Arquivos da categoria: Startups

Agrotóxicos: já é possível aplicar o veneno só onde está a praga

gazetaagrotoxico1

O recente debate sobre a liberação de agrotóxicos pelo governo federal acende uma alerta para pesquisadores e profissionais da saúde sobre os riscos dos pesticidas à vida humana e animal. Nos negócios, a polêmica dá mais visibilidade a startups que eram pouco conhecidas fora das grandes cidades: as agtechs, que atuam com sensores e controle de dosagem de defensivos agrícolas.

De acordo com a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), a quantidade de agtechs no Brasil passou de 245 em 2015 para 322 até agosto deste ano. O setor de agronegócio é o quinto mais representativo entre as startups do país, atrás de internet, saúde e bem-estar, finanças e educação, respectivamente.

"A Eirene Solutions faz parte desses números. Criada em 2013, startup promete auxiliar empresas e pequenos produtores a pulverizar agrotóxicos com mais facilidade e precisão, gerando até 90% de economia em defensivos agrícolas. Criamos um sensor com luzes azul e vermelha que indica onde há ervas daninhas. Assim, a planta não cria resistência ao pesticida e não utilizamos o produto sem necessidade”, explica Eduardo Marckmann, CEO da empresa, sobre o dispositivo SaveFarm.

A Eirene também desenvolveu um veículo que automatiza o processo de pulverização e possui um painel solar que gera energia para recarregar o robô de forma autônoma. “Com o Eirobot, o operador não tem contato algum com o composto químico”, acrescenta Marckmann.

E para desenvolver novas soluções, a empresa está captando dinheiro via crowdfunding até outubro pela plataforma CapTable. A startup de Porto Alegre (RS) tem como meta recolher R$ 750 mil, sendo que 93% do montante já foi atingido."

 

"Alto potencial

Como a Eirene, as agtechs têm alto potencial para captar investimentos devido à importância econômica do agronegócio para a economia nacional — o setor representa 21,1% do PIB brasileiro, segundo Amure Pinho, presidente da Abstartups.

“Essas startups oferecem ferramentas e tecnologias voltadas tanto para grandes empresas quanto para o desenvolvimento de pequenos produtores, como geolocalização, gerenciamento agrícola, drones e sensores para defensivos agrícolas”, detalha Pinho.

A Velbrax Agro, de Ribeirão Preto (SP), utiliza drones para captar imagens de terrenos agrícolas e machine learning para transformá-las em informações. Com os dados, a empresa presta serviço de monitoramento agrícola, apontando o estado da vegetação de uma fazenda após um temporal, por exemplo.

Até o final do ano, a startup espera concretizar uma parceria para oferecer também serviços de pulverização de agroquímicos, conforme revela Fabio da Cruz da Silva Primo, CEO da Velbrax Agro. “Trabalhar com defensivos agrícolas exige uma aeronave específica. Sozinho a gente vai rápido. Com pessoas, vamos mais longe”, destaca.

Com potencial de mercado, a startup ribeirão-pretano já obteve dois aportes: R$ 40 mil da Raja Ventures, de Belo Horizonte (MG), e R$ 30 mil da Sevna Startups, aceleradora de empresas do Supera Parque, onde está sediada atualmente.

Sensores criados em universidade

Após 13 anos de pesquisa acadêmica, a bióloga Mônica Vianna, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), criou sensores que medem a quantidade de agrotóxicos em uma plantação e permitem ao produtor avaliar se a pulverização foi realmente eficiente.

Este ano, a pesquisadora lançou a Wibis Vitae, pequena empresa carioca que neste semestre deve oferecer os serviços a empresas e produtores rurais de todo país. Os sensores, contudo, já estão sendo distribuídos para testes. “Se não tivermos um bom produto, seremos mais uma startup a morrer no mercado”, avalia.

No início deste ano, a empresa foi selecionada para o BNDES Garagem, programa de desenvolvimento de startups do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. A agetch também recebeu R$ 77 mil, divididos em 12 parcelas mensais por um ano, da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). “Qualquer economia no uso de agrotóxicos é positiva para o mundo”, afirma a doutora em química analítica.

Quantidade de agtechs no Brasil

gazetaagrotoxico2

O agronegócio representa o 5º setor em número de startups no país.Fonte: Associação Brasileira de Startups Mais infográficos"

 

Mais informações: https://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/agrotoxicos

Secretaria Executiva Estadual do SC Rural – (48) 3664 4309
Endereço eletrônico: imprensa@scrural.sc.gov.br

Governo quer incentivar startups para acelerar a terceira revolução do agro

mapaevento1

A agricultura brasileira é extremamente inovadora e produtiva, sem deixar nada a desejar para outros países. O problema é que isso ocorre em apenas algumas culturas de larga escala, como soja, milho, algodão e na pecuária, maquiando os maus resultados de outros setores.

A opinião é do secretário de Inovação do Ministério da Agricultura (Mapa), Fernando Camargo, que participou na terça-feira (11) do 1º Fórum Regional de Inovação Agropecuária, promovido pelo Mapa, que ocorreu em Carambeí, na região dos Campos Gerais do Paraná. O fórum antecedeu a abertura da Digital Agro 2019, uma das principais feiras de tecnologia digital voltadas ao agronegócio que vai até 13 de junho.

Uma das ferramentas que o Brasil precisa desenvolver para acelerar o que Camargo chama de terceira revolução do agronegócio é um ambiente adequado para fomentar o desenvolvimento de tecnologias e ideias inovadoras, hoje basicamente concentradas em universidades, centros de pesquisas e startups que podem promover a melhoria das produtividades em todos os setores do agro brasileiro e tornar o país um exportador de tecnologias, e não apenas um exportador de commodities agrícolas.

“Estamos pessimamente colocados nos rankings de países com maior facilidade para se fazer negócios. Primeiramente, o governo tem que desregulamentar, desburocratizar. A primeira ajuda que ele pode fazer é deixar de atrapalhar”

mapaevento2

Fernando Camargo, secretário de Inovação do Ministério da Agricultura

A segunda maneira é incentivando o fomento da inovação, com o favorecimento de ambientes para a criação de startups, fornecer linhas de crédito para empresas inovadoaes e promover eventos em que os atores do setor se encontrem e pensem juntos sobre o tema inovação, afirma Camargo.

Ao todo, o Mapa planeja realizar cerca de 40 fóruns regionais para depois, em 2020, juntar as ideias e conhecimentos apreendidos no Fórum Nacional de Inovação Agropecuária.

Outro projeto que o ministério guarda na manga é a criação de polos regionais de inovação, que serão formados em cidades com infraestrutura voltada para o agro, com a presença de universidades públicas, centros de pesquisa, grandes empresas do setor e com a participação as estruturas municipais e estaduais, o que deve incluir espaços de co-working com foco nas startups ou agritechs. O objetivo é fomentar a vocação que já existe em cada região.

O primeiro polo anunciado pela ministra Tereza Cristina foi Londrina (PR), que segundo o ministério reúne condições para inovação do agronegócio brasileiro. O Paraná deve ter ainda uma segunda cidade-polo.

É preciso desburocratizar e facilitar a inovação

“A gente faz o nosso papel desburocratizando as normas do Ministério da Agricultura, mas quando a gente fala nacionalmente de ambiência de negócios a gente fala de Ministério da Economia. Existem uma série de ações que estão sendo desenvolvidas que provavelmente vão ser anunciadas após a aprovação da reforma da Previdência. Hoje a gente precisa primeiramente superar esse desafio, que é uma condição necessária para fazermos a retomada do crescimento econômico”, afirma Fernando Camargo.

Um desses desafios seria aprofundar o marco legal de inovação, ferramenta que destravaria iniciativas no setor. Camargo diz que o Brasil precisa correr atrás para recuperar o campo perdido em setor como o de cacau, onde o país era o maior produtor mundial e hoje caiu para sexto.

“Para fazer isso primeiro precisamos mapear a ineficiência e depois aportar recursos e expertise. Existem dois tipos de ineficiência, a da porteira para dentro e a da porteira para fora. A primeira é que demanda assistência técnica, extensão rural, novos cultivares, agricultura digital, conectividade no campo. A outra é a necessidade de portos, estradas, ferrovias e aí o Brasil também tem um grande desafio”, observa.

As criações e ideias que surgirão a partir das startups – e com soluções tecnológicas que podem aumentar a produtividade ou melhorar a eficiência no campo, reduzindo custos – são imprevisíveis, conforme explica o secretário de Inovação do Mapa.

“Quando a gente fala em inovação, se a caracterizarmos já estamos perdendo, porque inovação é, por si só, disruptiva. Então, a startup que virá amanhã, o unicórnio que irá se viabilizar, é justamente aquela que a gente nem tem noção do que pode acontecer. Se soubermos caracterizar, ela deixará de ser inovadora. A função da startup é pensar algo que nunca tínhamos imaginado”, define Camargo.

Segundo o secretário, o Brasil precisa acelerar a terceira revolução do campo. A primeira ocorreu ainda nos anos 1970, com o surgimento do plantio direto na região de Carambeí, que modificou completamente a forma de fazer agricultura. A segunda, nas décadas de 1980 e 1990, surgiu com o advento da segunda e terceira safra.

“A grande revolução de agora é a agricultura digital. Estamos falando de drones, de biotecnologia, de modificação genética sofisticada. O trigo, por exemplo, sempre foi uma cultura de clima temperado, frio. Hoje existe um forte indicativo de que o cereal vai chegar no Cerrado e que o Brasil vai se tornar autossuficiente em trigo daqui a alguns anos”, observa. Para ele, a revolução da agricultura tecnológica mostra que o país está no limiar de uma mudança de paradigma no campo.

Um exemplo disso é a Holanda, país 245 vezes menor em termos de território que os EUA e que consegue obter produtividades de alto nível. Então temos tudo para fazer essa revolução.

gazetaembaixador

Bert Rikken, conselheiro agrícola da Embaixada dos Países Baixos

Bert Rikken, conselheiro agrícola da Embaixada do Reino dos Países Baixos e que foi um dos painelistas do fórum, apresentou um esboço de como o país revolucionou a sua produção agropecuária após a década de 1970.

"O sucesso está em implementar o pacote completo. A Holanda é bem-sucedida porque somos inovadores, desenvolvemos tecnologias apropriadas e criamos infraestrutura. Mas não é só isso, tem que ver o que fazemos com isso, como uma boa prestação de serviços, sem burocracia, com competitividade e um ambiente propício para negócios".

Já o diretor de Operações do Sebrae/PR, Julio Cezar Agostini, mostrou um estudo de um projeto de ecossistema de inovação que está sendo implantado em Ponta Grossa e região que engloba 50 startups e 250 empresas consideradas inovadoras.

O estudo, uma parceria do Sebrae/PR e Prefeitura de Ponta Grossa, foi concluído no final e 2017 e identificou o perfil e o potencial de inovação presentes na região, desde empresas até universidades que poderiam gerar ações nesse sentido. Identificou que um dos setores com maior capacidade de alavancar o desenvolvimento territorial pela inovação foi o agronegócio.

Setores foram mapeados, estudados e diagnosticados, tanto dos talentos, do nível de governança e dos clusters industriais quanto o nível das políticas públicas, do empreendedorismo, do aporte de capital e as empresas de tecnologia do setor privado.

Posteriormente foi criado um plano de ação com metas de curto, médio e longo prazo. Além disso, foi criado um conselho de inovação em nível municipal e há um projeto concluído para um centro de inovação que irá abrigar desde os projetos de ideação, geração de empreendimentos, até educação e treinamento e administração.

Emerson Moura, CEO da Frísia Cooperativa Agroindustrial, lembra que é preciso aos agentes de inovação conhecer de perto os problemas dos agricultores no campo e perceber que a solução que ele está imaginando seja aplicável ao campo. “Se não, nada serve uma nova ideia. Ela ter que ser aplicável, simples e barata, caso contrário não será assimilada pelo produtor rural”.

Ele diz que as principais demandas dos produtores hoje são: ter acesso a informação; fazer a gestão financeira e de pessoas das propriedades; lidar com a sucessão familiar na era digital; incrementar o aumento de produtividade sem expansão de área; e ajuda para lidar com o excesso de informação sobre novas tecnologias, que acaba confundindo o produtor.

Fugindo do “vale da morte”

O pró-reitor de Relações Empresariais e Comunitárias da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Douglas Renaux, por sua vez, explicou os motivos de o Brasil não avançar na criação de ambientes competitivos. Ele mostrou uma escala de nível de maturidade tecnológica dos países, que consiste em 9 níveis, desde a etapa de pesquisa básica (níveis 1 e 2) até a etapa em que o produto está pronto para ganhar o mercado (9).

“Quem trabalha com os níveis iniciais, de invenção, são as universidades com apoio de instituições governamentais. Quem trabalha com os níveis 7, 8 e 9 é o setor privado. E no meio do caminho existe um buraco, chamado de ‘vale da morte’. Se a gente não conseguir passar por esse vale não adianta ter ideias maravilhosas porque elas não vão chegar ao mercado. E as nossas invenções não se transformam em inovações.”

Para transpor o tal “vale da morte”, segundo Renaux, é preciso ter programas específicos para isso, como os da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que apoia atividades inovadoras com recursos para que as atividades dos níveis 3, 4 e 5 (intermediários) sejam executadas.

“A Embrapii tem laboratórios, com o apoio da Fiep, em que consegue dar apoio às startups para conseguirem passar pelo ‘vale da morte’. Precisamos de muito mais exemplos como esse. As startups são o caminho para cobrir esse vale, apoiadas por um processo de pré-incubação, incubação e aceleração, desde que tenhamos um ambiente propício para isso e fomento apropriado”, afirma.

Nos primeiros níveis, o poder público geralmente é o responsável pelos recursos, diz o pró-reitor da UTFPR. No segundo, a Embrapii e outros mecanismos como o BNDES fazem o aporte financeiro. Na etapa final do processo o dinheiro vem de investidores anjo e dos bancos.

E por falar em recursos públicos, o fomento à inovação por enquanto vai ter de se contentar apenas com o apoio moral. “O Brasil quebrou. Temos que primeiro fazer a reforma da Previdência. Precisamos ter engenho e arte para fazer as coisas nesse momento. Não temos dinheiro para isso”, declarou Fernando Camargo.

Bert Rikken enxerga outros problemas no país, com o mercado extremamente fechado para se fazer negócios por aqui. “Muitas empresas internacionais que têm sede na Holanda e que estão também no Brasil estão funcionando aqui em um nível muito baixo. Estão esperando o momento em que o Brasil abrirá o seu mercado. Como se quer importar máquinas e inovação com altas taxas e burocracia? É muito difícil”, queixa-se. Fonte:Gazeta do Povo

 

Mais informações: www.gazetadopovo/agronegocio

Secretaria Executiva Estadual do SC Rural – (48) 3664 4309
Endereço eletrônico: imprensa@scrural.sc.gov.br

Com quase 200 startups, Brasil podem brigar por protagonismo na agricultura 4.0

gazetastartupsjpg

Com uma das indústrias mais desenvolvidas do planeta, Brasil já tem quase 200 startups de agricultura. Mas ainda não é protagonista deste processo de transformação digitalAGRITECHS

gazetastartups1

Rastreador bovino pode monitorar se o animal se desenvolveu normalmente e se houve contato com animais com doença| Foto: Divulgação/Grupo GVQ/Carolina Rossi Alvarenga

Nas últimas décadas, o Brasil passou de um importador líquido de alimentos para uma potência agrícola. O país é o maior produtor mundial de suco de laranja, café e açúcar, e segundo em soja, etanol e carne bovina. Mas o país ainda não assumiu o protagonismo na nova era de revolução no campo, a da agricultura 4.0. O número de startups agrícolas no país é metade do encontrado em Israel, país com área 400 vezes menor do que a brasileira — e que só tem 20% do solo arável.

Nas exportações, o país lidera em soja, carne bovina, aves, café, açúcar, etanol, suco de laranja, e vem em segundo lugar no milho. Tudo isso foi resultado de investimentos em ciência e tecnologia, a partir dos anos 1970, com a criação da Embrapa. Mas o desafio agora é acompanhar a nova revolução tecnológica. Hoje é possível monitorar a umidade do solo, temperatura e umidade relativa do ar por meio de sensores instalados no campo. Com fotos de drones e imagens de satélite de alta resolução, pode-se estimar a produtividade.

Máquinas agrícolas enviam informação em tempo real para um servidor na nuvem e para o smartphone. Combinando essas informações com mão de obra qualificada para interpretar os dados, é possível adiar a adubação de uma plantação antes de uma forte chuva, para evitar o desperdício do adubo que seria levado pelas águas.

A agricultura tem potencial para posicionar o Brasil como protagonista mundial, avaliam especialista do ecossistema de inovação. O país conta com, pelo menos, cinco startups consideradas “unicórnios”, avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. Nenhuma delas é da área de agricultura.

“Esse é o movimento mais importante do mundo. Há iniciativas em Israel, Canadá, EUA e União Europeia, mas nenhuma delas está situada num ambiente agrícola complexo como o do Brasil”, analisa Sérgio Marcus Barbosa, gerente executivo da EsalqTec.

Incubadora vinculada à Universidades como a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) de Piracicaba, a EsalqTecjá apoiou 111 empresas em três categorias: pré-incubadas (fase da ideia), empresas residentes, e associadas, desde 2006. Dessas, 14 já foram graduadas. A Unesp, de Botucatu; e a USP, de Pirassununga também mantêm programas de apoio às startups agrícolas.

“Temos dois objetivos: colaborar para que o conhecimento gerado na universidade retorne como inovação e apoiar as iniciativas de empreendedorismo da comunidade”, ressalta Barbosa. Ele diz que, no início, o foco era a biotecnologia. A partir de 2013, começou o movimento da agricultura digital, baseado na conectividade dos processos e no uso de plataformas tecnológicas. Das 111 empresas apoiadas, pelo menos 30% são de agricultura digital. Entre as empresas estão @Tech, SmartSensing Brasil, Promip, Agronow, Smartbreeder, Abribela, SmartAgri.

 

Mapeamento das agtechs

Mapeamento recente da Abstartups encontrou 182 startups especializadas em tecnologia para o agronegócio — chamadas agtechs, agrotechs ou agritechs.A maior parte (81 empresas, ou 44%) oferece soluções de sistemas para otimização da produção agrícola nos processos e utilização de hardware (drones e sensores) para gestão. Em seguida vêm as plataformas de comercialização (40 startups, ou 22%).

As demais são gestão de dados agrícolas e analytics (15%); plataformas de rastreabilidade e segurança alimentar 9%; ferramentas de comunicação e interação 7%; biomateriais, bioenergia e biotecnologia 3%. A maioria, 76%, atua na modalidade de software como serviços (SaaS); 11% fornecem hardware; 10% atuam como marketplace; e as modalidades de consumer, advertising, e relacionamento representam 1%, cada.

Mas o Brasil ainda precisa evoluir, destaca Tânia Gomes Luz, vice-presidente da Abstartups. Israel é a maior potência em agtechs do mundo, com cerca de 400 startups de tecnologia agrícola, tendo movimentado US$ 97 milhões em 2016. Não por acaso, o país investe 4,3% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, ante 1,2% investido pelo Brasil.

O mapeamento mostra que 37% dos estados brasileiros têm mais de três agtechs, mas 30% não possuem nenhuma. Três dos cinco estados com maior representatividade (Paraná, Santa Cataria e Rio Grande do Sul) são da região Sul. Seis estados têm apenas uma agtech. E não foram encontradas startups agrícolas em oito estados Brasileiros.

Brasil: um protagonista em potencial – Grandes empresas envolvidas na inovação

Grandes empresas também focam na inovação do segmento. A Raízen, a Ericsson, a EsalqTec e a Wayra – aceleradora de startups da Vivo – se uniram para desenvolvimento de tecnologias de Internet das Coisas (IoT) no campo. Em janeiro, foram selecionados seis projetos de startups. Elas terão acesso ao espaço compartilhado do Pulse – hub de empreendedorismo da Raízen, em Piracicaba – e a mentoria, workshops, networking, treinamentos.

Também poderão participar do ecossistema da Wayra e receber investimentos no futuro. A EsalqTec auxiliará os selecionados na facilitação acadêmica das tecnologias.

“Criamos o Pulse em agosto de 2017 para posicionar a Raízen – líder na produção de cana-de-açúcar – também na liderança da tecnologia agrícola”, diz Guilherme Lago, coordenador de inovação da Raízen. O Pulse já apoiou 23 startups, das quais 15 fizeram projetos com empresa e cinco foram graduadas.

Internet das coisas

No projeto de parceria, a Raízen atua como a cliente da solução para o desenvolvimento do caso de uso. O teste contará com uma antena em Piracicaba cobrindo uma área de 10 km de extensão. “Se der certo, vamos expandir para todas as áreas agrícolas e até para o Brasil todo, já que não haverá exclusividade”, sinaliza Lago

A Ericsson vai fornecer a rede de telecomunicações 4G nas frequências de 400 MHz e 700 MHz – com tecnologia LTE Narrow Band IoT –, mais propícias para cobertura no campo. “A ideia é unificar as expertises do setor de TI e Telecom com as da cadeia do agro, para que a nossa capacitação possa ser aproveitada por essas empresas, e que elas possam nos passar conhecimento do setor agrícola”, diz Vinícius Dalben, vice-presidente de estratégia da Ericsson.

Uma das startups selecionadas é a IoTag, de Curitiba, que vai desenvolver um gateway de telemetria para colhedoras e tratores da CNH Industrial, grupo italiano e grande fabricante mundial de equipamentos agrícolas do Grupo Fiat. Esse gateway está coletando mais de mil indicadores do maquinário a uma taxa de leitura de dez vezes por segundo.

A empresa foi criada, em novembro de 2017, por Jorge Leal, Eleandro Gaiski e Ronaldo Rissado, e o Pulse será sua primeira aceleradora. “Já comercializamos vários equipamentos, e nosso objetivo é reduzir o consumo do diesel das máquinas em pelo menos 10%, diz Jorge Leal, CEO da IoTag.

Bayer lança programa próprio

No início de 2018, a Bayer criou o Programa Agrotech. Junto com a Câmara Alemã de Comércio e o Sebrae, realizou algumas iniciativas até optar por um projeto com marca própria. Jean Soares, diretor de TI para o agronegócio da Bayer, diz que a empresa criou conexões com 50 startups e trabalhou, de alguma forma, com 15.

“Realizamos dois eventos reunindo empresas que já fazem inovação aberta, como Samsung, Itaú e Raízen. Nesses eventos, identificamos as empresas com as quais queremos trabalhar com mentoria e provas de conceito nos nossos clientes. Temos o portal de fidelização Bayer Agroservices, e a ideia é colocarmos as startups no portfólio de serviços”, explica Soares

 

Investidores de olho no agro

gazetastartups2

Mariana Vasconcelos, fundadora da Agrosmart, que monitora o clima nas plantaçõesDivulgação/Agrosmart

As agtechs também atraem a atenção de fundos de venture capital, que investem em startups. Francisco Jardim, sócio de fundador do SP Ventures, informa que o fundo tem R$ 100 milhões e é o que mais investe no segmento na América Latina com 80% da carteira compostos por agtechs, num total de 13 empresas. “Somos também co-fundadores de uma incubadora em Piracicaba em parceria com a Raízen”, diz Jardim.

Entre as empresas apoiadas pelo fundo, está a Agrosmart, plataforma de agricultura digital criada em 2014, que trabalha com o monitoramento de lavoura, por meio de pluviômetros digitais, previsão do tempo e dados obtidos a partir sensores de clima, solo e plantação instalados no campo e de fotos de satélite. Mariana Vasconcelos, fundadora da empresa ao lado de Raphael Pizzi e Thales Nicoleti, informa que a Agrosmart passou por diversas aceleradoras, como Baita por meio do Startup Brasil, e Google Launchpad. E opera em nove países.

“Além do aporte financeiro e da imersão no Vale do Silício, participamos do programa de aceleração da Thrive, um dos principais no mundo no segmento de Agtech, e do Climate Ventures, programa do governo Barak Obama que visava a fomentar soluções voltadas às mudanças climáticas. Em 2015, recebemos o primeiro investimento por meio do programa Startup Brasil, e, em 2016, o aporte da SPVentures”, Mariana.

Já o Inseed iniciou atividade em 2009 como gestor do Createc I, fundo de investimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Paulo Tomazela, general partner do Inseed, diz que o fundo era multissetorial e apoiou 36 empresas, das quais oito eram agrícolas.

“Já o Createc III conta com R$ 300 milhões, já tendo aplicado um terço em 12 empresas, sendo duas agtechs. Nosso pipeline tem em análise ainda muitas startups agrícolas. Temos ainda o FIMA, focado em meio ambiente e sustentabilidade, que apoia uma startup agrícola, a Smartbreeder”, diz Tomazela.

Alessandro Machado, sócio da Cedro Capital, informa que a empresa é uma asset de Brasília que opera um fundo FIP regional. O fundo Venture Brasil Central conta com R$ 55 milhões para investimento em empresas de tecnologia nos estados do Centro-Oeste, Tocantins e Minas Gerais. “No ano passado, o Sebrae fez uma chamada para selecionar fundos e fomos selecionados. Investimos em oito empresas, sendo uma agritech, a Gira”, explica Machado.

Big data e bebedouro inteligente

gazetastartups3

Igor Chalfoun, da TBIT: inteligência em agroDivulgação/TBIT

A Smartbreeder,foi criada em 2009 e passou a operar em 2015. A empesa usa é focada em inteligência agronômica digital e usa inteligência artificial, big data, computação cognitiva e dados em nuvem para automatizar a gestão e a tomada de decisão no manejo de culturas agrícolas. “Através de milhões de dados e algoritmos proprietários apontamos onde, quando e como utilizar cada insumo agrícola, definindo a estratégia mais racional, econômica e ambientalmente correta”, diz Eder Antônio, CEO da Smartbreeder.

A Intergado, outra apoiada pelo Inseed, desenvolve soluções de pecuária de precisão. Marcelo Ribas, CEO da Intergado, diz que a empresa oferece dois serviços: monitoração de engorda intensiva para avaliar desempenho; e cochos (dispositivo de alimentação) eletrônicos para avaliação de eficiência alimentar, com a data a hora e o que o animal comeu.

“Os animais contam com boton auricular e nosso equipamento, com antena leitora que identifica o animal. A pesagem é feita por uma plataforma instalada em frente ao bebedouro. O animal é monitorado se bebeu água e se alimentou e qual o mais eficiente para converter o alimento em carne”, explica Ribas.

Também operando com dados, a TBIT surgiu em 2008 para aplicar a visão computacional e inteligência artificial para reconhecer padrões substituir análise de qualidade no agronegócio feita por humanos. “Pegamos testes de qualidade de negociação de grãos e sementes e fazemos as análises por software. Isso traz transparência nas negociações”, diz Igor Chalfoun, CEO.

Riscos na produção agrícola

A Gira (Gestão Integrada de Recebíveis do Agronegócio) é uma startup focada na análise de riscos da produção agrícola. Gianpaolo Zambiazi, CEO da empresa, diz que a solução permite o acompanhamento da produção por meio de análises jurídicas e agronômicas. O objetivo é auxiliar a gestão de recebíveis para agroindústrias, distribuidores de insumos, cooperativas e tradings. A empresa recebeu investimento do Venture Brasil Central, selecionada pelo programa Pontes para Inovação, da Embrapa.

“Temos mil engenheiros agrônomos e 50 advogados que fazem a vistoria in loco. Por meio de um aplicativo celular, as informações são coletadas no campo, de acordo com os indicadores econômicos de cada lavoura. Já temos R$ 1 bilhão de crédito na plataforma”, diz Zambiazi. A empresa desenvolve, atualmente, um método de gestão baseado em blockchain.

Rastreador bovino

A Ecoboi é outra empresa de tecnologia pecuária, fornecendo um rastreador de bovinos em formato de colar que utiliza dados transmitidos via satélite e registrando os locais por que o animal passou durante todo o período de engorda. A tecnologia foi criada por meio de uma parceria entre a startup e a Tracking System e a Globalstar, operadora de satélites.

“Essa é a terceira versão do equipamento, que é homologado pela Anatel e tem bateria para atender todo o ciclo de vida do animal. Normalmente, coloca-se o colar no animal aos dez meses. O período mínimo de engorda é de 18 meses. Depois do abate, o produtor recolhe o colar, que pode ser usado por até três ciclos”; explica Marcos Moraes, diretor da Tracking System.

Por meio da georreferência, é possível monitorar se o animal alimentou-se, hidratou-se, se esteve em áreas de preservação ambiental ou se teve contato com outros rebanhos com casos de contaminação.

Agro e cidades inteligentes

gazetastartups4

Pluvion desenvolveu estação meteorológica de baixo custoDivulgação/CPqD

O CPqD, um dos mais antigos centros de inovação brasileiros, teve aprovado pelo BNDES três projetos-pilotos – nas áreas de agronegócio e de cidades inteligentes -, dentro da chamada pública lançada pelo banco em junho do ano passado com recursos de R$ 30 milhões, revela Fabrício Lira Figueiredo, gerente de desenvolvimento de negócios em agronegócio Inteligente do centro.

O “Piloto IoT Grãos e Fibra” para culturas de milho, soja e algodão cujas soluções IoT serão avaliadas nas fazendas localizadas em Diamantino (MT), e em Correntina (BA) da SLC Agrícola. Já o “Piloto IoT Cana-de-Açúcar” vai validar soluções nas usinas do Grupo São Martinho, em Pradópolis, no interior de São Paulo. O terceiro piloto é o” IoT Grãos e Pecuária”, que tem como produtor parceiro a Boa Esperança Agropecuária e será implantado em Lucas do Rio Verde (MT).

Entre as startups do projeto, está a Pluvion criada em 2016. A empresa desenvolveu uma estação meteorológica de baixo custo e conectividade IoT, em parceria com o CPqD, para melhor a assertividade das previsões meteorológicas do local. Segundo Diogo Tolezano, fundador e CEO da Pluvion, a empresa participa de dois projetos de agro: uma plantação de cana-de-açúcar, no interior de São Paulo, e uma fazenda de soja em Mato Grosso.

“Capitamos recursos da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) junto com o Sebrae para aplicar no P&D da estação meteorológica. A solução usa conectividade IoT nos padrões ZigFox, nas cidades, e Lora, no campo, pois são mais baratos que a rede celular. A empresa já passou por acelerações programas da Red Bull, do Google Campus e do Facebook. E foi a primeira startup convidada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para uma plataforma de cidades”, diz Tolezano.

O uso de drones e aeronaves também se disseminou. Fabrício Hertz, CEO Hórus Aeronaves, diz que a empresa usa drones e tecnologias de inteligência artificial para gerar diagnósticos agronômicos para melhorar a produtividade e reduzir o consumo de insumos. “A solução permite 20% de aumento de produtividade e 50% de economia”, conclui, Hertz." Fonte:Carmen Nery, especial para a Gazeta do Povo

 

Mais informações: https://www.gazetadopovo.com.br/economia

Secretaria Executiva Estadual do SC Rural – (48) 3664 4309
Endereço eletrônico: imprensa@scrural.sc.gov.br