Formas, cheiros e sabores que perpetuam tradições do meio rural catarinense

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Testo Alto – Pomerode

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Rio da Luz – Jaraguá do Sul

As comunidades rurais Testo Alto, em Pomerode e Rio da Luz, em Jaraguá do Sul, separadas pela Serra de Jaraguá, localizam-se em pequenos vales, região em que predominam pequenas propriedades com base na agricultura familiar.

Nessas áreas, perduram traços de sua formação, como aspectos linguísticos, festas típicas, hábitos culinários e religiosos – próprios de contexto rural. Encontram-se também, em número considerável, edificações que remetem ao período colonizatório.  

Como reconhecimento às suas referências ao contexto da imigração europeia no Vale do Itajaí, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) estabeleceu o tombamento do Conjunto Rural Testo Alto e do Conjunto Rural de Rio da Luz em 2011. Foi, portanto, formalizada a relevância histórica e cultural das edificações individuais ou conjuntas e da área rural circundante.

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Ecos da tradição alemã presentes nas formas arquitetônicas, cheiros e sabores, preservados com genuína simplicidade na forma de viver de um povo que ama suas raízes. Registrar essa riqueza cultural é o objetivo do Projeto Lumiar, iniciado em 2018.

 

A coordenadora Tade-Ane Amorim e a comunicadora Raquel Schwengber explicam que a iniciativa pretende desenvolver uma série de produtos que preservem a história oral, arquitetônica e cultural da região através de vídeos, livros e mapas. Segundo ela, a ideia é construir o programa junto com a comunidade, para que as pessoas se reconheçam nesse trabalho e para que as futuras gerações tenham o conhecimento de como seus pais, avôs e bisavôs viviam.

O primeiro produto lançado foi o portal www.projetolumiar.com. "Ele serve para apresentarmos à comunidade o que estamos fazendo e também para mostrar os primeiros resultados de nosso trabalho", esclarece Tade-Ane.

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Além do portal, devem ser lançados até o fim de 2020 dois livros sobre as regiões. Um deles abordará aspectos sobre as técnicas construtivas do patrimônio material composto pelas casas enxaimel. O segundo volume abordará a cultura imaterial através da história oral.

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"É um trabalho ainda em construção, pois estamos verificando com a comunidade quem deseja participar para contar um pouco mais sobre sua história", diz Raquel. Para as pesquisadoras, o objetivo principal de todo o trabalho é fazer com que a comunidade se reconheça nas histórias contadas nos livros e vídeos. "É um trabalho feito muito mais para a comunidade do que para as pessoas de fora. Sempre que concluímos a edição de um vídeo, por exemplo, mostramos primeiro para a família, é uma celebração da história deles e que ficará como um registro para as futuras gerações".

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Todas essas histórias serão contadas a partir de um tema central em comum, que é o patrimônio alimentar da região. "Acreditamos que esse é um fio que puxa todas as relações sociais, econômicas e políticas", revela Tade-Ane.

Além dos livros e vídeos, um aplicativo para smartphones será lançado, a ideia é que se assemelhe a um mapa interativo, onde as pessoas que desejarem conhecer a região tenham acesso não somente aos locais onde estão localizadas as propriedades, mas quem possam ter acesso a um pouco da história daquelas pessoas através de vídeos e depoimentos e que também saibam onde podem adquirir produtos e se hospedar. "A intenção é desenvolver um trabalho com a comunidade que debata o turismo com base comunitária".  

 

Entenda o projeto

O Projeto Lumiar nasceu por conta da implantação de uma linha de transmissão da Companhia Paranaense de Energia (Copel) que vai de Blumenau a São José dos Pinhais (PR). Para uma ação dessa envergadura, é necessária uma série de licenciamentos ambientais e culturais.

Dentro do licenciamento cultural é feita uma avaliação de impacto aos patrimônios tombados, valorados (relacionado aos bens ferroviários) e registrados (patrimônio arqueológico). Durante a avaliação foi percebido o impacto ao patrimônio tombado, já que a linha de transmissão passa próximo a poligonal de tombamento (dentro da área onde há imóveis tombados). Neste quesito, foi realizada uma discussão com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para definir quais seriam as melhores iniciativas para mitigar e compensar esse impacto. A partir daí surge o Programa de Gestão ao Patrimônio Cultural Tombado, com o qual trabalhamos. "A linha de transmissão passa por Rio da Luz, ou seja, não haverá impactos visíveis para a comunidade de Testo Alto, no entanto, as duas regiões compõe a mesma poligonal de tombamento, por estes motivos o projeto abrange ambas as comunidades", explica Tade-Ane.

Também fará parte do projeto a confecção de um mapa físico atualizado após o levantamento de todas as construções históricas existentes na área e um trabalho de educação patrimonial. Esta parte do projeto envolve o já citado trabalho de turismo comunitário como também oficinas feitas em escolas e com guias de turismo.

Todas as ações serão postas em prática até o fim de 2020. Os livros devem ser lançados em meados de julho daquele ano. Por enquanto a comunidade pode conferir os primeiros resultados do trabalho desenvolvido pelo Projeto Lumiar no portal.  Fonte:Projeto luminar

 

Mais informações: https://www.projetolumiar.com/

Secretaria Executiva Estadual do SC Rural – (48) 3664 4309
Endereço eletrônico: imprensa@scrural.sc.gov.br

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