Microbacias II – uma história de inclusão, geração de renda e emprego, gestão e muitos frutos

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Várias palavras têm sido usadas pelos beneficiários para definir o Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável, o Microbacias II: renda, emprego, inclusão social, cidadania, desenvolvimento, agregação de valor, organização rural.

E elas são derivadas dos investimentos de mais de R$ 200 milhões em 266 organizações rurais de agricultores familiares e comunidades tradicionais, os quais se materializaram em packing houses; barracões multiuso; centros comunitários; máquinas, implementos e equipamentos agrícolas e de informática; novas tecnologias, veículos, barcos; readequação de estradas rurais; centros culturais e afins.  Ao olhar para esses resultados, obtidos entre os anos de 2011 e 2018, muitos se perguntam: como começou essa história? Para responder, é preciso voltar ao ano de 2008.

“Após o encerramento do Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas, que promoveu produção agrícola com sustentabilidade ambiental, com foco na conservação do solo e da água, começamos a delinear o Projeto Microbacias II, com um novo desafio proposto pelo Banco Mundial: elaborar um projeto com viés da sustentabilidade baseado no tripé social, econômico e ambiental, com base na organização dos produtores, que teve início no do Programa I, que incentivou a formação de associações nas microbacias trabalhadas. Empreendemos um grande esforço para desenhar um projeto de fortalecimento da agricultura familiar com geração de renda e emprego, tendo como centro das decisões e ações os próprios produtores, ao mesmo tempo em que, como instituição de assistência técnica e extensão rural (Ater), tivemos que nos capacitar para atuar com o enfoque de acesso ao mercado e gestão de negócios rurais, para muito além da difusão de tecnologias e políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção dentro porteira”, relembra João Brunelli Júnior, coordenador da CATI, que integrou o grupo de elaboração do Projeto Microbacias II.

José Luiz Fontes, que foi gerente de planejamento do Programa Microbacias I e coordenador substituto da CATI, durante o processo de negociação do Acordo de Empréstimo e assinatura do Projeto Microbacias II, relembra esse período de grande desafio. “Quanto ao trabalho realizado, da negociação até o início das ações, foi um período de enorme aprendizado para toda a equipe. Pela primeira vez, a CATI foi provocada a se preocupar com a questão de geração de renda para os produtores. Muito embora, já tivéssemos passado por um grande aprendizado, no desenvolvimento do Microbacias I e já termos pessoas capacitadas, incluindo funcionários de apoio administrativo, essa experiência foi muito diferente, pois exigiu que procedimentos fossem aprimorados e que a própria instituição, como as organizações dos produtores, tivesse uma gestão voltada para indicadores de resultados e de impacto”, relata o agrônomo, que atualmente coordena a Assessoria Técnica da Secretaria de Agricultura.

Para o deputado federal Arnaldo Jardim, que foi secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, entre os anos de 2015 e 2018, período de grande avanço do Microbacias II, o Projeto foi uma grande política pública, que marcou o cenário do agronegócio paulista. “Quando assumimos a Secretaria de Agricultura, o Microbacias II estava em um momento desafiador, com risco de não se completar, com prazos escassos e uma grande burocracia que dificultava a sua plena implementação. Diante desse cenário, nos empenhamos junto com a equipe da CATI, primeiro tendo à frente da Coordenadoria o engenheiro agrônomo José Carlos Rossetti, e depois o João Brunelli Júnior, que intensificou as ações, para mudar essa situação. Estabelecemos regras e procedimentos mais claros, fizemos uma nova Chamada Pública, que teve um número recorde de Propostas de Negócio aprovadas. O Microbacias II se reacendeu e se desdobrou, se tornando um Projeto de sucesso internacional, que mudou a realidade da Ater em São Paulo, gerando um aprendizado para todos os envolvidos e fortalecendo o compromisso com o agricultor paulista”, afirma o ex-secretário, salientando que o impacto do Projeto é extraordinário. “O Microbacias II organizou cooperativas, consolidou associações e deixou um aprendizado de espírito coletivo e de gerenciamento de projetos. Por meio dele, alimentos minimamente processados entraram na pauta do dia, principalmente na merenda escolar; mudaram costumes de alimentação; e o agricultor passou a ver além da produção e a agregar valor à sua produção. Os dados da auditoria contratada pelo Banco Mundial confirmam isso: que não são só fatos, mas mudanças de comportamento que vieram para ficar”.

Para Cláudio Antônio Baptistella, diretor da CATI Regional Araçatuba, que foi gerente técnico do Programa I e integrou a Unidade de Gerenciamento do Projeto (UGP) Microbacias II, esse Projeto também foi diferente de outras ações implementadas pelo governo do Estado para o fortalecimento da agricultura familiar, pois estabeleceu uma nova dinâmica de política pública. “Muitos projetos e programas têm como viés a simples doação, o que leva muitas vezes ao não comprometimento de beneficiários. No Microbacias II, a exigência da contrapartida das organizações de produtores rurais e das comunidades tradicionais, elevou o grau de comprometimento daqueles que realmente quiseram participar, pois entenderam que teriam apoio para superar os obstáculos, mas que eram os protagonistas das ações para ter sucesso em seus empreendimentos”.

Sobre os resultados do Projeto Microbacias II

Ao ser questionado sobre um exemplo marcante dessa trajetória de trabalho com a equipe de execução do Projeto, o ex-secretário Arnaldo Jardim destacou emocionado: “Não há nada mais marcante para mim, quando eu, em mais de uma ocasião, em cidades de todo Estado, ouvi de uma agricultora – e tantas foram as mulheres que lideraram esse Projeto –, ou de um agricultor:  ‘o Microbacias II mudou a minha vida, pois o meu filho que não tinha gosto pela atividade da roça passou a ver com outros olhos; ‘o meu filho’, disseram outros, ‘que não tinha interesse no que eu fazia, passou a acompanhar mais de perto; e outros disseram ainda: ‘meu filho estudou Administração e agora voltou para completar aquilo que fazemos, plantando e ajudando a organizar a nossa atividade’. Esses relatos foram os mais emocionantes e marcantes para mim, pois dão sentido de continuidade, quando novas gerações passam a ver de outra forma a atividade rural, que em nosso País é inovadora, fantástica e tem impulsionado a economia do Brasil, mas ainda sofre de preconceito do grande público. O Projeto Microbacias II veio para fazer a diferença e, mesmo para as pessoas mais simples, mostrar que ser agricultor é um ato de amor à natureza e ao trabalho, daquele que é o grande profissional brasileiro. Eu tenho orgulho de ter participado desse Projeto e desse processo”.

José Luiz Fontes ressalta: “Como funcionário da CATI tenho muito orgulho de ter participado desse trabalho, pois os resultados concretos mostram todo o potencial que a extensão rural tem de mudar a vida das pessoas, transformando sonhos em realidade”.

Já o coordenador da CATI, João Brunelli avalia: “Nesses sete anos de execução, organizações rurais foram fortalecidas e capacitadas em gestão de negócios próprios, se tornando proativas no processo de desenvolvimento sustentável; houve a ampliação da produção familiar no mercado, com oferta de produtos de maior qualidade e valor agregado; geração de renda e emprego que se traduziu em fixação no campo de famílias com melhor qualidade de vida; tradições culturais foram mantidas e/ou resgatadas; consumidores receberam alimentos de melhor qualidade; estradas rurais foram recuperadas; o meio ambiente foi preservado e outras tantas transformações foram possíveis, graças ao empenho dos técnicos e de parceiros, mas principalmente ao compromisso e à dedicação das associações e cooperativas envolvidas, que entenderam o espírito do Projeto, mas, mais que isso, assumiram que os recursos investidos foram apenas o início de uma história que os produtores têm páginas e páginas em branco a ser escritas pelas próximas gerações”. Por: Cleusa Pinheiro – Jornalista – Centro de Comunicação Rural (Cecor/CATI) 

Mais informações: www.cati.sp.gov.br

Secretaria Executiva Estadual do SC Rural – (48) 3664 4309
Endereço eletrônico: imprensa@scrural.sc.gov.br

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