Fazendas verticais: produção pode atingir o triplo da agricultura convencional

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No ano de 2050 seremos mais de 9 bilhões de habitantes. Todo esse aumento populacional necessitará, prioritariamente, de alimentos. Fica a pergunta: Como alimentar todo esse crescimento populacional?

De fato, uma das maiores preocupações mundiais está na capacidade da agricultura em alimentar a população daqui 30 anos, estudos indicam que para alimentar esse montante populacional, a produção agrícola terá que praticamente duplicar a produção de hoje.

Por isso, novas formas de cultivo, que buscam a máxima eficiência produtiva, começam a ser pensadas e, dentre as mais inovadoras, certamente as fazendas verticais ganham papel de destaque.

Essas fazendas verticais se baseiam em realizar o cultivo em ambientes controlados, com alta economia de água e produtividade muito maior.

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O que são fazendas verticais?

O que você pensa sobre cultivar hortaliças, verduras e frutas em prédios, longe de qualquer fonte de terra? Pode parecer estranho, mas essa é a ideia das fazendas verticais e tudo indica que funciona muito bem!

O sistema das fazendas verticais visa a realização da produção agrícola via hidroponia (e até aeroponia) em andares presentes em construções urbanas, estufas e galpões, onde todas as variáveis ambientais são devidamente controladas, com todos os nutrientes necessários para o correto desenvolvimento da planta oferecidos na quantidade e qualidade corretos.

Segundo seus idealizadores, a adoção do cultivo em fazendas verticais permite o dobro ou até o triplo de desempenho e produtividade em comparação à agricultura tradicional, realizada em imensas áreas de produção.

Além do aumento da produtividade, o cultivo em ambientes totalmente controlados também visa outros benefícios, um deles é o alto ganho em sustentabilidade.

O principal ganho sustentável relaciona-se ao fato da não necessidade de transporte por longas estradas (reduzindo drasticamente a emissão de gases poluidores provindas do transporte da produção), isso porque diversos projetos ao redor do mundo estão sendo conduzidos em áreas urbanas marginais, portanto muito próximas aos centros de consumo. Menos tempo de transporte, menor emissão de gases na atmosfera, maior produção. Tudo será perfeito!

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Vantagens do cultivo em ambientes controlados

Sem dúvidas, a sustentabilidade e a elevação da produtividade são as vantagens mais significativas quanto da adoção das fazendas verticais. Mas, as vantagens não se restringem a somente isso.

O cultivo em ambientes fechados possibilita a produção durante todo o ano, pois não há dependência do clima, visto que o fornecimento de luz, umidade e calor será todo artificial. Além disso, há grande economia de água, pois a hidroponia requer muito menos água quando comparada à produção convencional.

Por estarem próximas dos grandes centros, a tendência é que ocorra alta redução dos desperdícios, já que grande parte dos desperdícios de alimentos ocorrem após a colheita, principalmente durante o transporte.

A incidência de pragas também será bastante reduzida, assim como o uso de agrotóxicos (que será praticamente zero), devido à total capacidade de controle das variáveis.

Por fim, o lixo que será gerado pela produção poderá ser utilizado na produção de energia que será destinada a manter a iluminação e a temperatura interna das “fazendas edifícios”. Além disso, a energia gerada poderá contribuir com a geração de energia até para as cidades.

 

E no Brasil? A realidade ainda é distante

Fica claro que esse modelo é inovador e sem dúvidas estará presente no futuro da agricultura mundial. Porém, para o Brasil, a realidade das fazendas verticais ainda é distante. Alguns fatores explicam essa maior distância.

Os altos custos na construção e manutenção destes edifícios ainda representam grandes barreiras para a expansão das fazendas verticais no país, já que podem acabar encarecendo o produto final, tornando o projeto inviável.

Além da questão econômica, no Brasil ainda há déficit de mão de obra especializada para esse tipo de cultivo, lembrando que o cultivo nas fazendas verticais é quase que totalmente automatizado.

Porém, a tendência que o custo de produção seja reduzido ao longo dos anos e, isso irá ocasionar maior popularização das fazendas verticais em todo o mundo, e o Brasil estará incluído neste cenário.

Assim, mais cedo ou mais tarde, veremos belos e imponentes edifícios produtores de alimentos que vão contribuir para alimentar todo o mundo.

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Ítalo Guedes, pesquisador da Embrapa, afirma que o sistema de produção agrícola controlada em construções urbanas e prédios oferece, entre outras vantagens, a utilização de áreas marginais nas cidades e o decréscimo nos custos de cultivo como os de hortaliças e frutos. Foto: Divulgação.

Atualmente, a agricultura urbana responde a uma preocupação mundial, que é o distanciamento entre os centros de produção e de consumo. O transporte de alimentos por grandes distâncias é hoje uma das principais causas das perdas pós-colheita, e contribui para a pegada de carbono da agricultura, devido à utilização de combustíveis fósseis.

Nesse sentido, as chamadas fazendas verticais podem ser uma das soluções para o aproveitamento de áreas urbanas destinadas à produção agrícola intensiva e para a aproximação dos polos de produção e consumo. A observação é do pesquisador da Embrapa Hortaliças, Ítalo Guedes.

Segundo ele, o sistema que envolve a produção agrícola controlada em construções urbanas e prédios, onde todas as variáveis ambientais são controladas, permite o dobro ou até o triplo de desempenho em comparação à agricultura tradicional. Guedes afirma ainda que a utilização de variedades e híbridos adaptados de forma específica para esse tipo de ambiente e o manejo adequado dos cultivos podem aumentar essa proporção.

“Para se ter uma ideia, hoje a média de produtividade de tomate para consumo in natura em campo aberto deve girar, no Brasil, em torno de 70 a 90 toneladas por hectare; no cultivo em estufa, não são incomuns produtividades de até 200 toneladas por hectare. O cultivo em fazendas verticais tem potencial para mais”, destaca o pesquisador. “Em experimentos científicos na Holanda, utilizando ambiente controlado com tomate, já foram alcançadas produtividades equivalentes a mil toneladas por hectare. O potencial é grande”, avalia.

De acordo com o pesquisador, o sistema também oferece como vantagens a utilização de áreas urbanas marginais e o decréscimo nos custos de cultivo como os de hortaliças e frutos. “É preciso também considerar que as experiências de plantio em ambiente controlado demonstram o uso muito mais eficiente de nutrientes e água pelas plantas”, acrescenta.

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PROJETOS

No mundo, já existem algumas empresas que investem em fazendas verticais ou “plant factories”. Recentemente, o lançamento da startup Plenty, no Vale do Silício (EUA), recebeu atenção especial da mídia. A AeroFarms, também nos Estados Unidos, é outro projeto do gênero em desenvolvimento. Alguns países asiáticos, como Coreia do Sul e Singapura, têm realizado pesquisas avançadas com o conceito de fazendas verticais. “São países com alta demanda por hortaliças e frutas de qualidade, mas com escassez de terras e limitações climáticas”, afirma Guedes.

No Brasil, o interesse por fazendas verticais ainda é pequeno. No entanto, o pesquisador da Embrapa lembra que há dois fatores que têm aumentado a área de agricultura em ambientes protegidos (neste caso, em proporção mais modesta que as ‘vertical farms’): o crescimento da população urbana, principal consumidora de hortaliças e frutas, e o aumento da incidência de eventos climáticos extremos, que afetam de forma negativa a produção desses dois grupos de cultivos.

“As áreas de cultivo protegido têm se concentrado ao redor de grandes centros urbanos, já começando a formar expressivos ‘white belts’ ou cinturões brancos (em relação à cor do plástico das estufas), como ocorre ao redor de Brasília, São Paulo e mesmo Manaus, por exemplo”, ressalta Guedes.

Ele observa ainda que é crescente o interesse por empreendimentos conhecidos por “roof farms” ou fazendas de teto, cada vez mais comuns em Nova York, que utilizam as coberturas de grandes edifícios, como shopping centers, para a produção de alimentos. “Em Belo Horizonte há um projeto desse tipo em um dos shoppings da cidade”, afirma o pesquisador.

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SOLUÇÃO CRIATIVA

Porém, ele ressalta que “no Brasil, um dos fatores que limita o crescimento da produção tecnificada de hortaliças e frutas em ambiente controlado é o baixo consumo deste tipo de alimento pelo brasileiro”.

De acordo com Guedes, em âmbito global, as fazendas verticais não deixam de ser uma das soluções criativas para a agricultura no mundo. “São sistemas que atendem à realidade atual, diante da maior incidência de eventos climáticos extremos, da pressão urbana por terras agricultáveis, da preocupação com a diminuição de perdas de alimentos pós-colheita e da pressão ambiental por uma agricultura mais eficiente no uso de insumos, mais produtiva e menos dependente do uso de terras”. Fonte: Por equipe SNA/Rio

 

 Mais informações: www.sna.agr.br

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