300 mulheres representam Santa Catarina na Marcha das Margaridas em Brasilia

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Cerca de 300 mulheres agricultoras de Santa Catarina pegaram a estrada e embarcaram na segunda-feira (12) para participar da 6ª Marcha das Margaridas, que termina hoje, no Parque da Cidade, em Brasília.

A delegação catarinense conta com dirigentes sindicais, assessoras, colaboradas, diretoras e presidentes dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais filiados à Fetaesc e trabalhadoras rurais dos municípios de Criciúma, Erval Velho, Curitibanos, São João do Sul e das microrregiões Florianópolis Norte, Litoral Norte, Cebola, Astramate, Vale do Araranguá, Três Fronteiras, Centro-Oeste, Vale do Rio do Peixe e Baixo Vale do Itajaí.

A Marcha das Margaridas é uma ampla ação estratégica das mulheres do campo, da floresta e das águas para conquistar visibilidade, reconhecimento social, político e cidadania plena. Criada em 2000, a Marcha das Margaridas vem se tornando a maior e mais efetiva ação de luta das mulheres contra a exploração, a dominação e todas as formas de violência e em favor da igualdade, autonomia e liberdade para as mulheres. A voz de milhares de trabalhadoras do campo, da floresta, das águas e da cidade lutam por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência.

Milhares de agricultoras familiares, indígenas, quilombolas, ribeirinhas, pescadoras, marisqueiras, geraizeiras, quebradeiras de coco babaçu e extrativistas que vêm de todas as regiões do Brasil e da América Latina estarão em Brasília para apresentar uma plataforma política em defesa da classe trabalhadora, principalmente, das mulheres.    

A coordenadora de Mulheres da Fetaesc, Agnes Schipanski Weiwanko, ressalta que, depois de meses de organização e formação das agricultoras catarinenses, é gratificante ver o ânimo e o empenho das mulheres durante o embarque para chegarem a Brasília. “A Marcha das Margaridas é um momento importantíssimo para reafirmar a luta das mulheres e apresentar as reivindicações para garantir direitos e melhorias de vida e de trabalho no campo”, salienta a coordenadora de Mulheres de Santa Catarina.

Agnes Weiwanko destaca ainda que a luta das mulheres é reconhecida, respeitada e ganhou visibilidade graças às marchas anteriores. “Precisamos dar continuidade ao projeto, que ganha ainda mais força este ano, e mostrar à sociedade a importância dessa ação que envolve milhares de mulheres do Brasil e representantes de outros 26 países”, complementa.

A Marcha se constrói a partir de amplo processo formativo, de debate, ação política e mobilização, desenvolvido pelas mulheres desde as comunidades, municípios e estados até chegar às ruas da Capital do País.

Coordenada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), 27 Federações e mais de 4 mil Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais filiados, a Marcha das Margaridas se constrói em parceria com 16 movimentos feministas e de mulheres trabalhadoras, centrais sindicais e organizações internacionais.

A Marcha tem como força inspiradora a luta de Margarida Maria Alves, uma mulher trabalhadora rural nordestina, que rompeu os padrões tradicionais de gênero e ocupou, por 12 anos, a presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba.

MARGARIDA ALVES

Margarida Alves foi uma líder sindical bastante influente, construiu uma trajetória sindical de luta pelo direito à terra, pela reforma agrária, por melhores condições de trabalho e contra as injustiças sociais e o analfabetismo, além de fundar, enquanto esteve à frente do sindicato, o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural.

No dia 12 de agosto de 1983, aos 40 anos, a grande lutadora do povo foi brutalmente assassinada na porta da sua casa. Seu nome se tornou um símbolo nacional de força e coragem cultivado pelas mulheres e homens do campo, da floresta e das águas. É em nome dessa luta que a cada quatro anos, no mês de agosto, milhares de Margaridas de todos os cantos do País marcham em Brasília, num clamor por justiça, igualdade e paz no campo e na cidade.

Conheça os 10 eixos políticos da Marcha das Margaridas 2019:

Por Terra, Água e Agroecologia

Pela autodeterminação dos povos, com soberania alimentar e energética

Pela proteção e conservação da sociobiodiversidade e acesso aos bens comuns

Por autonomia econômica, trabalho e renda

Por Previdência e à Assistência Social pública, universal e solidária

Por Saúde pública e em defesa do SUS

Por uma educação não-sexista e antirracista e pelo direito à educação do campo

Pela autonomia e liberdade das mulheres sobre o seu corpo e a sua sexualidade

Por uma vida livre de todas as formas de violência, sem racismo e sem sexismo

Por democracia com igualdade e fortalecimento da participação política das mulheres

 

Mais informações: www.fetaesc.com

Secretaria Executiva Estadual do SC Rural – (48) 3664 4309
Endereço eletrônico: imprensa@scrural.sc.gov.br

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