apegados aos métodos tradicionais de produção”, afirma Solano Colodel, da Ímpar Consultoria no Agronegócio, na qual Reis trabalhava quando realizou a pesquisa. Segundo Rosa, eles olham os campos cultivados da Dois Rios e não acreditam que o arroz vá vingar. “Esse crescimento nas regiões de fronteira agrícola passa tanto pelo desenvolvimento de novas pesquisas, técnicas e produtos quanto pela educação e a difusão do conhecimento.”

Uma das regiões mais quentes do cerrado brasileiro pela baixa altitude, Tocantins tem sofrido particularmente com as mudanças climáticas recentes. Acostumados a duas estações muito marcantes, os produtores têm tudo pronto para o plantio no início de outubro, quando começa a época de chuvas, que se estende até maio. Neste ano, porém, as primeiras águas só chegaram em 10 de novembro.

No dia 2, feriado, as máquinas já estavam no campo, dando início ao plantio. A cada chuva, espera-se um pouco a estiagem e logo tratores e semeadoras voltam ao trabalho, para aproveitar ao máximo o recurso precioso. “Chover mais tarde não quer dizer que vá chover menos”, diz Rosa. “Se cair os 1.800 milímetros anuais, estaremos bem.”

O problema é que esse volume foi 200 milímetros menor nos últimos anos e ninguém tem resposta se as quantidades recentes se tornarão o novo normal. Colodel trabalha com três fornecedores de dados meteorológicos e nenhum deles têm previsões semelhantes à do outro. “Estamos na área em que há maior imprevisibilidade em relação ao comportamento climático”, afirma Balbino Antonio Evangelista, analista da Embrapa-TO especializado em agroclimatologia. “Porém, temos uma certeza: está cientificamente comprovado que as temperaturas estão aumentando, além de termos muitos relatos de agricultores de que as janelas de chuva para o plantio e a colheita estão atrasando ou diminuindo com muita frequência.”

Segundo ele, as soluções para o problema da região passam pelo desenvolvimento de sementes com material genético mais resistente à seca e ao manejo bem feito das culturas. “Há estudos comprovando que a agricultura sustentável, feita com a integração lavoura-pecuária-floresta (quando se intercalam as safras agrícolas com a pecuária e/ou a produção de árvores), resgata e acumula o carbono no solo, evita sua perda para a atmosfera, o que pode significar uma recuperação do meio ambiente degradado.”

Apesar de o método desenvolvido por Reis significar para os produtores economia de 50% na água utilizada, ele funciona apenas para a época das chuvas, quando a retirada da água dos rios é menor, como ele mesmo alerta. Na seca, as fazendas da região produzem sementes de soja e outras culturas irrigadas. “A ideia é aumentar a produtividade e a receita com o arroz, para que os produtores não precisem retirar tanta água e não esvaziem os rios na seca”, afirma Reis.Fonte:Jonathan Campos- AGRONEGÓCIO GAZETA DO POVO

 

Mais informações:https://www.embrapa.br/pesca-e-aquicultura

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