Cânions de SC podem se transformar em geoparque mundial

 

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O Ministério do Turismo, oficializou o apoio do Governo Federal para que a Unesco reconheça o projeto “Caminhos dos Cânions do Sul”, localizado entre os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, como um geoparque mundial.

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O apoio foi solicitado ao ministro no último dia 11 por uma comitiva de prefeitos que integram um consórcio intermunicipal que administra as ações pela região turística. A expectativa é de que após a certificação do órgão, o local receba seis vezes mais turistas, saindo de 250 mil para cerca de 1,5 milhão de visitantes.

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O pleito será apresentado pelo ministro em reunião a ser realizada com o órgão das Nações Unidas, em Paris, na França. “A gente vai ter o maior prazer e empenho em poder emplacar esse geoparque lá na Unesco. Se depender do Ministério do Turismo, essa beleza natural brasileira receberá o selo da Unesco, que comprova que este sítio é um verdadeiro patrimônio natural, cultural e material, gerando emprego e renda para a população, além é claro de estimular o turismo na região”, destacou Marcelo Álvaro Antônio.

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Situado entre sete municípios de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a região turística possui uma área de 2.830 quilômetros quadrados, que contempla patrimônios geológicos e paisagens de relevância geológica internacional. Além disso, o local abrange ecossistemas de destaque no Brasil e conta com um rico patrimônio cultural, representativo dos diferentes povos que moram naquela região.

O Parque Nacional de Aparados da Serra está localizado na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, pertencendo aos municípios de Praia Grande (SC) e Cambará do Sul (RS).

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Ao conceder o título de geoparque, a Unesco zela pela garantia da sustentabilidade, preservação e proteção ambiental dessas áreas, promovendo também o envolvimento dos moradores da região. Na 38ª Conferência Geral da Unesco (2015), os estados membros ratificaram a criação do selo geoparques mundiais, o que mostra a importância acordada pelos governos à gestão dos sítios e paisagens geológicas excepcionais.

Com o reconhecimento do organismo internacional, essas áreas ampliam a capacidade turística da região. Atualmente, no Brasil, apenas o Parque Geológico do Araripe, no Ceará, possui a certificação da Unesco. No mundo, há 147 geoparques titulados pela UNESCO, em 41 países. Fonte: Ministério do Turismo

Mais informações: http://www.turismo.gov.br/

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Capital Catarinense do Strudel

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Desde maio de 2006, com a aprovação do projeto de lei nº 193/06, Jaraguá do Sul detém o título de “Capital Catarinense do Strudel”.

 

Origem dessa delícia

Strudel é um tipo de massa com recheio, que geralmente é doce, mas que hoje também é encontrada em versões salgadas. A iguaria se tornou popular no século 18 em todo o Império Habsburgo (Casa da Áustria). Faz parte da culinária austríaca, mas também é comum nas outras culinárias da Europa Central. A receita mais antiga encontrada desta sobremesa remonta ao século 12, preservada na Biblioteca de Viena, na Áustria.

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Festa Catarinense do Strudel 

Agende e prepare o paladar, porque no dia 6 de julho a comunidade Santo Estevão, na Estrada Garibaldi, promoverá a 7ª edição da Festa Catarinense do Strudel. A iniciativa é da Associação Húngara de Jaraguá do Sul. O evento gastronômico conta com apoio da Prefeitura de Jaraguá do Sul, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio, Serviços e Turismo.

Segundo o presidente da Associação Húngara de Jaraguá do Sul, Alfredo Pinter, hoje a entidade soma 280 associados. Destes, em torno de 35 estão envolvidos diretamente na elaboração das unidades de strudel. 

Ainda de acordo com Alfredo, além do Santo Estevão, as outras duas comunidades que reúnem maior número de descendentes de imigrantes húngaros na cidade são a Santíssima Trindade e Santa Cruz. Informações adicionais sobre a festa podem ser obtidas no (47) 99723-4000.

 

Strudel Haus mantém tradição em servir

 

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A tradição em servir café colonial e almoço típico alemão aos domingos e feriados pela Strudel Haus está consolidada e atrai turistas além das fronteiras catarinenses. A partir desse ano passou abrir para café colonial também aos sábados. Localizada na Rua Tifa Aurora, S/n – Rio Cerro II, em ambiente aprazível, é disponibilizada para eventos através de reserva antecipada. 

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Entre a variedade de itens oferecidos aos visitantes estão a salsicha para cachorro quente, carne, pastelão, diversas opções de strudel, tortas, sobremesas, pavês, frios, pães, geleias caseiras, queijo cozido, bolos, rocamboles, biscoitos e cucas. O espaço oferece inúmeras opções de almoço no bufê e comercializa produtos coloniais e caseiros, de produção própria.

A edificação da Strudel Haus foi construída em 1947, em meio à natureza. Na parte externa há um mini-museu ao ar livre, um pequeno açude com peixes dourados, parquinho para as crianças, gansos e outras aves, que transmitem a paz e a tranquilidade do meio rural.

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A partir do ano de 2009 a família Eskelsen traz de volta antigas tradições da culinária germânica, preservando em seus pratos o verdadeiro sabor da cozinha alemã.

A Strudelhaus teve início no ano 2009, com o projeto do governo federal juntamente com o Sebrae e o Iphan, direcionado aos agricultores rurais familiares, que teve como intuito, agregar valor aos produtos coloniais. Após breves e sucintas reuniões, o Sebrae realizou pesquisas na região e indicou para cada participante do projeto uma linha de negócio mais adequado à região e à atividade já exercida pelo agricultor.

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Como a família Eskelsen já era produtora de panificados e laticínios, desde o ano de 1983, recebemos a indicação de abrir um café colonial, servindo os mesmos produtos que já vinham sendo produzidos na família. No dia 12 de julho de 2009 a Strudelhaus inicia suas atividades, recebendo visitantes e turistas, servindo seu delicioso buffet, que na época contava com 35 variedades e haviam apenas 40 lugares disponíveis.

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Ao passar dos anos ocorreram ampliações e modificações. No ano de 2014 iniciamos a servir, junto com o café, o almoço típico alemão com marreco recheado, joelho de porco, repolho roxo, dentre outros pratos que completaram o buffet. Atualmente a Strudelhaus conta com mais de 200 lugares disponíveis, e mais de 100 variedades de itens no buffet, no horário do almoço, e mais de 80 variedades de itens no buffet no horário do café.


Mais informações: https://www.facebook.com/CafeColonialStrudelHaus

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Conheça a Rota da Cachaça em Luiz Alves

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Se engana quem pensa que apenas a cerveja tem vez no Vale Europeu. Basta o nome Luiz Alves entrar na roda de conversa que a fama por suas tradicionais cachaças ganha destaque.

Colonizada predominantemente por alemães e italianos, Luiz Alves é uma das mais belas cidades do Vale Europeu, e referência na produção de cachaça artesanal e aguardente. Inclusive, a cidade foi reconhecida por lei como Capital Catarinense da Cachaça – Terra da Cachaça, quando também foi criada a Associação dos Produtores de Cachaça Artesanal de Luiz Alves (Apcala).

Por movimentar a economia e o turismo da região com a iguaria, no dia 13 de dezembro de 2018 nasceu a Rota da Cachaça de Luiz Alves, criada especialmente para orientar os turistas que chegam ao município em busca das cachaças artesanais.

A Rota da Cachaça tem dez pontos, com relativa proximidade, entre a Destilaria Rech, perto do portal da cidade, e o alambique da Wruck, próximo da saída para Blumenau, e a distância é de menos de 25 quilômetros.

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Os alambiques estão, claro, abertos à visitação e fazem parte da rota:

  • Destilaria Rech
  • Cachaça Schoepping
  • Cachaça Spézia matriz
  • Cachaça Spézia filial
  • Cachaça Bompani
  • Cachaça Morauer
  • Alambique Rossi
  • Cachaça Bylaardt
  • Cachaça Wruck
  • Cachaça Rein/Flor da cana

Com a rota definida, o visitante poderá chegar a todos os alambiques, conhecer o processo de fabricação apresentado pelos próprios produtores artesanais e adquirir as cachaças, é claro.

E aí, ficou interessado no passeio? Para quem quiser agendar, basta fazer contato diretamente com a Apcala pelo telefone (47) 99181-4102 ou na página do Facebook 

 

Mais informações: https://www.facebook.com/Apcala

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Cachaça do Conde de Orleans conquista medalha de ouro e prata na Expocachaça, em Minas Gerais

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A Cachaça do Conde de Orleans conquistou duas medalhas na 29ª edição da Expocachaça na Expominas. A maior e mais importante feira da cachaça do país, aconteceu de 6 a 9 de junho em Belo Horizonte 

A Cachaça do Conde de Orleans participou com duas variedades de cachaças e conquistou na avaliação sensorial com degustação às cegas e na classificação das Cachaças, duas medalhas, uma de ouro e outra de prata.

“Nós da Cachaça do Conde, estamos radiantes com está mais nova conquista. A medalha de ouro na categoria Carvalho Americano, com a maior pontuação. E medalha de prata pelo segundo ano consecutivo na categoria Madeira de Bálsamo”, ressaltou Henrique Perin Orbem.

Produtores de Minas Gerais e outros 20 estados apresentaram diversas marcas das bebidas para comercialização. Além dos cerca de 200 expositores, a feira teve apresentações musicais durante os quatro dias de evento.

Em 2018, a cachaça Orleanense também foi premiada na categoria Armazenadas em Madeira Brasileira ‘Do Conde Bálsamo’, com medalha de prata.

A avaliação às cegas

A degustação às Cegas e Classificação das Cachaças dos Expositores e um concurso realizado por profissionais altamente qualificados e coordenados por Lorena Simão, do LABM – Laboratório Amalize Maia, Renato Frascino, coordenador de diversos cursos de bebidas e técnico sensorial de alimentos e bebidas, e Renato Costa, presidente da ABS – Associação dos Somelieres do Brasil – MG.

As cachaças são  julgadas em nove categorias: brancas puras armazenadas em tanques de inox ou vasilhame inerte, sem passar por qualquer tipo de madeira; descansadas em madeiras como amendoim, jequitibá, entre outras que não interferem na cor; envelhecidas em Carvalho Francês; envelhecidas em Carvalho Americano; envelhecidas em diversas madeiras brasileiras, como Amburana, Bálsamo, Loro e Canela, Castanheira, Pau Brasil, entre outras; envelhecidas na Categoria Extra-Premium, envelhecidas acima de três anos; bebidas com cachaça; blends de madeira, sem indicação de proporção; e outros destilados.

A empresa Cachaça do Conde 

A Cachaça do Conde produzida em Orleans, na localidade de Barracão, com sabor inigualável, o produto já é conhecido por diversas regiões e faz sucesso em feiras e eventos.

Em 2014 deu-se origem a um projeto empreendedor. Henrique Perin Orben, juntamente com o sócio, Clodoaldo de Souza, resolveram se qualificar e investir no ramo da cachaça. Fonte: Imprensa News Sul

 

Mais informações: cachacariaorben@gmail.com

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Final do 3º Concurso de Queijo Artesanal Serrano acontece hoje na Festa do Pinhão

Queijo Artesanal SerranoFotos José Nicolau Fernandes Epagri

O Queijo Artesanal Serrano também vai brilhar na 31ª Festa Nacional do Pinhão. Na noite de 18 de junho, a partir das 18h, acontece o 3º Concurso Regional de Queijo Artesanal Serrano, durante a programação da Festa.

O evento, promovido pela Epagri e instituições parceiras, busca incentivar a produção, com qualidade, do Queijo Artesanal Serrano, promover a valorização de saber-fazer centenário, fortalecer a organização dos produtores, e divulgar a história, o sabor e a importância que o produto tem na região.

Essa será a etapa final do concurso, que foi precedida por outras três que escolheram os melhores queijos em três microrregiões produtoras. Na fase final, eles serão avaliados por uma comissão julgadora técnica e também pelo público que passar pela Festa do Pinhão.

Queijo Serrano é o produto elaborado na propriedade de origem do leite, a partir do leite cru, hígido, integral e recém ordenhado, que se obtém por coagulação enzimática do leite, através da utilização de coalhos industriais. O produto final apresenta consistência firme, cor e sabor próprios, massa uniforme, isenta de corantes e conservantes, com ou sem olhaduras mecânicas, conforme a tradição histórica nos Campos de Cima da Serra de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

Cerca de 25 queijos classificados nas fases microrregionais participarão da etapa final. O concurso é dividido em duas categorias. A categoria Queijo Artesanal Serrano inclui peças com maturação mínima de 30 dias e máxima de 60 dias, com o peso mínimo de 1Kg. Na categoria Queijo Artesanal Serrano maturado ou tropeiro competem peças com tempo de maturação mínima de 60 dias e no mínimo 2Kg.

No julgamento técnico, os queijos serão avaliados segundo suas características de cor, textura, consistência, aroma e sabor. Ainda será considerado na avaliação o envolvimento dos produtores em cursos de qualificação e processo de legalização.

Os visitantes também vão poder julgar os queijos. Entre às 20h e 21h do dia 18, quem passar pelo espaço do concurso dentro da Festa do Pinhão via poder degustar os queijos e dar sua opinião.

No julgamento técnico serão premiados os três melhores queijos nas duas categorias – maturado ou não. Já no julgamento popular não será levado em conta o tempo de maturação, serão premiados os três preferidos do público entre os cerca de 25 que estarão concorrendo. A entrega dos prêmios acontece a partir das 21h30min, no local do evento. Todos os produtores participantes receberão um Certificado de Participação.

Indicação Geográfica

Está na fase final o processo de obtenção de uma Indicação Geográfica (IG) para o Queijo Artesanal Serrano. A IG é uma certificação, concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), que garante que um produto só tem aquelas propriedades porque sua produção é influenciada por características ambientais ou culturais de uma determinada região.

A história do Queijo Artesanal Serrano começou a ser escrita por volta de 1730, quando foi aberto o Caminho dos Conventos. O queijo artesanal serrano revela na textura, no aroma e no sabor que é muito mais do que um produto – é um pedaço da história que reúne características únicas, como o “saber-fazer” que cruzou o Atlântico com os portugueses, o clima frio dos campos de araucárias e o leite das vacas de corte alimentadas com pastagem nativa.

O processo de obtenção da IG para o Queijo Artesanal Serrano foi desenvolvido pela Epagri em parceria com algumas instituições, entre elas a Associação dos Produtores de Queijo Artesanal Serrano da Serra Catarinense (Aproserra). O documento final que solicita a IG está no INPI, que é quem dá a decisão final sobre a concessão ou não da Indicação. Não há prazo para o Instituto emitir seu parecer. Fonte: Andréia Schlickmann, extensionista da Gerência Regional da Epagri em Lages, pelos fones 49 32896426 / 99830-3307

 

Mais informações: grl@epagri.sc.gov.br 

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Em vez de poluir ambiente, rejeitos de suínos viram matéria-prima para gerar energia elétrica

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A suinocultura lidera o fornecimento da matéria-prima no agronegócio para o posterior abastecimento de centrais elétricas no país.

Gerar energia elétrica por meio da produção do biogás deixou de ser só experiência de laboratório no Brasil. Setores da economia, como a agropecuária, vem garantindo que essa alternativa seja viável em larga escala. A suinocultura que o diga. Ela lidera o fornecimento da matéria-prima no agronegócio para o posterior abastecimento de centrais elétricas no país.

De acordo com dados oficiais do CIBiogás (Centro Internacional de Energias Renováveis), entidade nacional voltada ao apoio da pesquisa de energias alternativas, os suinocultores são responsáveis pela produção geral de 14% do biogás nacional.

A contribuição da agropecuária, em especial a suinocultura, se insere em um contexto promissor, marcado por expansão de projetos e apoio à pesquisa envolvendo o uso do biogás para responder às demandas do consumidor final de energia. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), existem atualmente no Brasil 40 usinas movidas a biomassa, sendo que 14 delas trabalham com resíduo animal. Outras 22 são provenientes de Resíduos Sólidos Urbanos e três de Resíduos Agrícolas (AGR). A energia elétrica gerada a partir da biomassa representa 8,5% de toda a geração brasileira, sendo que a origem agroindustrial representa grande parte deste percentual. Neste link é possível conferir essa divisão.

 

Em Minas Gerais e Santa Catarina, bovinos de leite e suínos alimentam biodigestores

No município de Pouso Alegre (400 km de Belo Horizonte), no sul de Minas, se concentra uma iniciativa de como a produção de energia via biogás tem viabilidade imediata. Na Fazenda Bom Retiro, na zona rural de Pouso Alegre, os dejetos de mil vacas em ordenha e outros mil suínos em terminação alimentam três biodigestores, que geram R$ 30 mil mensais em energia elétrica. Com a receita gerada pela produção de eletricidade é possível planejar o que será usado na própria fazenda e o que fazer com o excedente. Cerca da metade da quantidade gerada é transformada em “crédito de energia” pela distribuidora e pode ser vendida para outros consumidores (esse processo é chamado de geração distribuída). A outra metade é usada para abastecer a propriedade.

Em Santa Catarina, no município de Faxinal dos Guedes (494 km de Florianópolis), a criação de suínos também serve para a produção de biogás. As mais de 3 mil cabeças de uma única granja produzem dejetos que vão parar em sete biodigestores. São cerca de 250 mil litros de dejetos coletados diariamente para servir de matéria-prima para a geração de energia. No caso do projeto do município catarinense também há diversificação de aproveitamento da energia: metade da produção mantém o fornecimento do sistema elétrico da granja e outra parte é comercializada com a distribuidora de energia de Santa Catarina.

Do Paraná também vem um exemplo de como a produção do biogás em centros produtores de suínos exibe potencial para atender o consumidor residencial e empresarial. Tudo começa dentro da propriedade rural. O que era um passivo ambiental da suinocultura está virando combustível de desenvolvimento para o pequeno município paranaense de Entre Rios do Oeste (610 km de Curitiba). Em julho, a cidade dará o primeiro passo para se tornar autossuficiente em energia elétrica, graças à transformação de rejeitos da criação de suínos. No início, os milhares de suínos das granjas locais vão ajudar a “pagar” a conta de luz dos prédios e espaços públicos da cidade, tornando Entre Rios o primeiro município brasileiro a utilizar o biogás em grande escala.

“A cidade tem cerca de 4 mil habitantes e uma população de 300 mil suínos. Unimos então 17 suinocultores para produzir o biogás. Para armazenar esse material criamos um ‘biogasoduto’, que é ligado a uma central elétrica que faz a distribuição de energia para toda a cidade. Temos a expectativa que em breve possamos deixar o município autossuficiente desse recurso, apenas utilizando o processamento dos rejeitos da produção”, diz o diretor-presidente do CIBiogás, Rodrigo Regis de Almeida Galvão. Com sede no Parque Tecnológico da usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR), o CIBiogás é uma associação sem fins lucrativos que desenvolve projetos relacionados às energias renováveis. Sua estrutura concentra um laboratório de pesquisas e 11 usinas de produção de biogás no país.

O projeto do Oeste paranaense, em que foram investidos R$ 19 milhões, está sendo realizado em conjunto pela própria ANEEL, CIBiogás, pelo Parque Tecnológico Itaipu (PTI), Companhia Paranaense de Energia (Copel) e pela Prefeitura Municipal de Entre Rios do Oeste.

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Exemplo de biodigestor (ao centro) em granja de suínos para transformar os resíduos em energia elétrica.| Marcos Labanca/Divulgação

A Castrolanda, uma das principais cooperativas do agronegócio paranaense, também já está buscando ingressar na produção de biogás e iniciou estudos para colocar em prática a atividade em uma de suas granjas. “Temos um projeto em implantação em que aplicaremos resíduos orgânicos de nossas indústrias para produzir biogás. Uma parte será utilizada para gerar energia elétrica em uma planta com 1 megawatt (MW) de potência e o restante irá para produção de biometano, que irá substituir o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) consumido na Alegra. Esse último processo gera gás carbônico (CO2) como subproduto residual, que também é aproveitado pela empresa para a insensibilização dos suínos”, aponta o gerente de Negócios e Energia da Castrolanda, Vinicius Guilherme Daineli Fritsch.

Nos exemplos verificados em diferentes regiões do país, constata-se como a agropecuária, tendo a suinocultura como carro-chefe, possui atuação estratégica para atender às demandas de produção de biogás. Mas por que isso acontece, em especial com os dejetos de suínos? O professor Jorge Lucas Júnior, do campus de Jaboticabal (SP) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), instituição parceira da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) nas pesquisas com biodigestores, explica: a maior adoção da tecnologia na suinocultura se deve ao fato de os dejetos dos suínos terem maior potencial fertilizante e energético do que os de bovinos. Por outro lado, ele conta que uma vaca produz muito mais estrume do que um porco. “Há, por isso, um equilíbrio e os produtores de leite podem ser tão eficientes quanto os suinocultores”, afirma o professor, ressaltando que, nas duas culturas, a tecnologia é uma grande aliada do meio ambiente.

A pecuária de leite, com outras atividades, representa 3% do total da produção de biogás no país. De acordo com a Embrapa Gado de Leite, a aplicação da tecnologia ainda é baixa entre os produtores de leite. Porém, o pesquisador Marcelo Henrique Otenio, coordenador dos estudos sobre os biodigestores na instituição, afirma que o uso do biogás encontra-se em expansão no setor, com a confirmação de retorno financeiro, como mostra a experiência da fazenda do município mineiro de Pouso Alegre.

Como funciona?

O biogás é a única energia renovável que transforma rejeitos de produção em ativo econômico. Além de gerar eletricidade, pode substituir a queima de madeira, ser filtrado e transformado em biometano (composto similar ao gás natural, que é de origem fóssil), tornando-se um combustível com mínimo impacto no meio ambiente. Países com a China e a Índia já utilizam essa fonte para alimentação elétrica em larga escala.

O biogás evita que o metano, resultante da decomposição natural dos rejeitos animais, seja lançado à atmosfera. Esse composto é 22 vezes mais nocivo para o meio ambiente do que o gás carbônico, por exemplo, outro poluente comum e também apontado por cientistas como causador do aquecimento global. Assim, a produção de biogás beneficia não somente a rentabilidade da suinocultura, mas também seu desenvolvimento sustentável, indo ao encontro da tendência mundial de buscar práticas menos nocivas à natureza." Fonte: Gazeta do Povo.| Foto: Felipe Rosa/Gazeta do Povo

 

Mais informações: https://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio

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Agricultores familiares de Santa Catarina podem vender mais de R$ 438 mil em alimentos ao Exército

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Agricultores familiares de Santa Catarina e região têm, agora, uma nova oportunidade para vender seus produtos aos órgãos do Governo Federal. O 23ª Batalhão de Infantaria do Exército em Blumenau está investindo mais de R$ 438 mil em alimentos.

A Compra Institucional é possível por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). As propostas devem ser entregues por agricultores e cooperativas na unidade até 24 de junho.

Ao todo, 120 itens compõem a lista de demandas do Exército na região. O edital chamou a atenção de produtores da Cooperativa de Organização, Produção e Comercialização Solidária do Planalto Norte de Santa Catarina. Eles vendem macarrão, pão, frutas e verduras e já participam do PAA. O presidente Antônio Sobrinho fala da importância da compra governamental para incentivar quem vive do campo. “É uma chamada interessante pela variedade de produtos e pelo preço. Entre as vantagens do PAA estão o reforço na renda do produtor, a divulgação da cooperativa e o valor pago”.

A coordenadora-geral de Aquisição e Distribuição de Alimentos do Ministério da Cidadania, Hetel Santos, destaca que o Exército na região busca atender à legislação que determina que 30% dos artigos adquiridos para alimentação nas instituições públicas federais venham da agricultura familiar, o que beneficia os produtores. “Isso sinaliza que o Exército tem interesse em comprar produtos do trabalhador rural nessa região de Santa Catarina. Com isso, a agricultura familiar pode olhar o que o edital está demandando, ver o que consegue entregar neste momento e buscar se qualificar”, explica.

Saiba mais
O agricultor pode vender até o limite de R$ 20 mil, por ano, para cada órgão comprador. Já para as cooperativas ou associações, o teto é de R$ 6 milhões por ano. O PAA Compra Institucional permite que a administração pública federal, estadual e municipal possa obter, com recursos próprios, produtos da agricultura familiar com dispensa de licitação. Os editais para compras institucionais estão disponíveis no site.www.comprasagriculturafamiliar.gov.br
*Por Diego Queijo

Informações sobre os programas do Ministério da Cidadania:


Central de Relacionamento – 121

 

Mais informações: http://www.mds.gov.br

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Sítio dos Irmãos Rosa recebe certificação orgânica e garante permanência de jovem no campo

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Pensar na saúde da família e de quem vai consumir seus produtos, além de agregar valor as frutas produzidas são alguns dos objetivos da família Rosa, moradores da comunidade de Bom Jesus, no município de Abdon Batista.

As terras privilegiadas dos irmãos Rogério e Manoel Rosa, que há pouco mais de cinco anos decidiram deixar a produção convencional para se dedicar a produção orgânica, chamam a atenção não só pela qualidade e beleza das laranjas e tangerinas produzidas, mas pelo cuidado e amor dedicados ao cultivo com a terra.

Do feijão, milho, fumo, passando pela produção de melancia e morangos cultivados de forma convencional, até chegar a produção de citros de forma totalmente orgânica, sem a aplicação de nenhum tipo de agrotóxico, foram alguns anos de tentativas, estudos e espera.

As propriedades que juntas somam cerca de 30 hectares de terras receberam a Certificação de Propriedades Orgânicas e o Selo Orgânico disponibilizados pelo Ministério da Agricultura – MAPA, através da Certificadora Tecpar Cert, credenciada junto ao Ministério da Agricultura e que esteve nas duas propriedades certificando, o que era aguardado há quase dois anos.

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A partir de agora, tudo o que é produzido nas duas propriedades necessariamente deve ser orgânico. A produção dos citros iniciou em 2014, e há dois anos eles já colhem os frutos. Cada irmão tem 10 hectares de terras com as frutas e dizem que, se tivessem mais, investiriam nesta produção.

"Ricos não é fácil de ficarmos, mas encontramos uma maneira de viver bem, com saúde. Aqui é uma riqueza, tudo vivo, a beleza de ver esses pés de frutas, você trabalha de segunda a segunda e não cansa", comentam os irmãos que já projetam algo para o futuro. "Não dá para se acomodar, temos que continuar investindo", destacam.

Falando em investimentos, eles frisam que não é algo barato. Para a implantação investiram cerca de 15 mil por hectare e depois a média de 10 mil para manutenção. "A propriedade hoje está praticamente implantada com citros, mas se tivéssemos mais área, com certeza investiríamos. A gente investiria mais, pois depois de implantado não tem muito risco, mas tem que saber que deve ter um comprador certo, garantir a venda da produção".

A expectativa dos irmãos é de que neste ano colham cerca de 120 toneladas da fruta e daqui dois anos, quando as laranjeiras irão atingir o pico de produção e com a expectativa de durabilidade da planta de 15 a 20 anos, produzam a média de 20 a 30 toneladas da fruta por hectare. A expectativa dos irmãos é que em 2022 as duas lavouras passem das 500 toneladas de fruta.

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Além das laranjas e tangerinas, eles também produzem a noz pecã em uma área de 1 hectare de terra, e igualmente orgânica e com a certificação. "Todos os nossos defensivos são biológicos ou naturais, além de utilizar de técnicas de manejo orgânico. Nessa hora sentimos a falta dos agrotóxicos, mas sabemos que estamos produzindo alimentos de qualidade e preocupados com a nossa saúde e de quem irá consumir. Temos mais trabalho, precisamos de mais manejo, mas tudo compensa", comentam.

"Todos os nossos produtos têm a rastreabilidade e seguimos a normativa da IN 46/2011 que estabelece os parâmetros dos produtos orgânicos", comenta Odair Rosa, filho de Rogério.

Toda a produção cultivada no Sítio dos Rosa é entregue para a empresa Orgânicos Pilatti, da cidade de Lages.

Basicamente todo o investimento foi privado, contando com apoio da Enercan, Epagri e Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Agricultura, que disponibiliza a assistência técnica. A mão de obra é familiar, os filhos ajudam e na época da colheita contratam diaristas.

Rogério comenta que desde quando iniciou no projeto, sua intenção é de que em 5 a 7 anos veja os filhos todos morando e trabalhando na propriedade. "Daqui 2 anos vamos colher mais e vender a um preço atrativo, e espero ter os meus três filhos, genro e nora trabalhando comigo."

O filho Odair acredita na sequência familiar dos investimentos na produção orgânica. "Quando for para renovar a plantação, com certeza daremos sequência. O mercado está mudando para o orgânico e já estamos nessa área para colher os bons frutos", destaca.

O irmão Manoel, com sorriso no rosto, demonstra a satisfação em produzir citros de forma totalmente orgânica. "Eu não sei como eu aceitei essas mudanças, nós tínhamos na mente que tinha que plantar feijão e milho, perdia tudo, mas todo ano plantava. Os mais novos eram mais fáceis de mudar, mas quando começamos a plantar morangos já mudamos. Eu achava ruim, era todo dia morango e não terminava nunca, e quando surgiu os citros, tudo mudou e eu me sinto feliz."

Numa conta simples eles fazem um comparativo entre a produção de citros e de soja neste ano: "Em 1 hectare de terra plantado com citros equivale entre 20 a 25 hectares de terra em retorno financeiro, isso demonstra a nossa satisfação em produzir citros", finalizam.

 

Mais informações: emabdonbatista@epagri.sc.gov.br

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Em Chapecó Epagri/Cepaf pesquisa produção de citro nanicos

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O Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar da Epagri, no município de Chapecó- CEPAF, vem desenvolvendo um trabalho de pesquisa com porta-enxertos nanicantes.

O pesquisador da Epagri/Cepaf, Eduardo Brugnara, explica que a colheita dos pomares de citros exige em média 27 dias/homem por hectare após o décimo ano.

"Nos pomares adultos, o custo é maior em função da quantidade de produto a colher, mas também do porte alto das plantas, que leva ao uso de escadas. Uma alternativa que vem sendo testada e aplicada para reduzir o tamanho das plantas cítricas são os porta-enxertos nanicantes", descreve o pesquisador.

A necessidade de mão de obra, principalmente para poda, raleio e colheita, foi um dos problemas que causou a redução de área plantada com citros no Estado. Em 1990, no auge da cultura em Santa Catarina, a área plantada se aproximava de 10 mil hectares, 70% no Oeste. Na safra 2012/13 esse espaço estava reduzido a 1,8 mil hectares.

O pesquisador da Epagri/Cepaf destaca ainda outras vantagens dos nanicos. "As plantas cítricas nanicas apresentam maior produção de frutos por metro cúbico da copa e permitem elevadas densidades de plantio. Também facilitam a inspeção e manejo de pragas e doenças, e aumentam a segurança na colheita".

Dados da fruticultura

Em Santa Catarina, as principais lavouras permanentes de frutas representaram mais de 55 mil hectares de área colhida, com 14 mil produtores. Na safra 2017/18 o total produzido chegou a 1,5 milhão de toneladas, com valor bruto da produção (VBP) estimado em mais de R$ 1,14 bilhões.

Em 2017, a bananicultura, com 28 mil hectares de área colhida, produziu 732,2 mil toneladas da fruta, aumento de 1% para caturra e queda de 10% para a prata em relação à 2016. Para 2018, a produção foi estimada em 716,7 mil toneladas, com redução de 1,7% e produtividade média de 25,3 mil quilos por hectare.

Já a safra de maçã 2017/18 foi de 574,6 mil toneladas, diminuição de 9% na produção e de 1% na área colhida em relação ao ciclo agrícola anterior. Para a safra 2018/19, a produção está sendo estimada em 577,6 mil toneladas, um aumento de 1,3%.

A produção de uvas comuns, viníferas e de mesa foi de 46,7 mil toneladas em 2017/18, com produtividade média de 14,2 mil quilos por hectare. Esse total representa crescimento de 1% na área colhida e de 3% na produção de uva comum. Por outro lado, a uva vinífera apresentou redução de 17% na área e 40% na quantidade produzida.

A citricultura (laranja, tangerina e limão) enfrentou redução de 13% na área colhida e de 3% na produção na safra 2017/18 em comparação com o mesmo período anterior. O total produzido foi de 27 mil toneladas, com produtividade média de 15,2 mil quilos por hectare.

A safra do maracujá, que se encerra em junho, está em estimativa de aumento de produção na safra 2018/19, com manutenção das áreas plantadas. A situação é diferente da safra 2017/18, quando houve queda de 33% na produção em relação ao ciclo anterior. Fonte: http://www.jopsc.com.br/

 

 

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Comunidade rural completa 100 anos de história e tradição

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A paisagem traduz a tranquilidade e a calma do bairro que mantém as características de sua colonização. Não é incomum encontrar casas com muros de pedra, com arquitetura típica ou até mesmo ouvir o sotaque arrastado que denuncia a “italianidade” do Santa Luzia, no município de Jaraguá do Sul, no norte catarinense.

Não é à toa, inclusive, que o bairro carrega o nome de uma santa. A fé fervorosa dos italianos está explícita nas igrejas construídas e transbordou no momento de identificá-lo. Mas, engana-se quem pensa que por ter o nome de uma santa, o bairro é exclusivamente católico.

A fé da comunidade de Santa Luzia não se limita e o respeito entre as religiões também é marca registrada, tanto que as igrejas católica e luterana são praticamente vizinhas e é comum encontrar pessoas que participem de grupos de atividade em ambas.

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Foto Eduardo Montecino/OCP News

A história para chegar até aqui é longa. Neste ano, Santa Luzia comemora um marco importante: 100 anos. Neste século, muitas histórias se desenrolaram nas terras originalmente herdadas por Dona Francisca e explorada principalmente pelos imigrantes italianos.

A riqueza dos detalhes que formaram a comunidade, que fica a cerca de 20 quilômetros do centro da cidade, é digna de livro, mas o professor aposentado Lauro Rosá, de 79 anos, conta um pouco dos acontecimentos que fizeram surgir o bairro no local em que pouca gente conseguiria vislumbrar crescimento e desenvolvimento há um século.

Lauro e o frei Álido Rosá, de 80 anos, ouviram muitas histórias e transformaram a memória dos imigrantes e precursores do Santa Luzia em livro, que pode ser lançado esse ano, se houver arrecadação suficiente para publicação.

“Memorial do bairro Santa Luzia: os herdeiros da duquesa”, conta em detalhes a formação do bairro e seu desenvolvimento.

Lauro explica que as terras hoje conhecidas como Santa Luzia eram, à época, chamadas de “pântano mole”.  O motivo: a terra não era apropriada para plantio. “Muitos chegavam, olhavam e davam meia volta porque diziam ‘isso é um pântano mole, não dá pra fazer nada’”, conta.

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O historiador Lauro Rosá | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Mas, para chegar até lá já foi uma batalha e tanto. O professor conta que até a comunidade Vila Chartres havia estrada e um caminho possível de passagem, mas a partir daquele ponto, a mata era fechada e só existiam “picadas”, o que dificultava a chegada ao agora, acessível Santa Luzia.

Hoje, o bairro tem diversos outros como vizinhos próximos, como Bracinho e Itoupava-Açu, do município de Schroeder, e a própria Vila Chartres e Ribeirão Grande do Norte, de Jaraguá do Sul.

A primeira família a acreditar no potencial do local e se estabelecer no “pântano mole”, foi a formada pelo casal Tereza Maffezzolli e Antônio Henrique Maffezzolli, conta Rosá.

A partir deles, muitos outros também chegaram ao bairro, que é uma das localidades mais antigas de toda a região. O ponto de partida da maioria deles foi a Barra do Rio Cerro, primeiro local no qual os italianos se fixaram no município.

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Foto Eduardo Montecino/OCP News

Além disso, famílias também saíram de Luís Alves e Rio dos Cedros para colonizar a região a partir de 1919, após o loteamento das terras pertencentes a Dona Francisca.

Entre as primeiras famílias, além da Maffezzolli, estão: Nicolini, Pedri, Piccoli, Pretti, Voltolini, Bagatoli, Prestini, Tomelin, Leone, Vicenzi, Ropelato, Bisoni, Campregher. Algumas, como Ballock, Ramthun, Gumz e Rosá chegaram alguns anos mais tarde.

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Foto Eduardo Montecino/OCP News

O valo da Sociedade Encontro das Águas

É impossível falar dos 100 anos de história de Santa Luzia e não falar do valo da comunidade porque foi a partir de sua construção, em 1934, que o bairro iniciou seu processo de desenvolvimento agrícola, característica que mantém até hoje.

Segundo o professor aposentado Lauro Rosá, a luta para abertura do valo durou mais de um ano e envolveu, inicialmente, as famílias Pedri, Pretti e Negherbon.

“Os Pretti começaram a trabalhar com arroz porque a água que vinha do morro chegava até as terras dele, então os demais também queriam plantar, mas não havia água. Toda a água tinha que passar pela aprovação dos Pavanello e depois de um ano, com um pouco de luta, muita conversa e discussão, resolveram abrir o valo e viabilizar a agricultura para as outras famílias”, conta.

O valo possibilitou o acesso à água para as plantações de arroz que até hoje fazem parte da economia e da paisagem do bairro. Para Rosá, não haveria desenvolvimento no Santa Luzia sem o famoso valo da comunidade, preservado há mais de 80 anos.

“O valo foi uma artéria de drenagem e ao mesmo tempo de irrigação do pântano mole. O coração do Santa Luzia é o rio Itapocuzinho e o valo é a artéria”, salienta.

A importância do valo e o envolvimento da comunidade deu origem, em 1952, à Associação do Valo Agrícola-Industrial.

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Foto Eduardo Montecino/OCP News

O canto dos pássaros e o barulho da tobata

As ruas de pedra, a igreja tombada, o canto dos pássaros que é atrapalhado apenas pelo barulho da tobata ou do trator indicam que o bairro não apenas manteve características como a fé, a cultura italiana e a agricultura, mas também conseguiu preservar a união da comunidade.

Isso é o que garante a professora aposentada Etelvina Dalri Busnardo, de 81 anos e que mora há 47 no Santa Luzia.

Apesar de não ter nascido no bairro, ela foi criada nas ruas porque é filha do bairro vizinho. Taxativa, a moradora logo afirma: “não me vejo em outro lugar”.

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Etelvina Dalri Busnardo | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Para ela, o bairro cresceu muito por conta da agricultura, que foi o pontapé inicial da economia da região e da instalação de frigoríficos que atraíram diversas pessoas de outros estados, inclusive.

O fechamento deles impactou diretamente na economia do bairro, avalia Etelvina, mas o crescimento é visível, segundo ela.

“Hoje Santa Luzia é grande, naquela época só tinha gente daqui, agora tem de todo lado, é bem miscigenado. Todos vieram para ajudar a fazer crescer e acho que não tem um sequer que não gosta daqui”, diz.

A professora aposentada destaca que a primeira riqueza do bairro foi a plantação de arroz e o valo da comunidade que viabilizou a atividade econômica ainda na década de 1930.

Para Etelvina, a essência do bairro que faz com que as gerações continuem é a união da comunidade que, segundo ela, é indissolúvel e respeita todos os credos.

“Eu acho que o que nos diferencia é o companheirismo das pessoas. Aqui é tão bom, todo mundo se dá bem e há uma união entre as comunidades religiosas”, ressalta.

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Osmar Pretti | Foto Eduardo Montecino/OCP News

O bairro mais rico

O aposentado Osmar Pretti, de 68 anos, é vizinho do famoso valo da comunidade e nasceu no bairro.

O consenso de que a plantação de arroz deu o pontapé inicial para o crescimento de Santa Luzia é endossado por Pretti, que é neto de um dos homens que efetivamente colocaram a mão na massa para construir o valo e fundar a sociedade.

“Teve uma época que podia se dizer que era o bairro mais rico de Jaraguá, quando a cidade vivia da agricultura”, lembra.

Pretti destaca que apesar do crescimento do bairro, ele manteve as características de sua fundação e o clima de “todo mundo se conhece e se ajuda”.

O aposentado salienta ainda que a estrutura praticamente independente do bairro faz com que as pessoas da comunidade pouco saiam do local. “Nós sempre tivemos boas escolas, posto de saúde, serviços em geral e comércio também, então, não precisa sair daqui”, diz.

Assim como Etelvina, sair de Santa Luzia não é uma opção para o neto de um dos fundadores. “Eu me considero feliz e contente por ter nascido, me criado e criado minha família aqui. É um lugar bom de viver e eu nunca sequer pensei em sair daqui”, finaliza.

O aniversário do bairro é em junho e a comunidade desenvolve uma programação para celebrar o centenário de Santa Luzia Fonte: com informações do OCP News

 

Mais informações: www.jaraguadosul.sc.gov.br

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