Práticas agrícolas sustentáveis premia 15 comunidades tradicionais brasileiras, três são de Santa Catarina

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O Prêmio BNDES de Boas Práticas para Sistemas Agrícolas Tradicionais é uma iniciativa do BNDES em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa/MAPA), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MinC) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO/ONU).

O objetivo é reconhecer boas práticas ligadas à salvaguarda e conservação dinâmica de bens culturais e imateriais associados à agrobiodiversidade e à sociobiodiversidade presentes nos Sistemas Agrícolas Tradicionais no Brasil.

A solenidade de premiação foi realizada na sede da Embrapa, dia 18 de junho, em Brasília-DF.

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Premiados:

1º Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais (AMTR), do Lago do Junco (MA)

2° Associação dos Produtores Rurais de Vereda, de Matias Cardoso (MG);

3º Associação dos Remanescentes de Quilombo de São Pedro, de Eldorado (SP),

4º Associação Comunitária Rural de Imbituba, de Imbituba (SC)

5º Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), dos municípios baianos de Pilão Arcado, Campo Alegre de Lourdes, Canudos, Casa Nova, Remanso, Curaçá, Sento Sé, Uauá, Sobradinho e Juazeiro.

Os primeiros cinco colocados receberão o valor bruto de R$ 70 mil e os demais R$ 50 mil.

Demais premiados

6º – Associação Yaualapiti Auapá – Canarana, MT

7º Associações dos Agricultores Familiares de Roça de Toco e da Valor da Roça – Biguaçu, SC

8º – Associação Comunidade Uamiri Atroari – AM e RR

9º – Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique -Macapá, AP

10º – Sindicato dos Trabalhadores Rurais Assalariados e Agricultores Familiares de Rio Pardo, MG

11º – Associação Indígena Guarani Boapy Pindó – Aracruz, ES

12º – Apicultura sustentável: Casa Nova – BA

13º Associação Vianei de Cooperação e Intercâmbio no Trabalho, Educação, Cultura e Saúde-Lages SC

14º – Associação da Comunidade Tradicional Geraizeira de Sobrado – MG

15º - Associação dos Povos Indígenas da Terra São Marcos/Pacaraima e Boa Vista (RR)

 

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Associação Comunitária Rural de Imbituba

Areais da Ribanceira: resistência da agricultura tradicional. A Comunidade Tradicional dos Areais da Ribanceira convive há várias décadas com um processo de desterritorialização, que elimina formas de uso comum da terra e da água, colocando em risco o grupo social e todo patrimônio imaterial acumulado ao longo das gerações. Um exemplo é a ação de reintegração de posse que o governo do Estado de Santa Catarina, está movendo contra a ACORDI, assim como vários pescadores da praia de Imbituba também estão sendo ameaçados por processos similares, movidos por empresa privada (IEP).

A essência da comunidade está no uso comum do seu território, que está diretamente ligado ao acesso aos recursos naturais. E, se isto for interrompido, interrompe-se também a reprodução cultural/social/religiosa/ancestral e econômica da comunidade, que é a principal responsável pela manutenção do ecossistema e da construção tradicional de um conjunto de conhecimentos, inovações e práticas que beneficiam toda sociedade. Fonte: https://engenhosdefarinha.wordpress.com

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Associação Valor da Roça – Biguaçú

O processo de certificação participativa para uso e conservação da floresta no sistema itinerante, desenvolvido pela Associação Valor da Roça, de Biguaçu, na Grande Florianópolis, foi um dos vencedores do Prêmio.

A Epagri, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) são os principais apoiadores do projeto

A comunidade rural de Biguaçu desenvolve há gerações um sistema de cultivo caracterizado por períodos de alternância entre lavouras anuais e a floresta nativa, sem revolvimento do solo e com um manejo especial. Neste sistema eles plantam principalmente mandioca, banana, feijão e milho, sem uso de agroquímicos. A prática tem permitido a manutenção da floresta, da paisagem e a conservação da biodiversidade, evitando a conversão definitiva da terra para uso diversos, como por exemplo, formação de pastagem ou plantio de florestas exóticas.

Sustentabilidade e tradição

De modo geral, esse sistema de uso da terra tradicionalmente praticado pelos agricultores de Biguaçu, caracteriza-se pela supressão de pequena gleba de vegetação para o cultivo de lavouras anuais por curto período de tempo. A lenha retirada é usada na produção de carvão vegetal. Após a colheita da lavoura, a floresta volta a se regenerar. Outra importante característica é o fato de que já entre as plantas de ciclo anual é realizada a condução da regeneração natural. Ou seja, ao mesmo tempo que cultivam, os agricultores manejam espécies arbóreas regenerantes, o que caracteriza um tipo peculiar de Sistema Agroflorestal. Isso permite a rápida regeneração do fragmento florestal após a colheita da lavoura anual.

Outro aspecto fundamental desta prática é o caráter social. Ao respeitar o conhecimento empírico dos agricultores locais, a instituições governamentais preservam um saber fazer histórico. Diversos estudos nacionais e internacionais têm apontado os benefícios socioecológicos desse sistema e registram importantes prejuízos nas regiões onde ele tem sido abandonado, sobretudo a perda da biodiversidade.

Desde 2009 a Epagri e as instituições parcerias desenvolvem projetos com esses agricultores, que formaram, em 2013, a Associação Valor da Roça. A entidade possui um Caderno de Normas que é seguido rigidamente pelos associados. Uma das principais regras estipuladas é que a vegetação suprimida para a roça volte a se regenerar após o cultivo. Para garantir que as regras sejam cumpridas, uma comissão de associados faz vistorias nas áreas em regeneração e, assim, certifica de forma participativa o cumprimento do compromisso assumido.

A Embrapa presidiu a comissão julgadora, por meio do pesquisador João Roberto Correia, da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire).

Segundo o diretor-executivo de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Cleber Soares, a presença da Empresa na realização do Prêmio BNDES reforça o alinhamento com as megatendências do recém-lançado documento Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira. “Além disso, é uma forma de contribuir com a pauta internacional que tem como foco os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em especial o que se refere à erradicação da fome e o incentivo à agricultura sustentável”, lembrou ele.

"A experiência de todo o processo do Prêmio BNDES SAT foi exitosa", avaliou o presidente da comissão julgadora, pesquisador João Roberto Correia, da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas da Embrapa. "Foi a concretização de uma parceria entre as instituições em benefício de grupos sociais que realizam atividades que preservam tanto a agrobiodiversidade local, quanto sua cultura e o meio ambiente". Na opinião dele, a iniciativa também atende as metas do acordo firmado com Iphan, no que se refere à identificação de SATs no Brasil, além de levantar potenciais fontes de pesquisa em desenvolvimento territorial e conservação em recursos genéticos e temas ligados à gastronomia e turismo rural.

Também participaram da solenidade de entrega do Prêmio BNDES SAT o secretário-adjunto de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Francisco Melo, o coordenador de Agroecologia e Produção Sustentável da Secretaria de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), Marco Pavarino, o diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Hermano Queiroz.  Da Embrapa, estiveram presentes o pesquisador da Embrapa Clima Temperado e ex-diretor de Transferência de Tecnologia, Waldyr Stumpf, e o chefe-geral da Embrapa Amapá, Nagib Melém Júnior.

 

Mais informações: cepa@epagri.sc.gov.br 

Secretaria Executiva Estadual do SC Rural – (48) 3664 4307 
Endereço eletrônico: imprensa@scrural.sc.gov.br

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