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Pesquisa da Epagri diz que agricultores do Oeste economizam R$ 1,3 mil por mês com produção própria de alimentos

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A produção de alimentos para o consumo próprio dos agricultores, como hortaliças, queijos, carnes e frutas, entre outros, representa uma economia de R$ 1.351,99 por mês, de acordo com uma pesquisa apresentada no último dia 04.07, pela Epagri, durante o II Seminário de Pesquisa Estratégias e Práticas Alimentares de Famílias Agrícolas do Oeste Catarinense, realizado em  de Chapecó.

Durante a pesquisa "Caracterização da produção de alimentos para autoconsumo na região Oeste Catarinense" foram entrevistadas 381 famílias de 112 municípios do Oeste e Meio-Oeste Catarinense.

Destaca-se que 90% das propriedades tem menos de 50 hectares. As principais fontes de renda eram a bovinocultura de leite, presente em 55% das propriedades, e a aposentadoria, em 54%.

Em todas elas foram identificadas formas de produção para autoconsumo. Entre 80% e 90% produzem carnes, tanto bovina, quanto suína e de aves. O queijo é produzido em 51% das propriedades e, o salame, em 59%. Em 92% há produção de pães.

— Há uma grande variedade também de produção de hortaliças, frutas cítricas, leite, queijos, ovos e a produção de feijão para autoconsumo também é significativa. O cultivo de arroz diminui pela falta de mão-de-obra e fechamento de moinhos nas comunidades — disse o coordenador da pesquisa, o Doutor em Engenharia de Produção e pesquisador do Centro de Pesquisa Para a Agricultura Familiar (Cepaf) da Epagri, Clóvis Dorigon. A pesquisa contou também apoio outros pesquisadores da Epagri e também da Unochapecó.

A variedade na produção de grãos é pequena e 73% apontaram como motivo a falta de mão de obra.

Outra pesquisa realizada pela Epagri em parceria com a UFSC e que foi apresentada no seminário é “Governança alimentar e práticas das famílias agrícolas: uma abordagem pelos fluxos de provisão de alimentos e a multilocalização familiar”.

Neste caso foram pesquisadas 49 famílias, na região de Chapecó. O objetivo foi identificar a transferência de alimentos de propriedades rurais para familiares que moram na zona urbana. É o caso de filhos que agricultores que vão estudar o trabalhar na cidade e, nos finais de semana, buscam frutas, queijo, embutidos e verduras na casa dos pais. Foi constatado que esse valor é de R$ 350 mensais.

- Geralmente são pessoas que tem salários modestos e por isso essa transferência de alimentos funciona como um vale-alimentação, melhorando a qualidade do que as pessoas consomem. Isso é muito importante do ponto de vista de segurança alimentar – disse Dorigon.

Ele ressaltou que ambas as pesquisas mostram a importância da agricultura familiar como reservatório de biodiversidade, garantia de alimento de qualidade e preservação de conhecimentos tradicionais no processamento de alimentos. Isso demonstra a necessidade de políticas públicas que incentivem esse modelo de produção.

Dorigon disse que unidades produtivas mais especializadas em um tipo de produto, como produção de carnes, geralmente acabam comprando mais alimentos de fora da propriedade, até pela questão de falta de mão de obra. Fonte:darci.debona@somosnsc.com.br / Foto: Tarla Wolski/Divulgação

 

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Em defesa do melhor maracujá do Brasil

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É de Santa Catarina o melhor maracujá para consumo in natura do Brasil. E não são (só) os técnicos da Epagri e agricultores catarinenses que dizem isso.

“Considero a melhor fruta do país para o mercado de mesa”, afirma Laura Maria Molina Meletti, pesquisadora do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Ela fala com conhecimento de causa. Doutora em produção vegetal, criou e coordena o Programa de Pesquisas do Maracujá do IAC, desenvolveu quatro cultivares da fruta e recebeu três prêmios científicos pela contribuição a todos os elos dessa cadeia produtiva.

Gabriel Bitencourt, engenheiro-agrônomo da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), reforça esse entendimento. “A qualidade é boa. É uma fruta grande, com bastante polpa”, descreve, lembrando que nos meses de fevereiro, março e abril Santa Catarina se fixa no topo do ranking dos estados fornecedores de maracujá para a Companhia, que distribui para São Paulo e estados vizinhos.

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Maracujá catarinense é grande, bem preenchido e com polpa de boa cor

Toda essa qualidade é resultado de anos de trabalho com a fruta, que começou a ser cultivada de forma profissional no território catarinense por volta de 1990. Em 2005 teve início a pesquisa da Epagri que, uma década depois, resultou no lançamento da variedade SCS437 Catarina. A seleção genética destacou as melhores características do fruto: grande, bem preenchido, com polpa de boa cor, casca espessa e formato mais ovalado. Além de agradar o consumidor, o cultivar da Epagri também é adaptado às condições climáticas de Santa Catarina, que não são as mais favoráveis ao cultivo, já que o maracujá prefere calor e pouca chuva, como acontece no Nordeste do Brasil.

Mas todo esse trabalho correu risco de ser extinto por um inimigo microscópico: o vírus causador do endurecimento do fruto. Em 2016 ele foi detectado nos pomares do Sul de Santa Catarina, a principal região produtora do Estado. Não fosse uma ação rápida e conjunta liderada pela Epagri, esse ser minúsculo poderia ter dizimado a produção da região, como já aconteceu no Norte Catarinense, onde a área plantada reduziu drasticamente nos últimos anos devido a uma série de percalços, entre eles o ataque de doenças.

Para combater a virose do endurecimento do fruto, a Epagri muniu os produtores de maracujá de Santa Catarina com uma arma mais letal do que qualquer agrotóxico, o conhecimento. A disseminação de informações técnicas foi a estratégia adotada para vencer esse embate. As primeiras batalhas, os produtores rurais ganharam, mas a guerra segue. A vantagem é que Santa Catarina agora está bem armada, com exército preparado para seguir nessa luta.

História

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Tecnologias de manejo permitem produzir frutas adequadas ao mercado, apesar da virose

Para contar essa história é preciso retornar alguns anos no calendário. “A produção de maracujá em Santa Catarina só começa a aparecer nas estatísticas do IBGE na safra 1992-93”, conta Henrique Belmonte Petry, pesquisador da Estação Experimental da Epagri em Urussanga. A cultura começou na região de Joinville e foi se consolidando pelo Estado. O tamanho do mercado nacional para a fruta instigou os agricultores, que foram expandindo a área de cultivo, que chegou a 1,5 mil hectares na safra 1998-99.

Mercadologicamente, essa superoferta foi um desastre. As condições inadequadas da BR 101, que ainda não estava duplicada, dificultavam o escoamento da produção para outros Estados. O grande volume colocado no mercado causou queda nos preços pagos ao produtor. Paralelamente, uma bacteriose atingiu os pomares catarinenses. Sem contato anterior com a doença, as plantas não tinham mecanismos para se proteger e simplesmente secavam. Junta-se a isso uma forte geada que atingiu o Sul do Estado. Esse cenário praticamente dizimou a cultura em Santa Catarina. No início dos anos 2000, o território catarinense tinha apenas 50 hectares de área plantada com maracujá.

Depois dessa crise, o mercado de maracujá foi aos poucos se autorregulando e, por volta de 2008, a produção catarinense começou a recuperar o fôlego. Naquele ano, Araquari, no Norte do Estado, detectou os primeiros focos da virose do endurecimento do fruto, uma doença até então inédita nos pomares catarinenses. “Quando nos chamaram, o problema já tinha se alastrado pela região”, lembra Luiz Augusto Martins Peruch, pesquisador da Epagri. Ele releva que naquela época ainda não se tinham todas as bases científicas necessárias para o convívio com a doença. A entrada do vírus causou o declínio da cultura naquela região, que hoje está recuperando gradativamente sua área plantada.

Enquanto o Norte do Estado já sofria com a virose do endurecimento do fruto, a Região Sul de Santa Catarina via a produção de maracujá crescer de forma lenta e contínua, sem grandes saltos de produção, e ainda livre da doença. Na safra 2016-2017, Santa Catarina alcançou o ápice de produção de maracujá. Foram 47.621 toneladas colhidas da fruta, 94% desse total proveniente do Sul Catarinense.  A produtividade chegou a 20.875 quilos por hectare, considerada uma média satisfatória pelos técnicos da Epagri.

Mas, como em todo bom enredo dramático, uma nova reviravolta estava planejada no roteiro escrito pelo destino. Em 2016, os pomares de maracujá do Sul de Santa Catarina começaram a apresentar os primeiros sintomas da virose do endurecimento do fruto. Mas então já existiam as armas necessárias para enfrentar o mal. Por outro lado, era preciso traçar uma estratégia para que a cultura do maracujá em Santa Catarina saísse vencedora desse combate.

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 Enquanto o Norte do Estado sofria com a virose, a Região Sul via a produção crescer

Estratégia

A virose do endurecimento do fruto é uma doença disseminada pelo pulgão, um inseto comum nas lavouras do Brasil. Ele não chega a ser um  problema para o maracujá, mas passa a apresentar riscos quando pousa em uma planta infectada com a virose. Nos seus voos entre uma planta e outra, ele dissemina rapidamente o vírus que, como o próprio nome diz, faz com que o pomar produza frutas mais duras, com menos polpa. Também provoca uma importante queda de produtividade.

Os técnicos da Epagri sabiam que o pulgão não era o principal vilão nesse intrincado enredo, não era ele que deveria ser combatido. Petry explica que combater o pulgão não resolve o problema, porque ele não gosta do sabor da planta do maracujá. Ele voa até o maracujazeiro, faz a picada de prova, e segue para outro vegetal que lhe seja mais agradável ao paladar. Se estiver carregando o vírus, já infectou a planta. Se o agricultor aplicar um inseticida no maracujazeiro, não vai matar o pulgão, porque o inseto não está mais ali. Já o vírus que ficou na planta não pode ser combatido com nenhum tipo de químico.

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Mobilização da cadeia produtiva, entre eles os atacadistas, foi a grande chave do sucesso

Então, a estratégia correta não é combater o pulgão, e sim a virose. E, para isso, os técnicos da Epagri foram colher conhecimento em publicações científicas e também em outras regiões do Brasil que já haviam enfrentado o mal. Perceberam que, seguindo uma série de tecnologias de manejos, seria perfeitamente possível conviver com a doença. Porém, o mais importante era que todos os produtores aderissem às recomendações, já que a virose é facilmente transmissível e se dissemina rapidamente de um pomar para outro.  Era preciso mobilizar os soldados para a luta. “A grande chave do sucesso foi a mobilização de toda a cadeia produtiva”, afirma Sandoval Miguel Ferreira, extensionista do Escritório Municipal da Epagri em Sombrio e um dos principais soldados nessa batalha.

Em 2014, dois anos, portanto antes dos primeiros sintomas da doença aparecerem nos maracujazeiros do Sul do Estado, Sandoval já vinha mobilizando a cadeia produtiva na região, com o objetivo de perpetuar o cultivo, que tinha característica de ser nômade em Santa Catarina. Esse nomadismo era perpetuado principalmente por produtores “aventureiros”, que se interessavam pela fruta quando ela estava em alta no mercado, mas mudavam de plantio aos primeiros sinais de dificuldade na cadeia produtiva. “Nesse momento também houve a entrada de técnicos novos na Epagri. Essa reoxigenação do corpo funcional permitiu uma maior integração entre pesquisa e extensão”, relata o extensionista.

A mobilização envolveu, além de extensionistas e pesquisadores da Epagri, os varejistas de insumos (que apoiaram repassando informações aos produtores), os atacadistas (que apoiaram acertando seu ciclo de vendas ao ciclo produtivo da fruta), agricultores e suas entidades representativas, como cooperativas e associações. Estava formado o exército que iria entrar com força total na luta contra a virose do endurecimento do fruto.

Uma série de ações capitaneadas pela Epagri tiveram início em 2016, para disseminar as informações de combate à virose. Foram realizadas reuniões, encontros, oficinas e treinamentos envolvendo técnicos, agricultores, fornecedores, atacadistas e outros atores da cadeia produtiva do maracujá no Sul do Estado.

A primeira providência foi treinar extensionistas da Epagri, de cooperativas e do setor privado para prepará-los para detectar a doença, o que permitiu um levantamento das áreas atingidas. “Paralelemente, começou a conversa com os atacadistas. Se o maracujá acabasse, seria um prejuízo enorme para eles. Depois, partiu-se para conscientização dos produtores. Foram Maracujá catarinense é grande, bem preenchido e com polpa de boa cor Tecnologias de manejo permitem produzir frutas adequadas ao mercado, apesar da virose. Foram feitas inúmeras palestras e mais de mil produtores participaram”, descreve Peruch.

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Edinei Bendo, maior comprador da fruta no Sul do Brasil, foi peça importante no combate

Manejo

Todas essas ações popularizaram as técnicas de manejo capazes de permitir o convívio com a doença nas plantações. Primeiro era necessário convencer os produtores da importância de eliminar os pomares de uma safra para outra. A prática mais comum no Sul do Estado era manter as plantas produzindo por dois anos, porém, com a renovação anual dos pomares, se retiram do campo todos os maracujazeiros que possam estar infectados com a doença. Eles são substituídos por mudas isentas do vírus.

As mudas são peças importantes nessa batalha, já que a virose chegou a Santa Catarina pela importação de mudas infectadas produzidas em outros Estados. A tecnologia de combate à doença preconiza que as novas plantas devem ser produzidas em ambientes protegidos com plástico por cima e tela antiafídeo nas laterais, para evitar a entrada dos pulgões. É importante também que esse viveiro conte com uma antessala em que o produtor possa colocar as vestimentas adequadas para não levar o vírus para dentro daquele ambiente reservado. E, de preferência, que seja longe do pomar.

A Epagri também passou a recomendar que os agricultores optassem por mudas maiores, com 80 centímetros ou mais, na hora de renovar o pomar.  Quanto menor a muda, mais suscetível ela está à doença. Com base nessas orientações, muitos agricultores passaram a produzir suas próprias mudas, e aqueles que continuaram adquirindo foram orientados a comprar só de quem obedecesse essas regras.

Depois de plantar, é importante fazer inspeções frequentes no pomar, destruindo os maracujazeiros que manifestem sintomas da doença até a fase da floração. Também se recomenda manter o solo protegido por cobertura verde e usar no entorno do pomar plantas quebra-vento, que podem ser o capim-cameron ou até árvores. Esses vegetais formam uma barreira física contra o vírus, evitando que ele chegue ao cultivo de maracujá.

Uma das mais importantes e polêmicas recomendações é a prática do vazio sanitário. O maracujazeiro é plantado em Santa Catarina em agosto e a colheita segue até junho do ano seguinte. Para evitar contaminação com a virose do endurecimento do fruto, o ideal seria que a área dos pomares permanecesse sem nenhum cultivo por pelo menos 60 dias, eliminando completamente o vírus da região. Como não há uma legislação sobre o assunto, esse período de vazio sanitário ainda não está consolidado, o que faz com que cada agricultor o pratique de acordo com seu interesse, por 30 ou 45 dias.

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 Com apenas 24 anos, Moisés de Mattos Matias dá exemplo na adoção de manejos

Combatentes

A Cooperja, cooperativa nascida em Jacinto Machado e que reúne agricultores de outros municípios do Sul Catarinense, dá o exemplo de como entrar nesse combate. Délcio Vieira Macarini, engenheiro-agrônomo responsável pela fruticultura da Cooperja, conta que, para incentivar a adesão ao vazio sanitário, a cooperativa só recebe maracujá até 30 de junho. “Obrigatoriamente, depois desse período, os agricultores têm que eliminar o plantio, não pegamos maracujá de quem não eliminou a roça” relata o técnico.

São 150 famílias do Sul do Estado e do Rio Grande do Sul que comercializam maracujá via Cooperja. Segundo Macarini, apesar de a fruta ter menor representação no faturamento da instituição, ela é importante porque permite diversificação das atividades nas propriedades rurais dos cooperados.

Outro importante combatente nessa luta é Edinei Marcelo Bendo, produtor e atacadista de maracujá, maior comprador da fruta no Sul do Brasil. Ele, que produz há 25 anos, foi um dos primeiros a plantar maracujá em Sombrio, onde tem 15 hectares cultivados, que toca com a família e arrendatários. Como atacadista, compra a produção de pelo menos 250 famílias e distribui cerca de 500 mil caixas por ano, com 12 quilos da fruta cada. Metade do que entrega vai para o Ceagesp, outros 40% são distribuídos para Belo Horizonte. O restante vai para praças como Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre.

Depois de perceber sintomas em seus plantios em 2016, ele procurou a Epagri e entrou de cabeça na luta, distribuindo panfletos, promovendo reuniões e dando seu depoimento aos agricultores. “Deu muito bom resultado”, avalia Bendo, contando que na primeira safra muitos produtores, inclusive ele, resistiram em renovar o pomar com um ano. Hoje, 90% dos agricultores aderiram às recomendações da Epagri,
calcula o produtor e atacadista. Ele espera que no próximo ano 100% dos agricultores tenham “abraçado a ideia” de combate à virose.

Além de disseminar a informação, Bendo investiu alto na instalação de três viveiros, cada um com 15 por 39 metros. Nesse espaço, vai produzir 24 mil mudas, que pretende plantar em seus pomares em agosto de 2019. Com a colheita da safra 2019-20 ele espera pagar o investimento de pelo menos R$90 mil.

Com apenas 24 anos de idade, Moisés de Mattos Matias é um indicativo do que está por vir na produção de maracujá no Sul Catarinense. Ele tem 7 hectares de pomar em Balneário Gaivota, que toca com a mãe e o pai. Também atua como atacadista, distribuindo 150 mil caixas por safra, tudo para São Paulo. Moisés dá exemplo na adoção das tecnologias de manejo. Mesmo antes do surto da virose do endurecimento do fruto, já renovava seus pomares anualmente, com objetivo de aumentar a produtividade. “A única coisa que mudou foi o tamanho da muda”, conta ele, que agora inicia o cultivo com plantas de até 2 metros. “Quanto maior, mais previne a doença”, revela Moisés, que também comemora a colheita antecipada – a partir de dezembro – graças a essa iniciativa. Para produzir mudas tão grandes, ele adaptou e construiu viveiros em sua propriedade, num investimento de R$50 mil.

Os resultados ele já está colhendo. Na safra 2018-19, vai produzir cerca de 26,5 toneladas por hectare, o que considera um bom volume, mas não o suficiente. Seu objetivo é chegar às 36 toneladas por hectare que produzia antes da doença. Já trilhou boa parte desse caminho, uma vez que no auge da virose do endurecimento do fruto viu a produtividade cair para 18 toneladas por hectare.

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Moisés investiu R$50 mil na construção e adaptação de viveiros

Mal para o bem

“A virose foi um mal que veio para nos fazer bem”, resume Petry. Sua declaração, contraditória à primeira vista, se justifica. Foi devido ao surgimento da doença que a cadeia produtiva de maracujá se uniu no Sul de Santa Catarina, tonando-se mais organizada e coesa. Tal organização, com adoção das tecnologias recomendadas pela Epagri, deve resultar num aumento de produtividade. O sonho do pesquisador Petry é tornar Santa Catarina a campeã nacional de produtividade de maracujá, com 30 toneladas por hectare, em média. Atualmente os cultivos catarinenses já alcançam uma boa produtividade, com cerca de 20 a 22 toneladas por hectare, maior que a média nacional, que fica entre 12 a 14 toneladas por hectare.

Mesmo sem as condições climáticas ideais para produção, o Estado catarinense consegue ser o terceiro maior produtor de maracujá do Brasil. Conforme dados do IBGE, em 2017 Santa Catarina produziu 46.152 toneladas da fruta. O estado da Bahia foi o primeiro, com 170,9 mil toneladas, seguido pelo Ceará, com 94,8 mil toneladas. Os municípios catarinenses de São João do Sul e Sombrio estão entre os dez maiores produtores do País, sendo os únicos da lista fora das regiões Nordeste e Norte.

Tamanha produtividade se deve, entre outros motivos, à forte adesão dos produtores às tecnologias criadas e difundidas pela Epagri. “Temos a tendência de ser líderes porque o nosso produtor é muito
afeito às novas tecnologias. Começamos a falar em produção de muda em abrigo protegido em 2015. Na safra de 2017-18 já existia um estoque de 1 milhão de mudas em ambiente protegido. É um produtor que quer tecnologia”, descreve Petry.

Com um crescimento mais planejado, será possível também evitar o colapso que o mercado catarinense de maracujá enfrentou nos anos 2000 pelo excesso de oferta. Além da forte demanda da Região Sudeste do Brasil pela fruta catarinense, o mercado internacional de maracujá fresco está em crescimento, impulsionado pelo aumento do consumo de frutas exóticas na Europa e nos Estados Unidos, segundo avalia Rogério Goulart Junior, analista do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Cepa).

O analista estima que a safra 2018-19 de maracujá em Santa Catarina aumente 20% em relação ao período anterior, quando o Estado colheu 31.983 toneladas da fruta. A produtividade média deve ficar em torno de 19 toneladas por hectare. O Sul Catarinense será responsável por aproximadamente 93% da produção. Os números mostram que vencemos a batalha, mas a guerra ainda não está encerrada. Os técnicos da Epagri destacam que é preciso manter a vigilância constante contra a virose, perpetuando as tecnologias de manejo, de modo a impedir que a doença volte a se espalhar pelos pomares. Com exército treinado e armamento calibrado, a Epagri confia num futuro cada vez mais promissor para o melhor maracujá do Brasil. Fonte: Revista Agropecuária Catarinense – reportagem de Gisele Dias / Fotos: Aires Mariga/Epagri / publicada em Vol. 32, nº2, mai./ago. 2019) 

 

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Dia de Campo mostra o desempenho das variedades de aipim da Epagri

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Eleita pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o alimento do século 21, a mandioca de mesa, também chamada de aipim, já foi apelidada de “rainha do Brasil”.

É considerada uma das culturas mais antigas do nosso território, pois era cultivada e consumida pelos povos indígenas, e ganhou a aceitação e os paladares dos europeus que vieram habitar o Brasil pela facilidade de cultivo, rusticidade, capacidade de regeneração e de adaptação ecológica.

A Epagri, pensando em valorizar a cultura e fomentar a troca de experiências entre produtores, realizou no dia 12 de junho o 5º Dia de Campo sobre a cultura do aipim, no município de Agronômica, com participação de produtores de municípios vizinhos.

O evento foi realizado na propriedade de Raulino e Sandra Batels, família que trocou a cultura do fumo pela do aipim há nove anos. Hoje, eles plantam por ano cerca de 28 mil pés de aipim e comercializam descascado, embalado e congelado.

O dia de campo contou com uma visita à unidade com plantio das variedades desenvolvidas pela pesquisa da Epagri: SCS260 Uirapuru, SCS261 Ajubá, SCS262 Sempre Pronto e SCS263 Guapo, e a um experimento com testes de adubações.

Os pesquisadores da Estação Experimental de Urussanga e colaboradores do evento, Eduardo da Costa Nunes e Mauro Ferreira Bonfim Junior, além de trabalharem no evento a parte técnica de manejo e fitopatologia da cultura, realizaram a demonstração de um arrancador de aipim.

Os experimentos na propriedade demonstraram que as variedades têm boa produtividade, com destaque para a Uirapuru, que registrou 36,5 t/ha, e a Guapo, com 34,9 t/ha. No teste de cozimento o destaque foi a variedade Sempre Pronto (17 minutos).

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Os agricultores também trouxeram pratos à base de aipim para serem degustados. Cada família apresentou a preparação e contou um pouco sobre a receita e sua história com a cultura do aipim.  “Nessa gostosa roda de conversa, muito da história do cultivo nos municípios foi resgatada. Essa história, juntamente com as receitas, muitas delas de criação dos próprios participantes, farão parte de um livro”, diz a extensionista rural de Rio do Sul, Juliane Garcia Knapik Justen.

Neste quinto encontro, os produtores também decidiram continuar as trocas de experiências e conversaram sobre como será o encontro para o próximo ano. Eles querem conhecer o desenvolvimento da cultura em sistema plantio direto e tirar dúvidas em relação à legislação nas agroindústrias.

 

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Em Chapecó Epagri/Cepaf pesquisa produção de citro nanicos

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O Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar da Epagri, no município de Chapecó- CEPAF, vem desenvolvendo um trabalho de pesquisa com porta-enxertos nanicantes.

O pesquisador da Epagri/Cepaf, Eduardo Brugnara, explica que a colheita dos pomares de citros exige em média 27 dias/homem por hectare após o décimo ano.

"Nos pomares adultos, o custo é maior em função da quantidade de produto a colher, mas também do porte alto das plantas, que leva ao uso de escadas. Uma alternativa que vem sendo testada e aplicada para reduzir o tamanho das plantas cítricas são os porta-enxertos nanicantes", descreve o pesquisador.

A necessidade de mão de obra, principalmente para poda, raleio e colheita, foi um dos problemas que causou a redução de área plantada com citros no Estado. Em 1990, no auge da cultura em Santa Catarina, a área plantada se aproximava de 10 mil hectares, 70% no Oeste. Na safra 2012/13 esse espaço estava reduzido a 1,8 mil hectares.

O pesquisador da Epagri/Cepaf destaca ainda outras vantagens dos nanicos. "As plantas cítricas nanicas apresentam maior produção de frutos por metro cúbico da copa e permitem elevadas densidades de plantio. Também facilitam a inspeção e manejo de pragas e doenças, e aumentam a segurança na colheita".

Dados da fruticultura

Em Santa Catarina, as principais lavouras permanentes de frutas representaram mais de 55 mil hectares de área colhida, com 14 mil produtores. Na safra 2017/18 o total produzido chegou a 1,5 milhão de toneladas, com valor bruto da produção (VBP) estimado em mais de R$ 1,14 bilhões.

Em 2017, a bananicultura, com 28 mil hectares de área colhida, produziu 732,2 mil toneladas da fruta, aumento de 1% para caturra e queda de 10% para a prata em relação à 2016. Para 2018, a produção foi estimada em 716,7 mil toneladas, com redução de 1,7% e produtividade média de 25,3 mil quilos por hectare.

Já a safra de maçã 2017/18 foi de 574,6 mil toneladas, diminuição de 9% na produção e de 1% na área colhida em relação ao ciclo agrícola anterior. Para a safra 2018/19, a produção está sendo estimada em 577,6 mil toneladas, um aumento de 1,3%.

A produção de uvas comuns, viníferas e de mesa foi de 46,7 mil toneladas em 2017/18, com produtividade média de 14,2 mil quilos por hectare. Esse total representa crescimento de 1% na área colhida e de 3% na produção de uva comum. Por outro lado, a uva vinífera apresentou redução de 17% na área e 40% na quantidade produzida.

A citricultura (laranja, tangerina e limão) enfrentou redução de 13% na área colhida e de 3% na produção na safra 2017/18 em comparação com o mesmo período anterior. O total produzido foi de 27 mil toneladas, com produtividade média de 15,2 mil quilos por hectare.

A safra do maracujá, que se encerra em junho, está em estimativa de aumento de produção na safra 2018/19, com manutenção das áreas plantadas. A situação é diferente da safra 2017/18, quando houve queda de 33% na produção em relação ao ciclo anterior. Fonte: http://www.jopsc.com.br/

 

 

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Armadilhas para insetos: fácil de fazer e de baixo custo, mostra pesquisadora da Epagri de Caçador

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Armadilhas feitas com garrafas PET pintadas de amarelo ou azul são mais uma opção que agricultores da região de Caçador, têm para o combate a insetos nas lavouras.

O projeto, objetivava uma solução barata e de fácil acesso aos agricultores familiares. Os objetos foram feitos no Laboratório de Entomologia, na Estação Experimental da Epagri de Caçador. A responsável pelo projeto é a pesquisadora e engenheira agrônoma Janaína Pereira dos Santos, que começou a fazer estudos sobre as armadilhas há oito anos.

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"Em 2016, quando eu vi que poderia ter algum potencial, fiz um experimento a campo para validar a pesquisa", contou a pesquisadora. São cinco pessoas na equipe. 

Elas ganharam o Prêmio Expressão de Ecologia, categoria Reciclagem. Os vencedores foram anunciados em 2 de maio e haverá uma cerimônia em setembro em Florianópolis para a entrega dos troféus. 

As armadilhas utilizadas no projeto são feitas com garrafas PET de 500 ml. Por dentro, elas são pintadas de amarelo, para atrair moscas, pulgões e besouros, ou azul, para insetos conhecidos como tripes, que se alimentam da seiva das plantas. 

Por fora, a garrafa é coberta por uma cola. Dessa forma, os animais ficam grudados. As armadilhas são feitas de forma artesanal e a confecção delas é explicada em vídeo pela pesquisadora. 

"Tem já armadilhas comerciais, que são plaquinhas adesivas. Pensamos, o que poderia substituir as comerciais porque são muito caras ? disse ela. Após testar outros materiais, como papel-cartão, a equipe chegou na garrafa PET. 

"Tem maior durabilidade no campo do que o papel, dura bastante. Você pode reutilizar o material [garrafas] e consegue encontrar facilmente", afirmou a pesquisadora. 

O objetivo da equipe também é a reutilização de garrafas PET e a diminuição do uso de agrotóxicos nas lavouras. 

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No começo, a equipe fez uma parceria com um restaurante da região para conseguir as garrafas. Depois que moradores ouviram falar do projeto, também fizeram doações. 

Sobre a pintura, a pesquisadora explica que "os insetos enxergam determinadas cores nos comprimentos de ondas nos olhos deles. Algumas são mais atrativas para eles, como amarelo e azul. Azul para pragas de várias culturas e amarelo para a maioria dos outros insetos, que confundem [a cor] com flores". 

Em relação às garrafas, foram testados outros tamanhos também, como de 220 ml e dois litros. Porém, as de 500 ml são mais fáceis de fazer do que as maiores e as menores têm pouca área de contato e precisariam ser substituídas mais rapidamente. 

A cola usada por fora das garrafas é feita com uma mistura de óleo de soja e breu, material encontrado em casas agropecuárias. O objetivo da equipe é que as armadilhas sejam mais baratas do que as comerciais. Segundo a pesquisadora, o preço delas costuma ser 5,8 vezes menor. 

Além disso, as armadilhas comerciais podem ser compradas apenas pela internet e nem todos os agricultores têm acesso à rede. 

Depois de prontas, as garrafas podem ser colocadas em qualquer ambiente nas lavouras, geralmente presa pela tampa por um arame e pendurada. As amarelas também podem ficar dentro de casa, contra as moscas. Elas duram entre cinco e sete dias, dependendo da quantidade de insetos capturada. 
Fonte: com informações do G1 Santa Catarina/ Foto: Janaína Pereira dos Santos/Arquivo pessoal

Acesse o link para ver passo a passo https://www.youtube.com/watch?v=my_9UzPPTUg

 

Mais informações: eecd@epagri.sc.gov.br 

Secretaria Executiva Estadual do SC Rural – (48) 3664 4309 
Endereço eletrônico: imprensa@scrural.sc.gov.br

Fusão de empresas públicas vai ser a sobrevivência ou o fim da pesquisa agropecuária?

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Propostas de reestruturação de empresas públicas ligadas ao setor levantam debate sobre o futuro dessas instituições

Parte dos pesquisadores teme que o enxugamento do setor inviabilize a pesquisa agropecuária, considerada vital para impulsionar a produção e geração de renda no meio rural, especialmente para os pequenos produtores.| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

As recentes propostas de reestruturação de empresas de pesquisa agropecuária no Brasil, como a Embrapa e alguns institutos estaduais, sob a justificativa de cortar custos e melhorar a eficiência dessas empresas tem levado os pesquisadores a acalorados debates. Algumas pessoas ligadas ao setor temem que os cortes inviabilizem a pesquisa agropecuária, considerada vital para impulsionar a produção e geração de renda no meio rural, especialmente para os pequenos produtores.

Do alto de seus 88 anos, o engenheiro agrônomo e pesquisador Eliseu Roberto de Andrade Alves, da Embrapa, é um dos que teme pelo futuro da pesquisa. Ele foi um dos palestrantes do debate que abriu, nesta segunda-feira (6), o 41º. Ciclo de Atualização em Ciências Agrárias da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Para Alves, os institutos de pesquisa precisam, antes de tudo, mostrar resultados e também saber como divulgar esses resultados. Somente assim os governantes e a população serão convencidos da importância dessas instituições para o país, segundo ele.

O pesquisador, que foi um dos fundadores da Embrapa, diz que a empresa nasceu espelhada no modelo norte-americano, baseado em conhecimento e pesquisa para o agronegócio. “A pesquisa precisa ter organização e o olho no cliente, que é o agricultor”, pontua. Para ele, o futuro da pesquisa se confunde com o futuro da própria agricultura. “Os avanços precisam ser medidos e divulgados de forma que a população consiga entender. Estamos caminhando para uma agricultura muito bem-sucedida, que bem alimenta os brasileiros, é grande exportadora, mas emprega muito pouco”, sentencia.

A reestruturação da Embrapa vem ocorrendo desde 2017. Desde então, a empresa reduziu o número de áreas administrativas, abriu um plano de demissão voluntária e reduziu de 46 para 42 as unidades de pesquisa no país. No Paraná, o governador Ratinho Júnior apresentou uma proposta de fundir as quatro autarquias ligadas ao campo: o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), a Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Codapar) e o Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA).

No início do ano, o governo da Paraíba fez algo semelhante. Criou a Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer) juntando as estruturas da Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa), Instituto de Terras e Planejamento Agrícola do Estado da Paraíba (Interpa) e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Emater-PB). A justificativa seria uma economia de R$ 20 milhões para os cofres do estado.

Desafios

Segundo Alves, a agricultura brasileira é hoje cada vez mais exportadora, com excedente de produção e muita tecnologia aplicada, o que explica o crescente aumento de produtividade nas últimas décadas. No entanto, a produção está cada vez mais concentrada em poucos produtores. Um efeito colateral do emprego de tecnologia no campo, segundo ele. As cooperativas, que são uma tradição no Sul do país, são uma boa ferramenta para resolver esse problema, diz Alves. “No Sul, a política agrícola envolveu os políticos, prefeitos, governadores e lideranças rurais, de baixo para cima, e visou dar poder de mercado aos produtores. Por isso, o sucesso de suas cooperativas, associações, órgãos de classe e federações.”

Na avaliação do engenheiro agrônomo da Embrapa, a pesquisa é uma “decisão de investir” e “a linguagem que o investidor quer ouvir é a taxa de retorno, com base de cálculo nas tecnologias que os agricultores engendraram a partir dos conhecimentos gerados”. Segundo Alves, o modelo de organização da pesquisa precisa ser facilmente entendido pelos agricultores e baseado naquilo que eles exploram. “Nunca em nomes genéricos difíceis de serem correlacionados com a vida das famílias rurais. O Executivo, o Parlamento e o Judiciário querem saber quanto cada real investido trará de retorno, na linguagem que eles entendem. E também a sociedade. Assim, se pode comparar alternativas de investimentos”, argumenta.

Iapar

Durante o evento na UFPR, o pesquisador da área de Sócio-Economia do Iapar Tiago Pellini reclamou da falta de transparência do governo do estado, que, segundo ele, simplesmente decidiu elaborar um projeto de fusão sem consultar os pesquisadores e demais servidores. “O Iapar participou de todos os programas importantes para a agricultura do Paraná desde a sua criação, há 46 anos. E quando querem mudá-lo, ninguém do instituto é ouvido”, queixa-se. Ele afirmou que já houve uma reestruturação do Iapar em 2014 e que alguns programas foram descontinuados.

“O Iapar segue padrões de eficiência técnica, e não de eficiência econômica”, lembrou Pellini, explicando que a instituição possui atualmente cerca de 90 profissionais com foco em pesquisa aplicada, além de 30 laboratórios e 4 mil hectares de áreas experimentais. “Se perdermos isso, não recuperamos mais. O que nos falta é gente para tocar as pesquisas”, aponta.

Prédio do Iapar em Londrina. Se criado, o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Rural também sediará as suas pesquisas na cidade do Norte paranaense, Roberto Custódio /Arquivo Gazeta do Povo

De acordo com o pesquisador sênior e líder do programa de Sistemas de Produção do Iapar em Londrina, Rafael Fuentes Llanillo, a discussão em torno do projeto de junção dos quatro institutos está apenas começando. O projeto de fusão, que está sendo elaborado por um grupo de técnicos dos quatro institutos, será apresentado até o dia 30 de abril ao governador Ratinho Júnior. Se aprovado, será encaminhado para votação da Assembleia Legislativa do Paraná.

Llanillo concorda que o Iapar carece de pesquisadores, mas que a contratação de novos profissionais tem esbarrado nos limites de gastos impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. A única forma encontrada pelo governo para repor o quadro de forma mais imediata é criando uma nova empresa de pesquisa e incentivando as demissões voluntárias. Com isso, abririam-se novas vagas para a contratação de pesquisadores.

Ele rechaçou as acusações de que não há transparência no processo. “Nada vai ser alterado na alçada do novo instituto. Não haverá destruição da forma de fazer pesquisa. A fase de consulta e discussão começa agora”, reafirma. O Instituto Paranaense de Desenvolvimento Rural, nome provisório da nova instituição, terá a missão de fazer a integração da pesquisa com a extensão rural e a assistência técnica, além de promover o desenvolvimento agropecuário, segundo Llanillo.

Cases

Entre os cases que estão sendo analisados para a formatação da estrutura do novo instituto está a experiência de Santa Catarina, que em 1991 criou a Empresa Catarinense de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri) a partir da união da Associação de Crédito e Assistência Rural do Estado (Acaresc), Instituto de Apicultura de SC (Iasc) e Associação de Crédito e Assistência Pesqueira de Santa Catarina (Acarpesc), entre outras.

Llanillo explica que o Iapar hoje está com 1/3 de sua “força motriz”, ou seja, apenas 88 pesquisadores. Destes, 25 estão para se aposentar. Daqui a três anos, mais 10 também poderão se aposentar. “Ficaríamos com 20% da nossa capacidade de pesquisa”, pontua. Com isso, argumenta, o Instituto perderia naturalmente a capacidade de produzir pesquisa. Além disso, a integração proporcionaria uma economia anual de R$ 4,6 milhões aos cofres do estado. Outras vantagens, segundo ele, seria ter um planejamento mais integrado, com adoção de programas prioritários e ações regionalizadas.". João Rodrigo Maroni, especial para a Gazeta do Povo

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Agrônomos alertam governo do Paraná sobre riscos da fusão Iapar/Emater

As recentes propostas de reestruturação de empresas de pesquisa agropecuária no Brasil, como a Embrapa e o Iapar (foto), sob a justificativa de cortar custos e melhorar a eficiência dessas empresas tem levado os pesquisadores a acalorados debates.| Foto: GAZETA

Agrônomos, pesquisadores, professores, acadêmicos e outros profissionais ligados ao setor de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Paraná (UFPR) encaminharam ao Governo do Paraná um documento que alerta sobrea as implicações de uma fusão entre os principais órgãos de lidam com a agropecuária do estado, o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).

As recentes propostas de reestruturação de empresas de pesquisa agropecuária no Brasil, como a Embrapa e de alguns institutos estaduais, sob a justificativa de cortar custos e melhorar a eficiência dessas empresas tem levado os pesquisadores a acalorados debates. Algumas pessoas ligadas ao setor temem que os cortes inviabilizem a pesquisa agropecuária, considerada vital para impulsionar a produção e geração de renda no meio rural, especialmente para os pequenos produtores.

Na carta endereçada ao governador Ratinho Júnir, os autores afirmam que é necessário que o governo do estado, em conjunto com a iniciativa privada e o terceiro setor, analise melhor “a decisão de fusão entre as duas importantes citadas instituições para que as políticas públicas a serem implementadas nos próximos anos atinjam os verdadeiros objetivos para os quais foram concebidas.”

A carta reafirma a importância história e a necessidade de se aprimorar o papel do Iapar na liderança da pesquisa agronômica no Paraná e que há “riscos” na reestruturação das autarquias, que poderia ocasionar “uma irresgatável perda de identidade institucional do Estado como liderança nacional científica e tecnológica na inovação neste setor, desconstruindo assim um dos principais pilares do sistema de agricultura paranaense.”

A chamada "Carta de Curitiba" foi produzida ao final do encontro batizado de "O Futuro da Pesquisa Agropecuária no Paraná: que rumo tomaremos?", que ocorreu na capital paranaense no dia 6 de maior.

As recentes propostas de reestruturação de empresas de pesquisa agropecuária no Brasil, como a Embrapa e de alguns institutos estaduais, sob a justificativa de cortar custos e melhorar a eficiência dessas empresas tem levado os pesquisadores a acalorados debates.Representantes do setor temem que os cortes inviabilizem a pesquisa agropecuária, considerada vital para impulsionar a produção e geração de renda no meio rural, especialmente para os pequenos produtores.

Entre os palestrantes que participaram do debate na UFPR, que resultou na “Carta de Curitiba”, esteve o veterano pesquisador da Embrapa Eliseu Roberto de Andrade Alves. Segundo ele, os institutos de pesquisa precisam, antes de tudo, mostrar resultados e também saber como divulgar esses resultados. Somente assim os governantes e a população serão convencidos da importância dessas instituições para o país, diz Alves." Fonte:gazetadopovo.com.br/agronegocio

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