Como a economia verde pode contribuir para a agricultura familiar em Santa Catarina

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A questão agrícola permeia com frequência discussões sobre comércio e desenvolvimento socioeconômico no Brasil, dado o caráter predominantemente agroexportador do país. Em Santa Catarina, o tema também tem grande destaque e enfrenta desafios e oportunidades em relação à inovação, produtividade e sustentabilidade nesse setor, principalmente quando se fala de agricultura familiar.

Segundo a Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais, o agricultor familiar pode ser caracterizado por explorar área produtiva de até 4 módulos rurais, ter sua renda predominantemente dessa fonte e, claro, ter a maior parte de sua mão-de-obra e gerenciamento da produção composta por membros de sua família.  Segundo o último Censo Agropecuário realizado em 2006 (NITA, 2017), 84% dos estabelecimentos agropecuários no Brasil são de agricultura familiar, número que atinge 87% em Santa Catarina.  No entanto, o número expressivo em estabelecimentos não é refletido na participação na posse de terras de produtores familiares: no Brasil, apenas 24% do total de hectares de agropecuárias são de agricultura familiar, número que gira em torno de 44% em Santa Catarina, que apesar de melhor que em relação ao índice nacional, ainda indica forte concentração de terras nas mãos de grandes monocultores.

A importância da agricultura familiar no país se dá por diversos motivos, dentre eles a segurança alimentar já que, segundo Pinto et al. (2012),  cerca de 70% dos alimentos básicos do país são produzidos por agricultura familiar, como arroz, mandioca, milho, feijão e leite, enquanto o agronegócio se ocupa com a monocultura voltada à exportação de produtos como soja. Pinto e Assad (2008, apud PINTO, 2012) descrevem que, em decorrência do aquecimento global, a produção agrícola brasileira pode ser extremamente prejudicada nos próximos anos em todas as culturas com exceção da cana, prevendo um impacto de perdas em cerca de R$ 350 milhões ao ano em culturas como arroz, café e milho em 2050.

De outro lado, uma temática cada vez mais discutida no Brasil e na qual Santa Catarina vem ganhando destaque é a de Economia Verde. A economia verde objetiva a melhoria do bem-estar da humanidade e igualdade social, juntamente com a redução dos riscos ambientais e a escassez ecológica, apoiada na redução das emissões de carbono, maior eficiência energética e dos recursos e preservação da biodiversidade. Contudo, é importante detalhar que a mesma atua para além da responsabilidade socioambiental dos recursos naturais: ela procura gerar valor compartilhado, criando produtos, mercados e cadeias de valor de impacto com retorno financeiro, o que é potencializado quando atrelado à inovação. Santa Catarina, estado com polo inovador e de startups, conta com referências nacionais em projetos de Economia Verde, como a Fundação CERTI.

Dito isso, há enormes possibilidades de sinergia resultante de uma união entre agricultura familiar e economia verde. De um lado, o campo precisa manter sua sustentabilidade, ao mesmo tempo em que um aumento de produtividade resultaria em impacto positivo aos pequenos produtores, com um aumento de renda e geração de empregos. Segundo Costa J.P et al. (apud PINTO, 2012), países com elevados níveis de desenvolvimento têm investido na modernização da grande massa de produção familiar, em que o progresso tecnológico a partir da sustentabilidade tem resultado na produção de alimentos mais baratos na elevação da qualidade vida.  Para além do impacto aos produtores, em detrimento da monocultura de larga escala que resulta uma perda constante da matéria orgânica do solo, comprometendo seriamente a qualidade do mesmo, a agricultura familiar incrementa as condições físicas e biológicas da terra, melhorando sua qualidade.

No quesito tecnológico, a economia verde pode estimular o desenvolvimento de diversos produtos que atuem em questões como o melhoramento genético, alternativas aos agrotóxicos, controles de pragas e doenças, métodos mais avançados de plantio e colheita, transporte e armazenamento mais eficientes e conexão do produtor com demandas de mercado, investidores e P&D ao inseri-los num ecossistema voltado à inovação de impacto (social e ambiental). A lógica de aumento de produtividade nas pequenas propriedades, além de atuar na renda do negócio familiar, diminuindo desigualdade social, reduz a necessidade de expansão para novas áreas, mantendo fronteiras de desmatamento controladas, além de reduzir a necessidade brasileira de importação de certos produtos e de aumentar sua capacidade de exportação, impactando positivamente na balança comercial do país.  De uma maneira geral, seguindo o modelo de Ecossistemas de Inovação, que é a principal força impulsionadora da Economia Verde em Santa Catarina, a criação de uma cadeia sustentável – do ponto de vista econômico e ambiental – incentiva a criação de produtos que além de responderem à agricultura mais tecnificada, valoriza as áreas naturais, criando novos negócios e impulsionando de forma inovadora o desenvolvimento regional.

Numa perspectiva mais ampla, os autores que cunharam o termo Criação de Valor Compartilhado, Porter e Kramer (2011), trabalharam de forma bastante pragmática os principais pilares que conduzem uma economia baseada até então na busca simples pelo lucro, para uma economia que associe os ativos sociais e ambientais ao core business produtivos. A transição deve passar pela (a) Reconcepção de Produtos e Mercados; (b) Redefinição da produtividade na cadeia de valor e (c) Promoção do desenvolvimento de clusters locais. Estes são os pilares que irão direcionar a próxima evolução no capitalismo. 

Acesse o artigo completo (https://hbrbr.uol.com.br/criacao-de-valor-compartilhado/)

Quer entender mais como a Economia Verde pode atuar sobre o desenvolvimento de negócios? Acesse o blog:http://insights.certi.org.br/tag/economia-verde/

Fonte:Núcleo de Inovação Tecnológica para Agricultura Familiar - NITA 

 

Mais informações:http://nita.org.br

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