Pesquisa do NITA e Epagri identifica desafios tecnológicos da piscicultura catarinense

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Uma das importantes atividades para o Estado e que possui grande crescimento nos últimos anos em Santa Catarina é a piscicultura. 

Segundo dados da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR), em 2016, os cinco estados maiores produtores de peixes cultivados foram Paraná, Mato Grosso, Rondônia, São Paulo e Santa Catarina, nesta ordem. Paraná, São Paulo e Santa Catarina produzem como espécie principal a tilápia, o Mato Grosso os peixes híbridos e Rondônia principalmente Tambaqui.

A piscicultura catarinense tem características que a distinguem de outros estados. É desenvolvida majoritariamente em pequenas propriedades rurais, com média de 2 hectares de lâmina de água por propriedade, e mão de obra familiar.

Na safra de 2016, a piscicultura de água doce catarinense produziu 43.300 toneladas de peixes de diferentes espécies, sendo os produtores comerciais responsáveis por 29.637 toneladas (mais de 68%) dessa produção. A espécie mais produzida no Estado é destacadamente a tilápia, mas a produção de carpas também é relativamente significativa em relação às demais espécies.

Figura 1 – Distribuição percentual das espécies de peixes produzidos em Santa Catarina 2016

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Fonte: Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina 2016 -2017, Epagri/Cepa

Tendo por base a área de abrangência das Gerências Regionais da Epagri, se destacam as regiões de: Tubarão, Joinville, Rio do Sul e Blumenau, como as maiores produtoras de pescado comercial (Figura 2).

Figura 2 – Produção comercial de piscicultura comercial de água doce de Santa Catarina 2016 (kg)

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Fonte: Síntese Anual da Agropecuária de Santa Catarina 2016-2017.

Na figura 3 são apresentados os municípios de maior destaque na produção comercial de pescado, com destaque a região de Tubarão que concentra cinco dos dez maiores produtores: Grão Pará, Braço do Norte, São Martinho, Armazém e Rio Fortuna. O destaque fica para o município de Massaranduba que produz 1,77 mil toneladas, sendo o maior produtor do estado (Figura 3).

Figura 3 – Produção comercial dos dez maiores municípios produtores de Santa Catarina em 2016 (kg)

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Fonte: Síntese Anual da Agropecuária de Santa Catarina 2016-2017.

Devido à grande importância da atividade da piscicultura e a tendência de expansão no Estado, o NITA realizou uma pesquisa, que foi deflagrada de forma “on line” no período de maio a junho de 2018, dirigida a técnicos do setor que atuam nas diversas regiões do Estado.

A pesquisa buscou conhecer um pouco mais sobre a cadeia da piscicultura e captar a percepção técnica sobre deficiências e problemas que podem ser aprimoradas com tecnologias inovadoras.

O questionário foi encaminhado em formato eletrônico às coordenações das empresas que fornecem assistência técnica aos produtores, que por sua vez encaminharam aos seus técnicos com maior atuação na cadeia produtiva, resultando na opinião de profissionais com grande experiência na área. Como resultado obteve-se a participação de 19 técnicos, distribuídos entre a Epagri (90%), Cooperativas (5%) e Cidasc (5%).

Figura 4 – Frequência das respostas por região em relação a área de atuação do Programa SC Rural

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Fonte: Nita – Pesquisa realizada junto aos técnicos que atuam com bovinocultura de leite em Santa Catarina – maio de 2.018.

As respostas obtidas estão localizadas em sua maioria na região oeste e no litoral sul, seguida do planalto norte.

Aos participantes da pesquisa foi solicitado que apontassem mediante a pontuação em uma escala de 1 a 5 (onde 5 é o de maior importância), quais as áreas em que mais necessitam de inovação. Na figura 4 são apresentadas as áreas em que o maior número de técnicos que atribuíram pontuação 4 e 5.

Figura 4 – Área de maior pontuação total para a inovação (número de técnicos)

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Fonte: Nita – Pesquisa realizada junto aos técnicos que atuam com bovinocultura de leite em Santa Catarina – maio de 2.018.

Na figura 5, é apontada a área em que, na percepção dos participantes da pesquisa, há maior necessidade de inovação, aspecto este que corrobora com o questionamento sobre a área de maior importância. O controle de qualidade da água se destaca com 42%, seguido da alimentação (nutrição) com 16%. (Figura 5).

Figura 5 – Área considerada imprescindível para inovações

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Fonte: Nita – Pesquisa realizada junto aos técnicos que atuam com bovinocultura de leite em Santa Catarina – maio de 2.018.

Dentre as principais áreas apontadas como prioritárias para investimento em processos de inovação, passamos a destacar os principais comentários apresentados pelos participantes na pesquisa, relacionados a duas delas: o controle de qualidade de água e a alimentação e nutrição.

Controle de qualidade da água

  • Controle de qualidade de água é fundamental para produção acima da capacidade de suporte natural dos viveiros aquáticos. O produtor precisa de ferramentas de fácil uso para que avaliar a qualidade dá água numa frequência diária, para que em cima disso possa tomar decisões mais precisas, como horário de alimentação, manejo de aeradores, tratamentos, etc..
  • Manejo de água buscando alta produtividade de fito e zooplancton, e redução de custos de produção.
  • É na água que o peixe se desenvolve. É neste meio onde come e defeca, sendo fundamental o controle da qualidade do ambiente para uma melhor conversão alimentar e consequentemente viabilidade econômica da piscicultura.
  • Muitas vezes o piscicultor falha em alguma etapa no decorrer do ciclo produtivo por falta de acompanhamento técnico e fica sem marcação de dados importantes, que podem apresentar parâmetros para corrigir algum problema apresentado que poderá comprometer o processo produtivo.
  • Qualidade da água é fundamental e uma das mais importantes na piscicultura. Existem aparelhos e kits de monitoramento de qualidade, mas são poucos os piscicultores que adquirem e fazem o monitoramento. Um dos grandes complicadores da qualidade da água quanto ao consumo de oxigênio e liberação de amônia é a matéria orgânica proveniente de ração não consumida e das fezes geradas pelos peixes

Alimentação e nutrição

A alimentação dos peixes possui estreita correlação com a qualidade da água, já que a mesma irá influenciar na quantidade, tipo e frequência do fornecimento da alimentação.

A seguir alguns comentários adicionais obtidos na pesquisa com relação a esta questão:

  • Um dos principais problemas encontrados hoje é o arraçoamento seguindo somente a tabela de alimentação de acordo com a biomassa, ou fornecimento de ração de acordo com a comportamento do peixe (o peixe está comendo joga ração). Se faz necessário que se observe principalmente parâmetros de oxigênio, pH e temperatura, para fornecer a quantidade adequada com o objetivo de se obter a melhor conversão alimentar possível otimizando o uso da ração que hoje corresponde a 70% do custeio da atividade.

Conclusão

Em análise preliminar, ficou evidente que a principal preocupação da área técnica consultada, está direcionada para o correto controle da qualidade da água do cultivo, mediante o acompanhamento de indicadores e marcadores, os quais influenciam diretamente as demais práticas do sistema de produção, com destaque ao manejo da alimentação.

Como a ração se constitui no principal item de custo da atividade, ações com vistas a melhoria da conversão alimentar são aspectos críticos para o sucesso econômico da atividade.  Assim, o desenvolvimento de equipamentos e/ou softwares que produzam a informação necessária para a tomada de decisão e ajude responder questões como: qual o momento adequado para alimentar, qual a quantidade de ração a oferecer, quais os melhores horários para fornecimento da alimentação, quando devo ligar o sistema de aeração, entre outros, contribuirá para ganhos no desempenho dos indicadores técnicos e econômicos da atividade.

Também o desenvolvimento de equipamentos que possam trazer melhorias na qualidade do trabalho e segurança para o sistema de produção são fundamentais, como: automação de processos, emissão de alertas, redução do esforço físico no desempenho das práticas de manejo, são fundamentais para atrair novos adeptos a produção comercial de peixes.

Outro desafio está na acessibilidade das inovações ao produtor. Dado a isso, processos de difusão de inovações existentes e desenvolvimento de novas soluções são fundamentais, desde que as mesmas sejam ofertadas a um custo compatível com a produção em pequenas áreas, viabilizando a sua incorporação ao processo de produção. Fonte:NITA

Autor: Ditmar Alfonso Zimath, Engenheiro Agrônomo, Especialista em Administração Rural, Diretor de Projetos Especiais da Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca e Coordenador Técnico do Programa SC Rural e do NITA- Núcleo de Inovação Tecnológica para Agricultura Familiar

Bibliografia consultada:Sintese Anual da Agricultura de Santa Catarina 2016-2017. In: http://docweb.epagri.sc.gov.br/website_cepa/publicacoes/Sintese_2016_17_site.pdf

 

Mais informações: http://nita.org.br/desafios-tecnologicos-da-piscicultura-catarinense/
Secretaria Executiva Estadual do SC Rural – (48) 3664 4309 
Endereço eletrônico: imprensa@scrural.sc.gov.br

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