14º Campo Demonstrativo Cooperja reúne 3 mil pessoas e destaca práticas no campo

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Com início no último dia 7 e término no dia 8, o CDC – Campo Demonstrativo Cooperja reuniu cerca de 3 mil pessoas em Jacinto Machado (SC). É o cooperativismo catarinense mostrando sua força. O evento, mesmo antes de terminar, já contabilizava sucesso tanto de público, quanto de vendas e principalmente de inovação do setor agropecuário. Mais de 50 empresas de produtos, equipamentos e serviços foram parceiras e apresentaram novidades e muita informação.

Durante a abertura oficial, que contou com a presença de autoridades estaduais e regionais, inclusive do Secretário Estadual da Agricultura e da Pesca, Moacir Sopelsa, os participantes puderam acompanhar informações relativas ao mercado de arroz, entre outros assuntos.

O presidente da Cooperja, VanirZanatta também comentou sobre a importância da valorização do agricultor e da parceria com o poder público; as últimas notícias do setor orizícola e; a satisfação de receber este grande público no maior evento organizado pela Cooperativa e o maior Dias de Campo do Sul do Estado.

Com um novo formato, a 14ª edição do CDC trouxe uma grande novidade: um circuito único e interativo de visitação, onde possibilitou ao público, observar as parcelas de culturas agrícolas, de todas as empresas e atrações. O objetivo principal do Campo foi apresentar novas tecnologias e práticas de manejo, para que o produtor rural obtenha maiores produtividades e também aumente a rentabilidade da sua lavoura.

Além disso, foi realizada a Colheita do Arroz da Cooperja e apresentadas as seguintes novidades: 37 cultivares/ híbridos de arroz diferentes; exposição de animais em maior espaço e com nova forma de apresentação; soja plantada dentro de quadra de arroz; nova cultivar de arroz Primoriso CL; parcelas de banana caturra em formação; área de integração lavoura/pecuária/floresta, área de milho plantado com irrigação subterrânea, fazendo uma rotação de culturas, entre outras.

Grande sucesso do evento foram as práticas e apresentações externas, que tiveram grande participação do público, que foram: Apresentação e demonstração de vôo do Drone Pelicano, simulando aplicação aérea no arroz, da empresa Sky Drones; apresentação da nova colheitadeira John Deere S430 – Menegaro John Deere, que marcou o início da colheita do arroz da Cooperja; Tratores Mahindra em ação! Scarpa Mahindra; apresentação Brasélio Tratores – Comagri; apresentação de novas tecnologias Epagri – Projeto Arroz; e apresentação da nova cultivar de arroz Primoriso CL – Basf e Oryza

Segundo o coordenador do evento, o eng. agrônomo CélitoMezzari, outro grande diferencial foram as práticas no campo. “A ideia principal foi estimular a realização de práticas como lavouras lado a lado, colheitas, visualização de raízes, degustações, simulações de produtividades, etc. Com isso conseguimos prender a atenção do produtor e fazer com que entendam melhor a importância do que está sendo apresentado. Após, ele pode implementar o que aprendeu na sua lavoura”, destaca Mezzari. Da mesa forma, foram destaques a exposição de máquinas agrícolas com a presença das principais empresas do setor em Santa Catarina e, a 3ª Feira da Agricultura Familiar, ambas foram muito visitadas e ocorrendo vendas.

O setor de pecuária também foi contemplado no Campo. Um dos roteiros foi destinado a pastagens e animais. Houve exposição de animais, inclusive da vaca Sani, filha do Supersire, há três anos número 1 do mundo em genética leiteira. “O CDC abrange conhecimento amplo, qualidade expressiva e tecnologia. Tanto, que trouxe esta novilha avaliada em R$ 20 mil reais, filha do Supersire, número 1 do mundo. A Cooperja realmente investe tempo e conhecimento para oferecer o que existe de melhor para os produtores rurais”, garante o produtor de gado Holandês, Anacleto Nazário de Souza Neto.

As palestras foram todas muito prestigiadas sendo as seguintes: “Timorex Gold – 1 ano de uso, muitas histórias de sucesso”, com o engº agrônomo Dr. Ângelo José Vitti; “Gestão da sua lavoura em 10 passos”, com o Msc. Paulo Silvestrin; “Nutrição a partir da produção agrícola regional”, com a nutricionista ZucaNuernberg; “Prognóstico climático para os próximos meses”, com engº agrônomo Dr. Maurici Monteiro; “Drones – Inteligência e potencialização na agricultura digital”, com engº agrônomo Rafael Kühl; “A farmácia da natureza – Plantas medicinais e suas utilidades”, com Aléssio dos Passos Santos.

Nos dois dias de evento, os almoços foram servidos gratuitamente, sendo um dia risoto e no outro carreteiro, sempre utilizando o Arroz Caçarola. Nas duas tardes, para encerrar cada momento, foi servido delicioso café colonial.Fonte: Sistema Ocesc-Sescoop/SC 

 

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Tecnologia é a grande aliada da produção agrícola em Santa Catarina

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Desde o momento em que acordamos, utilizamos produtos que, de alguma forma, têm procedência no agronegócio. Esse setor representa parte importante do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Em 2017, de acordo com o Ministério da Agricultura, as exportações brasileiras do agronegócio somaram US$ 96,01 bilhões, 13% a mais que o ano anterior. Resultados expressivos obtidos graças a aplicação de muita tecnologia.

A seguir, você verá como o trabalho de pesquisadores é importante para melhorar os resultados no campo, construindo um resultado sólido e positivo para a economia da Serra Catarinense.

Um exemplo é São Joaquim, onde as parreiras de uvas se tornaram muito mais que um incremento para a agricultura da região. São a nova fonte de turismo para um município que já estava acostumado a receber visitantes durante o inverno rigoroso.

A produção dos vinhos de altitude ganhou destaque no País inteiro, as vinícolas são pontos de visitação e colocaram São Joaquim no mapa do Enoturismo.

Mas para isso, foi necessário o apoio imprescindível da tecnologia. Uma ampla pesquisa anterior a implementação das primeiras parreiras na região. Foi na década de 1990 que os primeiros pesquisadores perceberam a possibilidade do cultivo de uvas, devido às condições climáticas e a altitude.

Os testes foram realizados com a uva cabernet sauvignon, seu potencial para a região foi comprovado e a possibilidade de haver a produção de vinhos atraiu interessados pelo novo segmento. Seguiram-se assim, os testes para outras uvas. Hoje, são cultivadas na região a cabernet sauvignon, sagrantino, montepulciano, rebo, sauvignon e sauvignon blanc.

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João Felippeto é Enólogo na Epagri de São Joaquim – Fotos: Camila Paes

Laboratório

Para avançar com os estudos, contribuindo para que essa nova alternativa de produção fosse implantada na região, a Estação Experimental da Epagri de São Joaquim ganhou, em 2010, um laboratório moderno para pesquisas da capacidade dessas uvas e do vinho produzido na Serra Catarinense. De acordo com o Mestre Enólogo e Pesquisador em Enologia pela Epagri, João Felippeto, o espaço é um dos mais modernos do Estado.

Foi em 2015 que a classificação das uvas cultivadas na região foi finalizada. Mas, Felippeto garante que, a pesquisa não pode viver apenas de passado. “Há muito potencial para ser pesquisado”, acrescenta.

Em função disso, o grupo trabalha na classificação de novos tipos de uvas, como as italianas e francesas e a possibilidade de serem cultivadas na região. Outro trabalho que a equipe de enologia da Epagri trabalha é na busca por técnicas que melhorem as características dessas frutas, o que resulta na produção de um produto final diferenciado. Um desses trabalhos, coordenado por Felippeto, é no melhoramento através da osmose.

Identificação Geográfica

A Epagri trabalha para identificar os vinhos da região que estão sendo comercializados. O objetivo é obter a identificação geográfica. Ela se caracteriza na identificação de um produto ou serviço como originário de um local, região ou país, quando determinada reputação, característica ou qualidade que possam lhe ser vinculadas essencialmente a sua origem geográfica, sendo passíveis de proteção legal.

O queijo serrano e o vinho da região do Porto, em Portugal, são exemplos de produtos identificados.  Felippeto ressalta que essas análises já haviam sido encerradas em 2015, mas foram retomadas.

Não há como definir um prazo para serem encerradas, já que é necessário apoio financeiro para a conclusão do projeto. Entretanto, órgãos como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Ciram) são parceiros no projeto.

Resultado rápido

O enólogo enfatiza que o sucesso e potencial do cultivo é notável, já que tudo aconteceu em um período de 20 anos. Atualmente já são 400 hectares do plantio da uva na região. “O potencial para crescer existe, devido as características. Há procura. O crescimento é lento, mas está assim em todo o País”, frisa. O trabalho feito na Epagri mostra que, diferentemente de outros vinhos produzidos em regiões de altitude, o de Santa Catarina destaca-se por suas características únicas.

 

A implantação da maçã foi uma estratégia tecnológica

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Carlos Demeciano é produtor há cerca de 20 anos

Quem passa pela SC-114, sabe que está próximo de São Joaquim quando as macieiras começam a aparecer nas margens da rodovia. Há mais de 30 anos, as paisagens do município são assim, já que foi na década de 1970 que foi percebido o potencial de cultivo de maçã na região.

O gerente de pesquisa da Epagri, em São Joaquim, Marcelo Cruz de Liz, explica que anteriormente a pecuária e a extração da madeira eram as principais fontes de economia.

Foi com a possibilidade de oferecer uma nova opção de fonte de renda para a população, que o Governo Estadual investiu em pesquisas para a implementação da maçã no município. Marcelo relata que, na época, foram contratados diversos pesquisadores, que foram enviados para regiões do Brasil e do mundo.

A Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica) também teve destaque nesse auxílio, já que ajudou no aporte de tecnologias do país asiático para a Serra Catarinense. “A colonização japonesa impulsionou o cultivo na década de 1970”, ressalta Marcelo.

Em 1975 foi construída a Empresa Catarinense de Pesquisa Agropecuária, que viria a se tornar a Estação Experimental da Epagri em São Joaquim. Unidade que atualmente conta com pesquisadores para todas as áreas da fruticultura serrana.

Na empresa, são feitos testes de produtos, manejo e melhoramento de plantas. Todo esse trabalho é voltado para atender ao setor. Com essa força-tarefa e incentivo para o preenchimento dessa lacuna na agricultura serrana, a maçã tornou-se a principal fonte da economia joaquinense.

Os números revelam que o papel da tecnologia para o sucesso da fruticultura, foram primordiais. São 12 mil hectares de maçã plantados na região, 9 mil só em São Joaquim. Uma estimativa indica que a cidade tem 2.400 fruticultores e no último ano, foram colhidas 400 mil toneladas de maçã.

O município é o maior produtor do Brasil, respondendo por 35% da safra nacional. A cultura representa 70% da economia da região.

Combate a doenças

O clima temperado, frio e úmido da região de altitude são propícios para a fruticultura e foi a razão para a implementação do cultivo da maçã. Entretanto, ele também é próspero para a infestação de fungos e bactérias.

Por causa disso, o laboratório de Fitopatologia da Epagri no município, é um dos mais visitados pelos produtores. É ali que trocam experiências com os pesquisadores, que prestam auxílio, tiram dúvidas e ajudam no diagnóstico de pragas e a contenção das mesmas.

Como em uma consulta médica, os agricultores relatam os sintomas, mostram galhos, fotos, falam das características e das suspeitas. É dessa forma que os doutores em Fitopatologia Felipe Moretti Pinto e Leonardo Araújo ajudam no sucesso das colheitas das frutas. Mas não é só no laboratório que o trabalho dos especialistas toma forma. As pesquisas de campo e constantes visitas às propriedades também contribui para as pesquisas.

O campo digital

A família Demeciano cultiva maçã há cerca de 20 anos. O patriarca Francisco, 66, começou a trabalhar com fruticultura, na propriedade de 3 hectares na localidade de Cruzeiro, em São Joaquim, já que precisava encontrar alternativa para aumentar a renda.

Anteriormente, o cultivo de batata era o foco, entretanto, seu Francisco revela que a instabilidade do preço o fez desistir.  O filho Carlos, 38, é quem comanda a plantação de maçã da família. No ano passado, colheram cerca de 150 toneladas. É com o apoio das tecnologias oferecidas pela Epagri que os resultados são positivos. “Eles ajudam na cadeia produtiva, poda, condução, de danos no período chuvoso”, ressalta.

É o acesso ao software Agroconnect, que auxilia os produtores na tomada de decisão baseado nas condições climáticas. Já que, a quantidade de chuvas é fator que ajuda na proliferação dos microrganismos.

Carlos fica conectado ao sistema sempre que há previsão de chuvas e sabe quando será necessário aplicar defensivos. Com o Agroconnect, as informações de uma rede de 250 estações hidrometeorológicas são disponibilizadas ao usuário através de uma interface, que pode ser acessada por computadores e celulares. A plataforma revela o monitoramento de dados de acordo com clima, por culturas, condições climáticas, se está propício a ter doenças. É gratuito e em tempo real.

Internet no campo

São Joaquim conta com 10 estações, praticamente em todas as localidades. Na propriedade da família Demeciano, está instalado um dos equipamentos. Lá, a internet e o celular funcionam e isso é ponto positivo para que a plataforma seja utilizada.

O gerente de pesquisa da Epagri, Marcelo Liz, avalia que é devido a esse tipo de auxílio que é importante ter sinal de internet e telefone no campo.  Para Carlos, o apoio com essas tecnologias oferece a oportunidade de ter uma colheita melhor e mais barata, já que assim, sabem exatamente com o que investir e de que forma.

 

Tradição secular se renova a cada pesquisa

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Pastagens de qualidade auxiliam o processo de ganho de peso do gado

Nos cerca de 90 hectares da Estação Experimental da Epagri em Lages, um pedaço de terra abriga pesquisa importantante para a pecuária na Serra Catarinense. Na região de Lages, a criação de gado é uma atividade que se destaca entre as outras. Por isso, há mais de 100 anos, a empresa foi instalada no município.

As pesquisas englobam todos os setores da pecuária, seja da alimentação do gado até o leite e a carne produzidos por ele. Nos campos ou nos laboratórios, pesquisadores trabalham com a realizada dos produtores da região, encontrando formas de se sobressair às dificuldades diárias.

Entretanto, esses resultados não servem apenas para a região. Podem auxiliar produtores de diversas partes do País, que enfrentam dificuldades semelhantes.

Exemplo disso são os estudos com novas sementes de pastagem. No campo, um espaço é reservado para testar novas forrageiras. Pequenos trechos são separados, onde crescem as folhagens que são analisadas durante todo o crescimento, colhidas e testadas em laboratórios.

O trabalho é completo e esse tipo de teste é obrigatório para empresas que desejam lançar novas sementes. Esse processo chama-se Valor de Cultivo e Uso (VCU), de acordo com portaria da Embrapa.

O gerente de pesquisa da Epagri em Lages, Ulisses de Arruda Córdova, revela que anualmente, são testados cerca de 50 pastagens. Ele explica que impacta diretamente na realidade do produtor, já que o auxilia na compra de produtos que irão trazer benefícios reais e que o investimento não será desperdiçado.

Ulisses afirma que por ser pública, a Epagri cuida da sua credibilidade e que possuí compromisso com o resultado final.

Além de fazer análises de sementes, que serão comercializadas, passam por estudo os tipos diferentes de pastagem e como se adaptam ao clima da região.

O engenheiro agrônomo e pesquisador Jefferson Araújo Flaresso, explica que como forma de contribuir a esses estudos, escolhem espécies que estão sendo utilizadas por produtores, as estudam para conhecer o potencial na região e oferecer resultados comprovados e de qualidade.

Entretanto, Ulisses explica que, recente pesquisa com pecuaristas, revelou que está se tornando frequente o uso de sementes que não oferecem nenhum tipo de valor agregado para os animais.

“A média de aproveitamento seria no mínimo de 70%, encontramos pastagens com valores muito menores e até mesmo, com 0%”, revela.

O gerente diz que a Epagri recomenda que os produtores exijam atestado de qualidade dos produtos ou que as enviem para laboratórios credenciados ao Ministério da Agricultura, antes do cultivo. Em Lages, os testes podem ser realizados com segurança, no Centro de Ciências Agroveterinárias.

 

O pasto no meio da floresta

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Tiago (E) e Cassiano, buscam melhorias para o pasto serrano.

Espaços de florestas naturais não costumam ser utilizados para o cultivo das forrageiras. Porém, os pesquisadores Cassiano Eduardo Pinto e Tiago Celso Baldissera, analisam a capacidade do crescimento da pastagem em meio a uma floresta de eucaliptos. Eles revelam que, com essa possibilidade, o produtor consegue ter mais um tipo de renda, além da pecuária.

Além de que, dessa forma, as vantagens para o meio ambiente são maiores e podem trazer melhores condições ao gado, que passará a ter as árvores para proteção contra chuvas e sol.

No campo da Epagri, o experimento é feito em uma área de 4 hectares, onde animais passam a se alimentar e o seu comportamento é analisado. Eles podem produzir mais leite, por exemplo, enquanto estão em um ambiente protegido.

Em várias mangueiras nos terrenos da Epagri, parte do gado que participa da nova pesquisa, utiliza fraldas. Esse estudo, também realizado por Cassiano e Tiago, pretende analisar a qualidade da pastagem natural e os resultados da alimentação por diferentes por forrageiras de diversos tamanhos.

Para analisar os benefícios, a pesquisa considerada pioneira, inclui a utilização de fraldas de couro no gado. Assim, com o esterco, é possível analisar as diferentes absorções de nutrientes e quais os impactos no rebanho.

São essas inserções de tecnologias que mostram como a pesquisa trabalha no melhoramento atual da pecuária e por isso, é significativa para a continuidade do crescimento do setor.

Do laboratório ao campo

Diferentemente das pesquisas que nascem do campo, nos laboratórios o caminho é inverso. O trabalho realizado com tubos, microscópicos e componentes químicos, geram benefícios que podem ser aplicados diretamente no agronegócio, prevenindo, por exemplo, a proliferação de pragas e doenças.

Uma das análises em andamento, é o manejo da Rinotraqueíte Infecciosa dos Bovinos (IBA), uma doença assintomática e que atinge animais na região. O pesquisador e doutor em Ciência Genética João Frederico Mangrich dos Passos, explica que o vírus é parecido com o de uma doença respiratória, mas que causa o aborto espontâneo.

Sem o diagnóstico correto, isso pode gerar dúvidas ao produtor, que pode achar que o problema do animal é outro e optar por tratamentos que não são os específicos. Com essa pesquisa, João explica que a expectativa é criar uma vacina que impeça o contágio e melhore a qualidade de vida dos animais.

O pesquisador e doutor em Biotecnologia, Murilo Dalla Costa, acrescenta que o meio rural cria demandas que os laboratórios tentam solucionar e melhorar. Com isso, o trabalho é chegar em um produto confiável e que seja entregue ao produtor. Ele enfatiza que, essa função não serve apenas para a região, mas sim para trazer benefícios para todo o estado de Santa Catarina. Fonte: Correio Lageano.

 

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Aquicultores querem atividade ligada integralmente ao Ministério da Agricultura

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Cadeia inclui fábricas de ração, medicamentos e frigoríficos já cadastrados e fiscalizados pelo ministério. Apenas licenciamento para cessão de águas está fora


Os aquicultores brasileiros estão reivindicando o que o setor volte a ser regulado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Em audiência com o ministro Blairo Maggi na sexta-feira (16), o presidente da Peixe BR (Associação Brasileira de Piscicultura), Francisco Medeiros, argumentou com o fato de que a aquicultura é uma atividade do agronegócio que produz commodities, sendo que todas as questões de licenciamento, produção e processamento já são disciplinadas pelo Mapa.


Acompanhado de outros representantes da entidade, Medeiros pediu ao ministro apoio à reivindicação do setor. Eles alegam que estão sendo prejudicados por falta de uma política mais especifica para os produtores de peixe em cativeiro. Essa produção envolve uma cadeia que inclui fábricas de ração, medicamentos e frigoríficos, todos fiscalizados e cadastrados junto à Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do Mapa. O presidente da Peixe BR lembrou que a única atividade fora do Mapa é o licenciamento de cessão de águas para produção de peixes.

Em documento entregue ao ministro Blairo Maggi, os aquicultores apontam que somente no período em que esteve no Mapa foram liberadas mais de 120 mil toneladas para a produção em áreas aquícolas de processos que estavam tramitando, correspondendo a 80% do total liberado desde 2009, quando foi criado o Ministério da Pesca.

“É muito mais fácil que a atividade esteja integralmente no Mapa, porque a discussão acontece de forma vertical, onde nos reunimos com equipe técnica, com o próprio ministro para falarmos de todas as questões da cadeia produtiva. Além disso, fazemos parte da produção de proteínas animal. E toda proteína animal está vinculada ao Mapa”, argumentou Francisco Medeiros.

No ano passado, foram produzidas no Brasil mais de 700 mil toneladas de peixe em cativeiro, sendo mais de 50% de tilápia, que é também o mais exportado. O setor vem crescendo cerca de 15% ao ano, mas, de acordo com a Peixe BR, poderia crescer 25%. O ministro disse que apoia a reivindicação dos produtores.Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) 

 

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Laticínio de Iporã do Oeste irá receber certificação do Sistema de Inspeção Estadual

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Segundo o gerente regional da Cidasc, Claudio Trombetta, a empresaLaticínios Alvorada, da linha Entre Rios irá receber a certificação até final do mês.

Ele afirma que o laticínio emprega mão de obra familiar, e a certificação irá permitir a venda para todo estado. O gerente comenta que um dos motivos que gerou demora na liberação da certificação, foi a necessidade de melhorias na estrutura do laticínio.

O proprietário do laticínio, EldonJantsch, explica que hoje são produzidos três produtos, sendo o leite pasteurizado e dois sabores de bebida láctea.

Ele afirma que com a certificação a empresa pretende passar a produzir creme de leite, queijo e mais sabores de bebida láctea e iogurte.

Hoje, toda industrialização é feita com produção de leite própria da propriedade. Os produtos são vendidos no município, e fornecidos para a merenda escolar.

O Laticínios Alvorada passou por cinco etapas até a obtenção da certificação. Claudio Trombetta explica que por ordem, as etapas são a apresentação da documentação da empresa, a análise e aprovação das plantas digitais, a análise documental e a vistoria final e registro do Sistema de Inspeção Estadual, o SIE.

Ele explica que estas etapas e as exigências para a certificação podem mudar de uma empresa para outra. Trombetta afirma que a Cidasc acompanhou os encaminhamentos do laticínio desde o início, e coloca o órgão a disposição das empresas e agricultores.

O gerente da Cidasc cita ainda uma empresa, também de Iporã do Oeste, que está iniciando o projeto para embalagem de produtos de origem vegetal.

Trombetta lembra que em 2015 eram nove agroindústrias, e agora já são 26 certificadas. A meta é chegar a 50 agroindústrias até o final de 2018.

 

Mais informações: smoeste@cidasc.sc.gov.br

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Agricultores de Paraíso apostam na produção de vassouras

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Utensílio presente em todas as residências e também estabelecimentos comerciais, as vassouras se tornaram um importante complemento de renda para a família do agricultor Leonir Chaves dos Santos, de 56 anos, mais conhecido como "Manuel", residente na comunidade de linha Limeira, interior do município de Paraíso.

Manuel e sua esposa Arnélia, já produziram mais de 300 vassouras neste ano de 2018, onde a meta é produzir pelo menos duas mil. O casal tem três filhos, porém somente a caçula Jociane, de 16 anos, reside com os pais.

Com uma propriedade de 12 hectares, o casal sempre trabalhou com gado leiteiro e produção de tabaco. Em 2014 eles tomaram a decisão de encerrar a atividade de fumicultura e apostar na fabricação de vassouras para complementar a renda na propriedade.

Manuel destaca que a renda das vassouras ajuda muito e até agora ninguém reclamou que elas não varem bem. "Quero continuar produzindo até quando Deus me der forças nos braços. O pior momento é o da colheita, pois quando a planta está madura, não interessa à época, precisa ser colhida com urgência para ter uma melhor qualidade", finaliza.

Mais informações: http://www.folhadooeste.com.brr

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Grande área queimada em aldeia indígena Tarumã-mirim

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Durante o Carnaval, a guarnição da Polícia Militar Ambiental de Joinville efetuou atendimento na localidade de Inferninho e Itapocú, reserva índigena Tarumã-mirim 10/02/2018 na reserva Índigena Tarumã-mirim.

Conforme relato dos policiais miliares ambientais, os mesmos foram cumprir Ordem de Serviço (OS) na região supracitada, com a finalidade de apurar incêndio na comunidade Guarani da TI Tarumã. Na área foi constatado o incêndio recente em reflorestamento de pinus que causou danos àquela cultura. O fogo atingiu a vegetação nativa das bordas, mas o dano foi incipiente. Não foram verificados danos a Área de Preservação Permanente (APP) ou a fauna local.

Na tribo Tarumã-mirim, a guarnição contatou o cacique o qual que disse ter visto um homem andando pelo reflorestamento antes do incêndio. Em continuidade a guarnição localizou o homem informado pelo cacique, que afirma não ter sido o autor do incêndio, apontando os índios como tais autores. Posteriormente, os policiais deslocaram até o escritório da proprietária da área incendiada, que obteve a informação do incêndio que, inclusive, lhe causou prejuízo financeiro. Foi efetuada a vistoria e o levantamento fotográfico como subsídio para o relatório solicitado pela Polícia Federal. Texto e fotos: Guarnição PMA Joinville

 

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Quando a união frutifica no bolso

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Em 2013, 31 famílias produtoras de maçã da comunidade de Boava, em São Joaquim, viviam as dificuldades de trabalhar e vender a colheita individualmente. Era cada um por si. Tinham pouco dinheiro para investir em melhorias, pouco conhecimento técnico, manejavam as embalagens de agrotóxicos de forma inadequada e, para piorar, a cada chuva de granizo, viam o trabalho se perder. Foi nessa época que eles buscaram ajuda da Epagri e começaram a mudar seu destino.

Em parceria com os extensionistas, as famílias construíram projetos para melhorar o sistema de produção. Os projetos aproveitavam recursos de políticas públicas como o Programa SC Rural e o Programa Juro Zero, da Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca.

Com o apoio, foram implantados 16 hectares de sistema de cobertura antigranizo em pomares de 12 famílias, que se somaram a 3,5 hectares que já estavam cobertos. Esses 19,5 hectares protegidos garantem safras de cerca de 780 toneladas de maçã sem danos de granizo, o que equivale a R$1,56 milhão para os produtores. Além disso, 3,5 hectares de pomares foram modernizados com variedades de macieira mais rentáveis.

Na área ambiental, a contaminação do solo e da água diminuiu. Sete propriedades construíram pisos de abastecimento de pulverizadores e depósitos de embalagens de agrotóxicos e fertilizantes. Máquinas foram adquiridas para melhorar estradas nas propriedades, diminuindo os danos no transporte das frutas e a depreciação dos equipamentos.

O dinheiro também foi investido em conhecimento. Reuniões, visitas e cursos capacitaram o grupo em temas como manejo de plantas, empreendedorismo, gestão de propriedades, associativismo e produção integrada de maçãs. Capacitadas, as famílias conseguiram reduzir custos, melhorar a produção e a gestão financeira das propriedades. O Grupo Boava virou referência no município e seus membros sabem que, juntos, podem ir cada vez mais longe.

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Pomar protegido, produtor mais tranquilo 

Depois de 25 anos trabalhando com maçã, José Vilmar Pereira está começando a ver uma solução para as temidas chuvas de granizo. Morador da comunidade de Boava, em São Joaquim, ele faz parte do grupo organizado pela Epagri e conseguiu recursos do Programa SC Rural para cobrir com tela 2 hectares de seu pomar. Na propriedade de 20 hectares, a metade da área é destinada à produção de maçã – única fonte de renda da família.

A colheita anual varia entre 400 e 500 toneladas das variedades Fuji e Gala. Mas cerca de 70% da produção já chegou a ser perdida por conta do granizo. “Quando isso acontece, deixamos de ganhar cerca de R$1 pelo quilo da fruta e recebemos apenas R$0,08”, conta José. O seguro também é caro: “Para segurar esses 2 hectares que estão cobertos, eu gastaria entre R$8 e R$9 mil, fora as taxas”, calcula o fruticultor, que já planeja ampliar a área coberta.

Com as máquinas adquiridas pelo Grupo Boava, ficou mais fácil e barato arrumar as estradas do pomar. “Antes de sermos um grupo, tínhamos bastante dificuldade. Estar organizado é bom para todos. A gente se conhece melhor, o pessoal expõe as dificuldades e discutimos soluções em conjunto. Agora queremos comprar insumos de forma coletiva para conseguir um preço melhor”, conta.

Os cursos e dias de campo oferecidos pela Epagri também têm ajudado a melhorar a condução do pomar e a organização da propriedade. “Fizemos um curso de gestão financeira que ajudou bastante na administração.”

Leia esta e outras histórias de sucesso no Balanço Social da Epagri. http://docweb.epagri.sc.gov.br/website_epagri/Balanco-Social-2016.pdf

 

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Artigo – Agro/SC: nosso compromisso- por Luiz Hessmann – Presidente da Epagri

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No contexto estatístico e econômico, o agronegócio de Santa Catarina vem apresentando um resultado acima da expectativa nos últimos anos. As exportações do setor representam 64% do volume das nossas exportações entre os 522 produtos que dominam a pauta catarinense, resultando num valor bruto de produção da ordem de 30 bilhões de dólares na safra passada.

Outro destaque desse desempenho é que, apesar do tamanho do nosso Estado (apenas 1,13% do território nacional), somos o quinto produtor agrícola do País. Santa Catarina apresenta uma forte característica industrial, mas ainda a agricultura revela presença intensa na economia local. Isso é resultado de uma estrutura cooperativista muito forte e competente, da qualidade de seu povo e do compromisso do governo com o agro.

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Nesse contexto, a Epagri, enquanto empresa responsável pela pesquisa, assistência técnica e extensão no meio rural, tem forte participação na cadeia dos produtos agrícolas. É ela o braço e operador das políticas públicas da Secretaria da Agricultura e do Governo do Estado.

O notório aumento da produtividade agrícola catarinense, o desenvolvimento de cultivares, a difusão de novas tecnologias, a organização do produtor, o trabalho com o jovem rural e o compromisso com a inovação fazem parte dos desafios e do compromisso da Epagri, que sempre atua com a parceria da Faesc e da Fetaesc, legítimos representantes de nossos produtores rurais. Isso aufere ganhos de competitividade ao setor face à concorrência internacional, não esquecendo a questão social que nosso modelo agrícola gera em termos de emprego e qualidade de vida à população rural.

Os resultados desse trabalho e o desempenho do agro catarinense estão retratados na Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina, que publicamos recentemente.  Vale a pena ler esse documento que detalha os números da nossa agropecuária, seu potencial e seus alcances e, acima de tudo, valoriza nosso povo e nosso Estado.

 

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Cidasc divulga chamada para contratação de 228 aprovados nos concursos de 2016

cidascconcurso

O Diário Oficial do Governo do Estado de Santa Catarina publicou na edição do dia 8 de dezembro de 2017 a resolução n° 29/2017, que autoriza a contratação de 228 novos servidores para a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina.

Serão contratados 50 médicos veterinários e 178 auxiliares operacionais aprovados nos concursos 001 e 002 de 2016. A contratação será realizada de forma gradativa, sendo 50% do quantitativo em março de 2018 e os outros 50% em julho de 2018.

De acordo com o presidente da Cidasc, Enori Barbieri, a contratação de médicos veterinários e auxiliares operacionais representa um reforço na equipe técnica da Cidasc, ampliando a capacidade do Estado de preservar a saúde pública, executar ações de sanidade animal e coibir entrada e disseminação de pragas e doenças nas lavouras e pomares do estado.

“Para manter o status de único estado do Brasil livre de febre aftosa sem vacinação e o status de zona livre de peste suína clássica, precisamos de uma estrutura adequada e de técnicos capacitados. O Governo do Estado está cumprindo um compromisso que assumiu com o setor, garantindo as condições favoráveis para o fortalecimento e desenvolvimento da agropecuária catarinense”, disse Barbieri.

Médicos Veterinários
Os profissionais irão coordenar a execução dos programas sanitários nacionais e estaduais, orientar produtores e cidadãos, fiscalizar o cumprimento de normas, além de inspecionar produtos e subprodutos de origem animal e desenvolver atividades de educação sanitária. Os resultados dessas ações beneficiam diretamente mais de 200 mil produtores em Santa Catarina e garantem o acesso dos produtos catarinenses a mais de 150 mercados de consumo.

A diretora de defesa agropecuária, Priscila Belleza Maciel, explica que os profissionais nomeados vão se dedicar ao fortalecimento da Defesa Agropecuária em Santa Catarina. “O trabalho desempenhado pelos médicos veterinários garante suporte fundamental à sanidade dos rebanhos e à produção de alimentos seguros aos consumidores nacionais e internacionais”, conclui Priscila.

Auxiliares Operacionais
Uma das principais atividades realizada pela Cidasc para promover medidas de proteção sanitária é a fiscalização de veículos e cargas em barreiras sanitárias nas divisas do estado ou em barreiras móveis nas estradas. Este trabalho é realizado por médicos veterinários, engenheiros agrônomos e pelos auxiliares operacionais.

Priscila destacou que este é um trabalho silencioso, mas de total importância para a manutenção dos status sanitário já conquistados e para avanço no controle e erradicação de pragas e doenças que colocam em risco a saúde pública, a sanidade animal, vegetal e os interesses econômicos do Estado.

O sistema de barreiras sanitárias, funciona o ano inteiro, 24 horas por dia, sete dias por semana, para garantir um dos maiores patrimônios do estado: a sanidade agropecuária de Santa Catarina.

Veja a lista completa de aprovados e o processo de convocação no link.http://www.cidasc.sc.gov.br/concursos/

 

Mais informações:www.cidasc.sc.gov.br

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Pirataria chega com força ao campo: 90% do feijão é ‘falsificado’

feijão

Sementes piratas trazem prejuízo de R$ 2,5 bilhões no Brasil. Especialistas alertam para os riscos legais e ambientais do uso não autorizado de sementes

A pirataria não é uma exclusividade de calçados, roupas, CDs e DVDs. Há anos ela está presente na agricultura e, recentemente, vem se intensificado, mostra estudo da Associação Paranaense dos Produtores de Sementes e Mudas (APASEM) e da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (ABRASEM).

O uso de sementes não certificadas nas lavouras traz prejuízo estimado de R$ 2,5 bilhões no país, e de R$ 464,1 milhões no Paraná, segundo as entidades.

Diretor executivo da Apasem, Clenio Debastiani afirma que quatro dos principais cultivos do Paraná enfrentam o desafio de reduzir a pirataria. A estimativa é de que, no Paraná, a semente de soja ilegal represente 38% do total do cultivo. No trigo, o índice é de quase 30%. Para o feijão, as sementes piratas são 90%. “A estatística oficial para o milho é de 5%, mas no último ano esse dado explodiu. Podemos falar de 15% para mais. É a bola da vez”, afirma.

Problema cultural

A explicação para esse aumento envolve diversos fatores, constata o diretor-executivo: “O preço do milho está muito baixo, e como tem gente especializada em produzir semente pirata, criou uma comercialização paralela, fomentada pelo alto custo de produção e baixa rentabilidade [para o produtor]”.

Para Debastiani, há acima de tudo um problema cultural, especialmente no cultivo do feijão, que possui uma semente mais cara. “O produto ilegal é idêntico, com a mesma carga genética. Como o preço varia muito de ano a ano, os produtores escolhem a semente pirata”, diz. Entre os riscos de não usar uma semente certificada está o fato de não ter a quem recorrer no caso de problemas.

“O comerciante pirata é oportunista e parasita de algum agricultor desinformado ou que não tenha a percepção do efeito negativo que isso possa causar ao seu próprio negócio. O pirata foca no que é mais demandado, porém, não entrega garantia alguma aos seus potenciais compradores, focando em indivíduos ingênuos ou imprudentes”, alerta o engenheiro agrônomo e presidente da Associação Brasileira de Obtentores Vegetais (Braspov), Ivo Marcos Carraro.

Semente pirata não germina

O diretor executivo da Apasem comenta outros riscos: “Em um primeiro momento, não é possível dizer que a semente é de pior qualidade, mas ela corre o risco de não germinar, e o produtor de não ter a quem recorrer. Após plantar, fertilizar e perder horas de trabalho, precisa replantar. E se houver algum problema, o seguro rural não cobre esse custo. Esses são os problemas imediatos, alem do risco de disseminar doenças e pragas na lavoura”.

Um exemplo disso aconteceu na região de Cascavel, no plantio da soja deste ano. Secretário de Agricultura do município, Agassiz Linhares afirma que pelo menos três produtores fizeram o plantio e as sementes não nasceram. “Por terem que fazer o replantio, pode perder o tempo da safrinha (plantio de milho em segunda safra)”, afirma.

Além dos produtores, os pesquisadores também saem perdendo com a pirataria. “Os responsáveis pela pesquisa que originou a semente têm direito intelectual, e recebem um percentual da venda na forma de royalties. Ao não receber, ele deixa de produzir. Já tiveram casos extremos, na Argentina, de a Monsanto deixar de realizar pesquisas no país”, comenta Clenio Debastiani. Naquele país, apenas 15% das sementes de soja são certificadas, segundo o Instituto Nacional de Sementes da Argentina.

Campanha

Para tentar reduzir o cenário de pirataria agrícola, a Apasem lançou oficialmente na terça-feira (6), no Show Rural, em Cascavel, a campanha ‘Tenha uma atitude legal: use sementes certificadas’. A iniciativa acontece em todo o Paraná, com ações de conscientização, e reflete ainda sobre a necessidade de ajustes de legislação e fiscalização.

“Sempre que o produtor se deparar com sementes piratas, ele deve denunciar para o Ministério da Agricultura pela ouvidoria ou pelo site da Abrasem, de forma anônima. Quando o agricultor ou comerciante é pego, a multa é alta”, alerta Clenio Debastiani.

O secretário de agricultura de Cascavel afirma que a fiscalização não é complexa. “Basta o órgão fiscalizador, no caso, o Ministério da Agricultura questionar e solicitar cópias de nota fiscal. Se o produtor não tiver a nota, de onde vem a semente?”, questiona Agassiz Linhares.Fonte:Jonathan Campos/Gazeta do Povo

 

Mais informações :https://apasem.com.b

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