Sou jovem e sou agricultor e isso me faz feliz

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Os dias 25 e 28 de julho celebram duas importantes profissões, a do Colono e a do Agricultor, respectivamente, que embora tenham significações diferentes, remetem ao trabalho e a vivência no campo.

O êxodo rural ao longo dos anos foi crescendo e hoje, analisando a nossa própria Região dos Lagos, percebemos a grande quantidade de famílias que moravam em comunidades rurais e hoje têm filhos e netos residindo nos perímetros urbanos de outros municípios ou do mesmo em que nasceram.

Mas esse não é o caso do agricultor entrevistado pelo Correio dos Lagos. Ao contrário da maioria dos jovens, Saimon Eduardo Manchein, 26 anos, optou pela vida no campo, simplesmente por um único motivo: “Eu sou muito realizado em viver no sítio e trabalhar naquilo que escolhi e escolheria mil vezes fazer: ser agricultor”, relata Saimon.

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Natural de Abdon Batista, da comunidade de Santo Antônio, o filho de Elton Cassiano Manchein e Suzane Maria Zanchett Manchein foi criado em meio aos trabalhos da agricultura, mas o amor pela criação de gado nasceu de um incentivo especial. O avô paterno, Narciso, é a pessoa que Saimon define como um dos principais incentivadores.“Ele sempre lidava com o gado e me levava nos domingos para acompanhar o trabalho. Eu era pequeno, tinha dez anos, e me lembro do dia em que ele me mostrou uma vaca que havia criado, e me disse que aquela terneira seria minha. Ele deu o mesmo presente a cada um dos netos, mas eu fui o único que dei sequência. Fui pegando o gosto por essa profissão”, conta.

Graduado em Administração de Empresas, Saimon trabalhou por quatro anos em estabelecimentos comerciais. “A maioria dos produtores rurais tem a mentalidade de que os filhos têm que crescer e ir para a cidade, porque a vida no sítio não é fácil. Meus pais também pensavam isso, e eu segui esse caminho, mas não me identificava com o que fazia”, relata o jovem, que contando sobre como era sua rotina quando trabalhava em comércios, o pensamento era só em voltar a trabalhar no campo. “Aos 17 anos comecei a trabalhar na cidade, mas nunca deixei de lidar com o gado. Saía as 18h30 do trabalho e já partia direto para os terrenos que tinha arrendados para a criação, de manhã também acordava mais cedo para poder cuidar do gado antes de ir para a cidade. Gastava meu salário só pagando as arrendas dos terrenos. Eu tinha a ideia que tinha que chegar num ponto que eu conseguisse sobreviver com a renda do sítio”.

Aos 21 anos, Saimon decidiu deixar o trabalho na cidade e investir somente no campo. “Não me arrependo em nada dessa escolha, faria tudo novamente. Escolheria mil vezes estar onde estou hoje, porque o dinheiro não paga o prazer do dever cumprido e de estar trabalhando no que gosta”, revela.

Então, em 2012 os pais e os dois irmãos mais novos, Murilo e Débora, decidiriam ir morar na cidade de Abdon Batista, pois era mais fácil para a mãe que é professora e na época os dois irmãos estudavam. “Ao invés de todos eles precisarem ir para a cidade todo dia, era mais fácil o pai vir de lá para cá para trabalhar. Porque eu não quis sair e permaneço aqui até hoje”.

Hoje, o agricultor trabalha com a plantação de fumo, em parceria com o pai, e a criação de gado, que ele administra individualmente, sendo a característica de recria e sendo o plantel da raça Angus. “Trabalho com o fumo pela renda certa e lucrativa, mas na questão de saúde essa cultura é muito desfavorável. Esse ano vamos plantar 60 mil pés de fumo. Dá muito trabalho”, destaca o jovem, que almeja para o futuro não plantar mais o tabaco. “Sonho ir sempre evoluindo para que eu possa chegar a um ponto que consiga não apenas sobreviver da criação de gado, mas ter uma boa renda só disso”, aponta.

Para Saimon, a agricultura atual é fruto de uma constante evolução de vários aspectos, por isso ele define que o trabalho e o conhecimento são o que mantêm o jovem no campo. “A agricultura atual é diferente de antigamente. Hoje em dia é preciso caminhar junto com a tecnologia e sempre em vista com as demandas do mercado. O incentivo do poder público em fornecer conhecimento para os produtores é muito importante, por isso que sempre busco me atualizar, fazendo cursos para obter conhecimento, aproveitando as oportunidades. A propriedade precisa ser tratada como uma empresa, para ter noção do que é viável ou não e saber qual a melhor forma de administrá-la para gerar lucro. Os investimentos certos proporcionam boas mudanças”, comenta o agricultor. 

Para ele, o maior encanto do trabalho no campo é mexer com a terra, ver a evolução das plantas. “A melhor satisfação do produtor é a plantação bonita, mais do que o dinheiro no banco, porque você percebe que o seu esforço deu certo.” 

Saimon conclui com uma indagação esperançosa e motivadora sobre a sua profissão: “É preciso que a agricultura seja vista de um jeito diferente, mostrando que vale a pena ser investida, porque senão, como será o futuro do campo? A quantidade de jovens nesse meio é muito pequena, mas esse é o meio que sustenta os demais setores. Quem gosta de sítio, invista nessa profissão. Temos a esperança de que o campo seja mais valorizado, mas estudar é essencial seja no ramo que escolher. Eu sou jovem e sou agricultor, e essa escolha é o motivo de acordar cedo todos os dias, com entusiasmo, e ir trabalhar naquilo que me faz feliz”, finaliza o abdonense.Fonte:Correio dos Lagos

 

Mais informações: http://www.jornalcorreiodoslagos.com.br

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