Cooperativismo catarinense relembra e homenageia líderanças

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O dia 30 de janeiro marca o falecimento de duas lideranças importantes para cooperativismo catarinense, que ganharam destaque nacional por suas atuações.

Geci Pungan, falecido em 2016, foi superintendente da Ocesc e do Sescoop/SC, participou da criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado, atuando por mais de 30 anos no cooperativismo catarinense e brasileiro.

Aury Luiz Bodanese, falecido em 2003, é considerado um dos maiores líderes do cooperativismo brasileiro. Fundou e presidiu a Cooperalfa, a Aurora e foi presidente da Ocesc e da Fecoagro.  

Homenagem da Ocesc a dois grandes protagonistas da história do nosso cooperativismo.

 

Em Santa Catarina, o cooperativismo agropecuário, ajudou a transformar  a região oeste em um dos maiores produtores  mundiais de alimentos

Em depoimentos, que foram gravados em 1997, para um documentário você vai conhecer um pouco dessa história e seu principal personagem

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Aury Luiz Bodanese

Em outubro de 1952, foi inaugurada no município de Chapecó, a agência do Banco do Brasil. Setembrino Zanchetti era um dos cinco funcionários da nova agência.

Nessa época, o Estado do Rio Grande do Sul vivia a “revolução agrícola”, com incremento à triticultura e ao cooperativismo. As condições ambientais do estado gaúcho atraiam os grandes proprietários rurais e o capital privado, com ênfase para a monocultura do trigo.

Já em Santa Catarina, e em especial na região oeste, o relevo acidentado, não permitia o uso de máquinas agrícolas e a predominância de pequenas propriedades rurais, a preferência era pela cultura do milho, feijão e suinocultura.

Em 1954, uma equipe formada por Setembrino Zanchetti , do Banco do Brasil, engenheiro agrônomo Joaquim Domingues, da Senacoop e Miltom Stramare, do serviço de expansão do trigo, tinha como objetivo principal – implantar a “onda tritícola cooperativista “, então reinante no estado gaúcho.

O trabalho de conscientização e doutrinamento durou anos e exigiu centenas de reuniões com grupos de agricultores de Chapecó e de municípios vizinhos. Aos poucos, o incentivo à triticultura despertava interesse, pois incluía: financiamento fácil e preço compensador, mas o ideário cooperativista era o aspecto indigesto da pregação do “trio”.

Em 1956 foi fundada a Cooperativa Tritícola Oeste Catarinense Ltda., sendo eleito primeiro presidente o engenheiro agrônomo Miltom Stramare, e a sede funcionava no parque armazenador da Cibrazem.

Na época, a suinocultura vinha apresentando excepcional incremento e o trigo estava em quarto e quinto lugar em volume de produção de cereais na região. Na tentativa de fortalecer a cooperativa tentou-se substituir a palavra “tritícola”, por “agropecuária“, mas a sugestão foi vencida, pois os recursos governamentais eram para a triticultura.

E assim, a pequena safra de trigo de 1956 foi recebida pela cooperativa. Não proporcionou o resultado financeiro esperado, mas serviu para dar o primeiro passo – juntou uma centena de associados e estabilizou o preço do produto.

Escoada a produção do trigo, um detalhe preocupava os dirigentes. A Cooperativa Tritícola do município gaúcho de Erechim, que tinha servido como modelo para os catarinenses, apesar de ter o nome tritícola, operava com todos os produtos de seus associados, inclusive com a comercialização de suínos e com a manutenção das famílias de seus associados, fato que não acontecia com a cooperativa catarinense.

Em 1957, a área plantada foi triplicada e enquanto os produtores esperavam a colheita, a direção da cooperativa tratou de superar algumas deficiências. Trouxe de Erechim técnicos em comercialização e montou um mercadão com dois setores imprescindíveis – compras comuns e comercialização de suínos. Aconteceu, porém que a safra de trigo de 57 foi um fracasso generalizado. O excesso de chuva provocou o aparecimento de fungos que dizimaram as lavouras em todo o sul do Brasil. Ouve a moratória do trigo – a onda tritícola esmoreceu e levou consigo a euforia cooperativista que havia se formado em torno dela.

Escoada a pequena e de má qualidade safra de trigo de 1957, as lideranças tentaram descobrir novos rumos para salvar, ao menos, o incipiente cooperativismo. A salvação estava no feijão preto, pois a safra em fase de colheita se apresentava volumosa. Vender o feijão para outros estados era a possibilidade de sair do atoleiro, mas novo impasse estava criado e desta vez, já no primeiro dia de recebimento da safra – os silos “duvent“ utilizados para o armazenamento do trigo não serviam para o feijão – um detalhe técnico que foi insuperável e intransponível.

Nessas alturas a cooperativa não tinha as mínimas condições de construir armazém com equipamentos necessários e nem sequer de captar financiamento para isso. Contatos com os governos federal e estadual para obter recursos para a construção de pelos um armazém apropriado ao feijão, durou anos e não teve qualquer resultado.

As pequenas safras de trigo seguintes, já não passavam pela cooperativa que ficou inativa.

O presidente Miltom Stramare foi transferido, o agrônomo Joaquim Domingues faleceu e do trio cooperativista sobrou Setembrino Zanchetti que já não contava com o apoio de seus superiores para o projeto de fomento agrícola através do cooperativismo.

Em 1961, o governo federal deu ênfase à política de preços mínimos – entre os produtos amparados estavam o milho e o feijão – principais produtos agrícolas da região oeste catarinense.

Na época, a agência do Banco do Brasil de Chapecó comprou pouco mais de mil sacas de feijão, com a colaboração de comerciantes que possuíam máquinas de limpeza, lonas de expurgo e depositou no armazém da firma de André Marafon.

A renúncia do presidente Jânio Quadros trouxe novas turbulências. Por motivos de segurança, o Banco do Brasil suspendeu a compra do feijão, temporariamente.

O funcionário do Banco do Brasil, Setembrino Zanchetti, percebeu que para continuar executando o programa de preço mínimo, com a estrutura da agência, o caminho seria complicado. A ausência de cooperativas rurais, em condições de executar a intermediação entre o banco e os produtores, obrigava a atuar diretamente com cada um dos agricultores da região que, a essa altura já ultrapassava dos 30 mil.

Em 1963, ocorreu uma excelente safra de feijão, com acentuada queda de preço no mercado normal. Era preciso a intervenção do Banco do Brasil para garantir o preço mínimo, e sem noção sequer do volume dos estoques a ser adquirido para regularizar o mercado, o banco resolveu enfrentar o problema. Comprou cerca de 100 mil sacos de feijão.  Com isso, garantiu o preço mínimo, a safra e estabilizou o mercado, mas a agência se transformou num grande cerealista.

Em 1964, a produção já era de 300 mil sacas de feijão, três milhões de sacos de milho e 300 mil suínos para abate. O milho era absorvido na região para alimentação do rebanho de suínos e a colheita de trigo continuava pequena.

Em 1965 a safra de feijão também foi volumosa. Novas tentativas de reativar a cooperativa tritícola não vingaram. A agência do Banco do Brasil chegava perto das 400 mil  sacas comercializadas e o trabalho normal do banco foi se desorganizando.

Após o encerramento dessa safra, os dirigentes concluíram que era necessário evitar essa perigosa maratona, repleta de riscos e de poucos resultados financeiros para o banco. Era preciso que o produtor se organizasse, para cumprir a sua parte com o banco, que era entregar o produto limpo, seco, expurgado, ensacado, classificado e depositado em armazém. Era fundamental insistir, de forma decisiva, na reativação do cooperativismo rural no oeste catarinense.

Para reforçar essa convicção, surgiu logo a seguir uma nova e urgente tarefa: comprar milho – em garantia de preços mínimos. A compra estatal do milho no ano de 1965, na região de Chapecó, chegou perto de 1 milhão de sacas. Novas tentativas de revitalizar a cooperativa tritícola aconteceram e novas frustrações.

Em 1966, no município de Xanxerê, foi fundada a Cooperativa Agrícola Pindorama, que logo, obteve financiamento do Banco do Brasil para construir armazém, equipado com as mais modernas máquinas. Na festa de inauguração, todas as lideranças rurais de Chapecó estavam  presentes  e um certo desconforto reinou no encontro, tendo em vista a rivalidade entre as duas cidades, e o fato de Chapecó não ter a sua cooperativa funcionando.

Segundo Setembrino Zanchetti, depois disso, alguma coisa mudou na cabeça dos lideres rurais de Chapecó. “Agora não era preciso correr atrás deles, eles vinham até o banco demonstrar interesse em participar do movimento, mas ninguém aceitava a presidência da cooperativa tritícola. Apesar de desativada há dez anos, ainda existia, com estatutos, registros e um pequeno patrimônio. bastaria apenas, encontrar quem se dispusesse a liderar um movimento para pô-la em funcionamento”.

Para aproveitar que o assunto estava “em alta“, Zanchetti incumbiu os funcionários – Gil Caetano Tosi e José Tripodi Guimarães – de encontrar “alguém com suficiente coragem para aceitar a presidência da cooperativa”. Era agora, ou nunca mais.

Era setembro de 1967, uma semana depois de ter recebido a urgente missão, Gil Tosi, avisou Zanchetti que o comerciante Aury Luiz Bodanese estaria desativando seus negócios na comunidade Alto da Serra para se transferir para São Paulo, onde pretendia montar uma cerealista. Até tentou falar com Bodanese sobre sua missão em encontrar um presidente para a cooperativa – mas recebeu dele uma firme negativa.

Zanchetti, cansado de tanto se incomodar com escoamento de safras, pensou na possibilidade de convencer o comerciante Bodanese a assumir a cooperativa, pois tinha o perfil ideal para o cargo. Era agropecuarista e tinha grande experiência na comercialização de cereais. Era a pessoa ideal para o cargo. E assim Bodanese foi chamado ao Banco do Brasil para uma conversa com Zanchetti.

Já de início, não queria nem saber dessa conversar sobre cooperativismo. Ele era mais um gaúcho ressabiado com os prejuízos que as cooperativas haviam espalhado pelo Rio Grande do Sul em outras épocas.  Não queria conversa e repetia: ‘nem falar!”.

Então Zanchetti resolveu mudar de tática e começou a assustá-lo com os perigos que enfrentaria em São Paulo, sem um grande capital. Mesmo assim, Bodanese continuava firme na sua decisão e convencido que tudo daria certo. Aí Zanchetti tentou uma proposta conciliatória que estabelecia o seguinte: Bodanese adiaria por no mínimo dois anos, sua programada transferência para São Paulo; aceitaria sua indicação para a presidência da cooperativa tritícola – ou sua sucessora – com o compromisso de receber todo o apoio necessário para a eleição e para o exercício da função de presidente e cumprindo o primeiro mandato de dois anos, poderia optar pela reeleição ou retornar seu projeto paulistano.

Zanchetti conta que Bodanese esboçou um sorriso olhou para a janela e, após alguns segundos respondeu que, nessas condições, seria viável sua aceitação, mas precisaria um tempo para pensar. Bodanese sempre foi um bom negociador e Zanchetti percebeu que estava chegando perto da solução. Pediu, então ao funcionário  Gil Tosi que procurasse o engenheiro agrônomo Volmar Pivato (bolinha) do Denacoop e Rogério Remor da Acaresc, para que juntos dessem toda a assistência técnica a Bodanese e assim, motiva-lo a assumir a presidência.

Isso aconteceu durante a semana em que Chapecó realizava a primeira “Efapi”. Todos estavam, envolvidos com a exposição e com os festejos esqueceram da cooperativa e do Bodanese.

Terminada a feira, Aury Luiz Bodanese, voltava ao Banco do Brasil com a decisão; aceitaria a presidência da cooperativa, de acordo com as propostas formuladas, desde que não o deixassem sozinho. Assim, Volmar Pivato preparou o edital de convocação e a assembleia foi marcada para o dia 22 de outubro de 1967, em primeira convocação, e 29 de outubro de 1967 em segunda convocação.

A notícia se espalhou pela Rádio Chapecó e o jornal Folha do Oeste, na sua edição 120, do dia 21.10.67 (sábado) divulgava a convocação com a seguinte ordem do dia: reforma dos estatutos – eleição do conselho de administração e fiscal e assuntos diversos. Assinava o edital : Luiz Baldissera.

Aury Bodanese, que nos últimos tempos andava introvertido, certamente por causa do andamento de seus negócios e da incógnita de seus projetos paulistas, passou a exibir um largo sorriso e a falar com muita propriedade sobre as imensas perspectivas de desenvolvimento agropecuário do oeste catarinense e da necessidade de os pequenos agricultores se unirem em torno de uma cooperativa.

Enquanto Gil Tosi, Volmar Pivato e Rogério Remor cuidavam da organização dos estatutos, Bdanese já desenvolvia atividades em nome da cooperativa.

Para escoar a pequena safra de trigo no final de outubro de 1967, Bodanese trabalhava junto ao último silo do parque da Cibrazem, a imagem do novo conceito do cooperativismo catarinense. Uma barraca de camping, de lona amarela. Na sua porta, Bodanese, rodeado de colonos, e lá dentro, em cima de algumas tábuas de madeira espalhadas pelo chão, pequenas pilhas de sacos de insumos básicos, para sustento das famílias dos agricultores: trigo, açúcar, sal e outros, que eram trocados pelo trigo que os agricultores iam entregando. Como não havia dinheiro, também não havia compra e venda era o simples troca-troca. A contabilidade se resumia no tradicional caderno. Cada folha tinha um nome, não em ordem alfabética, mas na ordem de registro de cada associado.

A assembleia foi realizada, no dia 29 de outubro de 1967. A diretoria foi eleita e assim reativada a cooperativa, agora com o nome: Cooperativa Agropastoril Chapecó Ltda. – Cooperchapecó , tendo como presidente Aury Luiz Bodanese e 37 sócios fundadores, alguns agricultores e lideranças comunitárias de Chapecó.

Os primeiros meses transcorreram em meio a muita expectativa e observação. Apesar da fragilidade econômica e financeira, fazia-se presente um inusitado entusiasmo dos membros da diretoria. O quadro social se multiplicava rapidamente e tudo indicava que em breve a cooperativa estaria atuando em todo o oeste do estado.

Tempo depois, a cooperativa abandonava a barraca de camping e se instalava em prédio e montava um espaçoso setor de consumo, com escritório e depósito de insumos agrícola, e já encaminhava documentação para a compra de um terreno de 10 mil metros quadrados, para construção da sede e para a construção de um armazém com capacidade para 300 mil sacos de cereais. O financiamento de 920 milhões de cruzeiros para construção do armazém foi solicitado junto ao BRDE.

Em depoimento Bodanese contou que foram feitas 72 viagens de Chapecó a Florianópolis, por 700 quilômetros de estradas esburacadas e poeirentas, levando 32 horas ida e volta, quando não chovia, com o objetivo de acompanhar de perto a custosa liberação. Eram desculpas de todo tipo: o cooperativismo não tinha futuro, a pequena propriedade rural era inviável e assim por diante, mas o verdadeiro motivo estava na pressão que o governo estava recebendo das agroindústrias da região, a quem não interessava a criação e o fortalecimento de um sistema independente de produção agropecuária. A liberação dos recursos durou três anos.

No dia da inauguração, mais de dois mil agricultores estavam em volta daquele armazém que foi chamado por uma autoridade de “elefante branco“.

Em 28.10.74, a Cooperchapecó já possuía 2.879 sócios que deram a Bodanese a autorização para incorporar a Cooperativa Mista Tritícola Xaxiense e mudar a razão social. Tornou-se a maior cooperativa do estado, e como a primeira letra do alfabeto grego é alfa, depois de uma consulta junto aos associados, o nome passou para Cooperativa Regional Alfa Ltda – Cooperalfa.

Bodanese e a Coopercentral

A intenção dos técnicos e do Banco do Brasil de criar uma cooperativa com abrangência em todo o oeste, que ia de Xaxim até Maravilha não foi bem recebida. O receio de depender economicamente de Chapecó assustava as lideranças dos pequenos municípios, pois todos queriam ter a sua cooperativa.

Apesar de serem pretensões justas e fundadas, uma equipe de funcionários do BB formada por: Gil Caetano Tosi, José Fortunato Campigoto, Nelson Antônio Zanchet e José Tripodi Guimarães, foram a campo e em pouco tempo, vários municípios contavam com a sua cooperativa de produção agrícola.

Em meados de 1968, chegou ao conhecimento das lideranças de Chapecó a lei que criava o Fundesc – Fundo de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina. Era um programa que previa incentivos fiscais para implantação de indústrias, e Chapecó precisava delas.

Em outubro desse mesmo ano, a Acaresc organizou um seminário sobre cooperativismo. O engenheiro agrônomo Glauco Olinger, na época secretário executivo da entidade, demonstrou aos dirigentes cooperativistas presentes que deveriam desde já pensar na instalação de agroindústrias de transformação dos produtos rurais produzidos por seus associados, caso contrário ficariam a vida toda preparando matéria prima para as indústrias do sistema capitalista.

No final do encontro, Setembrino Zanchetti procurou doutor Glauco para falar sobre os incentivos fiscais do Fundesc, como forma de viabilizar as ideias que havia lançado, lamentando apenas que a lei não beneficiava o sistema cooperativista.

Em 13 de janeiro de 1969, foi sancionada a lei 4.266 de incentivos fiscais do Fundesc, específico para as cooperativas. Estava aberto o caminho para a criação das cooperativas centrais, agora de forma mais atraente. Ledo engano, a notícia foi recebida com pouco entusiasmo pelos cooperativistas, pois seus problemas eram tantos que não lhes permitiam ver claramente o futuro.

O presidente da Agropastoril, Aury Bodanese, foi o único que ficou entusiasmado com a ideia, pois a cooperativa que comandava já estava atuando em operações de repasse de financiamento de custeio agrícola, fato que se refletia no incremento do setor de consumo e, portanto na geração de incentivos fiscais. Bodanese com sua experiência comercial vislumbrava o excelente negócio. Tomou para si o encargo de minutar os estatutos sociais da nova cooperativa central, no que foi assessorado por Volmar Pivatto.

Sem muitas delongas foi marcado o dia 15 de Abril de 1969, a data da fundação da Cooperativa Central Oeste Catarinense Ltda., com a participação de oito cooperativas singulares: a Agropastoril – Chapecó, Mista Xaxiense – Xaxim, Pindorama – Xanxerê, Mista Lageado Grande, Mista de Palmitos, Agropecuária de São Carlos, Laticínios de Chapecó e Mista Modelo.

Para presidente, foi eleito Aury Luiz Bodanese – e a nova cooperativa tinha como objetivo, industrializar e comercializar a produção de suínos das cooperativas filiadas.

Enquanto a Cooperativa Central se organizava, surgia a notícia da possível venda do frigorífico da família Marafon. Estavam procurando interessados em assumir o passivo bancário, fiscal e trabalhista da empresa, em troca de seu patrimônio. Para a cooperativa central a oportunidade estava ali, como que caída do céu: um frigorífico montado, pronto para funcionar.

Bodanese junto com Zeferino Zanchetti do BB realizam um levantamento da situação da indústria. A proposta de compra é formalizada e apresentada aos dirigentes das cooperativas filiadas. A proposta não foi rejeitada, mas sofreu bombardeio de todos os lados, pois as filiadas estavam  enfrentando dificuldades de operar na comercialização de suínos e de cereais de seus associados, por absoluta falta de transporte desses produtos.

Diante disso, argumentavam que de nada adiantaria a cooperativa central ter um frigorífico se as filiadas não dispunham de meios para fornecer-lhes matéria prima.

Ao final da reunião concluíram que se deveria fazer um plano quinquenal  e um  estudo de viabilidade econômica, englobando a compra do frigorífico , no mínimo dois caminhões para cada cooperativa, como prioridade ,e  para mais tarde um parque armazenador e uma fábrica de rações.

Em 30.08.1969, o plano de ação foi aprovado, pela assembleia geral da cooperativa central e consistia na compra do frigorífico, desembolso financeiro em longo prazo, mas a compra dos caminhões exigia dinheiro à vista. Então a experiência comercial de Bodanese entrou em ação: com o aval de todos os dirigentes das cooperativas filiadas pediu ao BRDE, que era credor da indústria Marafon, financiamento para a aquisição dos mesmos, com pagamento para três anos.

O efeito positivo desta conquista não se limitou à satisfação de uma necessidade premente das entidades associadas. Com isso elas passaram a ter a exata noção da força de sua união em torno da cooperativa central, e a partir daí, Aury Luiz Bodanese se tornou herói da primeira e vitoriosa campanha, que foi coroada com a aprovação pelo Fundesc do plano da central.

Algum tempo depois, era festejada a inauguração da nova frota. Na Av. Getúlio Vargas, em Chapecó, duas dezenas de caminhões, Mercedes Bens, carregados de feijão, desfilaram buzinando, portando faixas com os dizeres: Cereais de Santa Catarina para alimentar o Brasil e outras com o nome da Cooperativa Central Oeste Catarinense Ltda.

Quem viu, gostou e aplaudiu e muitos queriam saber de onde era essa tal cooperativa, cujo nome aparecia pela primeira vez em público. Os tramites para a compra do frigorífico continuavam, com alguns percalços, mas que no seu devido tempo, eram solucionados.

Quando o projeto global da Cooperativa Central foi concluído, uma caravana de dirigentes se deslocou a Florianópolis para um encontro com o Secretário da Agricultura, Glauco Olinger, que deveria dar o aval para que o Fundesc aprovasse o plano de incentivos fiscais para a compra do frigorífico.

A alegre comitiva queria regressar a Chapecó festejando a aprovação pelo secretário, pois tinha sido o incentivador da ideia da agroindústria, mas nada disso aconteceu. Doutor Glauco se mostrou uma pessoa diferente. Argumentou que existiam frigoríficos demais  na região e que os incentivos deveriam ser aplicados em rede de silos e armazéns e deixar o suíno para as empresas que já estavam no ramo.

Não é preciso dizer que o clima dessa reunião foi tenso, tendo Bodanese lembrado, por várias vezes o secretário que estranhava essa sua restrição a uma proposta que ele mesmo havia sugerido as cooperativas e cujos estudos estavam sendo acompanhados pela Acaresc.

A reunião prosseguiu com diálogo nervoso, entre o secretário e os dirigentes. Por fim foi encerrada com a vaga promessa de submeter o projeto aos estudos técnicos e uma solução breve. Essa brevidade durou mais de um ano e a solução só veio após muita pressão.

Independente do andamento do impasse criado pelo secretário da agricultura, em 06 de junho de 1970, foi efetivada a compra do frigorífico Marafon, consolidando definitivamente .a implantação do plano quinquenal da Cooperativa Central: os caminhões e o frigorífico

A Coopercentral levanta voo, exibindo hoje a famosa marca “Aurora“, um símbolo de união e trabalho.

 

Mais informações:

Secretaria Executiva Estadual do SC Rural – (48) 3664 4307
Endereço eletrônico: imprensa@microbacias.sc.gov.br

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